Epílogo.

Chegamos em um certo momento da vida, que nos perguntamos se era isso mesmo que almejamos, ou até mesmo se fizemos certo em nossas escolhas.

Acho que percebemos que independente de tudo vivemos e aprendemos, a vida é um palco e nós somos os atores.

Aishitemasu descobriu isso, agora ela está feliz, e eu sei disso.

Mais o que talvez faltou ser realmente dito e exposto, foi o último dia de um homem com um coração puro, e o início de uma Ningyō de guerra.

Pois é! O dia que tudo mudou, o dia que a liberdade começou a ser entregue a ela.

Acho que devem saber, o que realmente ocorreu naquela última guerra, a guerra que mudou exatamente tudo!

A última granada havia sido arremessada, tinha escombros por todas as partes.

Mortos é o que se via, em todos os cantos.
Fogo, fumaça e no meio de tudo, Mercúrio estava caído atrás de quem ele jamais, imaginou naquele lugar.

Aishitemasu havia jogado a última granada que tinha, matou muitos inimigos, mais notou que seu superior morreria, por alguns que conseguiram escapar.
Campo mimado que falamos, era onde estavam. Ela não pensou, apenas foi.

"Matar ou morrer"

Era só isso que ela entendia, com isso lá se foi a chance de ser normal.

Na proteção de Mercúrio, foram seus dois braços.

Dor não existia, ela nunca sentiu, desde a primeira guerra que foi, nunca sentiu isso.

__Aishitemasu, que droga você fez?!__Mercurio reunia forças para falar, enquanto os olhos dela miravam para frente em alerta a outro ataque.
Mercúrio a carregou em direção a um local seguro.
Ao conseguir chegar, ele a deitou sobre o chão e a olhava em lágrimas.

__vamos sair daqui. Eu não permito que feche os olhos.

__sim senhor.

Um tiro ecoou e mais sangue foi derramado.
Mercúrio havia sido atingido na bochecha.

Aishitemasu rolou, até conseguir forçar os joelhos no chão, e erguer o corpo.

Ela o viu sentado no chão, com a arma mirando a escuridão de uma porta.

Mais o tiro não viera de lá, viera de fora.
Onde acima de um telhado, tinha o real desgraçado.

__vai embora!

__não te deixarei comandante.

Mercúrio tossia sangue e sorria, o branco de seus dentes, agora estavam cobertos pelo vermelho sangue.

__você precisa ir embora. Você precisa descobrir a verdade do seu nome.

__voltaremos juntos.__ela mordeu a gola de sua farda tentando o arrastar.

__pare com isso! Você não entende. Seu lugar não é aqui, eu não te quero aqui.__um som de passos é ouvido.
Um golpe atingiu a lateral da cabeça de Aishitemasu, a derrubando no chão.

Mercúrio se forçou de pé, chutando Aishitemasu para um buraco alguns metros atrás dela.

Seu corpo caiu sobre pedras e tijolos.
Mercúrio perdeu as forças, pois se foi ouvido o barulho de seu corpo atingindo o chão.
Em meio a uma tosse ele dá a última ordem.

__fique aí, se proteja e acima de tudo, sobreviva. Coreto estará com você. Isso é uma ordem!__um silêncio.__Aishitemasu.

Ela seguiu a ordem, os passos pararam e outra voz surgiu.

__errei a mira. Mais não faz diferença, daqui você não vai sair.

__não pretendo.__a voz de Mercúrio era baixa, mais não deixava de ser firme.

__você tentou tirar aquela garota de mim. Ela é minha arma!

__ela é uma criança, e você a usou pra sua vingança. Eu não permito.

__e agora você vai morrer, ela voltará pras minhas mãos, e poderei concluir minha vingança.

__ela vai ser livre, e nos dois ficamos por aqui.

Outra explosão, o chão cedeu e logo o breu.

Os olhos dela se abriram e a única luz era do sol coberto por fumaça.

__TEM MAIS UM VIVO AQUI!__o soldado avisou descendo para perto dela.__consegue me ouvir?

__si...sim.

__seu anjo da guarda é bom, garota. Muito bom!

Aquelas palavras não fizeram sentido para ela.
Mais não teve chance de perguntar, mais uma vez a escuridão surgiu, não sem antes ver atrás do soldado, um outro homem. Ele a olhou com um sorriso nos lábios, e por fim sua voz saiu como um sopro, assim que desceu ficando no lugar do soldado, que havia saído para algum lugar.

__agora serei sua sombra.

Os olhos dela fecharam e quando despertou 5 dias depois, foi examinada e logo deixada sozinha.

Ela não era mais a mesma, jamais seria.
Sua perna direita era uma prótese centímetros acima do joelho, assim como os dois braços.

Olhava a janela aberta, e a brisa que balançava as finas cortinas.
Uma gaivota pousou na janela e a olhou, segundos depois levantou vôo, para uma árvore perto dali.

Naquele dia, um senhor surgiu dizendo ser quem levaria ela pra nova vida.

__senhor, onde está o comandante Mercúrio?

__desaparecido. Ainda estão a buscar por ele e mais sobreviventes. Ele pediu antes de partirem, que eu te ajudasse.

Ela acatou, mais não foi dito a ela a verdade. E ela naquele momento não entendeu, e acreditando que o comandante estava apenas desaparecido, porém vivo. Ela seguiria as ordens de seu novo superior, a espera da volta de seu dono.

Foram exatos 103 dias de recuperação. Quando teve alta, partiu para Solet, onde o tenente disse estar levando-a, para seu novo superior.

Ela precisaria de treinamento, e entender como funcionaria essa nova vida com as próteses.

Mais naquela noite, um corvo voava pelo céu escuro, procurava algo, algo esse que já ouviu falar e no fim não conseguiram ter a resposta.
Mais bem ali, em meio ao mar aberto, um navio! A vela demostrando a bandeira pirata.
Seria ali o recomeço de uma certa Ningyō de guerra.

Naquela última guerra, foram milhares de mortos, foram famílias destruídas.
O nobre coração morto, para dar a tão esperada, porém desconhecida liberdade a uma arma.
E foi naquela guerra, que surgiu a busca pelo significado da palavra, Aishitemasu!

Mais naquela guerra também, um certo homem deu um adeus mútuo a um antigo amigo.
Amigo esse que ficou lá e na tarde, se misturou como um médico soldado e carregou Aishitemasu nos braços até a maca.
Amigo esse que a visitou no hospital e velou a mesma pela janela, e logo em uma árvore.
Amigo esse que cumpriu o pedido de Mercúrio.
Prometeu ficar ao lado de Aishitemasu, ser sua sombra assim como foi pra ele.

Mais Mercúrio não poderia esperar, que seu amigo faria algo como mudar a vida de Aishitemasu, a colocar em um mundo que nunca fora visto pelos soldados, mais sim pela marinha.
Que seu amigo seria o destino que Aishitemasu precisava.

Sim! Esse amigo foi tudo para Mercúrio, e foi o destino da Ningyō de guerra.

Quem diria que aquele garoto frasino que curou a asa de um corvo, seria um homem digno de apreço e seria a bondade e gentileza até no último minuto.

"Coreto estará com você"

Isso não foi um pedido, não foi uma ordem, foi uma súplica de que seu ouvinte durante toda vida, fosse o de Aishitemasu.
E assim foi feito, ele foi tudo que Aishitemasu precisou.

Não! Ele não Pertencia ao bando pirata, não Pertencia a um lugar certo.

Eu não vou mais enrolar, está difícil descobrir quem sou, e como sei tudo isso?

Bom, disse que o destino era conhecido por outro nome, nome de batismo dado por um tolo garoto. Seu nome era Coreto.

E como sei de tudo isso? Bom, mesmo no fim serei educado, mais gosto de um mistério.
Muito prazer a vocês, eu me chamo Coreto.

O que era apenas um corvo, mais com uma ajuda digna, me tornei uma gaivota, um homem e um corvo.
E estou orgulhoso de poder mostrar a vocês, a história dessa Ningyō que aprendi a apreciar, oh garota determinada e ao mesmo tempo, me deu um belo trabalho. Mais no fim tudo correu bem.

Espero que tenha gostado do meu trabalho, tanto como destino, tanto como narrador e tanto como vigia de longe, Mercúrio.
Por que não foi fácil, e se não gostar problema seu. Nunca fui um ser normal, e não vai ser agora e nem quando você morreu, que iria ser.

Mais confesso que não medi muito de meus atos, e precisei interferir na vida de Aishitemasu pessoalmente.
Precisei insultar ela, pra ela finalmente destravar as portas trancadas a sete chaves, acho que ela detestou a palavra anta. Mais não tô nem aí.
Porém confesso que ela abriu meus olhos também, é acho que estamos quites, não é?

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Então a vocês caros leitores, deixo o meu eterno adeus, e um agradecimento por me acompanharem até aqui.

Atenciosamente: Coreto.

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