Capítulo Único
Olívia e Justin se conheceram ainda no colegial, e assim que os olhos cor de avelã de Justin cruzou com o par de olhos azuis de Olívia, no primeiro dia de aula da garota, naquele momento, que os seus olhares se cruzaram no corredor, sentiram como se uma corrente elétrica passasse por seus corpos, e foi neste milésimo de segundo que a paixão aconteceu entre eles.
Mas esse sentimento se manteve guardado a sete chaves dentro da jovem garota que nunca fora muito ajeitada, e no quesito amor, era totalmente despreparada; jamais namorou ou até mesmo beijou um garoto nesses seus quinze anos de vida. A garota tinha um jeito engraçado de se vestir e andar, na verdade esse seu jeito desengonçado era o que encantava Justin, ela se tornará a garota mais bonita do universo para ele, nenhuma outra menina naquele lugar se comparava a beleza de Olivia; pelo menos para o rapaz. Ele sempre dizia a si mesmo, que ele a amava pelo que ela era por dentro e não por sua aparência exterior, isso nunca foi muito importante para ele. Justin não chegava a ser o popular da escola, mas também não era o esquisito da turma, ele era apenas ele; namorou uma ou duas garotas em toda a vida e beijou umas cinco, mas ele era desapegado no quesito garotas, o que realmente lhe importava era seu vídeo-game; ele passava horas a fio jogando sem ao menos parar para comer, mas quando conheceu a jovem garota algo mudou dentro dele e aquele pensamento de não querer se prender a alguém tão cedo, havia mudado sem ao menos ele ter se dado conta. O jovem de apenas dezesseis anos passou a desejar aquela garota de belos olhos azuis, e desde então passou a observar seus pequenos gestos e a admirar quando passava por ele nos corredores da escola; ele a observava como um predador olha para a sua presa.
Mas foi no terceiro ano que Justin criou coragem e foi até o encontro de Olívia, que estava sentada abaixo de uma das árvores perto do estacionamento. Ele estava decidido a falar com ela e a convidar para tomar um sorvete, quem sabe, mas o medo estava lhe tomando conta, quanto mais perto de onde a garota estava ele chegava, mais sentia lhe faltar as forças nas pernas, mesmo assim ele não desistiu, respirou fundo e criando coragem, parou em sua frente, fazendo a mesma desviar os olhos de seu livro para olhar em sua direção; o coração da pobre garota chegou a falhar por conta da pontada que lhe atingiu no momento que Justin lhe dirige a primeira palavra naqueles dois anos.
— Oi. – A voz sai um pouco baixa demais, mas o suficiente para ambos ouvirem.
— Oi. – Respondeu meio sem entender porque daquele garoto estar falando com ela.
— Prazer, eu sou o Justin. – Sua voz agora soa um pouco mais firme e convincente, ele estende a mão em sua direção e a garota demora um pouco, mas aperta a mão de Justin, e então, algo acontece naquele primeiro toque.
— Prazer e..., eu sou a Olívia. Olívia Baker
Aquela foi a primeira conversa que eles tiveram. Naquele mesmo dia Justin a acompanhou até em casa e descobriu que Olívia morava com uma tia, desde que seus pais sumiram em uma viagem que fizeram para a Patagônia a cinco anos. A garota nunca superou o fato de não saber se seus pais estavam mortos ou não, ela lhe confessou meses depois que ainda orava todas as noite a Deus pedindo para que seus pais retornassem para casa. Mas fora uma coisa que nunca aconteceu, mas ela jamais perdeu a esperança, e mesmo depois de dez anos ela ainda orava e tinha fé no ressurgimento deles.
Os anos passaram depressa para Olívia e Justin, aquela amizade que começou com um simples "oi", rendeu um relacionamento de doze anos a ambos. Justin pediu Olívia em namoro, um ano depois da primeira conversa deles ainda no colegial, foram juntos para a mesma faculdade e o amor entre eles só cresceu, e cinco anos depois, Olívia dizia o seu tão esperado sim à Justin, em um casamento íntimo somente eles e o juiz de paz a beira de um penhasco; o lugar perfeito para aquele casal.
Dois anos depois Olívia trazia ao mundo o primeiro filho deles, o pequeno Luke, o garoto havia herdado a beleza do pai, mas seus olhos eram como os da mãe, o garotinho crescia saudável e eles não poderiam estar mais felizes, mas foi em um exame de rotina que Olívia recebeu a notícia que mudaria o curso de suas vidas para sempre.
O aniversário de Luke havia chego e o garotinho completava seu quarto aniversário, então Justin tirou uma semana de licença de sua empresa e levou a família para navegar, o dia que estava perfeito, passou a ser desastroso; Olívia começou a ter náuseas e isso forçou que a família voltasse para a costa. Foi nesse momento que tudo na vida daquela pequena família mudou. As náuseas passaram para vômitos e junto de todo o almoço de Olívia veio coágulos de sangue; era a doença dando sinal que o corpo da jovem mulher estava perdendo para o câncer que ela carregava em seu estômago, algo que o seu esposo nem imaginava, ela sabia que seus dias estavam contados e não queria passar eles sendo privada ou repreendida por querer aproveitar tudo ao extremo. Olívia havia decidido que viveria cada dia como se lhe fosse o último, iria aproveitar cada segundo com sua família e fazer desses últimos momentos os melhores, não queria que ninguém a olhasse com pena, que a tratassem como uma inválida. Mas naquele momento angustiante, ela não poderia mais esconder, Justin a olhava sem entender o que estava acontecendo, e ela não conseguia pronunciar nem uma palavra. As crises de vômitos só aumentaram e então ela viu sua visão escurecer.
Três dias, esse foi o tempo que Olívia passou desacordada. Justin ficou ao lado dela o tempo todo. Quando tentaram o tirar alegando que ele não poderia permanecer naquele local, ele gritou com as enfermeiras, e lágrimas tomaram sua face, ele chorou por dias seguidos ao pé da sua cama; sua esposa estava entubada, era uma cena horrível e ele jamais acho que a veria naquela situação. Luke chamava pela mãe, queria o seu colo, mas os médicos não permitiam que o pequeno adentrasse ao hospital para vê-la, além de que Justin não queria que o filho tivesse aquela lembrança de sua mãe, que sempre fora muito alegre e independente, ele queria que o garoto se lembrasse dela rindo e o rodando no ar, eram essas lembranças que Luke deveria levar em sua memória.
Quando finalmente Olívia acordou, estava fraca demais, sentido dores terríveis em seu estômago e mal conseguia respirar sozinha; a ajuda dos aparelhos eram indispensáveis, mas ela juntou suas forças para pronunciar o nome do seu amado.
— Jus..., Justin. – Chamou em um sussurro.
— Estou aqui meu amor. – Ao se levantar e correr ao seu encontro, enxugou algumas lágrimas que escorriam por seu rosto e sorrio para ela.
— Me perdoe..., por estragar tudo. – Fala cansada e pausadamente.
— Não se preocupe, você não estragou nada, meu amor. – Ele sorri outra vez para ela, abaixando a cabeça segundos depois, secando uma lágrima que escorria pelo canto do seu olho, antes de voltar seu olhar para os lindo olhos azuis que nadavam naquele mar de água. – Eu te amo!
Ao ouvir essas palavras ela sorri fraco, fechando os olhos devagar. Ali havia sido a última vez que Justin foi capaz de contemplar aquele par de olhos que tanto o cativava. Lágrimas escorriam pelo canto dos olhos de sua esposa e no instante seguinte, o aparelho que mantinha seus batimentos cardíacos ativos, os avisa que Olívia estava partindo. Justin entrou em desespero e foi correndo até o corredor, gritando por ajuda. Logo uma equipe médica adentrou o cômodo e uma das enfermeiras o expulsou para fora, puxando as cortinas em volta do leito da paciente, eles tentaram por uma hora restabelecer o batimentos de Olívia, mas fora sem sucesso, a mulher não resistiu e no dia do aniversário de seu casamento, Olívia Baker Bieber partiu para o plano espiritual, seu corpo desfaleceu naquela cama e do lado de fora um jovem rapaz de vinte e nove anos chorava a partida de sua amada esposa, a mulher que ele jurou amar e que haviam jurado abaixo das estrelas da noite de núpcias que envelheceriam juntos e veriam seus netos crescer, mas nada daquilo era mais real, ela havia partido cedo demais e deixado para trás uma família desolada.
Dez anos depois
Era aniversário de sua morte. Justin lhe levou flores, mas como em todos aqueles anos, Luke não quis o acompanhar. Ele se entristeceu, mas entendia que para o filho era doloroso demais; todos aqueles anos haviam sido difíceis demais, mas para Justin não era um fardo, era apenas como mais um passo que ele daria para encontrar sua amada. Os dias passavam lentamente para ele depois da partida de sua esposa, ele nunca mais foi o mesmo, não se interessou por nem uma outra mulher, nem mesmo quando seus amigos mais próximos o arrastava para um bar e arrumavam garotas para ele. O homem tinha uma aparência abatida e desde a morte da jovem Olívia ele não sorria mais. Ele suportou todos aqueles anos pelo filho, precisou seu forte pelo garotinho que a esposa havia o deixado. Lembrava-se dos primeiros dias, o garoto tinha pesadelos todas as noites e acordava gritando o nome da mãe, ele esteve ao lado dele todos os dias daqueles dez anos, esteve dando força para o garoto, mas com o passar dos anos o menino já não se lembrava mais da mãe e essa imagem foi se apagando, mas para Justin não fora assim, era como se um dia fosse como mil anos.
— Minha doce, Olívia, que saudades eu tenho de você. – Fala ao colocar um boque de rosas vermelhas sobre seu túmulo.– Hoje nós faríamos dezesseis anos de casado, era para ser um dia tão feliz, mas essa data se tornou tão sombria após a sua partida. – Uma lágrima escorre no rosto com sinais de poucas rugas se formando. – Sabe, eu tentei seguir em frente, mas eu não consigo, você foi meu único amor e eu te jurei amor até após a morte, se sobrevivi esses anos sem você, foi por causa de nosso filho. Teve noites que pensei em tirar minha própria vida, pois a dor me corrói por dentro, dormir se tornou um fardo, quando não tenho insônia, eu sonho com você e com aquele maldito dia. – Trincou os dentes de repente, se lembrando novamente do dia em que a perdeu para sempre. – Por que?... por que me escondeu essa doença? por que não me deixou cuidar de você? – Gritou esmurrando a pedra do mármore preto, revoltado. – O médico me disse que você poderia ter sobrevivido se tivesse feito a cirurgia e o tratamento, mas você deixou passar, deixou essa doença te tirar de mim, isso não foi justo, eu te amava e precisava de você aqui, Olívia. Por que? Por que, meu amor?– As mãos de Justin tocaram o mármore, com os olhos fechados e a cabeça baixa. Por alguns minutos ele ficou daquela forma, sentindo o vento contra o rosto e os cabelos, enquanto chorava mais uma vez, ainda mais forte. Ainda com lágrimas descendo no rosto pálido, mas um pouco mais calmo, ele subiu o olhar, fixando-o no nome da esposa: Olívia Baker Bieber.
– Eu te amava, Olívia, como jamais amarei outro alguém. – Sua voz se tornou embargada. – E continuarei amando, pelo resto da minha vida.
Notas do auto:
Essa história é a primeira versão da fanfic Ghost que é passa 10 anos depois dessa oneshot
Essa história é postada no spirit fanfic
https://www.spiritfanfiction.com/historia/against-time-22286568
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