Capitulo 25 - AUSTIN
"MATEM TODOS" o grito ecoa em minha cabeça. Sinto minha respiração acelerada ficando difícil puxar o ar. É como se eu tivesse acabado de acordar de um dos meus pesadelos da infância. Os sons de passos lentos e sincronizados me trazem a vaga lembrança de estar em meio ao grande pátio no castelo do rei, droga, não consigo me lembrar de nada depois daquele momento. Talvez eu ainda esteja em uma cela suja e fria.
Não consigo fazer muito mais do que abrir meus olhos, ainda assim lentamente. Meu corpo dói, meu punho arde como se estivesse dentro de uma fogueira. Tento com muito esforço mexer uma das minhas mãos e percebo que estou revestido de metal frio e pesado, uma armadura, mas ela é pesada demais para que eu possa me movimentar.
Inclino levemente minha cabeça para o lado e enfim consigo abrir meus olhos por completo. A visão que tenho faz meu estômago revirar, reconheço alguns rostos, mas o que Luna e a Charlott fazem junto com esse caçador?, estão lutando ao lado dele?. Todos esses pensamentos fazem minha cabeça rodar, mas não por muito tempo.
As portas da enorme sala se abrem bruscamente. Soldados entram por todos os lados, suas armas estão apontadas em direção às garotas que mal conseguem reagir. Minha mão direita aos poucos começa a esquentar, mas não queima, é uma sensação familiar. Levanto minha mão até que meus olhos possam enxergá-la, o colar de pedra vermelha está preso em minha mão, pressiono entre meus dedos e sinto uma energia revigorante se espalhando pelo meu corpo.
"Achei que não ia sobreviver" a reconfortante voz do Booh ecoa em minha cabeça.
- Eu também achei, mas o que está acontecendo? Onde estou? - sussurro.
Antes que ele me responda os barulho das armas e espadas sendo empunhadas me trazem minha atenção novamente ao caos que me encontro.
A sala é iluminada por tochas espalhadas pelas longas paredes, uma a uma elas se apagam e a escuridão em pouco tempo toma toda a grande sala. Sinto minha energia recarregada e então me levanto caminhando lentamente para o centro do salão.
- Lutar é inútil, há soldados por todos os lados, não tem para onde ir - diz o garoto com coroa.
- Só um detalhe... são meus soldados, eu os trouxe do submundo... Meu Rei. - digo.
Aos poucos a escuridão se dispersa, o som de espadas sendo retiradas de suas bainhas e armas sendo carregadas ecoa por toda a sala, mas dessa vez alvo é diferente, as armas estão apontadas para o rei. Rapidamente os caçadores se posicionam à frente do que parece ser três silhuetas, seja lá quem sejam essas pessoas são realmente assustadoras, seus corpos parecem esqueletos frágeis como se fossem se quebrar a qualquer momento.
Uma das criaturas esqueléticas levanta levemente a cabeça e fixa seus olhos nos meus, me fazendo recuar em um leve passo. As criaturas parecem estar ligadas algo que flui de dentro da rachadura, uma leve fumaça de cor amarela caminham suavemente até eles. "Eles estão extraindo energia vital das bruxas que foram sacrificadas. A cada minuto que se passa eles vão ficando mais fortes" Booh sussurra.
- Sacrifício? O que aconteceu aqui? Onde eu estava esse tempo todo? - sussurro.
"Sim, as bruxas aprisionadas foram sacrificadas, mas não temos tempo para mais detalhes agora" - Booh responde.
Escuto passos apressados vindo em minha direção, me viro lentamente, Charlott aparece ao meu lado junto uma garota a qual ainda não conheço, meus olhos demoram alguns segundo percorrendo os símbolos desenhados em sua pele.
- Feliz em te ver, garoto. A pouco tempo atrás achei que iria precisar te matar - diz Charlott.
- Fico feliz em saber disso - respondo.
- Temos que levar Kloe até a fenda, ela precisa ser fechada o quanto antes, acha que pode ajudar? - diz Charlott.
- Qual o plano? - Digo.
- Plano? Hã.. Talvez... Sobreviver - diz Charlott
- Ótimo, pensei a mesma coisa. - digo.
- Apenas me dêem cobertura para chegar à fenda, eu reconheço o cheiro dessa magia e talvez posso fechá-la. - diz a garota dos símbolos.
Balanço a cabeça em sinal de concordância. Volto minha atenção para as criaturas esqueléticas, ou pelos menos eram esqueléticas. Seus rostos ganham forma rapidamente, não se vê mais ossos em suas mãos. A energia que emana da fenda está mais densa e sua coloração oscila, como uma chama prestes a se apagar.
- Não temos mais tempo, precisamos ir agora - diz Charlott.
Sem que eu ordene os soldados mudam o alvo e apontam suas armas para as três criaturas estranhas. Os cavalos dos caçadores se agiram e levantam suas patas dianteiras como se sentissem o caos que se aproxima.
- Ataquem! - digo.
Os dois caçadores que protegem as criaturas levantam suas espadas bloqueando todas as balas disparadas em suas direções, seus movimentos são rápidos, quase impossíveis de acompanhar. Um dos caçadores gira sua espada no ar criando um redemoinhos de ventos, e em seguida o lança em direção aos soldados. O outro caçador desce de seu cavalo e finca a ponta de sua espada sobre o chão causando um enorme tremor.
É quase impossível se manter de pé com o tremor provocado. Os caçadores avançam em nossa direção, meus soldados mal conseguem se levantar antes de serem dizimados, não demora muito até que todos estejam mortos.
- Os caçadores se afastaram da fenda, é a nossa chance, vão - diz Charlott.
Pisco meus olhos por alguns instantes tentando entender como os garotos e a garota do símbolo se transformam em lobo bem em minha frente. Eles avançam rápido em direção a fenda, fazendo com que os caçadores voltem suas atenções para eles.
Um dos caçadores estende suas mãos para o teto provocando um novo tremor, pedaços de concreto despencam em direção aos lobos, mas os escombros flutuam sobre o ar pouco antes de atingi-los.
- Não vou conseguir segurá-los por muito tempo - diz Luna.
Um intenso brilho corta o ar em direção a Luna, uma bola de fogo lançada pelo garoto com a coroa. Pouco antes de ser atingida consigo manipular a sombra projetada pelo fogo, prendendo seu pé eu a puxo para perto de mim. Com a distração, os escombros que Luna estava sustentando sobre o ar despencam sobre os lobos.
Outra bola de fogo é arremessada em nossa direção. Luna estende a mão e consegue desviar o trajeto. O garoto deixa escapar um breve sorriso e aos poucos metade do seu corpo é coberto por chamas e a outra metade é gelo.
- Tenho que impedir Lord Dommy, ele está criando uma barreira para proteger aquelas criaturas enquanto se alimentam - diz Luna.
Luna olha em direção ao homem negro com o cabelo preso em tranças. Ele desliza suas mãos pelo ar criando uma parede de tom azul, quase transparente.
- Tente chegar até ele, eu cuido desse aqui. - digo.
Uso as sombras projetadas pelo fogo criando pequenas silhuetas como escudo, mas não são o suficiente. O garoto se aproxima rápido segurando uma espada de gelo em suas mãos, seu golpe rasga o ar em direção ao meu peito, tento desviar mas não consigo me mexer, percebo que o chão, assim como meus pés estão congelados, o garoto prepara um segundo ataque, me deixando indefeso. Me abaixo e coloco as mãos sobre as pernas de um dos soldados ali caído, rapidamente ele se levanta e se põe entre mim e o golpe da espada.
A lâmina de gelo atravessa seu corpo, o soldado a segura, impedindo que o rei a retire. Rastros de sombras negras saem pela boca do soldado e rastejam vagarosamente pela espada, deixando totalmente tomada pelas sombras.
Estendo minha mão em direção ao soldado que arranca a espada das mãos do garoto da coroa e se vira para me entregar. Golpeio o chão com um único golpe, o suficiente para quebrar o gelo e me libertar.
Em segundos o garoto cria uma outra espada, dessa vez ela é forjada do gelo e suas bordas queimam com uma chamas azuladas oscilando para tons alaranjados.
- Ótimo trabalho Austin, nada disso seria possível sem a sua ajuda - diz o garoto.
- Você sabe que não fui, e vou te matar por ter feito isso - digo
- Ora Austin, só conseguimos trazer os Creator, ou melhor, os banidos, graças aos seus poderes. E você foi ótimo no seu trabalho - ele diz.
- Se eu trouxe então eu mesmo vou mandá-los de volta - digo.
- Garoto idiota, já esta feito! Não consegue ver? Vocês são insignificantes, não podem me impedir, e muito menos impedir o que já está feito. Até porque... Irei matar todos vocês. - ele diz
- Já ouvi isso várias vezes - digo.
- Pergunte ao Booh qual a sensação de ser morto por minhas mãos - diz o garoto
- Do que ele está falando Booh?, foi ele quem te matou - sussurro.
"Não liga para o que ele diz! Eu teria ganho se fosse uma luta justa... Mas podemos nos vingar agora" - sussurra Booh
- Certo Morok, perguntei ao Booh qual é a sensação... e decidimos que vamos fazer com que você a sinta pessoalmente. - digo.
"Booh, vamos lá"
O garoto levanta sua espada e com alguns passos já está em minha frente, desvio do primeiro golpe, o fogo que reveste seu corpo passou tão perto que pude sentir parte do meu rosto queimar. No instante em que sua espada atinge o chão uma criatura robusta feita das sombras surge do chão e o acerta no abdômen, socos em sequências são desferidos em seu rosto. O garoto perde o equilíbrio e vai ao chão, a criatura salta sobre ele, mas antes que o atinja a espada do garoto atravessa seu corpo, fazendo com que a criatura desapareça.
- Pare de usar bonecos e me enfrente de verdade - ele diz
Me abaixo para pegar uma pequena barra de ferro presa em meio aos escombros causados pelo tremor do chão. Em segundos a barra já ganha a forma de um machado negro feito.
Escuro gritos e explosões, parte do teto começa a ceder, a fumaça ofusca minha visão, não consigo ver onde estão os outros, mas sinto que algo não está correndo bem. De Repente um silêncio toma conta da enorme sala, seguido de um grito "CLARYCE"
Sinto meu coração gelar, não tenho muito tempo para processar a informação e sinto o calor da espada do Gregor cortar o ar em minha direção. Me esquivo rapidamente e antes que ele vire, seus pés ficam presos por pequenas manchas negras presas sobre o chão, é a minha vez de prendê-lo.
Caminho alguns passos em direção ao rei, arrastando o machado pelo chão, assim que me aproximo deslizou o machado em sua direção golpeando e atingindo parte de sua perna direita. Gregor rosna em demonstração de dor.
O rei golpeia o chão, dispersando as sombras e se liberta. Seus ataques são furiosos, sou atingido por chutes em meu abdômen que me faz cair, minhas costas batem forte de encontro ao chão me deixando sem ar. Me levanto devagar observando a destruição ao meu redor.
- Booh, temos que acabar com isso - sussurrou, com esse fogo que recobre seu corpo, não vamos conseguir nos aproximar.
"Temos que ter um ataque a distância e certeiro, só termos uma chance"
O garoto faz um ataque direto, a ponta de sua espada avança rápido em minha direção, salto para trás, deixando uma projeção minha, freita de sobras no mesmo lugar. A lâmina a atinge mas a sombra não se dissipa, ela avança rápido tomando o corpo em chamas do garoto que se alimenta com a intensidade do fogo.
Aos poucos as sombras vão queimando, mas foi tempo o suficiente para que uma nova criatura possa surgir chão, as manchas negras se aglomeram freneticamente e em segundos u, uma enorme pássaro negro agora paira o ar sobre minha cabeça. Gregor fixa os olhos na criatura e não percebe a aproximação de uma dos meus soldados que se rasteja pelo chão, atingindo novamente sua perna direita.
O rei se ajoelha de de dor, e como uma flecha o enorme pássaro negro corta o ar em direção a sua boca, seu corpo está tomado pelas sombras. Não demora até que o Gregor se ajoelhe levando as mãos à garganta, o fogo que reveste seu corpo aos poucos se apaga.
Pego minha espada caída sobre o chão e me aproximo lentamente do garoto que tenta resistir ao domínio das sombras, levanto minha espada e acerto direto em seu peito.
- Sinta você mesmo como é a sensação - digo.
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