15|A humana despertou.

Talvez a história precisou chegar onde chegou, pra tudo acontecer.
Eu penso assim, por que se notarmos, a nossa Ningyō de guerra, nunca descobriria sentimentos se não tivesse embarcado no bando.
Nunca entenderia inúmeras coisas que Mercúrio lhe contava.
Precisou fazer tudo isso pra ela começar a sentir, e as consequências que virão agora, é o preço a se pagar.

Mais não se abalem, talvez tudo fique bem no fim.

Mas, um segredo...a cavalaria está chegando, e não montados em cavalos de guerra, estão vindo pelo mar, com sangue nos olhos e a bandeira pirata dançando no vento.

Ninguém irá desistir de Aishitemasu!

    Aishitemasu se encontrava em uma cela escura, sem um pingo de iluminação e higiene.
Era assim que os criminosos são tratados.
Haviam tirado a prótese de sua perna e do outro braço, disseram que na hora da reunião ela seria levada pra ouvir sua sentença.
Tiek estava a caminho, havia mudado a rota de reunião umas 4 vezes enquanto ia, apenas para ele não descobrir.
Grande erro! O nosso capitão está mais enfurecido com isso, e não se importa de baixar o nível pra ter sua filha de volta.

A porta da cela foi aberta e uma brecha de luz adentrou o local e logo se foi.
Passos foram ouvidos e logo uma lâmpada foi ajeitada dando iluminação a eles.
Um homem jovem de cabelos negros como uma noite escura, com fios um tanto quanto rebeldes, nem com o gel e penteando pra trás, adianta.
Usava roupas brancas...cor essa que só gosta de ter em si, de manhã.
Pele branca com um leve bronzeado, olhos negros e haviam alguns arranhões cicatrizados em seu rosto e pescoço.

__eu sou o médico da base. Vim para tratar seus ferimentos.

Se agachando a sua frente ele desenrolou a atadura envolta de sua cintura.
Suas roupas agora são uma calça surrada e uma blusa esfarrapada.

Deitada sobre um colchonete de palha ela olhava o teto de concreto.

__soube que era uma imediata da marinha, e agora é uma criminosa.__ele tentava puxar assunto.__o que fez pra decair tanto?

__acreditei em mentiras.__apenas isso saiu dos lábios da Ningyō.

__eu também. Isso não é de todo um crime. Enquanto trato seu ferimento, vou te contar um pouco sobre o meu crime. Eu não gosto muito do silêncio, nunca gostei.

__minha antiga companheira, uma boneca de pano, ela também não conseguia ficar calada.__seus olhos não desviaram nem um segundo se quer do teto.

__eu imagino. Bom, eu era sozinho, sempre fui. Vivi sobrevivendo minha existência toda. Mais tudo mudou quando conheci ele.__ele começou a refazer os pontos que foram abertos, pelo menor cuidado dos marujos que a deixaram ali.__ele é o tipo de pessoa que consegue fazer, todos mudarem os pensamentos. No início eu tinha certeza que ele era um estúpido. Mais como os dias e tudo mais, eu descobri o quão forte ele era, e quando partimos sozinhos, eu descobri um amor. Eu me sentia pai dele, queria cuidar dele a todo passo. Mais suas escolhas foram arriscadas, e lá foi eu atrás. Queria ter sido realmente pai dele, ter sido o pai que ele merecia, ele e o possível irmão que ele nunca chegou a conhecer. Mais o meu crime foi nunca dizer isso a ele, e eu nunca poderei dizer.

__não sabe como ele irá reagir?

__não, eu poderia lidar com isso. Mais digo que não poderei dizer isso a ele, por que ele morreu.__dessa vez Aishitemasu desviou os olhos do teto e o olhou, o olhar focado na costura que fazia em seu quadril.

__perdeu quem era seu dono?

__dono?__ele sorriu fraco.__não vejo assim, vejo como companheiros. Se eu pudesse ter feito mais naquele último dia, ele talvez estivesse vivo, e talvez tudo seria diferente. Eu sei que isso sempre irá me perseguir, e ao suposto irmão? Esse nem sei como abordar sem ser rude, e invasivo.

__e por isso está aqui?

__na base?__ela concordou.__pode-se dizer que sim. É um último pedido dele a mim, o mínimo que eu poderia fazer é isso. Eu acreditei que ele seria imbatível, o que não era. Acreditei que sempre estaríamos juntos, na vida e na morte, mais como vê, não foi assim. Eu ainda vivo, e ele está morto. Mais e você? Por que disse que seu crime foi acreditar em mentiras.

__meu comandante morreu em batalha alguns anos, e nunca me contaram a verdade, tudo que fiz e fazia até alguns dias era acreditando que ele estava vivo e desaparecido, depois que embarquei na tripulação Yin Yang, acreditei que havia o reencontrado, mais fui enganada.

__ele está morto e você viva, sente que errou nisso, não é?

__eu errei, sou uma arma e falhei nisso.

__mais acha que era isso que ele iria querer?

__ele disse que meu lugar não era na guerra, que eu seria livre.

__e onde estava antes de ser trazida pra cá, era uma prisão?

Aishitemasu ponderou o que ele disse, não era ruim. Foi na tripulação que ela aprendeu, o que Mercúrio queria ensinar a ela.

__pelo seu silêncio, não era. Por que não volta?

__não tenho motivos pra minha existência prosseguir mais. Meu comandante morreu.

__mais acha que morrer fará alguma diferença?!__a voz dele se tornou um pouco rude.__acha que seus companheiros não se importam com você? Acha que seu pai não se importa com você? Garota, seu pai tá louco de ódio tentando te achar, estão enganando ele pra não acharem sua localização, acha que seu bando não está a sua procura?

__como Nani me ensinou as expressões, eu vi sofrimento nos olhos deles, acho que os magoei.

__eu também magoei esse meu amigo que vi como filho, mais ele sempre me perdoava, é assim que uma amizade verdadeira funciona. Não importa o quão maldito formos, se realmente estivermos arrependidos e dispostos a mudar, somos perdoados. Você gostava deles, não é?__ela concordou.__e o que seu comandante queria?

__que eu fosse livre e entendesse todas as emoções e coisas boas, que eu vivesse no mundo que realmente eu merecia viver. E na última vez, que eu entendesse o significado do meu nome.

__e você provavelmente viveu, já que estão todos com um certo receio de você, por ser imbatível e ter feito certas coisas lá fora. Eu vi uma foto sua nos arquivos que estão sendo debatidos, e olhando a foto lá e olhando você agora, eu digo que você aprendeu muito. Não existe um olhar vazio em você. Tem inúmeros sentimentos correndo por você.__Aishitemasu olhou seu corpo e o mesmo riu.

__digo internamente, são inúmeros sentimentos gritando e agindo aí dentro.__ela deitou a cabeça novamente.__e como se chama?

__Aishitemasu.

__ah, o significado do seu nome, é Eu te amo.

__eu sei. O imediato Merlin, o mesmo que achei ser o comandante Mercúrio, disse que o significado do meu nome foi o que o comandante sentiu, e o que ele sente agora. Mais eu não entendo.

__pra quem nunca sentiu nada, tentar entender isso é difícil. Mais vamos tentar de outra forma.__ela o olhou.__feche os olhos, e diga o que vem na primeira coisa que vê.

__a tripulação Yin Yang.__ela abriu os olhos.

__se eles estivessem correndo perigo nesse momento, o que você faria.

__proteja seus companheiros. Foi isso que o navegador Hoddy disse uma vez.

__você iria os proteger?

__sim.

__o que acontece com você, quando eu digo o nome Merlin?

Aishitemasu o olhou, e o mesmo deu de ombros.

__eu lembro de tudo que ocorreu desde quando cheguei no navio, e tudo para na última noite que Estive com ele.

__você sabe dizer o que seu coração está fazendo agora, ao dizer isso?

__batendo forte. Ele dói, não como uma dor de sofrimento, mais uma dor como...

__saudade. Você sente saudades, é o sentimento que ocorre quando alguém é importante. É como se a gente quisesse saber o que a outra pessoa está fazendo nesse momento, se está bem, se está seguro.

__o que isso quer dizer?

__quer dizer que mesmo que tente, nunca conseguirá mudar isso. Isso ocorre quando alguém é importante demais pra gente. Toda vez que lembro do meu companheiro que vi como filho, eu não consigo conter o sorriso, eu me pergunto se onde ele está, se está bem. Sinto meu peito apertar em saber que não o verei mais, sinto dor em saber que jamais poderei lembrar ele, de levar um casaco na hora de sair. E toda vez que eu fechar os olhos, e qualquer coisa que eu fizer, ele será a primeira coisa que vira em minha mente.

__eu...

__você assim que cheguei aqui, e disse que iria conversar por não gostar do silêncio, disse que sua antiga companheira não conseguia ficar calada. Você lembrou dela, poderia apenas me escutar, ou ficar quieta, mais não. Quando fechou os olhos disse a primeira coisa que viu, a tripulação Yin Yang. Você mesmo que não queira lembra de seus companheiros, ainda lembra. Eles já fazem parte de você. E pelo que me provou, eles te ajudaram a fazer o que o seu comandante queria que você fizesse.

__isso significa o que?

__você é lerda demais!__admitou sério.__significa que você os ama.  Duas pessoas, se seu pai e o Merlin estivessem presos e prestes a morrer, e você tivesse 3 escolhas; 1 salvar apenas um. 2 salvar eles e morrer por isso. 3 morrer todos vocês juntos.__Aishitemasu o olhava atenta.__qual você escolheria?

__2.

__e por que?

__por que se eu tenho chance de eles ficarem bem, eu não ligo pra mim. Eles tem motivos pra viver e pelo que lutar.

__exato, mais você também tem. Você pelo visto sentiu a dor do sofrimento, gostaria que eles sentissem igual?

__não. Dói muito.

__correto. Se você pudesse fazer com que eles não sofressem, você faria, não importa o que fosse?

__sim.

__o que você ainda não entendeu? Você os ama. Em posições diferentes, você ama seu pai, um amor que pelo que noto nunca recebeu, já que sua ficha diz que você é arma de batalha. Ele te deu o amor de pai, onde moveria montanhas e travaria batalhas com rei dos mares por você. Ele provavelmente agora está se preparando pra uma luta contra inúmeros navios de guerras pra te tirar daqui. Merlin, pelo visto ele te ensinou a amar, aquele amor carnal e ao mesmo tempo revigorante, que é capaz de te fazer sentir tudo e mais um pouco. Onde você mataria e morreria por ele. Você está disposta a morrer por eles, só pra eles viverem, e de verdade, acho que eles farão de tudo pra lhe salvar daqui. Aishitemasu, eles te amam e seu bando também. Pare de se prender no passado. Lembre de seu comandante nos momentos com ele, lembre que ele morreu e você está livre das guerras por ele, e viva aventuras com o bando e o amor com Merlin. Diga ao seu pai que o ama, e mande cartas anônimas já que deseja o melhor pra ele, e não o quer preso. Seja livre das amarras que te prenderam. Sabe por que?__ela negou.__por que o tempo não volta, e se você não for sincera com os seus sentimentos recém-despertados. Pode se arrepender pro resto da vida, se algo der errado. Digo isso por mim, nunca disse a ele que queria ser seu pai, e hoje não posso mais. Arrisque sem medo, deixe pra trás a arma que foi, e seja livre como um pássaro e feliz como uma garota da sua idade.

__eu sei o que é o amor?

__pela paz da gaivota perdida, pelo amor do corvo sagrado, pela raiva e força do rei dos mares, você é mais burra do que o meu filho!__o jovem homem se levanta e anda de um lado pro outro.__garota acorda! Você sempre soube o que era o amor, porém nunca pode viver e não conseguia compreender, seu pai cavou fundo pra conseguir trazer, seu bando finalizou. Você sabe o que é o amor, só precisa com o tempo aprender a expor ele. Mais tenho certeza que se disser a palavra eu te amo, pra quem é importante pra você, tudo vai se abrir como uma porta trancada a sete chaves. Você sabe quem são os seus, sabe por quem você mataria e morreria, é pra eles que deve dizer eu te amo, e tudo se resolve. Eu preciso explicar mais o que pra você, sua anta!

E aqui notamos como o jovem homem se exaltou um pouco, e a expressão que ele usou foi a que Aishitemasu aprendeu com Nani.
A primeira que causou nela um sentimento de agredir, só por insultar Mercúrio...no caso, Merlin.
Se lá enquanto aprendia, ela já sentiu a fração de um incomodo por insultar alguém que ela gosta, e não sabia.
I

magina agora que compreendeu as coisas com as palavras do homem, e com os sentimentos que ainda agem de forma errada...bom, na hora errada, mais agem.

Talvez se não fosse a posição da mesma agora, ela talvez deixasse o homem com sérios problemas pra respirar, possivelmente morto.
Mais sem os dois braços e sem uma perna, fora o ferimento no quadril, Aishitemasu não seria tão boa. Fora que ainda a uma algema em seu tornozelo, presa a parede.
Já que desde que os sentimentos foram postos pra fora, ela se tornou mais humana, capaz de sentir dores, e agora seu corpo dóia.
Mais dessa vez seguiria mais um conselho de Nani, não agrida, rebata!

__eu não sou uma anta!__o jovem homem a olhou descrente, talvez pela petulância.
Ela tentou se levantar e conseguiu, tendo um equilíbrio formidável ainda na sua perna.

__não se levanta!

__eu vou me levantar sim, você não manda em mim!__a voz não era robótica, era séria e até um pouco elevada.

Nani aqui teria um orgulho enorme, e pela primeira vez veremos a parte humana de Aishitemasu, a todo vapor.

__você não é meu pai, não é meu comandante, não é meu capitão e muito menos o imediato Merlin. Você é um médico de base. Eu tenho mais poder de voz que você. E não aceito que mande em mim, ou me insulte. Eu não sou uma anta, aprendi em pouco tempo, coisas que outros como eu, não aprenderiam em anos. Ninguém te chamou aqui, você veio por que quis, falou como uma gralha a todo momento, desde que tive visão de você. Então você é a última pessoa, que tem o direito de me insultar aqui.

__ainda é mal criada?__o jovem homem cruzou os braços descrente ainda

__sou sim! Tenho sentimentos que estão me deixando louca, e você não me ajuda me insultando, compaixão existe e você não está tendo. Você errou assim como eu. Seu filho morreu, e você não tem coragem de ir atrás do outro, e tentar ser pai. Sabe da existência e não vai. O meu não sabia de mim, e quando soube cuidou de mim e me deu tudo que precisei, e você? O que tem feito pelo seu outro filho? Nada! Eu percebi como pais são, o meu em dias que descobriu sobre mim, era como se eu nunca tivesse vivido longe dele, o Randal, mesmo sabendo que sua filha é imbatível por ser de pano, ainda a protege, a ama e ela demostra mesmo sem coração. Você como pai está lá embaixo, então se eu sou anta, o que não sou. Você é um idiota, que ainda não percebeu que o tempo não volta.

O jovem homem abriu e fechou a boca algumas vezes, talvez não esperasse essa atitude da mais nova, mais estava surpreso.
Pra uma arma, ela pareceu bem humana, indignada pelo insulto a ela.

E naquele momento ambos os dois perceberam algo. Aishitemasu agora conseguiu, graças a esse insulto, abrir a porta trancada a sete chaves, não foi preciso dizer eu te amo, foi preciso sentir a humanidade correr por seu sangue fervendo.
O homem percebeu que não precisava de um monólogo todo pra fazer ela acordar, sendo que bastava só a insultar.

Se eu soubesse, já chegava insultando.

Ignorando seus pensamentos, o mesmo bateu palmas rindo e Aishitemasu o olhou confusa e não só em expressão, ela se sentia confusa.

__você conseguiu. Libertou os sentimentos presos, a sete chaves. E bastou eu te insultar, garota você é inacreditável.

__detesto você. E eu sinto isso.__ela o encarou.

__tambem não sou seu fã. Mais agora que tá bem, fisicamente deplorável, mentalmente talvez um pouco melhor, pensa aí no que vai fazer da sua vida. Eu tenho pacientes mais educados, pra tratar.

__importunar é a palavra.

__agradece a quem te ensinou os sentimentos e expressões, está muito bom.

__como se chama?

__te interessa?__ele a olhou por cima do ombro.__acho que não. Tchau.

A porta bateu e ela ainda encarava a porta. Talvez Nani ali, concerteza o xingaria de muitos nomes.
Mais a porta novamente foi aberta e era ele, ele entrou com um sorriso debochado.

__faltou apagar a luz. Você estava sem luz quando cheguei.__ele ri, e assim que o breu voltou, tendo uma brecha da porta com claridade, ele se encaminhou pra porta.

__ah, eu aprendi a ser educado com o meu filho.__quando seu corpo já estava do lado de fora, e a porta quase fechando.__eu me chamo Coreto.

Ficando sozinha sem luz, Aishitemasu se pegava pensando em como faria agora.
Se ficaria, ou fugiria de alguma forma.
Se pedia mais uma chance pro conselho, e voltaria a ser imediata e ficaria ao lado de seu pai, ou correria atrás do bando e pediria uma chance.

Eram tantas dúvidas, dúvidas essas que não tinham, e era
fácil antes, mais antes ela não era humana, e agora com toda certeza, era isso que ela era, uma humana!

Nossa Ningyō conhece cada um no seu caminho.
Mais talvez ela deva agradecer a Coreto, ou Coreto a ela.
Eu acho que os dois, mais uma coisa que Coreto é, é orgulhoso.
E tendo sangue do capitão cruel, duvido que Aishitemasu irá agradecer a um desconhecido.

Ainda mais que ela descobriu odiar a palavra anta. Talvez esse seja o pior insulto pra ela.

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