Capitulo 7 - AUSTIN pt.3
Ainda estamos ao anoitecer sob a luz das estrelas, deitados sobre a areia fria do pequeno deserto. Charlott ajudou na recuperação de Luna, ela já esta acordada e parece bem.
Fecho os olhos e sinto uma tempestade no estômago. Quase morrer três vezes na mesma semana não é bem algo que motive para seguir com o plano. Deve haver um exército de soldados como esses por lá. Não temos tempo para treinar ou montar um exército, somos só nós. E tem que ser o suficiente.
- Pelo menos ainda temos um carro - diz Carlo ao se sentar na areia
- Você cuidou muito bem dele enquanto correu para se esconder - Respondo o Carlo com um sorriso de alívio no rosto.
- Aliás, não precisa me agradecer por salvar a vida de vocês - Carlo responde
Voltamos para o carro e dormimos até os primeiros raios de sol nos acordar.
E então continuaremos a seguir para o Oeste? Longe das cidades, de brigas, mortes? Ou tem algum outro plano senhor Austin? - Charlott pergunta com o mesmo mal humor de todas as manhãs.
Geralmente eu a ignoro, mas dessa vez ela tem razão, devemos ser mais cuidadosos. Pego o mapa e tento traçar uma rota segura, longe de cidades.
"Suspeita de mestiço em Mares de Bleyton, ao Leste, no litoral de Aland. Mande uma equipe para averiguar, e exterminar", Somos avisados pelo rádio na bolsa de Carlo.
- Vamos para o Litoral, ao Leste. - Digo fechando o mapa.
Saímos da rota inicialmente traçada, e seguimos para o Litoral. Não fazia parte do plano irmos atrás de mais problemas, mas acho que todos nós estamos de acordo em ajudar o que pode ser um dos nossos.
- Você acha que existe muitos outros iguais a nós - Charlott pergunta a Luna que está deitada com a cabeça em seu ombro.
- Não muitos. Caçadores só podem se apaixonar uma vez na sua longa vida. E durante as últimas décadas os caçadores estavam muito ocupados servindo ao rei ou fugindo para não serem mortos pelos traidores. - Luna responde.
- Não podemos ajudar a todos, eles devem estar espalhado por todos os cantos do mundo. - Charlott fala em tom de tristeza.
- Eles estão muito mais perto do que imaginamos. - Luna responde com um leve sorriso no rosto. - Aland por centenas de anos foi o abrigo de "pessoas especiais" aquelas com dons. Escolheram Aland por ser um país quase esquecido, distante, no meio do aceano. Foi aqui em Aland também onde aconteceu o banimento do submundanos. E em algum lugar no encontro das quatro linhas está o portal entre os mundos. Os Caçadores tinham uma única missão, de proteger o portal e o mundo dos submundanos, já a sua imortalidade estava ligada ao juramento de servidão eterna. Eles poderiam se apaixonar apenas uma vez, mas em troca abririam mão de sua imortalidade. A oferta do rei em oferece poder e riqueza aos caçadores alcançou o mundo inteiro. Todos vinheram para Aland, uns pela oferta, outros com a missão de proteger o portal do perigo eminente da traição dos caçadores. Mas ainda existiam os que alcançaram uma riqueza maior na terra, os que abriram mão da imortalidade, os que amaram, e mesmo sem a imortalidade lutaram pelo seu povo, pela sua família, e morreram.- Luna termina a história com os olhos cheios, como se segurasse uma lágrima.
Carlo para o carro em uma loja, a placa indica que ele precisa de algo para o carro.
- Baterias... importante, importantíssimo. - diz Carlo animado.
As garotas também descem do carro, devem estar precisando de ar fresco. Charlott vai até o banheiro e Luna fica na porta. Olho para ela por um instante. Me intriga o fato das vozes terem sumido nos últimos dias, desde o dia em que a resgatei para ser mais exato, até o Booh que vive me perturbando não fala mais, apesar de ainda o sentir.
Acho que estou a observando tempo de mais, ela olha de volta e sorri, talves eu a tenha deixado sem graça. Charlott volta e puxa um assunto qualquer, fazendo Luna voltar sua atenção para ela.
Viro para o lado e fecho os olhos na intenção de descansar uns minutos até que eles voltem. Mas Luna volta a minha mente, me lembro com detalhe de seus olhos negros, da mecha de cabelo vermelho perdida no restando dos cabelos pretos um pouco bagunçado. Sinto uma leve vontade de sorrir.
- Você poderia pelo menos abrir o porta mala já que não vai ajudar a carregar - Carlo me disperta com duas reclamações exageradas.
Ele carrega apenas uma peça de bateria, Luna carrega 3 mas sem usar os braços, está ficando boa com a telecinese, Charlott está carregando cinco mas com certeza carregaria três vezes mais. Abro o porta mala e os ajudo aguardar.
- Alguém está com fome?, Aqui eles também vendem hambúrguer - diz Luna
- Qual é? Gastei todas as minha economias nessas baterias - diz Carlo com chateação.
- Vão indo, comam o que quiserem que dessa vez eu pago - Charlott responde, tentando dispensa-los para uma conversa a sós.
Os dois saem correndo, como se apostas sem uma corrida, como duas crianças inocentes, sem idéia do que está por vir em poucos dias.
- Eu percebi o jeito que olhou pra Luna docarro - Charlott esboça um sorriso malicioso enquanto faz o comentário.
- Não sei do que está falando - respondo tentando desviar o olhar.
- Quer conversar?- diz Charlott.
- Não, só acho ela..... Só acho legal. - respondo.
Carlo e Luna saem da loja com as sacolas de hambúrguer e voltam em direção ao carro. Sorrindo como se não fizessem uma refeição a séculos.
- Carlo, precisamos pegar mais alguns hambúrguer para a viagem, você me acompanha? - Charlott deixa escancarado seu plano de deixar eu e a Luna sozinhos, apenas com seu sorriso no rosto.
Enfim estamos sós, o frio na barriga está de volta, ela me acalma e me deixa nervoso ao mesmo tempo, como um só sensação.
- Você tem um dom incrível, controla ele muito bem - Falo tentando puxar assunto com Luna.
- Obrigado Austin, ainda estou descobrindo como funciona. Você também faz coisas... "Sombrias", mas bem legais. - Luna responde enquanto pega um cubo de gelo no seu copo de suco. O gelo aos poucos ganha uma forma de bailarina em suas mãos.
- Obrigado Lua, mas não são tão legais assim, tem uma parte deles que me assusta um pouco. - respondo
- Me conte sobre ele - diz Luna
Pego em minhas mãos a bailarina de gelo que Luna acabara de criar. O gelo branco quase transpatente ganha uma cor acinzentada, a fumaça ao redor está densa e escura, a bailarina ganha vida e dança em minha mão, mas aos pouco ela para e se vira para mim, como se esperasse uma ordem. E então eu fecho a mão e a quebro em vários pequenos pedaços.
- Primeiro foi meu cachorro, não queria que ele tivesse morrido. Foi como se eu soubesse onde eu deveria o procurar, então só fechei os olhos e pedi para que voltasse. E ele voltou, não como antes. Não até eu entender que o preço de uma vida, é outra vida. Depois do meu cachorro, foi um pássaro, depois um boneco e por fim as sombras. - respondi olhando para as centenas de pedaços de gelo em mão.
- Uma vida por uma vida? Seu cachorro voltou?, e como um boneco, algo que nunca teve alma? - Luna pergunta confusa
- O pássaro, sacrifiquei o pássaro em troca do meu cachorro, e ele voltou a ser o mesmo de sempre. Mas ressuscite o pássaro, sem nada em troca, só trouxe algo que habitasse seu corpo, assim como o do boneco, e as sombras. Por isso tenho controle sobre o que trago a vida. - Respondo.
- Wow!! De mais - diz Luna arregalados os olhos.
Um barulho vem da lanchonete e me chama a atenção, logo após um silêncio. Charlott e Carlo estão demorando para voltar, começo a caminhar em direção a lanchonete coloco a mão na porta, mas antes que ela se abra escuto meu nome.
- Austin - grita Luna.
Me viro rapidamente, meu corpo congela. São doze cavalos negros de olhos vermelhos, mas tem apenas dez homens, com uniformes iguais aos nossos, sem o remendo no peito, o símbolo está lá. São caçadores. Um deles está com Luna presa em seus braços, com uma longa adaga pressionada em sua garganta, um outro soldado se aproxima com um dispositivo e pressiona sobre a nuca dela.
O sino da porta atrás de mim balança, indica que alguém está saindo. Não me viro, não tiro os olhos de Luna. Pelo canto do olho vejo enquanto um caçador passa em meu lado carregando Carlo e Charlott. Há uma marca presa em suas cervicais.
Um outro caçador pressiona o que parece o mesmo dispositivo em meu braço, e me empurra para o chão.
-Booh, é melhor aparecer, teremos um longo dia por aqui - surruro o suficiente para que só eu possa ouvir. - Booh?.
- Anda garoto, vamos embora. Não gaste meu tempo - o caçador que me empurra vem em minha direção e me segura.
Tento me esquivar, lutar, mas é inútil, como se meus dons fossem embora. Como se estivesse sozinho.
Uma flexa passa entre Charlott e o caçador que a segura. Noto uma gota de sangue escorrendo bem lentamente em seu pescoço. Pisco os olhos com a sensação do tempo está passando muito de vagar. Estou confuso, todos estão se movendo como se fossem parar a qualquer momento. A flexa causou um pequeno corte onde deveria está o dispositivo da Charlott. Ele não está mais lá, o corte também não.
- CHEGA DE TRUQUES POR HOJE SUAS ABERRAÇÕES - grita um dos caçadores.
Sinto uma pancada forte em minha cabeça, fico zonzo, não consigo focar meus olhos, está tudo escuro. Então apago.
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