15 ; 𝙒𝙝𝙞𝙩𝙚 𝙍𝙤𝙨𝙚𝙨

🪻

⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

⊹  P a r k   J i m i n  ⊹
__________

Cinco dias depois.

Nossos primeiros dias com o Yuki foram tranquilos, e eu finalmente voltei a dormir bem, algo que não acontecia há meses.

Assim que o dia começou a clarear, acordei ao tentar abraçar o Jun e encontrar o lado da cama vazio. Abri os olhos depressa e vi a cena que fez meu coração aquecer: ele estava trocando a fralda do Yuki, sussurrando com carinho, como se conversassem sobre algum segredo só deles.

A luz suave da manhã iluminava o quarto, e a cena parecia saída de um sonho. Jungkook, com os olhos ainda um pouco inchados de sono, sorria para o Yuki, que balançava os bracinhos enquanto ouvia sua voz. Era uma imagem simples, mas ela me fez sentir uma felicidade profunda, como se todo o sentido da minha vida estivesse ali.

Ele então percebeu que eu estava acordado e me lançou um sorriso de canto,

— Pode descansar mais um pouco, Min.

Olhei no celular e vi que era pouco mais de 08h da manhã.

— Tá tudo bem, já perdi o sono. Tá acordado faz tempo? — perguntei com a voz baixa, ainda sentindo o corpo meio mole de sono.

— Não muito, só o suficiente pra esse garotinho aqui encher a fralda logo cedo. — Ele riu baixinho enquanto terminava de fechar a roupinha do Yuki.

Me aproximei, ainda sentado na cama, e passei a mão levemente na cabecinha do neném.

— Ele é tranquilo demais, né?

— Muito, e esperto também, olha só — Jun apontou para ele, que nos observava com os olhos bem abertos, como se estivesse prestando atenção em cada palavra nossa.

Eu ri, encantado com a curiosidade que ele já demonstrava, mesmo tão pequeno.

Até os olhos dele eram iguais aos do Jungkook, e eu sorri, orgulhoso. Ele era uma cópia idêntica dele; o mesmo olhar grande e curioso, as mesmas expressões, lábios, nariz, cabelo, tudo igual. Era engraçado ver como o Yuki parecia uma miniatura do Jungkook.

— Ele puxou você todinho.

Jungkook riu baixinho e balançou a cabeça.

— Acho que é só a cor do cabelo.

— Não, ele é literalmente você, e eu tô feliz por isso. É como se eu tivesse te multiplicado.

Antes que eu pudesse terminar a frase, Jungkook se aproximou, deitou sobre mim e me deu um beijo. Foi rápido, mas cheio de carinho, daquele jeito que só ele sabia fazer. Quando se afastou, notei que seus olhos brilhavam.

— Acho que podemos dizer que estamos fazendo um bom trabalho como pais até agora, hm?

— Com certeza estamos.

Ele sorriu contra minha testa, suas mãos apertando minha cintura de leve, como se quisesse me manter ali para sempre.
E então, o som suave de um resmungo quebrou o momento. O Yuki começou a protestar baixinho, como se exigisse atenção. Jungkook olhou para ele e riu.

— Parece que alguém está com ciúmes — ele brincou enquanto levantava, e pegou o bebê no colo, balançando suavemente.

— Que tal meu chef particular preparar um café pra gente na varanda? O dia parece estar tão bonito lá fora... — sugeri.

— Pedindo assim, você me convence fácil.

Ele colocou o Yuki no bebê-conforto, e descemos para o andar de baixo. Ele seguiu para a cozinha, enquanto eu fui até a varanda, atraído pela brisa leve da manhã.
A paisagem ao nosso redor era tranquila e satisfatória. A Haru veio atrás de mim, e assim que abri a porta, ela disparou pela grama, feliz com o espaço ao ar livre.

Poucos minutos depois, Jungkook apareceu com a mamadeira do Yuki já pronta e a entregou com um sorriso antes de voltar para preparar nosso café.

Com cuidado, tirei o neném do bebê-conforto e o segurei no colo, posicionando a mamadeira para ele. Seus olhos grandes e curiosos me encaravam enquanto mamava, como se quisesse absorver tudo ao seu redor.

— Você é tão perfeito... — murmurei baixinho, acariciando sua cabecinha com o polegar. — Sem poderes, sem o peso de uma responsabilidade que você não pediu, e principalmente, sem ser perseguido. Você vai ter uma infância tranquila, sem carregar as marcas que eu carreguei e carrego até hoje.

Olhei para as colinas à nossa frente, sentindo o calor do sol e a brisa suave do dia.

Eu acariciava sua mãozinha pequena enquanto olhava para ele, refletindo sobre todas as complicações que a vida sendo um Aether poderia trazer. Claro, havia vantagens, mas o peso das expectativas e os perigos que vinham junto sempre me preocupavam.

Nesse momento, o Jun voltou com uma bandeja caprichada nas mãos e colocou na mesa da varanda, com não só uma, mas várias opções para comer. Tinha frutas, pães, sanduíches, alguns oniguiris, e até um suco de laranja fresco.

— Exagerei? — ele perguntou, rindo quando me viu com os olhos arregalados.

— Nem um pouco, está perfeito. Eu tô esfomeado.

Ele sorriu, satisfeito, e começou a servir um pouco de suco para nós. O aroma dos pães, misturado ao frescor do suco e ao ambiente calmo, tornava tudo ainda mais especial.

A paz daquele instante era quase surreal, considerando tudo o que havíamos enfrentado até ali. Mas, por enquanto, a ameaça da Ordem parecia distante, como se estivéssemos em uma bolha de tranquilidade que eu não queria ver estourar.

Jungkook percebeu minha mudança de expressão e colocou uma mão reconfortante sobre a minha.

— Está tudo bem?

— Uhum, tá sim — respondi, sorrindo de leve.

— Não quero que você pense em problemas agora, não nesse momento.

Eu sabia que ele tinha percebido a tensão no meu rosto, como sempre fazia, e isso só aumentava a minha sensação de estar sendo cuidado. Ele sabia o que estava me afligindo, sem eu precisar dizer uma palavra.

— Ok, vou tentar.

Ele estendeu a mão, pedindo o Yuki. Com cuidado, entreguei o neném para ele, que o segurou com a segurança e o amor que sempre demonstrava. Yuki soltou um pequeno suspiro enquanto se acomodava nos braços do pai, como se soubesse que estava no lugar mais seguro do mundo.

— Eu achava que um bebê dessa idade chorava mais... é muito doido o quanto ele é calmo — comentei.

— Ele é um amor, puxou pra você.

— Pelo menos uma coisa, né? Já que eu coloquei outro de você no mundo.

Ele riu, um som leve e despreocupado, sem desviar os olhos do Yuki.

Continuamos tomando café e conversando, a brisa leve trazendo consigo o perfume das árvores ao redor da casa. O clima do fim do verão era perfeito, com a promessa da primavera se aproximando.

Eu não conseguia evitar sorrir ao pensar o quanto eu estava ansioso pra começar a plantar minhas flores.

Enquanto Jungkook foi dar banho no Yuki, aproveitei o momento para ligar para meu antigo fornecedor. Encomendei algumas mudas e sementes, e, com a animação de quem estava finalmente falando comigo depois de tanto tempo, ele prometeu entregar tudo em casa daqui a pouco, sem se importar com o fato de ser fora de Elysium.

Voltei até o banheiro e fiquei parado na porta, observando o momento entre pai e filho.

— Vou plantar algumas flores hoje. Meu fornecedor está trazendo.

Com os olhos atentos ao Yuki, ele me olhou por cima do ombro.

— Vou te ajudar, você está com os pontos.

— Não, não precisa. Só cuide do Yuki enquanto eu estiver lá. Estou acostumado e gosto de fazer isso sozinho, curtindo o tempo e conversando com as plantas.

Ele me deu um olhar sério, e eu pude sentir a preocupação na sua voz.

— Você pariu há poucos dias, Jimin.

Eu ri do jeito como ele disse, aquele tom meio repreensivo e preocupado, mas também cheio de carinho.

— Eu sou um Aether, esqueceu? Com certeza essa cicatriz já está ótima. Pode confiar, vou ficar bem.

Jungkook ainda parecia hesitante, os olhos fixos em mim por um momento, mas então ele deu um suspiro e finalmente concordou.

— Tudo bem. Mas, você já sabe, não use seus poderes.

— Pode deixar, não vou.

Com minhas ferramentas em mãos, saí para o jardim. Comecei a trabalhar, mexendo na terra, adubando e deixando mais úmida, preparando o solo para as novas plantas.

Não demorou muito até o fornecedor chegar, trazendo uma variedade de mudas vibrantes. Eu não pude conter a animação ao ver as plantas.

— Uau, essas mudas estão incríveis, Sr. Zhen! — comentei, admirando as cores e texturas das plantas enquanto ele as tirava da caixa.

Ele sorriu, percebendo meu entusiasmo.

— Fico feliz que tenha gostado, menino Park. Essas flores vão ficar lindas no seu novo jardim.

— Obrigado!

— Desculpe perguntar, o garoto vai voltar com a floricultura?

— Pretendo, em breve.

— Que boa notícia! Ficarei feliz em continuar fornecendo mais flores e o que precisar para o plantio. Vou indo, ainda tenho outras entregas. Até depois, menino Park.

— Até logo, Sr. Zhen! — me despedi, grato pela ajuda.

Assim que ele foi embora, comecei a organizar as mudas no quintal, planejando onde cada uma ficaria melhor. O sol aquecia minha pele, e o canto dos pássaros ao fundo trazia uma sensação de paz.

Enquanto plantava, comecei a imaginar como seria o jardim quando as flores estivessem todas florescendo. Um lugar onde o Yuki e a Haru poderiam brincar, cercado pela beleza das cores e aromas.

Eu estava ansioso para viver isso.

Entre uma planta e outra, notei o céu se enchendo de nuvens cada vez mais, o que já era esperado nessa época do ano. A chuva seria boa para as plantas e para o solo.

Depois de um tempo, terminei de plantar e me sentei na grama para admirar meu trabalho. Quando olhei para a porta, vi o Jungkook em pé na varanda, falando no celular. Ele parecia concentrado, gesticulando levemente enquanto escutava a pessoa do outro lado da linha.

Assim que ele terminou a ligação, deixou o Yuki dormindo no bebê-conforto na varanda e veio até mim.

— A plantação está ficando linda.

— Obrigado... Hmm, quem era?

— Era o Yoongi, falando sobre o Arconde.

— Ele melhorou?

— Infelizmente não, mas também não piorou. Está estável.

Fiquei em silêncio por um momento, pensando nas implicações disso. A saúde do Arconde ainda era preocupante, e a incerteza pesava sobre todos.

— Espero que ele consiga se recuperar logo.

Jungkook concordou, mas seu olhar mostrava que ele estava pensativo.

— Eu também. Precisamos dele forte para o que vem pela frente.

E então, seu celular tocou de novo. Ele se afastou para atender, e dessa vez, sua expressão não parecia boa...
Juntei minhas ferramentas, tirei a sujeira de terra das minhas roupas, e fui até a varanda.

E, como imaginei, não era boa notícia: estavam chamando ele pra ajudar no resgate de um Aether.

— Você vai ficar bem? — ele perguntou.

— Uhum, vou. Posso chamar o Jin para vir aqui?

— Não precisa me pedir algo assim, a casa é sua também. Prometo que não vou demorar. — disse, ajustando a jaqueta no corpo.

— Tudo bem. Tome cuidado, por favor...

Ele me deu um beijo suave na testa e se virou para sair. Enquanto eu observava partir com o carro, senti um misto de ansiedade e saudade, mesmo que ele tenha acabado de sair.

Peguei o bebê-conforto e entramos em casa. Pela janela, era possível ver vários seguranças rondando as redondezas, o que me deixava mais tranquilo, mesmo sabendo que eu tinha mais poder que todos eles juntos.

Peguei meu celular e liguei para o Jin, mas após alguns toques, quem atendeu foi a mãe dele.

— Boa tarde, meu menino!

— Oi, tia, boa tarde. Posso falar com o Jin?

— Desculpe, meu querido, mas ele está dormindo. Passou a madrugada estudando e está apagado no quarto — ela riu. — Quando ele acordar, eu aviso que você ligou.

— Ah, claro, tudo bem.

— Ele me contou que seu bebê nasceu! Meus parabéns, meu querido. Aproveite cada segundo com ele, o tempo passa tão rápido, e logo ele estará correndo pela sua casa.

— Obrigado, tia. Vou te enviar algumas fotos dele.

— Faça isso, ficarei muito feliz! Vou deixar você descansar e aproveitar o bebê. Quando o Seokjin acordar, aviso que você ligou.

Desliguei a chamada e coloquei a mão na barriga, já sentindo a fome dar sinais de vida.
Coloquei o Yuki no carrinho e o levei para a cozinha, mantendo próximo de mim o tempo todo.

Enquanto colocava a água pra ferver, falava baixinho com o neném, compartilhando meu dia e fazendo promessas sobre tudo que ainda iríamos fazer juntos. O calor da comida começava a tomar conta do ambiente, e o som suave de Yuki ecoava pela cozinha.

— Pra quem acabou de nascer, você tem energia demais, meu amorzinho. — Abaixei e dei um beijo na barriguinha dele. — Ao mesmo tempo que tem energia, é tão tranquilo. Se você fosse um ômega, eu já desconfiaria que seus poderes estavam se manifestando.

Voltei até as panelas, continuando a conversar com Yuki, que parecia me ouvir atentamente enquanto mexia os bracinhos. O cheiro do lámen começava a encher a cozinha, e eu me sentia em paz, mesmo sozinhos nessa casa enorme.

Então, meu celular tocou. Era o Yoongi, exatamente como eu havia pedido por mensagem alguns minutos atrás.

— E aí, Yoon.

— Jimin! Você está bem? O que está acontecendo? — ele perguntou, e sua preocupação era evidente.

— Estou bem, relaxa. Preciso de um favor seu, um segredo só nosso.

Ele suspirou na linha.

— Ai ai ai, o que você está aprontando?

— É sobre a Aether, mãe do Jungkook. Eu preciso encontrar ela. Eu sei que esse assunto está martelando na cabeça dele, e quero ajudar. Quero saber se ela está viva e, se sim, ir atrás dela.

— Você sabe que pode ser arriscado.

— Eu sei, mas preciso fazer isso. Ele merece saber a verdade.

Ele deu um último suspiro antes de concordar.

— Ok, eu vou ver o que posso juntar de informações dela e te aviso.

— Obrigado, Yoon. E como seu pai está?

— Estável. Está ansioso pra conhecer o pequeno.

— Vamos nos organizar pra levar ele ao vilarejo.

— Excelente. Preciso desligar, logo te devolvemos o Jungkook. Se cuide e cuide do baby.

— Pode deixar. Valeu pela ajuda.

Assim que desliguei a ligação, lembrei da panela no fogo. O cheiro do lámen quase queimado já começava a invadir a cozinha. Corri para o fogão e vi que o caldo tinha praticamente secado. Suspirei e olhei para o Yuki, que estava sentado no carrinho, me julgando com aqueles olhinhos grandes e inocentes.

— Não sei cozinhar igual seu pai, tá legal? Não me julgue, garotinho.

Ele continuou me olhando, completamente alheio ao que eu dizia, mas a semelhança com o Jungkook era tão evidente que não consegui segurar uma risada.

Coloquei um pouco mais de água na panela, ajustei o fogo e comecei a mexer, tentando salvar o que restava do meu lámen.

Quando finalmente terminei, sentei no sofá com a tigela na mão, pronto para comer. No entanto, o Yuki começou a resmungar. Olhei para o relógio e percebi que já era hora da mamadeira. Suspirei, deixando meu lámen queimado de lado, e fui para a cozinha preparar o leite.

Misturei o pó com água quente, balancei a mamadeira até tudo ficar homogêneo e voltei para a sala. Peguei o Yuki no colo, que já começava a chorar, impaciente.

— Já tô aqui, não precisa chorar, meu amor.

Enquanto ajustava ele no braço para dar a mamadeira, notei o lustre da sala e os abajures começarem a piscar. O clima lá fora estava ruim, então imaginei que fosse alguma falha na energia e só ignorei.

Yuki parou de chorar assim que sentiu a mamadeira, sugando com vontade, como se nunca tivesse comido antes. Eu o observava com um sorriso cansado, acariciando de leve sua cabecinha.

— É a primeira vez que estamos sozinhos, sem seu pai, então fica bonzinho, tá?

Ele começou a mamar mais devagar, como se tivesse me entendido, o que me fez rir.
O silêncio da casa era quase reconfortante, apesar de sentir falta da presença do Jungkook. Mesmo assim, ser apenas eu, o Yuki e a Haru ali, naquela quietude, tinha algo de especial.

Enquanto ele terminava de mamar, olhei para o céu pela janela, notando que mais nuvens escuras se aproximavam lentamente, anunciando que a tempestade estava cada vez mais próxima. Os trovões ao longe pareciam um lembrete de que o tempo ruim logo chegaria.

— Parece que vai chover forte, depois de tanto tempo sem chuvas — murmurei para o Yuki, que, satisfeito e com os olhos quase fechados, mal parecia me ouvir.

Coloquei o pequeno para arrotar e, quando ele relaxou, coloquei de volta no carrinho. Ele estava tão sereno que parecia que ia cair no sono a qualquer momento, e foi o que aconteceu.

Dei uma última olhada no meu lámen queimado e frio e me rendi, voltando a pegar os hashis.

— Uhgh, isso tá horrível...

Nesse momento, ouvi um barulho vindo da varanda, e em seguida, alguém mexendo na maçaneta da porta.

Meu coração acelerou, e eu me levantei devagar, caminhando até a janela, pronto pra usar meus poderes.
Ao olhar para fora, percebi que era um dos seguranças que estava apenas verificando as portas e janelas, garantindo que tudo estivesse trancado por causa da tempestade que se aproximava.

Suspirei, aliviado.

— Merda, que susto...

Voltei para o sofá, deixando o Yuki no carrinho ao meu lado. A sensação de alívio ainda pairava no ar, e o som distante dos trovões parecia quase uma canção de ninar para ele, que nem se incomodava.

Enquanto mastigava o macarrão gelado e ruim, pensamentos sobre o Jungkook não saíam da minha cabeça. Eu sabia que ele estava sempre em perigo, que as missões que ele estava fazendo para o Arconde eram arriscadas, mas também sabia que ele queria consertar tudo o que fez.

Ele carregava um peso enorme em seus ombros, um fardo que a Ordem fez ele carregar.
Mesmo que eu tentasse não me preocupar, era difícil. Ele tinha um jeito de esconder suas preocupações, mas eu conseguia ver o cansaço por trás de seus olhos.

— Eu queria te ajudar a se sentir melhor... — sussurrei, sabendo que ele não podia me ouvir naquele momento.

O que eu podia fazer agora era tentar descobrir mais sobre a mãe dele, sobre o passado que ele evitava. Ele merecia respostas, mesmo que tentasse esconder essas dúvidas no fundo de sua mente.
Se eu pudesse aliviar ao menos uma parte dessa carga, já seria algo.

E então a chuva começou, e o som forte das gotas batendo contra as janelas trazia uma sensação boa.

Terminei de comer e coloquei a tigela de lado.

A tempestade lá fora aumentava, e os trovões eram mais frequentes, mas dentro de casa, o ambiente permanecia aconchegante. Aproveitei o clima para acender a lareira, criando um contraste caloroso com o clima lá fora.

Peguei meus livros de estudo sobre extração de plantas, meu óculos e uma manta. Me enrolei no sofá, sem tirar os olhos do Yuki, que dormia tranquilamente no carrinho do meu lado.

O som ritmado da chuva, o crepitar da lareira e a presença serena do meu filho me envolveram em uma sensação de paz. À medida que eu tentava focar nos estudos, a calmaria foi me relaxando mais do que eu imaginava. Mesmo resistindo, o cansaço começou a me vencer, e meus olhos pesaram. Fechei eles por um instante, me permitindo um breve descanso.

Naquele momento, com o mundo lá fora em caos, aqui dentro, estávamos seguros e em paz.

Senti uma mão suave acariciar meu rosto, e aos poucos meus olhos se abriram. A primeira coisa que vi foi o Jungkook, sentado no sofá, me observando com um sorriso bonito. Seus dedos deslizavam gentilmente pela minha pele, como se quisesse me acordar da forma mais delicada possível.

— Desculpe te acordar — ele sussurrou.

Eu pisquei algumas vezes, tentando afastar o sono.

— Tudo bem... — murmurei.

Olhei em volta e vi que a lareira ainda crepitava, e o Yuki continuava dormindo profundamente no carrinho, assim como a chuva caía forte do lado de fora. Já era noite, comprovando que dormi bastante.

Eu me espreguicei lentamente, sentindo os músculos relaxados pelo calor da lareira.

— Como foi o resgate?

Jungkook suspirou, seus olhos desviando por um instante antes de voltar para mim.

— Foi complicado... Mas deu tudo certo no final, o Aether já foi para o vilarejo.

— Que bom... — murmurei, estendendo a mão para segurar a dele. — Fico aliviado de saber que você está aqui, seguro.

Ele apertou minha mão, o olhar se suavizando.

— Min, conseguimos algumas pistas sobre a localização do Taeha.

Só de ouvir esse nome, senti cada músculo do meu corpo enrijecer. Eu nunca vi esse velho na minha vida, mas fui ensinado desde cedo que ele era o verdadeiro demônio. O pesadelo de qualquer Aether.

— Deixa eu adivinhar, você vai ter que ir atrás dele. É isso? — perguntei, tentando manter a calma, mesmo sabendo a resposta.

— Sim, preciso encontrar ele. Só assim poderemos viver em paz.

A frustração transparecia no meu rosto, mesmo que eu tentasse escond. Sabia que estava sendo egoísta, afinal, ele fazia isso pelo bem dos Aethers como eu. Mas uma parte de mim só queria viver uma vida normal com ele. Sem fugas, sem perigos, sem lutas.

Além do velho, ainda tinha o filho dele e o marido. Eram três barreiras protegendo a Ordem do Eclipse.

— Você sabe que isso é arriscado... — murmurei.

— Eu sei, mas não posso ficar parado enquanto eles ainda representam uma ameaça pra todos, inclusive, para nós.

— E se algo acontecer com você?

— Não vai, eu vou me cuidar. É uma promessa.

Olhei para o Yuki, que dormia tranquilamente, e pensei em tudo que estava em jogo.

— Eu só... Eu só queria que as coisas fossem diferentes. Que fossem normais.

— Eu também. Mas não podemos mudar o passado. O que podemos fazer é lutar por um futuro melhor, e eu não vou desistir até garantir isso pra vocês dois.

Até pensei em usar meu poder e convencer ele a não ir, por medo de ficar sem ele, mas eu sabia bem que não poderia ser egoísta.

— Quando você vai?

— Não sabemos, mas vai levar alguns dias. Se você achar melhor, eu te levo para o vilarejo e você fica lá nesse tempo.

— Vou pensar no que fazer.

Ele segurou minha mão e começou a fazer carinho.

— Então desfaz esse bico, aí.

Eu tentei sorrir, mas a preocupação ainda pesava na minha mente. E talvez, na minha expressão também.

— Que sorrisinho mais falso. — ele riu.

O Yuki acordou e resmungou só um pouco. Jungkook foi até o carrinho e, com um sorriso tranquilo, começou a brincar com ele. Bastaram algumas palavras do pai, ditas num tom suave e reconfortante, para o pequeno se acalmar.

— Tenho dois bravinhos em casa.

— Idiota... — respondi, rindo enquanto revirava os olhos.

Jungkook deu um beijo cuidadoso na cabeça do Yuki, permanecendo alguns segundos olhando para ele com aquele olhar cheio de ternura.

— Eu passei o dia todo pensando em vocês, ainda mais quando vi a chuva forte se aproximando. Foi tão bom lembrar que eu tinha pra quem voltar. Que não seria apenas mais uma missão de caça que eu voltaria pra casa e ficaria sozinho.

— Você nunca mais vai passar por isso — murmurei.

Ele me olhou, um sorriso pequeno e sincero surgindo em seus lábios, antes de me puxar para um abraço. Senti seu rosto se afundar no meu ombro, e o calor do seu corpo parecia dissipar qualquer resto de cansaço que existisse entre nós.

E então, cortando completamente o nosso clima romântico, minha barriga roncou tão alto que parecia estar anunciando um protesto.

Jungkook se afastou, olhando para mim com uma sobrancelha arqueada e um sorriso debochado.

— Isso é fome ou uma guerra acontecendo dentro do seu estômago?

— Cala a boca... — resmunguei, envergonhado, enquanto ele soltava uma risada alta.

— Pelo visto, meu Aether tá precisando de um banquete, não só de carinho.

Revirei os olhos, mas acabei rindo junto.

— Já disse que vou te escravizar pra ser meu chef de cozinha.

— E eu vou amar receber ordens suas. Me peça o que quiser.

— Qualquer coisa?

— Qualquer coisa.

Fiquei olhando para o alto, fingindo pensar seriamente, até que uma ideia surgiu.

— Quero uma lasanha, tipicamente italiana, igual aos filmes. Daquelas bem recheadas.

Ele sorriu daquele jeito encantador que só ele tinha e pegou minha mão, deixando um beijo suave nela.

— É pra já, meu loiro.

Fomos até a cozinha, mas dessa vez, ele insistiu que eu cozinhasse junto com ele. Eu não tinha muita escolha. Nunca fui bom na cozinha e só sabia o básico pra me virar quando morava sozinho no apartamento, mas decidi que seria uma boa oportunidade pra aprender alguma coisa.

— Então, o que vamos fazer? — perguntei.

— Vamos preparar um molho bechamel enquanto as massas hidratam.

Ele começou derretendo a manteiga em uma panela e adicionou a farinha, explicando como fazer o roux para o bechamel.

— A chave é deixar dourar levemente, sem queimar. Isso vai dar a base cremosa que precisamos para o molho.

Eu fiquei atento a cada movimento, tentando memorizar tudo. Ele me passou o leite em pequenas porções, explicando a importância de misturar bem para não formar grumos.

Ele me entregou a colher e eu comecei a repetir o mesmo movimento que ele ensinou. Com um pouco de insistência, o molho começou a ganhar forma, ficando cada vez mais cremoso. Jungkook me olhou com um sorriso satisfeito.

— Está indo muito bem, Min.

Eu me senti todo orgulhoso por aprender algo novo.

Depois, começamos a montar a lasanha. Colocamos camadas generosas de molho bechamel, presunto parma, queijo e a massa, repetindo as camadas até a forma ficar bem alta e cheia. Em pouco tempo a lasanha já estava no forno.

A tempestade continuava lá fora, com o vento e a chuva batendo nas janelas, mas dentro da cozinha, o clima era de pura tranquilidade. A luz suave das lâmpadas e o calor do forno tornavam o ambiente acolhedor, e o cheiro da lasanha começava a preencher o ar.

Sentamos à mesa, conversando sobre coisas pequenas, descontraídas, e a cada risada nossa, eu sentia o peso do mundo lá fora desaparecer. Era um momento simples, mas perfeito.

Foi então que ouvimos um barulhinho suave, e o Yuki, que estava no carrinho, acordou. Ele estava com os olhinhos bem abertos, olhando para nós com uma expressão curiosa, sem choro, apenas observando tudo ao redor.

Com a lasanha pronta, finalmente nos servimos.

Dei uma garfada, e o sabor perfeito me surpreendeu.

— Hmm! Tá maravilhoso! — falei, de boca cheia.

Jungkook riu, claramente satisfeito com o elogio.

— Sabia que você ia gostar. Ainda mais que fez parte disso.

Continuamos comendo enquanto aproveitamos a companhia um do outro, e ainda com nosso bebê junto. A sensação de normalidade, apesar de rara, era o que nos mantinha fortes. E, por agora, aquilo era tudo o que precisávamos.

Depois do jantar, Jungkook deu a última mamadeira do dia para o Yuki, que, com o estômago cheio e confortável no colinho do pai, rapidamente adormeceu. O olhar carinhoso do Jungkook enquanto ninava o neném sempre me derretia.

Com cuidado, ele colocou o Yuki no berço, ajeitando com delicadeza para garantir que ele ficaria confortável a noite toda. Em seguida, fomos para o nosso quarto, e ali, o sono se fez presente para nós dois, agarrados um no outro.

⠀⠀⠀⠀⠀⠀

No dia seguinte.

O dia começou bom demais pra ser verdade. Nosso café da manhã foi interrompido por uma ligação do Yoongi. Embora ainda não fosse hora de viajarem, Jungkook precisou sair às pressas para o vilarejo com o Namjoon.

Com o Yuki já dormindo profundamente depois de uma boa mamadeira, fui até o quarto. Meu corpo estava estranho desde que acordei, e pensei que talvez ficar deitado resolveria. Eu sentia um calor intenso tomando conta de mim, quase como uma febre por dentro.

Quando me deitei na cama, os feromônios do Jungkook, ainda impregnado nos lençóis, atingiu meus sentidos como uma onda intensa. Não era normal eu ficar tão sensível assim.

Aquele cheiro inconfundível estava mexendo comigo de um jeito que eu não conseguia ignorar, e, sem nem perceber, enquanto afundava meu rosto entre os tecidos sentindo seu cheiro, minha mão começou a se mover instintivamente em direção ao meu shorts, onde eu já estava duro.

O calor aumentava conforme eu me entregava àquela sensação, completamente envolvido. Foi só quando uma onda ainda mais forte percorreu meu corpo que a realidade me atingiu como um choque.

Num salto, sentei na cama, a respiração toda desordenada enquanto minha mente finalmente processava o que estava acontecendo.

— Merda... não pode ser.

Meu coração disparou, sem saber como evitar. Eu estava em heat.

Esse verdadeiro heat era algo que eu tinha experienciado poucas vezes, já que tomava supressores desde a adolescência. A sensação de descontrole estava me sufocando, e o calor que subia pelo meu corpo parecia impossível de conter.

Eu me recusei a me masturbar. Com determinação, levantei e fui me apoiando nos móveis até chegar ao banheiro. Lavei o rosto com água gelada, tentando me acalmar. O frescor até ajudou por um momento, mas o alívio era superficial. Apoiei as mãos na pia e respirei fundo, tentando recuperar o foco.

Voltei para o quarto, mas o cheiro dos feromônios do Jun parecia ainda mais intenso ali. Era sufocante, quase intoxicante, e isso estava me deixando à beira da loucura.
Comecei a revirar algumas caixas no guarda-roupa, minhas mãos trêmulas até encontrarem o que eu buscava desesperadamente: meu estoque de medicamentos.

Abri a embalagem e vi com um aperto no peito que havia apenas um único inibidor de heat restante, e ainda, era um dos mais fracos.

Saí do quarto com passos apressados, ainda lutando contra os efeitos do heat, e fui direto para a cozinha. Engoli o comprimido com um copo de água e me apoiei no balcão, respirando fundo enquanto esperava o remédio fazer efeito.

— Que droga... Por que essa merda não aconteceu à noite? Como vou ficar sem medicação, sem o Jungkook e ainda com um bebê pra cuidar?

Subi novamente as escadas e fui até o quarto do Yuki. Ele já estava acordado, mas, como sempre, quietinho, com aquele olhar curioso. O cheirinho de neném que preenchia o ambiente, combinado com a medicação de ação rápida, começou a aliviar os sintomas do cio, embora eu soubesse que o efeito seria temporário.

Peguei ele no colo, sentindo o calor do seu corpinho contra o meu. Troquei sua fralda e coloquei uma roupinha confortável, tentando ao máximo ignorar o calor residual que ainda pulsava dentro de mim. Em poucos minutos, já estávamos dentro do carro do Jungkook.

— Vamos visitar o tio Jin, ok? — falei enquanto ajustava a cadeirinha dele. — O papai precisa de remédios urgentemente.

Sua expressão calma me deu um pouco de paz. Avisei os seguranças, dei partida no carro e saí sem perder tempo, já planejando o que diria ao Jungkook por ter saído sozinho nesse momento.

A estrada era tranquila, com poucos carros, e o som do motor parecia embalar o Yuki, que logo caiu em um sono profundo no banco de trás. Dei uma olhada rápida pelo retrovisor, me certificando de que ele estava confortável, e continuei dirigindo.

O trajeto, que levou quase meia hora, foi preenchido por mim tentando controlar minha respiração.

Assim que cheguei, peguei o bebê-conforto, a bolsa com as coisas dele, e subimos sem perder tempo.

Toquei a campainha uma vez e, como ninguém atendeu de imediato, decidi esperar por um momento. Poucos segundos depois, ouvi o som da maçaneta sendo destravada. Quem abriu a porta foi o Sr. Kim, o pai do Jin.

— Jimin? Eu não acredito! — ele exclamou, com um sorriso genuíno no rosto.

— Bom dia, tio.

— Oh, como o bebê é lindo! Entre, por favor — ele disse, abrindo mais a porta para que eu entrasse. Assim que coloquei os pés na sala, ele chamou o Jin no quarto.

Enquanto isso, a Sra. Kim apareceu na sala, atraída pela movimentação. Assim que seus olhos foram até o Yuki, seu rosto se iluminou de ternura.

— Ahh, que amorzinho. Posso pegar ele? — perguntou, encantada com o bebê.

— Claro que pode.

Ela se aproximou com cuidado e pegou o neném nos braços com delicadeza. O pequeno se mexeu um pouco, mas logo se acomodou, ainda dormindo profundamente. A Sra. Kim sorriu, balançando ele levemente.

— Ele parece um anjo, Jimin. Tão calminho... — disse ela, observando cada detalhe do rostinho dele.

— Ele é muito calmo, tia. Espero que continue assim — brinquei, soltando uma risada leve, enquanto o Sr. Kim sorria ao meu lado.

Assim que o Jin apareceu no corredor, seu corpo saltou, e foi direto até o Yuki.

— Vim sem ser convidado, me desculpem.

— E desde quando você precisa de convite, Park? Cadê o Jeon? — O Jin perguntou.

— Foi para o vilarejo com o Namjoon. Não queria ficar sozinho, então achei melhor vir ver vocês.

— Você fez muito bem. É sempre bom te ter por perto. — Jin sorriu de novo, olhando para o Yuki nos braços da mãe dele.

Deixei o Yuki com a Sra. Kim e aproveitei a oportunidade pra puxar o Jin até o quarto dele.

Assim que fechou a porta atrás de nós, ele caminhou até a cama e se sentou na beirada, cruzando os braços como quem já sabia o que estava por vir.

— O que aconteceu?

— Eu preciso de inibidores de heat. Nada de supressores, quero inibidores mesmo.

Ele arqueou uma sobrancelha.

— Deixa eu adivinhar: está no cio?

Suspirei, frustrado.

— Sim. Eu sabia que ia ficar uma hora ou outra, já que não tomo mais os supressores, mas achei que essa porcaria demoraria mais, já que o Yuki acabou de nascer.

— E por que não resolve da forma tradicional? Com sexo?

— O Jungkook só volta à noite, e a casa inteira cheira a ele. Eu vou ficar maluco se continuar assim.

Ele tentou segurar o riso, mas logo começou a gargalhar.

— Para de rir, caralho!

Ainda rindo, ele levantou e caminhou até a porta.

— Calma, relaxa. Vou ver o que tenho aqui pra você. Já volto.

Ele saiu, e eu fiquei no quarto, tentando me distrair enquanto esperava. Peguei o celular e mandei uma mensagem rápida para o Jungkook, avisando que vim para Elysium. Não demorou muito para que o telefone começasse a tocar.

— Oi, Jun.

— Você foi sozinho?

— Uhum.

Ele respirou fundo, e eu conseguia sentir a frustração na voz dele, misturada com preocupação.

— Acho que nem preciso falar do quão perigoso é isso, certo?

— Eu sei, mas tô sendo cuidadoso. Eu precisava vir...

— E avisou só depois de chegar aí? Você sabe que eu teria dado um jeito de voltar mais cedo, Min.

— Não quis te atrapalhar. Nós estamos bem, não tem com o que se preocupar.

Houve um breve silêncio, e eu sabia que ele estava tentando se controlar.

— Só... me avisa se acontecer qualquer coisa, ok? Se algo parecer errado, me liga na hora, não pense duas vezes.

— Pode deixar. O Jin tá aqui comigo, e assim que resolver tudo, volto pra casa.

— Ok. Me avisa quando sair daí e durante todo o caminho, ouviu?

— Tá booom. Relaxa.

Ele riu e soltou um suspiro pesado, mas parecia um pouco mais tranquilo agora.

Assim que desliguei, o Jin voltou com os medicamentos nas mãos. A embalagem era diferente do que eu costumava tomar quando não conseguia evitar o heat com os supressores.

— Você não tá me dando aspirina, fingindo que é inibidor, né? — perguntei, desconfiado.

— É uma boa ideia, mas não, são inibidores mesmo. Como você tem com quem transar, esse aqui é mais fraco, mas vai te ajudar a aguentar até o fim do dia.

Peguei o comprimido e coloquei na boca, engolindo sem nem precisar de água.

— Obrigado, Doutor Jin.

— Por nada, mas não abuse. Como eu disse: transe e receba os feromônios do seu alfa. Esse é o remédio ideal.

— A cabeça dele tá a milhão com esse assunto da Ordem. Não quero atrapalhar só porque tô com vontade de dar.

— Ele é um lúpus, Jimin, além de te amar. Ele nunca vai recusar sexo com você.

Suspirei pensado. Ele tinha razão, como sempre.

— Tá melhor agora?

— Uhum, tô... — respondi, sentindo o calor, que já estava voltando, começar a diminuir um pouco.

— Ótimo, fique aqui até controlar totalmente seus feromônios. Vamos fofocar enquanto isso; O Namjoon me chamou pra sair amanhã à noite.

A confissão saiu rápida, como se ele precisasse se livrar daquelas palavras. Eu não consegui segurar a risada, aliviando minha tensão de minutos atrás.

— E onde vocês vão? Já escolheram o lugar?

— Não... — Ele desviou o olhar, coçando a nuca, e logo emendou, tossindo de leve. — Na verdade, ainda não aceitei.

— Quê? Por que não?

Ele deu com os ombros, como se a resposta fosse óbvia, mas o jeito hesitante denunciava sua insegurança.

— Não sei se devo... — ele murmurou.

— Ele te convidou por onde?

— Me mandou algumas mensagens.

Estendi a mão, gesticulando para ele.

— Me dê seu celular.

Ele hesitou por um instante, mas acabou me entregando sem reclamar. Desbloqueei a tela e fui direto nas mensagens recentes. Bastaram poucos segundos para que minha expressão mudasse ao ver a quantidade de mensagens do Namjoon que ficaram no vácuo.

— Eu vou matar você, Seokjin! — avancei pra cima dele, mas ele começou a rir.

No entanto, o sorriso foi desaparecendo aos poucos, dando lugar a um olhar mais distante, fixo no chão, como se estivesse perdido em pensamentos.

— Você sabe que somos bem diferentes. Eu sou só um beta, e mal tenho feromônios — disse ele, quase num sussurro.

— Você ainda tá nessa? Se o cara tá tentando, é porque ele não se importa. Depois de todos esses meses, ele já sabe que você é um beta.

Jin suspirou, mas o sorriso tímido ainda mordiscava os lábios, relutante. Eu me aproveitei disso e continuei, pressionando sem piedade.

— Responde essa droga de mensagem antes que eu use meus poderes em você.

Ele ergueu o olhar, me encarando por alguns segundos com uma expressão de falsa indignação, antes de soltar uma risada curta e pegar o celular de volta.

— Eu posso chamar a polícia pra você, Aether, sabia disso?

— Já respondeu, Kim Seokjin?

Ele desbloqueou a tela reclamando, mas finalmente respondeu o Namjoon, aceitando o convite.

— Porra... finalmente.

— Aceitei sob livre e espontânea pressão.

— Com você tem que ser assim. Já te disse que você é incrível, seu filho da puta. Acorda caralho!

Ele começou a gargalhar.

— Valeu por me animar e me humilhar ao mesmo tempo.

Continuamos conversando sobre tudo e nada ao mesmo tempo, como sempre fazíamos. O dia parecia voar enquanto o papo fluía, quase como se o tempo não existisse.

Quando me dei conta, já era fim de tarde, e o sol começava a se esconder atrás dos prédios, tingindo o céu de tons alaranjados. Eu já estava me sentindo muito bem, então peguei meu pequeno, que dormia tranquilo no bebê-conforto, me despedi de todos e desci até o carro. Jin me acompanhou até lá.

— Tem certeza que não quer que eu vá junto? — perguntou, preocupado.

— Tenho. Assim que chegar em casa, eu te aviso.

Ele soltou um suspiro pesado, mas concordou.

— Então dirija com cuidado.

— Pode deixar — respondi, sorrindo, enquanto ajeitava o bebê-conforto no banco de trás.

Acenei uma última vez antes de dar partida e sair. Yuki, agora acordado, observava tudo ao redor com seus olhinhos curiosos, mas continuava tranquilo. Às vezes, ele emitia sons baixos, quase como se estivesse comentando o que via, e isso me fazia rir.

Enquanto dirigia, com o silêncio sendo preenchido apenas pelo som do motor, meu celular começou a tocar. Não podia me arriscar a atender diretamente, então conectei a chamada pelo painel do carro.

— Oi, meu amor.

— Já estava preocupado com você. Está chegando?

— Uhum, mais uns cinco minutos no máximo.

— Ok, vou te esperar — ele respondeu antes de desligar, me deixando com um sorriso bobo.

Assim que cheguei em casa, estacionei o carro em frente e avisei o Jin que tinha chegado bem.
Peguei o Yuki no colo, que já estava dormindo, como sempre.

Quando entrei, notei o silêncio quase ensurdecedor.

— Que estranho... Jungkook? — chamei, esperando ouvir alguma resposta, mas tudo permaneceu quieto.

Segurando o Yuki, comecei a andar pela casa, já começando a ficar preocupado. Minha mente começou a cogitar as piores situações possíveis, até que, quando virei o corredor, meus olhos foram imediatamente atraídos para o chão. Ali, um caminho de pétalas de rosas brancas se estendia até a porta dos fundos.

Meu coração acelerou, e uma onda de curiosidade misturada com ansiedade tomou conta de mim. Segui as pétalas com passos lentos, ainda tentando entender o que estava acontecendo.

Ao abrir a porta dos fundos, meu fôlego se foi. Lá estava o Jungkook, sob um arco de flores, com várias velas acesas ao redor, criando um cenário quase mágico. Ele segurava um buquê de rosas brancas enorme nas mãos, e seus olhos brilhavam com uma intensidade que eu nunca havia visto antes.

— Isso... isso não é possível — murmurei, sentindo meus olhos lacrimejarem.

Caminhei até ele, que veio ao meu encontro com um sorriso suave. Ele pegou minha mão, seus dedos firmes, mas carinhosos, enquanto me guiava até o arco de flores. O silêncio ao nosso redor era preenchido apenas pelo som suave das velas crepitando e dos insetos.

— Tudo está tão lindo... — falei, com a voz embargada pela surpresa

Jungkook deu um beijo no Yuki, que estava dormindo pesado em meus braços, e depois outro na ponta do meu nariz. Em seguida, ele se ajoelhou lentamente à minha frente, segurando minha mão com cuidado.

Foi ali que me dei conta do que estava acontecendo.

— Min, desde o momento em que te conheci, soube que você seria a pessoa com quem eu queria passar o resto da minha vida. Você trouxe luz para minha vida escura de uma forma que eu nunca imaginei ser possível, e me fez enxergar o mundo de um jeito diferente. E agora, com nosso filho, com essa família que construímos, eu não consigo imaginar um futuro sem você ao meu lado.

Minha visão começou a embaçar com lágrimas que eu tentava, sem sucesso, segurar. Ele apertou minha mão com mais força e continuou:

— Sei que começamos de uma forma complicada, mas, se todas essas complicações me trouxeram até você, eu faria tudo de novo. Hoje, estamos aqui, na nossa casa, e é nela que quero te pedir... — Ele fez uma breve pausa, respirando fundo. — Você aceita se casar comigo?

Meu coração parecia prestes a explodir. Olhei para o Yuki, tranquilo em meus braços, e depois para Jun, ajoelhado diante de mim, com duas alianças de ouro nas mãos e o rosto iluminado pela luz suave das velas. Tudo naquele momento parecia perfeito.

Não existia a possibilidade da minha resposta ser diferente.

— Sim! — falei, com a voz embargada pela emoção. — Eu aceito! Aceito muito!

Jungkook sorriu, e seus olhos grandes brilharam com alívio e felicidade. Ele se levantou rapidamente, me puxando para um abraço apertado, cuidadoso para não esmagar o Yuki entre nós. O cheiro suave da natureza ao nosso redor se misturava ao calor dos nossos corpos.

— Eu te amo — ele sussurrou no meu ouvido, sua voz carregada de emoção.

Eu ri entre lágrimas, incapaz de conter a felicidade.

— Eu te amo ainda mais.

Ele se afastou apenas o suficiente para me dar um beijo, doce e demorado. Quando finalmente nos separamos, olhei ao redor, para o cenário que ele havia preparado, e senti que nada poderia ser mais perfeito.

Jungkook sorriu, ainda me observando com aquele olhar cheio de amor, até que olhamos para baixo. O neném estava com os olhos abertos, acordado e observando tudo.

O Jun se aproximou e pegou o Yuki no colo.

No entanto, essa calmaria não durou muito. Logo o Yuki começou a resmungar, reclamando de fome. Jungkook foi rapidamente preparar a mamadeira na cozinha, enquanto eu fiquei com a tarefa de dar um banho gostoso e quentinho no nosso pequeno.

O cheiro suave do sabonete de bebê logo encheu o banheiro, e o Yuki relaxou assim que entrou na água morna, os olhinhos ficando pesados de sono novamente, até que cochilou no banho.

Enrolei ele com cuidado na toalha e o levei até o quarto. Coloquei uma fralda limpa, vesti seu pijaminha macio, e me acomodei na poltrona com ele nos braços. O Jungkook me entregou a mamadeira, e assim que encostei o bico na boquinha dele, começou a mamar com calma. Seus olhinhos, ainda pesados de sono, iam fechando novamente a cada gole.

Jun se sentou ao meu lado, observando a cena com um sorriso suave no rosto. O silêncio no quarto era quebrado apenas pelo som do neném se alimentando.

Assim que o Yuki terminou a mamadeira, já estava em um sono profundo. Colocamos ele no berço com todo cuidado, liguei a câmera da assistente de voz para monitorar, e seguimos para o nosso quarto.

Quando entramos, Jungkook me envolveu num abraço por trás, seus lábios encontrando minha nuca em beijos suaves e provocantes. A respiração quente dele contra minha pele me fez arrepiar dos pés à cabeça.

Foi o suficiente para os feromônios dele reacenderem meu heat feito mágica, fazendo meu corpo reagir quase instantaneamente. Sem controle, comecei a exalar os meus feromônios também, de forma intensa e desordenada.

Virei para olhar seu rosto, e antes que qualquer palavra fosse dita, nossas bocas se encontraram em um beijo urgente e cheio de desejo. Suas mãos começaram a explorar meu corpo, traçando caminhos invisíveis enquanto me puxava ainda mais para ele. Cada toque e cada gesto pareciam carregar um significado profundo, como se dissessem tudo o que as palavras não conseguiam.

Meu corpo começou a responder instintivamente, e o calor se espalhou como um incêndio em questão de segundos. Quando olhei nos olhos dele, vi que estavam semicerrados, sua bochecha corada e a respiração pesada.

Ele estava em rut, e era por minha causa.

— Porra, sinto que vou enlouquecer... Você está em heat?

— Uhum... me desculpe.

Ele riu baixinho, mas sua voz estava rouca, carregada de desejo.

— Por que tá pedindo desculpas?

Desviei o olhar, sentindo minhas bochechas queimarem.

— Foi por isso que fui no Jin, eu precisava de inibidores.

Ele segurou meu queixo, me fazendo olhar direto para ele. O sorriso no rosto dele era provocante, o típico sorriso canalha que me deixava sem reação.

— É sério que meu noivo prefere passar o heat com inibidores ao invés de transar comigo?

Eu senti minhas bochechas corarem ainda mais, tentando me justificar.

— Não é isso... Eu só não queria te atrapalhar, você já tem tanta coisa pra lidar.

O sorriso dele ficou mais suave, mas seus olhos ainda brilhavam com aquele desejo inconfundível.

— Atrapalhar? Não tem nada que eu queira mais do que cuidar de você, do jeito que só eu posso.

Eu até tentei resistir, mas assim que ele começou a soltar seus feromônios ainda mais, vi minha resistência desmoronar.

Um arrepio percorreu minha pele, e eu sabia que ele já estava completamente envolvido. Puxei seu corpo para mais perto, sentindo a familiaridade de seu toque, e deixei que tudo o que tínhamos reprimido nas últimas semanas viesse à tona.

Em poucos segundos, ele já tinha arrancado todas as minhas roupas, e, inesperadamente, começou a me chupar. A primeira vez que ele fez isso, eu ainda estava grávido, e ele também foi a primeira pessoa a me chupar. Ele era o primeiro em quase tudo na minha vida.

O toque de seus lábios era quente, intenso, carregado de desejo, e eu mal conseguia respirar de tanto prazer.

— Isso é tão bom... — sussurrei, a voz quase falhando, enquanto ele continuava chupando e me olhando, com os olhos fixos nos meus e aquele olhar de pura devoção e desejo que eu tanto amava.

Assim que ele parou, subiu em cima de mim, mas quando seu corpo encostou no ponto da cesárea, ele parou.

— O que foi?

— Melhor a gente não arriscar — ele disse preocupado, mesmo que seu corpo implorasse pelo meu.

— Vamos arriscar sim, eu quero.

Ele estava hesitando, e eu estava surtando de desejo. Então, virei de quatro na cama, e assim que ele viu minha posição, começou a rir.

— Agora não vai ter mais como escapar de mim... — ele murmurou, com o sorriso no rosto, e cravou as mãos no meu quadril.

Eu podia sentir a excitação no ar, e, naquele momento, nada mais importava.

— Precisamos de preservativo — ele murmurou, a voz rouca enquanto aproximava os lábios do meu pescoço. — Na última vez que fiquei em rut, fizemos um filho.

— Talvez dois filhos não seja uma ideia ruim...

Ele riu baixo, um som que fez meu corpo inteiro arrepiar, enquanto suas mãos deslizavam pelas minhas costas.

— Não fala isso, caso contrário eu realmente vou querer.

Eu dei risada, mas me estiquei um pouco e peguei a camisinha na gaveta ao lado da cama.

Ele rasgou a embalagem com o dente, colocou nele e se aproximou novamente, suas mãos deslizavam com desejo pela minha pele, enquanto sua respiração quente acariciava minhas costas. O sorriso safado ainda estava nos seus lábios, entre várias mordidas que deixava em mim, me deixando ainda mais excitado.

Eu queria tudo. Queria sentir cada momento, cada toque, mesmo que isso significasse ignorar qualquer desconforto ou dor. Eu queria ele mais que tudo.

— Me fode logo... — sussurrei cheio de desejo, olhando por cima do ombro.

Ele abaixou sua boca até meu ouvido, com a respiração quente.

— Eu preciso me controlar, Min... Você tá me deixando louco com seu cheiro. Não quero te machucar.

Eu olhei por cima do ombro até meus olhos encontrarem os dele.

— E quem disse que eu quero que você se controle?

Ele deu um sorriso enquanto mordia os lábios.

— Você quem manda.

Com um movimento rápido, ele enfiou com tudo em mim. Na primeira socada eu gemi, e após a segunda em diante já comecei a sentir seus feromônios dominarem meu corpo de forma intensa e surreal. Era a melhor sensação que eu já senti em toda a minha vida.

Era tão gostoso sentir ele me preenchendo por dentro, que eu queria sentir mais forte, cada vez mais. Ele se abaixou, com a boca perto do meu ouvido e sussurrou.

— Porra, esse seu cheiro... Eu não queria que ninguém mais sentisse, só eu.

Ele continuava me penetrando, e nossos corpos já estavam completamente molhados de suor.

— Me marca...

Ele até diminuiu o ritmo quando ouviu meu pedido.

— O que disse?

— Você ouviu... eu quero que você me marque

Sua mão deslizou pela minha nuca, hesitando por um instante. Se ele me marcasse, estaríamos ligados para sempre, de corpo e alma. Eu me tornaria seu ômega, e nenhum outro alfa sentiria meus feromônios. Assim como eu nunca mais ficaria em heat por nenhum outro alfa.

Ele respirou fundo, como se tentasse acreditar que meu pedido foi real. Sua mão ainda acariciava minha nuca, e eu podia sentir o calor do seu corpo, cada respiração pesada, o suor escorrendo por nós dois.

Minha mente estava tomada pela necessidade de ser dele completamente.

— Tem certeza disso? — a voz dele saiu rouca, carregada de desejo.

— Tenho. Quero ser seu, só seu. Me marca — reforcei, virando o rosto para que ele pudesse ter total acesso ao meu pescoço.

Por um segundo, o tempo pareceu parar. Ele continuou me penetrando, mas a intensidade agora estava mais lenta, quase como se estivesse se preparando para o momento. Com a respiração ofegante, ele se inclinou, e eu senti seus dentes arranharem a pele sensível da minha nuca. Meu coração disparou, mas minha mente tinha certeza disso.

Quando ele finalmente cravou os dentes em mim, o choque da dor misturada com prazer foi eletrizante. Meu corpo inteiro estremeceu, e soltei um gemido abafado, me entregando completamente à sensação dos seus feromônios invadindo meu corpo. A marca ardia, mas de um jeito que parecia selar o que já era inevitável: eu era dele, e ele era meu.

A dor rapidamente se transformou em algo profundamente prazeroso, enquanto o vínculo se formava entre nós. Meu corpo reagiu de imediato, e eu senti a onda de calor percorrer minha pele, como se o próprio ato de ser marcado fosse o que meu corpo sempre desejou.

— Agora você é meu, de verdade — ele sussurrou no meu ouvido, a voz carregada de possessão e carinho ao mesmo tempo. — Pra sempre.

Meu corpo estava em chamas, e a cada movimento dele, essa sensação se intensificava, me consumindo.

— C-continua... não para... — supliquei.

Ele voltou a se mover com mais intensidade, cravando suas mãos no meu quadril, e dessa vez tudo parecia diferente. Cada toque, cada investida, parecia amplificado pela marca, como se nossos corpos tivessem se sintonizado perfeitamente.

Os dois corpos se moviam em sincronia perfeita, como se a conexão criada entre nós tornasse cada toque, cada movimento, ainda mais intenso. O calor era quase insuportável, e eu sentia a pressão crescendo dentro de mim, pronta para explodir.

— Você é tudo pra mim — Jun sussurrou entre respirações pesadas, seu rosto enterrado na curva do meu pescoço, sentindo o gosto da marca que tinha acabado de fazer.

Eu não conseguia responder, as palavras morrendo nos meus lábios enquanto a intensidade do momento tomava conta de mim. Tudo parecia se apagar, exceto o som de nossas respirações entrecortadas e o calor do corpo dele colado ao meu.

Até que nós gozamos juntos. Meu corpo tremia e, por um momento, me faltou fôlego. Tudo que eu conseguia sentir era o pulsar da conexão entre nós, o vínculo que agora nos unia de uma forma que ia além do físico.

Meu corpo desabou e eu deitei.

Ele permaneceu ali, colado em mim, sem dizer nada, apenas respirando pesado contra a minha pele. Eu sabia que nada mais precisava ser dito. Nossos feromônios se misturavam no ar, liberados em excesso no nosso quarto.

Jungkook ainda estava ofegante, os braços envolvendo meu corpo de um jeito protetor. Senti seus dedos deslizarem suavemente pelo meu cabelo, como se estivesse tentando acalmar tanto a si mesmo quanto a mim após a intensidade do que acabou de acontecer.

— Tá tudo bem? — ele murmurou, a voz rouca e suave, com um toque de preocupação.

Eu apenas concordei, sentindo o cansaço tomar conta de mim. O calor do corpo dele contra o meu era tudo que eu precisava naquele momento. A marca ainda formigava levemente, me lembrando da profundidade do laço que agora nos unia.

— Nunca me senti tão bem — respondi com um sorriso fraco, virando um pouco a cabeça para olhar para ele.

Ele sorriu de volta, lançando aquele sorriso perfeito que sempre fazia meu coração acelerar. Quando virei o corpo completamente, vi que ele ainda estava duro.

— Ei, isso... você não acabou de gozar? — apontei.

Ele riu e segurou, balançando na minha direção.

— Quem mandou você ser gostoso assim? Só de encostar em você já fica duro.

Eu tentei sentar na cama, mas meu corpo todo estava lerdo com o cansaço.

— Então vamos continuar.

— Amanhã continuamos, ok? Você está cansado.

— Não tô não!

— Está sim, vem cá.

Ele me puxou mais perto, me abraçando de conchinha de forma protetora, como se quisesse se certificar de que eu estava realmente ali, com ele, para sempre.

— Não vou deixar nada nem ninguém te tirar de mim... Somos um só agora.

— Já nos tornamos um à partir do momento em que fizemos um filho, a marca veio só pra enfatizar isso — respondi, minha voz baixa, mas carregada de certeza.

Eu virei o rosto na sua direção e ele me olhou intensamente por alguns segundos.

— Você e o Yuki são tudo que eu tenho, tudo que eu preciso. Obrigado por me dar a honra de ser seu alfa pra sempre.

Eu encostei minha testa na dele, nossos corpos ainda entrelaçados. E então, um choro. Olhamos os dois no mesmo momento para a tela da Alexa, e vimos o Yuki acordado, chorando. Nós dois levantamos instintivamente.

— Eu vou lá acalmar ele, pode descansar. — ele me deu um beijo na testa, colocou um shorts e saiu em direção ao quarto do neném.

Eu aproveitei pra tomar uma ducha rápida. Enquanto me secava, senti a marca na minha nuca, e passei os dedos delicadamente sobre ela. Era uma sensação estranha e reconfortante ao mesmo tempo. Como se, de alguma forma, eu soubesse que nunca estaria sozinho. O vínculo entre nós agora era inquebrável.

Olhei meu reflexo no espelho, os pensamentos ainda vagando.

Eu nunca pensei que me entregaria tanto a alguém, ao ponto de ter um filho e querer ser marcado, mas com ele era como se eu quisesse viver tudo. Com o Jungkook, tudo parecia fazer sentido, como se cada decisão que tomei ao longo da vida tivesse me levado até esse momento. Até ele.

Saí do banheiro e fui em direção ao quarto, onde encontrei Jungkook com o Yuki nos braços, balançando suavemente pra fazer ele dormir. Eu me aproximei e passei a mão levemente nas costas dele, que se virou para mim com um sorriso suave no rosto. Yuki já estava quase dormindo novamente, aconchegado nos braços fortes do pai.

Assim que o Yuki finalmente dormiu, Jungkook o colocou com cuidado no berço. Ficamos em silêncio por um momento, observando ele dormir tranquilamente. Era incrível como uma vida tão pequena podia trazer tanto significado e paz, mesmo em meio ao caos que era a nossa realidade.

Jungkook se aproximou de mim, envolvendo minha cintura com seus braços.

— Agora ele vai dormir por um bom tempo. Vamos voltar para cama.

Já no nosso quarto, deitei na cama, sentindo o cansaço finalmente pesar em meus músculos. Ele também tomou uma ducha e se deitou ao meu lado, nos cobrindo com um lençol enquanto me envolvia em seus braços.

Ele apoiou a mão no meu rosto, seguido de um selinho molhado e demorado.

— Eu te amo, e talvez eu não me canse de falar isso.

— Eu também amo você, e eu também nunca me cansarei de afirmar.

Em meio a todo esse carinho e amor, fui ficando cada vez mais sonolento com seus carinhos.

Enquanto meus olhos começavam a se fechar, senti ele me puxar para mais perto, me envolvendo em seus braços. O calor do seu corpo e o som de sua respiração constante me traziam uma sensação de segurança, e, aos poucos, fui me entregando ao sono.

— Descansa, meu amor — ele sussurrou, com a voz suave e acolhedora.

Meus últimos pensamentos antes de adormecer foram sobre o quanto nossa vida havia mudado, especialmente a minha.

E então, o sono me dominou por completo.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

🪻

⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

Oi, leitor!
O que achouuu?

Perdoem essa pobre CLT caso tenha algum errinho. Revisei tudo, mas algo pode ter passado.

Te vejo no próximo capítulo!

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top