18 ; 𝙂𝙡𝙖𝙙𝙞𝙤𝙡𝙪𝙨

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⊹  J e o n   J u n g k o o k  ⊹
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Três dias depois.

Acordei com a luz suave atravessando as cortinas, mostrando que o sol já tinha nascido. Pisquei algumas vezes pra me ajustar à claridade e olhei para a tela da assistente de voz. Yuki ainda estava dormindo tranquilamente.

Ao virar para o lado, percebi que a cama estava vazia.

Em um segundo, pulei da cama, o coração acelerando automaticamente. Escutei alguns barulhos vindos lá de fora, o que me fez ir direto para a varanda do quarto. De lá, consegui ver o Jimin na plantação, ajoelhado no meio da terra macia, com as mãos ocupadas cuidando das mudas novas que havia ganhado.

Respirei fundo, aliviado.

Depois de dois dias seguidos de chuva, o tempo finalmente estava ensolarado, e era claro que ele tinha notado isso. Não desperdiçaria a oportunidade de correr para o jardim e plantar as flores antes que o tempo ruim voltasse.

Fiquei ali por um momento, observando. Era impressionante como ele parecia encontrar paz em algo tão simples.

Então, pela tela da assistente, vi que o Yuki já estava acordado, se mexendo no berço. Coloquei uma roupa e fui até seu quarto.

— Bom dia, meu amor. — Falei com a voz baixa enquanto abria a porta.

Assim que me viu, ele se levantou, apoiando na grade do berço com os olhos inchados.

Peguei ele no colo e encarei seu rostinho tranquilo, como quem acordou com a paz de um mundo perfeito. Nem um choro, nem um resmungo. Só ele e aquele sorriso inocente que fazia tudo parecer valer a pena.

— Agora eu tô começando a concordar com seu pai, você é realmente a minha cara... — Falei rindo, com aquela sensação gostosa de orgulho bobo, enquanto ele também soltava uma risadinha.

Mesmo que os últimos dias tenham sido melhores, eu e o Jimin continuávamos atentos, sempre medindo a temperatura dele para garantir que tudo estava bem. Felizmente, até agora, estava normal.

Dois dentinhos já tinham nascido, e eu não conseguia parar de admirar como aquilo era a coisa mais fofa que já vi.

Depois de trocar a fralda dele, desci até a cozinha pra preparar sua mamadeira. Nessa idade, Yuki já mostrava uma personalidade cheia de si. Ele odiava ficar deitado no berço, no carrinho ou no bebê-conforto. Era colo ou chão, especialmente agora que tinha aprendido a engatinhar e parecia determinado a explorar tudo ao seu redor.

Com a mamadeira pronta, coloquei o pequeno sentado no chão da varanda externa, ao lado da Haru, e entreguei a mamadeira.
Antes de sair, fechei o cercadinho que bloqueava o acesso à escada, garantindo que ele estivesse seguro.

Com Yuki entretido, fui até Jimin, que ainda estava no jardim. Ele estava inclinado sobre a terra, ocupado com suas mudas, tão concentrado que não notou minha aproximação.

— Por que não me pediu ajuda, meu loiro? — Perguntei, minha voz chamando sua atenção.

Ele levantou a cabeça, me olhando com os olhos semicerrados por causa do sol, e abriu aquele sorriso que eu era apaixonado.

— Deixei você encarregado do Yuki.

Ele se levantou, limpando a testa com o braço, e se aproximou com aquele brilho nos olhos que só ele tinha. Antes de qualquer coisa, me deu um selinho rápido, mas mantendo as mãos sujas de terra afastadas. Só que isso não foi o suficiente para mim. Segurei sua cintura com firmeza, o puxando de volta para um beijo de verdade.

Quando nos afastamos, fiquei um momento admirando ele, enquanto outro sorriso bonito escapava dos seus lábios.

— Agora não só minhas mãos estão sujas, sua roupa também.

— Não importa, valeu a pena.

Sem resistir, puxei ele de novo, me inclinando pra deixar um beijo no seu pescoço.

— O Yuki acordou bem? — Ele perguntou.

— Sim. Medi a temperatura dele, e continua ótima.

Ele suspirou aliviado, encostando a testa no meu ombro por alguns segundos, como se o peso das preocupações finalmente diminuísse.

— Que bom... queria passear com ele. Ele passou dias doente. Pensei no Parque das Sakuras, lá em Elysium. As flores estão florescendo, e o parque está todo rosa.

— Hmm, não sei não.

Seus olhos brilhavam enquanto ele encarava o fundo dos meus olhos.

— Por favooor.

É claro que ele me convenceria.

— Então chega de plantar, vamos entrar e trocar de roupa.

— Só vou terminar essas duas mudas que faltam. — Ele olhou para as plantas à sua frente com um ar de determinação. — Pode ir se arrumando primeiro.

— Ok, mas não demore.

Ele abanou as mãos me expulsando, e eu saí rindo.
Peguei o Yuki no colo e subi as escadas, com ele brincando com meu colar ao longo do caminho.

Coloquei um macacãozinho azul claro com bordados de nuvens e terminei de ajustar os botões. Yuki parecia adorar tudo, dando risadinhas enquanto mexia as mãozinhas para tentar agarrar os botões.

— Pronto, você tá lindo, filhão. — Sorri para ele enquanto dava uma apertadinha suave na sua bochecha redondinha.

Ele soltou uma risada gostosa, e foi o suficiente para o abajur e a luz do quarto piscar algumas vezes.

— Meu mini Aether... — falei, olhando o jeito como ele segurava meu dedo. — Quem diria que eu teria um filho Aether... Justo eu, que cresci caçando vocês.

Soltei um suspiro pesado, sentindo o peso do passado que ainda carregava. Era algo que eu queria esquecer, mas sabia que era impossível. Era como uma mancha escura na minha vida.

— Me desculpe por ter sido caçador. Eu não quero que você saiba disso, nunca. É vergonhoso.

Yuki me encarava sem desviar, como se realmente me entendesse...

Eu realmente não queria que ele soubesse.

Me inclinei e dei um beijo cuidadoso em sua testa, inalando seu cheirinho gostoso de bebê. O aroma suave trouxe um conforto imediato, quase como se dissipasse o peso dos pensamentos sobre o passado.

Alguns minutos depois, Jimin voltou para o quarto. Sem dizer muito, ele pegou uma toalha e foi direto para o banheiro. O som da água caindo logo encheu o espaço, enquanto eu aproveitava o momento para preparar tudo que precisaríamos.

Em poucos minutos, já estávamos prontos, com o Yuki acomodado no bebê-conforto no banco de trás do carro.

— Eu vou dirigindo. — Jimin disse, já indo para o lado do motorista.

Eu comemorei, aliviado.

— Ótimo, porque eu já não aguento mais esse caminho até lá.

Ele riu enquanto ajustava os espelhos, e eu me acomodei no banco do passageiro, aproveitando a oportunidade de relaxar um pouco.

Quando chegamos, o parque estava movimentado, mas de uma forma tranquila, com famílias e casais aproveitando o dia. A cena era simplesmente deslumbrante, como se todo o lugar tivesse sido tomado por um tom suave de rosa.
As árvores de cerejeira estavam em plena floração, suas pétalas caindo lentamente no chão e criando um tapete de flores ao nosso redor.

Colocamos o Yuki no carrinho e começamos a caminhar, ele parecia encantado com o movimento das árvores, capturando sua atenção a cada pequena brisa que as fazia balançar. Ele esticava o bracinho tentando alcançar as pétalas que caíam, sorrindo quando uma delas pousava sobre ele.

A sensação no ar era leve, e a gente caminhava lado a lado, aproveitando o momento.

— Uau, aqui é sempre tão lindo. Todas as vezes me surpreendo quando venho.

— E olhando você sobre esse manto todo rosa, fica tudo ainda mais lindo.

Ele ficou com as bochechas coradas e segurou minha mão.

— Acho que o lindo da relação é você, já que o Yuki fez questão de nascer uma cópia sua.

Eu segurei sua cintura e enchi seu pescoço de beijos, enquanto ele ria.

Continuamos caminhando, vendo todas as paisagens bonitas do parque. Eu observava Jimin ao meu lado, o sorriso tranquilo no rosto enquanto ele olhava para Yuki com tanta ternura, e para as flores, das quais ele amava. Era bom estar ali, no meio daquele cenário perfeito, longe de qualquer preocupação.

— Não comemos nada hoje, tô morrendo de fome... — ele reclamou.

— O que quer comer, meu loiro?

— Não sei...

— Olha, tem uma barraca de mochi ali — sugeri, apontando, mas ele logo fez uma careta.

— Ugh, não quero doce.

Eu ri, já imaginando que essa seria a resposta dele.
Coloquei a mão na barriga dele e me inclinei perto do seu ouvido.

— Acho que vou ter que colocar outro filho aqui pra ver se você volta a gostar de doces.

Ele riu, afastando minha mão.

— Nem pensar. Só o Yuki já tá ótimo. Agora, vamos achar algo salgado. — ele deu ênfase na palavra "salgado" e saiu andando na frente, nervosinho, enquanto eu fiquei atrás, empurrando o carrinho do neném e rindo dele.

Ele escolheu um corn dog em uma das barracas, caprichado de queijo e bacon, bem crocante. Eu peguei um apimentado pra mim, e continuamos caminhando pelo parque.

— Ei, então... estamos em Elysium, será que a gente podia ir um pouco na casa do Jin antes de ir pra casa?

— Se você for dirigindo, sim.

Ele riu revirando os olhos.

— Trato feito.

Continuamos comendo e observando todo o nosso redor. As cerejeiras formavam túneis naturais ao longo dos caminhos, com pétalas rosadas caindo suavemente ao nosso redor, como se estivessem criando uma espécie de coreografia com o vento.

O passeio estava tão bom que, a essa altura, o Yuki já estava dormindo pesado, bem relaxado.

Enquanto andávamos, o Jimin parou de repente, olhando para o chão com um olhar distante. Eu notei de imediato que algo estava diferente. O cheiro doce das flores estava presente, mas o aroma inconfundível dos feromônios dele começou a se destacar.

— Min, você tá bem? — perguntei, me inclinando pra ver melhor seu rosto.

— Uhum, tô. — Ele respondeu com um sorriso pequeno.

Aproximei minha mão do rosto dele, acariciando sua bochecha com cuidado, enquanto ele fechava os olhos por um momento, como se aquele gesto ajudasse.

— Tô sentindo seus feromônios... Será que é seu heat?

— Acho que não. Logo deve melhorar.

Eu me aproximei mais, abaixando no pescoço dele e deixando um beijo ali. O aroma dele era tão bom que parecia impossível descrever, como se fosse feito pra mim e só pra mim.

— Porra, que cheiro bom... Ainda bem que agora sou só eu quem sinto. — murmurei, deixando um sorriso escapar.

Ele riu, dessa vez mais relaxado, afastando meu rosto com um gesto leve, como se tivesse cócegas.

Depois de me certificar que ele realmente estava bem, seguimos pelo parque. Um grande lago refletia o azul do céu, contrastando com a cor rosa por todo o nosso redor.

O canto das aves e o som tranquilo da água corrente enchiam o ambiente de vida.

Com o fim do passeio, voltamos para o carro. O neném continuava dormindo profundamente, e nem se mexeu quando o peguei pra colocar na cadeirinha.

E no fim, fui eu quem ficou encarregado de dirigir, já que ele reclamou que estava com preguiça.

Durante o trajeto, a gente conversava sobre coisas aleatórias, enquanto o pequeno permanecia em um sono pesado.

Só quando estacionamos em frente ao prédio do Seokjin é que ele começou a se mexer, piscando lentamente e soltando um murmúrio sonolento.
O Jimin pegou ele no colo e, enquanto subíamos, o Yuki já estava completamente desperto, olhando ao redor com curiosidade.

Assim que a porta do apartamento se abriu, a mãe do Seokjin apareceu com um sorriso enorme e correu em nossa direção.

— Ahh, amor da tia, que saudade que eu estava de você! — disse, estendendo os braços para pegar o Yuki, que a reconheceu imediatamente e balançou os braços pra ir no colo dela.

Ele ria enquanto ela o enchia de abraços e beijos, muito feliz com a atenção. Nós sentamos no sofá enquanto ela andava pela casa com ele nos braços.

— Jin! O Jimin está aqui, vem logo, garoto! — ela falou alto.

O apartamento tinha uma energia acolhedora, decorada com móveis elegantes, mas cheios de personalidade. Havia algumas plantas espalhadas pelos cantos, junto com fotografias de família em molduras simples, mas bonitas.

Entre as fotos, vi uma do Jimin com eles, e era como se ele realmente fosse da família.

— Cadê seu pai? — Jimin perguntou, se ajeitando no sofá e olhando para o Seokjin, que veio até a sala.

— Tá no consultório. Já já ele chega — ele respondeu, sentando em uma poltrona.

— Vou esperar um pouco, então.

A mãe do Seokjin voltou para a sala ainda com o neném nos braços, que agora ria alto, balançando as mãozinhas como se estivesse brincando com algo invisível. De repente, as luzes da sala começaram a oscilar. Primeiro foi um piscar suave, mas logo a intensidade aumentou conforme sua gargalhada soava.

Eles olharam ao redor, desconcertados, achando que poderia ser algum defeito na casa.

— Céus, o que é isso? Será que nossa fiação da casa está ruim? — perguntou ela, ajustando o neném no colo e encarando o Seokjin com preocupação.

Antes mesmo que ele pudesse responder, o Jimin respondeu.

— Tia, na verdade... ele é um Aether, e as luzes piscam por causa dele. Descobrimos isso há alguns dias, justamente por conta das luzes.

Ela franziu a testa, olhando para nós, confusa.

— Mas você não disse que ele era um alfa?

— E é. Ele é o primeiro alfa que o corpo aceitou os genes Aether. Nem sabemos como isso aconteceu, muito menos os médicos do vilarejo, mas estamos fazendo alguns exames pra tentar descobrir.

A mãe do Seokjin piscou algumas vezes, processando a informação enquanto olhava para o neném, que agora estava mais calmo, observando as luzes oscilantes com um brilho curioso nos olhos.

— Então... ele consegue controlar energia? — O Jin perguntou.

— Ainda não temos certeza — respondi, me inclinando um pouco para frente. — Mas parece que sim.

Ela acariciou a cabecinha do neném, agora com um sorriso no rosto.

— Isso é incrível... Protejam ele mais que tudo. Não deixem que mais ninguém saiba.

O neném soltou mais uma risadinha, como se entendesse o que estavam falando sobre ele, e as luzes pararam de oscilar, estabilizando de uma vez.

Enquanto a gente conversava, o Jimin levantou pra ir ao banheiro. Até aí, tudo normal, mas então ele começou a demorar, e era claro que eu ia ficar preocupado, já sabendo que ele não estava bem em alguns momentos no parque.

Eu levantei e fui direto para o corredor do apartamento. Parei na porta do banheiro e bati algumas vezes.

— Min? Tá tudo certo aí?

Demorou um pouco, mas ele abriu a porta. Quando vi o estado dele, já sabia o que tava rolando. O rosto vermelho, suado, a respiração pesada... Ele tava tentando fingir que tava bem, mas não conseguia nem me encarar direito.

— Eu sabia... Sabia que você ia entrar em heat. A gente devia ter ido embora antes.

— Achei que ia demorar mais... — ele respondeu, com a voz fraca, quase um sussurro.

Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, o Seokjin apareceu no corredor, preocupado.

— Ele tá bem?

— Tá em heat. Vocês conseguem cuidar um pouco do Yuki? — falei rápido.

— Claro, pode deixar. A gente dá conta.

Seokjin voltou para a sala, e eu voltei minha atenção para o Jimin, que tava se encostando na parede, quase sem força pra ficar de pé. Segurei ele pela cintura antes que caísse.

— O que você tá fazendo? — ele perguntou, com a voz fraca.

— Vamos resolver isso.

— O pai do Jin... ele deve ter supressores.

— Vamos resolver isso da forma tradicional, e não com remédios.

Segurei a mão dele, e ele respirou fundo antes de dar o primeiro passo. Descemos juntos até o carro, que estava parado em frente ao apartamento.
Assim que entramos, procurei no GPS o hotel mais próximo, mas ele não deixou.

— Eu quero ir pra nossa casa... — ele disse, com a voz fraca, mas firme.

— Mas vai levar uns trinta minutos pra chegar lá.

— Eu aguento. Por favor...

Eu suspirei. Não sabia dizer não pra ele, ainda mais naquela situação.

— Tudo bem, vamos pra casa.

Liguei o carro e peguei a estrada, mas o clima dentro do carro tava longe de ser tranquilo. No meio do caminho, senti o olhar dele fixo em mim. Olhei de canto de olho e vi o sorriso malicioso no rosto dele, mesmo ofegante.

— Que foi? — perguntei.

Ele começou a rir, apontando pra mim.

— Sua calça.

Olhei pra baixo por reflexo, percebendo o óbvio. Suspirei e dei uma risada.

— Você tá de pau duro — ele provocou, a voz meio rouca e cheia de desejo.

Virei o rosto pra ele, que exalava feromônios como se fosse de propósito.

— Seu cheiro tá me deixando maluco, Jimin. E você ainda me olha desse jeito... Seria estranho se eu não tivesse, hm? Com você exalando seus feromônios assim, vai ficar duro até chegarmos.

Ele deu mais uma risada baixa, mordendo o lábio, o que só piorava a minha situação.

Foram os trinta minutos mais torturantes da minha vida, mas finalmente chegamos em casa.

Assim que fechei a porta atrás de nós, ele não esperou nem um segundo. Me puxou pela gola da camisa e começou a me beijar, desesperado, como se não nos víssemos há dias.

Sem nem pensar, passei os braços em volta dele, agarrei sua bunda e o peguei no colo, com nossos beijos ficando mais intensos a cada segundo.
Subimos pro quarto como dois imãs que não conseguiam se separar, e naquele momento, tudo que importava era saciar seu heat, e consequentemente, meu desejo.

Assim que chegamos no quarto, empurrei a porta com o pé e o coloquei na cama. Ele me puxou pelo pescoço, me obrigando a deitar por cima dele.

Seus olhos brilhavam na medida que meu coração batia mais forte. Ele era tão lindo que eu mal conseguia acreditar que era meu. Todinho meu.

— Eu quero te devorar... — murmurei contra seus lábios, sentindo sua respiração quente e acelerada.

Minhas mãos exploravam seu corpo desenhado, enquanto o desejo nos deixava em ritmo frenético.
Não havia porquê esperar, então logo tratei de tirar suas roupas, e em segundos, as minhas também foram parar no chão.

Os minutos seguintes foram uma mistura perfeita de intensidade e ternura. Cada toque que trocávamos parecia carregar a essência de tudo o que compartilhamos até aqui. Os beijos eram urgentes, e cada movimento era um lembrete do quanto nossas vidas estavam entrelaçadas.

O quarto estava preenchido com os sons baixos dos nossos suspiros e gemidos, uma melodia que parecia se ajustar ao ritmo que criávamos juntos. O corpo do Jimin, abaixo de mim, tremia levemente, seus dedos percorrendo minhas costas como se quisesse marcar meu corpo assim como marquei ele.

— Precisamos de camisinha... — ele murmurou, a voz rouca e entrecortada, enquanto seus olhos brilhavam de desejo.

— Hmm, não sei... E se a gente fizer um irmãozinho pro Yuki?

— Esquece essas ideias, Jeon. — Ele revirou os olhos, mas não conseguiu conter um sorriso antes de continuar. — Pega a camisinha logo.

Eu ri, balançando a cabeça, e me estiquei até a gaveta ao lado da cama. Peguei o pacote rapidamente e o entreguei para ele, ainda ajoelhado sobre suas pernas.

— Então quero que coloque em mim, meu loiro.

Ele arqueou uma sobrancelha, seu sorriso se alargando de maneira maliciosa, antes de pegar o pacote. Abriu com os dentes, o gesto apressado, enquanto seus olhos não desgrudavam dos meus.

Com uma calma que parecia desafiar meu próprio autocontrole, ele segurou a camisinha entre os dedos e começou a colocar em mim. Suas mãos eram quentes contra minha pele, o toque firme, mas ao mesmo tempo tão cuidadoso, que era impossível não arrepiar meu corpo todo.

Ele se deitou novamente na cama, o corpo relaxado, mas os olhos entregando um misto de ansiedade e desejo. Abriu um pouco mais as pernas, tornando impossível ignorar o convite que seu corpo fazia.

— Vem logo... — ele murmurou.

Eu me inclinei para ele, deslizando as mãos firmemente por suas coxas até segurar uma de suas pernas. Com cuidado, a ergui, apoiando sobre meu ombro.

Quando penetrei, com um movimento lento e profundo, ele arqueou as costas contra a cama, deixando escapar um gemido que ecoou pelo quarto. O som fez meu coração acelerar ainda mais, e eu precisei me controlar para não aumentar o ritmo que havia acabado de começar.

O calor que nos envolvia parecia engolir tudo ao redor, e cada reação dele, cada som e expressão, me levava a querer ainda mais. O momento era só nosso, íntimo e visceral, me provando que não existe ninguém no mundo comparado a ele. Nada se comparava ao que meu Aether me proporcionava.

A intensidade entre nós tomou conta de todo o ambiente, e nossos feromônios se espalhavam por todo o quarto. Conforme eu me movia, sentia ele arquear as costas mais e mais, com suas mãos agarrando os lençóis e os gemidos escapando livremente de seus lábios.

— Você é perfeito... — sussurrei, enquanto beijava seu tornozelo que estava apoiado no meu ombro, deixando marcas na pele macia.

Seus olhos brilhavam, cheios de prazer e entrega, e isso só me fazia perder o controle ainda mais.

Abaixei sua perna e cravei minha mão em sua cintura, enquanto a outra usei para me apoiar. Esse mesmo braço apoiado, ele apertou com força, tentando conter os gemidos que escapavam dos seus lábios.

— Não para... por favor... — ele sussurrou, a voz trêmula de desejo.

Eu me inclinei mais, segurando firme suas mãos na cama, acima da sua cabeça, e diminuí o ritmo, colando nossos lábios um no outro.

— Pede de novo, pede.

Ele estava lindo, com o cabelo suado e bagunçado, e sorriu contra a minha boca, cruzando as pernas atrás de mim.

— Me fode mais, Jeon...

Meu sorriso mais malicioso se abriu nos meus lábios, e desci com sua boca até seu pescoço, mordendo sua nuca gostosa.

— Porra...

Eu sentia a energia Aether dele fluir através de mim, alimentando cada fibra do meu ser. Era como se o tempo desacelerasse, permitindo saborear cada momento nosso.

Suas unhas cravavam ainda mais nas minhas costas enquanto o ritmo ficava mais intenso.

Quando gozamos juntos, o quarto ficou em completo silêncio, apenas nossas respirações ofegantes preenchendo o espaço. Ele me puxou e me beijou, aquele beijo também ofegante, assim como nós dois.

— Eu quero mais... — ele pediu, com a boca colada na minha.

Era tudo o que eu queria ouvir...

— Vem, vamos pro chuveiro — falei, segurando sua mão, e fomos para o banheiro.

Lá, liguei a água quente, deixando o vapor preencher o espaço ao nosso redor.

Assim que as primeiras gotas caíram sobre nós, ele voltou a me beijar com intensidade, as mãos deslizando pelos meus ombros e descendo pelo meu peito. Nossos quadris se moviam em sincronia, pressionando um contra o outro, e a sensação do corpo molhado dele contra o meu era simplesmente enlouquecedora.

Sem conseguir esperar mais, virei ele de costas, posicionando sua mão no box para que se apoiasse. O vidro ficou embaçado quase que imediatamente, enquanto a água escorria pelo seu corpo. Tirei outro preservativo da embalagem e coloquei com rapidez, me ajustando antes de penetrar nele novamente.

Ele soltou um gemido gostoso quando me sentiu dentro dele novamente, o som ecoando pelo banheiro e se misturando ao barulho da água. Suas mãos deslizavam pelo vidro, marcando com rastros enquanto ele apoiava também o rosto contra o box, os olhos buscando os meus por cima do ombro.

Minha mão subiu pela curva da sua cintura, segurando firme enquanto eu mantinha o ritmo. A cada movimento, seus gemidos ficavam mais altos, e ele arqueava as costas, deixando o corpo ainda mais entregue.

Me inclinei para beijar sua nuca, onde minha marca estava ali, gravada para sempre. Ele aproveitou o momento e olhou de novo por cima do ombro, os olhos brilhando.

— Eu te amo... — ele disse, a respiração entrecortada.

Eu tirei meu pau de dentro dele e o virei na minha direção, levantando no colo como se ele não pesasse nada. Suas costas se apoiaram contra o vidro embaçado do box, que rangia levemente com o movimento do seu corpo molhado.

Voltei a penetrar sua bunda gostosa, aumentando o ritmo de forma gradual, minhas mãos firmes em seus quadris para guiar seu corpo.

— Eu também te amo... — murmurei entre um beijo e outro no seu pescoço. — Pra sempre, meu loiro.

Ele se segurava nos meus ombros, os dedos pequenos se cravando na minha pele enquanto sua cabeça tombava para trás, os gemidos escapando entre os lábios entreabertos.

O vapor da água quente escorria pelo seu corpo, destacando cada detalhe que parecia brilhar.

Já minha boca, se movimentava pelo seu pescoço e clavícula, deixando marcas que ele provavelmente veria mais tarde no espelho. Não consegui evitar morder e chupar a pele sensível dele, arrancando gemidos ainda mais intensos, que eram como música pra mim.

Era o melhor som do mundo.

Segurei ele com ainda mais firmeza, o movimento ficando mais intenso, mais profundo. Seus olhos estavam semicerrados, mas abertos o suficiente para me olhar, aquele brilho de desejo fazendo meu coração disparar.

Então, ele desceu uma das mãos e começou a estimular a si mesmo enquanto eu o penetrava, mantendo em pé, no meu colo. O jeito que ele se tocava, combinado com o som dos nossos corpos e seus gemidos baixos, era suficiente para me deixar completamente louco.

— Assim eu não vou aguentar por muito tempo... — sussurrei entre um sorriso.

Ele sorriu o sorriso mais safado que poderia exibir, e continuou, com os olhos em mim.

Assim que senti que ele queria gozar, agarrei firme seus quadris, guiando seus movimentos de forma ainda mais intensa contra mim. A mão dele, que se movia com precisão, acompanhava meu ritmo, criando uma sincronia perfeita entre nós dois.

O momento foi mais intenso que antes. Ele gozou primeiro, gemendo enquanto me olhava, e essa sensação me levou ao meu próprio limite. Soltei um gemido baixo e rouco enquanto sentia meu corpo relaxar, o prazer ainda pulsando em cada centímetro do meu corpo.

Ele se apoiou no vidro, visivelmente exausto, os olhos semicerrados e a respiração ofegante. Eu o mantive firme nos meus braços, encostando minha testa no seu ombro enquanto tentava recuperar o fôlego.

Com cuidado, coloquei o Jimin no chão, garantindo que não escorregasse, e fomos de uma vez para debaixo do chuveiro, onde ele me abraçou.

Quando desliguei a ducha, peguei uma toalha próxima e a enrolei ao redor do seu corpo molhado. O sorriso dele, mesmo cansado, era de uma beleza tão natural que me apaixonava cada dia mais.

— Cada vez que a gente transa, parece que fica ainda melhor. Eu amo isso — ele falou.

Eu dei uma risada baixa e um selinho nos seus lábios carnudos.

— Acho que é seu corpo pedindo outro filho meu.

Ele me deu um tapa nos braços, rindo, e em seguida, apontou pra mim.

— Não começa.

Eu dei com os ombros, rindo da reação dele.

Voltamos para o quarto e ele sentou na cama, mas, em questão de segundos, se jogou para trás, se esticando como se todo o corpo estivesse pedindo descanso.

— Eu tô quebrado... — ele falou, com o olhar voltado para o teto.

Deitei ao lado dele, puxando seu corpo para perto. Meus dedos deslizaram pelo seu cabelo molhado, fazendo carinho enquanto observava cada detalhe do seu rosto. Beijei sua testa com ternura, deixando meus lábios descansarem ali por alguns segundos antes de apertar meu Aether num abraço.

— Descansa, meu amor — sussurrei contra a sua pele.

Ele fechou os olhos por alguns segundos, o sorriso tranquilo ainda nos lábios, enquanto seus braços envolviam minha cintura, me puxando pra mais perto. O silêncio do quarto nos envolvia, e eu quase podia sentir ele relaxar completamente nos meus braços.

De repente, ele se sentou na cama, com os olhos arregalados.

— O Yuki! Vamos buscar ele.

Antes que eu pudesse reagir, ele já estava pulando da cama, procurando suas roupas pelo quarto. O jeito apressado dele me fez rir, balançando a cabeça enquanto o observava.

— Você já está melhor? — perguntei, me levantando também. — Se quiser, pode ficar em casa descansando. Eu vou buscar ele.

Ele parou por um segundo, me olhando com aquele olhar de quem estava pronto pra argumentar.

— Depois de um sexo desses, é claro que eu tô melhor. — Ele respondeu, puxando uma camiseta do armário e vestindo rápido.

Eu ri, negando com a cabeça enquanto vestia minhas roupas.

— Então vamos — comentei, rindo, enquanto ele já me apressava, pegando as chaves do carro.

Em poucos minutos, e sem nenhum descanso, já estávamos na estrada a caminho de Elysium.

Eu fui dirigindo enquanto ele aproveitou o caminho pra descansar, relaxado no banco ao lado. O som da estrada era interrompido apenas pela respiração calma dele.

Assim que chegamos, deixei ele no carro, ainda dormindo, e subi até o apartamento. O Yuki também estava dormindo, tranquilo. Eu o peguei no colo com cuidado, agradeci ao Jin e a família dele, e desci com ele nos braços. Coloquei o pequeno no carro e liguei o carro de volta para casa.

Agora, eram os dois dorminhocos. A cena me fez sorrir. Não poderia ter pedido por uma vida mais perfeita que essa.

Em pouco tempo, já estava fazendo o caminho de volta pra casa.

Jimin estava ao meu lado, dormindo tranquilamente, com o rosto virado para a janela. A luz da rua passava pelas frestas, iluminando seu rosto de forma intermitente. Eu o observei por um instante, com um sorriso discreto. Mesmo dormindo, ele tinha aquela expressão serena, quase angelical.

Foi então que notei algumas marcas em sua pele, deixadas por mim. Elas apareciam discretamente à medida que a luz batia, revelando o contraste contra sua pele clara. Meu peito se encheu com uma mistura de orgulho e obsessão.

Ele era só meu.

A noite foi tranquila, sem pressa ou agitação. Jantamos com calma, aproveitando a companhia um do outro, e depois brincamos com o Yuki, que se divertia e gargalhava, fazendo as luzes oscilarem. Algo que, agora, já era um pouco mais normal para nós.

Logo o neném também se cansou, e em poucos minutos já estava dormindo no berço.

Após o dia, a sensação de paz parecia tomar conta de tudo. Fomos para a cama, cansados, mas satisfeitos. Enquanto ele se ajeitava ao meu lado, eu puxei o cobertor para cobrir nós dois, sentindo a leveza do toque de suas mãos enquanto ele se aninhava ainda mais perto de mim.

— Obrigado por tudo... Se fosse como antigamente, eu teria me entupido de supressores até o heat aliviar um pouco e eu pudesse voltar ao normal.

— Não quero você tomando supressores nunca mais. É um risco enorme, ainda mais pra um Aether. Você me tem sempre que quiser, sempre que precisar.

Eu o abracei, sentindo o calor do seu corpo contra o meu. Era como um abrigo, como se eu estivesse em um refúgio. Ele apoiou a cabeça em meu peito, enquanto eu sentia o perfume dos seus cabelos.

Passei os dedos pelos fios do seu cabelo loiro, sentindo a suavidade das mechas escorregando entre minhas mãos. O toque era macio, como se ele fosse feito de algo muito mais delicado do que simplesmente ser humano.

Enquanto ele fechava os olhos, eu podia ver a tranquilidade se espalhando por seu rosto.

Ele fechou os olhos lentamente, e deixou que o sono tomasse conta. Minhas mãos continuaram acariciando seu cabelo, até que, sem perceber, eu também sucumbi ao cansaço. Juntos, nos entregamos ao sono, em silêncio, mas unidos como nunca.


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No dia seguinte.

A manhã seguiu tranquila, como vinham sendo os últimos dias. A rotina estava leve, calma, com os momentos compartilhados entre nós, quase como uma sequência de pequenas felicidades.

Enquanto trocava a fralda do Yuki, o som do risinho leve do bebê preenchia o ambiente, e o cheiro do pão que o Jimin estava assando se espalhava pela casa, criando aquela sensação acolhedora de lar.

Foi então que meu celular, no bolso da calça, vibrou. Era uma ligação. Olhei para o visor e vi que era o Yoongi. Ele raramente me ligava, preferia sempre as mensagens, a não ser em casos que eu precisava resgatar algum Aether.

Atendi rápido, já imaginando ser isso.

— Aconteceu alguma coisa?

Do outro lado da linha, ouvi o som de sua respiração pesada, mais ofegante do que o normal. Algo estava errado, muito errado.

— Meu pai faleceu... Pouco antes do sol nascer.

As palavras dele caíram como uma tonelada. Meu corpo ficou parado, e só consegui sentar ao lado do Yuki, que estava ali, tranquilo e inocente, sem saber do peso da conversa que se desenrolava.

— Eu sinto muito — falei, mesmo sabendo que não havia nada que eu pudesse dizer para amenizar a dor dele.

O silêncio ficou por um momento do outro lado. Yoongi respirou fundo, como se tentasse reunir forças pra falar.

— Obrigado... O velório será no fim da tarde, próximo ao vilarejo. Achei melhor dar a notícia pra você, e você contar para o Jimin. Não sei como ele vai reagir, e você sabe fazer da melhor forma.

— Vou conversar com ele. Quer que a gente vá agora? Posso ir pra te ajudar com tudo, se precisar.

— Não, aqui está uma bagunça de pessoas pra lá e pra cá, é ruim para o bebê. Venham mais tarde, eu aviso quando tudo já tiver normalizado.

— Ok, fico esperando. Espero que você fique bem.

— Vou ficar. Obrigado mais uma vez.

Nós desligamos e eu fu fiquei ali, olhando para o Yuki, que parecia me observar com calma, como se sentisse a mudança de energia no ambiente. Ele não chorou, não se mexeu, apenas me encarava com seus olhinhos curiosos, quase como se soubesse que algo ruim estava acontecendo.

Coloquei o celular de volta no bolso, e então o Jimin entrou no quarto, animado pra me chamar para o café. Assim que ele olhou no meu rosto, percebeu na hora que algo não estava bem. Era inacreditável, afinal, eu sequer estava demonstrando isso, e era claro que ele percebia pois tinha poderes.

— O que aconteceu? — ele perguntou.

Eu fiquei quieto por alguns segundos, buscando as palavras certas. Me dei conta de que não havia palavras perfeitas para aquilo, especialmente com ele ao meu lado, já usando seu poder pra me convencer a falar.

— O Arconde faleceu. O Yoongi acabou de me ligar e dar a notícia.

Aquelas palavras pareciam cortar o ar ao meio. Jimin congelou, seu olhar vazio por um momento, como se o mundo ao seu redor tivesse parado. Então, ele piscou, sem acreditar no que havia acabado de ouvir.
Eu sabia que aquilo o atingiria de uma forma profunda, pois o Arconde não era apenas uma figura distante para ele; era alguém que ocupava um lugar significativo em sua história.

Ele me olhou com uma mistura de dúvida e dor, os olhos lentamente se enchendo de lágrimas, como se tentasse resistir ao peso da verdade.

— Isso... isso é mentira — murmurou, sua voz baixa e hesitante.

— Infelizmente é verdade, Min.

Ele balançou a cabeça, como se quisesse afastar o que eu havia dito, enquanto as lágrimas começavam a descer por seu rosto. Ele tentou secar elas com as mãos, de forma apressada e quase agressiva, como se não quisesse ceder à dor.

Ver ele daquele jeito me cortava por dentro. Eu queria encontrar alguma palavra, alguma ação que pudesse aliviar aquele sofrimento, mas sabia que o apoio era a única coisa a se fazer.

— Vem cá, senta aqui. — Dei umas batidinhas na cama ao meu lado.

Ele obedeceu, quase mecanicamente, sentando ao meu lado, ainda secando os olhos com força. Sem pensar duas vezes, envolvi ele em um abraço apertado. Ele se entregou ao meu toque, deixando o peso do corpo relaxar contra o meu.

Ele retribuiu o abraço com força, e ali, no calor do momento, deixou as lágrimas fluírem sem vergonha ou resistência.

— Eu sinto muito, meu amor. Sei que ele era especial pra você — murmurei.

Enquanto nossos corpos permaneciam entrelaçados, um pequeno resmungo veio do Yuki. Ele estava incomodado por não ter nossa atenção. Peguei ele no colo, colocando entre nós dois.

— Eu preciso ir para o vilarejo.

— Min, o Yoongi pediu pra gente esperar, pelo menos por enquanto.

Ele me encarou, os olhos ainda marejados, buscando respostas.

— E por quê?

— O velório será no fim da tarde, e ele disse que agora tá um caos de gente lá. Ele acha melhor esperarmos um pouco, por causa do Yuki — Expliquei enquanto passava a mão pelos seus cabelos.

Meu loiro ainda parecia paralisado, a expressão carregada de tristeza e com o olhar distante.

— Vou estar com você, sempre. Não só com você, mas do lado do seu vilarejo. Você sabe que tudo vai ficar em boas mãos. O Yoongi é mais do que capaz de continuar os passos do Arconde.

Ele não respondeu de imediato. Apenas se apoiou em mim, buscando na minha presença o apoio que precisava para reunir forças. Era como se as palavras que eu dizia estivessem tentando romper o véu de dor que o envolvia.

— Obrigado... — murmurou, a voz baixa e embargada, carregada de um tom choroso que me apertou o peito.

O Yuki, percebendo o clima, esticou os bracinhos em direção ao Jimin, agarrando sua roupa com determinação, como se quisesse consolar o pai de alguma forma. Jimin pegou ele no colo e o abraçou forte, como se naquele contato pudesse encontrar algum conforto.

— Vamos descer e comer os pães que você preparou, ok?

— Não quero mais comer... — ele deu com os ombros.

— Quer sim. Ficar sem comer não vai adiantar nada. Você precisa estar forte.

Ele me olhou por alguns instantes. Por fim, respirou fundo, beijou a testa do Yuki e concordou, ainda que com relutância.

— Tá bom... vamos.

Segurei sua mão enquanto descíamos juntos, meu polegar acariciando o dorso da mão dele de forma reconfortante.

Já na cozinha, tudo estava pronto para o café. O Yuki, sentado em sua cadeirinha, já se aventurava sozinho com um pratinho de iogurte natural de manga. Ele usava a colher de maneira desajeitada, espalhando mais do que conseguia comer.

Nós nos sentamos à mesa e começamos a comer, observando a bagunça dele. As risadas escapavam sem esforço. O Jimin também ria, mas havia algo diferente em seu sorriso. Era mais fraco, como se estivesse se esforçando pra se divertir um pouco.

Eu estiquei minha mão e segurei a dele por um instante, e ele apertou de volta com um sorriso bonito no rosto, enquanto o Yuki soltava uma gargalhada gostosa, feliz com sua própria bagunça.

Até que, no meio de vários balbucios entre “dá dá” e “bá bá”, enquanto segurava o pratinho vazio, escutamos algo que soou como um “papai”. Foi meio desencontrado, quase parecendo um “babai”, mas nós dois congelamos, trocando olhares arregalados.

O Jimin não perdeu tempo. Empurrou a cadeira para mais perto do Yuki, com o coração disparado de expectativa.

— Filho, o que você disse? — ele perguntou, os olhos brilhando.

O pequeno continuou balbuciando outras sílabas aleatórias, como se nada tivesse acontecido.

— Você ouviu ele falando papai? — Jimin virou pra mim, incrédulo e animado ao mesmo tempo.

— Ouvi — confirmei, sorrindo.

Sem desistir, ele voltou a olhar o neném, todo esperançoso.

— Fala de novo, papai. Vai, pa-pai — Jimin repetiu devagar, apontando para si mesmo, incentivando.

Yuki apenas olhou pra ele com aquela expressão inocente e confusa, segurando o pratinho como se não tivesse ideia do que tinha acabado de fazer. Depois soltou um risinho bobo, jogando o pratinho no chão.

Eu ri da reação frustrada do Jimin, mas também da ternura daquele momento.

— Acho que ele já gastou o “papai” de hoje — brinquei.

— Não, ele vai falar de novo — Jimin insistiu, determinado, voltando a encarar o Yuki com um sorriso encorajador.

E ali ficamos, enquanto o Jimin repetia “papai” para o Yuki, que apenas balbuciava outras coisas, rindo e mexendo as mãozinhas. Ele parecia mais interessado em fazer sons aleatórios do que em repetir a palavra.

Foi bom ver ele tão animado depois da notícia sobre o Arconde. Era como se aquele momento tivesse trazido uma luz para o dia dele, por mais difícil que fosse.

E então, percebi que o Jimin estava com os olhos cheios de lágrimas.

— Ei, o que foi? — perguntei, me inclinando um pouco na direção dele.

Ele riu baixinho, limpando as lágrimas com as costas das mãos, mas sem conseguir conter o choro.

— Tô emocionado... — confessou, rindo e chorando ao mesmo tempo. — Nunca nem pensei que teria um filho, e agora, aqui estamos, com ele quase falando.

Me aproximei e segurei sua mão, apertando de leve, enquanto olhava pra ele com carinho.

— Você merece tudo de bom que a vida tem pra oferecer.

Ele sorriu, ainda com os olhos cheios de lágrimas, e naquele momento, tudo parecia estar se acalmando aos poucos.

Próximo ao fim da tarde, com tudo pronto, partimos em direção ao velório.

O clima dentro do carro estava silencioso. O Yuki adormeceu quase instantaneamente, embalado pelo movimento suave do carro, enquanto o Jimin, distraído, mexia no celular, alternando entre mensagens com o Jin e olhar perdido pela janela.

Eu dirigia com foco, atento à estrada que já era tão familiar para nós dois. A paisagem passava como um borrão de tons quentes, com o sol baixo no horizonte tingindo tudo em dourado e laranja. O som suave do rádio preenchia o ambiente, mas não quebrava o silêncio.

De vez em quando, lançava um olhar para o Jimin. Ele parecia calmo por fora, mas eu sabia que sua mente estava a mil, lutando contra as emoções que aquela viagem trazia.

— Tá tudo bem? — perguntei, a voz baixa, quase como um sussurro para não acordar o Yuki.

Ele levantou os olhos do celular, me encarando por um momento antes de dar um pequeno sorriso, sem muita convicção.

— Uhum. Só... pensando.

Eu concordei, apertando de leve a mão dele apoiada entre os bancos.

— Estamos com você, meu amor. Sempre.

Enquanto as horas de estrada passavam, a pequena cidade começava a surgir à distância, trazendo com ele aquele sentimento agridoce de familiaridade e perda. Nós estávamos acostumados a esse caminho, mas dessa vez parecia mais longo, como se o luto alongassem cada quilômetro.

Quando chegamos no cemitério, peguei o Yuki enquanto o Jimin foi até o Yoongi, e fiquei com ele no colo.
O clima era pesado, e o velório estava cheio de gente, um reflexo da importância que o Arconde tinha para todos.

Enquanto o Jimin se despedia do Arconde no caixão, o Yoongi se aproximou de mim.

— Você acha que a Ordem já sabe? — perguntei.

— Acho que não, mas não podemos baixar a guarda. Se souberem, eles serão muito mais incisivos nas buscas por Aethers que não estão no vilarejo. Isso me preocupa com relação à vocês. Especialmente agora, com esse pequeno também sendo Aether.

— Eu sei, mas o Jimin não quer sair da nossa casa.

Ele respirou fundo, cruzando os braços com uma expressão de quem já conhecia bem o jeitinho teimoso do Jimin.

— Eu imagino. Vou mandar mais reforços pra sua casa, e qualquer coisa suspeita que virem, não hesitem em nos avisarem.

— Farei isso. Obrigado por tudo.

Ele abaixou e deu uma apertadinha na bochecha do neném, antes de se afastar pra receber outras pessoas que estavam chegando no velório.

O ambiente estava carregado de tristeza e pesar. Em um momento eu fiquei do lado do Jimin, fazendo carinho no seu ombro enquanto tentava o confortar.

— Era graças ao Arconde que os Aethers ainda existem... Foi graças a ele que eu fui acolhido quando não tinha mais ninguém por mim. Ele me deu uma nova chance de viver. Mesmo que ele não estivesse bem, acho que todos ainda tinham esperanças dele melhorar.

— Agora o que temos que fazer é continuar o legado dele, e manter todos os Aethers à salvo. E não só isso, temos que destruir a Ordem.

Ele concordou, determinado.

— Nós vamos acabar com eles, pela honra do Arconde e de todos nós.

Eu segurei sua cabeça e dei um beijo entre seus cabelos.

— Eu tenho certeza que vamos.

O velório foi passando enquanto tudo era preparado para ao enterro.

Taehyung, Hoseok e o Namjoon também estavam lá. A gente conversava, tentando aliviar um pouco a tensão de todo esse momento, enquanto eu segurava o Yuki em meu colo e observava o Jimin à distância. Ele estava próximo, conversando com a médica do vilarejo.

De repente, o Taehyung, que estava mais atento ao que acontecia ao redor, deu um forte aperto no braço do Hoseok. Seus olhos se moveram rapidamente, como se estivesse captando algo, e a expressão dele mudou de uma hora para outra. Algo estava errado.

— Merda! Reforcem a segurança! — Taehyung gritou, sua voz cheia de urgência.

Eu sabia o que isso significava. Taehyung, com sua habilidade de rastrear, provavelmente sentiu algo que nós não conseguimos perceber. Eu estava prestes a perguntar o que estava acontecendo quando o som de uma forte explosão na entrada do cemitério cortou o ar.

O estrondo foi tão forte que as pessoas começaram a gritar em pânico e a correr em todas as direções. O caos se instaurou de forma rápida, e a cena à nossa volta virou uma confusão.

O Yuki acordou assustado no meu colo, e eu segurei ele forte, envolvendo meu braço pra proteger. Corri em direção ao Jimin, tentando me mover contra a onda de pessoas que se espalhavam em desespero. Quando finalmente consegui alcançar, vi a mesma expressão de confusão e apreensão nele.

E então, uma voz gritou desesperada no meio da confusão:

— A Ordem do Eclipse!

Olhamos em direção a entrada do cemitério e vimos os caçadores da Ordem... era realmente eles.

O Yoongi atravessou a confusão a passos rápidos, cortando a multidão. Ele chegou até nós, sem hesitar, com um olhar determinado e a voz pesada de urgência.

— Vão embora daqui com o Yuki, agora! — Ele gritou.

Jimin, no entanto, não parecia disposto a ceder. O olhar dele, carregado de determinação, se fixou no Yoongi. Eu sabia o que estava acontecendo na cabeça dele.

— Eu não vou, eu preciso ajudar! — Jimin retrucou.

Yoongi não hesitou, e com um movimento rápido, deu um empurrão no Jimin, forçando para trás, quase como um comando.

— Sua prioridade é seu filho, Jimin! Vaza daqui! — Yoongi insistiu, com autoridade na voz.

Foi nesse momento que eu segurei o braço dele com firmeza, puxando com urgência. Não havia mais tempo para discutir. Corremos para o carro, mas ao olhar pra trás, o terror se instaurou. Já havia corpos ao redor, de pessoas dos dois lados, e entre essa confusão, vimos dois homens da Ordem do Eclipse cercando o Hoseok e o Taehyung.

Eu sabia que, se pegassem o Taehyung de novo, seria o fim para todos nós.
Olhei para o Jimin e, no instante seguinte, ele já estava saindo do carro.

— Jimin! Não faz isso! — Eu gritei, desesperado, mas ele nem me ouviu.

Antes que eu pudesse sair do carro, ele já estava se aproximando dos dois homens, seus olhos brilhando com poder. Ele levantou os dois homens com um simples gesto de suas mãos e os lançou no ar com uma força brutal. Eu vi os corpos se afastando tão rapidamente que tinha certeza de que eles não sobreviveriam à queda.

Os três correram para o carro, mas, ao invés de entrar, Jimin hesitou e começou a se afastar.

— Onde você vai? Você ficou maluco? — Gritei, desesperado.

Ele olhou para mim, seus olhos intensos e decididos.

— Protege eles e nosso filho. Eu vou ajudar o meu povo. Meus poderes vão fazer a diferença.

Sem me dar tempo pra sequer responder, ele se virou e desapareceu na direção da multidão, correndo com velocidade. Eu fiquei paralisado por um segundo, sabendo que não podia ir atrás dele. Eu não podia deixar ele ir, mas também não podia deixar o Yuki. A Ordem queria ele.

— O Jimin é o Aether mais forte entre nós, confie nele. — Taehyung falou, tentando me confortar.

Foi então que a realidade bateu. Uma explosão próxima ao carro fez tudo ao redor tremer, e isso me despertou da paralisia momentânea. Eu sabia que eu tinha que tirar o Yuki dali, rápido, e me concentrar em manter todos seguros. Não havia mais tempo para hesitar.

Eu liguei o carro e acelerei, saindo rapidamente da área do cemitério, tentando manter uma distância segura do caos. As batidas do meu coração ecoavam nos ouvidos, e a tensão era palpável dentro do carro. Porém, não demorou muito para que eu notasse uma SUV preta nos seguindo.

— Merda... — murmurei, apertando o volante enquanto olhava pelo retrovisor.

Hoseok, que estava sentado no banco da frente ao meu lado, tirou uma arma de dentro da roupa, com a expressão séria e determinada.

— Tae, protege o bebê e tampe os ouvidos dele! — ele ordenou, sua voz grave.

Taehyung não hesitou. Ele segurou o Yuki firmemente no banco de trás, abaixando no assoalho do carro enquanto tentava acalmar ele.

Enquanto isso, Hoseok abriu a janela do carro e colocou a mão para fora, começando a atirar na SUV que nos seguia. Os disparos romperam o ar, misturados ao som do motor rugindo. Eles revidaram, e o som de balas atingindo o carro me fez apertar o acelerador ainda mais.

— Merda! — gritei, tentando manter o controle enquanto desviava dos tiros e mantinha o carro na estrada estreita.

Hoseok continuava atirando, os olhos fixos no alvo. Depois de alguns disparos certeiros, ele finalmente acertou o pneu dianteiro da SUV. Pelo retrovisor, eu vi o carro perder o controle e capotar de forma violenta, rodopiando na estrada até parar em um monte de destroços.

— Morram, seus filhos da puta! — Hoseok gritou, a adrenalina evidente na sua voz.

Olhei novamente pelo retrovisor, me certificando de que não havia outro veículo nos seguindo. Era agora ou nunca. Pisei ainda mais fundo no acelerador, determinado a desaparecer da vista deles antes que algo pior acontecesse.

A estrada parecia interminável, cada quilômetro trazendo um peso ainda maior no meu peito. Quando finalmente tomei uma distância considerável, parei o carro em um trecho isolado e virei para o banco de trás.

— Tá tudo bem?

— Estamos. — Taehyung respondeu, sua voz um pouco trêmula.

Ele segurava o Yuki nos braços, abraçando ele com força. O neném estava assustado, os olhos arregalados e brilhando com lágrimas que começavam a escorrer pelo rostinho, acompanhadas de um choro. Taehyung, calmo, parecia estar segurando as próprias emoções enquanto acariciava os cabelos do pequeno.

— Shh, shh... calma, neném. Tá tudo bem agora, tá tudo bem... — ele murmurava, a voz carregada de ternura, enquanto tentava acalmar o Yuki.

O som do choro dele destruiu meu coração, mas ao mesmo tempo, o alívio de saber que ninguém estava ferido me dava forças para continuar. Eu encostei a cabeça no banco por um momento, respirando fundo.

Eu saí do carro e olhei para trás, ainda sem conseguir acreditar no que estava acontecendo, e então, algo me fez prender a respiração. Um clarão ofuscante, tão intenso quanto uma bomba atômica, clareou o céu, vindo diretamente do local do ataque.

Aquela luz... Eu reconhecia aquela intensidade. Era a mesma luz que eu vi quando o Jimin perdeu o controle de seus poderes pela primeira vez, só que parecia muito mais forte. E naquele momento, eu soube com certeza que era ele. O poder dele havia se desencadeado de novo.

Eu estava apavorado. Não era o medo da Ordem do Eclipse que apertava meu peito, mas o medo de perder o Jimin. A culpa e a frustração me consumiam, e eu me sentia fraco por ter saído de lá, mas sabia que, se tivesse ficado, eles teriam vindo atrás do Yuki.

Respirei fundo, tentando focar na única coisa que eu podia fazer agora: proteger nosso filho.

— Não podemos ficar aqui, e também não podemos voltar para o vilarejo sem saber se é seguro. Vou levar vocês pra minha casa.

Entrei no carro e dirigi o mais rápido que pude pelas estradas, sentindo meu peito apertar ainda mais a cada quilômetro.

Assim que chegamos, os portões se abriram, e os seguranças já estavam em alerta. Eles deviam ter recebido a notícia do ataque, pois estavam armados e atentos, prontos para qualquer coisa.

Estacionei e desci do carro às pressas, segurando o volante por um momento enquanto olhava para o Hoseok e o Taehyung.

— Eu preciso ir atrás do Jimin. Vocês conseguem cuidar do Yuki?

Os dois concordaram na hora.

— Claro que conseguimos. Mas você tem certeza de que é seguro ir sozinho? — O Hoseok perguntou.

— Não tenho certeza, mas preciso ir.

Taehyung não perdeu tempo. Ele segurou o Yuki firme nos braços e entrou com ele para dentro de casa, oferecendo um último olhar encorajador antes de desaparecer pela porta. Eu sabia que ele faria de tudo para manter meu filho seguro, mas ainda assim meu coração estava apertado.

Olhei para Hoseok, que ficou ao meu lado. Nós nunca tivemos uma relação boa enquanto estávamos na Ordem, mas agora, eu sabia que podia contar com ele.

— Meu filho é um Aether, mesmo sendo um alfa. A Ordem ainda não sabe disso, mas sabem que eu e o Jimin tivemos um filho.

Hoseok arqueou as sobrancelhas, surpreso.

— Um alfa Aether... isso é inacreditável.

— Eu sei. Parece impossível, mas ele é. O desgraçado do Taeha já me disse na cara que quer criar o Yuki. E isso foi antes de sequer imaginar o que ele realmente é.

— Esse homem é um louco. Nós precisamos matar ele. Nem prisão vai funcionar pra um lunático como aquele.

Concordei, meu queixo travado pela determinação.

— Sim, ele tem que morrer. Se eu tiver a chance de fazer isso hoje, farei. — Olhei firme para ele. — Agora entre e cuide dos dois, vocês já estão fazendo muito por nós.

Hoseok hesitou por um instante antes de colocar uma mão firme no meu ombro.

— Eu vou cuidar do seu filho com a minha vida, e te prometo isso.

— Obrigado, Hoseok.

Ele acenou, entrou na casa e fechou a porta atrás de si. Mesmo com a confiança que tinha nele, o peso do momento era sufocante. Eu sabia que precisava agir, mas o medo de falhar, de não voltar para o Yuki e o Jimin, rondava minha mente.

Entrei no carro novamente e arranquei com força, sentindo meu coração bater rápido. Eu precisava voltar para a cidade, para o centro da confusão. Não importava o que me esperava lá, eu tinha que encontrar o Jimin.

No caminho, tentei ligar para ele várias vezes, mas nenhuma chamada foi atendida. Também tentei o Yoongi e o Namjoon, mas o resultado foi o mesmo: silêncio. Minha ansiedade aumentava a cada tentativa fracassada.

A estrada parecia interminável, e o céu, agora escuro, só tornava tudo ainda mais opressor.

Fui direto até o cemitério. O cenário era desolador: terra revirada, lápides quebradas, sangue manchando o chão e os gritos de dor ecoando ao redor. O cheiro de fumaça ainda pairava no ar, enquanto pessoas choravam, tentando encontrar seus entes queridos entre os escombros.

Passei os olhos por cada rosto, tentando reconhecer alguém conhecido, mas tudo que vi foram estranhos. Até que notei um senhor sentado debaixo de uma árvore, um curativo improvisado em seu braço. Ele parecia cansado, mas vigilante.

— Desculpe incomodar, mas você viu o Yoongi? — perguntei, me aproximando.

Ele levantou o olhar para mim, sua expressão era séria, mas gentil.

— Ele está ajudando no resgate dos feridos. Acho que foi levar algumas pessoas pro vilarejo agora. Estão retirando os sobreviventes aos poucos.

— E a Ordem? — perguntei.

— Recuaram. Perderam muitos homens. Parece que não esperavam tanta resistência nossa. Um dos nossos Aethers nos salvou... eu nunca tinha visto tanto poder. Aquele garoto foi nossa esperança.

Soltei um suspiro pesado e ao mesmo tempo, orgulhoso. Eu sabia que era do Jimin que ele estava falando.

— O senhor sabe se ele está bem? Sou noivo dele.

— Não sei te dizer, rapaz. Me acertaram antes disso.

— Tudo bem... Você tá precisando de ajuda?

Ele balançou a cabeça.

— Já fizeram o curativo em mim. Eu vou ficar bem. Obrigado, rapaz.

Concordei e segui em frente. Enquanto esperava o Yoongi, não consegui ficar parado. Era inevitável não ajudar. Passei a carregar escombros, apoiar feridos e buscar água para os mais debilitados. Meu corpo se movia por reflexo, tentando aliviar ao menos um pouco o caos ao meu redor.

Depois de um tempo, ouvi o som de um carro se aproximando. Olhei para trás e vi o Yoongi estacionando sua caminhonete, junto com o Namjoon. Corri até ele antes que saíssem do veículo.

— Onde está o Jimin? — perguntei, a ansiedade e o medo transparecendo na minha voz.

Os dois desceram, os rostos cansados e marcados por fuligem.

— Ele nos salvou... Eu mandei ele ir embora, mas no fim, ele foi essencial para os caçadores restantes da Ordem recuarem — o Yoongi fez uma pausa para recuperar o fôlego. — Levamos ele para o hospital do vilarejo. Está estável.

Ao ouvir isso, senti o peso esmagador no meu peito se dissipar. Minha respiração ficou um pouco mais leve, mas a preocupação ainda latejava na cabeça.

— Eu preciso correr pra ajudar os outros — ele disse, ajeitando os suprimentos no carro.

— Eu vou ajudar também — respondi, decidido.

— Onde está o Yuki? — o Namjoon perguntou.

— Em casa, com o Hoseok e o Taehyung.

— Eu vou até lá ajudar a cuidar da segurança dele.

Eu nem sabia como agradecer por isso.

— Obrigada, Nam.

Ele deu um sorriso e se despediu rápido, entrando no seu carro e partindo.

Ainda no cemitério, corremos por todos os lados, ajudando a colocar os feridos nos carros. A cena era triste, já que algumas pessoas e até mesmo, alguns Aethers, acabaram falecendo no ataque. Era doloroso olhar pra tudo aquilo.

Assim que ajudamos a maior parte das pessoas, peguei a chave do carro no bolso e fui até ele. Eu também precisava ir ao vilarejo, precisava de notícias do Jimin.

— Quer que eu vá com você? Pode ser perigoso. — o Yoongi perguntou, se aproximando.

— Não precisa. Fique aqui e continue ajudando todos.

— Eu vou logo em seguida, levando mais alguns feridos. Te encontro lá.

Ele concordou e eu entrei, acelerando pela estrada de terra que ligava até o vilarejo. Não era uma longa viagem, não dava nem cinco minutos, mas o caminho estreito de terra, de mão dupla, cercado por árvores e arbustos, parecia ainda mais opressivo naquela escuridão da noite.

Enquanto dirigia, notei o farol de um carro atrás de mim e fiquei em alerta, mas fiquei mais tranquilo quando vi que era um carro parecido com o do Yoongi.

Ele acelerou, ultrapassando meu carro, e por um breve instante, quando as janelas ficaram uma ao lado da outra, notei que não era o Yoongi.

Antes de conseguir acelerar, o homem jogou o carro bruscamente contra o meu. O impacto foi imediato e violento. Eu perdi o controle, e o carro começou a capotar, cada giro trazendo uma mistura de desespero e dor. Vidros quebrando, metal rangendo, e tudo virando de ponta-cabeça até o carro finalmente parar, com as rodas para cima, atolado no mato do acostamento.

Minha cabeça latejava, e um corte na testa fazia o sangue escorrer pelo meu rosto. Cada parte do meu corpo doía, mas eu sabia que precisava sair dali. Forcei o cinto de segurança e tentei me arrastar para fora pela janela quebrada, mas o som de passos esmagando os cacos se aproximou rápido.

Antes que pudesse reagir, alguém agarrou minha roupa pela gola com brutalidade e me puxou para fora, me jogando no chão com  a mesma raiva.

Ali, entre a escuridão sendo iluminada apenas pelo farol do carro que me atingiu, eu pude ver o rosto do diabo em pessoa.

— Você realmente achou que ia fugir de mim, Jeon? — a voz do Cha Taeha ecoou pelo ar.

Eu tentei reagir. Minha mão foi instintivamente para o coldre na cintura, buscando a arma, mas antes que pudesse sacar, senti um chute forte no braço. A arma caiu longe, girando no chão entre os cacos de vidro. Outro capanga se aproximou, ficando ao lado de Taeha, ambos me observando como se eu fosse um prêmio de caça.

— Eu vou te matar, seu desgraçado! — gritei, cuspindo sangue enquanto tentava me levantar com dificuldade.

— Não, você não vai. — Taeha se aproximou e me segurou pelo colarinho, trazendo meu rosto para perto do dele. — Foi tão bom saber que o velhote finalmente foi pro saco. Agora, os Aethers estarão bem mais vulneráveis. Isso inclui seu filho, não é mesmo? Onde ele está?

As palavras dele acenderam uma fúria que ofuscava qualquer dor. Antes que pudesse pensar, avancei nele, derrubando o desgraçado no chão com força. Minhas mãos foram direto para seu pescoço, apertando com toda a força que me restava. Eu queria acabar com ele ali, naquele momento. Queria ver a vida escapar nas minhas mãos.

Mas não tive a chance. Um golpe forte acertou minha cabeça, uma coronhada precisa que me jogou de lado, caindo no chão. Minha visão começou a turvar, e o som ao meu redor parecia distante, abafado. Ainda assim, vi Taeha se levantar, limpando a roupa com calma.

Ele caminhou até onde estava minha arma, pegou ela e apontou para mim.

— Pena que você não vai viver pra ver a dimensão do poder que seu filho terá com os treinamentos da Ordem. — Ele riu, mas antes que pudesse puxar o gatilho, o som de um motor se aproximando chamou sua atenção.

Faróis iluminaram a cena. Taeha hesitou por um momento, então abaixou a arma e deu um último olhar para mim, um sorriso cínico nos lábios.

— Nos veremos em breve, Jeon. — Ele entrou no SUV com os capangas, e o veículo desapareceu pela estrada.

Eu mal conseguia respirar quando ouvi outro carro parando e passos correndo na minha direção. A voz do Yoongi, distante e carregada de preocupação, foi a última coisa que ouvi.

— Merda... Ele está respirando. Me ajudem aqui!

Eu não tinha forças, mas sussurrei a única coisa que saiu dos meus lábios.

— O Taeha... ele está indo atrás do Yuki. Protejam ele...

Por mais que eu tentasse fazer toda a força do mundo pra me manter acordado, eu não estava conseguindo. Aos poucos, pequenos fragmentos de sons e sensações começaram a passar pela minha mente. Vozes abafadas, o rangido de uma porta abrindo, o cheiro metálico de sangue ainda fresco. Meu corpo parecia pesado, como se toneladas de concreto estivessem pressionando cada músculo.

Eu não podia morrer, não antes de proteger minha família...

E então, a escuridão tomou conta por completo.
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🪻

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Oi, leitor!

Parece que nem tudo são flores.
Vou te esperar ansiosa para o desenrolar de toda essa tragédia.
Ahh, e me desculpem pela demora, estava sem criatividade, mas agora voltouuu.

Conto com sua estrelinha ali em baixo para me mostrar que está gostando da história.

Até o próximo capítulo!

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