Capitulo 14 - LUNA
"Curvam-se perante mim soldados, me mostrem a sua lealdade"- Austin diz olhando para os soldados. Levam apenas alguns segundo até que os homens fiquem de joelhos em reverência ao novo rei. Os soldados mais numerosos de uniformes que representam a guarda do rei são os primeiros a se curvarem, em seguida os soldados de máscara prateadas um a um também se ajoelham. Mas os doze caçadores permanecem indifetentes a situação, estão montados sobre seus cavalos.
Austin passa por sobre o corpo do rei e caminha em direção aos caçadores. Alguns passos depois ele para diante deles, e encara por um momento o rosto de cada um.
"Já era de se esperar, vocês não conhecem lealdade, que digam os caçadores mortos pelas suas mãos" - Diz Austin aos caçadores.
"Me corrija caso eu esteja errado, você traiu seu pai e seu irmão, juntou um pequeno exército de submundanos e veio para cá, tentar dominar o mundo?"- diz o cavaleiro mas adiante dos outros, ele desce do cavalo e passa uma das mãos pelo seu cabelo cor de prata.
"Quase meu amigo, meu pai e meu irmão sempre foram fracos, você tem noção da imensidão desse mundo? Imagina o trabalho que eu teria para conquistá-lo sozinho, não seria mais fácil se juntar com aqueles que o criou?"- diz Austin.
A expressão dos cavaleiros se tornam frias e apavorantes." Não podemos permitir que os tragam de volta". Os cavalos se agitam, como se sentissem que algo ruim iria acontecer.
Sete cavalheiros descem de seus cavalos e caminham em direção ao Austin, os outros cinco apenas observam enquanto eles se curvam diante do novo rei.
Austin contrai o rosto, orgulhoso de si mesmo. Aponta os dedos em direção a nós" Matem todos!"
- Como vamos tirar todos daqui? - digo.
- Pelo mesmo portão que entramos - Charlott responde.
Charlott corre em direção aos soldados que disparam sobre ela. Muitos deles caem mesmo antes dela tocá-los, flechas atravessam suas cabeças. Olho para cima e lá está um garoto de uniforme preto, mas diferente dos nossos inimigos ele é apenas um garoto dos cabelos prateados. Ele está disparando flechas e ao lado dele uma linda menina segura um rifle, mas é nítido que essa é a primeira vez que ela atira em alguém.
Elevo minhas mãos as nuvens escutar sobre nós, raios cortam o céu em direção aos homens que nos atacam. Eles ainda são muitos. Rajadas de tiros vem em minha direção, não tenho outra reação além de me defender.
Recuo alguns passos para trás, mas sinto a presença de mais soldados se aproximando pelas minhas costas. Acho que não vou segurar por muito tempo. Um dos soldados posicionado em uma das torres da grande Fortaleza me acerta um tiro na perna, fraquejo na defesa por causa da dor. Outros disparos vem em minha direção, fecho os olhos e levanto os braços tentando me proteger mas os tiros me atravessam, não há dor, nem sangue. Apenas sinto o toque quente e suave das mãos da Claryce.
- Onde elas estão? Tire as bruxas daqui! -digo
- Calma, elas já estão fora do castelo, mas nem todas quiseram sair. Algumas preferiram ficar e lutar. - Claryce responde.
- Então vamos.
Me coloco novamente de pé. Me concentro apenas em causar o maior estrago possível nesse lugar. Invoco novos raios que atingem o solo com sons estrondosos. O solo se rompe e grandes pedaços de pedras se soltam e são arremessadas para todos os lados esmagando um último grupo de soldados ainda em pé.
Charlott corre até o meu lado, o menino das flechas e sua parceira correm para dentro do castelo.
- Temos que sair daqui - digo
Com toda a confusão e a adrenalina da batalha não havia notado o confronto entre os caçadores, pelo que vejo talvez seja por causa dos que se curvaram para Austin e os que resistiram. Apenas três estão de pé, os outros estão mortos sangrando sobre o solo.
O Caçador que esteve à frente do grupo a pouco tempo atrás, está agonizando sobre o solo, da sua boca e nariz escorre sangue vermelho vivo que contrasta perfeitamente com sua barba cor de platina. Sua espada longa e brilhante cintila a poucos metros de suas mãos.
Austin caminha lentamente em sua direção, passa o por sobre alguns corpos de soldados abatidos. Os dois caçadores ainda em pé, se ajoelham em reverência ao novo rei no momento em que passa ao lado deles. Um dos caçadores, careca com uma enorme cicatriz no topo de sua cabeça ergue sua espada e a oferece a Austin. Ele apanha o cabo da espada, sem desviar o olhar do homem ao chão agozinando em dor. Então ele se aproxima e pressiona a ponta da espada sobre o pescoço do caçador.
Ao meu lado o garoto das flechas posiciona seu arco em direção ao Austin, sua respiração está irregular, seu cansaço é exposto em forma de suor que escorre pelo seu rosto. Ao nosso redor uma fina garoa cai, a neblina hora dissipada retorna de vagar deixando o ambiente acinzentado com tons de sombrio.
Os pingos de chuvas diminuem a velocidade, na mesma proporção em que escuto lentamente a batida do meu coração, fecho os olhos e tento chacoalhar a cabeça, afastar essa estranha sensação, talvez causada pela adrenalina. Mas, ao abrir os olhos tudo está lento, Charlott e Claryce revelam uma expressão de espanto, um pouco confortante, já que percebe que não estou ficando louca.
O garoto das flechas parece não se importar ou não perceber o que acabará de acontecer, então ele dispara sua flecha para o rei. Seu disparo é extremamente rápido e corta o ar como se rompesse a lentidão do tempo.
A flecha está aproxima do rosto de Austin, e lentamente ele levante sua mão direita e a segura dobre o ar. Um filete de sangue escorre por sobre seu rosto, causado pela ponta da flecha. Seu rosto se vira para nós, sua cabeça se inclina levemente junto a um sorriso malicioso.
Ele olha atentamente ao seu redor, seu breve sorriso desaba, sua expressão é de raiva ao ver todo seu exército sangrando sobre o chão úmido e cinza. Ele se volta para o caçador que prendia matar, mas ele não está mais lá. Claryce aproveitou a distração para tirá-lo de lá, e o levou para os túneis.
Sombras se aglomeram e circulam pelo solo ao redor do Austin. Ele flechas os olhos e respira de forma longa e agressiva. "Me tragam todos"- ele diz para as sobras. Uma a uma elas se agitam e possuem os corpos caídos sobre o chão. Pouco tempo depois todos os soldados estão em pé. Seus rostos são pálidos e sem expressões, seus olhos estão completamente tomados por escuridão.
Austin olha diretamente para mim e da o primeiro passo em minha direção. Meu estômago revira, meu corpo todo congela. Olho para o lado, apenas Charlott e o menino das flechas estão lá. Nos entreolhamos, a exaustão já consome meu corpo, o garoto das flechas manipula seu arco até virar o que parece ser um bastão.
- Talves devamos sair daqui - diz Charlott.
- Mas e as bruxas, temos que tirar elas daqui - respondo.
- Carlo e a Claryce ja levaram todas para fora dos muros.
- Então corremos? Esse é o plano?. - pergunto.
Antes que Charlott pudesse responder, escuto um estrondo vindo de uma das portas do castelo. A garota que acompanhava o menino das flechas atravessa a porta correndo, e atrás dela está um pequeno exército de bruxas.
- Você não disse que elas já haviam saído do castelo? - pergunto.
Claryce surge vindo por debaixo do solo e para em minha frente.
- Me desculpe, elas preferiram lutar, não pude fazer nada. - diz Claryce.
Os soldados vem nossa direção, Austin vem logo atrás. Charlott como sempre é a primeira a ir pra luta, o primeiro soldado em que ela acerta um chute seu rosto parece não sentir o golpe. Ele segura sua perda e a quebra como um pedaço de madeira velha, em seguida a arremessa para o lado.
- Me dêem cobertura, vou tirar a gente daqui - digo.
As bruxas juntam suas magias e criam uma barreira entre nós, não irá durar muito, os ataques intensos a barreira param por um momento, um pequeno corredor se abre por entre os cara pálida. Austin surge por entre eles, se aproxima da barreira. Ele empunha a espada que seria usada na execução do caçador, e a acerta por diversas vezes sobre o escudo de magia. Ele se racha, pouco a pouco ele se desfaz.
Meu coração acelera, os soldados invadem a barreira. Estamos em menor número e logo somos cercados. Olho para cima uma alguns andares para cima vejo uma sacada, não muito espaçosa. Flutuo pelo ar, até chegar até lá. Fecho meus olhos e estendo minhas mãos para o chão, procuro sentir a energia do metal dos túneis. Uso até a última gota da minha energia.
O chão começa a tremer, grandes rachaduras se formar ao solo. A superfície metálica dos túneis começam a emergir em meio ao enorme pátio de pedra. Em poucos segundo os tuneis são como pontes que passam por cima dos enormes muros.
Me viro em direção a batalha, não consigo me mover, meus pés estão presos, sinto a sensação de um toque gelado subindo vagarosamente pelas minhas pernas. Olho para baixo, um círculo negro se forma em baixo dos meus pés, sombras em formas de mãos me puxam e me impedem de fugir.
O medo me congela, escuto uma voz próxima, familiar. Consigo mover apenas o rosto para o lado, mas o suficiente para ver Austin em pé, com os braços cruzados e apoiado sobre a parede, ao lado da única porta que dá acesso a sacada.
- Você provoca minha raiva sabia? - diz Austin.
- Imagino, costumo causar isso nas pessoas - respondo.
- Pena que não causará por muito tempo - ele diz.
Austin vem até mim, sutilmente ele toca meu rosto, sua mãos deslizam até meu pescoco, seus dedos se fecham com força o suficiente para que eu perca o ar. Estico minhas mãos tento alcançar algo, sentir alguma energia, mas nada vem. Não sinto nada além do medo.
A pressão que sua mão exerce sobre meu pescoço aumenta. Aos poucos meu corpo vai perdendo a força. Minha visão começa a ficar turva, o som da batalha que acontece a poucos metros abaixo passam pelos meus ouvidos em um ritmo desacelerado e distante.
-Austin... Olha pra mim - digo em forma de sussurro.
Ele aproxima seu rosto até mim, seus olhos encontram os meus, duas chamas vivas dançam calmamente em seu olhar. Sua mão sobre meu pescoço começa a se esquentar, a pressão do seu toque se alivia. Austin pisca os olhos algumas vezes, as chamas que queimavam vivas vacilam e por um segundo eu consigo ver seus olhos, aqueles de cor estranha, mas reconheceria minha cor preferida mesmo que por míseros segundos. Ele ainda está lá.
Austin me solta, da alguns passos para trás. Olho para o cima, nuvens carregadas e escurar pairam sobre o céu! Fecho os olhos entanto sentir a energia, tento puxar a eletricidade dentro elas. Por fim um raio rasga o céu, sua sua luz é tão intensa que poderia ser vista a quilômetros de distância da fortaleza. Austin recebe o impacto e é lançado para além da sacada, ele despenca aproximadamente três andares até atingir o solo.
O barulho causado pelo impacto do raio atingindo o Austin deixa um zumbido no meu ouvido e minha visão esbranquiçada, só recupero totalmente os sentidos após ouvir gritos e disparos. Volto para o local da batalha, sinto náuseas ao ver os corpos espalhados pelo chão, a maioria de soldados, mas os nosso também sangram sobre o chão frio de pedras.
O tempo aqui em baixo está passando de vagar, Algumas bruxas ergueram barreiras de proteção em torno da entrado do túnel agora exposto no centro do pátio. Aos poucos os prisioneiros conseguem escapam para fora da fortaleza. Lentamente as barreiras se desfazem e o tempo volta ao seu compasso normal, Charlott e o garoto das flechas são os últimos a escaparem pelos túneis.
Do lado de fora da fortaleza espero encontrar um grande grupo de bruxas, feiticeiras e outros prisioneiros, mas não há ninguém além de nós três.
- Para onde foi todo mundo? - digo, assustada.
Antes que alguém me respondesse, escuto o barulho das correntes, o mesmo barulho que ouvi pouco antes dos portões se abrirem, e era exatamente isso que estava acontecendo. Olhamos em direção ao portão, mais soldados, muito mais soldados estão vindo. Tento reunir as últimas gotas de energia que me restam, mas a exaustão toma conta do meu corpo.
- Ei garoto, tire ela daqui! Vão embora! Eu seguro eles - diz Charlott.
Um feixe de luz prateada surge diante de nós, aos poucos ela se abre como uma porta no meio do nada! Já vi isso antes! O portal! Uma mão se estende até nós, para minha surpresa quem está lá é o caçador que salvamos da morte. Ele parece bastante debilitado, parecendo que iria cair qualquer momento.
Dou um passo para trás, olho para Charlott que parece tão confusa quanto eu. Consigo ver pouco além do portal, mas pela quantidade de árvores ele deve estar em algum tipo de floresta.
O cabelo prateado é o primeiro a ir em direção ao portal.
- Vamos, nossas chances também não seram muito boas se ficarmos. - Ele diz.
Aceno com a cabeça em sinal de positivo. E vou em direção a eles.
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