Capitulo 27 - ELAK
Esfrego meus olhos ainda tentando me livrar da poeira causada pelo desmoronamento de parte do teto.
- Temos que tirar os caçadores daqui, antes que esse lugar inteiro desmorone - diz Rakrom
Aceno com a cabeça em sinal de concordância.
- Qual o plano? -digo.
- Um portal, mas preciso da sua ajuda e só teremos uma chance.
- Vamos nessa - digo.
Rakrom emite um som com a boca, talvez um assobio, e em segundo se pode ouvir o relinchar do Ikaro com suas enormes asas negras voando sobre nós.
- Ao meu sinal desacelere o tempo e não deixe que os caçadores escapem, vou levá-los para longe - diz Rakrom.
- Eu vou com você - digo
- Fique e lute com seus amigos - responde Rakrom.
Abaixo a cabeça e respiro fundo por algumas vezes, tentando me concentrar. Rakrom monta em Ícaro e dois avançam em direção aos caçadores.
- Agora! - ele diz
Volto minha atenção aos dois caçadores em minha frente, a cortina de poeira ainda impregna parte da sala dificultando minha visão. Rakrom se aproxima cada vez mais do seu alvo, e ainda não consigo o ajudá-lo. "Vamos Ikal, vamos, se concentre" repito diversas vezes em sussurros.
Desacelero todo o tempo ao meu redor, corro o mais rápido que consigo até que a poeira não ofusque minha visão. Finalmente consigo vê-los, os alvos atacam os lobos e não percebem minha aproximação. Deixo que o tempo volte ao seu compasso normal e então me foco nos caçadores.
Rakrom lança sua espada em direção aos alvos, assim que toca o chão uma pequena fenda começa a se abrir bem a nossa frente, em segundos ela se abre emitindo uma luz quase ofuscante.
Os caçadores mal têm tempo de levar suas mãos aos olhos para que se protejam da luz, Rakrom e Ikaro mergulham cortando o ar empurrando os caçadores para dentro do portal junto com eles. Assim que atravessam a fenda ela vai se fechando aos poucos. Fixo meus olhos sobre o feixe de luz e corro.
Salto sobre o portal ainda aberto e consigo atravessar. O ar aqui é frio e sinto alguns hematomas doerem sobre meu corpo, abro meus olhos lentamente enquanto me levanto.
- Eu disse para você ficar, não disse?
- Disse para eu ficar e lutar com meus amigos, mas preferi vir e lutar com minha família - digo.
Não conheço o lugar para onde o portal nos trouxe, parece um antigo vilarejo já em ruínas. Os chão de pequenos tijolos, casas parcialmente destruídas e ainda em chamas, aparentemente um vilarejo abandonado e todo em tons de cinza, sem sinais de habitantes locais.
O caçador com a cicatriz em sua cabeça saca sua espada e nos encara com olhos sombrios, seu uniforme preto com o símbolo dos caçadores está parcialmente queimado, resultado da batalha com os garotos no esconderijo da floresta. O outro caçador nos observa atentamente com um breve sorriso no rosto, como se a qualquer momento fosse desmoronar tudo ao nosso redor, e é isso que ele faz.
O chão começa a tremer abrindo algumas rachaduras em nossa direção. Levo as mãos para trás antes de perceber que não estou com meu arco e minhas flechas. "droga, não vou conseguir enfrentá-los no combate direto", digo em pensamento
Deixo o tempo lento enquanto corro desviando das rachaduras no chão, chego perto do primeiro caçador e antes que o acerte sou atingido por um pedaço dos destroços me jogando direto para o chão. Tudo voltou à sua velocidade normal e antes que eu me concentre novamente o caçador me segura pelo pescoço.
- Criança tola, acha mesmo que eu iria cair nesse seu truque de novo? Você só pode parar aquilo que vê. Você foi atingido de surpresa, não é mesmo? - diz o caçador.
- Olha, eu não tinha percebido isso, mas vou anotar sua observação - digo.
Droga, esse tipo de resposta eu devo ter aprendido com a Charlott, só não posso me esquecer que ela não sente dor e se regenera.
O caçador pressiona seus dedos em meu pescoço com mais intensidade, respirar já se torna algo difícil. Ao fundo ainda com a visão meia turva vejo Rakrom tentando se aproximar montado em Ikaro, a tempestade de vento criado pelo segundo caçador os leva direto para o chão.
- Acha que pode me vencer garoto? Filho de caçador? Fraco desse jeito só poderia ter tido uma mãe bruxa - diz o caçador.
Antes que meus olhos se fechem sou despertado por uma pequena rajada de vento passando em frente ao meu rosto como um vulto branco, em seguida sou atingido por manchas de sangue em meu rosto. Atinjo o chão bruscamente junto com a mão do caçador recém arrancada de seu braço.
Tento me levantar rápido, minha respiração é ofegante e desregulada, tento buscar ar suficiente para me colocar de pé. Ao fundo uma voz familiar me faz sentir um misto de alívio e medo.
- Isso eu aprendi com uma bruxa nada medrosa - diz Marina.
Olho para marina tentando entender o que tinha acabado de acontecer, ela está parada com seus cabelos cacheados bailando ao vento e com a uma expressão furiosa mais fofa ao mesmo tempo, arqueiro um sorriso bobo apaixonado, restos de metais vindo de todos as partes das ruínas pairam em torno dela a deixando ainda mais linda, assustadora mas ainda sim encantadora.
- O que você está fazendo aqui? - digo
- Cuidando de vocês - ela responde
O caçador solta grunhidos de dor e se abaixa para pegar a espada com a única mão que lhe resta. Marina lança as barras de ferro em direção a ele, pedaços do chão se partem e bloqueiam as barras antes que o atinjam.
O chão embaixo da Marina se abre, seguro o tempo rápido o suficiente para que eu corra até ela e a segure. Saltamos para longe da abertura.
- Eu não posso alterar o tempo para aquilo que eu não vejo. Vou focar no caçador e você me dá cobertura - digo.
- Certo! - ela diz.
Fixo meus olhos sobre o caçador e corro em sua direção, sinto que com ele tenho que usar um pouco mais da minha força, me deixando cansado com mais facilidade, isso quer dizer que tenho pouco tempo até que tudo volte ao seu compasso natural.
Seus movimentos são lentos, sendo um alvo fácil para que eu o acerte com sequências de socos em seu abdômen e rosto, apanho uma das barras de ferro no chão usada por Marina tento fincar a barra no caçador mas ele bloqueia segundos antes de ser perfurado. O tempo volta ao normal.
Consigo me soltar do seu bloqueio e dou alguns passos para trás ainda com a barra em minhas mãos. O caçador me ataca golpeando pode diversas vezes com sua espada, consigo bloquear a maioria até que em um dos golpes sua espada parte a barra de ferro ao meio.
Marina corre em minha direção mas é atingida com um pedaço do solo lançado em suas costas, ela permanece desacordada por alguns instantes. O caçador se vira para mim e acerta diversos chutes em meu rosto, ele segura um dos meus pés e me arrasta até um das árvores no quintal de uma casa parcialmente destruída. Sua espada paira sobre o ar até que ela desce atravessando meu corpo e me prendendo ao troco.
O golpe quase foi fatal, por sorte eu consegui atrasar seu movimento, poucos segundo mas o suficiente para que não acertasse um órgão vital. Estou presa a árvore e mal consigo me mexer, Marina tenta se levantar mas ainda sem forças, seu olhar recai sobre mim e ela estende uma de suas mãos em minha direção. Tento arquear um breve sorriso para mostrar que está tudo bem mas não consigo convencê-la.
O caçador se afasta de mim e caminha lentamente até onde Rakrom e o outro caçador estão lutando. Fecho meus olhos tentando buscar alguma forma de sairmos vivos dessa situação, mas sinto que meus olhos estão se fechando por outro motivo, estou fraco e mal consigo me manter respirando.
Sinto um vento suave balançando meu cabelo, ergo levemente minha cabeça, apenas um dos meus olhos se abrem. Ikaro bate as asas enquanto pousa em minha frente, Marina desce com dificuldades de suas costas e puxa a espada atravessada em meu peito.
Ikaro pressiona levemente seus dentes sobre mim e me coloca em suas costas. Sinto as mãos de Marina passando sobre meus ferimentos, talvez esteja usando magia para me curar.
- Ikaro, vai - Grita Rakrom.
Tento de qualquer forma me levantar, não posso deixá-lo aqui.
- Elak se acalme, não se mexa - diz Marina.
- Não posso deixá-lo aqui - digo.
Rakrom bate a ponta de sua espada no chão e um portal se abre ao seu lado. Um dos caçadores surge pelas costas de Rakrom, e prende seu pescoço em seu braço. O outro caçador que a pouco tentou me matar se aproxima do meu pai e atravessa espada em seu abdômen.
Meu pai segura a espada com um das mãos e a penetra ainda mais fundo sobre seu corpo até que a lâmina atinja o caçador que o prende em suas costas. Com a outra mão ele segura o caçador que o golpeou e se lança para dentro do portal.
Apenassua espada permanece em meio às ruínas. Ikaro se aproxima a passos lentos, ocavalo levanta a espada e a solta sobre o chão, um novo portal se abre, desçopara apanhar a espada do chão antes de atravessar o portal.
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