Capitulo 23 - ELAK

Assim que o rádio desliga permanecemos em silêncio por alguns minutos, até que Carlo se ajoelha na grama fina e aperta alguns botões do aparelho.

- Luna! Está aí? Alguém! O que está acontecendo - Carlo grita através do rádio.

Ninguém o responde, alguns segundo depois um outro barulho vem atrás do rádio, um uivo, depois outro, aos poucos ouvimos o que parece ser dezenas de lobos. O rádio desliga, meu coração acelera, só consigo pensar que Marina pode estar em perigo.

Meu corpo treme, sinto uma onda de energia me envolver, o tempo ao meu redor está um pouco bagunçado, acelera e desacelera sem que eu possa controlá-lo, Charlott e Carlo me encaram também sem saber o que está acontecendo. Fecho meus olhos e a imagem do abrigo vem em minha mente. Talvez se eu parar o tempo, pode ser que eu chegue antes de... De...

Meus pensamentos são interrompidos com a sensação de alguém segurando minha mão e o som do vento batendo em meus ouvidos. Abro meus olhos, as árvores passam ao nosso lado em uma velocidade incrivelmente rápida, levo um tempo para perceber que eu quem estou correndo rápido demais. Charlott está segurando minha mão com os olhos fechados, seus cabelos cor de ouro dança em meio ao vento!

Não contenho um sorriso ou perceber o que estou fazendo. É difícil pensar com tudo isso que está acontecendo, estou começando a me perder. Fecho os olhos e novamente imagino a casa, Marina também vem em minha mente, sinto a energia aumentar toda vez que penso nela.

Chegamos ao esconderijo, Charlott parece desacordada, solto sua mão e a apoio em um troco de árvore, pelo pouco que sei sobre a garota, ela só precisa de alguns minutos para se recuperar.

A visão que tenho aumenta ainda mais meu medo, a casa está intacta, mas vejo sangue e corpos, alguns em pedaços, espalhados pela grama. O fogo consome alguns arbustos espalhados ao longo do cenário. Tiro o arco das minhas costas e dou alguns passos em direção a casa.

Escuto barulhos de passos vindo por entre as árvores e os arbustos, seja quem for, estamos cercados. Paro, tentando não fazer barulho, respiro vagarosamente e movo meu arco procurando quem se aproxima.

- Elak, abaixe o arco - diz Charlott.

Me viro em direção aonde a deixei, ela ainda permanece sentada, um lobo está próximo a ela, seu pelo é branco, talvez meio acinzentado. Miro uma flecha em sua direção, e diante dos meus olhos vejo o lobo se transformar em uma garota com longos cabelos pretos, seus olhos semelhantes a dois cristais olham dentro dos meus olhos. Ela começa a caminhar lentamente em minha direção.

- O que querem aqui, já não causaram problemas demais? - ela diz.

- Não queremos problemas, estamos atrás das garotas, o que fizeram com elas? - digo.

- Olhe ao seu redor, esses homens também estavam atrás delas, creio que não queira se juntar a eles, estou certa?

- Do que você está falando, estamos atrás delas para salvá-las, estão do nosso lado - digo.

- Elas estão todas bem, fugiram pela floresta. Com uma pequena ajuda - ela diz.

A garota arqueia um breve sorriso e passa o polegar da sua mão direita no canto da boca, limpando uma pequena mancha de sangue. Ela se vira em direção a Charlott e estende sua mão, oferecendo ajuda para que se levante.

Coloco meu arco preso em minhas costas, algumas pedras no chão começam a se mexer, a fenda do tempo começa a se formar próximo à entrada da floresta, ícaro e Rakrom são os primeiros a saírem, Carlo vem em seguida e se deita dobre o chão reclamando de como é horrível passar pelo portal.

Rakrom desce do seu cavalo e olha atentamente cada detalhe do local. Ele se ajoelha analisa um dos corpos destroçado no chão.

- O que vocês fizeram aqui? - ele diz.

- Já estava assim quando chegamos - digo.

- Na verdade a pergunta foi para a garota. Lobos, um ataque perfeitamente organizado, sem percas - ele diz

A garota não responde, parece que sou o único surpreso por ele já saber que ela é uma loba. Charlott se aproxima de Carlo e segura sua mão, não demora até que ele se levante e venha até nós.

- E então, achou a suposta "corte" - digo.

- Sim, temos que partir o quanto antes, parece que esse lugar guarda algumas surpresas.

Estamos todos prontos, Rakrom monta novamente em seu cavalo, ele golpeia o ar com sua espada estranha e a fenda se abre diante de nós.

- Ei, quando acharem um lobinho assustado pelo caminho, digam a ele que arrancarei a sua cabeça - diz a loba.

A garota sorri enquanto diz, e isso me deixa ainda mais confuso, talvez ela realmente arranque a cabeça dele. Apenas aceno com a mão antes de atravessar o portal. Penso que não é possível alguém se acostumar com essas coisas de portal, é como se alguém revisse meu estômago com as próprias mãos.

Apoio meus joelhos sobre o chão, abro os olhos lentamente, ainda não sei onde estamos, o solo é de terra, com alguns pontos gramados cheios de pequenas pedras, minha visão está embaraçada, parece que estamos em meio a algumas estruturas demolidas e com grandes pilares intactos. de repente sinto uma pancada em minha cabeça, a dor é breve, e logo meus olhos se fecham.

Não sei por quanto tempo eu apaguei, minha cabeça ainda dói, minhas mãos estão amarradas, mal consigo afastar os cabelos do meu rosto. Que ótimo, estou preso.

"Ei Rakrom, está aí? Carlo? Charlott" tendo de dizer, mas as palavras não saem.

A cela é pequena, escura, se eu fechar os olhos e me concentrar consigo ouvir o som dos ratos passando pelas pequenas poças de água. Minha pequena distração é interrompida por barulhos de botas, seguido pelo ruído da porta da cela se abrindo. Alguns soldados adentram a cela arrastando uma garota pelas correntes que prendem seus punhos. Logo a reconheço, é a Luna.

Os soldados a deixam em um dos cantos da cela antes de saírem. A garota está desacordada, seu rosto está ferido, ela mal parece ter força para respirar. Sinto meu corpo congelar, Marina estava fugindo junto com ela. Aos poucos consigo movimentar meus braços, me balanço nas correntes tentando de um jeito inútil escapar.

- Quem está aí? - pergunta Luna

Sua voz é quase um sussurro, seus olhos lentamente se abrem.

- Sou eu, Elak, me diga onde está a Marina, me diga se ela está bem?! -digo

- Me desculpa, eu não sei, me lembro dos cavalos negro, os caçadores e acordei aqui. - ela diz.

- E agora, qual o plano? - digo

- Não há plano Elak, fomos todos capturados, a magia proibida que cobre esse lugar nos impede de lutar. - ela diz.

Sinto vontade de gritar, o desespero em meu corpo se transforma em medo. Não posso morrer, não aqui, não sem proteger a Marina. Tudo bem, tenho que ficar calmo, pensar em alguma coisa.

A porta da cela se abre novamente. Mais soldados adentram a sala, dessa vem não trazem ninguém, ao invés, somos arrastados pelos corredores desse lugar que nem sei o que é. Conforme nos arrastam posso ver outras portas com os portões abertos, estão vazias.

Somos levados para uma sala, parece uma grandiosa igreja, com o teto de vidro e algumas estátuas de gesso espalhadas pelos cantos, o que mais chama a atenção é um enorme símbolo circular vermelho desenhado no cento da sala, e ao seu redor está um trono maior, cercado por dois tronos menores. Numerosos soldados da coroa estão alinhados em três fileiras laterais aos tronos, todos imóveis, com o mesmo olhar escuro e sombrios.

Primeiro escuto o baralho da porta principal de abrindo, em seguida o som de corrente se arrastando pelo chão ecoa pela grande sala, estão arrastando todos até aqui, Marina, Rakrom, Carlo e os outros. As bruxas entram logo depois, escoltadas por dezenas de soldados, que uma a uma as colocam sobre o símbolo desenhado no chão.

Os soldados alinhados em fileiras abrem espaço para que homens vestidos com capas pretas que cobrem parcialmente seus rostos passem por entre os eles. Os homens estranhos se posicionam ao redor do círculo em que as bruxas estão.

De repente a sala é tomada pelo silêncio, os soldados se curvam apoiando um dos joelhos sobre o chão. O famoso Austin entra na sala, vestindo uma armadura preta brilhante segurando sua coroa debaixo do braço direito, o garoto para de frente para o trono maior e se senta. 

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