29: Uma Onda de Amor

Notas Iniciais

Boa noite, príncip💜s e coelhinh💜s! Como vocês estão? 

Eu senti muitas saudades!!!! 🥺🥺🥺

Queria me desculpar pela demora, aconteceram alguns fatores que me trouxeram a esses dois meses tentando escrever essa pequena história, o primeiro é sobre esse mesmo capítulo, pois eu escrevi e apaguei algumas cenas várias vezes, vocês vão entender quando chegarem em alguns momentos 🫣, outro motivo é porque o escritório que eu trabalho, mudou de onde estávamos, e como adm, tive que fazer todos os trâmites e manter a equipe e minha demandas organizadas para que tudo ocorresse bem! Agora que já passou eu consigo respirar! 😅

Apesar de tudo, eu sentei e escrevi cada detalhe com todo o carinho e capricho, finalizando comigo amando esse capítulo hihi e quero aproveitar para agradecer a tod💜s que estão aqui comigo, pelo seu apoio e carinho! Eu reencontrei alguns perfis e tentei demonstrar a minha maneira o quanto sou agradecida e valorizo tudo o que "Achei um Híbrido" conquistou graças a vocês! Obrigada de coração! 🥺💜

Essa pequena autora não anda tão sumida assim 😅, no insta tem vários posts sobre minhas pequenas histórias, então se você quiser me acompanhar lá, meu arromba é autora_missminie_ 💜

Sem mais delongas, peguem suas garrafinhas de água, seus lencinhos, suas cadeiras! Desejo uma boa leitura! 💜

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"Onde quer que você vá, é para lá que eu vou

Ninguém tem o amanhã garantido

Então vou te amar toda a noite como se fosse a última noite

Como se fosse a última noite."

Die With a Smile - Lady Gaga feat. Bruno Mars

[🏙️]

O grupo de amigos permanecia em completo silêncio no escritório particular de Taehyung. Enfileirados atrás da cadeira giratória presidencial, analisavam o documento enviado pela prefeitura buscando por alguma brecha que os ajudasse a impedir que os humanos pudessem sequer tentar recuperar a tutela dos híbridos resgatados. No sofá de couro do cômodo, Jimin acompanhava os ouvindo atentamente, enquanto, se mantinha quieto apoiando a cabeça do namorado em seu ombro, acariciando seus cabelos e zelando pelo seu sono intranquilo, estimulado após o remédio forte ser absorvido. Yoongi não conseguiu esconder dos amigos um de seus ataques de ansiedade, causado pela bagunça de sentimentos que o dominaram com as chances do pequeno bebê pantera ser levado para longe de si, depois de todo o processo de recuperação e dores que ele passou, para enfim, poder viver como um bebê merecia e precisava. O felino tinha as orelhas triangulares e peludinhas baixas, também sabia que ele iria questionar sua força emocional novamente na privacidade dos dois, mas naquele momento, estava preocupado somente em deixá-lo confortável.

— Já analisei mais de três vezes esse documento, as coisas ficaram um pouco complicadas agora. — Namjoon suspirou de forma pesada, entrelaçando a cauda castanha avermelhada e de manchinhas pretas, na estrutura idêntica do marido, buscando o conforto através de sua conexão de parceria de vida.

— Uma das partes boas é que não podem fazer muito mais que isso, estamos com um processo em andamento e as provas foram aceitas. Os híbridos não serão retirados das ongs com a facilidade que eles pensam. — Hoseok sentou-se e massageou as têmporas ao concluir seu comentário, com o cabelo negro e espatifado demonstrando que ele havia puxado os fios em descontentamento antes de estar ali.

— A parte ruim é que as pessoas que fizeram a solicitação na prefeitura, são empresários ricos que movimentam a renda do país e tem influência pública. — Seokjin colocou um maço de papel grampeado na mesa em suas frentes, onde concentrou suas pesquisas sobre os solicitantes.

— É óbvio que eles iriam atacar logo com o lado mais forte. — Jimin rosnou, virando as orelhas alaranjadas para trás, enraivecido. Gostaria de fazer justiça pelo seu povo com suas próprias garras.

— Os esquadrões já não sabem o que fazer, outro híbrido que estavam rastreando, desapareceu. Neste momento buscam por dois e conseguiram encontrar e resgatar três dos cinco que foram levados da ong. — Taehyung afirmou, terminando de ler o último e-mail de Hyojong.

— Não podemos esperar muito mais, eles estão em perigo. O delegado Park entrou em contato com alguma notícia? — O advogado perguntou baixo, mantendo os olhos na tela do notebook e os dedos percorrendo o teclado de forma ligeira.

— Não... ainda não. — Taehyung suspirou frustrado descansando as costas na cadeira. Percebia cada dia mais que aquela investigação iria ser longa demais para que ficassem parados de mãos atadas. Mas ainda não sabia como se envolver sem escandalizar o nome da Kim Imperial e correr o risco de piorar a situação.

Jeongguk permanecia em silêncio, encarando vagamente as mãos apoiadas no colo e pensando longe, em todo o mal que aquela perseguição causava, não somente para seu povo. Pensava em Yoongi que se esforçava para invalidar as cartas de adoção e registrava os filhotes para que não pudessem ser retirados da ong e de seus pais biológicos. Em Jimin que mantinha tudo organizado para que não lhes faltasse nada para comer e para se recuperar. Nos esquadrões que mantinham a segurança do lado de fora e resgatavam seus semelhantes sem parar para descansar, agindo rapidamente evitando assistir a forma que os humanos acreditavam que mereciam ser tratados: como mercadorias descartáveis incapazes de serem tratados com humanidade. Também pensava em Baekhyun, o seu guardião desde que se lembrava, um irmão. Por mensagens conversavam sobre tudo o que se lembravam juntos e depois, das diferentes formas que foram salvos e começaram a salvar seus semelhantes igualmente. Não estavam conseguindo ver um ao outro pessoalmente, porém mesmo as palavras digitadas eram calorosas.

De repente, arregalou os olhos. Sua mente recordando da última conversa que tiveram e das informações que ele lhe contou sobre como a ong funcionava. Sua inquietude chamou a atenção do príncipe já o observando, preocupado com seu silêncio.

— Está tudo bem, Ggukie?

— Apenas lembrei de algo que conversei com o Baek hyung! — O garoto coelho se ajeitou na cadeira posta ao lado do mais velho. — Ele me contou que cada híbrido é registrado na ong após eles emitirem um relatório detalhando exatamente o que viram e o que foi feito, com imagens e as provas que conseguiram reunir durante o resgate, é isso mesmo?

— Sim, é isso mesmo, amor! — Um sorriso pequeno surgiu espontaneamente nos lábios de Ggukie, imaginando que o príncipe não deu atenção realmente ao título que lhe deu na frente de todos os hyungs. — Eu recebo esses relatórios do Hyojong mensalmente. — Tae concordou, verdadeiramente interessado. — Por que? O que está pensando? — esperou a resposta com uma fagulha de esperança.

— Não poderíamos usá-los para impedir que os tutores consigam recuperar os híbridos? Afinal, se há provas de maus tratos, não tem chances da prefeitura aceitar com o processo ainda ativo! — Um agonizante silêncio se instalou entre os amigos, ambos de olhos arregalados assimilando sua estratégia. Os olhos negros passaram a suplicar por uma resposta positiva, passeando de um homem a outro ali presente.

— É realmente uma boa ideia, Ggukie! — O Jung se levantou de supetão, apoiando a mão no queixo pensativo. — Podemos fazer uma sugestão legislativa e se a maioria dos votos optarem, cancelam essa lei! — O sorriso em formato de coração se alargou, aquecendo o peito do homem coelho.

— Realmente! Até por isso... Ggukie? — Namjoon se pronunciou em seguida, atraindo um olhar confuso do mais novo. — Eu te devo desculpas. Subestimei você e achei que estaria em perigo, mas agora, eu conto contigo para fazer tudo o que achar necessário pelo nosso povo! — O sorriso de presas afiadas surgiu, contagiando o coelho, que não escondeu os movimentos elétricos e felizes de suas orelhas felpudas e cauda pomposa. — A ideia é boa e nos dá vantagem por ser um ataque pequeno e discreto. Usaremos toda a nossa força depois no xeque mate! — Todos se animaram. — Mas não são documentos oficiais, nós precisamos dar um jeito nisso. — Namjoon franziu as sobrancelhas.

— Tem a assinatura do Tae, o certificado digital está vinculado ao CNPJ da Kim Imperial, já ajuda, é um peso contra os outros empresários. — Seokjin destacou.

— Mesmo com essa bagunça com o nome da empresa? — O Kim perguntou. Outra vez desanimado.

— Acredito que ainda sim... só precisamos validar os documentos na prefeitura como se fossem laudos mesmo, com os resultados dos exames e tudo o que conseguirmos enviar junto.

— O Junseo e o Jihoon hyungs podem ajudar, não podem? — Ggukie recebeu largos sorrisos em resposta.

— Podem sim, amor! — Taehyung esticou a coluna na pose séria de empresário que o deixava irresistivelmente bonito na visão do híbrido apaixonado, procurando por algo em seu computador. — Jiminie, se lembra de quando contratamos eles?

— Sim. Haviam acabado de chegar do exterior.

— Isso mesmo! E também nos disseram que estavam registrando seus títulos, os diplomas e as cartas no Ministério da Educação e Cultura, e que já estavam inscritos no Conselho Regional de Medicina para atuarem em Seul. Se eles já conseguiram, então os CRMs têm força para reconhecer os laudos na prefeitura!

— Se eles justificarem os relatórios, conseguimos acender a ponta do pavio dessa bomba e acabar com a alegria daqueles nojentos! — O Park miou contente, abaixando as orelhas repreendendo a si próprio pela agitação momentânea, quando por pouco não acordou o namorado.

— Certo! Irei falar com os doutores Kim e estudar detalhadamente como podemos fazer esse processo o mais rápido possível! A proposta de sugestão ainda está de pé, não é, Hoseok? — Seokjin fez algumas anotações com a caneta touch em seu ipad, erguendo o rosto procurando pelo do advogado.

— Já comecei a escrever o documento, hyung! — Ambos trocaram rápidos sorrisos, voltando às suas atividades.

— Precisamos ser extremamente organizados, com os últimos resgates após a fatalidade que levou a nova ninhada de híbridos, os doutores estão sem tempo, ainda mais cuidadosos pelos tutores batendo a todo momento nos portões!

— E-Eu posso ajudar, primo...

As orelhas de Jeongguk caíram ao redor de seu rosto, ele nunca foi insistente. Lembrava-se que sua mãe coelho e avó sempre explicaram certas informações, apenas uma vez, porém, seu coração arrebentava no peito, ansioso e implorando por uma nova chance de voltar e cuidar de seus semelhantes, como havia aprendido com os híbridos de onça pintada.

Sem que percebesse, o príncipe imitou seu gesto em direção a Namjoon e Seokjin apoiou uma mão no ombro dele o chamando com o olhar, causando seu longo suspiro após alguns segundos de conversa silenciosa.

— Bom, se tomarmos cuidado... — respondeu ele, por fim.

— Obrigado, primo!

— Não é nada. Eu confio em você. — Ele lançou uma piscadinha que derreteu Jeongguk dos pés às orelhinhas de coelho, devido a mistura boa de sentimentos com a resposta positiva.

Namjoon hyung confiava nele. Então não iria decepcioná-lo.*

— Estamos alinhados. No final da semana nos reuniremos outra vez para verificar o status da estratégia.

— Ok, hyung! — Todos responderam em conjunto.

— Já está na hora do almoço, convido todos vocês, assim podemos iniciar o trabalho daqui mesmo! — Tae foi contagiado pelos sorrisos largos daqueles que adoravam a comida preparada por sua segunda mãe, como ele próprio.

— Certo!

Assim, o grupo se dispersou pelo escritório ocupando uma segunda mesa e o restante do sofá, trabalhando nas questões que levantaram e organizando os passos a seguir pelos próximos dias.

— Eu falei que o meu homem iria voltar a cuidar do nosso povo, não falei? — Tae sussurrou assim que ficaram somente ele e sua paixão à mesa presidencial, com um sorriso quadrado e bonito.

— Falou. Obrigado, hyung. — Com as orelhas dançantes, ele retribuiu com um sorriso grande.

— Eu não fiz nada, você fez sozinho. Meu homem é extraordinário!

Sorrindo envergonhado e sem palavras para o elogio tão bonito quanto o homem que o deu, o coelhinho empurrou seu ombro com o próprio devido a proximidade, arrancando uma risadinha dele.

— Por qual parte iremos começar então, príncipe? — Mudou de assunto, prestando atenção na tela acesa em sua frente.

— Vou te mostrar como os relatórios funcionam e o Hoseok hyung vai indicar o que ele precisa para anexar na proposta.

— Certo!

Taehyung abriu as pastas arquivadas com os relatórios, no entanto, antes de exibir o primeiro documento, chamou a atenção do homem coelho com um aperto suave e quente em sua mão.

— Ggukie, aqui tem relatórios de todos os híbridos, incluindo o seu e do seu amigo híbrido de urso malaio... — Tae estava preocupado com as sensações que poderiam invadir o mais jovem. Se em sua vez, ler tudo aquilo que havia tirado noites de sono quando precisava validar no sistema da ONG, já o machucava, não queria sequer pensar que poderiam deixar o anjo desesperado e magoado. — Sei que é forte. Qualquer coisa pode me dizer, tudo bem?

— Tudo bem, hyung. — Jeongguk mostrou-se forte como realmente voltou a ser, devolvendo o carinho na mão dele. Sorriram um para o outro transmitindo conforto, em seguida, Taehyung clicou no primeiro item da pasta.

No entanto, ele foi atraído pelos feromônios de repente fortes do gato laranja, que traziam sua preocupação para fora do corpo. Pedindo um momento ao mais velho se levantou, adiando a análise dos relatórios e as provas neles reunidas para enviar ao advogado, atravessando a sala até o gatuno. Esse último estava quieto com um bico nos lábios e olhar perdido pelo cômodo, enrolado ao seu hyung quase gatinho ainda dormindo profundamente. Não havia percebido seu cheiro solto em abundância no ar.

— Está tudo bem, hyung? — Chamou sua atenção, e o assistiu chacoalhar a cabeça suavemente.

— Sim, Ggukie. — Um sorriso pequeno se abriu ao encontrar seu olhar. — só estou ansioso com a questão do tempo.

— Por que?

— São muitas ongs, será que vamos conseguir?

— Vamos! Não se preocupe, hyung! — Ggukie o encorajou, se inclinando para esfregar suas bochechas carinhosamente, como havia sido ensinado por ele desde o começo. — Descanse um pouquinho também hyung, nós iremos te chamar assim que o almoço estiver pronto.

— Certo. Obrigado, Ggukie.

O homem coelho assentiu com um sorriso e se afastou observando seu hyung aninhando o corpo contra o do humano. Fechou os olhos e com um suspiro longo, se colocou a descansar, enrolando a cauda na cintura dele para que pudesse continuar protegendo-o em seus braços.

Determinado, Jeongguk voltou para sua cadeira, ajudando o príncipe com os relatórios e os anexos que comprovavam os maus tratos e poderiam ser pontos chaves para a recusa daquela lei aprovada pela prefeitura anteriormente. Apesar da dor em seu coração pelas linhas lidas e tudo o que seus semelhantes foram obrigados a passar, estava esperançoso com a possibilidade de conseguirem uma brecha contra as cartas de adoção e extingui-las definitivamente.

Os amigos não perceberam todo o tempo que ficaram apegados àqueles documentos e alinhando tudo conforme as instruções de Hoseok para serem levados à prefeitura. Mas com o aroma da refeição invadindo a casa, sentiram os primeiros sinais da fome, indicando que toda a manhã já havia se passado.

— Tenho uma novidade! — Hoseok se ajeitou na cadeira, descansando o celular recém desligado na mesa. Portava um sorriso pequeno no rosto. — O Juiz ainda não pode liberar o caso, mas por unanimidade a questão da liberação dos tratamentos psicológicos e procedimentos para libertar os híbridos de ter um filhote indesejado, serão abertos para as inscrições dos pacientes nas ongs pelo próximos dias.

— Isso é ótimo! — Namjoon comemorou. — Mas também vamos pedir para os esquadrões acompanharem todo o processo. Não podemos arriscar a segurança deles quando saírem da ong para realizar os procedimentos.

Ainda com igual preocupação, Jeongguk abriu um largo sorriso, sabia que aquela decisão ajudaria muitos híbridos sendo cuidados nas alas hospitalares, esses em condições de desgaste mental extremo com o que carregavam além da recuperação delicada.

— Perfeitamente. Assim que sair a documentação eu já iniciarei os cadastros. Posso contar com você para me ajudar, Ggukie? — Seokjin perguntou encontrando seus olhares, abrindo um sorriso de incentivo.

O garoto coelho arregalou os olhos. O primo felino estava lhe pedindo ajuda e aquilo palpitou em seu coração. Assentiu veemente, pois faria de tudo para ajudar seus semelhantes enquanto não enfrentavam de uma vez por todas as tentativas de dominação dos humanos tão crueis.

Quando cansados o suficiente para aquele domingo, muito após o almoço caprichado e mal percebendo o sol se esconder, o grupo se despediu e restou somente Jeongguk e Taehyung, de banhos tomados e preguiçosamente deitados na cama, precisando descansar.

Ao amanhecer, não perderam tempo em ir diretamente para a ong dar continuidade em suas atividades, sem ceder mesmo à agitação pelos corredores e aos humanos protestando a todo custo por aquela nova lei que iriam lutar para derrubar.

[🌇]

Alguns dias depois, ainda naquela semana, Hoseok estava em seu escritório no prédio da Kim Imperial. Havia gasto toda a sua manhã agindo em nome da empresa, respondendo aos processos recebidos pela atual situação que passavam, e, juntamente das habituais atividades, esperava atualizações do juiz e do delegado do caso. Sincronizou a caixa de e-mails outra vez, soltando o ar aborrecido quando continuou sem nenhuma novidade pela plataforma. Em seguida, franziu as sobrancelhas em um gesto incomodado com a pontada de dor na cabeça, martelando todo o seu conhecimento para conseguir uma exceção com ambos, e qualquer movimento mostrando que o processo da ong ainda estava ativo, iria assustar aquelas pessoas que achavam estar ganhando perseguindo os híbridos.

Desanimado, voltou na tela que usava para escrever a sugestão legislativa, relendo todas as informações anexadas com a ajuda dos amigos. Tomou calmamente um longo gole de café gelado comprado no retorno do almoço, se atentando àquela revisão realizando pequenos ajustes pelo texto que começaram a cansá-lo com o passar do tempo, ainda que pensasse não querer deixar um detalhe sequer para trás, evitando que fossem reprovados na avaliação pública.

— Página vinte de trinta e cinco... — Resmungou desgostoso, inclinando sobre a mesa descansando a têmpora esquerda no dorso da mão.

Chamando sua atenção, o som baixo e vibrante contra a madeira da mesa indicou uma nova ligação, e encarando o visor, não deixou de abrir um sorriso lendo o nome do contato.

— Olá, Eunbi-ssi! — Cumprimentou ao deslizar o ícone verde na tela e levar o celular à altura da orelha. — Como você está?

— Hoseok-ssi... eu estou bem e você?

— Melhor agora que me ligou outra vez! — Do outro lado, alguns segundos de silêncio se seguiram e o Jung prontamente se arrependeu da brincadeira, sentindo seu rosto esquentar. — E-Então...

— Agora que o Jeonggukie voltou, — Eunbi o interrompeu, apertando o telefone de forma nervosa entre os dedos, junto de uma tecla numérica ecoando na ligação à denunciando e que arrancou uma risadinha do homem. — Junseo-ssi vai iniciar meu tratamento, eu disse a ele que não precisava ser neste momento, os outros estão adoecidos e é tão triste ver... mas ele insistiu.

— Você também precisa, Eunbi-ssi... o Ggukie e o doutor Junseo sabem o que estão fazendo, não é? Digo, eles conseguem se organizar para que todos tenham atendimento.

— Você tem razão. Mas eu não me sinto merecedora dessa atenção, pois recusei o tratamento antes por vontade própria.

Hoseok sentiu o peito se comprimir dolorido.

— Cada um tem o seu tempo para se recuperar. Eu não consigo nem imaginar a dor que você sentiu, me desculpe Eunbi-ssi... mas sei que enfrentar o passado também não é fácil!

— Tem razão... de novo.

— Confie em mim. — O advogado mordeu a pontinha do polegar, controlando o riso involuntário pela alegria de ouvi-la falar mais do que apenas algumas palavras frias em sua direção, como na época em que se conheceram.

— E-Eu... sim. Confio. — A voz feminina soou mais baixa. Tímida.

— Isso significa que somos amigos agora?

— Sim, Hoseok-ssi.

— Então vamos cortar essa formalidade toda. Eu sou o Hoseok e você a Eunbi!

— Está bem, Hoseok.

Um sorriso em formato de coração se abriu no homem de um lado e um repuxar de lábios mudou a expressão fria da mulher do outro, essa observando a bonequinha de amigurumi, enquanto, pensava no que seu novo amigo lhe disse. Ambos estavam ansiosos durante aquela conversa.

— E quando será a primeira consulta? — Ele retomou o assunto.

— O Junseo-ssi virá mais tarde para montar alguns equipamentos no meu quiosque, assim posso fazer o tratamento tranquilamente.

— Isso é muito bom!

— Sim. — Um curto silêncio se instalou entre eles. — Por isso, eu resolvi ligar...

Hoseok se agitou, girando a cadeira atrás da mesa quando ela voltou a falar, estava com um sorriso bobo no rosto. Ele gostava de ouvi-la.

— Se não for atrapalhar, se não for um incômodo para você, poderia... vir?

— Claro! — Respondeu ele em seguida, pigarreando e se ajeitando sobre a cadeira quando percebeu que havia aumentado o tom de voz, falando rápido demais. — P-Para mim será um prazer te fazer companhia. — Forçou seu tom habitual.

— Obrigada. Então eu fico te esperando.

— Eu estarei lá.

Tornaram a ficar em silêncio e Eunbi bufou. Não para a ligação, nem para quem estava do outro lado, mas pelos sentimentos estranhos que sentia toda vez que conversava com o amigo.

— Bem, eu vou desligar primeiro. Tem um híbrido que precisa usar o telefone aqui também. — Ela inventou uma desculpa, tentando afastar aquela sensação fria no estômago.

— Certo, claro, está bem! Até mais tarde, Eunbi! — Despediu ele de forma atrapalhada.

— Até, Hoseok.

Encerrada a ligação, o homem e a mulher continuaram encarando os aparelhos, pensando em conversar novamente para que pudessem continuar conhecendo um ao outro como amigos. O Jung aconchegou o corpo na cadeira, formando um bico nos lábios perguntando a si próprio porque não prolongou o assunto para ouvi-la um pouco mais. A raposa baixou os olhos para a boneca em seu colo, os fios formando os cabelos ruivos e o sorriso no rosto. Suspirou a imitando, abrindo um sorriso menor, porém, encorajado após ouvir o advogado.

— Vamos tentar, Eunba... — Falou baixo, apoiando as mãos nas rodas da cadeira, passando a movimentá-la em direção a outra extremidade da sala vazia.

Entretanto, ela estava saindo diferente de quando entrou, seu coração naquele momento batia acelerado e sua cabeça tinha inúmeros nozinhos. Não conseguiu os identificar, não tinha clareza no que pensava após tanto tempo se isolando em seu quiosque, porém, de certa forma, aquela era uma sensação aconchegante, constatou ao deixar o prédio e seguir pela rampa lateral até a estrutura que adotou como sua, sabendo que a partir daquela ligação, aceitaria dividir o espaço com o amigo de sorriso em formato de coração.

No escritório, o advogado passou a revisar o documento com rapidez e um sorriso bobo no rosto, ainda prestando atenção em cada detalhe, porém, com o objetivo de enviar para Seokjin o quanto antes, pois queria ter tempo para dedicar a sua amiga raposa.

Cerca de duas horas depois, as últimas páginas e os espaços para assinaturas foram incluídos e destacados, seus olhos ardiam e a garganta estava seca, mas a proposta legislativa estava devidamente pronta. Quando abriu novamente sua tela de e-mail para enviar o arquivo ao híbrido de gato selvagem, se surpreendeu ao reparar na caixa de entrada, uma resposta do juiz. Abrindo-a rapidamente, não obteve exatamente a resposta que desejava, porém, já os aliviaria e ajudaria em um grande passo para os híbridos.

Animado, encaminhou o e-mail para Taehyung, enviou a proposta legislativa para Seokjin, e guardou suas coisas, deixando a sala com pressa em direção ao escritório presidencial.

Com a porta liberada após seus toques, adentrou e seguiu para o fundo da sala, onde o amigo se encontrava sentado em frente à janela.

— Tenho uma boa notícia! — Anunciou com animação, ajeitando a alça da bolsa em seu ombro. — Enviei no seu e-mail!

— Obrigado, e eu também tenho! — O presidente se levantou, acompanhando o amigo em pé, colocando o paletó. Hoseok estreitou os olhos abrindo um sorriso sugestivo, ele também iria sair, talvez para ver seu amigo coelhinho. — Mas fale primeiro, Hoseokie, prometo ler o e-mail assim que retornar.

— O juiz Yongchul não liberou todo o processo novamente, continua estagnado, porém, ele conseguiu urgência na questão dos híbridos gestantes, podemos seguir com a contratação dos psicólogos e clínicas para atendê-los, independente da decisão que tomem!

— Isso é maravilhoso, hyung! — Tae abriu um largo sorriso, guardando seus pertences pessoais. — Irei almoçar com o Ggukie e contarei a ele! Também vai ficar muito feliz com essa notícia!

— Sim, e o amigo dele vai poder viver livre.

— É.

Ambos sorriram em uma mistura de felicidade e preocupação pelo que o coelho havia compartilhado, sobre a saúde psicológica do outro híbrido e sobre o seu desejo de não deixar um possível filhote sofrer como si próprio se lhe contasse sobre sua origem.

— E a sua notícia boa? — O advogado passou a acompanhar Taehyung em direção à porta outra vez.

— O delegado Park me ligou, disse que encontraram um aparelho não registrado no domínio da Kim Imperial. Piorando a história, os dados dele batem com os que estavam conectados no computador do Yoongi hyung no dia da transferência!

— Isso é ótimo! Eles só precisam rastrear o aparelho! — Pararam em frente a madeira vertical, com o acastanhado digitando a senha de acesso. — Mas então o Yoongi vai precisar dar outro depoimento? — O sorriso do advogado estremeceu.

— O delegado me adiantou que talvez não seja necessário, ele tem os históricos de deslocamento do hyung do mês inteiro, só precisa bater a informação de que ele não estava no escritório no momento da conexão.

— Tomara que não precise mesmo.

Abrindo a porta, os homens se surpreenderam com a presença do Kim mais velho, parado lhes observando com um sorriso largo no rosto.

— Rapazes! — Estendeu as mãos em frente ao corpo, como se tivesse os glorificando.

— Eu disse para não subir, eu te entregava o envelope lá embaixo! — Tae falou baixo, a rouquidão demonstrando que estava controlando sua raiva.

— Mas não é incômodo algum filho! Sei como você se esforça para cuidar do seu velho pai.

— Claro. — O mais jovem abriu uma das abas do seu paletó e retirou do bolso interno um envelope amarelado, contendo uma quantia de dinheiro para mantê-lo longe de si e de sua vida particular. — Eu passei uma solicitação para o delegado Park e ele já registrou o saque, pode ficar tranquilo.

— Obrigado, filho! Você é mesmo um grande homem!

— Certo... o senhor já pode ir embora agora, eu e Hoseok também estamos de saída. Quer uma carona até o hotel?

— Oh não! Não precisa se preocupar, filho! Eu quero rever alguns amigos antes de viajar novamente. — Acompanhando os mais jovens no elevador e pelas portas automáticas da saída no térreo, o Kim fingiu se sentar para esperar o próximo ônibus na estação em frente ao prédio comercial, olhando ao redor fingindo admirar o movimento da rua assistindo os carros de luxo deixando o estacionamento e desaparecendo entre os outros veículos.

Em pé, seguiu por algumas quadras na direção contrária, encontrando o carro branco da secretária de seu filho, estacionando em frente a uma lanchonete.

— Por que me chamou neste horário? — A senhorita Hua questionou assim que destravou a porta para que ele pudesse entrar e sentar no banco do passageiro.

— Precisamos encontrar o meu amigo. Temos que agir o quanto antes, por isso, precisamos planejar tudo logo. Vá. — Ordenou e a mulher deixou o acostamento, seguindo pela rua contrária do prédio da Kim Imperial.

— Mas já havíamos combinado esse encontro à noite, não é? — Ela perguntava sem olhá-lo, prestando atenção na direção.

— Como eu disse, não podemos perder tempo! Ouvi que algo vai ser rastreado e tenho quase certeza do que é!

Hua pisou no acelerador pelo nervosismo e susto, avançando o próximo sinal vermelho recebendo alguns sinais de buzinas. Não se importou devido à sua preocupação repentina e dirigiu o mais rápido possível para a casa simples e escondida próxima ao rio Han, seguindo o endereço enviado pelo tal amigo de seu antigo patrão.

— O que vamos fazer, senhor Kim?!

— Se acalme! Primeiro... me entregue o celular.

A mulher ofereceu o aparelho que estava escondido no porta luvas de seu carro a ele, esse prontamente o atirando pela janela ao ter percebido não ter nenhum carro atrás deles pela rua estreita e pouco movimentada. O aparelho atingiu a água doce e tratada da área rural, afundando em poucos segundos.

— Dificilmente irão encontrá-lo, esse aparelho registrou somente até a última vez que esteve conectado à internet, no caso, a partir de agora não terá mais registros. Você falsificou a placa do carro, não é?

— É claro, não irei me arriscar.

— Ótimo.

Seguiram em silêncio por um breve período de tempo.

— E agora, senhor Kim?

— Agora eu só preciso negociar com o meu amigo... qual será o valor de um híbrido que virou animalzinho de estimação de um magnata do país? — O mais velho riu anasalado, apoiando o cotovelo na porta do carro, observando as casas pequenas e mais afastadas umas das outras, enquanto adentravam o pequeno vilarejo ao redor do rio.

— Qual o prazo para ele ser levado? — Ela não o acompanhou no riso, apertando as mãos ao redor do volante, contendo sua impaciência para se livrar do híbrido de coelho branco.

— Você conseguiu reunir jornalistas interessados?

— Todos os que aceitaram o menor preço por uma matéria que pode levá-los à televisão.

— Então uma semana será o suficiente. Ouvi dizer que aquele garoto está sempre na ong, então assim que os portões caírem com a ação planejada por alguns empresários raivosos, os jornalistas vão conseguir invadir e criar uma grande confusão, e no meio desse formigueiro, um híbrido de coelho pode se perder, não é? — Gargalhou o Kim, contagiando finalmente a mulher, satisfazendo sua ilusão e anseio por aquele desejo perto de se realizar, adentrando as ruas esteiras de paralelepidedo e estacionando na grama frontal de uma casa cinzenta, ao lado de uma azul de jardim extenso e mal cuidado.

Não demoraram a descer do carro, subindo os primeiros degraus que levavam até a porta da casa, onde um homem de expressão cansada, barba rala e cigarro entre os lábios os atendeu, abrindo um sorriso ladino ao reconhecê-los.

— Chegaram bem na hora! — A voz falha e falsa convidativa os recepcionou.

— Senhor Jeon, é um prazer revê-lo!

— É o que vamos ver do resultado dessa conversa... tão urgente. Entrem. — Ao passarem pela porta aberta oferecida pelo outro homem, franziram os narizes pelo cheiro forte que veio do interior da pequena propriedade. — Não reparem a bagunça, precisei ficar uns tempos fora do mapa. — Ele soprou um riso, parecendo indiferente pela atual situação do lugar.

— Não dá para notar a diferença, amigo.

O homem e a mulher observaram o primeiro cômodo, sendo uma sala de estar simples, formada por um sofá vermelho bordô de dois lugares, este indicado pelo homem para que se sentassem, uma mesa de centro e uma poltrona guardando uma garrafa de bebida alcóolica no apoio do braço, onde ele se sentou. Em seguida, puxou uma corrente conectada em dois pulsos magros, exibindo uma híbrido de coelho branco parcialmente escondida pelo estofado, sentada sobre os joelhos. A mulher pálida seguia aérea amassando uma boneca de pano entre os braços, passando os dedos sujos pelo rosto de tecido, resmungando quase inaudivelmente com os olhos fixos no objeto:

— Meu filhote.... meu filhote...

Completamente silenciados, eles se sentaram, observando o homem bebericar a bebida e puxá-la outra vez, forçando a se levantar.

— Faz algum tempo que ela não vê muitas pessoas, mas não quero que participe desta conversa. Esperem um momento. — O senhor Jeon estranhamente guiou de forma delicada a híbrido pelos ombros, para o corredor estreito se estendendo para o resto da casa.

— Esse é o tutor de Jeongguk. — Apresentou o empresário, estendendo a mão ironicamente na direção que os outros dois desapareceram. — Apesar de que a híbrido dele parecia mais focada no mundo da última vez que os vi, em um barracão onde ele exerce suas atividades de mercado e esconde híbridos dos outros ilegalmente.

— Eu gostei dele. — A senhorita Hua sorriu de forma perversa cruzando os braços rente ao peito.
— É sério? — O homem ao seu lado perguntou, contendo o riso.

— Sim. É dessa forma que eu quero ver aquele coelho nojento da próxima vez. — Comentou ela.

— Você não vale a vida que tem... — Ele negou para si próprio, ainda com um sorriso no rosto, ajeitando a postura quando o Jeon retornou e se acomodou na poltrona outra vez.

— Então, onde aquele merdinha está?

— Você vai ficar surpreso ao saber, meu amigo...

Sorrindo sugestivamente, o Kim começou a contar tudo o que viu e ouviu, ganhando a atenção do homem pouco sujo e cheirando a álcool e cigarro, lhe oferecendo suas ideias para que todos ganhassem muitos bens com aquelas informações.

[🌇]

Naquela mesma tarde, no complexo de propriedades de luxo de Seul, Baekhyun e Chanyeol deixaram a van preta e blindada utilizada para as operações dos esquadrões, acompanhando Hyojong até os portões de entrada de uma delas em específico, com as armas de grande porte apoiadas em seus peitorais chamando a atenção dos civis que andavam pela rua.

— Vamos tentar primeiro pelo modo convencional, se o proprietário não nos atender, temos autorização para entrar e resgatar o híbrido. — Afirmou o líder, tocando o interfone e passando a aguardar com as mãos segurando fortemente uma pasta de papel marrom, contendo o mandato de resgate do híbrido emitido urgentemente após reunirem provas de seus maus tratos.

Um segurança saiu da guarita próxima e caminhou calmamente até eles.

— Nome? — Ele parou do outro lado do portão, as mãos atrás das costas e os olhos escondidos por óculos escuros em uma pose inabalável.

— Kim Hyojong. Representante legal das ongs pertencentes ao grupo Kim Imperial.

— Pois não?

— Estamos aqui pela presença do híbrido de vaca nesta residência. Eu tenho uma mandato para acolhê-lo na ong.

— Não há nenhum híbrido nesta casa, senhor. — O homem mentiu, a expressão imóvel e descarada.

— Mentiroso! — Baekhyun apertou a arma entre suas mãos, sentindo os feromônios de seu semelhante mesmo à distância, fortes e implorando por ajuda.

Hyojong fez um gesto com a mão para que se acalmasse, voltando a encarar o segurança, sério e disposto o suficiente para levar o híbrido com eles a qualquer custo.

— Nós sabemos que ele está na residência, temos provas da violência contra ele ocorrida no jardim traseiro por volta das onze horas da noite de ontem, através de uma denúncia anônima. O senhor também está presente nas filmagens e será o primeiro a ir preso se não colaborar.

Os ombros largos do grande homem estremeceram demonstrando que o abalou, apertando com força desmedida o botão do walkie talkie preso na ombreira do terno preto.

— Beta 1. Estou no portão principal com a presença de Kim Hyojong, representante do grupo Kim Imperial, ele traz um assunto importante a tratar com o Senhor Hong.

Um chiado preencheu o completo silêncio entre eles por breves segundos antes da resposta:

— Alfa. Minha residência não é caridade, mande-o embora!

— Ele tem um mandato de resgate do híbrido, senhor.

— Que poder ele tem? Não é a polícia!

Outro chiado ecoou, seguido de uma risada anasalada. Hyojong havia perdido a paciência, porém, permaneceu com a expressão neutra.

— Chanyeol — Chamou pelo guardião, percebendo pela visão periférica, ele dar um passo em sua direção. — Por favor, chame a polícia e peça o acompanhamento do delegado Park. — Ordenou com a voz mansa e baixa, em contraponto com os instintos ferozes de Baekhyun. Esse último desejava derrubar aqueles portões e resgatar seu semelhante de uma vez por todas.

— Eles entraram em contato com a polícia, senhor Hong.

A resposta demorou bons minutos a vir, com a voz rouca e irritada saindo pelo pequeno aparelho.

— Abra os portões!

Com um gesto silencioso de olhar do líder, Chanyeol compreendeu e abaixou o celular em sua mão, entretanto, tendo experiência com os resgates, deixou o delegado ouvindo a conversa que viria a seguir, gravando a ligação para que pudessem obter novas provas. Discretamente continuou com o aparelho escondido atrás do cabo da arma.

Adentrando os portões, atravessaram o extenso corredor em direção à entrada principal a passos rápidos e precisos, e quando as portas se abriram, Baekhyun soltou as mãos da arma presa ao seu colete estendendo os braços para o híbrido empurrado pelo tutor enfurecido, pendendo para frente e quase batendo os joelhos no chão. As mãos desenhadas e coloridas com singulares tons escuros, em formatos de todos os tamanhos imperfeitos e belos, acompanhando o corpo coberto somente por um short extremamente curto, seguraram as do leopardo buscando apoio, a proximidade permitindo o guardião de ouvir seu choro baixo.

— P-Por favor, me ajude. — O garoto implorou. Arregalando os olhos em desespero quando ele o afastou, entretanto, somente para que pudesse colocá-lo atrás de si, protegendo-o da visão do tutor e dos seguranças que o acompanhavam. Chanyeol retirou a parte de cima da farda militar, cobrindo seus ombros.

— Não se preocupe, está livre agora. — Sussurrou para ele, tentando transmitir conforto.

O empresário de meia idade soltou um som zombeteiro, dobrando os braços na frente do peito.

— Você sabe que pode levá-lo no momento que quiser. Mas a nova lei me dá o direito de pegá-lo de volta, afinal, tenho a sua carta de adoção.

— Nós temos provas e um processo em andamento, não poderá tê-lo novamente diante das imagens das câmeras de segurança do condomínio.

O sorriso no rosto do outro se fechou.

— Isso foi uma invasão de privacidade! Meus advogados entrarão em contato!

— Os nossos também se ousar tentar passar por cima da lei. — Abrindo a pasta, Hyojong retirou a cópia de dentro e entregou a ele, esse que a tomou de sua mão, lendo algumas linhas antes de um novo sorriso debochado se abrir, voltando a encará-lo.

— Isso não tem valor algum, vocês não vão conseguir nada dessa forma, são somente um tipo de caridade tomando os bens materiais dos outros!

— É o que veremos. E pôr direto nas leis que me acompanham, essa conversa foi gravada.

A postura do empresário mudou novamente.

— Levem-no, não me oponho. Tenho uma festa que se realizará em algumas horas, não vou me preocupar com esse bicho no momento. Ele até participaria, não nego uma vida boa para ele.

— Seminu? Seria assim que ele participaria? — Rebateu o líder do esquadrão.

— Ele gosta desse tipo de roupa, não posso julgá-lo por ser quem é, e gostar de atenção para o trabalhinho que faz. — Riu outra vez.

— Isso é o suficiente. O senhor recebeu uma intimação, além do mandato, e deverá comparecer à delegacia para depor devido a denúncia de violência contra o híbrido. — Hyojong manteve a expressão fechada para o homem e se afastou depois de fazer um sinal de mão a Chanyeol, que passou a auxiliar Baekhyun, apoiando e guiando o outro híbrido em direção à saída. Em seguida, as portas da frente estremeceram e um som alto ecoou pela entrada com o baque causado pela força que foram fechadas.

Os seguranças dispostos à frente do corredor ao ar livre, relutaram por breves segundos para abrir portões, assistindo o híbrido de seu patrão sendo colocado dentro da van, após alguns minutos parado na calçada, vomitando o pouco que tinha em seu estômago, pois o simples ato de andar enviava pontadas de dor dos seus pés à cabeça.

Dentro do carro grande e equipado para as operações do esquadrão, o guardião leopardo acomodou o garoto no banco de uma das laterais, o ajudando com o cinto de segurança contornando seu quadril, e o cobriu novamente com a farda do companheiro humano. Atencioso, preparou e ofereceu o objeto de silicone preso ao inalador, incentivando-o a segurar pressionando suavemente contra a boca e respirar profundamente, para ajudá-lo com a falta de ar umidificando suas vias aéreas com aquele processo.

— Você está seguro a partir de agora. — Soltou seu cheiro para acalmá-lo. — Pode ficar tranquilo que nunca mais colocará os pés naquela casa outra vez. É um híbrido livre. — Falou com um sorriso pequeno, assistindo as orelhas pouco compridas, brancas com manchinhas pretas, se agitando brevemente.

— O-Obrigado. — Ele agradeceu baixo e abafado devido ao aparelho, demonstrando um pouco de conforto quando Baekhyun sentou ao seu lado e permitiu que apoiasse a cabeça em seu ombro, encolhendo as pernas contra o peito e permanecendo quieto no tempo que inalava o soro fisiológico.

Entretanto, com a adrenalina baixando e a van em um ritmo calmo pelas ruas, um cheiro forte e ferroso incomodou o olfato de Baekhyun, esse afastando o outro com gentileza, estranhando sua quietude completa repentinamente. Analisou seu rosto pálido e o corpo amolecido, a mão apoiando minimamente o inalador na boca. Ágil, passou a procurar a origem, enxergando seus cabelos úmidos próximos da nuca, e apalpando, ensopou os dedos com sangue. O híbrido de vaca deveria ter batido a cabeça durante o que lhe fizeram na noite anterior.

— Chanyeol, acelera! Ele está tendo uma hemorragia! — Enviou a mensagem pelo telefone anexado na divisão da van com a parte dos bancos da frente, onde estava o namorado e Hyojong.

— Certo!

Respirando fundo tentando se manter calmo, Baekhyun deixou seu lugar e deitou o híbrido de lado com extremo cuidado, pegando as toalhas que utilizavam para prestar os primeiros socorros, pressionando o ferimento do seu semelhante, comprimindo os lábios ao assisti-lo franzir as sobrancelhas, mesmo quase completamente inconsciente, demonstrando toda a dor que estava sentindo.

— Aguente firme. — Falou baixo, tentando não lhe causar mais dor. — Nós vamos te entregar nas mãos de bons médicos. Tente ficar acordado. Você consegue. — Sorriu pequeno, cuidando do ferimento com calma e mãos firmes, ajeitando o aparelho do inalador no banco, o vapor produzido seguindo na direção da boca e nariz dele.

Na ong, o doutor Junseo terminava de passar as últimas indicações e feedbacks positivos para Eunbi, encorajando-a a seguir com os exercícios e alongamentos durante os próximos dias para que na próxima sessão de fisioterapia pudesse garantir outros resultados, mas somente com os primeiros sinais alimentando a reversão de seu quadro de atrofia muscular, foram o suficiente para a alegrarem, camuflando seus sentimentos na expressão habitualmente fria, mas esquentando em suas palavras. Ela igualmente permitiu a aproximação de Hoseok, contornando os braços timidamente ao redor do pescoço dele, enquanto, a levava da camada fofa do colchão onde Junseo examinou e fez os primeiros exercícios com suas pernas, até a cadeira de rodas, a entregando Eunba em seguida, criando uma voz fininha e animada para a boneca para continuar a encorajando, o que arrancou risadas suas, ainda que não estivesse segura para dizer em voz alta que voltaria a andar, mas compreendia que não teria os resultados que desejava logo na primeira consulta.

O médico sorriu os assistindo em sua bolha particular de interação por alguns segundos, guiando sua atenção para o celular começando a tocar no bolso de seu jaleco, e conferindo o contato salvo no visor, atendeu prontamente o guardião do esquadrão, que jamais imaginou a coincidência de conhecer também a Jeongguk, pois não o conhecia pelo nome quando o coelho perguntou anteriormente.

— Aqui é o doutor Junseo.

— Doutor, estamos chegando na ong, resgatamos um híbrido de vaca que está tendo uma hemorragia externa na cabeça.

— Por favor, entrem direto pelo portão traseiro na rampa de emergência, o elevador vai direto para a ala hospitalar, o Ggukie vai recepcioná-los primeiro. Obrigado.

Assim que desligou a chamada, Junseo manteve-se calmo e empático, cuidando exclusivamente de sua paciente raposa naquele momento, mostrando que ela era tão importante quanto todos os seus pacientes, encerrando o atendimento da forma correta com tudo o que ela precisava, antes de subir os degraus para ajudar seu fiel pupilo a cuidar do recém chegado ao seu segundo lar.

[🌇]

Durante aquela semana, a ala hospitalar entrou em ordem e Junseo saltitava pelos corredores, alegre por ter a presença de Jeongguk novamente consigo, pois sentia nele o mesmo amor pela profissão que si próprio. No entanto, também lhe preocupava seu estado febril e os feromônios se espalhando fortemente pela enfermaria, o que o levou a tomar a decisão de dispensá-lo para ficar em casa pelos últimos dois dias da semana, para assim compreender a frequência das suas ondas de calor e se atentar ao cio que se aproximava. Apesar de sentir-se contrariado por ter passado tanto tempo longe e sentido saudades de cuidar de seus semelhantes, junto ao professor que tanto gostava de ouvir e aprender com todo o seu conhecimento, Jeongguk aceitou sua sugestão.

— Você vai ficar muito tempo longe, Ggukie? — O híbrido de urso malaio perguntou baixo e tímido.

Jeongguk sorriu para ele, segurando suas mãos após guardar seus pertences pessoais e retirar o jaleco.

— Será só por dois dias, eu volto logo. — Se afastaram minimamente, para que o homem coelho pudesse desconectar o amigo do acesso de soro na veia, pois havia acabado o líquido na embalagem transparente no apoio apropriado. — Fico feliz que esteja bem e já possa estar em seu próprio quarto. Conheceu os outros ursos?

— Um pouco. Eles são grandes e gostam de ficar abraçados. — Ele resmungou e Jeongguk soltou uma risadinha. Talvez o amigo o visse como um coelho grande, mas não reconhecia o próprio tamanho como um urso.

— Terá muito tempo para conhecê-los, não se preocupe.

— Não me sinto completamente desconfortável entre eles, mas não quero ficar sentindo a pressão dessa... coisa. C-Cada mínimo toque traz uma sensação estranha na barriga. — O rosto dele desviou do seu e pode ver suas mãos agarrando com força os apoios para os braços da poltrona branca que estava sentado, sendo hidratado pelo soro.

— Não precisará se preocupar mais com isso... — Os olhos de jabuticaba chamaram pelos dele. — Eu não posso afirmar nada ainda, mas temos boas notícias sobre essa questão, prometo. — Jeongguk estendeu as mãos para ajudar o homem mais alto a se levantar. — E saiba que você é mais importante, ficará completamente livre porque seu lado será ouvido e compreendido. Sem julgamentos.

— Obrigado. — Os olhos escuros dele se encheram de lágrimas, um sorriso mínimo sendo um gesto de força, mais um passo dado na história de sua vida, em direção a vitória.

Se despedindo dos seus pacientes e dos departamentos onde seus amigos trabalhavam naquela tarde, Jeongguk deixou o departamento do berçário por último, pois adorava o lugar e a sensação aconchegante que os filhotes traziam, sorrindo grande ao ser convidado a entrar pelas híbridos de coalha e encontrar Yoongi acolhendo o híbrido de pantera em seus braços.

Dois gatinhos. Pensou ele.

— Olá, Yoonie hyung! — Cumprimentou ao se aproximar, assistindo-o segurar a mamadeira para que o filhote pudesse beber o leite.

— Ggukiezinho! Que bom te ver! — Os olhos dele se fecharam, complementando seu sorriso gengival.

— Como ele está grande e fofo! — Comentou ao admirar o filhote gordinho e pálido, balançando as orelhas triangulares de pelos negros, enquanto, a cauda enrolava na mão do humano. O filhote não desgrudava os olhos dele.

Jeongguk achava a relação fraterna entre eles, muito bonita. Tentava imaginar se o seu hyung quase gatinho compreendia a grandeza dos significados daqueles gestos inconscientes do filhote, de que este havia o escolhido como papai. Era o que seus instintos de coelho alertavam, pois os gestos de Nora para si eram parecidos.

— Minho já está até mesmo dormindo em um berço normal, Ggukie! Acredita?

— Acredito! Ele teve um grande apoio do lado dele para se recuperar bem e saudável, não é hyung?

As bochechas de Yoongi ganharam duas manchinhas róseas e tímidas.

— Acha que eu me apeguei demais a ele?

— Acho que foi com as melhores das intenções, hyung, então não fique preocupado. — Jeongguk se apoiou no braço da poltrona, assistindo-os. — Você e o Jiminie hyung são namorados há muito tempo? — Perguntou de repente, sentindo o rosto esquentar, atraindo um olhar confuso e divertido ao mesmo tempo.

— Sim. Há alguns anos. — O sorriso do humano aumentou. — Talvez já esteja na hora de transformá-lo em meu noivo!

Os olhos de jabuticaba se arregalaram em uma mistura de surpresa e felicidade pelos amigos.

— Seria lindo! Aquele gatinho com certeza ficará feliz!

— Sim, obrigado pela dica, Ggukie! — O mais velho continuou sorrindo e corado. — Mas por que a pergunta? Está interessado em namoro, hum? — Yoongi soltou uma piscadela para ele.

— E-Eu perguntei, porque pensei que talvez queiram formar uma família com o Minho, hyung! — Surpreendido, o Min arregalou os olhos.

— Uma família? É realmente um passo gigante em qualquer relacionamento! — Em contraponto pelo susto, o sorriso que ele abriu demonstrou certo interesse na sugestão. — Quem sabe o que o futuro reserva a nós e a esse bebê lindo... não é, Minho? — Fez um biquinho ao falar com ele e os lábios minúsculos cor de rosa se ergueram sem dentes em sua direção. O filhote não podia ouvi-lo, mas reagia com um enorme sorriso a cada interação.

— Mas... — Jeongguk chamou sua atenção e automaticamente um sorriso sugestivo voltou a adornar sua boca. Yoongi sabia que havia plantado a semente da dúvida em seus pensamentos. — T-Talvez não seja ruim... a ideia de namoro.

— Com o Tae? — Fez-se de desentendido.

— S-Sim!

— E o quanto você quer namorar com ele?

— O suficiente desde que contamos sobre nossos sentimentos um para o outro, hyung.

— Entendo... — Yoongi afastou a mamadeira vazia e ergueu o bebê, apoiando o corpo pequeno contra seu ombro, incentivando-o a arrotar. — Sabe? Eu sei que o Tae é o último romântico da terra, e ele gosta de demonstrar isso através das entrelinhas nos presentes e nos passeios que ele planeja. Mas, talvez possa ser um pouco lento... — Jeongguk assentiu, abrindo um largo sorriso se recordando de todos os presentes que havia ganhado do príncipe e como cada um o levou a descobrir sobre seu amor. Ele era fofo e romântico. — Só que você também vai participar desse relacionamento, então se sente que quer namorar com ele, é só chegar e falar. — Yoongi arqueou as sobrancelhas fazendo graça. — Claro, ele vai ter um surto, mas depois vai passar. — Riram baixinho, respeitando o ambiente que estavam.

— Eu queria ser mais romântico, como ele, para ter essa conversa.

— Não precisa se preocupar, Ggukie, às vezes suas linguagens do amor são diferentes das dele, é isso que gera a graça no relacionamento de vocês, seus jeitos de demonstrar vão se complementar ao invés de se repetir.

— Acho que está certo, hyung. — Jeongguk assentiu, anotando em sua mente o conselho dele.

— Eu nunca estive errado, Ggukiezinho. Modéstia a parte.

Soltaram novas risadas em cumplicidade, voltando a assistir o filhote deitado novamente nos braços do humano, passando a encarar Jeongguk daquela vez.

— Obrigado pelos conselhos, hyung... e Minho. — Fez um biquinho para o filhote e ele sorriu, balançando os bracinhos e perninhas energicamente.

— Pense somente que, se você sempre decidir esperar pelo momento perfeito, ele nunca vai chegar, porque a perfeição não existe, e essa é a melhor graça que temos na vida. — Jeongguk assentiu outra vez, abalado com a emoção das palavras do Min. — Não é, bebê mais lindo e fofo do mundo? — Ele perguntou fazendo graça desviando sua atenção para o filhote, se divertindo com seu agito e resmungos.

— Obrigado, hyung! Já sei o que fazer! — Jeongguk se animou, organizando os nozinhos sem vergonhas que o ajudariam a chegar naquele assunto com o príncipe, em sua cabeça.

— Vou querer detalhes depois!

— Pode deixar!

O celular do moreno apitou imitando um sino, indicando uma mensagem do príncipe na tela acesa, onde ele havia avisado de sua chegada para lhe buscar.

— Tenho que ir agora, até mais, Yoonie hyung! Te mando uma mensagem!

— Certo, Ggukie! Até mais!

Se despedindo com um beijinho na bochecha pálida e na gorducha do filhote risonho, o homem coelho se afastou em pulinhos rápidos, se despedindo também do pediatra e das enfermeiras híbridos de coala, indo diretamente para o elevador que o levaria ao estacionamento. Estava louquinho para ver seu príncipe.

[🌇]

Pelos próximos dois dias em casa, devido às chances da chegada de seu cio, estranhamente nenhuma onda de calor afetou Jeongguk outra vez, o que o deixou frustrado e amuado pelos cantos da propriedade Kim. Os motivos não se relacionavam com o período delicado que enfrentaria no ninho junto ao príncipe, como haviam concordado, e sim, porque pensava estar desperdiçando seu tempo longe da ong, pois deveria estar ajudando seus semelhantes. Sua mente estava repleta de nozinhos teimosos. Não queria ficar em casa.

Porém, após o almoço, enquanto assistia a um dorama com sua noona, começou a sentir o ambiente esquentar e trazer a sensação de cansaço para seu corpo, pesando seus olhos e nublando seus pensamentos. Gotículas de suor começaram a se acumular gradativamente sob seus cabelos cobrindo a nuca. Bufou. Suas ondas de calor estavam completamente desreguladas. Não conseguiria sequer sair de casa.

Se levantou, batendo as mãos suadas levemente pelo calção, remexendo-se inquieto por alguns segundos ao lado do sofá branco, chamando a mais velha com o olhar desesperadamente, sem saber como explicaria a ela pelo que estava passando.

— N-Noona... — Chamou baixo, engolindo a saliva com o corpo se tornando efervescente aos poucos, deixando-o com sede.

— Sim? — Ela virou o rosto em sua direção, perdendo o sorriso gradativamente conforme seus instintos maternos a alertavam que seu menino não estava bem. — O que aconteceu, querido?

— Não é nada! — Ggukie ergueu as mãos em sua direção, em um gesto que lhe indicasse tranquilidade. — Eu só preciso ficar sozinho no meu ninho, por um tempo, tudo bem?

— Tudo bem... — Ainda que afirmando, a mais velha o analisou de cima a baixo de forma preocupada, arrancando uma risadinha sua. — Qualquer coisa que precisar, pode me chamar, tudo bem?

— Certo. Obrigado, noona. — Ele deixou seus ombros caírem aliviados, pois Dona Byun não fez perguntas que não saberia como responder e o deixou ir.

Com um sorriso pequeno, se curvou para ela em despedida, disparando a pulos rápidos para o quarto presidencial e o closet de luzes douradas. O ninho no lado direito lhe esperava em um formato imperfeito e oval, mas era cheiroso e macio, acolhendo seu corpo febril e dolorido com um abraço gostoso de cobertores e tecidos.

Seu lado coelho, no entanto, não queria apenas conforto, estava refletindo o que sentia compartilhado em sua alma humana, juntamente dos nozinhos sem vergonhas assumindo seus pensamentos com as memórias olfativas que as peças de roupas cheirosas traziam, o calor e hormônios que vinham intensificando conforme sentia que o cio estava se aproximando.

Jeongguk carregava em seu peito e mente, inúmeros receios sobre o que pesquisou daquele período, forçando o coelho interno a ficar quieto, ignorando todas aquelas sensações, porque não queria se lembrar de nada envolvendo seus cios no passado, em contradição o deixando ainda mais confuso, como aquilo era algo que deveria ser natural para si, queria colocar para fora de uma vez sempre que o calor ia e vinha, como naquele momento, deixando a regata clara grudada em suas costas orvalhadas de suor sob o cômodo abafado e um incômodo aumentando entre suas pernas ao se sentir imerso no perfume de morango e chuva.

Chacoalhou a cabeça tentando controlar seu corpo, resmungando amuado com um nó preso na garganta, cedendo lentamente à energia libidinosa que o calor espelhava por seu corpo. Tão rapidamente quanto estava bem minutos atrás, em poucos minutos começou a implorar silenciosamente pelo alívio do calor em seus nozinhos de pensamentos, esses espalhando imagens de seus desejos com o príncipe, afetando-o fisicamente em uma mistura estranha de calor e dor.

Durante uma hora Jeongguk permaneceu apenas se remexendo desconfortável de um lado para o outro, conseguindo com esforço cochilar no espaço acolhendo seu corpo, negando-se a fazer algo que pudesse incendiá-lo por dentro completamente, pois ainda com as sonecas e as luzes baixas lhe dando um ambiente agradável, seus instintos começaram a deprimi-lo com a vontade de satisfazer suas vontades. Com a cabeça nublada e um bico nos lábios, ele estava sentindo falta de alguém no ninho, junto a si.

Sentia falta do príncipe. Do corpo e do cheiro dele principalmente.

Sem conseguir cochilar outra vez e acalmar aquelas sensações, sentiu seu coração batendo acelerado além do natural, roçando as pernas uma na outra com o corpo em chamas, porém, inquieto sem a presença do homem bonito que lhe cuidava.

Naquela mistura de sensações, Jeongguk percebeu seus olhos lacrimejando em carência e esticou o braço pegando o celular que estava no carpete fora do ninho, desbloqueou e encontrou o contato do seu hyung favorito, mas não conseguiu ligar.

E se ele estivesse ocupado com o trabalho? Não queria atrapalhá-lo.

Mas sentia tanta saudade.

Negou para si mesmo, devolvendo o celular para o lugar de antes.

Pensou então nos beijinhos dele e em seu abraço quentinho, na pele dourada atritando contra a sua sem nenhum tecido os atrapalhando. Em como sentiu prazer ao se esfregar nele.

As primeiras gotinhas de lágrimas escorreram. Queria sentir tudo aquilo outra vez. Estava se sentindo frustrado por não estar satisfazendo seus desejos.

Respirando lenta e profundamente tentando se acalmar, ergueu o tronco e esticou um dos braços para trás, criando um apoio para ficar parcialmente sentado, os olhos que já imaginava azuis pelas sutis mudanças de seus instintos, buscando pela porta de entrada do closet, esperando que o príncipe passasse naquele momentos viesse ao seu encontro.

O suor acumulava em sua testa e olhando para baixo, encontrou o problema. Jeongguk sentiu quando o calor começou a acumular em suas bochechas, enquanto, pousava a mão sobre o tecido fino de sua calça, apalpando a si próprio por poucos segundos e suspirando com pequenos sinais de prazer, antes de afastar os dedos e guiá-los até o peito dolorido pelas batidas frenéticas de seu coração.

Seus nozinhos e instintos o alertaram, bem como seus bigodes de coelho se arrepiaram: Ele poderia fazer aquilo sozinho. Sabia que sim. Compreendia o que era tudo aquilo, e, que seu hyung não o julgaria pelo feito, pois também entenderia sua necessidade de se satisfazer.

Assentindo para si próprio, voltou a pressionar a palma quente contra seu membro ereto e apertado contra o tecido íntimo, sentindo outra vez a onda de arrepios prazerosos subindo pelas suas costas orvalhadas de suor. Seu lado coelho aprovou o gesto, incentivando o homem a continuar.

Repetindo o momento quente que teve com o príncipe, timidamente esfregou a mão para cima e para baixo. Sorriu pequeno apreciando o movimento, começando a conhecer o próprio corpo com calma por bons minutos, aumentando a pressão e velocidade conforme a necessidade e o calor espelhavam o toque.

Ofegante, Jeongguk não demorou a sentir aquela sensação de formigamento e as pernas amolecendo sobre os cobertores, arregalando os olhinhos quando o prazer expeliu e marcou sua cueca. Não queria parar, porém afastou a mão a contragosto quando choquinhos sensíveis o fizeram comprimir as pernas uma na outra, escondendo aquela região. Voltou a deitar, seu peito acelerado refletia nas orelhas extensas e felpudas, tamanho foi o prazer que proporcionou a si próprio, e por ter começado a entender como tratar de seu corpo e como gostava de se tocar em momentos quentes como aquele.

Poucos minutos depois, uma nova fisgada em seu baixo ventre arrancou um ofego surpreso dele, o alívio dissipou rapidamente, e seus olhos arderam com as novas lágrimas, pois aquilo sinalizava que sua onda de calor não havia acabado. Resmungando choroso, sentindo-se solitário e carente pela atenção do homem bonito, alcançou seu celular novamente, reunindo toda a sua coragem e clicando no ícone de chamada do contato salvo. Enquanto esperava ser atendido, passou a mão livre pelos olhos, afastando as gotinhas embaçando sua visão.

Pelos sentimentos bagunçados, deixou um soluço escapar e esfregou suas pernas com a recepção da voz rouca e grossa do outro lado da chamada:

— Meu anjo? Está tudo bem?

— H-Hyung... eu estou sentindo dor.

— Onde doi? A noona está aí com você? Ela pode te dar um remédio até eu chegar!

— Não posso chamar a noona! — Suas bochechas voltaram a umedecer em meio às lágrimas quentes. Jeongguk abaixou a mão e apalpou o membro semi desperto novamente. — É-É dor do meu cio, príncipe, e-eu não quero ficar sozinho...

— Estou indo, meu anjo, não se preocupe. — O garoto coelho ouviu alguns ruídos e os passos apressados dele. Deveria ter ativado o viva-voz e sorriu pequeno por ele estar voltando para casa tão rápido. — Quer que eu fique conversando com você por aqui durante o caminho?

Jeongguk negou inconscientemente.

— Não, é perigoso. Eu fico te esperando, hyung.

Apesar de toda a preocupação e vontade de ter o poder de teletransportar-se até seu amor, Tae sorriu terminando de guardar suas coisas e seguir em direção à saída do escritório. Jeongguk era o ser mais atencioso que conhecia.

— Tudo bem, não se preocupe, eu estou indo agora mesmo!

— C-Certo.

Assim que o mais velho encerrou a ligação, um Jeongguk completamente manhoso permaneceu encarando a tela apagada, derrubando várias gotinhas quentes e salgadas, remexendo-se no ninho encontrando uma nova posição confortável, virado para o centro do closet, alinhando algumas cobertas entre suas pernas e embaixo do rosto, pressionando a região carente por toques vagarosamente e esfregando o nariz no tecido grosso perfumado com o cheiro de seu príncipe. Fechou os olhos e soluçou algumas vezes, passando a esperar.

Quando Taehyung chegou, Dona Byun quase arrancava os cabelos levemente grisalhos, o penteado de coque habitual pendia para baixo, alguns fios soltos e bagunçados acompanhando ela andando de um lado para o outro na cozinha, bebericando um copo de água. Calmamente ele afastou um pouco de sua preocupação contando pelo que o homem coelho estava passando, assim a mais velha compreendeu o motivo de sua discrição, se ajeitando e lavando as mãos depressa a fim de preparar uma refeição leve e cheia de vitaminas para eles se alimentarem mais tarde, além de encontrar uma solução para que o coelhinho não ficasse desconfortável na sua presença devido sua onda de calor e pudesse andar normalmente pela casa.

Achando seu jeitinho de mãe preocupada, fofo e engraçado, Tae agradeceu e subiu as escadas com pressa, carregando uma sacola contendo algumas opções de remédios para febre e dor. Ao passar pela porta do quarto, a fechou e seguiu diretamente para o closet, encontrando seu amor cochilando contra um grosso cobertor. Ele não conseguiu evitar que o ar escapasse completamente de seus pulmões ao vê-lo daquela forma: com uma regata branca amarrotada e erguida exibindo um pouco da barriga lisa, vestindo um calção azul claro e meias nos pés.

— Meu anjo? — Sua voz o despertou automaticamente e a reação do moreno foi estender a mão em sua direção, o chamando com um resmungo choroso. Pelo rosto vermelho percebeu que ele estava febril. Sorriu pequeno e um pouco aliviado por vê-lo bem de certa forma, caminhando e enroscando os dedos nos dele. — Não se preocupe, eu cheguei e não vou a lugar algum. — O tranquilizou, em seguida, arregalou os olhos, sentindo ele o puxar para dentro do ninho. Porém, antes de entrar, se ajoelhou sobre alguns cobertores e forçou os braços, impedindo-o de conseguir o que queria.

Jeongguk estreitou os olhos, reprovando sua atitude e rosnou.

O Kim soltou uma risada soprada.

— Tenha calma, meu anjo. — Tocou com a mão livre os cabelos negros, acariciando-os em um cafuné. — Eu posso entrar no seu ninho?

Jeongguk não respondeu de imediato, sentindo seu coração disparar, deixando os pensamentos nublados pelo calor de lado, pensando na pergunta séria e doce ao mesmo tempo. Sorriu. Aquela era uma das muitas atitudes bonitas que ele tinha consigo.

— Pode. Eu te quero no ninho comigo, príncipe!

Após sua permissão, Taehyung inclinou o corpo e cedeu ao seu lado, recebendo os braços fortes ao redor de seu tronco, juntamente do rosto quente e orvalhado de suor na curvatura de seu pescoço. Sem demora, o retribuiu com uma pressão gostosa entre seus corpos.

— Onde você está sentindo dor? — Perguntou baixinho. — Trouxe alguns remédios.

— Onde eu estou sentindo dor, n-não é possível curar com um remédio, hyung... — Os olhos de mel se arregalaram com a agilidade de Jeongguk em segurar a sua mão apoiada na cintura dele e a guiar diretamente para o meio de suas pernas. — Nós já conhecemos esse treinamento TaeTae. E-Eu tentei sozinho, mas não funcionou por muito tempo. — Outro soluço cortou o pequeno espaço entre eles. — Eu... eu gosto da sensação, mas neste momento está me incomodando. Me ajuda, príncipe?

— E-Eu ajudo, meu anjo. — Com calma e chamando a atenção dos olhos azuis para si, Taehyung tirou a mão de cima do membro endurecido, sentindo seu rosto esquentando gradativamente, erguendo-a primeiramente e acariciando a bochecha direita de seu amor, se aproximando para distribuir um doce selar na testa coberta pela franja negra. — Fique tranquilo, nós vamos cuidar disso juntos... Confia em mim? — Distribuiu outros selares, acariciando sua pele com carinho extremo, sentindo quando o corpo dele relaxou ao seu toque, assentindo vagarosamente. — Pode me contar? Você esfregou a mão ali?

— S-Sim. Não resolveu.

— E o que você quer que eu faça para te ajudar, meu amor? Hum? — Carinhoso, Tae selou o biquinho em seus lábios, sorrindo com a manha dele em aumentar a expressão, lhe pedindo mais silenciosamente, o que prontamente ofereceu, deixando vários selinhos pela boca vermelha.

— Me toque, príncipe. Eu quero sentir o alívio que seu toque traz. — Carente, o mais novo grudou ainda mais seus corpos, esfregando a bochecha contra a mandíbula e bochecha dele, desejando ficar coberto por seu cheiro de morango e chuva.

— Eu vou te tocar, amor, com todo o meu respeito por você, entende? — Jeonguk assentiu rapidamente, sorrindo para aquelas palavras tão bonitas. — Espere um momento.

Se afastando e causando no coelho um resmungo insatisfeito, Tae sorriu negando para si próprio, retirando a gravata e o paletó, voltando a se deitar, sendo surpreendido com o moreno se esgueirando e subindo em seu colo, encontrando o encaixe entre eles e começando a se esfregar.

— T-TaeTae, está doendo...

— Meu amor, vamos te distrair, primeiro, hum? — Puxando-o pelas mãos apoiadas em seu abdômen, ele o curvou sobre si e conectou seus lábios em um beijo necessitado, permitindo que Ggukie entrelaçasse os dedos em seus cabelos, enquanto, passeava com as mãos pelas costas úmidas, descendo e encontrando o contorno de seu bumbum após várias batidinhas do rabinho pomposo e eletrizado contra seus dedos.

Após se separarem em busca de ar, Tae encarou o rostinho frustrado e ainda com um bico nos lábios.

— Ggukie, você quer se aliviar com um novo treino?

— Quero! — Ele não demorou a responder, obedecendo seu hyung quando ele o tirou de seu colo e se sentou, guiando-o pela cintura para sentar com as costas apoiadas em seu peitoral. Suas pernas se esfregaram na maciez do ninho e seu coração palpitou feliz, sentindo-se confortável ali, entre os braços do príncipe.

— Você quer tirar a regata? — Jeongguk estremeceu de prazer ao ouvir a pergunta, retirando o tecido rapidamente do corpo e recebendo em troca a boca apessegada encontrando a epiderme de seus ombros, beijando-o. Aquele gesto enviou uma nova fisgada no lugar onde o seu maior problema estava.

Seus olhinhos estavam fechados outra vez, apreciando as imagens dos vários nozinhos sem vergonhas em suas pálpebras fechadas, deixando que as mãos grandes e os lábios quentes o tocassem.

— Meu amor... para sentir alívio, você precisa tirar a parte de baixo também, o que você acha?

Aquela pergunta o pegou de surpresa, mas não deixou de concordar, ansioso pelo toque profundo e direto que receberia, cheio de calor e pressão. Seu cio ainda o assustava, mas acreditava ter começado a se adaptar à ideia de tê-lo naquele momento, devido ao calor que estava sentindo e a cabeça ficando tão leve quanto uma pena.

Será que é agora? Pensou.

Ao chacoalhar a cabeça espantando seus nozinhos medrosos, assistiu de forma curiosa as mãos grandes encontrando a barra do calção que usava, e prendeu a respiração quando ele forçou os tecidos para baixo. Não reconhecendo a si próprio, ergueu o quadril, facilitando aquele movimento. Suas bochechas coraram fortemente ao perceber a marca úmida, deformada e esbranquiçada de sua primeira tentativa de alívio, ao terminar de tirar as roupas com as pernas.

Taehyung engoliu em seco ao admirá-lo completamente nu pela primeira vez. A pélvis coberta por curtos pelinhos completamente brancos e o pênis encostado em seu umbigo, duro e melecado, pedindo por um toque. Suspirou, concentrando-se somente no prazer de seu amor.

— Hoje eu vou te ensinar a encontrar o seu próprio alívio, anjo... — Apesar da imensa vontade de tocá-lo, de amar aquela parte dele igualmente a todas as outras, o acastanhado se conteve, erguendo as mãos por sua barriga, subindo até encontrar seus mamilos eriçados, acariciando-os com delicadeza. — Pegue com a sua mão, mostre para mim como estava fazendo antes.

Estremecendo de prazer, Jeongguk aceitou sua sugestão, descendo a mão lentamente encontrando a base de seu membro, contornando a mão diretamente contra a pele quente. Resmungou manhoso, esfregando o volume para cima e para baixo, sentindo outra onda eletrizante que o deixava com as pernas bambas. Tocando a si próprio daquela forma direta parecia deixar tudo mais intenso e pegajoso, somando com as mãos contornando seus peitos, ameaçava fechar as pernas com a sensibilidade passeando por todo o seu corpo.

— TaeTae... hum...

— Está indo muito bem, amor. — Tae continuou distribuindo beijos castos pela linha dos ombros e pescoço do homem bonito em seus braços, lhe dando carinho e afago nos mamilos, o elogiando. — Agora, você está no controle do seu corpo...

Jeongguk quis discordar, o príncipe estava o deixando louco com tanto prazer, mas sua cabeça não estava funcionando para pensamentos naquele momento, pois sentia-se derretido pela boca e o calor dele, aumentando gradativamente a velocidade e a pressão ao redor de seu pênis, assistindo o que estava acontecendo com seu corpo aos poucos com os olhos levemente arregalados.

No entanto, sentia-se feliz, buscando seu próprio prazer com a ajuda do príncipe.

— Que visão mais linda... — Tae apoiou o queixo em seu ombro esquerdo, parando com o carinho nos seus mamilos já sensíveis e vermelhinhos pelo contato contínuo, acariciando seu braço trabalhando em masturbá-lo, balançando para cima e para baixo.

Jeonguk soltou um gemido tímido e incontrolável, com as bochechas coradas por estar sendo assistido daquela forma.

— T-TaeTae...

— Esse momento é somente seu, Ggukie. Curta cada segundo, sinta... — Ele sussurrou com a boca próxima de seu ouvido o deixando entorpecido, aparecendo micro bolinhas dos pelos arrepiados em seus braços e pernas.

Atrevido, Tae acariciou o caminho de pelinhos brancos abaixo do umbigo do mais novo, resvalando propositalmente pela base pulsante e quente dele.

— Aumente a pressão, amor, entenda como seu corpo quer sentir.

Obedecendo, Jeongguk acelerou e apertou seus movimentos, afastando as pernas com o conforto do prazer se aproximando criando cócegas no pé da barriga. Focando em si próprio, encontrou um ritmo intenso e prazeroso, que adorou conhecer, resultando no líquido branco e viscoso escapando pela cabecinha inchada e vermelha de seu pênis, melecando seus dedos, a barriga e o dorso da mão do príncipe descansando ali próximo. Apesar de ofegante e derretido nos braços dele, corou de vergonha por aquilo.

— Você conseguiu, anjo! — Tae ainda sussurrava contra sua pele sensível, o abraçando enquanto assistiam juntos a bagunça feita. O cômodo voltou então a temperatura normal, suas pernas e braços arrepiaram-se com o ar frio e esperou o príncipe calmamente limpar seu prazer com o tecido da cueca, para encolher as pernas e se encaixar melhor no abraço quente dele. Respirava rápido ainda sentindo o torpor passeando por si. — Você gostou?

— Sim! — O de fios negros abriu um largo sorriso, esfregando o nariz contra o pescoço do mais velho, permitindo que esse os deitsse no ninho e protegesse do frio com a coberta que abraçava antes. A onda de calor foi embora e agora restava seu corpo mole de prazer. — Obrigado, príncipe.

— Não é nada, meu amor. — Taehyung beijou seus lábios, passando a somente encará-lo com um sorriso, voltando a acariciar seus cabelos.

Jeongguk tinha os olhos quase se fechando pela preguiça, porém arregalou-os de repente chamando a atenção do outro, esse erguendo as sobrancelhas, curioso.

— Mas... e você, hyung? — Atrevido, esticou o braço sob a coberta, encontrando o volume do membro rígido do príncipe, tão quente e pulsante quanto o seu próprio estava.

Observando-o fechar os olhos contendo um resmungo de prazer, o homem coelho mordeu o lábio inferior, pensando no nozinho sem vergonha que lhe dizia para sugerir ajudá-lo com aquele problema.

Já havia treinado, afinal.

— TaeTae?

— E-Está tudo bem, meu anjo! — Segurando sua mão, ele a ergueu até encostar o dorso nos lábios, descansando-a em seu rosto em seguida. — Primeiro é você, depois eu resolvo isso.

— Mas... — o coelho formou um bico nos lábios ao perceber que o príncipe não iria ceder, negando com a cabeça e lhe puxando para perto o aninhando contra o peito.

Completamente emburrado, Jeongguk não disse nada mais, formando um bico magoado nos lábios escondendo o rosto na curvatura do pescoço dourado, quase automaticamente caindo em um sono preguiçoso e profundo.

Quando acordou, sem saber quanto tempo depois, esticou os braços e as pernas, suspirando com a sensação gostosa de descanso o dominando. Ao abrir os olhos, encontrou o príncipe fora do ninho, consertando as paredes de tecidos que escorregaram. Ergueu uma sobrancelha, não havia aprendido a dividir a construção do ninho ainda, por isso seu lado coelhinho estranhava o príncipe colocando os travesseiros e peças de roupa novamente no lugar.

Sentindo-se contrariado, esticou o pé e derrubou alguns tecidos novamente.

O ninho é meu. Só eu posso mexer. Pensou.

No entanto, seus pensamentos foram embora com um ataque de duas mãos grandes resvalando pelo peito de seu pé, causando cócegas. Gargalhou com rouquidão pelo recente sono, encolhendo as pernas e rolando pelo ninho tentando fugir do mais velho.

— Então você também tem coceguinhas nos pés, anjo?

Não o respondeu pelas risadas refletindo em uma pequena câimbra na barriga, não percebendo esse se ajoelhando sobre o ninho ainda o torturando com as cócegas, e o obrigou a utilizar o outro pé para empurrar seu peito levemente, tentando se livrar do toque.

Ao encerrarem a brincadeira, Tae esticou o braço em uma prateleira e ofereceu um roupão a si, esperando calmamente que cobrisse sua nudez para colocar uma bandeja de alumínio recheada de frutas, dois copos de suco e dois pratos preenchidos com pedaços de bolo de chocolate, entre ambos. Sorriu, sua noona deveria tê-lo mandado trazer. Seu estômago roncou.

— Está sentindo alguma dor, meu anjo?

— Não hyung, neste momento estou sem nenhuma dor! — Ergueu os olhos de jabuticaba, também sorridentes, para ele.

— Fico realmente feliz. — O sorriso em formato de quadradinho se abriu. — Então vamos alimentar esse coelhinho encalorado! — Tae riu das bochechas vermelhinhas dele.

Jeongguk não o respondeu de imediato, recordando do momento anterior com ele voltando a se sentir envergonhado, levando o copo de suco e ocupando seus lábios bebericando o doce sabor.

— Tenho atualizações. — Tae iniciou uma nova conversa, partindo um pedaço de bolo com o garfo e o levando a boca.

— Qual hyung?

— Os primos disseram que a sugestão legislativa foi aceita e está em análise pela prefeitura, quando estiver concluída, será liberada para o público, precisamos de no mínimo vinte mil assinaturas, mas acho que conseguiremos rapidamente.

— Isso é ótimo, hyung!

— Sim! Acho que finalmente vamos colocar um ponto final nessa história, nós seremos os primeiros a assinar a sugestão, certo?

— Sim! — Se remexendo animado, Jeongguk deixou escorregar o roupão de seda pelos ombros, enquanto, trazia o prato com o bolo para suas mãos e degustava calmamente.

Taehyung ficou parado observando, não se contendo ao erguer a mão e resvalar os dedos pela extensão de pele macia dele até às clavículas, puxando as bordas e ajeitando o tecido novamente. Sorriu grande ao perceber ele com os olhinhos fechados, apreciando seu toque.

— Noona vai passar o final de semana na casa de uma amiga... acredita que você pode se sentir mais confortável.

Jeongguk abriu os olhos terminando de engolir o alimento, franzindo as sobrancelhas em confusão.

— Não era preciso, hyung! Como a noona vai deixar o conforto da própria casa por minha causa? — Desanimou-se, pois não queria atrapalhar a rotina de seus humanos.

— Você sabe que a Dona Byeol é uma mãezona, prefere assim do que não aguentar ficar sem poder vir conferir se você está bem mesmo, meu anjo.

Após um longo suspiro, o homem coelho assentiu.

— É que c-cios são tão... complicados. — Suas bochechas coraram fortemente. — Não gostaria que ela me visse nesse estado também.

— Então tudo bem, não fique preocupado! Pense que isso significa que podemos pedir comida nada saudável por aplicativo e comer na sala assistindo televisão, o final de semana inteiro! — A animação do príncipe contagiou o mais novo, que soltou uma risadinha sapeca, aprovando sua ideia. — Já sei o que mais podemos fazer!

— O que, hyung?

— Um date caseiro!

— Um date caseiro? — Tomando a cabeça levemente para o lado, o moreno ficou observando seu príncipe se remexendo sobre os cobertores, agitado como um filhote grandão.

— Sim! — Os olhos de mel brilhavam, fazendo seu nariz redondinho contrair em curiosidade, adorando assistir seu jeito espontâneo e bonito. — Digo... — Pigarreando cobrindo a boca com o punho fechado e olhos se fechando brevemente em uma cena dramática, ele voltou a encontrar seus olhares. — Você quer ir a um date caseiro comigo, amanhã? — Piscou os olhos diversas vezes de forma rápida, fazendo graça para seu amor.

— Eu quero hyung! — Respondeu Jeongguk em meio a uma risadinha.

— Vou preparar tudo! — Tae alargou o sorriso, pensando em todos os detalhes para deixar seu amor, confortável e feliz. — E você pode ficar tranquilo se sentir calor, pois só eu vou estar com você... — Provocando-o, recebeu como resposta um travesseiro acertando seu rosto.

— Hyung! — Jeongguk sentia o rosto flamejante. — Seu bobo!

— Bobo? Você me chamou de bobo? — Ele ergueu as mãos com os dedos suavemente dobrados imitando garras, como se estivesse preparado para iniciar uma luta.

— Sim, seu bobo! — O homem coelho empinou o nariz, indiferente a sua ameaça fofa, como um filhotão de urso.

E assim que devolveu o prato para a bandeja, foi surpreendido tendo a cintura atacada por cócegas, gargalhando tentando escapar do príncipe espoleta.

[🌃]

O sábado seguiu de maneira torturantemente lenta para Jeongguk. Cheio de instintos e calor, tentando ignorar a vontade de estar se satisfazendo dentro do ninho com o homem bonito que lhe provocava a cada vez esbarrando pelos corredores da casa. Determinado, focou em ajudar sua noona a organizar tudo para os dois dias que ficaria longe, ouvindo com muita atenção suas recomendações. Dona Byun também negava para si própria e ria baixinho observando seus olhos redondinhos e bico nos lábios, repetindo a todo momento que não precisava se preocupar, porém, ele não conseguia deixar de sentir a culpa pelo seu afastamento, a agradando com folhas verdes, uma cenoura e algumas flores que seu paladar de coelho aprovou, recebendo em troca um abraço apertado da mulher emocionada de instintos maternos.

Ao entardecer, Taehyung se despediu primeiro e assistiu-os adiarem a separação com um sorriso sereno, adorando a sensação de ver sua segunda mãe e amor tão próximos e unidos.

No entanto, quando o carro preto deixou a propriedade e deixou os dois em privacidade, foi deixado para trás pelo ser envergonhado pulando as escadas, fugindo de si. Decidido a dar espaço a ele, calmamente terminou de ajeitar as flores coloridas e cheirosas, colhidas de seu jardim, nos jarros de cristal preenchidos com água fresca, descansando-os nas duas extremidades da mesa de centro da sala, desejando agradar sua paixão com aquele mimo.

Voltou a encontrá-lo minutos depois, com os olhos de jabuticaba arregalados em preocupação, perguntando o que deveriam vestir para um date caseiro, lhe arrancando uma gargalhada a vontade e distribuiu um selar sobre a franja de fios negros, refletindo com ele todas as opções que tinham.

Após decidirem juntos como iriam realizar o date, de banho bem tomado e ambos vestidos com pijamas frescos para a estação calorenta, sentaram-se animados sobre o grande sofá branco, selecionando pelo aplicativo de entregas de comida, tudo o que sentiram vontade de compartilhar naquele momento, escolhendo hambúrgueres, refrigerantes, milk shakes, batatas fritas e porções de frango frito. Feita a compra, encararam um ao outro rindo de forma sapeca pela mais velha não poder ver o que eles comeriam no jantar, impedindo-a de lhes dar uma bronca e se colocaram a prestar atenção no catálogo da televisão enquanto esperavam.

Jeonguk sentia-se novamente com calor e um pouco enjoado, com o suor acumulando nas dobras dos joelhos e na testa sob sua franja, mas decidiu ignorar aquela sensação para que pudesse aproveitar seu date caseiro com o príncipe, soltando uma risadinha quando ele o encarou com a expressão pidona apontando com o controle para a tela exibindo o filme da Capitã Marvel.

— Gostou da minha sugestão, pequeno?

— Sim, hyung! — Sorriu retribuindo o mais velho. — E eu gostei de um date caseiro, é quase como um cinema em casa!

— É verdade! Não tinha parado para pensar dessa forma!

— Então devemos tornar esse momento especial! — Jeongguk disse sem pensar muito, recebendo em troca o olhar risonho junto dos lábios em um formato de quadrado, deixando-o ainda mais bonito por ser o único no mundo a ter aquele sorriso.

— Adorei a ideia! O que você quer fazer, meu amor?

Com o sorriso estremecido, o coelho procurou desesperadamente pelas palavras certas que desejava falar, se levantando em um pulinho.

— E-Eu... espere um momento, hyung! — Agitado, pegou seu celular descansando sobre a mesa de centro e subiu a escada, escondendo-se em seu quarto junto do boneco articulado do homem de ferro. — Olá, Tony hyung! — O cumprimentou com um toquinho do indicador na cabeça do personagem, sentando sobre sua cama em frente a janela, buscando alívio do calor.

Ansioso, Ggukie abriu o aplicativo de conversas onde o gato laranja havia criado um grupo entre eles e Baekhyun para que pudessem trocar mensagens uns com os outros ao mesmo tempo.

Apressado, digitou:

Hyungs! TaeTae e eu estamos no nosso terceiro encontro!

18:40

Custando o tempo de ir até o banheiro para lavar o rosto quente, os felinos deram suas primeiras respostas.

Como assim, Ggukie? Você não estava no seu período de calor? Não ande na rua!

Baekhyun

18:47

Isso é ótimo, Ggukie! Mas tome cuidado!

Jimin

18:48

Sorrindo para a preocupação dos hyungs em sua direção, sentou-se novamente e os respondeu:

Não estamos na rua, é um date caseiro!

Mas estamos sozinhos, somente o príncipe e eu...

18:50

Sozinhos, é sério?!

Jimin

18:50

Hehe o date vai render então, Ggukie?

Baekhyun

18:50

Render? O que quer dizer hyung?

18:51

Talvez eu queria dizer o que você está pensando! O que quer fazer com o teu príncipe hoje?

Baekhyun

18:51

O coelho sentiu o rosto esquentando novamente, ainda que seus hyungs não pudessem ver o quanto estava envergonhado.

Não fale assim!

Eu estava pensando em falar sobre namoro com ele! Nora-yah é somente uma filhote e disse que os casais começam a namorar depois do terceiro encontro!

18:53

Que fofos! Meow!

Jimin

18:53

Essa garotinha é feroz haha

Se é o que você quer, coelhinho, vá em frente! Eu apoio!

Baekhyun

18:54

Eu também!

Jimin

18:54

Certo! Tomei minha decisão! Obrigado, hyungs!

Mais uma coisa... talvez eu também queria aproveitar que estamos sozinhos...

Esses ciclos de calor estão me deixando louco! O que eu faço?

18:55

Posso responder com palavras diretas, coelhinho?

Jimin

18:55

Sim, hyung!

18:55

Pula nele! Não fique só com a vontade!

Jimin

18:56

Como você é bruto, gato!

Mas é verdade, Ggukie! Não pense muito, se é sua vontade e está confortável com ela estando com a casa só para vocês, não tem porque se segurar!

Baekhyun

18:58

Não nos responde... já foi lá, Ggukie?

Jimin

19:00

Não!

Eu só estou com vergonha!

19:00

Não precisa, coelhinho! Só vocês dois vão ver um ao outro hehe

Baekhyun

19:01

E também, depois que as coisas começarem a esquentar você perde a vergonha!

Jimin

19:01

Certo! Eu vou tentar fazer essas duas coisas hoje, hyungs, e volto pra dar notícias!

19:02

Isso mesmo, meu garotão!

Jimin

19:02

Estamos na torcida!

Baekhyun

19:03

Obrigado, hyungs! Até mais tarde!

19:03

Desligando o aparelho, Jeonguk o descansou em seu colo e respirou fundo, secando as mãos suadas pelo nervosismo no calção do pijama, e se perdendo em seus nozinhos, buscando a forma mais bonita e romântica, como havia conversado também com Yoongi dois dias antes, para contar a Taehyung o que queria, se erguendo em um pulo quando ouviu a voz grossa rouca ao pé da escada. Havia passado dez minutos somente com seus pensamentos.

— Ggukie? — Tae chamou alto, os pés no primeiro degrau da escada.

— E-Estou indo, hyung!

— Certo! — Ele soltou uma risadinha. — Nosso jantar nada saudável chegou!

Com as orelhas dançando pela doce notícia, o garoto coelho deixou de lado a conversa com os amigos e o quarto, descendo a escada em rápidos pulinhos, parando no abraço do homem bonito à sua espera.

— Onde vai com tanta pressa, mocinho? — O riso rouco e gostoso causou arrepios nos pelinhos de sua nuca.

— Vim para o nosso date caseiro começar logo! — Retribuiu seu gesto divertido, empurrando o mais velho em direção ao sofá outra vez, com as mãos espalmadas em seu peito.

— Então vamos arrumar nosso jantar e curtir um cineminha! — Tae soltou uma piscadela, o desvencilhando de seus braços para abrir as primeiras embalagens de papel marrom postas na mesa de centro.

Sem demora, desembalaram a entrega separando os pedidos doces dos salgados, suspirando com a temperatura quentinha e cheiro delicioso que preencheu toda a sala de estar. O príncipe deu início ao filme e assim passaram a comer e comentar baixinho sobre as cenas que mais gostavam.

Quando o filme acabou, ambos estavam quase dormindo apoiados um no outro e com as costas contra os pés do sofá, as barrigas levemente estufadas, os potes de plástico das entregas vazios e empilhados no centro da mesa.

— Que filme bom. Eu gostei, e você, meu pequeno?

— Também, hyung! A Capitã Marvel é incrível e forte, aprendeu tantas coisas e tão rápido!

— Pois é! Ser uma pessoa extraordinária em um mundo completamente diferente, foi difícil para a jornada dela.

— Concordo, príncipe!

Assentindo, Tae fez uma gracinha, espreguiçando e escorregando até deitar sobre o confortável tapete. Uma risadinha partiu do mais jovem.

— E o que você quer fazer agora?

— Estava pensando, podemos assistir um dorama juntos?

O acastanhado sorriu bobo, adorando como os olhos dele brilharam em sua direção. E decidiu provocá-lo para poder ficar observando um pouco mais.

— Dorama?

— Sim! Quero mostrar onde encontrei o restaurante do nosso segundo date!

— Eu vou adorar ver com você, na verdade. — Ele rolou pelo tapete macio, se aproximando do moreno. — Mas depois deste filme, os casais de dorama acabam se tornando tão melosos e dramáticos...

Jeongguk mordeu o interior das bochechas, pensando em como mostraria e falaria para o homem bonito que gostaria de namorar com ele. Seu rabinho felpudo se agitou.

— Esse casal não! Eles são engraçados juntos... e o hyung sabe o que acontece depois que eles vão ao date no restaurante?

— Não, o que acontece? — Os olhos de mel o encaravam curiosos, como os de uma criança.

Jeongguk desviou o olhar do seu, brincando com as polpas dos dedos, para se distrair da timidez.

— E-Eles começaram a namorar!

Tae gargalhou, não para provocar seu amor, mas por ter achado lindo a imagem dele tímida e a voz ansiosa.

— Isso é super fofo! — Falou mais sobre o próprio coelho, do que o tal casal que ele comentava.

— Sim! E sabe também era... era o terceiro date deles! — Com um sorrisinho sapeca, Jeongguk escondeu que na verdade era o primeiro date amigável do casal.

— É sério? — Os olhos caramelados se arregalaram levemente.

— Sim, príncipe...

— Sim, anjo...

Jeongguk remexeu as pernas, inquieto fingindo não notar as bochechas do mais velho ganhando adoráveis manchinhas róseas.

— É um dorama divertido, porque eles implicaram tanto um com o outro, depois ele descobre quem ela é de verdade, e ao contrário do que todos pensavam, não se separam mais!

— Gosto disso.

— Uhum... mas também, outras pessoas podem ter gostado dela durante o dorama e se ele não tivesse assumido o compromisso, poderia ter perdido seu amor.

— Então é bom que ele tenha sido ligeiro. Ah... que cara sortudo.

— Sim... — Entrelaçando os dedos na barra da camisa clara, Jeonguk reuniu toda a coragem que tinha e continuou: — e-e nós?

— N-Nós?! — Taehyung virou o rosto em sua direção, o pescoço estalando pelo desespero do ato. — O que tem nós?

Astuto, o coelho baixou o olhar para seu rosto outra vez.

— Eu te contei e o hyung me contou sobre os nossos sentimentos, e-então não... — Gaguejou outra vez, com o coroação triplamente acelerado pelo que perguntaria a seguir: — n-não vamos namorar também?

Taehyung voltou a sentar ao seu lado com uma velocidade impressionante, engolindo em seco o encarando diretamente nos olhos. Naquele momento, parecia que seu corpo era feito de gelatina e os olhos fossem saltar de órbita, o coração estava entalado na garganta, preparado para fugir de si e cair nas mãos do anjo.

— V-Você namorar quer comigo?! Não! — Ele chacoalhou a cabeça em seguida, piscando atônito para si. — D-Digo, namorar! É isso?!

Desabrochando um sorriso tímido, Jeongguk assentiu.

— Pessoas que se amam namoram, para que outras pessoas não tentem tomá-las de si... não é isso que significa, hyung? — Os olhos redondinhos brilhavam como uma noite estrelada, acertando diretamente suas estruturas do amor. — Que você quer ser daquela pessoa e ela ser sua?

— S-Sim! Eu sim, acredito completamente nisso!

— Então se o hyung me ama e eu amo você... — Jeongguk desviou o olhar, nervoso, porém, com uma ideia percorrendo sua cabeça, nozinho esse presenteado por seus amigos felinos e espertinhos. — Vai deixar que o Taeho hyung pense que eu estou solteiro?

Taehyung engasgou, cobrindo o peito com a mão destra. Seu amor não poderia ter dito aquilo, utilizando o nome daquele outro coelho que detestava.

— C-Como?! Eu não gosto dele, não gosto mesmo que ele fique atrás de você! — Confessou, completamente ciumento.

Jeongguk passeou com a língua entre os lábios, umedecendo-os lentamente e hipnotizando o príncipe antes de abrir um sorriso provocante.

— Nora-yah também não gosta, disse que o cheiro dele fica muito forte quando está próximo de mim... — Abaixou o rosto para suas mãos, brincando com as polpas dos dedos em falsa inocência. — Está sempre tentando chamar a minha atenção, mas até que o cheiro dele é bom.

O Kim abriu a boca soltando uma lufada de ar desesperada, gargalhando com uma única sílaba.

Estava completamente desacreditado.

— P-Permite ele ficar colocando o cheiro em cima de você?

— Não tenho visto ele com tanta frequência nos últimos dias...

O acastanhado quis inflar o peito em vitória, pois se lembrava de ter avisado o outro homem que aquele anjo era dele e não o queria por perto.

— Mas também não sou comprometido ainda... queria fazer algo em relação a isso, príncipe.

— Pois diga agora! — Os olhos de mel voltaram a duplicar o tamanho. — Meu amor, diga exatamente o que deseja fazer que eu faço nesse momento!

Tae se aproximou como um cãozinho carente, esfregando a cabeça na sua, tentando espalhar por si seu perfume gostoso de morangos e chuva. O seu preferido. Soltou uma risadinha.

— Estamos no nosso terceiro encontro e ouvi alguém dizer — Jeonguk escondeu sua fonte de informações em forma de garotinha levada, com orelhas de coelho e pompom da cor de chocolate. — que os casais que se gostam, começam a namorar no terceiro encontro.

— Eu confesso que não estava preparado para essa conversa, mas sempre penso muito nisso, por isso comecei a te cortejar... — Taehyung se afastou minimamente, chamando o olhar engresco com o seu. — Namorar com você é tudo o que eu mais quero!

Um sorriso grande de coelhinho se abriu.

— Eu também quero muito namorar com você, príncipe!

O acastanhado sentiu-se derreter dos pés à cabeça com aquela declaração.

— Iremos escolher nossos aneis de compromisso em breve, eu prometo! — Dengoso, o príncipe colou o corpo dele no seu, franzindo o nariz e enrugando a testa, de repente bravo. — Não quero nem pensar na possibilidade desse tal de Taeho se aproximando de você novamente. Agora é um anjo comprometido!

Jeongguk soltou uma gargalhada.

— E você um príncipe comprometido!

— Graças aos céus! — Tae apertou o abraço. — Você é um anjo sem vergonha, me levou lá no céu e me jogou ao ar livre depois desse susto! — Riu junto dele, apoiando o queixo sobre os cabelos cheirosos e macios.

— Do Taeho hyung ficar farejando meu cheiro? Mas ele também cheira bem! — Provocou o coelhinho, completamente entregue entre os braços fortes.

Aish! — O empresário resmungou, se remexendo para conseguir esconder o rosto na curvatura de seu pescoço. — Não me machuque assim!

— Desculpe, hyung!

O mais velho abriu um sorriso sapeca, pensando em utilizar seus dons dramáticos para receber muitas compensações em forma de carinho do anjo, porém, se atentou às palavras que vieram depois.

— Mas é que ele foi um ótimo exemplo para que eu pudesse ter essa conversa com você.

— Foi mesmo. — Ele riu, admitindo que era verdade por fim. Porém, independentemente das batidas aceleradas de seu coração e o desespero que o tomou minutos atrás, sentia-se vitorioso por saber que era a primeira e única opção de Ggukie, mesmo sem ele ter dito com palavras claras porque estava o provocando.

Ficou estático por alguns segundos, pensativo.

Jeonguk estava o provocando.

— Não me diga que os nossos hyungs sabem desse tal... — Se afastou para encará-lo.

— Sim! Até o Yoon hyung!

O Kim franziu o cenho esboçando uma expressão de sofrimento, compreendendo que teria um péssimo dia de trabalho quando encontrasse Yoongi novamente, com suas provocações e sarcasmos ao afirmar que não foi o homem que pediu em namoro e sim, foi pedido pelo coelho apaixonado.

Em seguida, moveu os ombros respondendo a seu próprio pensamento, pois não ligava para aquele fato, afinal, também gostava de ser dengoso e surpreendido. Poderia ser o seu herói, mas ele também era seu e o salvou com seu beijo de mel.

Príncipes também poderiam ser pedidos em namoro.

E antes que seus corações acelerados pudessem conversar mais um pouco através de seus olhares, um trovão cortou o céu.

— Parece que uma tempestade de verão está chegando.... — Comentou baixo, estranhando a testa orvalhada de suor colada ao seu pescoço e o abraço apertado ao seu redor. — Está tudo bem, meu anjo, eu vou proteger você.

— Eu sei que sim, hyung. — Manhoso, Jeongguk se aconchegou ainda mais contra seu corpo, como se desejasse torná-los um só. — O cheiro da chuva não me deixa sentir o cheiro do ninho... podemos ficar mais perto dele?

— Claro, meu amor. Vamos!

Se levantando, o acastanhado desligou os aparelhos eletrônicos, ajudou seu amor a descartar os plásticos e a limpar a mesa de centro, subindo atrás dele na escada, segurando sua mão e assistindo com graça o rabinho pomposo se remexendo. Ele era tão fofo.

Se talvez pedisse permissão ao dono de seu coração e pudesse esticar os dedos até aquele pompom que parecia feito de algodão branco, somente para admirar um pouco mais. Chacoalhou a cabeça, repreendendo a si próprio em silêncio, não faria algo incabível como aquilo.

Seu idiota! Praguejou em pensamento.

Ao que os homens passaram pela porta do quarto presidencial, foram diretamente para cama. Taehyung deixou o ambiente confortável com os abajures dourados ligados, a fim de voltar a conversar sobre qualquer assunto com o anjo, pois de sua parte, aprenderia até a falar em outra língua se ele quisesse conversar em alguma.

— Está melhor assim, meu anjo?

— Sim. Obrigado, príncipe. — Jeongguk tentou se aproximar, mas o calor voltou a se acumular por seu corpo assim que sentiu o cheiro do ninho novamente o invadindo, indicando o caminho que deveria fazer. Mas naquele momento, não queria deixar o homem bonito ou convidá-lo para ir até onde ocorria seus ciclos de calor. Queria conversar e sentir o seu cheiro também, memorizando cada segundo do terceiro date deles, não permitindo seus nozinhos sem vergonhas e nem o coelho interno de o dominarem. — Desculpe não ficarmos lá embaixo aproveitando nosso date caseiro...

— Não se preocupe. Para mim só está perfeito quando eu estou com você, independente de onde... meu namorado.

Sorrindo grande com aquela declaração, Ggukie sentiu seu corpo todo vibrar sobre a onda de calor que o tomava lentamente e se arrepiar de forma gostosa, pois adorou ouvir aquele título da boca dele.

Seu namorado.

Era como se tivessem assumido sua parceria de vida. Ele era o namorado do príncipe e esse era dele.

Seu rabinho e orelhas se agitaram. Seu lado animal também havia gostado do escolhido para ser seu parceiro.

A única luz que invadia o quarto pela grande janela branca com a parte superior oval, e iluminava os apaixonados sobre a cama, era a da Lua avisando sobre a chuva que estava a caminho. Tão delicada e simultaneamente forte, permitindo a Taehyung descobrir um novo tom de azul, quando refletida nos olhos não mais escuros do anjo. Como um campo inteiro de agapantos azuis.

Sorriu grande, encontrando o principal modelo para seu próximo buquê de presente, esse talvez acompanhando um anel bonito e um pedido formal depois daquela conversa.

Ggukie remexia o pé direito e sentia o pompom eletrizado. Não estava afastado, mas o corpo febril também não deixava que ficasse grudado no príncipe como queria.

Frustrado, bufou virando para o lado oposto do colchão, puxando a ponta do cobertor e se escondendo.

Tae soprou um riso, estendendo o braço para cutucá-lo suavemente nas costas.

— O que foi, meu anjo?

Ele não o respondeu, contorcendo o corpo uma vez e com alguns estalos baixos, o cobertor afundou na cama, restando somente uma bolinha em movimento se aproximando de si.

O mais velho mordeu o interior das bochechas com anseio, afinal, há algum tempo não encontrava o dono de seu coração em forma de coelhinho. A outra parte de si que também amava.

Imitando um show de mágica fofo, o focinho rosa e misterioso, cheio de bigodes, deixou a proteção do cobertor. Taehyung permaneceu deitado, assistindo o ser redondinho coberto de pelos brancos se aproximar lentamente até encostar o focinho gelado e se remexendo elétrico contra o seu nariz.

Suspirou sentindo o corpo derreter. Jeongguk era a temperatura que o moldava a uma poça de amor. Tão fofo.

Inesperadamente, notou que ele sentiu uma onda de energia ao passar a farejar todos os cantos de seu rosto, invadindo a curva de seu pescoço e o lambendo na região. E enquanto soltava risadinhas com as cócegas causadas pelo coelho, esse explorava o cheiro de morango e chuva, sem se envergonhar como ocorreria em sua forma humana.

Satisfeito com as lambidinhas, Jeongguk deitou-se entre o pescoço e o rosto do mais velho, esfregando o corpinho ali, virando de um lado para o outro, completamente carente, pedindo sua atenção.

Focado em manter os olhos castanhos sobre si, foi surpreendido com a mão gigante contornando a lateral de seu pequeno corpo, realizando um carinho em seus pelos antes do príncipe esfregar o nariz contra sua cabeça, entre as orelhas compridas e dançantes. Jeongguk tremelicou arrepiado, adorando aquele contato.

— Hum! O cheirinho de limão é completamente seu mesmo, e seu pelo é tão fofinho! — Comentou ao se afastar, rindo baixo ao observá-lo imóvel com as patinhas viradas para cima, as de baixo afastadas e o pezinho direito balançando.

Seu sorriso alargou, aquele era o costume fofo que o homem por quem era apaixonado, mantinha em ambas as formas.

A fim de chamar sua atenção, levou os dedos compridos para a barriguinha exposta, acariciando a região com delicadeza, esperando se haveria alguma reação contraditória à sua intenção de ser carinhoso e ao constatar que não, continuou os movimentos.

— Está gostoso esse carinho? — Perguntou baixo, prendendo os lábios entre os dentes no interior da boca, contendo o riso com o olhar azul encontrando o seu.

Jeongguk soltou alguns ruídos.

— Ainda não entendo sua linguagem de coelho, me desculpe, pequeno. — Novos ruídos preencheram o silêncio que seguiu e a patinha delicada estapeou o dorso de sua mão. Só então Tae reparou que havia interrompido seus movimentos para tentar entender a resposta dele. Soltou outra risada, voltando a acariciar aquela região quente e peludinha. — Sabe. Por que não volta a ser o meu homem agora? Eu continuo dando carinho a sua barriguinha...

Jeongguk encolheu as patas traseiras, atrapalhando os dedos longos durante o gesto. Aquela pergunta somada ao que estava sentindo nos últimos dias, o derreteram completamente e até seus bigodes se arrepiaram.

Um pensamento surgiu mais rápido do que sua timidez:

Aquela era uma provocação?

Um sorriso se abriu em sua alma humana, havia gostado, e muito, da direção que a conversa seguia.

Empolgado, empurrou a mão grande com as patinhas traseiras, fugindo do príncipe em pulinhos rápidos, voltando a se esconder sob o cobertor.

— Ggukie?

Ouviu a voz de repente preocupada, mas não deixou de trazer seu sorriso de satisfação para a forma física humana, aumentando o volume no colchão. Desejoso com a nova onda de calor o invadindo, ativada pela pergunta adocicada para seus nozinhos sem vergonhas, Jeongguk foi deixando a cobertura efervescente para si, lentamente. Primeiro o rosto, encontrando diretamente o príncipe e seu olhar de mel.

Também não se preocupou em vestir o pijama novamente.

Taehyung estava apoiado sobre os cotovelos, lhe devolvendo o olhar desejoso, sentindo seu rosto esquentar e as bochechas ficarem rubras, demonstrando ainda um pouco de sua timidez, quando incontrolavelmente desceu o olhar pelo corpo dele, encontrando a região sob seu quadril, decorada com pelinhos brancos e que parecia desperta o suficiente para lhe pedir atenção outra vez. Detalhe que não passou despercebido pelo olhar azul brilhante.

E daquela vez, Ggukie não iria desistir do que queria experimentar em seu treinamento.

Engatinhando sobre o colchão macio, não demorou a ir diretamente onde queria, apoiando a mão destra na nuca de fios compridos e castanhos, inclinando o tronco encontrando os lábios quentes e deliciosos. Aprendeu a adorar os beijos do príncipe tão rapidamente quanto as batidas de seu coração naturalmente acelerado.

Resmungou de prazer percebendo que estava causando a mesma sensação de derretimento no namorado, o deitando na cama enquanto suas línguas brincavam, recebendo em troca as mãos grandes alcançando sua cintura, o puxando para baixo, para perto.

Teimoso. O homem coelho os separou com um estalo pegajoso de seus lábios e seus olhos se chocaram brilhantes de desejo recíproco.

Em uma mistura bagunçada de brutalidade e cuidado, Jeongguk puxou a camisa lisa do pijama dele, arrancando-a de seu corpo e jogando longe.

Taehyung não se opôs a contribuir, movimentando o tronco para ajudá-lo com o ato, permanecendo quieto ao se deitar novamente, esperando a próxima atitude de seu amor.

— Você me provocou, hyung!

Jeongguk apoiou as mãos quentes em seu abdômen, o encarando com o cenho franzido e um bico nos lábios.

O acastanhado riu baixinho, mordendo o lábio inferior em seguida, sendo atentamente observado pelo outro.

— Faz parte do treino, anjo... — sorriu de forma sapeca.

Ao contrário do que pensou, Jeongguk continuou sério, aproximando o rosto do seu até encostar os lábios em sua orelha. Sorriu satisfeito ao ver seu príncipe arrepiado.

— Tudo bem, TaeTae... mas dessa vez eu vou conseguir o que eu quero, não vejo porque não deixar. — sussurrou bravo, mordiscando levemente o lóbulo da orelha do mais velho. Em seguida, puxou o cobertor cobrindo sua cintura, sentando sobre os joelhos no colchão e voltando a encará-lo. — Eu não sou bobinho!

— Não é bobinho para essas coisas, é sério? — O moreno sentiu as bochechas corarem fortemente com a gargalhada do príncipe. — É bom saber, coelhinho... — Taehyung estreitou os olhos, fingindo incredulidade pelo anjo confessar aquilo com tanta naturalidade.

— É-É porque você me mostrou que é muito bom! — Os dedos pálidos agarraram a borda do cobertor de forma tímida. — E eu quero... quero sentir prazer com o meu namorado.

Taehyung não respondeu. Ficou somente encarando o outro homem, derretido dos pés a cabeça que poderia afirmar ter esquecido até como falar.

Ninguém poderia julgá-lo. Não quando a imagem em sua frente era aquela.

Jeongguk estava sentado sobre os joelhos. Os cabelos caindo em cachos negros sobre sua testa e nuca. O tronco nu, e seu peito subindo e descendo calmamente, um movimento que parecia tão macio que gravou em sua mente. A coberta sendo o indesejado pedaço de tecido grosso, contornando sua cintura curvilínea e escondendo um pedaço das coxas, impedindo-o de ver um detalhe tão lindo e gostoso quanto o namorado inteiro. E por fim, o rosto, a expressão em pura beleza com os olhos safiras e de bochechas vermelhas encarando-o em expectativas, denunciado pelas orelhas dançantes.

— Você que manda, amor.

Não soube de onde a segurança em sua voz surgiu, mas também não precisava se preocupar em descobrir, o danado do namorado atacou seus lábios em seguida, derretendo qualquer pensamento que estivesse passando no momento.

O corpo quente e suado de Jeongguk o cobriu, o cobertor desapareceu e se tornaram uma bagunça de mãos e bocas e suspiros deleitosos.

Taehyung sentia-se amolecendo sob o corpo queimando de amor do mais novo, sentindo sua pele o moldando em cada espacinho que se encostavam.

Aprendendo rápido como agradar o namorado, Jeongguk abandonou seus lábios procurando o calor de seu pescoço, farejando os primeiros sinais de suor misturado a morangos e chuva, tão apetitoso para seus beijos e carinho que não demorou em selar várias vezes por ali.

E sendo esperto como os nozinhos sem vergonhas que brotavam em sua mente, usava a boca para distraí-lo enquanto a mão sorrateiramente descia pelo peitoral dourado, resvalando abaixo do umbigo e encontrando novamente o cós do calção dele.

Ggukie se afastou lentamente, encontrando o olhar de mel com as pupilas dilatadas e brilhantes em sua direção. Adorava vê-lo entregue ao seu carinho e ficou contente por saber que havia aprendido a retribuí-lo na cama.

— TaeTae... deixa eu te ajudar a resolver o seu problema aqui? — com os dedos curiosos e nada delicados, apoiou-os sobre a onda endurecida no calção fino de Taehyung e arregalou levemente os olhos ao ouvi-lo resmungar um gemido rouco e gostoso, comprimindo um pouco as pernas e apoiando a mão sobre a sua.

— G-Ggukie — Ele chamou em um sussurro, o peito subindo e descendo rapidamente. — Você me pegou de jeito, vai me deixar louquinho... louquinho de amor.

Em surpresa após sua fala, o acastanhado inverteu suas posições, sentando-se sobre o quadril do mais novo e atritou suas intimidades levemente, antes de se inclinar e atacar seus lábios com um beijo intenso, usando uma mão no cós de sua calça para empurrá-la até escorregar pelas pernas e ficar completamente nu, como o namorado.

Para Jeongguk e a enorme vontade que sentia sob aquela onda de calor, rapidamente e sem a timidez de outrora, levou suas mãos para o quadril do mais velho, o puxando para baixo, grudando seus corpos quentes e necessitados.

Taehyung se afastou com algum custo, recebendo em troca o moreno erguendo um pouco o tronco para capturar um de seus mamilos com a boca.

Sorriu admirando o contato, permanecendo sentado sobre suas coxas, permitindo o carinho enquanto amassava os cachos negros entre os dedos.

Queria deixar Jeongguk no comando de tudo o que ocorreria naquele momento tão gostoso entre eles.

— É assim que você gostaria de tornar o nosso terceiro date o mais especial, anjo?

Jeongguk lambeu o botão amarronzado e sensível uma última vez, antes de se afastar e encarar o príncipe novamente. Sorriu com falsa inocência.

— Depois de nos tornarmos namorados... sim.

— Você não é mesmo bobinho para essas coisas.

— O hyung me provocou primeiro.

— Tem um ponto.

Riram baixinho após a discussão com os olhares conectados. Taehyung engoliu a saliva presa na garganta com os olhos azuis descendo por seu tronco, onde deixou filetes de babá ao redor das aréolas de seus mamilos bem tratados, escorrendo para sua pélvis preenchida com pelinhos, encontrando o membro ereto com a pontinha macia e avermelhada clamando por um toque.

Jeongguk arregalou os olhos ao sentir-se salivar pela vontade de tocá-lo, pois sabia o prazer que aquela parte oferecia aos seus lados humanos.

Cuidadoso e sem demora, tocou nele, rodeando o comprimento com a mão firme, fazendo Taehyung engasgar com o gesto repentino.

— Hyung... como você gosta? — Jeongguk o encarou novamente, a face semelhante a um anjo sem nenhuma pureza, tão lindo que o tirou do chão novamente.

— V-Você tem uma mão firme... — Taehyung estremeceu, era como se Jeongguk tivesse colocado uma coleira nele, mas não no pescoço. — P-Pode continuar assim, amor.

Imitando como havia aprendido no treino de mais cedo, Jeongguk início os movimentos sentindo uma corrente elétrica e estimulante passear por seu corpo ao sentir Taehyung entre suas mãos, e sua mente se tornou em branco quando ele apoiou as dele em seus ombros e passou a morder os lábios tentando segurar gemidos roucos, com o peito acelerado e o corpo estremecendo com seu toque.

— V-Vamos nos ajeitar melhor, amor. — Ele o afastou de seu membro e quis rosnar com o gesto, foi interrompido logo quando jurou ter sentido cheiro de morangos e chuva emanando principalmente dali.

No entanto, não poderia ter encontrado prazer melhor do que vê-lo se colocar de joelhos e tronco reto e pedir silenciosamente que o imitasse. Quando os dois estavam de frente um para o outro, ambas as peles sensíveis se encontraram.

Jeongguk gemeu apreciando a cena.

Taehyung era minimamente maior que si, moreno e delicioso, e daquela vez, ele os envolveu entre as mãos, lhe mostrando como deveria fazer. Ggukie ainda não havia sentido prazer maior em todos os seus treinos anteriores.

Quando tomou o controle da situação, ele apoiou as mãos em suas costas o puxando para perto, colando seus lábios, causando a explosão de desejo dentro de si, ao sentir suas mãos descendo para seu bumbum e apertaram a carne.

Ambos perderam o controle de seus corações e desejos, alimentados pelas declarações de amor e de nozinhos sem vergonhas em seu terceiro date. Como Jeongguk queria que acontecesse e estava dedicado a entregar o melhor prazer ao seu namorado, enquanto era acariciados pelas mãos quentes explorando seu corpo.

Entretanto, um solavanco surpreso de sua parte separou suas bocas, encontrou os olhos de mel o analisando em uma mistura de preocupação e desejo, deixando seus novos movimentos lentos o suficiente para que pudesse decidir se queria senti-los ou não. O motivo de seu peito acelerado e a mão apertando seus membros eretos, eram os dedos delegados explorando outro ponto sensível. Um pequeno lugar úmido e quente entre seu bumbum, de onde vinha a fonte de todo o seu mel, acariciando com voltas no perímetro pulsante como estavam na frente, lhe causando arrepios desde a base da coluna até os bigodes invisíveis. Aquela era a primeira vez que sentia pulsar ali, com verdadeiro prazer. Adorou o toque.

— P-Príncipe... — Com o braço livre, contornou os ombros largos e apoiou o rosto no pescoço dele.

— Você está se sentindo bem, meu amor? — Taehyung encontrou os lábios no lóbulo de sua orelha. — Quer aprender um novo treino?

E eles estavam no clima perfeito, constatou Jeongguk.

— S-Sim. Por favor, continue.

Após sua permissão, Taehyung se dedicou a distraí-lo, gemendo baixinho ao pé de seu ouvido, provocando para que ele aumentasse a pressão da mão subindo e descendo em suas intimidades melecadas e quentes, causando barulhos gostosos ao seu redor.

Jeongguk estremeceu com um novo trovão cortando o céu, apertando o ombro do namorado sob seus dedos e afundando o rosto no pescoço cheiroso, buscando proteção. Ele não queria sentir medo, mas seu corpo estava reagindo involuntariamente, endurecendo todos os seus músculos.

— Não tenha medo, meu amor. Eu estou aqui com você. Somos só nós dois.

Acalmando-se com a voz melodiosa sussurrando para si, Jeongguk conseguiu se concentrar no prazer que estava sentindo, relaxando o corpo outra vez.

— E-Estou com nozinhos pesados, hyung, ainda com dúvidas que me dão dor de cabeça, mas não quero que pare. — Seus olhos lacrimejaram e um sorriso pequeno e vitorioso se abriu em seus lábios, o calor e o acolhimento do corpo do seu parceiro de vida o ajudou a continuar aproveitando aquele momento.

— Eu vou cuidar de você... me diga se não se sentir bem.

Jeongguk assentiu, esfregando o nariz em sua pele.

Taehyung voltou a pressionar o indicador em sua entrada, entorpecido pelo aperto gostoso do ato que o namorado mantinha entre ambos. Não demorariam a chegar em seus limites daquela forma. O homem coelho compartilhava seus pensamentos, sentindo o mínimo incômodo com o sendo preenchido naquela pulsação logo atrás de seu pênis enrijecido e dolorido.

Com o prazer o dominando, se afastou e seus olhos se conectaram mais uma vez em uma conversa silenciosa, desejando que aquele momento nunca terminasse, e Taehyung confirmou naqueles olhos em um tom perfeito de azul, todo o amor que viriam a viver depois daquela noite.

Jeongguk não pensou em mais nada que não fosse amor, Taehyung estava o desabrochando como se fosse uma flor, a sua flor favorita. Para seu lado homem e coelho, também significava a consumação de sua parceria de vida, que seu corpo registraria somente o do outro para estar contra o seu para sempre.

Ele queria pertencer a um lar, não à uma casa enorme. Pois se algum dia não a tivessem, não lhes faria falta, teriam um ao outro. Aquele era o verdadeiro lar que sua avó sempre lhe contou nas entrelinhas.

Seu corpo estremeceu com aquela invasão aumentando a temperatura e amolecendo suas pernas. Apesar de seu braço queimando cansado pelos movimentos ininterruptos, não parou, buscando proporcionar prazer para eles, afastando os joelhos e soluçando com a sensação boa que os gestos libidinosos causavam em si.

Com a mão livre, enrolou os dedos nos cabelos compridos da cor de chocolate, se aproximando até encostar suas testas. A mão ocupada em satisfazê-los aumentando a velocidade e a pressão.

— T-TaeTae... isso é muito bom.

— Eu estou adorando t-também, anjo.

Ambos ofegavam juntos, trocando um beijo atrapalhado enquanto Taehyung usava a mão livre para erguer a coxa do mais novo lhe dando mais espaço para continuar a acariciá-lo profundamente.

Uma fisgada anunciou o limite chegando e o quadril alheio ondulando contra o seu não ajudava-o a se segurar naquela posição. Jeongguk tinha uma mão firme e estava o levando à loucura com todo aquele aperto em volta de seus pênis ficando sensíveis e róseos. Com um aperto em sua coxa, afundou os dedos na carne e o outro esfregou nas paredes internas e flamejantes dele, ouvindo-o gemer graciosamente contra sua boca.

Pela primeira vez Jeongguk assistiu seus prazeres se misturando ao expelirem ao mesmo tempo, melando sua mão, infiltrando em seu olfato o cheiro do ato misturado ao suor e seus perfumes naturais.

Ainda que o homem coelho tivesse os libertado do aperto, os membros continuaram esfregando um no outro pela proximidade dos corpos moles de prazer por breves segundos. Lentamente Taehyung retirou o indicador da intimidade de seu amor, movendo a mão para a cintura dele, assistindo com um sorriso igualmente cansado ele escorregando e sentando sobre os joelhos no lençol, os lábios entreabertos respirando irregularmente.

Uma onda enorme de preguiça o dominou, porém, reunindo suas forças, o empresário se levantou indo para o banheiro, alheio ao olhar azul queimando-o pelas costas.

Jeongguk não perdeu a oportunidade de admirar a beleza nua do namorado, ainda que naquele momento o pico de calor tenha se afastado e suas bochechas corassem pela própria indiscrição. Mas não havia o que fazer, Taehyung era lindo o seus olhos grudam nele como imãs.

O mais velho retornou com uma cueca e uma toalha na outra mão, estendendo em sua direção.

— Para se limpar, meu amor. Vou buscar uma cueca para você também.

— C-Certo, hyung. — Pegando o tecido úmido e morno, passou por seu corpo e principalmente nas partes que continham seu prazer, mordendo os lábios com seus nozinhos voltando a reverberar por sua mente, anotando a forma como seus desejos estavam sendo satisfeitos pelo príncipe com carinhos cada vez maiores e prazerosos. Era seu parceiro de vida, afinal.

Sorriu grande para si mesmo com o pensamento.

— Eu poderia passar a noite toda te observando... — Deu um sobressalto ao ouvir a voz rouquinha da soleira da porta. Tae soprou um riso se aproximando. — e ficar imaginando o que será que se passa na sua cabecinha.

— Estou feliz. É isso que estou pensando agora, príncipe.

— Eu também, meu anjo.

O Kim estendeu a mão para ele se levantar e trocou a toalha consigo pela cueca, a levando para o banheiro enquanto Jeongguk se vestia. Com as temperaturas normalizadas e o clima confortável entre eles, sentaram um ao lado do outro na cama, escorando as costas nos travesseiros e na cabeceira de cor clara, sendo iluminados somente pelos abajures dourados, ouvindo a música forte da chuva do lado de fora. Sequer haviam reparado quando as gotas começaram a cair violentamente.

— Você se sentiu bem, meu amor? Digo... avançamos mais um passo hoje.

Os olhos de mel ainda o encaravam preocupados. Ggukie sorriu com seu gesto.

— Sim, foram os melhores dos prazeres que já senti... — O tranquilizou. — A verdade é que pensei que fossemos até o fim... — Apesar do sorriso pequeno, o coelho não escondeu seu receio ao desviar o olhar.

Ele queria estar pronto para viver aquela fase com seu príncipe, era um de seus maiores desejos, mas também sabia que só descobriria se realmente estava, quando chegassem a ter momentos como aquele. Sentiu orgulho, pois estavam conseguindo as respostas juntos.

— Temos todo o tempo do mundo, amor, e só vamos avançar mais um passo se você quiser.

— Eu quero! — Respondeu sem pensar, encolhendo levemente os ombros com o sorriso grande em forma de quadrado e a risadinha que o acompanhou.

— Então faremos mais da próxima vez.

— E quando será a próxima vez, hyung? — Os olhos novamente escuros e brilhantes e redondos, o encararam com expectativas.

— Quando... estivermos no clima de novo. — Tae sentiu o sorriso aumentar com o bufo e o bicão nos lábios alheios como resposta. — O que foi, anjo?

— Não é difícil entrar no clima com você, é muito bonito. — Escondendo o rosto com as mãos, Jeongguk inclinou o tronco até descansar a cabeça no ombro dele.

— Não sabe como eu fico louco com você sendo tão bonito também.

Em seu jeitinho tímido e fofo habitual, Jeongguk pulou da cama, se afastando em direção à porta exibindo o bumbum redondo coberto pela cueca e o pompom branco balançando elétrico. Tae sentiu seu coração palpitar com a imagem.

— E-Eu vou tomar banho, já volto, príncipe!

— Tudo bem, meu anjo, também vou me preparar para dormir e te espero.

Assentindo, o homem coelho fugiu do quarto, abrindo um largo sorriso a caminho do seu banheiro pessoal ao voltar seus pensamentos em tudo o que fizeram e do que ainda gostaria de fazer com o namorado, sequer prestando atenção no barulho da chuva do lado de fora, não estava com medo, pois seus nozinhos apaixonados o deixavam ouvir somente as batidas aceleradas de seu coração naquele momento.

[🌃]

Algumas horas depois, Jeongguk se remexeu inquieto, abafando um resmungo desgostoso sentindo calor outra vez. Começou a se questionar por ter acontecido mais vezes durante aquele dia e noite do que nos outros dias. Incomodado com a temperatura formando gotículas de suor por seu corpo, atrapalhando seus sentidos aguçados, e com a visão turva, teve dificuldades para encontrar seu ninho. Ggukie não deveria ter tentado ignorar a nova onda de calor e ficado na cama, mas queria agradar seu príncipe naquela noite de chuva forte e estar pronto para protegê-lo se sentisse medo, principalmente porque depois que o calor havia passado, ele próprio voltou a sentir medo. Mas não aguentou.

Infiltrando-se entre os cobertores, travesseiros e roupas, ao menos pode respirar profundamente sentindo o cheiro de morango e chuva.

Os estrondos do lado de fora voltaram a assustá-lo pelo impacto contra suas orelhas sensíveis, mas não o impediram de continuar à mercê da dor que começou a tomar seu corpo e do calor insuportável deixando seus nozinhos mais pesados e pulsantes. Ele gostava de sentir calor com o parceiro, mas não a todo momento e completamente sozinho pelos sintomas de seu cio. Sentiu-se frustrado.

Jeongguk deitou sobre uma almofada, levando a mão para a intimidade entre as pernas, sob o tecido de seu short, passando a esfregar o pênis sensível tentando aliviar os sintomas de sua onda de calor.

Aquela, no entanto, parecia mais forte e trazia sensações ruins, como os arrepios nauseantes quando sentia algum tecido resvalando por seus braços ou costas, pelo ninho perder gradativamente o conforto conforme memórias bagunçadas e intrusas vinham diante de suas pálpebras fechadas e úmidas de suor.

Estava dormindo, ou acordado? Pensava.

Com seus nozinhos lhe pregando uma peça, ouviu risadas ao longe e seu corpo começou a tremelicar.

— N-Não!

Abriu os olhos de repente, o pequeno cômodo estava escuro. Ele deveria estar sozinho.

E estava. Tentou respirar profundamente, afastando qualquer pensamento intruso.

Mas então sentiu.

"— Você sempre se debate tentando fugir e agora quer a minha atenção?"

A sensação daquelas mãos imundas sobre si, eram somente sua pele formigando, mas pareciam toques reais e seu corpo não o obedeceu, não tinha forças para se soltar.

"— Se você fizer bem direitinho hoje, eu te ajudo também."

Como poderia fingir que estava tudo bem naquele momento se em tantos outros passados e iguais aquele, ele cedia e desistia?

"— Oh coelhinho, acredite em mim."

Sentia que a culpa era toda sua por aquela mancha em sua vida.

As imagens não eram claras, apenas borrões de uma cena que tentou se esquecer várias vezes. Da dor de estar naquela posição, humilhado por uma escolha que não era sua, mas o calor deixava-o aéreo e sem reação. Ele permitia aquilo?

Remexendo-se quando sentiu seu baixo ventre fisgar com a sensação de alívio que vinha, o homem coelho paralisou seus movimentos, levando as mãos para o cabelo e puxando os fios com força desmedida, machucando a si próprio.

— Não! Esquece isso, e-esquece! — Chorou alto, sentindo o nariz entupir automaticamente pela posição que estava, as lágrimas assustadas começaram a umedecer seu ninho e sua cabeça latejou pela dor que causava, tentando se livrar da memória tão vívida que estava escondida no fundo de sua mente.

Desesperado por ar, se contorceu, tendo a sensação alucinante e assustadora de seu corpo estar tão pesado o impedindo de se mexer, como se estivesse preso.

Soltou os cabelos apoiando a mão no peito. Não conseguia puxar ar para dentro dos pulmões.

Mais risadas preencheram o seu redor e arregalou os olhos com seus instintos noturnos e borrados o confundido. Do canto do armário pode ver um sorriso cruel em sua direção.

— S-Sai! Sai daqui! — Seu grito não passou de um sussurro rouco e enfraquecido. Olhando para o outro lado, viu uma cópia daquele.

Um trovão cortou o céu e sentiu dor ao se remexer assustado em um solavanco, debatendo as penas com os tecidos que escorregaram das bordas do ninho e o arranharam com delicadeza, mas que para a mente cansada, simbolizavam todo o peso que usavam para imobilizá-lo, o deixando mais assustado no passado.

Jeongguk sentiu suas forças irem embora, sua garganta estava trancada e o ar se esvaiu, o deixando com a vista turva e seus piores pesadelos tomando conta da atmosfera ao seu redor.

Quando estava prestes a se entregar ao sono lento e torturante que o levaria a apagar por horas fisicamente, mas que o deixaria desperto mentalmente, sentiu mãos quentes o puxando para cima e conseguiu se sentar.

— M-Meu amor! Está tudo bem? Estou aqui com você! — Taehyung acendeu as luzes douradas ao passar pela porta, preocupado com os gritos que o despertaram e a imagem de seu anjo assustado naquele momento.

Seu coração despedaçou quando o moreno negou, não reconhecendo a sua voz. Aquela não deveria ser somente uma onda de calor, estava o machucando.

Ggukie ouvia somente palavras feias e cruéis dos nozinhos pesados.

Estava em perigo.

Era tudo o que vinha em sua mente após inspirar com dificuldade, mas recuperar os poucos sentidos, virando a cabeça para o lado com uma tosse seca e ardida. Seu corpo estava efervescente e dolorido ao mínimo movimento e queria vomitar, jogar tudo o que era sujo e que ainda se culpava por estar impregnado a si, para fora. Seu coração acelerou ainda mais com aquelas mãos desconhecidas se aproximando e tocando seu rosto, sua reação imediata foi morder o dorso alheio com toda a sua força, sendo ligeiro em sua tentativa de repetir o ato com a outra se o desconhecido, porém, vagamente perfumado com morangos doces, não afastasse as mãos abafando um grito rouco de dor.

Príncipe?

Jeongguk não conseguia pensar, rastejando pelo chão além do ninho, batendo a cabeça e costas fortemente contra o vidro separador do armário.

Resmungou alto com a dor, tapando os olhos com as mãos trêmulas chorando profundamente, tão triste e dolorido que seu corpo voltou a perder as forças, o permitindo sentir somente a pulsação quente entre as pernas e o vento gelado o abraçando.

— G-Ggukie... meu amor, sou eu, o seu príncipe.

O garoto coelho negou novamente, não para o outro homem, mas pelo que via dentro de seus nozinhos cheios de lembranças daquele momento em outras épocas. De como gritava, da dor que se espalhava por todo seu corpo e das palavras feias que ouvia.

Mas aquela que lhe chamava carinhosamente, baixinha vindo no fundo de sua memória, começou a formar uma cúpula quentinha ao seu redor, como a rosa que cuidou para presentear ao príncipe em seu aniversário. O lembrando de todas as palavras bonitas que ouviu até ele se tornar o seu namorado. O seu amor.

Seu corpo tremia pelo medo de estar fora do ninho, e estava todo dolorido, porém, foi baixando as mãos dos olhos úmidos de lágrimas, procurando ao redor, a origem daquela voz.

— P-Príncipe? — Ainda com a visão embaçada, tentou enxergá-lo, acalmando seu coração com as imagens dos sorrisos maldosos desaparecendo ao tentar admirar a luz. No entanto, voltou a fechar os olhos. Tinha medo que pudesse estar sendo enganado por sua mente cansada outra vez.

— Estou aqui, meu anjo.

Aquela voz espantou as risadas e as palavras feias.

Soluçou. Completamente aliviado.

Taehyung sentiu seu peito apertar dolorido quando tentou se aproximar e as orelhas compridas viraram em sua direção ao ouvir os ruídos, causando o corpo do seu homem encolhendo e voltando a tremelicar.

— E-Eu posso me aproximar de você?

Jeongguk negou, estranhamente, conseguindo usar seus sentidos humanos para acalmar o coelho preso à sua alma, entendendo o medo nas suas raízes mais profundas. Franziu as sobrancelhas, sentindo somente o calor e incômodo. Não queria mais temer, queria sentir e ser libertado daquelas lembranças tão ruins.

— T-TaeTae?

— Estou aqui. O que eu posso fazer por você, meu amor?

O coelho fechou os olhos inspirando profundamente, permitindo que os últimos soluços escapassem, voltando a se concentrar nas atividades mentais que foi ensinado pela amiga psicóloga, compreendendo que não poderia fugir do seu cio chegando com toda a força. Mas precisava enfrentar aquele nozinho sozinho, estava em casa, no lugar onde construiu seu ninho, onde queria amar e ser amado pelo seu homem, onde queria sentir tudo o que seus amigos disseram que sentiria.

Repuxou os lábios minimamente, soltando em um sussurro:

— C-Cante. Cante para mim, por favor. Eu quero te encontrar, príncipe.

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Notas Finais

E aí? Oque acharam?

Eu fiquei muito ansiosa escrevendo, pois pode ser que a reta final esteja chegando! 🥺

Confiem desconfiando dessa autora! 

O mais importante... TAEKOOK NAMORA FOFINHO SIM! 💜💜💜

Adoro quando consigo juntar no planejamento o que acontece com todos os personagens, e agora com o cio desse coelhinho, o que acham que vai acontecer???

Os meninos estão fazendo tudo o que podem, será que vão conseguir??? 

São muitas informações hihi algum palpite do que lhes espera?? 🫣

Eu espero que vocês tenham gostado e me perdoem os errinhos!





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