Capítulo III - O mortal
After Winter
Por tommosassy
Fairytale/mpreg
O rei de Daoine Adhair possuía cabelos longos e brancos como a neve. Sua beleza era fria ao ponto de dar medo, diferente da admiração que a beleza do filho causava. Abaixo dos olhos dele, flocos de neve decoravam a pele entre o brilho acinzentado. O uniforme de batalha era feito de prata, diferente da imponente coroa dourada em sua cabeça.
— Príncipe Harry Potter das terras selvagens além mar — o príncipe fada disse ao pai depois de pensar um pouco, e os olhos gelados do rei foram do filho ao estranho.
— É uma honra estar na presença do grande rei das terras feéricas. — O humano faz uma mesura. — Sua fama é contada em todos os lugares — falou sabendo bem que palavras usar para bajular alguém da realeza. O Potter estava mais do que acostumado a conviver com pessoas que gostam de ter seus egos amaciados.
— É um prazer recebê-lo em nossas terras. Eu sou o rei Lucius. — O rei acenou com a cabeça. — Espero que o meu filho tenha o recebido bem.
— O senhor Malfoy foi um ótimo anfitrião — elogiou o humano, mantendo o personagem, e piscou para o garoto fada, que revira os olhos com os braços cruzados na altura do peito.
— Por que não se junta a nós para o jantar? — convidou o rei.
— Eu já estava indo embora. — Negou com a cabeça apreensivo.
— Eu insisto. — O rei lançou um olhar penetrante ao Potter. — Fique apenas hoje para as comemorações do solstício. Nunca recebemos alguém das terras selvagens em nossas terras.
— Tudo bem — concordou o Harry.
— Dois cavalos. — O rei fez um sinal com as mãos e dois dos cavaleiros desceram de seus cavalos para que os príncipes subissem. Os dois homens iam guiando os cavalos a pé.
— Ouvi dizer que aqui é sempre inverno — comentou o humano. — Não entendo o motivo da celebração.
— Tradição. — O rei Lucius deu de ombros. — É preciso deixar o povo se divertir um pouco para que não se revoltem.
O rei Lucius mostrava as paisagens que o Draco antes mostrara ao Harry e se gabava pelas batalhas que ele havia ganho. De como embaixo de toda aquela neve tinha uma camada de sangue que levou os Malfoy ao poder.
Diferente de antes, o príncipe fada agora se mantinha em silêncio e apenas respondia quando o seu pai o chamava severamente pelo nome duas vezes. Os olhos prateados do Malfoy mais jovem se distraem facilmente com a paisagem tão conhecida por ele e prefere observar as ninfas das árvores do que ouvir a voz monótona do pai. Particularmente o Harry também preferia, mas fingia interesse por medo da fúria do rei.
A subida ao castelo foi rápida e de perto a construção era ainda mais bonita. Mesmo tendo crescido na Inglaterra com belos castelos, o Harry estava completamente admirado. Diferente do seu mundo, onde os grandes edifícios tomavam cada vez mais espaço e paisagens como aquela eram um oásis no deserto. O castelo de pedra e vidro era deslumbrante. E de cima das montanhas, as terras no horizonte lembravam muito a Escócia.
Desceram dos cavalos e foram guiados pelo rei para dentro do prédio. A rainha Narcisa ordenava algo para os servos, sentada no enorme trono de pedra coberto por folhagens congeladas, fazendo seu vestido vermelho se destacar em meio ao branco. A mulher ao ver o marido, logo vai em direção a ele. O longo vestido arrastava no chão, a coroa de ouro era delicada e se perdia entre os longos cabelos castanhos que chegavam na metade das costas. E abaixo dos seus olhos era uma mistura exata do seu marido e filho, neve e estrelas decoravam sua bochecha.
— Senhor Potter, essa é a minha esposa. Rainha Narcisa. — O rei aponta para a esposa.
— Majestade. — O Harry faz uma reverência ao cumprimentar a mulher.
— Narcisa, esse é o príncipe Harry das terras selvagens — falou para a rainha arqueando as sobrancelhas ao indicar que era alguém importante.
— É um prazer tê-lo aqui. — Narcisa sorriu analisando o rapaz discretamente.
— Mande que preparem um banho e levem roupas limpas para ele — pediu o rei a esposa. — Ele ficará conosco para a celebração.
— Eu o acompanho — o Draco oferece.
— Vá se limpar, Draco. — A mãe segura gentilmente no ombro dele e sussurra. — Coloque suas melhores roupas. Hoje é um dia importante.
O Malfoy sobe as escadas de má vontade, olhando para trás algumas vezes para conferir se o Harry estava bem. Se algo acontecesse ao humano seria tudo culpa sua. Tudo por causa da sua curiosidade pelo menino bonito e a vontade de ouvir a voz dele. Saber se a risada do Potter era tão graciosa quanto parecia e o quão mais bonito ele seria de perto. O Draco sabia que deveria ter ouvido a Pansy e nunca ter pisado naquele lago.
As servas saíram do quarto assim que o príncipe entrou. O rapaz se despiu rapidamente e tomou o banho com uma água perfumada com óleos e essências. Vestiu uma calça de couro preto assim como suas botas que iam até o joelho. Sua camisa na parte do peitoral e do pescoço era feita de couro vermelho com detalhes de folhagens e espinhos feitos em prata. A manga era de um tecido vermelho brilhante transparente que era soltinho, mas prendia no pulso.
Enfeitou as orelhas pontudas com diferentes brincos, um deles era longo o bastante para quase lhe tocar o ombro. Colocou diferentes anéis nas mãos e penteou os longos cabelos loiros antes de colocar a coroa dourada em sua cabeça, onde a pedra rubi encaixava perfeitamente em sua testa.
Em outro quarto do castelo, depois do que, segundo o Harry, pareceu ser um labirinto de corredores, ele foi deixado pela rainha. As servas prepararam um banho numa enorme banheira. A água estava quente e o cheiro floral preenchia o ambiente inteiro. O humano se deixou relaxar por um tempo e apenas aproveitou o banho oferecido.
Ao voltar para o quarto, viu as roupas separadas em cima da cama dossel. Vestiu a calça preta de couro e calçou as próprias botas de montaria. Vestiu a camisa de um material resistente na cor verde com detalhes de espinhos em dourado. Em seu peito, os cordões deixavam parte da pele visível. A capa da mesma cor era presa em um dos ombros e chegava até a sua panturrilha.
Gostou do que viu no espelho, mas respirou fundo ao reparar que não tinha nada para cobrir as orelhas. Tentou pensar em algo quando a porta do quarto foi aberta rapidamente. Assustado, o humano pegou um castiçal, pois foi a primeira coisa que viu para se defender.
— Harry, sou eu. — O Draco levanta uma das mãos em rendição e tenta acalmar o outro.
— Ufa — respirou fundo largando o castiçal e levando a mão ao peito. — Wow! Você está lindo — falou, não achando que aquela frase era suficiente para descrever o quão belo o príncipe fada estava. O Harry simplesmente não conseguia parar de olhá-lo.
— Você também não está nada mal — brincou o loiro e depois passou a língua entre os lábios. — Você está irresistível.
A tensão entre eles era palpável e o silêncio preencheu o grande quarto enquanto eles se olhavam intensamente. O loiro se aproximou e colocou uma coroa prateada sobre os cabelos negros, a posicionando para cobrir as pontas inexistentes da orelha, acariciando levemente a pele da bochecha do humano com o polegar.
— Obrigado — o Harry diz. Os olhos verdes encarando os cinzas e os dedos quase se tocando ao ajeitarem o objeto ao mesmo tempo.
— Tome cuidado e fique atento — pediu o Draco num sussurro. — Não vou sair do seu lado.
Eles saem do quarto e seguem para a sala de jantar, onde os soberanos da terra das fadas os aguardam animados planejando algo para aquela refeição.
— Vamos jantar — o rei ordena para que sirvam a comida. — Ainda temos um tempo antes de abrirem os portões para a comemoração.
A comida estava cheirando muito bem, mas o Harry só começou a comer depois do Draco indicar que era seguro. Tudo estava delicioso e combinava perfeitamente com o vinho quente que foi servido.
— Você está prometido a alguém, senhor Potter? — questionou a rainha bebericando um pouco do líquido da taça.
— Não. — O Harry negou com a cabeça após quase engasgar com a comida e levou a taça à boca buscando se acalmar.
— Seria uma ótima ideia unir nossas terras — o rei comenta. — Teríamos controle sobre todos os reinos do ar.
— Pai! — o Draco reclama ao perceber as intenções dos seus progenitores.
— Pense a respeito disso. — O rei encara o Harry. — Depois conversamos melhor.
— O Draco é um ótimo garoto — elogiou a rainha. — Muito belo, como você pode ver, e muito inteligente. Já estávamos pensando em o unir com alguém... ficaríamos felizes se fosse alguém como você.
Depois daquelas declarações, a comida se tornou mais difícil de ser engolida para o Draco. O príncipe fada apenas terminou seu vinho e aguardou o início das celebrações. Logo mais os portões foram abertos e os povos daquela região começaram a subir a montanha para a comemoração do solstício.
Os jardins eram iluminados pelas luzes das velas flutuantes, uma música animada tocava e um banquete estava disponível para todos. O Harry acompanhou a família real até a entrada do castelo no topo das escadas de pedra. As pessoas fizeram silêncio e se curvaram em respeito.
— Filho, inicie a celebração. — O rei indica com a cabeça.
O Draco dá um passo à frente e pega o arco. Coloca fogo na flecha e se posiciona para atirar e acender a lanterna para iluminar o céu na primeira noite do solstício. A mão do rapaz tremia e ele não conseguia se concentrar para acertar o alvo. O Harry percebendo a situação e vendo as pessoas começarem a comentar, se aproximou do garoto fada posicionando-se atrás dele e colocando a mão para que atirassem juntos.
— Você está tremendo — o Harry falou baixinho.
— Harry, meu pai quer que eu me case — sussurrou o Draco ainda sem acreditar.
— Ele provavelmente está vendo isso aqui com bons olhos. — O Harry indicou com a cabeça em direção aos pais do Draco. O humano não entendia o que estava acontecendo, eles estavam se saindo bem em convencer os soberanos.
— Mas é uma mentira — o loiro suspirou ressentido. — Você vai embora e eu vou ser dado para qualquer um que ofereça a ele uma vantagem maior.
— Não pense nisso agora — pediu o Harry. — Sei que você vai conseguir sair dessa — afirmou. — Pense apenas em nós dois — disse próximo ao ouvido do loiro fazendo a pele dele arrepiar.
O príncipe fada respira fundo e solta a flecha, que graciosamente acende a lanterna, ganhando o ar e iluminando a noite.
— Hoje recebemos um convidado de honra — falou o rei orgulhoso. — Príncipe Harry das terras selvagens, noivo do meu filho. Que se inicie o solstício.
As pessoas mais velhas, com bastante sabedoria e tendo vivido o suficiente para saber que aquele garoto não era uma fada selvagem, levantam suas taças junto com os outros mesmo assim em comemoração ao noivado do príncipe. Eles sentiam que era um humano e a esperança de uma velha profecia aquecia seus corações.
O Harry acompanha o Draco até o meio da multidão que os olham com curiosidade. A música volta a tocar e a amiga do príncipe se aproxima dos rapazes.
— Você não tinha outra coisa pra inventar? — A Pansy abraça o amigo pelo pescoço.
— Como? — O loiro virou para encarar a amiga.
— As fadas selvagens sequer lembram de longe os humanos — a garota explica.
— Pelo menos eles acreditaram — é o Harry quem diz.
— Achei que ele tinha ido embora, e quando vejo, o Harry é apresentado como seu noivo. — A náiade arregala os olhos. — Eu quase morri do coração.
— É uma longa história — o príncipe fada suspira. — Você acredita que eles querem me casar? — pergunta exasperado.
— Nós vamos conseguir dar um jeito nisso — falou confiante. — Você não vai acabar com ninguém esquisito. Agora aproveite que seu príncipe humano te espera para dançar — sussurrou ao indicar o Potter, que os observava mais afastado. — Ele até que é bonitinho.
— Me concede essa dança? — O loiro estendeu uma das mãos para o Harry tendo a outra em suas costas.
— Será um prazer. — Sorriu o outro rapaz ao segurar a mão do Draco.
O Malfoy leva as mãos até a cintura do Harry, que logo coloca a mão sobre o ombro do loiro, se deixando guiar naquela dança animada. Eles dançam diferentes músicas sob as estrelas sem trocarem de par como os outros faziam. Os olhos verdes não deixam os cinza uma vez sequer, os sorrisos colados nos lábios, a fina camada de suor sobre as peles e o singelo toque das mãos no corpo um do outro.
— Antes que você vá embora — disse o Draco observando o céu —, passe essa noite comigo — pediu baixinho.
— Draco... — o Harry o encarou.
— Harry, eu provavelmente me juntarei a alguém sem amor — afirmou o príncipe fada. — Deixe-me apenas escolher com quem eu quero passar esse momento.
— Vamos — o humano concorda e guia o Draco entre as pessoas, sem saber realmente para onde estava indo. Pediu a capa de alguém emprestada para que se misturassem entre a multidão e seguiram para a floresta.
Os dois garotos descem a montanha de mãos dadas animados, virando para conferir de tempos em tempos se alguém tinha os visto fugir da celebração, mas todos estavam concentrados na grande festa que provavelmente duraria dias. O reinado dos Malfoy era cruel e festividades como aquela eram os únicos momentos em que o povo podia descansar.
O príncipe fada os guia até um gazebo de pedra branca na margem de um dos únicos rios que não tinha congelado. A construção praticamente sumia entre as árvores cobertas de neve, mas apesar de todo aquele gelo, aquela era uma noite quente.
O loiro se livra da capa, a jogando no chão, e se aproxima do Harry devagar. Os dois rapazes eram da mesma altura e a proximidade fazia com que os olhos verdes e os cinza se encontrassem, assim como a respiração quente tocasse a boca um do outro.
— Eu estive querendo fazer isso a noite inteira. — o Draco levou a mão aos cabelos do Harry e bagunçou os fios negros que haviam sido perfeitamente penteados. — Bem melhor. — Sorriu, acariciando a nuca do outro antes de agarrar os cabelos, fazendo o Potter arfar.
— Sabe o que eu queria fazer a noite inteira? — questionou o humano, agarrando a cintura do outro com um pouco de força, o trazendo para si.
— O que? — perguntou o loiro com falsa inocência ao umedecer os lábios com a língua.
O Harry encosta os lábios deles devagar, apenas roçando um no outro antes de tomar a boca do Malfoy por completo num beijo voraz. As bocas quentes buscavam cada vez mais uma da outra sem se preocupar com a necessidade de ar.
A mão do Draco desceu para o peito do Harry, explorando a pele nua pela parte que a camisa não cobria, sua palma fria em contato com o corpo quente fazendo o Potter arrepiar. O príncipe humano morde o lábio inferior do outro com cuidado, fazendo com que o mesmo soltasse a sua boca em busca de ar. O Harry aproveita para beijar o pescoço do outro, provocando arrepios e gemidos baixos.
As roupas de couro de tecidos resistentes eram complicadas de tirar, mas não impediram que eles se despissem com toda pressa que a habilidade permitia. O Draco se deita sobre o tecido da capa, exibindo as bochechas rubras, enquanto o Potter se ajoelha entre suas pernas observando o corpo pálido marcado por desenhos, e dedilhou alguns deles com as pontas dos dedos, enchendo o outro de expectativas.
O Malfoy observa o corpo marrom sobre o seu coberto por alguns desenhos coloridos e frases que deixavam o Harry ainda mais bonito. O loiro queria perguntar o que significavam e, ao mesmo tempo, traçar cada linha com a língua.
— Eu nunca acreditei em conto de fadas ou em amor à primeira vista — o Harry falou baixinho com os olhos verdes tão transparentes —, mas agora eu acredito em ambos.
— Harry... — O príncipe fada leva sua mão ao rosto do outro lhe acariciando as bochechas, e os olhos provocadores se tornaram doces.
O Potter não deixou o loiro responder unindo os lábios deles novamente, enquanto penetrava o corpo do outro devagar, e o Draco se agarra nas costas do outro, gemendo baixinho ao sentir a dor se transformar em prazer. O loiro envolve o corpo do Harry com as pernas para aprofundar o contato, fazendo o humano gemer em seus lábios.
O estalo dos beijos, o contato entre os corpos, a fina camada de suor que cobria os corpos, as bochechas vermelhas e o vento frio que provoca arrepio na pele deles. O Draco pega a única flor branca em sua coroa e coloca atrás da orelha do Potter, ao sussurrar um "lindo", fazendo o Harry sorrir entre o beijo. E as estrelas eram testemunhas daquele momento que mudaria o destino dos dois.
Enquanto a noite dava lugar ao dia, as conversas sussurradas entre o povo do ar sobre a antiga profecia, os fez comemorar ainda mais na celebração que ainda acontecia, mas os soberanos sabem de tudo que acontece no castelo, e essa conversa chegou aos ouvidos deles. O rei enfurecido, temendo seu lugar no trono, juntou os melhores homens do exército da corte invernal para procurar os dois rapazes.
— Draco Malfoy — acariciando o cabelo do filho com a ponta da espada, acorda o filho de uma forma abrupta, o deixando assustado —, seu mentirosinho.
— Harry, acorda. — Balança o corpo do outro com cuidado, os mantendo sob a capa para cobrir a nudez.
— Que? — O humano acorda confuso e se assusta ao ver o rei apontando uma espada na direção deles.
— Por quanto tempo vocês acharam que iam me enganar? — Levou a espada da ponta das orelhas arredondadas para a garganta do humano. — Eu poderia matar você agora, mas não é tão divertido assim — falou entediado. — Se vista e corra, hoje é dia de caça. — Depois virou para encarar o filho. — Quanto a você, não manche mais o nosso nome.
— Deixe ele ir embora — pede o Draco se colocando na frente do Harry, que estava parcialmente vestido, usando apenas a calça e as botas, enquanto o corpo do garoto fada estava coberto pela capa e roupas de baixo.
— Não me desafie — ordenou o rei.
— Não vou deixar que o mate — afirmou o príncipe.
— Você sempre tem que dificultar tudo, não é? — O rei Lucius nega com a cabeça. — Torça para que eu não os encontre.
Foi a última coisa que eles ouviram antes de começar a correr entre as árvores secas. O Draco foi na frente, guiando o caminho em direção ao lago. Ele tiraria o Harry de lá em segurança.
— Você precisa ir, meu bem — o Draco fala nervoso, segurando delicadamente as bochechas do Harry, temendo que os encontrassem.
— Não me faça esquecer, por favor — o humano pede em um sussurro. Não queria que tudo aquilo que viveram fosse apagado da sua memória.
— É o mais seguro... — Fecha os olhos com força tentando controlar as lágrimas.
— Por favor — pediu mais uma vez o Harry, tocando a pele pálida molhada com o polegar e unindo os lábios de ambos. O beijo tinha o gosto salgado das lágrimas e amargo de uma despedida iminente.
O humano aproveita para dedilhar a pele quente do garoto loiro uma última vez e encara os olhos prateados como forma de guardar cada detalhe em sua mente.
— Eu amo você! — O Harry segura as mãos do Draco com força sem querer deixá-lo sozinho.
— Um dia na terra das fadas passa mais devagar do que no mundo humano — é tudo que o príncipe fada diz ao ouvir o som dos cavalos vindo na direção deles, antes de empurrar o Potter pela barreira mágica.
O humano acorda na floresta escura com o som de latidos e sirenes. A luz forte da lanterna em seu rosto faz sua cabeça doer. Ele estava bastante confuso. Aos poucos consegue enxergar as luzes azuis e vermelhas dos carros de polícia, a faixa amarela, repórteres, pessoas em volta. Ele usava as roupas que havia saído para cavalgar e que agora estavam bem sujas. Não era possível que ele tivesse imaginado tudo aquilo! Ele não se achava tão criativo assim.
— Meu filho está bem? — Escuta uma voz preocupada perguntar de longe.
— O que aconteceu? — Ele esfrega a cabeça.
— Senhor, consegue levantar? — perguntou o policial.
— Acho que sim — concordou o príncipe ao tentar impulsionar o corpo, mas acabou ficando tonto.
— Meu nome é Ronald Weasley, sou seu amigo e vou te ajudar. — O policial o ajuda a levantar, passando o braço do príncipe sobre seus ombros, e o Harry reconhece os cabelos ruivos do seu amigo de infância que era chefe da guarda real.
O Harry é colocado sentado numa ambulância, e logo o envolvem com um cobertor. Ele olha em volta e reconhece os rostos dos seus pais e da sua melhor amiga Hermione. Todos estavam aflitos esperando que tudo estivesse bem.
— Pode me dizer seu nome e que dia é hoje? — o ruivo pergunta de modo gentil em sua frente para que as câmeras não chegassem a filmá-lo.
— Meu nome é Harry Potter, eu sou príncipe da Inglaterra. Filho do príncipe James e da lady Lily — respondeu com certeza e o policial assentiu. — Hoje é dia 15 de outubro.
— Harry, hoje é 31 de outubro — o seu amigo explicou. — Procuramos você por quase três semanas.
Um dia na terra das fadas passa mais devagar do que no mundo humano...
O rapaz leva a mão ao bolso da calça e retira a flor branca, agora amassada, que ele havia guardado da coroa do Draco. Foi tudo real.
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Revisada por missugarpurple
Fiquem atentos ao perfil da cherryoongie para a postagem da oneshot “Android 056”, mais uma fanfic do projeto dezdrarryzdrarrydezdrarry
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