16 ; 𝙋𝙡𝙪𝙢𝙚𝙧𝙞𝙖

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⊹  J e o n   J u n g k o o k  ⊹
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Acordei com uma sensação gelada no rosto, seguida de uma leve pressão. Quando abri os olhos, vi a Haru amassando pão na minha bochecha com suas patas frias. Sorri de leve, ainda meio sonolento.

— Obrigado por me acordar, Haru. — Agradeci fazendo carinho nela, que miou de volta pra mim.

Do meu lado, Jimin dormia profundamente, virado para o outro lado, e a marca que fiz nele era nitidamente visível em seu pescoço, como um machucado recém-feito. Ver aquela marca me trouxe uma onda de possessividade misturada com amor.

— Você nunca mais vai ser de ninguém, meu loiro, só meu... — sussurrei com um sorriso de canto, com meu lado egoísta e obcecado por ele comemorando silenciosamente.

Olhei para a tela da Alexa na mesinha de cabeceira, e o Yuki ainda estava dormindo no seu berço.

Aproveitei para me acomodar mais um pouco, abraçando Jimin por trás. Sua pele estava quente contra o meu peito, e eu não resisti em começar a beijar sua nuca, perto da marca. Seu corpo mal se moveu, preso no sono profundo, e eu aproveitei aquele momento de tranquilidade para desfrutar do seu cheiro.

Depois de enrolar por um tempo, me afastei com cuidado e fui direto para o banheiro. Enquanto lavava o rosto, ouvi pela assistente de voz que o Yuki estava acordando. Fui até o quarto dele e o peguei no colo, sentindo seu corpo se aconchegar imediatamente contra mim.

— Bom dia, filho — murmurei, beijando sua testa enquanto me olhava.

Com ele no colo, fui até a cozinha preparar seu leite, usando apenas uma mão, enquanto com a outra eu segurava ele firme. A rotina se tornou tão natural que eu já conseguia fazer tudo com facilidade, desde preparar a mamadeira, até trocar sua fralda e dar banho.

Com o leite pronto, fui para a sala e me sentei no sofá, acomodando o bebê no meu colo pra começar a dar a mamadeira. Ele puxava o leite com seus olhos fechados, totalmente relaxado.

Olhar para ele só me lembrava o quanto eu era sortudo por viver algo assim.

Nesse momento, Jimin apareceu na sala, quase se arrastando de sono, com os olhos ainda meio fechados. Ele estava sem camisa, e seu corpo, como sempre, era uma obra de arte. Era impressionante como ele já tinha se recuperado completamente após a gravidez, cada curva e músculo evidenciando sua forma impecável, como se nunca tivesse carregado uma criança.

Ele esfregou os olhos, se espreguiçando, os músculos do abdômen contraindo brevemente. Se aproximou do sofá com um sorriso preguiçoso nos lábios, e se sentou ao meu lado, apoiando a cabeça no meu ombro enquanto observava o Yuki.

— Bom dia... — murmurou, sua voz rouca ainda cheia de sono.

Eu sorri, inclinando a cabeça para dar um beijo nele.

— Bom dia, meu noivo.

Ele deu um sorriso preguiçoso, com seus olhos piscando lentamente e brilhando com aquele amor que só ele conseguia transmitir.

— Somos noivos... — ele sussurrou olhando para o neném. — Nem consigo acreditar nisso.

Eu sorri de volta, fazendo uma manobra rápida para soltar a mamadeira sem derrubar ela, pra conseguir acariciar o rosto dele.

— Estamos noivos, temos um filho, e eu te marquei. Não tem porquê esperar. Por mim, a gente se casava hoje mesmo.

Ele riu baixinho, me puxando para um selinho suave, os lábios ainda macios do sono.

— Vamos acabar com a Ordem primeiro — ele murmurou contra minha boca, com um sorriso nos olhos. — Assim, não precisaremos esconder nada, nem ter medo deles aparecerem.

Eu suspirei, passando o polegar pelo contorno perfeito do seu rosto.

— Vou morrer de ansiedade até lá.

— Bobo... — ele riu e apoiou a cabeça no meu ombro de novo.

— Não vai reclamar de fome hoje?

— Tô com fome...

Dei risada da sua resposta rápida.

— Quer que eu cozinhe algo? Ou quer sair?

— Acho que quero comprar mais algumas decorações pra casa. Queria ir em Elysium... Podemos até tomar café naquela cafeteria que gosto.

E lá vamos nós de novo.

— Se eu disser que não, você vai usar seu poder pra me convencer?

— Não vou! — ele disse, fazendo um símbolo de promessa com os dedos.

Dei uma beliscadinha leve na cintura dele, e ele se curvou, rindo por causa das cócegas.

— E por que, sabendo do perigo de ir pra lá, mesmo assim quero aceitar sua sugestão? — perguntei, cruzando os braços e tentando manter a seriedade.

Ele me olhou com aquele sorriso que sempre me desmontava.

— Porque você me ama.

Revirei os olhos, mas não consegui segurar o riso.

— Não faz essa carinha, caso contrário vou ser obrigado a te comer de novo, agora mesmo.

Ele arregalou os olhos, rindo alto, e saiu correndo do sofá.

— Fui, vou me arrumar... — ele gritou, subindo as escadas correndo, enquanto eu fiquei rindo dele.

Subi um pouco depois para arrumar o Yuki e me arrumar também.
E depois de alguns minutos, finalmente estávamos prontos.

No carro, já estava cansado do caminho até Elysium, que eu fazia quase sempre, já que o foco dos Aethers para salvar era lá. Prendi o bebê-conforto no banco de trás e sentei no banco do passageiro. Assim que ele veio até o carro, parou na janela me encarando.

— Você nem pergunta se eu quero dirigir?

— Você quer dirigir?

— Agora, Jungkook? — ele revirou os olhos e eu comecei a rir da sua reação

— Já que você inventou de ir pra Elysium, acho mais do que justo que você dirija. Vou ser seu copiloto.

Ele reclamou, mas aceitou e foi para o volante. Ajustou o banco, e assim que ligou o carro, o motor rugiu.

Eu sorri enquanto observava ele se acomodando, admirando como ele parecia tão pequeno no volante do carro, mesmo que nossa diferença de altura fosse de apenas alguns centímetros. Havia algo encantador na forma como ele se concentrava na estrada, seus lábios carnudos se curvando em um sorriso bonito.

O caminho, que era curto, se desenrolava à nossa frente, e enquanto ele dirigia, me perdi em pensamentos sobre como a vida havia mudado e o quanto eu era feliz, algo que nunca imaginei ser.

Vai ficar tudo ainda melhor quando eu matar o Cha Taeha.

Quando chegamos em Elysium, nossa primeira parada foi na cafeteria que ele tanto gostava. Assim que entramos, ele procurou um lugar e se sentou, colocando o bebê-conforto ao seu lado.

— O que quer comer? — perguntei.

— Qualquer coisa que não seja doce.

— Ok — respondi, sorrindo ao ver que ele já tinha voltado ao normal e retornado ao seu desprezo por sobremesas.

No balcão havia várias opções, então pedi dois sanduíches de peito de peru com ricota, dois bowls de salada com frango e suco natural. Assim que peguei os pedidos, voltei para a mesa e coloquei tudo na mesa.

Foi só sentar e o bebê começou a resmungar.

— Deixa que eu pego ele, coma com calma — falei, pegando Yuki, que se acalmou imediatamente.

Não era fome e nem fralda, ele só queria colo. Me olhou com aqueles olhos curiosos, e eu não consegui evitar um sorriso.

Enquanto o Jimin mastigava, deu um gole no suco antes de falar.

— Ah, levantei de madrugada pra trocar a fralda do Yuki, e as luzes estavam piscando de novo — comentou, preocupado.

— Tem acontecido com mais frequência. Vou chamar outro eletricista pra conferir o que está causando isso. Não quero que a gente fique no escuro.

— É melhor.

Terminamos de comer e fomos até a primeira loja. Jimin estava animado, analisando cada objeto com cuidado, imaginando como ficariam nos ambientes da casa, enquanto eu segurava o Yuki.

A cada nova peça que ele escolhia, eu notava como seus olhos brilhavam. Eu daria o mundo para ele... eu faria loucuras pra ver esse sorriso a todo momento.

Depois de um tempo, nosso carrinho já estava cheio de itens, e na grande maioria, para o Yuki.

— Pronto para ir pra próxima loja? — perguntei.

— Uhum, vamos.

Assim que chegamos, foi a mesma coisa: meu loiro explorando animado e eu atrás dele com o Yuki no colo.

Enquanto ele olhava cada prateleira, um número desconhecido me ligou. Desliguei, mas a chamada continuou insistindo. Me afastei um pouco e atendi.

— Quem é? — perguntei irritado.

— Jungkook?

Eu conhecia essa voz melhor que qualquer um.

— Como conseguiu meu número novo, Eunwoo?

— Eu... nós podemos conversar?

Um leve sorriso surgiu no meu rosto.

— Só pode ser brincadeira...

— Não, não é.

— E por que eu acreditaria em uma conversa? Qual a garantia de que não é um plano? — questionei, minha desconfiança evidente.

— Sou eu quem quer conversar com você, e não a Ordem do Eclipse. Só confie em mim, assim como já confiei em você várias vezes — ele disse, a sinceridade em sua voz.

Suspirei, pensativo. Dentro da Ordem, ele sempre me tratou bem e confiou em mim, diferente de todo o restante. Isso não mudava o fato de que agora ele era meu inimigo, mas, talvez, eu devesse arriscar saber o que ele tinha a dizer.

Talvez, essa conversa tivesse haver com o Taeha, assim como outras vezes.

— Onde?

— Estou em Wonju, mas posso ir onde ficar melhor.

Olhei para Jimin, que ainda observava a loja com os olhos brilhantes, e depois para Yuki no meu colo.

— Vá até Elysium, na praça da avenida principal. Estarei lá daqui três horas. Se isso for uma armadilha, você sabe que não vou hesitar em me defender.

— Ok, te encontrarei lá. Acredite em mim, é apenas uma conversa. Ah, e vá apenas você, não leve ninguém, nem o Namjoon.

— Ok.

Desliguei a chamada, intrigado. O Jimin veio até mim já com algumas sacolas nas mãos, e notou que eu estava em ligação, assim como a cara péssima que fiquei.

Assim que saímos da loja, ele perguntou.

— Quem era?

Eu sabia que ele não ia gostar da resposta. O ideal seria evitar explicar por agora, mas não adiantava tentar esconder nada dele. De qualquer jeito, ele acabaria me convencendo a contar.

— O Eunwoo — respondi.

Ele parou no meio do estacionamento e sua expressão mudou na hora, o brilho no olhar que antes era de pura animação sumiu quase que imediatamente.

— E por que você atendeu?

— Vou encontrar ele aqui em Elysium, daqui a três horas.

Ele cerrou os olhos, com a testa franzida.

— Não, você não vai. Ficou louco?

— Min... — tentei começar, mas ele me cortou, já alterado.

— Ele é líder da Ordem, Jungkook! Você sabe o que eles fariam com você agora que já resgatou tantos Aethers. E se for uma armadilha?

— Ele nunca foi como o resto da Ordem.

— Isso foi antes! As coisas mudaram. Não confio em nenhum deles, não agora que estamos tentando justamente nos manter fora do radar deles.

— Eu entendo sua preocupação, meu loiro. Mas é por isso que eu preciso ir. Talvez o Eunwoo tenha informações que possam nos ajudar a acabar com eles de uma vez. Ele odeia o pai, é nossa oportunidade.

Ele balançou a cabeça, frustrado.

— E se for uma armadilha? E se ele estiver enganando você só pra nos pegar? Eu não vou deixar você arriscar a nossa segurança assim. Não agora, não com o Yuki — ele insistiu, seus olhos começando a brilhar com lágrimas que ele tentava segurar.

Segurei seu rosto com uma das mãos, o polegar acariciando sua bochecha de leve.

— Eu sei que você está com medo, mas prometo que vou tomar cuidado. Eu não faria isso se não achasse que poderia ser uma chance de mudar tudo. Eu posso não ser um Aether, nem ter poderes como você, mas treinei a vida toda, então eu vou saber me defender se algo acontecer.

Ele suspirou, ainda resistindo, mas parecia estar considerando minhas palavras.

— Eu não gosto disso...

— Eu também não gosto de deixar você preocupado, mas às vezes, é preciso arriscar pra consertar meus erros e nos proteger. Vou me preparar e garantir que nada vai acontecer. Eu só preciso que confie em mim, como sempre confiou.

— Então eu vou junto!

— Sem chance, quero você e o Yuki em segurança, em casa.

Ele ficou em silêncio por alguns segundos, antes de finalmente balançar a cabeça levemente. Ele não estava convencido, mas sabia que, no fundo, eu estava determinado a ir.

— Resolva isso e volte pra mim.

Eu abracei ele, absorvendo o cheiro incrível dele que agora, só eu sentia.  E, na volta, ele também não quis dirigir. Pelo caminho, ficou trocando mensagens com o Taehyung, com a cara fechada.

Eu precisava fazer esse humor dele melhorar.

— Já que vou ter que voltar pra Elysium, por que não convida o Jin para ir em casa? Ainda estamos aqui, assim pelo menos você não fica sozinho.

Ele me olhou com brilho nos olhos.

— Boa ideia! — respondeu animado e logo ligou para o amigo, que aceitou na hora.

Mudei o caminho e passamos no apartamento pra buscar o Jin. Assim que estacionei, ele já estava saindo do prédio, com uma mochila nas mãos.
Ele entrou no banco de trás, nos cumprimentou rápido, mas toda a atenção foi direto pro Yuki.

— Oi amor do tio, que saudade de você! Nem parece que te vi ontem.

Só de ver o Jimin mais animado com o Jin ali, já me senti aliviado. Ele tinha ficado tão irritado, e agora parecia outra pessoa, rindo e conversando com o amigo no banco de trás.

Engraçado como a raiva do Jimin foi tão intensa que ele nem lembrou de usar o poder pra me convencer a não ir. Normalmente, ele teria feito isso sem nem piscar. Acho que foi sério o suficiente pra fazer ele esquecer até disso.

Assim que chegamos em casa, o Jimin foi direto pro sofá com o Jin, enquanto eu levei o Yuki dormindo para o quarto. Coloquei o bebê no berço e fiquei um tempo observando ele dormir, sentindo o peso dos últimos dias finalmente me alcançar.

— Ninguém nunca vai tocar em um fio de cabelo seu, filho. Eu vou fazer o que for preciso pra proteger vocês.

Quando voltei pra sala, os dois estavam rindo de alguma piada interna, e o ambiente parecia bem mais leve. Meu celular tocou, e instintivamente olhei rápido, achando que era o Eunwoo, mas era o Nam. Fui até a cozinha e atendi enquanto pegava um copo d'água.

— Lembrou que eu existo, Namjoon? — brinquei.

— Foi mal, minha irmã estava lá em casa. Eu tô em Elysium, vim trazer ela de volta. Será que posso passar aí pra ver vocês e o Yuki?

— Claro, não precisa nem pedir algo assim.

— Valeu! Chego aí em uns vinte minutos.

Quando voltei para a sala, só o Jimin estava sentado, esperando o Jin que estava no banheiro.

— O Namjoon está vindo aqui ver a gente, tudo bem?

Jimin praticamente deu um pulo no sofá, seus olhos brilhando de animação, seguido por um sorriso enorme.

— Que boa notícia! É hoje que eu faço esses dois finalmente ficarem.

Eu dei risada, me lembrando de uma das conversas que tive com o Namjoon no carro, indo resgatar um Aether.

— Por que tá rindo? — ele perguntou.

— O Namjoon tá louquinho por ele, mas seu amigo não facilita.

— É, eu sei... Hoje vou mudar isso!

Assim que o Jin apareceu, o Jimin disfarçou e mudou de assunto. Eu quase ri de novo só de ver a cena, e ele deu com os ombros, com um sorriso no rosto.

O Namjoon chegou rápido, e eu fui até a porta pra receber ele. Assim que abri, ele olhou pra dentro e viu o Jin no sofá.

— Ele tá aqui? — sussurrou, arregalando os olhos. — Por que você não me falou?

— E por que eu deveria avisar?

— Porque eu teria me arrumado melhor! Olha pra mim, tô todo desleixado.

Eu ri, dando um leve tapa no ombro dele.

— Relaxa, ele nem vai reparar.

— Como não? Olha pra ele, tá todo arrumado! — Namjoon falou baixinho, ajeitando o cabelo com pressa.

— Para de ser besta e entra logo.

O Nam respirou fundo, deu mais uma olhada nervosa no seu reflexo no vidro da porta, e finalmente entrou. O Jin, que até então estava distraído falando com o Jimin, finalmente olhou e notou o Namjoon.

— E aí, Jin, tudo certo? — Namjoon disse, tentando soar casual, mas o nervosismo estava estampado nos olhos dele.

— Tudo bem, e você? — Jin respondeu com um sorriso meio travado.

— Tudo certo...

Eu e o Jimin trocamos um olhar cúmplice, e ele pensou rápido.

— Ah, olha, acho que o neném precisa de um banho. Vem, Jungkook, me ajude com isso. Já já a gente traz o Yuki aqui pra vocês verem — Jimin falou, me puxando em direção à escada.

O Yuki nem tinha acordado ainda, mas subimos pro nosso quarto mesmo assim.

— Tomara que esses dois dêem certo — Jimin comentou, se jogando na cama. — O Jin precisa de alguém que faça ele viver de verdade.

Eu me aproximei dele, agarrando sua cintura e começando a beijar seu pescoço lentamente.

— Igual você me faz viver de verdade — murmurei contra sua pele, sentindo o calor do seu corpo.

Jimin riu baixinho, entrelaçando os dedos nos meus cabelos enquanto eu continuava a distribuir beijos pelo seu pescoço, aproveitando o momento de tranquilidade entre nós.

Ficamos no quarto por um bom tempo, sem pressa de descer. Quando finalmente voltamos, encontramos os dois ainda no sofá, rindo de maneira descontraída. O jeito que os dois se olhavam gritava o quanto se queriam.

Trouxemos o Yuki para eles verem, já que agora ele tinha realmente acordado.

— Olha só quem acordou — o Namjoon disse, se inclinando pra ver melhor o neném.

O Jin se aproximou, todo cuidadoso, estendendo as mãos pedindo permissão para segurar o Yuki.

— Posso? — ele perguntou, os olhos brilhando ainda mais.

Jimin riu baixinho e passou o bebê para ele, ajeitando com cuidado nos braços do amigo.

Ele balançava o neném de leve, e o Namjoon observava com um sorriso quase bobo no rosto. O Yuki parecia estar adorando a atenção dos tios, olhando atento para eles enquanto segurava o dedo do Jin.

Depois de um tempo conversando, chamei o Namjoon para fora de casa. Fomos até a varanda e sentamos no balanço, deixando o silêncio ser preenchido pela vista do fim de tarde sobre as colinas.

— Vou encontrar o Eunwoo daqui a pouco.

O Nam me olhou surpreso.

— Por que você vai fazer isso?

— Ele quer conversar comigo, e eu preciso ouvir o que ele tem a dizer. Você sabe que ele e o Taeha nunca se deram bem, então essa é minha chance de tentar pegar mais informações do paradeiro daquele velho desgraçado.

Ele me encarou, decidido.

— Então eu vou com você.

— Melhor eu ir sozinho. Se não for te atrapalhar, queria pedir pra você ficar aqui em casa, pelo menos por hoje, assim me sinto mais seguro de deixar o Jimin e meu filho aqui.

Namjoon fez uma expressão confiante.

— Vou cuidar deles, vá tranquilo. E vai dando notícias, por favor.

Eu sabia que podia contar com ele, e isso já era um alívio.

Me despedi do Jimin, e segui em direção a Elysium, mesmo que ele não quisesse que eu fosse.

O caminho estava mais tranquilo do que eu esperava, mas a ansiedade crescia a cada quilômetro percorrido. Minha mente fervia com perguntas e preocupações sobre o que poderia acontecer.

Era pouco mais de 18h quando finalmente cheguei ao local combinado. O sol começava a se pôr, tingindo o céu de tons alaranjados e rosados, e as primeiras estrelas começavam a aparecer à medida que o céu escurecia. Os postes do parque se acendiam gradualmente, iluminando o caminho enquanto caminhava.

Vi Eunwoo sentado em um dos bancos do parque, com a postura relaxada, mas ainda atento ao ambiente ao seu redor. Não havia ninguém suspeito por perto, então parecia que ele havia cumprido com o acordo.

Assim que me aproximei, me sentei ao seu lado, observando o rosto dele com uma expressão fechada.

— O que quer comigo? — perguntei, sem perder tempo com formalidades.

Ele pegou uma caixinha de cigarros do bolso e a estendeu para mim.

— Quer?

— Não, obrigado.

Ele acendeu o cigarro e deu a primeira tragada, soltando a fumaça devagar enquanto se recostava no banco. O brilho da chama iluminava seu rosto por um instante, criando um contraste com a escuridão que começava a tomar conta do parque.

— Pode começar a falar — insisti.

Ele exalou a fumaça e me olhou com um olhar sério, como se estivesse ponderando cada palavra.

— Quero entender o que aconteceu entre você e meu pai quando ele voltou para a Coreia.

Apoiei os braços nas pernas e entrelacei as mãos, tentando me manter calmo enquanto observava o movimento ao nosso redor; pessoas passeando, crianças brincando, tudo aparentemente normal, mas eu sentia o peso da conversa à minha frente.

— E por que não perguntou diretamente à ele?

Ele bufou, olhando para as pessoas ao redor.

— Porque já tentei, mas ele não responde. Não tem como responder se ele me trata feito um lixo.

Respirei fundo antes da minha resposta.

— Deixa eu adivinhar, ele tirou sua liderança?

— Sim, assim como prometeu quando fomos ao Japão... Ninguém da Ordem me obedece mais. E, além disso, ele me detonou por continuar casado com o Sunoo.

O cigarro queimava lentamente entre seus dedos, e eu pude perceber como ele controlava a raiva. Sua mão estava tensa, a ponta do cigarro emitindo uma fumaça espessa que se dissipava no ar fresco da noite. Ele soltou um suspiro cansado, deixando claro que estava carregando mais do que apenas as palavras, mas todo o peso da situação que se acumulava em seus ombros.

Sua expressão, normalmente implacável, agora se revelava mais vulnerável, e aquilo me fazia sentir uma empatia que eu não queria.

— Seu pai sempre foi assim. Ele sempre quis que você fosse uma extensão dele, não alguém com sua própria vida.

— Infelizmente é a verdade — ele concordou, com um olhar distante, enquanto amassava o cigarro no chão. — E agora, com ele de volta, está tentando destruir tudo o que eu construí. Minha liderança, meu casamento... minha vida.

Eu olhei para ele, pensativo. O fato de seu próprio pai o tratar assim só piorava a situação. Não era apenas o peso da liderança que ele carregava; era também o fardo de ser tratado como um nada pelo próprio sangue.

Respirei fundo, tentando organizar meus pensamentos antes de responder à sua primeira pergunta.

— Não é mais um segredo para a Ordem que tive um filho com o Aether. Não sei como isso chegou aos ouvidos de vocês, mas seu pai... — pausei, sentindo a raiva crescer dentro de mim, e dei um suspiro cansado antes de continuar. — Seu pai disse que quer tomar o bebê pra criar e transformar em caçador. Ele teve a coragem de dizer, na minha cara, que roubaria meu filho.

Eunwoo me olhou surpreso, seus olhos agora carregados de uma mistura de vergonha e choque. Era como se, pela primeira vez, ele visse o peso real de tudo o que o pai dele causava, e a culpa parecia ser um fardo invisível, embora não fosse sua responsabilidade. Ele ficou quieto por um momento, absorvendo o que ouviu.

E então, ele acendeu outro cigarro.

— Ele está passando dos limites. Largou a Ordem na minha mão, e eu transformei ela no que é hoje, pra ele simplesmente chegar e fazer o que quer.

— Esse é o Cha Taeha, com ele sempre funcionou desse jeito. Só que eu não vou permitir isso, e você sabe.

Eunwoo respirou fundo, o cansaço estampado em seu rosto. Ele deu outro trago no cigarro, observando a fumaça que subia lentamente.

— Eu desconfiei que você tinha se apaixonado pelo Aether desde o primeiro instante em que te vi após "tentar" capturar ele — ele falou, os olhos fixos na ponta do cigarro. — Seu olhar não negava. E agora, sei que vocês estão construindo uma família juntos. Quando soube da criança, passei a ordem para não caçarem o florista mais. É por esse motivo que nada aconteceu contra vocês durante todos esses meses.

Eu o olhei, surpreso, ainda processando a informação.

— Isso é sério?

— Sim.

Eu devia ter pensado nessa possibilidade...

— Mas, qual o sentido disso? Digo, você sabe que eu estou agindo contra a Ordem resgatando outros Aethers.

Ele deu um sorriso de canto, com os olhos ainda fixos no cigarro queimando.

— Acho que, no fundo, eu estava orgulhoso de você. Teve coragem de agir e sair das amarras da organização, diferente de mim...

Saber disso mudava automaticamente tudo que eu planejei para acabar com a Ordem. Como eu agiria contra o Eunwoo agora que sabia disso?

— Por que continua nessa organização? Seu pai mal te respeita e, o pior, destrói suas escolhas e tudo o que você construiu. Vocês merecem algo melhor e conseguem muito bem seguir levando uma vida comum, assim como eu estou tentando.

Ele balançou a cabeça, frustrado.

— Eu sei, mas é complicado. A Ordem é tudo que eu conheço. Cresci nesse mundo, e apesar de tudo, ainda sinto uma responsabilidade em relação a ela. É difícil simplesmente desligar essa parte de mim.

— E sua felicidade? Você não pode deixar que o passado defina seu futuro, Eunwoo. Olhe para você e o Sunoo; vocês construíram uma vida juntos. Fui criado pra servir a organização e hoje estou aqui, levando minha própria vida.

Ele olhou para baixo, os olhos cheios de conflito.

— Eu quero, de verdade, mas não posso simplesmente sair e deixar que tudo desmorone. Existem pessoas que dependem de mim na Ordem.

— Você não é responsável por eles. Você tem que se preocupar com você mesmo e com seu marido.

Minha resposta pairou no ar, e ele respirou fundo, como se estivesse pesando suas opções.

— Eu não sei o que fazer.

— Independente da sua decisão, saiba que eu estou disposto a destruir a Ordem do Eclipse. Quero acabar com o que restou da influência do Taeha antes que ele destrua tudo o que eu construí. Eu vou fazer tudo para proteger minha família.

Eunwoo hesitou, olhando para o horizonte, jogando no chão mais um cigarro.

— E se eu decidir que preciso da sua ajuda?

— Então você sabe como me encontrar. Eu vou te ajudar, assim como quero que você me ajude.

Ele concordou lentamente, absorvendo cada palavra.

— Obrigado por ter aceitado vir aqui.

— Apenas cuide de si mesmo e de quem realmente se importa com você.

A conversa ficou em silêncio por um momento, até que ele voltou a falar.

— Bem, vou indo. Não quero tomar mais do seu tempo. Obrigado mais uma vez.

Ele levantou e deu um último aceno antes de se virar e caminhar em direção à saída do parque, com as mãos nos bolsos e a cabeça baixa.

Fiquei ali mais um tempo, pensando no que o Eunwoo tinha falado. Era estranho ver ele daquele jeito...

Quando o Taeha foi embora, eu tinha uns 13 anos, e lembro perfeitamente do dia em que ele foi embora da mansão, indo para a Grécia. O Eunwoo tentou se despedir do pai e levou um tapa na cara, na frente de todo mundo.

O Taeha sempre foi o próprio mal em pessoa, e eu estava disposto a derrubar ele, mas era algo que tinha que ser feito por partes. Primeiro, precisava salvar o resto dos Aethers que ainda estão por aí. E só então eu poderei acabar com a Ordem de vez.

Estava distraído com esses pensamentos quando meu celular tocou. Assim que vi o nome do Jimin na tela, sorri automaticamente.

— Oi, meu loiro. — Atendi.

— Que bom que você atendeu. Tá tudo bem?

Sorri de leve, sentindo o quanto ele tava preocupado só pelo seu tom de voz.

— Está, já estou a caminho de casa.

— Tudo bem. Olha bem se não está sendo vigiado antes de vir pra cá.

— Pode deixar.

Desligamos e fui pro carro. Ainda dei umas voltas poe Elysium, só pra garantir que não tinha ninguém me seguindo, mesmo não achando que o Eunwoo faria isso.

Enquanto dirigia, fiquei pensando em toda a nossa conversa, mesmo que eu tentasse esquecer desse assunto.

Assim que cheguei, a casa estava silenciosa. Fui procurando o Jimin e os dois pelos cômodos, e depois de passar pela cozinha, fui direto pro nosso quarto. Ele estava tão distraído, deitado de bruços e conversando com o Yuki, que nem percebeu que eu tinha chegado.

Me aproximei devagar, sorrindo ao ver a cena. Ele falava e o bebê ria, balançando os bracinhos como se quisesse alcançar ele.

— Assim vou querer fazer outro filho com você... — falei.

Jimin se virou assustado, e seu rosto se iluminou ao me ver.

— Que susto! Você demorou, eu estava preocupado.

— Desculpe...

— Como foi?

— Do jeito que eu imaginei. É só questão de tempo pra ele abandonar a Ordem do Eclipse também. Isso vai tirar uma boa parte do poder do Taeha, porque, querendo ou não, foi o Eunwoo e o marido que tocaram tudo sozinhos até agora.

Ele suspirou aliviado enquanto Yuki segurava seu dedo.

— Por um lado, sei que é preciso derrubar a Ordem, e quero que sejamos os responsáveis por isso, mas por outro, só queria que a gente pudesse esquecer esse assunto e viver em paz.

Passei a mão pelo cabelo e pelo rosto dele.

— Não existe paz com alguém como o Taeha solto.

— Eu sei...

Dei um beijo nele e outro no Yuki, que nos observava atentamente.

— Onde estão os meninos?

— Estão juntos lá fora, conversando e bebendo.

Ele deu um sorrisinho sem jeito e voltou a atenção para o Yuki, que resmungou.

— Acho que ele está com fome — falou.

— Vou preparar a mamadeira.

Enquanto eu fui para a cozinha, o Jimin deu um banho nele. O som da água e o cheiro do sabonete de bebê deixavam o ambiente mais acolhedor, e eu sorri só de sentir aquilo. Jimin estava concentrado, falando baixinho enquanto esfregava suavemente os bracinhos e as perninhas dele espalhando a espuma.

Depois, dei a mamadeira enquanto o Min tomava banho. Yuki se aconchegou no meu colo, apoiando a mão na mamadeira com concentração, enquanto eu não conseguia evitar sorrir.

— Acho que um bebê da sua idade não deveria fazer algo assim, sabia? Você é espertinho demais, filho.

Ele me olhava e realmente dava a impressão que ele entendia tudo que a gente falava.

Depois que o Yuki terminou de mamar, coloquei ele de volta no berço, acariciando sua cabeça enquanto ele começava a fechar os olhinhos, quase caindo no sono. Olhei para ele por mais alguns segundos, sentindo uma onda de paz que não tinha sentido nos últimos dias.

— Durma bem, meu menino.

Saí do quarto e fui até o nosso quarto. Jimin estava terminando de se secar, e sorriu ao me ver.

— Como ele está? — perguntou, ajeitando a toalha em volta da cintura.

— Dormindo como um anjo.

Ele se aproximou e me abraçou, encostando a cabeça no meu ombro.

— Às vezes acho que você tem mais jeito com ele do que eu.

Eu ri, apertando ele de leve.

— Estamos aprendendo juntos.

E então, ele bocejou, tentando esconder o cansaço, mas falhando miseravelmente. Eu sorri, acariciando suas costas.

— Você tá morto de sono, né?

— Um pouco... — ele respondeu, rindo baixinho e se afastando só o suficiente para me olhar nos olhos.

— Então vamos para cama, você merece descansar.

Assim que deitamos, ele se aconchegou em mim, a cabeça no meu peito e a mão pousada em meu abdômen. Senti o corpo dele relaxar quase imediatamente.

— Boa noite, Jun — ele murmurou, já com a voz abafada pelo sono.

Eu sorri e meu coração acelerou.

— Boa noite, meu Aether.

Enquanto eu ouvia a respiração dele ficar mais lenta, fiquei pensando em tudo que ainda tínhamos que enfrentar, mas naquele momento, nada parecia mais importante do que isso: o amor da minha vida adormecido nos meus braços e o fruto do nosso amor dormindo tranquilo no quarto ao lado.

Em meio aos meus pensamentos, o sono tomou conta do meu corpo.


⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

Duas semanas depois.

Era 1h da manhã. Eu estava com Namjoon, Yoongi e Hoseok no vilarejo, que veio nos ajudar. Conseguimos a localização do Taeha graças ao rastreamento do Taehyung, e nosso plano era atacar de madrugada, aproveitando a vantagem do elemento surpresa para pegar esses ratos desprevenidos.

Eu não queria deixar o Jimin e o Yuki sozinhos, então eles vieram comigo para o vilarejo. Eles estariam mais seguros aqui do que na nossa casa.

— Vamos partir — Yoongi disse.

— Vão se reunindo, eu já me junto a vocês — respondi, acenando para que seguissem na frente.

Deixei o casarão e fui até a cabana, imaginando que o Jimin já estaria dormindo. Mas, ao entrar, encontrei apenas o Yuki dormindo profundamente. O Jimin estava sentado na ponta da cama, o olhar perdido. Assim que abri a porta, seus olhos vieram diretamente para mim, carregando um misto de medo e ansiedade.

Sem dizer nada, me aproximei e me sentei ao lado dele. Meu loiro não hesitou nem um segundo antes de me abraçar forte, encostando o rosto no meu ombro. Senti seu corpo tremer levemente, e passei a mão pelos seus cabelos macios, espalhando ainda mais seu perfume doce pelo ar.

O silêncio caiu entre nós, quebrado apenas pela respiração suave do Yuki, que dormia tranquilo no berço. A responsabilidade e o peso da missão pareciam esmagadores, mas naquele instante, tudo o que importava era o que eu tinha ali, nas minhas mãos.

— E se eu deixar o Yuki com alguém e for com vocês? — ele murmurou, a voz baixa, quase implorando.

Fazia três dias que tínhamos conseguido a localização do Taeha, e, nesse tempo, Jimin havia tentado encontrar mil formas de ir junto.

Respirei fundo antes de responder, tentando manter a calma.

— Min, nós já conversamos sobre isso. Quero que você fique aqui, protegido, e cuidando do nosso menino.

Meu tom era firme, mas gentil, e minha mão permaneceu nos seus cabelos, tentando oferecer o mínimo de conforto para a inquietação que transbordava nele.

— Mas com meus poderes, as nossas chances de vencer são maiores...

Ele estava certo. Seus poderes em campo seriam um golpe decisivo, afinal, ele é o Aether mais forte atualmente no vilarejo, porém, os riscos eram enormes. A possibilidade de ele perder o controle dos seus poderes novamente era algo que eu simplesmente não podia arriscar. Além disso, o pensamento de ver ele em perigo me sufocava.

Levar ele não era uma opção.

— Eu te garanto que estamos preparados. Não precisa se preocupar — tentei o tranquilizar, segurando suas mãos. — Voltaremos o mais rápido possível, e eu vou te dando notícias, tudo bem?

Ele suspirou, visivelmente dividido entre a razão e o instinto de lutar ao meu lado.

— Fica em pé — ele pediu de repente.

Eu não entendi, mas obedeci sem questionar. Fiquei de pé diante dele, confuso, enquanto ele segurava minha mão com firmeza e fechava os olhos. Seu rosto se tornou sereno, quase em transe, e então ele começou a sussurrar algo em uma língua que eu nunca ouvi antes.

Virelthë maë kuranthi el vuras aerithol, en fralthir mænn aë sha velerion dhe coran til aë wyl sorvanthë. Thaerel Aetheris velnë sha'eran.

Os sussurros ressoavam pelo quarto, ecoando de uma maneira que fez meu peito vibrar. Enquanto as palavras saíam, um brilho suave começou a envolver seu corpo, expandindo ao redor dele como se fosse uma estrela em plena ascensão. Sua pele emitia uma luz que oscilava entre tons de dourado e prata, pulsando com cada palavra que ele falava.

Eu nunca tinha visto algo assim antes. Era como se o poder dele estivesse se manifestando em mim, de uma maneira que eu não imaginava ser possível.

Assim que terminou, o brilho ao redor dele começou a desaparecer lentamente, sendo absorvido pelo meu corpo. Jimin abriu os olhos devagar, ainda ofegante, mas com um brilho determinado no olhar. Ele segurou minha mão com mais força e falou com a voz firme:

— Agora, você tem parte da minha proteção e da minha energia com você. É temporário, mas isso vai te ajudar, pelo menos enquanto eu não estiver por perto.

Eu sabia que seus poderes eram imensos, e essa sensação de força no meu corpo é algo que nunca senti em toda a minha vida.

— Obrigado — murmurei, ainda surpreso, puxando ele para um abraço apertado. — Prometo que vou voltar bem.

Ele me apertou de volta, como se não quisesse me deixar ir, mas seu abraço era fraco.

— Está tudo bem? — perguntei, preocupado.

— Sim... Transferência temporária de energia Aether custa um pouco da minha disposição, mas ficarei bem com um cochilo.

Eu acariciei seu cabelo suavemente, tentando oferecer algum conforto.

— Então vai descansar. Eu volto logo.

Ele me olhou com um sorriso cansado, seus olhos quase fechando.

— Só volta pra mim... — sussurrou.

— Eu te prometo isso — respondi com firmeza, segurando sua mão por mais um instante antes de me afastar.

Assim que saí da cabana, entrei no carro com Yoongi, e partimos rumo ao ataque. Além dos reforços dos Aethers e de outros guardiões, tínhamos um plano sólido e um objetivo claro. Hoseok foi no outro carro com Namjoon, enquanto Yoongi dirigia, e eu fui com ele. O som do motor preenchia o silêncio, e o caminho passava rápido pelas janelas, as luzes da estrada criando um jogo de sombras dentro do veículo.

— O Jimin usou transferência de energia Aether pra te proteger? — Yoongi perguntou de repente, mantendo os olhos na estrada.

Eu o encarei, surpreso.

— Sim. Como sabe?

— Sou guardião dele, esqueceu? Sinto a energia dele em você. Isso é bom, mas... quem vai ficar com o Yuki?

— Como assim?

— Essa transferência usa quase toda a energia Aether dele. Ou seja, à essa altura, ele já deve estar apagado. Melhor pedir para alguém cuidar do Yuki, porque o sono do Jimin vai ficar tão pesado que ele não vai ouvir o bebê chorar.

As palavras de Yoongi pesaram na minha mente, afinal assim que saí , ele realmente já estava sonolento.

Peguei o celular no bolso, o olhar inquieto enquanto procurava algum número. Só lembrei da médica do vilarejo, a Dra. Naeun. Sem pensar duas vezes, disquei o número dela mesmo que fosse madrugada, esperando ansioso que atendesse.

— Alô? — Sua voz calma e sonolenta soou do outro lado da linha.

— Doutora, aqui é o Jungkook, noivo do Jimin. Preciso de um favor urgente.

— Claro, o que aconteceu?

— O Jimin usou seu poder e provavelmente está apagado. Viemos em uma missão contra a Ordem, e o Yuki está com ele... Pode ir até lá e dar uma olhada neles? Me desculpe pelo horário.

Ela fez uma breve pausa, processando a situação.

— Estou a caminho da cabana. Fique tranquilo, vou cuidar do bebê e medicar o Jimin. Foque na missão — ela respondeu.

— Obrigado, doutora.

Desliguei o telefone, suspirando aliviado.

— Você trouxe luz para ele — disse Yoongi.

Fiquei processando suas palavras e perguntei aquilo que sempre quis perguntar.

— Você pode me contar a história dele? Sei que é algo delicado e tenho medo de ser inconveniente ou até machucar ele ao tocar nesse assunto, mas eu queria saber.

Ele respirou fundo, parecendo puxar as memórias à tona.

— O Jimin chegou ao vilarejo com sete anos, depois que a Ordem do Eclipse matou sua mãe enquanto tentava proteger ele. Não se sabe como, mas aquele garoto magro de cabelos loiros conseguiu fugir de quatro caçadores. Um senhor que tinha uma banca de jornal o encontrou na rua, faminto e sozinho. Ele percebeu que o Jimin era um Aether e, sabendo o que a Ordem faz, decidiu não delatar ele. Em vez disso, conseguiu entrar em contato conosco, e fomos buscar ele.

A culpa que eu já carregava parecia ter se espalhado por cada centímetro do meu corpo, relembrando que eu era um caçador da Ordem, do mesmo tipo que caçou ele e matou sua mãe. Talvez, essa culpa tenha ficado nítida no meu rosto.

— Não se culpe pelo seu passado, Jungkook. O que importa é o presente. E no presente, vocês têm um filho e se amam. Quando digo que você trouxe luz para ele, não é exagero. Desde que ele chegou ao vilarejo e até a vida adulta, Jimin sempre foi o estudioso introvertido e sozinho. Você mostrou à ele o que é viver, viver com a alma.

Suas palavras penetraram minha mente, e de certa forma, me deixou um pouco aliviado. A conexão que criamos era mais do que eu havia imaginado; era como se a gente tivesse quebrado as correntes que nos mantinha presos nos nossos passados.

— Vou fazer tudo o que puder para garantir que ele e o Yuki sejam seguros e felizes — respondi, determinado. — Não vou deixar que o passado defina nosso futuro. Obrigado por me contar isso.

Yoongi sorriu de canto, e aquele pequeno gesto trouxe um conforto inesperado.

— Eu sei que vai. Obrigado.

Continuamos nosso caminho em direção ao esconderijo do Taeha, o som do motor e da estrada criando uma espécie de trilha sonora para nossa missão. Todos estavam tensos, mas havia uma determinação crescente entre nós. Cada um com seus próprios demônios, mas juntos, buscando a mesma luz no fim do túnel... O fim da Ordem do Eclipse.

Assim que chegamos, todos estacionaram a uma distância segura e começaram a se espalhar, cada um assumindo sua posição combinada. O local, que era praticamente no meio do mato, parecia tranquilo à primeira vista, com o vento balançando levemente as árvores ao redor. Mas sabíamos que isso era apenas fachada; a Ordem nunca relaxava a guarda, especialmente com Taeha por perto.

O Taehyung, que ficou no vilarejo, monitorava cada detalhe e se comunicava conosco pelo comunicador. Sua voz soou firme e clara no meu ouvido.

— Estou captando movimento na entrada principal. Eles estão armados e em alerta. Fiquem atentos e mantenham a formação.

Eu apertei o comunicador, observando o terreno à nossa frente.

— Entendido. Fiquem juntos e não se afastem muito. Qualquer erro pode custar caro.

Yoongi, ao meu lado, verificava a lâmina presa à sua cintura antes de falar em tom baixo.

— Vamos nos mover com cautela. Precisamos de rapidez e discrição. Não podemos dar a eles tempo para reagir.

Namjoon e Hoseok, posicionados mais à esquerda, acenaram em concordância. Os Aethers reforçavam as barreiras ao nosso redor, deixando o ambiente ainda mais tenso, enquanto a adrenalina começava a subir. Ajustei o capuz sobre a cabeça, respirei fundo e sinalizei com a mão para avançar.

O ataque estava prestes a começar.

Caminhamos cautelosamente pela vegetação, cada movimento meticulosamente calculado. As vozes eram quase inexistentes, e os olhares, atentos a qualquer sinal de ameaça. A noite parecia conspirar a nosso favor, oferecendo a escuridão como proteção, mas cada som. O barulho das folhas e o estalo de galhos sob nossos pés parecia amplificado, alimentando nossa tensão.

Entre a vegetação, havia algumas flores bonitas, talvez plumerias, e bastou ver elas pra lembrar do meu loiro. Ele era minha motivação.

A entrada do esconderijo logo ficou visível. Mal iluminada, quase oculta pelas sombras, ela parecia inofensiva à primeira vista, mas sabíamos que era uma armadilha esperando para ser ativada. O som estático do comunicador de Taehyung quebrou o silêncio.

— Eles estão se movendo internamente, mas ainda não chegaram perto da saída. Cuidado.

Olhei para Namjoon, que estava ao meu lado, e juntos começamos a nos dirigir para a parte de trás do esconderijo. Os outros se mantinham em formação, cobrindo as possíveis rotas de fuga. Meu coração pulsava rápido, uma mistura de raiva e adrenalina tomando conta de mim. O pensamento de Taeha escapando de novo era insuportável.

Com cada passo, a urgência crescia. Eu sabia que ele tinha que ser detido, mas o que realmente me consumia era o desejo de vingança. Não era apenas pelo que ele havia feito a mim, o que ele me tirou, as cicatrizes que deixou. Era pelo Jimin, que teve sua vida transformada em uma fuga constante. Era pelo Yuki, cuja existência ele ousou ameaçar.

Eu queria mais do que parar ele. Eu queria ver aquele velho pagar por cada dor que ele causou, por cada gota de sangue que ele derramou. Meu punho se fechou involuntariamente, e uma onda de determinação percorreu meu corpo.

Hoje ele não ia sair daqui vivo.

Chegando à parede, me encostei rapidamente, sentindo o frio do concreto contra minhas costas. Fiz um gesto com a mão para Namjoon se juntar a mim, ambos ofegantes pelo nervosismo e a tensão crescente. A escuridão ao redor parecia pulsar com a iminência do perigo.

— Precisamos descobrir quantos estão lá dentro — sussurrei, tentando manter a calma enquanto minha mente trabalhava rápido. — Você consegue ver alguma coisa?

O Nam levantou levemente, se aproximando de uma janela próxima. Seus olhos analisaram o interior por alguns segundos, mas sua expressão voltou séria. Ele balançou a cabeça de forma quase imperceptível, indicando que tinha algo, mas não conseguia ver claramente.

E então, o som cortou a noite como uma lâmina: uma sirene ensurdecedora. Luzes fortes acenderam em nossa direção, iluminando tudo ao redor como holofotes. O pânico momentâneo congelou meu corpo por um segundo antes de minha mente retomar o controle.

— Merda, nos acharam! — falei no comunicador.

O caos se instalou imediatamente. A adrenalina tomou conta, correndo pelas veias enquanto a realidade da situação nos atingia em cheio. O elemento surpresa estava perdido; agora só restava avançar.

— Vamos! — gritei.

Eu tomei a dianteira, correndo em direção à entrada com a arma firme em minhas mãos. O som ensurdecedor da sirene ecoava nos ouvidos, abafando qualquer tentativa de raciocínio calmo.

Atrás de nós, o barulho de passos rápidos se misturava à confusão, indicando que nossos aliados também estavam reagindo.

Os Aethers que nos acompanhavam se dispersaram em questão de segundos, como se cada um soubesse exatamente onde deveria estar. Suas habilidades únicas começavam a se destacar, e o vilarejo havia nos preparado bem para enfrentar o que estava por vir. O som da sirene continuava alto, mas agora era abafado pelos gritos e o impacto das primeiras ondas de energia.

As portas do esconderijo se abriram com força, revelando os primeiros caçadores, armados e preparados. Um Aether ao nosso lado levantou a mão, invocando uma rajada de energia azul que atravessou o ar como um raio, atingindo os homens, que caíram instantaneamente.

— Avancem! — Yoongi gritou.

Os Aethers se agruparam, lançando ataques coordenados, enquanto os guardiões tomavam posições para proteger o avanço. Eu já estava com a arma em mãos, disparando contra dois caçadores que se aproximavam pela esquerda. Ambos caíram, mas antes que pudesse respirar aliviado, um deles surgiu pela direita, rápido demais para que eu reagisse.

Ele me atacou e acabamos no chão. O impacto me deixou atordoado por um segundo, tempo suficiente para ele se aproveitar e puxar uma faca escondida. Um movimento ágil e certeiro fez a lâmina rasgar minha camisa, e senti o sangue quente escorrendo. A dor foi instantânea, mas a adrenalina a abafou.

Com um movimento rápido, segurei o braço dele antes que pudesse desferir outro golpe e, com toda a força que consegui reunir, dei um soco direto no rosto do caçador. Ele caiu para trás, desacordado, a faca escorregando de suas mãos. Ofegante, empurrei o corpo dele para o lado e me levantei, ignorando a dor.

Olhei em volta. A luta continuava feroz, mas nossos aliados pareciam estar levando a melhor. Yoongi estava a poucos metros de distância, derrubando outro caçador com um golpe preciso. Namjoon disparava tiros rápidos, cobrindo os Aethers que avançavam.

Levantei e voltei a lutar. Pra minha surpresa, enquanto me movia pelo caos, avistei o Taeha à distância. Ele parecia calmo, como se não se importasse com a batalha sangrenta ao seu redor.

— Taeha! — gritei, chamando sua atenção. Ele se virou lentamente, com um sorriso desdenhoso nos lábios, e começou a caminhar em minha direção, como se estivesse saboreando o momento.

— Olha só quem temos aqui, meu tão honrado caçador de alto escalão — disse ele, rindo com desdém. — Vejo que finalmente decidiu lutar.

— Isso acaba aqui, seu filho da puta!

Foi então que alguém acorrentado apareceu, saindo de trás do Taeha. A culpa me atingiu imediatamente ao reconhecer aquele Aether. Lembrei então qual era seu poder, e a situação se tornou ainda mais complicada.

— Merda, segurem eles! — gritei correndo pra tentar impedir.

Em um movimento rápido, o Aether se teletransportou, levando Taeha junto com ele. A raiva me consumiu.

— Filho da puta! Acabem com todos e vamos sair daqui.

O número de homens da Ordem no esconderijo estava diminuindo, e logo fomos eliminando o restante. Foi então que uma voz familiar ecoou pelo local, carregada de arrogância.

— Jeon, Hoseok e Namjoon... os três ratos traidores da Ordem do Eclipse — disse o caçador, um dos puxa-sacos da organização, que eu reconheci imediatamente.

Revirei os olhos, já exausto daquela voz irritante.

— E você, o cãozinho vira-lata obediente — respondi, com desprezo evidente na voz.

Ele rangeu os dentes, a fúria estampada em seu rosto.

— Seus traidores! Quero que vocês queimem no fogo do inf...

Antes que ele pudesse terminar a frase, um brilho prateado cruzou o ar. Um punhal, lançado pelo Yoongi, atravessou o espaço com precisão mortal, fincando direto na testa do caçador. O corpo dele caiu no chão com um baque seco, e um silêncio pesado tomou o ambiente por um instante.

— Falou demais. Não temos tempo pra isso.

Namjoon soltou uma risada curta, ajustando as luvas enquanto olhava para o corpo caído do caçador.

— Isso economizou um bom tempo.

O Hoseok também riu.

— Vamos sair daqui. Ficar só piorará as coisas — eu disse, olhando ao redor.

Juntos, começamos a nos mover em direção à saída, prontos para deixar aquele lugar imundo pra trás, sem o Taeha, infelizmente.

— Precisamos avisar os outros sobre o que aconteceu aqui — Yoongi comentou, acelerando o passo.

— E sobre a fuga do Taeha — completei, a determinação ardendo dentro de mim. — Ele pode ter ido pra qualquer lugar no mundo.

Entramos todos nos carros e partimos, aliviados por não termos sofrido nenhuma perda, mas frustrados pela fuga daquele desgraçado. O som dos motores e o ruído das rodas no asfalto eram um alívio comparado ao caos que deixamos para trás.

Enquanto o Yoongi dirigia, o silêncio no carro era pesado, mas carregado de uma tensão diferente. Ainda havia muito pela frente, e o que aconteceu naquela noite era apenas o começo de uma batalha maior.

— Precisamos nos reunir e discutir nossos próximos passos — disse Yoongi, quebrando o silêncio.

Quando ele virou para mim, arregalou os olhos.

— Mas que porra...

Ao olhar para baixo, vi minha camisa suja de sangue. Levantei a camiseta e percebi que era um corte, muito maior do que imaginei que fosse.

— Ah, tá tudo bem, é só um arranhão — tentei minimizar, mas a dor já começava a se espalhar.

— Arranhão não, isso está profundo. Não posso te levar para um hospital. Precisamos chegar ao vilarejo o mais rápido possível.

A estrada à nossa frente parecia interminável...

Quando chegamos em Hadong-gun era pouco mais de 9h da manhã. Assim que passamos pelos portões, fui até a enfermaria, onde um médico prontamente me atendeu. O tempo todo me mantive consciente, mesmo com a dor.

— Incrível! — o médico falou, seus olhos brilhando de empolgação enquanto olhava o corte.

Franzi a testa e olhei para ele.

— O que foi?

— É a primeira vez que vejo ao vivo e a cores esse processo em um alfa.

Curioso, desci o olhar e vi o corte na minha pele fechando e cicatrizando sozinho, como um passe de mágica. A pele se unia, e a dor, que antes parecia intensa, começava a sumir.

— Isso é... — comecei, surpreso.

— Isso é extraordinário! A energia Aether se adaptou bem ao seu corpo, mesmo sendo um alfa lúpus. Não é algo comum acontecer, afinal sempre há efeitos colaterais, mas você parece ótimo. Sem a energia Aether, esse corte teria sido fatal.

Eu respirei aliviado.

— O Jimin me salvou...

— Sim, salvou. Só um momento — ele abriu a porta e saiu do consultório.

Eu fiquei olhando ao redor, pensativo. Será que não tive efeitos colaterais porque sou filho de uma Aether? Isso seria realmente possível?

Menos de um minuto depois, o doutor voltou com uma caixinha de remédio nas mãos.

— Como você está bem, já posso te liberar. Se sentir dores musculares, tome esses analgésicos — disse, me entregando uma pequena caixa.

— Ok — respondi, aceitando os comprimidos.

— Ah, e obrigado por eliminar boa parte da Ordem no ataque. Isso dá esperança para nosso povo — ele acrescentou, um sorriso de gratidão no rosto. Era nítido que ele também era um Aether.

Senti um misto de orgulho e alívio ao ouvir suas palavras. Sabia que a batalha ainda estava longe de terminar, mas cada vitória contava.

— Não precisa agradecer.

Saí do consultório e fui direto para a cabana, ansioso.

Assim que entrei, vi a doutora segurando o Yuki no colo, dando mamadeira para ele. Meu olhar logo encontrou o Jimin, deitado na cama sob uma coberta fina, dormindo profundamente.

— Doutora, ele está bem? — perguntei, sem esconder a preocupação na minha voz.

— Está, sim. Ele só precisa descansar mais um pouco. O melhor remédio agora é repouso.

Aliviado, peguei o Yuki do colo dela. Seu corpinho quente e a suavidade de sua pele me deram um momento de paz em meio a tanto caos. Agradeci à médica pela ajuda e nos despedimos.

Com o neném em meus braços, sentei na beira da cama, ao lado do Jimin. Yuki começou a se mexer, acordando devagar. O aconcheguei mais perto de mim, sentindo seu cheirinho bom, que trazia um pouco da tranquilidade que eu tanto precisava.

— É tão bom ter vocês pra voltar — murmurei.

Em poucos minutos, o neném já tinha adormecido de novo. Coloquei ele na cama com cuidado, tentando não fazer nenhum barulho, e fui tomar um banho rápido pra relaxar um pouco.
Quando voltei, deitei ao lado do Jimin, com o Yuki entre nós. Eu ficava passando a mão devagar no cabelo do Jimin, todo dourado e macio, como se cada toque ajudasse a me sentir melhor.

Os feromônios dele, misturados ao cheiro de bebê, tomavam conta do quarto, deixando o ambiente tão relaxante que era impossível não me sentir bem. Eu suspirei, aliviado por finalmente estar ali.

— Você me salvou, meu loiro... — murmurei, sabendo que ele não podia me ouvir, mas sentindo a necessidade de dizer.

A batalha, as feridas, meu sentimento de culpa, tudo parecia distante agora. O mundo lá fora podia estar caindo, mas naquele momento, eu só queria que ele soubesse o quanto significava pra mim.

Eu queria consertar meus erros, queria esquecer que fiz parte da organização que destruiu a vida dele. Queria esquecer que, por um momento, ele foi meu alvo.

Me aconcheguei um pouco mais no Jimin, puxando a coberta até os ombros. Mesmo cansado, eu não queria dormir, queria aproveitar cada segundo daquele momento de calma antes que tudo recomeçasse lá fora.

Com o perfume deles me cercando, acabei pegando no sono, mesmo com o sol da manhã atravessando as janelas da cabana. Tudo parecia em paz por um breve momento, e eu me deixei levar por esse descanso que meu corpo tanto precisava.
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🪻

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Oi, leitor!
Que bom te ver aqui.

Dei uma enroladinha nesse cap porque sou ansiosa e já estou escrevendo outra fic KKKKK amo!
Assim que eu finalizar essa, postarei a próxima.
Conto com vocês lá!

Senta o dedo na estrelinha aqui em baixo e comentem muito.

Até o próximo capítulo!

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