Capitulo 3 - CHARLOTT

Ser capturada e presa fazia parte do plano, devo ter irritado a maior parte dos mercenários do lado sul de Aland. Não que eu trabalhe para rei, mas eles oferecem uma boa recompensa pela captura de criminosos.

O cartaz grudado na parede de um comércio mostrava a imagem de um homem barbudo, ofereciam dez mil moedas de ouro para quem o entregasse vivo. O homem era conhecido como chefe do crime das regiões Norte e parte da oeste de Aland, mas eu tinha um bom plano. Hora da caçada.

Invadir uma base clandestina de drogas e armas sozinha atrás de um dos criminosos mais protegidos que o próprio rei me custou algumas gotas de suor, mas por outro lado uma boa quantia de dinheiro. Tive que forjar um crime bobo, roubar uns pequenos diamantes e me entregar, presa, mas protegida pelos soldados do meu principal inimigo.

Não sinto fome, mas gosto de comer. Passei o dia sem nenhuma refeição, estou começando a ficar bem irritada, espero que me tragam uma porção extra na janta para compensar a ausência doalmoço. Miseráveis me trouxeram apenas uma tigela. Mas eles vão ter uma lição.

- Oi garotos. - Olho para Austin que está parado me observando enquanto arremesso um soldado pela minha cela

- Parece que esteve ocupada nos últimos dias Charlott.

- Pelo que vejo você também esteve bem ocupado, não é mesmo irmão - Sorrio para moça que esta com meu uniforme.

- Oi sou Luna Morgryd, prazer. E você deve ser Charlott, certo?

- Morgryd? Aqueles que moram na casa velha mal assombrada? Não me leve a mal, mas sempre quis perguntar! a casa é realmente mal assombrada?

- Digamos que sim. - Eu deveria ter me sentido ofendida com o que ela disse, mas achei engraçado.

Voltamos para o porão e abre o mapa em cima da mesa velha e coloca o dedo sobre o círculo marcado.

- De novo essa história de vingança?! Nem sabemos se eles realmente estão lá! E depois, e se você conseguir sua vingança?, matar o rei e depois?

- Depois resgatamos as bruxas, restabelecemos a magia e o equilíbrio do universo e banimos os príncipes do submundo. Simples assim - Luna me interrompe enquanto fala com um surriso animador no rosto.

- Do que você está falando? Que equilíbrio? Que magia?

- O ano em que estamos, completa duzentos anos da última vindo dos submundanos a superfície. Da última vez conseguimos impedi-los graças as magias das bruxas que mantinham vivo o feitiço do banimento. Mas depois das caças as bruxas sobraram muito poucas de nós, e às que sobraram estão presas sobre o domínio do Rei, só esperando o dia do sacrifício.

- Sabemos que isso não passa de uma lenda. - digo

- Bruxas não podem mentir, não deveria te contar isso, mas bruxas não mentem. Minha mãe me contava essa história todas as noites antes de dormir. - diz Luna.

Um silêncio perturbador toma o porão, olho para o chão empoeirado, não sei dizer o que passa pela minha cabeça. Me lembro do dia em que uma bruxa foi enforcada na praça do vilarejo, o inquisitor perguntava seu nome e pedia para que ela confessasse perante todos o seu crime, e assim ela fez. Perguntei ao meu pai porque simplismente ela não negava as acusações e pedia um julgamento. "Bruxas não mentem minha filha". Seu olhar estava distante, triste talvez, mas fixos na bruxa.

- Falaremos sobre isso uma outra hora. Estou morrendo de fome e preciso de um banho. - digo

- Aproveitando que bruxas não mentem, tenho uma curiosidade. Lobisomens existe? - Austin parecia realmente empolgado com o assunto.

- Você está perguntando para uma garota que viveu trancada em um templo. - Luna responde
Eles me observam enquanto deixo o porão. O chuveiro fica improvisado ao lado da cozinha, apesar de minúsculo é um ótimo lugar pra colocar as idéias no lugar.

Então a garota está certa, tem algo acontecendo além das fronteiras de San Marye.
O frio em minha barriga continua, mas por que eu deveria me importar? Mesmo que isso tudo aconteça, o que afetará esse vilarejo velho e cheio de gente velha?.

Eu deveria me orgulhar de ter o mesmo sangue dos Caçadores, de ter herdado dons do meu pai, deveria, mas sinto raiva, traidores malditos, se venderam por poder, foram traídos pela própria ganância. Por um momento penso que essa guerra no é minha, não posso fazer nada, infelizmente. E o que me tornaria diferente dos caçadores, aqueles que se negaram a servir ao rei, mas ao invés de lutar fugiram, se esconderam enquanto os traidores perseguiram bruxas e dizimaram povos. O que me tornaria diferente do meu pai?.

-Como foi o banho? - Escuto a voz suave e calma de Luna em meio ao escuro da sala, achei que eles estivessem dormindo.

-Hã...., bom? - Ofereço uns pães e suco que trouxe da cozinha enqunto respondo.

- Austin morreu ou está só dormindo? - pergunto ao ver meu irmão jogado no sofá dormindo como pedra.

- Achei que estava morto pela manhã, até que derrepente ele acordou.
Um silêncio perturbador se estende por alguns segundos.

- Então, qual o plano? - Pergunto.

- Você!, pelo menos foi o que Austin disse, que você teria um plano.

- E como ele está?

- Bem eu acho, o conheci a pouco tempo para saber o que é ele estar bem.

- Vocês são irmãos?

- Não de sangue, fomos criados juntos, desde a morte de seus pais, meu pai o trouxe para casa. Ele se sentiu culpado.

- Culpado?

- Meu pai foi enfeitiçado por um dos feiticeiros do rei, foi obrigado a contar onde os pais do Austin estavam. Foi o primeiro a chegar ao local, a tempo de esconder da inquisição que eles haviam tido um filho.Meu pai não conseguiu conviver com a culpa é pediu a uma feiticeira que o amaldiçoasse fazendo com que nunca mais pudesse falar, e assim aconteceu.

Ele nasceu com o dom de se curar e curar as pessoas, assim como eu herdei dele. Mas preferiu se entregar e morrer.

- Austin é filho de Beatrice e Conrad Mellowgard. Você Já deve ter ouvido a história do caçador que se apaixona pela bruxa e tem um filho, o mestiço com o poder de reinar os dois mundos. - Luna fala, como se contasse uma história que já havia decorado.

- Sim, já conhecemos essa história. - respondo.

- Você é filha de um Caçador também, então qual seu dom?

Pego uma flor morta que Luna usa para marcar a página de um livro marrom, coloco entre minhas mãos, me concentro um pouco. A planta está viva, curada.

- Posso curar a mim e a outras pessoas, legal né? Não me canso ao correr ou sinto algum tipo de dor por exemplo.

- Por Deus, isso é incrível! - Luna responde esquecendo que temos que surrurar para não acordar o morto do Austin.

- Chega de perguntas mocinha, tá na hora de dormir.

Demorei um pouco até descobrir meu dom, passava a maior parte do meu tempo livre treinando técnicas de lutas e combates com meu pai, ele era o melhor. Austin treinava as vezes mas desistia, talves pela falta de concentração, ele dizia que era difícil se concentrar com as vozes na cabeça. Ele
sempre tinha dificuldades em tudo, principalmente em coisas básicas, como ir à escola ou dormir. Isso só começou a melhorar depois que desenvolvi meu poder de cura e o ajudei a controlar.

Todos os dias íamos para a garagem e tentávamos descobrir o que estava acontecendo. "Confia em mim Austin, libere as vozes, as escute, se algo sair do controle estarei aqui e as mandarei embora".

Certo dia na saída da escola, enquanto eu esperava meu irmão para irmos para casa, o vi cercado por um grupo de garotos maiores do que ele, ouvia enquanto os garotos o chamavam de "órfão esquisito". Ele estava lá, imóvel sem expressão alguma, balançado a cabeça, e logo seus olhos ficaram negros, sombrios, e em segundos os garotos estavam no chão, como se um raio estivesse derrubado tudo ao seu redor.

A noite na garagem antes de iniciarmos nosso treinamento perguntei o que havia acontecido pela manhã. " - Eu estava com medo, uma voz me disse que poderia resolver aquilo se eu quisesse, e uma outras voz me mandava ir para casa, então deixei que a primeira voz me ajudasse. Foi como se toda minha raiva de todos esses anos se manifestasse. E então não me lembro de mais nada ". Jamais esquecerei a escuridão de seus olhos naquela manhã.

Luna parece bem animada com a idéia de começarmos umas guerra, se é que começaremos, aposto que não temos a menor chance. Não a julgo, assim como ela eu nunca me aventurei além do Sul de Aland. Austin sempre me contava sobre suas aventuras, principalmente ao norte, me mostrava novas culturas, armas e tecnologias que dizia ter "pegado emprestado". Me contava principalmente sobre as histórias que ouvia sobre criaturas estranhas que viviam escondidas, mas nunca chegou a vê-las.

Começei a pensar no fato dos submundanos e dos caçadores terem sido visto em vários cantos do mundo, isso significa que existem outros como eu e meu irmão por aí. Talvez devêssemos pedir ajuda, um reforço. Afasto esse pensamento da cabeça. Não, não quero mais perder ninguém.

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