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⊹  P a r k   J i m i n  ⊹
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Uma semana depois.

Eu... eu via um mar revolto, e estava nele, dentro de um barco. Ondas enormes se chocavam, e meu barco à deriva balançava descontrolado. A sensação de impotência era sufocante, e cada onda que se aproximava parecia ameaçar me engolir, a água gelada subindo cada vez mais.

Em meio à tempestade, vi uma silhueta de alguém na praia, mas ela estava distante, bem ao fundo. Estendi a mão, tentando alcançar a pessoa, mas quanto mais eu gritava por ajuda, mais o som se perdia nas ondas. Quando as ondas finalmente cobriram o barco, e eu vi a morte de frente, acordei assustado.

Respirei desesperado, olhando para os lados até entender que era só um pesadelo. Meu coração estava disparado, e uma angústia tomou conta de mim. Tentei me acalmar, lembrando onde estava, mas a sensação de aflição ainda me perseguia.

Levantei da cama, tentando afastar a neblina de insegurança. Fui até a janela e olhei para o céu, que começava a clarear com os primeiros raios de sol.

— Foi só um pesadelo, não é mesmo, Haru?

Ela, que já estava perto de mim, miou.

Além desses pesadelos estranhos, acordei com uma certa dor de cabeça insistente, por conta do excesso dos supressores. Meu corpo tem implorado por uma pausa, e essas dores eram lembretes de que eu estava forçando os limites.

Mesmo com dor, de certa forma, eu me sentia nas nuvens. Sou um completo emocionado, e a essa altura, já estava caidinho pelo Jeon, que era quase um completo mistério para mim. Só sei a cidade onde ele mora, seu primeiro nome e idade. Pistas que não ajudariam em nada se eu quisesse descobrir mais sobre ele na internet.

Eu sentia que estava cada vez mais atraído por ele. E no nosso quase beijo na praia... bem, ele só não percebeu o cheiro dos meus feromônios por causa dos remédios. Caso contrário, a gente teria realmente se beijado.

Quanto mais eu pensava sobre isso, mais confuso ficava. Uma parte de mim queria se entregar às investidas dele, viver o momento e esquecer das consequências. Mas a outra parte, a mais racional, sabia que eu não podia me dar ao luxo de ser imprudente, não com alguém tão bom quanto o Jeon é... E não nesse mundo, onde um único deslize poderia me colocar em perigo, ou até mesmo, ele.

Terminei de preparar um chá de ginseng, e bebi lentamente, tentando organizar meus pensamentos enquanto acendia um laser na parede para a Haru brincar. Até ela gostou dele, mesmo sendo arisca com estranhos.

Enquanto tomava meu chá, percebi que, mesmo com todas as incertezas e perigos, eu estava disposto a descobrir mais sobre ele. Eu sabia que precisava ser cuidadoso, mas, ao mesmo tempo, não queria deixar essa oportunidade escapar.

— Eu quero aquele homem pra mim, Haru.

Ela respondeu com um miado contínuo, o me fez rir, como se ela realmente entendesse o que eu estava dizendo.

— Você acha que estou ficando louco, né? — perguntei, rindo de mim mesmo enquanto acariciava sua cabeça.

Ela ronronou, se esfregando em mim, como se quisesse me confortar.

Não conseguia evitar a ideia de descobrir onde essa atração poderia me levar. Isso, claro, se ele também estiver atraído por mim... A possibilidade de que ele sentisse o mesmo fazia com que eu quisesse correr atrás dessa chance.

Assim que terminei meu chá e organizei meus pensamentos, separei um pouco de chá para o Jin. Em seguida, arrumei minha bolsa, colocando tudo o que eu precisaria para o dia: algumas ferramentas pequenas de jardinagem, meu caderno de esboços e outros itens essenciais.

Antes de sair, dei uma última olhada no apartamento, me certificando de que não estava esquecendo nada. O aroma suave da lavanda ainda pairava no ar, trazendo uma sensação boa de tranquilidade.

O Jin passou o dia de ontem com gripe forte e febre, então não ia para a aula hoje. Assim que saí do meu apartamento, fui até o apartamento dele na cobertura. Subi as escadas e, ao chegar à porta, bati de leve, esperando que ele estivesse acordado. Não demorou muito para que ele abrisse, ainda com uma expressão de cansaço, com o edredom enrolado ao corpo.

— Você parece melhor — comentei, entrando no apartamento.

— Um pouco. Acho que a febre finalmente baixou. — Ele voltou para o sofá, onde continuou enrolado, e eu o segui, sentando ao seu lado.

Soltei a Haru, que imediatamente se aninhou no Jin.

— Trouxe alguns remédios e um chá de ginseng que vai te ajudar a ter mais energia — disse, tirando algumas coisas da minha bolsa.

— Você é um anjo, Park — ele respondeu, fungando o nariz congestionado. — Não precisava se preocupar tanto, mas eu agradeço.

— É o mínimo que eu posso fazer. Desculpe não poder ficar mais.

— Relaxa, agora vá para a loja logo, hoje é dia de vender bastante. Eu cuido da Haru.

Depois de me certificar de que ele estava confortável e tinha tudo o que precisava, me despedi e saí do apartamento, seguindo para a estação de metrô.

Quando cheguei à estação, consegui pegar um vagão vazio, o que me deu um tempo para relaxar e organizar meus pensamentos. A atmosfera tranquila do metrô contrastava com a agitação na minha mente, que estava a mil, pensando em várias coisas ao mesmo tempo.

Assim que entrei na floricultura, fui recebido pelo cheiro familiar de flores frescas e terra úmida, que sempre me dava uma sensação de conforto. A luz da manhã atravessava as janelas de vidro, iluminando alguns arranjos que já estavam prontos para os clientes. Dei uma rápida olhada ao redor para ver se estava tudo em ordem e fui direto para a pequena sala nos fundos, onde deixei minha bolsa e peguei meu avental.

Comecei a me preparar para começar as tarefas do dia, e meus pensamentos voltaram para o Jeon. Eu não conseguia evitar; ele era espaçoso e ocupava minha mente de um jeito que eu não estava acostumado.

— Hoje é um dia cheio, Jimin. Se concentre — murmurei para mim mesmo, tentando afastar as distrações.

Fui até o balcão para verificar os pedidos especiais do dia e comecei a separar as flores necessárias. Em seguida, fui regar as que precisavam de água.

Enquanto jogava água de vaso em vaso, ouvi o sino da porta tocar, indicando que um cliente havia entrado. Meu coração deu um salto involuntário de expectativa, e me peguei torcendo para que fosse ele.

Quando olhei para a porta, meu coração que havia disparado de expectativa, logo se acalmou. Era apenas um cliente, alguém que eu nunca tinha visto antes. Ele entrou com passos tímidos, olhando ao redor da loja com curiosidade.

Respirei fundo, sentindo uma pontada de decepção que tentei esconder. Sorri para o cliente e me aproximei para atender.

— Bom dia! Posso ajudar em algo específico? — perguntei, tentando manter o tom mais acolhedor possível.

Ele devolveu o sorriso e começou a me explicar o que procurava. Enquanto o atendia, tentei me concentrar no trabalho e parar de pensar naquele homem perfeito.

Conforme o dia passava, outros clientes começaram a entrar e sair da floricultura. Cada um com sua necessidade específica, e eu me mantive ocupado atendendo a todos com o mesmo cuidado e atenção.

Uma jovem entrou, procurando flores para um aniversário. Ela estava animada e entusiasmada, e eu a ajudei a escolher um buquê colorido e vibrante que refletia a alegria da ocasião. Em seguida, um homem mais velho veio em busca de um buquê para um velório. Ele parecia um pouco perdido e abalado, então o ajudei a escolher um arranjo sóbrio e respeitoso, com flores em tons suaves que transmitiam condolências e apoio.

Teve até uma criança, acompanhada de sua mãe, comprando crisântemos para a coleguinha de turma que estava hospitalizada.

À medida que o dia avançava, o fluxo de clientes continuava, e eu me mantive ocupado entre ajudar com pedidos, preparar arranjos e manter a loja em ordem. Cada cliente trazia sua própria história e necessidade.

O ritmo da loja era um alívio bem-vindo, me ajudando a manter a mente ocupada. No entanto, quando o movimento diminuiu, o sino tocou indicando mais um cliente. Olhei e notei que não era um cliente qualquer; era Yeonjoo.

— Bom dia, Jimin — disse ele de forma simpática.

— Oi, Yeonjoo. Bom dia. Veio comprar flores?

— Eu? Ah, vim sim. Quero um botão de rosas vermelhas, por favor.

Surpreso com a visita inesperada, fui até um vaso e cortei um único botão. Enquanto preparava o pedido, não pude deixar de me perguntar como ele tinha encontrado a floricultura.

Assim que entreguei o botão de rosas vermelhas e ele fez o pagamento, me estendeu o botão de volta.

— O que aconteceu? Não gostou desse? Posso trocar se quiser.

— Na verdade, é para você mesmo — ele disse com um sorriso, e eu retribuí com uma expressão completamente sem jeito.

— Pra mim? Obrigado...

Ele deu um passo mais próximo, e mesmo com os supressores, pude sentir seus feromônios exalando pelo ar.

— Eu estava com saudades de te ver, Jimin. Por que você sumiu?

— Ahh, eu... bem...

Nesse momento, o sino da porta tocou novamente. Ele estava na minha frente, e se afastou um pouco quando ouviu. Quando olhei por detrás dele pra cumprimentar o cliente, vi que era o Jeon.

Ele entrou, e seu olhar encontrou o meu instantaneamente. A presença dele fez o tempo parecer desacelerar por um momento, que me fez ignorar completamente o Yeonjoo ali.

— Olá, Jimin — disse, acompanhado de um sorriso.

— Oi, Jeon, bom dia — Respondi, tentando manter a calma. — Que bom te ver aqui.

Assim que olhou para mim, de forma muito simpática, sua expressão se transformou ao encarar o Yeonjoo, que percebeu e, com um sorriso sem graça, fez um gesto amigável para mim.

— Acho que já estou atrasado para um compromisso. Até depois, Jimin. — Ele se despediu apenas de mim, encarou o Jeon e saiu, deixando a loja.

Jeon olhou para o botão de rosa na minha mão e depois voltou o olhar para mim, em silêncio.

— Hoje estava tão corrido que não consegui parar para fazer seu arranjo. Mas vou fazer agora, com algumas tulipas que chegaram hoje mesmo, tudo bem? — falei.

Ele continuou me olhando com um sutil sorriso de canto, em silêncio. De repente, sem eu esperar, ele tirou o botão da minha mão, envolveu seu braço ao redor da minha cintura e nos colou ainda mais próximos.

— O que você está fazendo? — perguntei, tentando manter a calma.

— Sabe, Jimin, juro que tentei ser cauteloso, mas ver esse alfa exalando feromônios em você me mostrou o quanto estou devagar.

Ele apoiou a outra mão no meu pescoço, com seu polegar acariciando suavemente meu rosto. Seus olhos estavam fixos na minha boca, e eu podia sentir a intensidade do seu olhar no ar.

Ele inclinou a cabeça ligeiramente, e eu senti seu hálito quente na minha pele. Nossos olhares se encaravam, e o mundo ao nosso redor parecia se contrair em torno daquele instante. A distância entre nossos lábios diminuiu até que, finalmente, ele me beijou.

O beijo foi suave no começo, como uma carícia, mas logo ganhou intensidade. Seus lábios eram quentes e firmes, e a sensação de sua boca contra a minha fez meu coração acelerar loucamente. Eu sentia a ternura e a urgência do seu desejo, e, ao mesmo tempo, o toque gentil de suas mãos me fizeram sentir seguro e desejado.

Eu nunca me senti assim...

O calor do beijo foi contrastado pelo frescor das flores ao nosso redor e pela luz do sol filtrada pelas janelas, que envolvia tudo com um brilho suave e acolhedor.

Quando nos afastamos, ainda com nossos rostos próximos, olhei para ele com uma mistura de surpresa e falta de palavras. Ele pegou minha mão e a beijou, mantendo os olhos fixos nos meus.

— O cheiro daquele cara ainda está aqui... — disse ele, com uma voz carregada de desejo.

A atmosfera ao nosso redor mudou completamente, e eu percebi que o aroma que começou a dominar o ambiente era o dele. Seus feromônios se espalharam pela loja, e mesmo com os supressores, meu corpo reagiu intensamente.

— Quero meus feromônios em você, e não o de outro alfa — ele murmurou com seus lábios na minha mão, e a voz cheia de desejo enquanto me olhava fixamente.

Eu senti meu corpo pegar fogo, mais quente do que qualquer febre que eu já tenha sentido. A intensidade da sensação era esmagadora, e eu sabia exatamente que isso significava que a qualquer momento eu poderia entrar em heat.

Ele voltou a me beijar, e o calor que invadia meu corpo era quase insuportável. Cada toque dele parecia intensificar ainda mais a sensação, e eu me via lutando para manter o controle. O desejo que eu sentia era avassalador, e a razão estava ficando cada vez mais distante.

— N-não... não faz isso...

Ele começou a me guiar para um canto mais reservado da loja, longe dos olhos curiosos das pessoas do lado de fora. O brilho suave do sol, filtrado pelas janelas, criava um ambiente quase mágico entre nós.

Jeon me puxou novamente para perto, seus olhos fixos nos meus, enquanto seu toque se tornava mais suave, mas ainda assim cheio de intenção. Ele me segurou com firmeza, e sua presença, combinada com o aroma que agora dominava o ambiente, fazia com que eu me sentisse completamente à mercê dele.

— Eu quero você... — ele murmurou ofegante.

Ele aproximou seus lábios dos meus novamente, e o beijo que se seguiu foi ainda mais intenso e apaixonado.

— E-espera! — empurrei ele e estiquei os braços, mantendo ele longe.

Ele não parecia estar em rut, mas estava exalando tantos feromônios que eu estava ficando maluco. Seus olhos relaxados e sua expressão maliciosa mostrava o quanto ele queria o mesmo que eu. Mesmo que ele tivesse percebido que me deixou excitado, eu não queria fazer nada com ele, não na primeira vez em que nos beijamos. Isso só faria parecer que eu era fácil.

— A gente precisa parar aqui.

— Por quê?

— Porque sim... Vamos com calma.

Ele sorriu de canto, fazendo carinho no meu rosto e, em seguida, deu um beijo na pontinha do meu nariz. Foi a primeira vez que alguém fez isso. Eu não queria forçar a barra, muito menos parecer um ômega desesperado pra transar com o primeiro alfa que aparecesse.

Ainda me pressionando contra a parede, ele segurou minha mão, levou ao rosto dele e, então, beijou minha palma enquanto me olhava.

— Eu vou esperar o tempo que for.

O jeito que ele me olhava fazia meu peito apertar. Eu não estava acostumado a isso. A maioria dos alfas que eu conheci não pensaria duas vezes antes de aproveitar a situação, mas ele... ele parecia diferente.

Por mais que eu quisesse ceder, algo dentro de mim ainda hesitava. Respirei fundo, tentando me acalmar, enquanto sentia o calor do corpo dele tão perto do meu, junto do seu cheiro que fazia tudo em mim se acender.

— Eu te quero no seu tempo — ele sussurrou, sua voz carregada de desejo —, mas não sei se consigo garantir que vou aguentar por muito tempo.

O jeito que ele falava, com aquela mistura de sinceridade e desejo, fez algo dentro de mim estremecer. Eu sorri de leve, tentando quebrar a tensão, mesmo que meu corpo estivesse em conflito.

— Obrigado...

Ele soltou uma risada baixa, os olhos cravados nos meus.

— Sorrindo assim, você torna tudo mais difícil, sabia?

Eu disfarcei desviando o olhar que ele inistia em manter fixo nos meus olhos. Ele riu, dessa vez mais leve, e se inclinou para me dar um beijo na testa.

— Preciso ir embora antes que eu fique mais maluco por você e te devore. Posso ao menos te convidar para sair mais tarde? Te dou a garantia que vou me comportar.

Mesmo que eu estivesse com vergonha, dei risada com o símbolo de promessa que ele fez, torcendo os dedos.

— Pode ser.

— Ótimo, que horas posso te buscar?

— Umas 19h.

Ele sorriu e, antes de sair, deu um último olhar para mim, como se quisesse guardar a imagem na memória. Eu ainda sentia o calor do seu beijo e o peso da expectativa no ar.

— Até mais tarde, Jimin. — Ele se despediu com um aceno, e eu assisti enquanto ele saía, o coração ainda batendo rápido.

Após ele sair, pude finalmente respirar fundo. Coloquei a mão nos meus lábios, ainda sem acreditar nesse beijo, era como se seu gosto ainda estivesse gravado em mim... O toque dele, seu cheiro, a sensação de estar tão perto. Tudo parecia surreal.

Me joguei na cadeira, olhando para as flores enquanto um sorriso teimoso insistia em aparecer no meu rosto. O jeito que ele foi paciente, sem forçar nada... Aquilo mexeu comigo de um jeito que eu não esperava.

Fiquei ali por mais alguns minutos, tentando processar tudo que tinha acontecido. Nesse momento, a porta se abriu com o som do pequeno sino, anunciando a chegada de uma cliente. Me recompus rapidamente, tentando afastar os pensamentos sobre ele e agir normalmente. Atendi com um sorriso profissional, mesmo que meu coração ainda estivesse acelerado.

— Olá, como posso te ajudar? — perguntei.

A mulher, de meia-idade e aparência tranquila, olhou em volta por alguns segundos antes de se aproximar de um vaso de lírios.

— Esses lírios estão lindos — disse, apontando para as flores. — Vou levar esse vaso aqui.

Preparei o vaso com cuidado, colocando duas alças de transporte de maneira que não prejudicassem a planta. Cada movimento meu era meticuloso, mesmo que minha mente ainda estivesse vagando entre o que tinha acontecido e o que estava por vir.

— Pronto, aqui está — entreguei o vaso com um sorriso.

A cliente sorriu de volta, agradecendo enquanto pegava o arranjo com as mãos. Eu a observei sair pela porta, o som dos sinos soando mais uma vez, deixando o ambiente silencioso novamente. Assim que a porta se fechou, suspirei, sentindo o alívio de ter terminado o atendimento e me permiti voltar àquele turbilhão de pensamentos e sentimentos.

Me sentei atrás do balcão por um momento, deixando a cabeça repousar entre as mãos. Era difícil manter o foco quando tudo dentro de mim parecia borbulhar de expectativa.

Eu estava ridiculamente feliz.

O dia continuou com vários atendimentos, e as horas passaram mais rápido do que eu esperava. Cada cliente que entrava me tirava um pouco dos pensamentos sobre o que aconteceu, mas, no fundo, a ansiedade pra ter outro beijo dele só aumentava. Quando olhei para o relógio e vi que já estava quase na hora, fechei a loja.

Fiz tudo o mais rápido possível, mas sem deixar de lado a atenção com as plantas e com minha loja. Fechei as cortinas das janelas, tranquei a porta, virei a placa para "fechado" e me apressei para a estação de metrô. O vento da tarde batia no meu rosto enquanto eu caminhava rápido pelas ruas.

Ao chegar na estação, esperei o metrô enquanto ouvia música nos fones de ouvido, tentando organizar meus pensamentos. Estava tímido, mas ao mesmo tempo, ansioso para saber o que ele tinha planejado pra nós.

Será que ele gostou do beijo? E se, eu beijei mal?

O som do metrô se aproximando me trouxe de volta à realidade, e entrei no vagão, me acomodando enquanto olhava pela janela. A cidade passava rapidamente do lado de fora, e eu só conseguia pensar em como a noite poderia se desenrolar.

Assim que cheguei, subi as escadas até meu apartamento. Precisava de tempo para me arrumar e tentar acalmar os nervos antes que ele chegasse.

No silêncio do meu quarto, me olhei no espelho e respirei fundo. O que vestir, como agir... tudo parecia tão importante de repente. Era só um encontro, eu repetia a mim mesmo, mas a expectativa era inevitável.

Avisei o Jin que sairia novamente com o Jeon, e ele continuou com a Haru, que eu só pegaria quando voltasse.

Depois de enrolar até decidir o que vestir, escolhi algo simples, mas que me deixava confortável: uma camisa clara e calça jeans. Nada extravagante, mas que, ao menos, me fazia sentir bem.

Ainda restava algum tempo antes do horário combinado, então me sentei na beirada da cama, olhando para o teto, com os pensamentos correndo soltos. Por que eu estava tão nervoso?

Eu queria beijar ele de novo.

O Jeon chegou antes das 17h, e pela janela vi ele estacionando o carro do lado de fora. Ficou lá por alguns minutos, provavelmente esperando o horário exato.

Me apoiei na parede ao lado da janela, quase me derretendo em pensar que veria ele e o beijaria de novo. Eu realmente estava gostando dele, o que era uma baita loucura, já que somos completamente diferentes.

Respirei fundo, tentando controlar os pensamentos que corriam na minha cabeça. Tudo parecia tão rápido, mas ao mesmo tempo tão natural. Talvez a gente fosse mesmo diferente, mas, de algum jeito, aquilo parecia fazer sentido.

Depois de quase cinco minutos, ouvi o som da campainha do meu apartamento. Meu coração disparou. Dei uma última olhada no espelho, ajeitei o cabelo e respirei fundo antes de abrir a porta.

Quando finalmente abri, lá estava ele, parado no corredor, e então sorriu de um jeito bonito. Ele estava casual, mas ainda assim impecável, como se não precisasse se esforçar para ficar bonito.

— Me desculpe pelo elogio, não quero parecer indelicado, mas você está lindo.

Eu realmente não estava acostumado a receber elogios, e nem sabia como agir quando recebia um.

— Obrigado...

Ele deu um sorriso leve de canto.

— Vamos? — perguntou, com um brilho nos olhos.

— Uhum — respondi, tentando parecer mais tranquilo do que realmente estava.

Por que raios eu não disse "obrigado, você também está."? Eu sou um completo idiota.

Ao trancar a porta do apartamento, sem esperar, ele pegou minha mão e não a soltou até o carro.

— Você prefere restaurante ou algo na rua? — ele perguntou enquanto a gente entrava no carro.

— Hmm, eu posso escolher?

— Claro, deve.

Comecei a pensar nas opções. As poucas que eu conhecia em Elysium.

— Que tal a gente ir ao Parque de Dongbaekseom? Lá tem trilhas bem iluminadas e uma vista maravilhosa do mar. Podemos comprar algo e comer lá.

— Eu nunca fui, deve ser incrível.

O ar fresco e a brisa leve do lado de fora eram revigorantes. Durante o trajeto até o parque, conversamos e rimos, e ele manteve a mão na minha perna o tempo todo, como se fôssemos namorados.

Infelizmente, não somos.

Ao chegarmos ao Parque de Dongbaekseom, o sol começava a se pôr, tingindo o céu com tons de laranja e rosa. Compramos algumas guiozas e chá gelado em uma barraquinha na entrada do parque, e começamos a caminhar pelas trilhas, que estavam quase desertas, oferecendo um ambiente tranquilo e relaxante, mas muito bem iluminado e decorado.

Enquanto a gente caminhava até o mirante, ele continuava segurando minha mão. O som das ondas quebrando e o aroma das flores ao redor contribuíam para uma atmosfera perfeita, e a luz suave do entardecer envolvia tudo com uma sensação de paz.

Assim que vimos o mar, encontramos um lugar confortável no mirante e começamos a desfrutar dos lanches que compramos, enquanto o sol se punha lentamente no horizonte.

Eu queria tanto saber mais sobre ele, mas ao mesmo tempo, não queria parecer inconveniente, já que não somos namorados, ou melhor, não somos nada.

— O que você quer me perguntar? — O Jeon questionou, olhando para mim com um sorriso.

— Oi? — perguntei, surpreso.

Ele levantou a mão e fez carinho no meu rosto.

— Você está me olhando com um brilho empolgado nos olhos, e sua postura indica que quer me perguntar algo.

Olhei para a guiozas na minha mão, um pouco sem jeito.

— É que, bem... eu queria te conhecer um pouco mais.

Ele riu suavemente e, após um gole na sua lata de chá gelado, me puxou para mais perto, me envolvendo com seu braço forte.

— Então pergunte o que quiser.

Senti uma onda de alívio por ele não parecer incomodado. Pensei por um momento, tentando escolher uma pergunta que fosse pessoal, mas não invasiva.

— Bem, o que te trouxe para Elysium? E por quanto tempo você vai ficar?

Ele olhou para o horizonte, como se estivesse revivendo suas memórias ou pensando nas palavras.

— Surgiu um trabalho para fazer, e bem, aqui estou.

— Algum evento? — perguntei.

— É... isso mesmo — ele deu uma pausa antes de continuar. — E quanto tempo vou ficar ainda é uma incerteza, infelizmente.

— Ah, certo.

Que droga. Com tantos caras legais aqui, por que eu fui me apegar a um que, além de rico, nem mora aqui?!

— E você? O que te fez escolher essa cidade? — ele perguntou, e eu parei para pensar antes de responder. Sabia que não podia revelar a verdade, que havia escolhido uma cidade grande para passar despercebido pela pior organização que existe no mundo.

— Eu sempre gostei de flores e de trabalhar com elas. Elysium é uma cidade grande e vibrante, então imaginei que poderia me trazer muitas oportunidades nesse ramo — menti, tentando manter a voz firme.

Ele me olhava atentamente, parecendo satisfeito com a minha resposta. Após uma pausa de alguns segundos contemplando o mar, ele continuou.

— Digamos que, no meu trabalho, eu acabo lidando com muitos ômegas, o que me fez desenvolver uma resistência considerável a feromônios. Dificilmente sou afetado por eles, mas com você... foi completamente diferente. É algo que nunca senti antes.

Aquilo me pegou de surpresa. Era óbvio que ele já suspeitava que eu era um ômega, mas, por um instante, realmente acreditei que ele pudesse achar que eu era apenas um beta. A ideia de ele começar a juntar as peças me deixava apreensivo, como se uma sombra estivesse se aproximando e eu não soubesse como evitar ser visto por ele como uma aberração.

— Deve ser só impressão, sou só mais alguém qualquer... — respondi, tentando desviar a conversa e esconder o nervosismo na minha voz.

— Não seja modesto, você é incrível, e sabe disso.

Olhei disfarçadamente para o seu rosto, que continuava observando o céu com aqueles olhos grandes e intensos. Me perguntei se ele já suspeitava que eu era um Aether. Talvez ele não soubesse exatamente o que eu era, mas parecia sentir que havia algo diferente.

Eu tentei afastar esses pensamentos, mas a insegurança me consumia. Tentei também manter a calma e não deixar que minhas preocupações transparecessem.

— Você está bem? — ele perguntou, se inclinando levemente na minha direção.

— Uhum, estou — respondi, forçando um sorriso, embora por dentro eu estivesse longe de me sentir tranquilo.

Ele não parecia convencido, mas não insistiu. Apenas apertou minha mão de novo, como se quisesse me tranquilizar, e eu me senti um pouco melhor com o gesto. Era reconfortante estar ao lado dele, mesmo com tantos pensamentos passando pela minha cabeça.

Eu sabia que, eventualmente, teria que lidar com essa questão. Mas naquele momento, decidi focar apenas em estar com ele, aproveitar o pouco tempo que tínhamos juntos sem pensar no que poderia acontecer se ele descobrisse a verdade.

Continuamos comendo e bebendo, enquanto a gente apreciava a vista. A noite estava tranquila, e a brisa vinda do mar trazia uma sensação boa de frescor. A iluminação suave da orla refletia nas águas escuras, e a faixa de areia parecia brilhar sob a luz dos postes.

— A vista daqui é incrível — ele comentou, quebrando o silêncio enquanto olhava para o horizonte.

Eu concordei, sorrindo.

— Sim, realmente é.

Ele olhou para mim de lado, com o piercing se destacando entre seu sorriso sútil. A noite estava perfeita, sem pressa, apenas nós dois, aproveitando a presença um do outro.

— Já que você me fez uma pergunta, quero te fazer uma também — ele falou.

Aqui, senti um arrepio no estômago percorrer todo o meu corpo. Será que ele vai perguntar se sou um Aether? Afinal, todo ômega tem chance de ser, mas não são todos que são.

— Qual seria?

— Por que você toma supressores?

Eu olhei na sua direção meio sem jeito com a pergunta, e enquanto tentava raciocinar entre como ele soube e pensar em uma resposta, comecei a gaguejar.

— Ahh, isso... é que, bem... como você sabe? — Fiquei tão nervoso que mal conseguia formular minha pergunta.

Ele desviou o olhar por um segundo antes de voltar a me encarar, sério, mas sem qualquer sinal de julgamento.

— Eu sou um alfa, Jimin. Eu consigo sentir o cheiro das medicações junto aos seus feromônios.

Minhas mãos começaram a suar enquanto eu tentava encontrar as palavras certas, mas nada parecia suficiente para explicar.

— Não precisa se preocupar — ele continuou, suavizando o tom. — Eu só queria saber o porquê, mas se não quiser falar sobre isso, tudo bem.

— Bem... eu tomo porque não quero ter ciclos de cio e entrar em heat em situações indesejáveis. Na verdade, não queria nem ser um ômega...

Minha voz saiu baixa, mas clara o suficiente para ele entender. Eu evitava olhar diretamente em seus olhos, sentindo uma mistura de vergonha e nervosismo. Ele permaneceu em silêncio por alguns segundos, absorvendo minhas palavras, e eu já estava preparado para qualquer tipo de reação.

— Não diga isso, você é perfeito do jeito que é. E digo mais, você já é grande pra saber o mal que supressores fazem, então espero que você deixe de fazer uso deles.

Aquelas palavras me tocaram profundamente. Eu abaixei o olhar e dei um sorriso meio bobo com o elogio, sentindo a mistura de carinho e preocupação nas palavras dele. Era difícil lidar com essa intensidade, e eu não sabia como responder.

Ele estendeu a mão e segurou a minha com firmeza, sem desviar o olhar. O toque era quente, e eu senti meu coração acelerar. Quando ele começou a beijar minha mão devagar, um arrepio percorreu meu corpo, e eu me perdi na sensação de sua presença.

— Eu tô com tanta vontade de te beijar, será que isso não serve pra você entender o quanto é perfeito? — ele disse, com os olhos semicerrados, me encarando intensamente.

Eu senti um frio na barriga com a proximidade dele e a intensidade no olhar. Aquelas palavras ecoaram na minha mente, e o calor do momento parecia aumentar.

— Então... o que tá esperando? — sussurrei, mantendo meu olhar nos seus olhos.

Ele sorriu lentamente, como se estivesse satisfeito com minha resposta. A expectativa pairava no ar enquanto seus olhos se fecharam por um momento, e então, sem hesitar, ele se inclinou pra me beijar. O toque dos seus lábios foi suave e gentil, misturado com a sensação de sua respiração quente contra minha pele.

O beijo foi um misto de carinho e desejo, e eu me perdi naquele momento, sentindo meu coração acelerado.

Enquanto nossos lábios se moviam, senti as mãos dele se entrelaçarem no meu cabelo, me puxando para mais perto, como se não quisesse que aquele momento acabasse. Ele mordia meus lábios de leve e, entre um beijo e outro, me olhava com uma intensidade que parecia atravessar todas as minhas barreiras, me deixando completamente sem fôlego.

Um calor tomou conta do meu corpo, e a mistura de emoção e adrenalina foi suficiente para apagar qualquer preocupação ou medo que eu pudesse ter. Naquele instante, parecia que o mundo ao redor desaparecia, e tudo o que importava era a conexão que havia entre nós, um refúgio onde não existiam regras ou expectativas, apenas o presente.

As ondas continuavam quebrando na praia, mas o som delas era agora só um sussurro distante, quase irrelevante diante do que eu estava sentindo. Tudo o que eu queria era que aquele momento não acabasse, me perdendo completamente nesse sentimento que parecia surgir do nada, com alguém que, até pouco tempo, era um completo estranho.

Quando, enfim, nos afastamos, ele me olhou com um sorriso satisfeito, como se soubesse exatamente o que havia feito.

— Você é melhor do que eu imaginei — ele murmurou, ainda perto, com o mesmo sorriso provocante nos lábios, o olhar intenso fazendo meu coração acelerar ainda mais.

Ri baixinho, tentando recuperar o fôlego e entender o que estava acontecendo. Aquele gesto simples tinha me deixado totalmente desnorteado, como se, por um instante, eu estivesse flutuando entre a realidade e algum sonho bom.

Ainda sentia o gosto dos lábios dele nos meus.

Ele continuou me olhando, com aquele sorriso satisfeito, e eu me perguntei se ele conseguia perceber o efeito que tinha sobre mim. Era como se, naquele momento, tudo que eu sabia ou temia não importasse. Só existia aquele instante, a presença dele, e a sensação de que nada seria como antes depois disso.

Já era tarde quando saímos da pedra do mirante, quase 1h da manhã. A noite tinha sido incrível, cheia de momentos que eu sabia que ficariam na memória, mas estava na hora de voltar.

Enquanto caminhávamos até o carro, a brisa da noite ainda carregava um pouco da magia do tempo que passamos juntos. Ele abriu a porta pra mim, e eu entrei, sentindo o conforto do assento.

No caminho de volta, o silêncio entre a gente não era incômodo; pelo contrário, era tranquilo, como se não precisássemos de palavras naquele momento. O som suave do carro e as luzes passando pelas ruas completavam o cenário. Sua mão ainda estava pousada na minha perna, e ele acariciava de leve, de um jeito que me fazia sentir que, mesmo em silêncio, ainda estávamos conectados.

Quando finalmente chegamos ao meu prédio, ele parou o carro e desceu comigo, me acompanhando até a entrada.

— Bem, chegamos — ele disse, a voz baixa, como se também estivesse hesitando em encerrar a noite.

— Sim... obrigado pela noite, foi incrível. Até amanhã, Jeon...

Antes mesmo de eu terminar a frase, ele já tinha apoiado as mãos no meu pescoço e me puxado pra outro beijo, intenso, cheio daquela mesma urgência que me fazia esquecer o mundo. A sensação dos lábios dele contra os meus, misturada com o cheiro dos seus feromônios, estava me deixando maluco.

Ele deslizou as mãos ao redor da minha cintura, me puxando mais para perto, de uma forma que era ao mesmo tempo carinhosa e provocante. Meu corpo respondia imediatamente, o desejo começando a crescer, quase como uma febre que eu sabia onde poderia levar. Já estava ficando difícil negar o óbvio; eu estava à beira de entrar em heat por causa dele.

— Posso subir com você? — ele sussurrou no meu ouvido, e em seguida mordeu de leve minha orelha, me fazendo perder qualquer resquício de racionalidade.

Eu sabia que deveria recusar, que deveria me afastar. Mas, naquele momento, meu corpo praticamente implorava pra ceder. E eu cedi.

Assim que subimos as escadas apressados, ele me puxou de volta, nossos lábios se encontrando em um beijo urgente. Eu tentava com esforço encontrar a chave do meu apartamento, entre beijos que vinham e iam, cada um mais intenso que o outro. Finalmente, consegui destrancar a porta, e entramos, sem soltar um ao outro nem por um segundo.

Assim que fechei a porta atrás de nós, Jeon me puxou para mais perto, nossos corpos colidindo com uma intensidade que parecia impossível de conter.

Ele começou a explorar meu corpo com as mãos, percorrendo cada linha e curva enquanto eu me perdia no toque dele, no calor que irradiava da pele dele para a minha. Era quase inebriante: o cheiro dos feromônios dele, misturado ao aroma suave das flores no apartamento, criava uma atmosfera tão viciante quanto confortável.

— Que cheiro gostoso, porra... — ele murmurou, sua voz baixa e carregada, me deixando ainda mais entregue àquele momento.

Nosso beijo continuava enquanto íamos tropeçando até a cama, até que, assim que deitamos, uma onda de lucidez me atingiu, e eu recuei, apoiando as mãos nos ombros dele, tentando criar algum espaço entre nós.
Ele parou, me olhando com aquela expressão de quem quer entender, mas respeita os limites.

— O que foi? Te machuquei? — ele perguntou.

Eu desviei o olhar, sentindo meu rosto esquentar.

— Eu... acho melhor a gente parar — murmurei, sem conseguir esconder o tom de vergonha.

Ele sorriu de um jeito que me pegou de surpresa, ainda ofegante, e passou a mão de leve no meu rosto, com aquele toque que transmitia calma e compreensão.

— Tudo bem, ok? — respondeu.

Era a segunda vez que eu jogava um balde de água fria nele, e, mais uma vez, ele demonstrava uma paciência que eu não esperava. Não precisei explicar nada, e, mesmo assim, ele parecia entender cada parte do que eu não conseguia colocar em palavras. Respirei fundo, juntando coragem.

— Eu... nunca fiz isso antes. Nunca transei com ninguém — confessei, a voz saindo mais baixa do que eu gostaria. — Me desculpe.

Ele ficou em silêncio por um instante, me observando com um olhar suave que parecia entender tudo sem eu precisar dizer mais nada.

— Não tem que se desculpar por isso, nem por nada. Vamos dar esse passo quando você estiver pronto, e se você quiser.

Ele me puxou para um abraço acolhedor, e eu pude sentir seu coração batendo tão acelerado quanto o meu, quase em perfeita sincronia. Como alguém podia ser tão gentil e compreensível? Ele parecia irreal.

— Jungkook... — ele sussurrou, quebrando o silêncio.

— Perdão? — perguntei, confuso.

— Jeon Jungkook, esse é o meu nome. Sei que você queria me perguntar. — Ele sorriu suavemente, com os olhos brilhando de ternura.

— Jeon Jungkook — repeti, experimentando o nome nos meus lábios. — Que nome bonito.

Ele riu baixinho, como se o elogio fosse algo simples, mas vi uma leve vermelhidão em suas bochechas.

— Por que eu? — perguntei.

Ele franziu a testa.

— Como assim?

— Bem, você está em Elysium, a maior potência do mundo. Tem tantos ômegas bonitos e legais aqui...

Ele ficou em silêncio, com seus olhos estudando meu rosto com uma intensidade que fez meu coração acelerar.

— Porque nenhum deles é você, Jimin.

Senti meu rosto queimar e meu coração apertar no peito.

— Eu… não sei o que dizer. Acho que não me vejo dessa forma...

Ele inclinou a cabeça, me observando com uma mistura de ternura e firmeza.

— Faço questão de te lembrar o quanto você é incrível.

Ele se aproximou mais e me beijou novamente, mas dessa vez foi diferente. Seus lábios se moviam contra os meus de maneira delicada e lenta, como se quisesse prolongar cada segundo.

Entre os beijos, seu sorriso surgia nas pausas, iluminando seu rosto de um jeito que me deixava sem palavras. A cada pequeno sorriso que ele soltava, meu coração acelerava um pouco mais, enquanto suas mãos exploravam meu rosto com um toque suave e protetor.

Esse momento bom foi interrompido pelo toque insistente do celular dele. Na primeira vez, ele ignorou e continuou me beijando, mas a pessoa não desistiu. Ele conferiu quem era e me olhou com um misto de arrependimento e preocupação.

— Desculpe, preciso atender.

Com um suspiro, ele fechou o botão da calça, que já estava aberto, e foi para o corredor atender a ligação. Fiquei ali, esperando e tentando adivinhar quem poderia ser, já que era quase 2h da manhã.

Enquanto eu criava suposições na minha cabeça, imaginando se seria algum amigo em apuros ou um problema qualquer, ele voltou, com a expressão mais séria.

— Eu sinto muito, mas preciso ir embora para ajudar um amigo que chegou agora em Elysium e está no aeroporto.

— Ah, claro, tudo bem — respondi com um sorriso forçado. Eu havia imaginado que ele ficaria mais tempo, talvez até dormisse comigo, e agora tudo isso parecia tão distante.

Ele se aproximou e passou a mão pelo meu cabelo enquanto me observava de perto, seus olhos transmitindo uma sinceridade que me acalmava.

— Prometo que vou compensar isso depois, ok? Me desculpe.

— Uhum, tá tudo bem, vai lá — respondi, tentando soar mais confiante do que realmente me sentia.

Eu queria acreditar que ele realmente compensaria. Queria crer que não era apenas mais uma pessoa me deixando, assim como todos me deixaram. Essa insegurança me perseguia, e cada despedida me fazia questionar se eu conseguiria lidar com mais uma.

Acompanhei ele até a porta, me apoiando nela e absorvendo cada detalhe do momento, desde o jeito como ele ajeitava os cabelos até a forma como seu sorriso iluminava o ambiente. Era como se quisesse guardar essa imagem para sempre.

— Vou te ver amanhã? — perguntei, com a voz mais baixa do que eu pretendia, quase como se temesse a resposta.

— Não tenha dúvidas.

Ele sorriu de volta e me deu um selinho, seguido daquele sorriso que fazia meu coração bater mais forte. Então, ele saiu, e a porta se fechou atrás dele, deixando um vazio no apartamento que antes estava preenchido pela sua presença.

Fechei a porta devagar, sentindo o peso da solidão voltar a se instalar. Me joguei na cama de braços abertos, olhando para o teto, ainda sem acreditar no que quase aconteceu entre nós. Meu lençol ainda estava impregnado do cheiro dele, e eu queria sentir aquele aroma a cada instante.

Enquanto absorvia o perfume como um bobo apaixonado, a realidade me atingiu como um balde de água fria. Eu sabia que tinha me envolvido demais, rápido demais... eu não era o tipo de pessoa para ele, mas, por que ele também dificultava as coisas? Essa incerteza me deixava inquieto.

Cada detalhe passava pela minha mente repetidamente: o jeito que ele me olhava, como se estivesse me vendo de verdade; o toque suave das suas mãos pelo meu corpo, me fazendo sentir uma mistura de conforto e desejo. Mas ao mesmo tempo, uma vozinha insistente me lembrava das minhas inseguranças, da ideia de que tudo aquilo poderia ser apenas um sonho passageiro.

Levantei e fui até a janela, observando a cidade lá fora. As luzes piscavam ao longe, e a cidade seguia silenciosa naquela hora avançada. Mas para mim, tudo estava diferente, mais vibrante e cheio de possibilidades.

Meus pensamentos voltavam para a maneira como ele reagiu ao ver o Yeonjoo. O ciúme em seus olhos, a tensão em seu corpo... Será que ele realmente sentia algo por mim? Ou seria apenas o calor do momento? Eu queria acreditar que era mais do que isso, que ele realmente se importava, mas a dúvida persistia como uma sombra.

A única coisa que me restava era esperar. Esperar por uma ligação, uma mensagem, qualquer coisa que me dissesse que ele também sentia o mesmo. Eu só esperava não me decepcionar mais uma vez, não queria mais uma decepção para carregar.

Tomei um banho revigorante, a água morna escorrendo pelo meu corpo enquanto eu tentava afastar as incertezas da mente.

Assim que voltei para a cama, me joguei sobre os lençóis, o cheiro dele ainda impregnado nas fibras. O cansaço me tomou rapidamente, e adormeci em questão de minutos, envolto em pensamentos sobre o que poderia acontecer daqui pra frente.
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🪻

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Oi, leitor.
E o beijo dos pombinhos rolouuu! VENCEMO!
Mas, como nós sabemos, eles são inimigos, o que a vida está reservando para esses dois?
Obrigada por sua presença e apoio até aqui.

Te vejo no próximo capítulo!

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