15: Uma Visita ao Mar
Notas Iniciais
Oii, anjinhos! Como estão?
Meu Deus como eu senti saudades aaaaaah vocês têm se cuidado direitinho? 🥺💜
Estou eu aqui, no mais tardar mas cheguei hihi, trazendo um capítulo bem quentinho e boiolinha :3
Primeiramente, vocês perceberam que a fic está de cara nova? Essa capinha cheirosa foi feita pela fakelove_luv e tá um arraso, tão perfeitinha aaah estou boiolinha por ela e não canso de dizer o quanto o trabalho dessa anjinho é incrível e o quanto sou apaixonadinha por todos que já vi, obrigada mais uma vez, Dessa! 💜💜💜
Segundo, eu não tenho nem jeito para pedir desculpas pela demora, muitas coisas rolaram nesse meio tempo e com a correria eu acabei me distraindo demais, mas agora voltamos a programação normal hehe. Eu quero entregar o meu melhor em cada capítulo e a fic precisa de muita atenção, gosto de tomar muito cuidado com o que vou escrever por conta dos assuntos tão delicados que são abordados, então me desculpem por dar esses sumiços, mas é por todo o plano e objetivo que eu tenho para a história e os personagens.
O capítulo ficou com 20k de palavras cheias de boiolice, compensa a demora? 👉🏻👈🏻
A insegurança sempre bate, então por favor, comentem o que forem achando! :3
Agora... a garrafinha de água, cadê???? 👀
Sem mais delongas, boa leitura, anjinhos! 💜
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"Esta é uma história de amor que não consigo ocultar. Não consigo fechar meus olhos que só veem você. É algo maravilhoso. Podem me dar o mundo inteiro, mas eu jamais trocaria ele por você, meu amor. Que algum dia você venha para mim, pelo menos uma vez. Que este amor que eu acabei de encontrar, seja você esta pessoa."
Love History - Lyn (do dorama: A Lenda do Mar Azul)
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Depois do sonho lindo que teve com o príncipe, um sorriso alegre e espontâneo contornou os lábios vermelhinhos de Jeongguk durante todos os dias que se seguiram, tão calmos e quentinhos e bons.
Acordava de manhã espantando a preguiça com um pulinho da cama; organizava seu quarto e lembrava o hyung de fazer o mesmo; ajudava Byeol noona com o café da manhã e comia pães doces quentinhos e frescos; por fim, após ajudá-la a guardar tudo outra vez, retornava para uma bolha de preguiça e vontade de ficar embolado a algo quentinho, que o levava a apoiar a cabeça no ombro de seu protetor e assistir um filme recebendo seu calor, podendo ouvir as batidas calmas de seu coração.
E naquela tarde fria e preguiçosa do penúltimo dia de férias do empresário, estavam aconchegados no enorme sofá branco tentando fazer o mesmo, dividindo uma coberta peludinha que cobria suas pernas, porém, ao invés de estarem concentrados na televisão exibindo o último filme do Homem Aranha, e em seus cheiros se mesclando a baixa temperatura ao redor, mantinham uma conversa descontraída junto de baixas risadinhas, enquanto, partilhavam o chocolate que haviam até mesmo esquecido, desde a tarde com os outros hyungs.
― Veja Ggukie, dessa vez vou conseguir.
Tae pegou mais uma bolinha colorida no saquinho amarelo entre as mãos branquelas, jogando a cabeça para trás e atirando o chocolate para cima, mas não pode comemorar, pois sentiu bater em seu queixo e cair sobre a coberta.
― Poxa... ― Um biquinho adornou a boca pessegada.
― Não se preocupe, hyung, ainda vai conseguir.
― Eu fui muito bom nisso quando era mais jovem, ― O acastanhado comentou em concordância num tom nostálgico, mas de fato, em sua adolescência ficava no sofá o dia inteiro assistindo filmes e comendo porcarias, antes de noona puxar sua orelha e fazê-lo voltar a estudar. ― agora é sua vez.
Voltando-se novamente animado para o moreninho, o assistiu pegar uma bolinha de chocolate com um sorriso de brotinho nos lábios, imitando seus movimentos de um minuto atrás e acertando a boca com o doce sem dificuldade.
― Como pode ser tão bom?! ― Taehyung dramatizou, apoiando primeiramente a mão no peito. ― Eu mesmo levei anos para ficar assim! ― Guiou a destra para a testa, apoiando a cabeça no encosto do estofado novamente com uma expressão sôfrega, o que arrancou uma risadinha do garoto coelho.
― Minhas habilidades são quase insuperáveis. ― Aprendida as artimanhas, Ggukie também encenou.
― Espertinho. ― O Kim não se conteve e riu também voltando a encará-lo, passando bons segundos assim, decorando a feição divertida e contagiante de seu pequeno Jeon.
― Eu sou espertinho? O hyung pegou quase todos os mm's do pacote para me mostrar sua habilidade! ― Riram outra vez, entorpecidos pelo clima gostoso que tinha se instalado ali, desde que ficaram com os corpos tão aconchegados um ao outro.
― Que culpa eu tenho? Errei todas as vezes... ― Abrindo um sorrisinho sem vergonha, o que prendeu os olhinhos escuros em si, o empresário controlou o riso que quis escapar, enquanto, seus dedos buscavam um punhadinho de bolinhas coloridas dentro do plástico amarelo.
― Ei, isso é meu! ― Assim que percebeu, o coelhinho desviou o olhar do sorriso bonito, apertando as bordas do pacote prendendo os dedos delgados, impedindo o príncipe de pegar seu chocolate.
― Me dá só mais um pouquinho... ― Tae formou um biquinho nos lábios, encontrando seus olhares com um brilhante e pidão, quase não conseguindo manter a expressão fofa, sendo contra-atacado com olhinhos estreitos e um biquinho inconscientemente nos lábios pequenos e gorduchos. ― por favor, Ggukie.
― Aigoo...
Jeon cedeu voltando a abrir seu pacotinho amarelo, e com sua vitória, Taehyung retirou várias bolinhas coloridas dali, jogando-as para dentro da boca sem rodeios. Sorrindo enquanto mastigava, não conseguindo se segurar, pensava em seu pequeno, que estava usando aquela expressão por ter visto no dorama que assistiu algumas vezes com sua segunda mãe, e era tão lindo e fofo, porque era ele quem a falava, com aquele biquinho natural na boca. E não media esforços para incentivá-la a sair na voz doce.
― Não fique assim, eu quero dividir o meu também. ― Exibindo o sorriso quadrado após engolir, rasgou o plástico do shot quebrando uma barrinha, tomado pela coragem e espontaneidade que seu jeitinho bobo o levou, ergueu-a em direção aos lábios do coelho.
Ggukie rapidamente trocou o biquinho por um sorriso, levando os dedos até o chocolate de cheiro bom e gosto melhor ainda, mesmo que tivesse encontrado um novo preferido.
― Não-não. ― O acastanhado afastou a barrinha de si, e franzindo o cenho, confuso, passou a esperar para descobrir o que ele iria fazer, não demorando muito para sentir seu rabinho se eletrizar sob a coberta e seu pé direito coberto pela meia grossa arrebatar acelerado diversas vezes contra o tapete, com o chocolate voltando a se aproximar diretamente para sua boca.
O príncipe exibiu um sorriso ainda mais bonito, no tempo que lhe oferecia o chocolate daquela forma, suas orelhas dobraram as pontinhas e sentiu seu rosto começar a esquentar, não sabia o que aquele gesto significava, mas lhe trazia uma sensação boa, mimosa.
E retribuindo seu sorriso com uma incontrolável timidez, que o limitou a puxar os lábios em um travado, entreabriu-os abocanhando o primeiro quadradinho, prendendo com os dentinhos e encarando seu hyung em seguida, que afastou a mão ainda sorrindo com o formato de quadrado nos lábios, quebrando outra barrinha a levando para os seus próprios.
Jeongguk estava se sentindo estranho com tantos nozinhos que surgiram somente com aquele pequeno gesto, se questionando do por que estava quentinho por dentro e por fora de repente, derretendo mais rápido que o chocolate em sua boca.
Optando por ficar quietinho, segurou os quadradinhos de shot restantes enquanto mastigava, até acabar, abaixando o rosto para seu pacotinho de mm's, envergonhado.
Por que o príncipe tinha que fazer aquelas coisas? Que o deixavam perdido no meio de tantos nozinhos, sem saber como agir?
Olhando para as bolinhas coloridas, sorriu pequeno, tinha visto algo parecido em algum lugar, não se lembrava onde, mas também não importava, amigos faziam aquilo também, não é?
Assentindo para si mesmo e seus nozinhos de pensamentos, sem perceber que o mais velho lhe assistia com curiosidade e encanto, pegou algumas bolinhas de chocolate com as polpas dos dedos livres, tornando na direção do príncipe, mas perdendo a coragem momentânea quando seus olhares voltaram a se chocar.
Desesperado, rapidamente as enfiou na boca desviando do hyung outra vez, sentindo seu rosto todo pegar fogo quando ouviu a risada baixa e rouquinha.
― Está tudo bem, amigos tem essa intimidade, Ggukie.
Intimidade. Então era isso que acontecia entre si e o mais velho, tinham intimidade um com o outro.
― E não vou negar mais alguns mm's. ― Tentando disfarçar, riu sem graça, pegando um novo punhado de chocolate.
― O hyung é mesmo muito espertinho. ― Aproximou a mão dos lábios da cor de pêssego que achava tão bonitos, arrepiando-se inteirinho quando sua temperatura quentinha se chocou com seus dedos frios pelo nervosismo.
Os lábios de seu príncipe eram quentes e macios.
Taehyung sorriu antes de ser alimentado, segurando o riso que por pouco quase escapou, com o serzinho de olhos arregalados se afastando devagar, agarrando a coberta tentando descontar o que estava sentindo.
― Posso até ser um pouco, mas você é muito mais. ― O Kim soltou uma gargalhada com o rostinho vermelho direcionado a televisão. ― Minha vez de novo. ― Quebrando outra barrinha de seu chocolate ofereceu ao garoto coradinho ao seu lado, que fingiu estar assistindo o filme, porém que sem hesitar, abocanhou aquele pedaço de shot. ― Amanhã é meu último dia de férias... ― Comentou tristonho, ganhando a atenção dos olhos negros no mesmo segundo.
― Quando vai pegar férias outra vez? ― Jeongguk perguntou curioso e ao mesmo tempo aflito, não sabia mais como era passar um dia inteiro longe do mais velho, se apegou muito rápido a tê-lo a todo momento.
― Agora só no final do ano. ― Choramingou o acastanhado.
― Entendo. ― A fala do orelhudo saiu alguns tons mais baixos do que gostaria de expressar. Em um mês fizeram tantas coisas, descobriu inúmeras coisas com o belo homem que era seu protetor, que seria difícil desapegar quando esse voltasse ao escritório da presidência em sua empresa.
Entretanto, também não queria voltar a ser um ingrato e egoísta, tinha noona para fazer companhia, adorava aprender coisas novas com ela e ganhar carinho nas orelhinhas que só a dona Byeol sabia fazer.
― Mas nossa visita ao aquário está agendada para amanhã, vamos nos divertir, o que acha? - Tae tentou reanimá-lo, no entanto, não era uma tarefa fácil, não quando si próprio não estava com vontade de ficar longe do lindo garoto coelho.
― É uma ótima ideia, vamos aproveitar o último dia de férias do hyung, ― Trocaram singelos sorrisos. ― podemos pedir também um bolo de chocolate para a hora do lanche à noona. ― Taehyung abriu um enorme sorriso, assistindo os lábios carnudinhos serem umedecidos pela língua na expressão ansiosa do coelho.
Suspirou disfarçadamente, todas as sugestões de Ggukie eram lindas, e vê-lo fazendo-as tão abertamente lhe causavam sérios abalos cardíacos.
― Vamos pedir sim. - Foi tudo o que conseguiu responder, se sentindo um bobo por agir todo molenga daquele jeito na frente de seu pequeno.
Então prosseguiram apenas se encarando, em um momento calmo e somente dos dois, perdidos em seus nozinhos cheios de graça focados um no outro.
[...]
Por ordem e ameaça de puxar a orelha de quem não a obedecesse, Byeol noona fez seus garotos irem mais cedo para suas camas, sem antes, é claro, depositar um beijinho de boa noite em suas testas, cobertas pelos cabelos macios de tons de cores diferentes.
E quando os dois mais velhos já ressonavam em um sono pesado, Ggukie seguia refletindo a iniciativa da humana que o tratava quase como se fosse seu filhote. Era como se a mesma tivesse adivinhado que queria mais beijinhos seus, que se sentia um verdadeiro filhote quando os recebia.
Não tardou a dormir, foi um pouco mais de uma hora depois que os outros, com suas orelhinhas molinhas igualmente escondidas no quentinho dos cobertores e o pompom que tinha por rabinho balançando todas as vezes que a lembrança o fazia inconscientemente sentir o beijinho de boa noite, ou talvez, em seus sonhos não fosse somente isso, poderia estar sentindo também o príncipe lhe oferecendo chocolate diretamente na boca e os lábios efervescentes tocando as polpas de seus dedos quando foi sua vez de retribuí-lo.
Torcia para que aquelas sensações nunca acabassem.
Pela manhã, acordou com o cheirinho de pães doces invadindo seu quarto, e mesmo assim, durante bons minutos ficou aproveitando a cama quentinha que o confortava como uma toca, nunca se esquecendo de pensar e torcer para que seus outros hyungs, os híbridos que um dia já cuidaram de si também, pudessem estar tendo o mesmo conforto.
Levantando, ainda que com muita preguiça, esticou o corpo caminhando para o banheiro, lavando o rosto com água quentinha e em seguida escovando os dentes dando um sorrisinho para seu reflexo, conferindo a escovação e ao mesmo tempo treinando, queria oferecer seus melhores sorrisos aos seus humanos.
- Eu gosto de levantar cedo, - Falou ao se lembrar da tarefa que sua amiga panda havia lhe dado. - gosto de ajudar a noona e arrumar a mesa para o café da manhã. - Guardou a escova e pasta, secando as mãos e a boca com a toalha de rosto pendurada ao lado. - Não gosto de sentir frio, - Começou, não se referindo somente ao frio que transpassava sua pele todos os dias de inverno que ficava trancado, no passado, era um frio que trazia uma sensação ruim e triste. Passou bons segundos pensando nele, driblando os nozinhos de sua mente quando se lembrou do calor que tinha agora e não só o que beijava seu rosto e o aquecia sob as cobertas apeluciadas. Deu outro passo a frente e sorriu orgulhoso por isso. - eu gosto de peixes, - Decidiu voltar a falar somente das coisas que gostava, movendo as orelhas, ansioso, pela visita que fariam a tarde ao aquário da cidade. - gosto do mar e das suas cores, apesar de nunca ter conhecido, - Seu sorriso se alargou um pouco mais, passando despercebido por seus próprios olhos que via outras imagens, que já conseguia imaginar. - eu gosto de saber que vou conhecer o mar que o homem criou, com o meu príncipe...
Seu coração naturalmente acelerado aumentou a frequência, refletindo em suas orelhinhas quentinhas demais pelo pensamento.
E eletrizado com aquele sentimento, saiu a passos rápidos do banheiro, rumando para o closet e escolhendo roupas bem quentinhas, decidindo deixar apenas o casaco azul escuro para vestir quando fossem de fato sair.
Depois de ajeitar o quarto como já era de seu costume, parou no corredor farejando o ar, seu protetor ainda estava dormindo. Abrindo um sorrisinho, imaginando-o todo esparramado como nas vezes que dormiam juntos no sofá, seguiu para a escada acompanhado do cheiro de morango e chuva, que lentamente foi dissipando dando lugar ao do convidativo café da manhã mesclado ao de baunilha, de noona.
- Bom dia, noona. - A cumprimentou assim que entrou na cozinha, indo diretamente para o armário com gavetas, abrindo a terceira e pegando os sousplats junto da toalha para cobrir a mesa.
- Bom dia, querido! - Byeol se virou em sua direção animada e com um grandioso sorriso, colocando a garrafa recém passada de café sobre o balcão acompanhando os outros alimentos que iriam para o móvel. - Levantou cedo, achei que iria dormir mais um pouco, foram se deitar tarde ontem. - A mesma estreitou os olhos para seu menino, pois se não tivesse os puxado pelas orelhas, não iriam para as camas tão cedo.
Porém, logo negou desacreditada com a carinha fofa e risadinha sapeca que veio de seu orelhudo, que já estava ficando sem vergonha como seus outros moleques.
- É que o hyung está me mostrando os filmes dos heróis que são bonecos da sua coleção. - O pequeno Jeon explicou, no tempo que começou a preencher a mesa, suas orelhinhas dançando animadas ao lembrar de seu mini Homem de Ferro, seu preferido desde que conheceu os outros heróis.
- Esse moleque... - Byeol tentou ficar séria enquanto negava, mas acabou deixando um riso soprado escapar. Via em constantes madrugadas como os garotos haviam se aproximado, como estavam fazendo bem um ao outro. - bom, contando que decidam ir dormir mais cedo...
- Prometo que nós vamos, noona. - Um sorriso bobo se formou em seus lábios, seu menino era incrivelmente doce.
- Acho bom. - Lhe deu um olhar de aviso com falsa seriedade, porém que pareceu fazer efeito no garoto coelho, que deixou as orelhas caírem por alguns segundos, mesmo sem tirar o sorriso arteiro do rosto. - Mas me faça um favor, querido, - As orelhas felpudas se agitaram de forma fofa. - tire seu hyung da cama por mim? Se não, eu vou dar bons cascudos nele. - Concordou depressa. - Deixe que eu termine a mesa.
Não tendo coragem o suficiente para arriscar suas orelhinhas peludas de bons puxões, Ggukie obedientemente foi para o andar de cima a pulinhos rápidos, abrindo a porta do quarto do príncipe devagar colocando apenas a cabeça para dentro, soltando uma risadinha ao vê-lo da forma como imaginava, esparramado sobre a cama, descoberto, agarrado a um travesseiro e com um bico fofo nos lábios.
Com o rabinho elétrico balançando de um lado para o outro, o coelhinho entrou completamente, se aproximando da cama de forma silenciosa assistindo seu protetor dormir por alguns segundos. Via graça e fofura em Taehyung dormindo daquele jeito.
- Tae hyung, - O chamou, recuando um passo quando o mais velho lhe deu as costas suspirando, abandonando o travesseiro para esparramar os braços no colchão. - hyung, - O chamou um pouco mais alto, dando a volta na cama para conseguir ver seu rosto outra vez. - TaeTae, é hora de levantar! - Com um pouquinho mais de coragem, se aproximou do leito, apoiando as mãos na estrutura macia. - O hyung é mesmo muito dorminhoco, tem que levantar!
- Não...
O resmungo baixinho e rouco lhe arrancou uma risadinha, em seguida, o acastanhado abraçou o próprio corpo sentindo frio, afinal, suas pernas haviam jogado as cobertas para fora da cama.
- O café da manhã já está na mesa, - Riu ao ouvir um ronquinho partir da barriga do príncipe.
- Só mais cinco minutinhos... - Taehyung ajeitou-se de barriga para cima, tornando a agarrar o travesseiro.
Então, uma ideia para tirar o mais velho da cama, surgiu na mente do moreninho.
- Poxa, hyung, eu vou ter que comer todos aqueles pães de queijo quentinhos, sozinho?
Um riso rouco escapou da garganta do Kim, desacreditado com o que ouviu.
- Ah... isso eu não posso permitir. - Abriu os olhos, encontrando as lindas jabuticabas brilhantes de seu pequeno, que portava um sorrisinho meigo nos lábios. - Bom dia, Ggukie.
- Bom dia, dorminhoco. - Soltaram as primeiras risadinhas do dia.
- Já vou levantar. - O acastanhado se espreguiçou, porém aninhando-se ainda mais contra o colchão.
- Se o hyung demorar muito, a noona vai vir e vai ser pior. - Tae passou alguns segundos pensando, e não, não iria arriscar sua vida daquele jeito, provocando sua segunda mãe.
- Tem toda razão, pequeno. - Sorrindo para disfarçar sua preocupação com a fala do mais novo, se levantou aproveitando para acariciar uma das orelhas felpudas. - Dormiu bem? - Seu coração palpitou com o assentir frenético fofo.
- Hoje nós vamos conhecer o aquário!
- É verdade. - Suspirou com o olhar cintilante demonstrando toda a animação do moreninho. - Vamos conhecer todos os peixinhos. - Jeongguk sorriu com aquele brotinho florescendo nos lábios vermelhinhos, tão doce, balançando a cabeça agora suavemente, tentando controlar sua animação. - Me espere para descermos juntos, antes que noona suba e arranque nossas orelhas. - Após trocarem novas risadinhas, Taehyung se afastou em direção ao banheiro no canto do quarto fazendo suas higienes rapidamente, para então, organizar tudo e sair do cômodo acompanhado pelo belo garoto, criando planos de como iriam conhecer cada pedacinho do aquário.
- Bom dia! Achei que ia hibernar. - Byeol noona comentou risonha, assim que avistou seu moleque.
- Bom dia noona, - O acastanhado falou em um tom manhoso, se sentando ao lado de seu pequeno. - dormi tão pouco...
- Então vá dormir mais cedo. - A mesma alfinetou, mas sem deixar de lhe dar um carinho no rosto dourado.
Talvez toda aquela manha fosse culpa sua, mimou demais seu Kimzinho, mas não se arrependia.
- Ansiosos para a visita ao aquário? - Perguntou serena, sentando na ponta da mesa como de costume, servindo sua xícara com café e assistindo derretida Jeongguk misturando o seu com leite, ostentando um biquinho concentrado nos lábios.
- Peixinhos são coloridos e fofos, eu gosto de cores, quero conhecê-los. - E aquela resposta adorável foi o bastante para o acastanhado se obrigar a ficar calado, caso contrário, seu jeito o faria agir de uma forma desnecessariamente boba.
Ficava todo desconsertado com as constantes cores em forma de palavras que vinham do anjo.
E sua maior ideia, de levá-lo a essa parte do mundo para entregá-la em suas mãozinhas, talvez lhe devolvessem ainda mais tons coloridos.
- Então comam bem nas refeições de hoje, pegue querido. - A mais velha quase chorava, enquanto, servia seu menino com mais alguns pãezinhos doces, - Seu misto quente, TaeTae. - junto de um pão esfumaçante que foi para seu prato.
- Obrigado, noona! - Acabaram falando ao mesmo tempo, rindo divertidos.
As horas depois do café da manhã se passaram rapidamente, os garotos mal tinham se aconchegado no sofá quando o horário do almoço chegou, para logo após começarem a se arrumar para sair.
- Estão bem quentinhos, garotos? - Noona revezava entre ambos, ajeitando os casacos, cachecóis e toucas, deixando de conferir apenas as orelhas de coelho expostas, afinal, não poderia fazer nada, mas sim que as humanas estivessem bem escondidinhas na lã azul bebê, bem como as de Tae na lã branca.
- Estamos bem protegidos do frio, noona. - O mesmo sorriu piscando um olho, fazendo graça.
- Se cuidem na rua, com a neve acumulada fica muito perigoso, - A mais velha deu a instrução, levando o olhar de um para o outro, preocupada. - se divirtam. - Por fim, sorriu pequeno.
- Ah, noona, pode pegar os ingressos pra mim? Já ia me esquecendo.
- Onde estão? - Byeol perguntou de olhos estreitos, seu menino não tinha jeito mesmo.
- Em cima da mesa. - Assim que a mesma se afastou, Taehyung trocou um olhar sapeca com Jeongguk, havia uma pequena artimanha dos dois no meio.
- Acho muito bonita a relação que tem com a noona. - O moreno tomou coragem para falar o que já pensava a algum tempo, se lembrando que amigos compartilham as coisas.
- Eu devo tudo a ela.
O príncipe tinha um olhar sereno, enquanto esperava o retorno da mais velha. Ggukie sentiu seu peito aquecer, eles tinham um amor sem igual.
- Mas Tae, tem três ingressos aqui. - A Byun retornou com o semblante confuso, segurando os pedaços de papel.
- O que significa...? - O olhar levemente enrugadinho se ergueu, passando de um rosto ao outro, demonstrando emoção ao ver que seus sorrisos foram aumentando.
- Ah, meninos! Não precisavam se preocupar comigo.
- Tá brincando, noona?! - Tae expressou com seu jeitinho dramático, ocasionando uma risadinha no garoto coelho ao seu lado. - Vá se arrumar, hoje nós vamos passear, deixe a louça ou qualquer outro serviço para trás.
- Está bem, está bem!
Lhe entregando os ingressos, Byeol atravessou a sala seguindo pelo corredor até seu quarto, se fechando lá por alguns minutos, saindo toda esbaforida e agasalhada, carregando sua bolsa e a câmera moderna que havia ganhado de presente de seu Kimzinho.
Iria registrar tudo daquela tarde que passariam no aquário.
- Estou pronta!
- Então vamos. - O empresário sequer teve tempo de descolar as solas dos pés do chão que sua segunda mãe e pequeno anjo já estavam adentrando o carro.
Riu baixinho, teriam uma longa e divertida tarde pela frente.
[...]
O caminho para o aquário, dentro do carro impregnado com o cheiro do príncipe, foi tranquilo e quentinho. O pequeno Jeon mal portava-se quieto no banco do passageiro, conversando e rindo com seus humanos, ao mesmo tempo tentando imaginar como poderia ser o lugar que visitariam, se conseguiria contar os peixinhos e conhecer todas as espécies da mesma forma que sabia sobre seus parentes, coelhos maiores; menores; mais peludos; com mais e menos bigodes que si.
- Estamos chegando. - Se atentou às palavras roucas do mais velho, que indicou com a cabeça um enorme prédio aparentemente cinzento numa curta distância, lhe causando o fascínio.
Esbugalhando os olhos, Jeongguk emitiu um som surpreso baixinho, que escapou até mesmo sem perceber pelos lábios entreabertos, enquanto, observava o outdoor revestido de vidro criando a imagem de uma onda gigante se movimentando graciosamente, quebrando e depois voltando a se formar repetindo tudo outra vez.
Suspirou, nunca tinha visto algo parecido em sua vida.
O carro então foi diminuindo a velocidade ao que se aproximavam cada vez mais, entrando calmamente no estacionamento em frente às enormes portas de -também- vidro, condecoradas com o tema aquático.
Ansioso, soltou o cinto antes mesmo do Kim encontrar uma vaga, acompanhando outra onda quebrar e se formar.
- É lindo... - Comentou baixinho para si mesmo.
E naquele exato momento, apenas Byeol noona no banco do meio, atrás, pode ver o olhar tão carinhoso que seu moleque colocou sobre o orelhudo, repuxando os lábios em um sorriso genuíno que não via há muitos anos.
- Não imagina por dentro. - As orelhas peludinhas dançaram e o olhar negresco cintilante encontrou os de mel, sorrindo junto aos lábios gordinhos.
Bobo, Tae até mesmo se esqueceu de trocar a marcha e um solavanco do veículo os sacudiu, envergonhado, estacionou entre as primeiras faixas amarelas livres que avistou naquela fileira.
- E-Então vamos? - Riu de forma nervosa, também retirando o cinto.
A mais velha ali, se limitou a rir baixinho, se livrando do couro que contornava seu tronco saindo do carro, notando os dois garotos rapidamente se colando um ao outro, como se tivessem medo de se perder.
- Ah, eu lembro desse lugar, - Ambos passaram a prestar atenção em si. - trouxe o TaeTae muitas vezes quando era criança... - A pausa que fez a seguir desencadeou uma certa desconfiança no Kim, ele a conhecia muito bem e já conseguia imaginar o que viria em seguida. - sabia, querido? - Chamou o moreninho, esse que prontamente se colocou ao seu lado acompanhando seus passos calmos para fora do estacionamento, curioso para saber mais do que provavelmente seria sobre a infância de seu príncipe. - Esse moleque dava um jeito de escapar de mim e ficar correndo pelo aquário. - Gargalhou, observando o olhar ameaçador de noona sobre o acastanhado, que tinha as bochechas um pouco vermelhinhas, constrangido. - até o dia em que se perdeu, fiquei desesperada atrás dele, mas aí o segurança trouxe o chorão ranhento pra mim, então nunca mais ele se afastou.
- Noona! - O empresário passou as mãos nervosas pela touca ajeitando, já que não tinha acesso completo a seus cabelos para descontar o nervosismo. - Não dá ideia. - Disfarçou provocando-a, passando na frente com o nariz empinado.
- Não se atreva, moleque!
Jeongguk seguia ao lado da mulher de meia idade soltando baixas risadinhas, alheio aos olhares julgadores que recebia de alguns humanos em volta, que recebiam em troca piores e defensivos da mesma, não gostando de vê-los sobre seu menino.
Por fim, ao atravessarem a rua, aquela onda refletida no vidro parecia maior e brilhante, fazendo o mais novo imaginar que pudesse os molhar quando passassem embaixo pelas portas automáticas.
Já dentro, havia uma bancada de madeira escura bonita, logo ao lado das portas, iluminada pela baixa luz dourada do ambiente, as paredes levemente onduladas em volta eram coloridas de tons leves de azul e muitos cartazes pendurados indicavam momentos da história e fósseis dos milhares de anos que os peixes existiam.
No canto esquerdo, os olhos de jabuticaba, atentos, encontraram o túnel de entrada. Seu rabinho tornou a balançar elétrico, pois já conseguia ver a água refletida na parede.
- Tenham uma proveitosa visita. - Voltou sua atenção em direção a voz vinda de um senhor de olhos enrugados e quase sem cabelos, que depositava os ingressos em algum lugar atrás do balcão.
- Obrigado, senhor. - Taehyung sorriu se curvando, em seguida, virando-se para os outros dois. - Vamos? A aventura vai começar!
O garoto coelho foi o primeiro a concordar, iniciando a caminhada até o túnel, com os mais velhos o seguindo com sorrisos abobados nas faces, assistindo as orelhinhas felpudas e o pompom branquinho dançando em animação.
Porém, conforme iam se aproximando cada vez mais do início dos aquários, os passos de Taehyung foram diminuindo, até que se pegou parado, olhando em volta com o peito de repente sendo estrangulado.
"- Mamãe! Essa é a primeira vez que viemos só nós dois, juntinhos!"
Enxergou o TaeTae de anos atrás, refletido de si próprio logo à frente.
Se lembrava de tudo daquele dia, era o seu aniversário de quatorze anos, na primeira e única vez que visitou o aquário com sua progenitora, antes de seu falecimento.
"- É verdade, querido. - Ouviu a voz doce outra vez, além de ver a imagem da mulher de longos fios castanhos. Seus olhos marejaram. - E viremos muitas outras! - Seu rosto foi acariciado pelas mãos quentinhas. - Vamos? A aventura vai começar!
- Vamos! E não se preocupe mamãe, eu vou te mostrar tudo o que aprendi sobre os peixes!
- Oh! Por favor, meu filho."
Aquela risada gostosa que lhe fazia tanta falta ecoou, antes das imagens começarem a se mover em direção ao túnel e desaparecerem diante de seus olhos.
E não, não estava ficando louco, sua mãe iria olhar para trás antes de sumir, conseguiria ver o seu rosto iluminado outra vez.
Por que não foi capaz daquilo? Se pudesse vê-la só mais uma vez, iria se sentir mais vivo também.
- TaeTae hyung?
Chacoalhando a cabeça, passou as palmas das mãos pelos olhos, secando, voltando a sorrir para o ser pequeno, esse mantendo os olhos preocupados sobre si.
- Tá tudo bem?
- Tá sim, Ggukie, eu só... me lembrei um pouco do passado vindo aqui.
- Não vá chorar para um segurança outra vez, hein.
Byeol brincou, tentando distrair seu Kimzinho, com o coração igualmente apertado por saber que aquele lugar o traria lembranças tão profundas. Porém, conseguiu respirar um pouco aliviada ouvindo sua risada.
- Pode deixar, noona, eu vou encontrar você. - Trocaram largos sorrisos, afinal, naquela mansão mesmo com os dois Kim, eram somente os dois nas tardes de sua infância. - Preparado para conhecer o mar, pequeno? - Tae voltou a encarar o universo dentro das orbes escuras.
- Preparado! - Confirmou o dono destas.
Jeon sentia-se outra vez estranho, mas era algo bom. Tinha essência, a mesma vontade de cuidar de seu príncipe, como ele fazia consigo desde o começo de sua nova história.
Ainda não se entendia muito bem, mas poderia deixar a si próprio de lado para compreender o belo homem.
Pensando no que fazer, respirou fundo tomando coragem para falar.
- Quer segurar a minha mão? Não vou deixar você se perder, hyung.
O olhar melado do acastanhado se arregalou, no tempo que aquela doce pergunta atacou diretamente seu coração, já derretido e fraco.
- Eu preciso, pequeno.
Foi sincero, entrelaçando seus dedos aos branquelos gélidos, sentindo-se forte com aquele singelo gesto.
- Agora podemos ir. - O orelhudo repuxou os lábios em um pequeno sorriso, o puxando consigo e guiando seu caminho.
Taehyung estava perdidamente bobo, prestando atenção somente em suas mãos juntas, no poder de confortar um triste coração que o belo garoto tinha, mesmo com o próprio imensurável machucado.
Juntinhos, passaram pelo túnel e inúmeras cores apareceram, contornando seus corpos e distribuindo em ondas refletidas nos vidros.
O garoto coelho passou bons segundos com os lábios entreabertos, vendo tantos peixinhos nadando, uns em grupos, outros sozinhos, maiores e menores, por todos os lados, até por cima de sua cabeça em um teto também feito de vidro e água. A iluminação baixa de tom azul dando ainda mais vida para o lugar imenso e bonito.
Aquele mar estava lindo, não tinha mais dúvida. Só de quantos peixes poderia ter ali, não conseguiria contar em apenas uma tarde.
Inconscientemente, com o peito eufórico transbordando, seus dedinhos apertaram os delgados que estavam o conectando ao mais velho, olhando para todos os lados temendo perder algum peixinho de vista.
- Aqui é muito bonito, Tae hyung! - Taehyung apenas assentiu, mal conseguindo se manter sobre as próprias pernas, moles feito gelatina.
- Então vamos explorar, pequeno! - Tentando recompor as forças que seu jeito bobo o tiraram, o acastanhado puxou-o delicadamente, encontrando noona que já estava um pouco à frente lendo uma das plaquinhas e tentando encontrar os minúsculos peixes que haviam ali, por mais que conhecesse aquele lugar a anos, havia sempre alguma novidade.
- O que encontrou, noona?
- Ainda não encontrei, TaeTae.
Os mais jovens soltaram baixas risadinhas.
- Aqui tem peixes de três centímetros, uma das menores espécies, mas não estou vendo nenhum.
- Achei! Ali, noona! - A animação do coelhinho e a voz doce soando tão animada, derreteram seus corações. - São quase invisíveis!
Apertando os olhos sob os óculos, Byeol encontrou o grupo de peixinhos, as cabeças cinzentas, enquanto que os corpinhos ondulavam bem camuflados na água.
- Incrível! Não acha, querido? - A mesma perguntou, encarando o serzinho elétrico contando os peixinhos, baixinho.
- Uhum! São fofos e pequenininhos. - Ggukie fez uma conchinha com ambas as palmas, como se pudesse pegá-los.
Byeol soltou uma risadinha, concordando, ainda que o achasse mais fofo e pequenininho do que os peixes.
- A Dory! - Ao ouvir o nome do personagem, Jeongguk rapidamente teve a atenção roubada pelo príncipe, que estava alguns passos à frente, e foi até ele curioso.
- É muito fofo.
Ambos inclinaram um pouco os troncos, vendo aquela parte do aquário repleta de peixinhos azuis com nadadeiras mescladas de preto e amarelo.
- Aqueles dois estão brincando! Ali TaeTae!
O acastanhado teve o riso rouco e fraco abafado pelas outras pessoas que estavam visitando o aquário, e agradeceu mentalmente, pois a cada palavra solta pelo pequeno coelho, seu jeito bobo o fazia agir involuntariamente.
- Onde? - Nem mesmo conseguiu encontrar o provável casalzinho entre o cardume inteiro.
- Aqui! - Sendo puxado pela gola, sentiu sua cabeça se chocar levemente com a do moreninho, suas têmporas permanecendo coladas ao passo que olhava na mesma direção que este, passando a assistir os dois peixinhos azuis rodeando um ao outro, nadando entre as algas e voltando a se encontrar.
- É mesmo, estão brincando! - Seus olhares se chocaram, estavam muito perto um do outro, encontrando detalhes que ainda não tinham visto ao se olharem. - Lindo...
Tae acabou soltando, os olhos presos em uma pintinha bonita que avistou sob os lábios vermelhinhos, sentindo seu rosto esquentar junto a aceleração em seu coração. Tinha sido um bobo, de novo.
- Uhum. - Suspirou aliviado pelo garoto coelho ter se confundido e compreendido que falava dos peixinhos, não de si, mesmo que desejasse que ele soubesse como era lindo. Respirou fundo inalando o cheirinho de torta de limão, assistindo o narizinho gelado quase encontrando o seu com movimentos graciosos.
- Queridos! Olhem esses aqui! - Nervoso, foi o primeiro a se afastar, sorrindo de forma travada coçando a nuca, voltando a puxar o coelhinho, agora em direção a mais velha, que observava o outro lado do corredor.
Daquele lado o aquário era maior, contendo muitas espécies de outros peixinhos pequenos, que se escondiam nas algas e decoração do habitat, para então, sair e se exibir, mostrando suas partes coloridas e brilhantes.
- Esses se parecem com minhocas. - Ggukie se controlou para não apoiar as mãos no vidro, se abaixando para ver no fundo do aquário os que lhe chamaram mais atenção.
- É mesmo, a diferença é que são coloridos. - Taehyung complementou, olhando para a tela sobre o aquário, esperando aparecer sobre aquela espécie.
- E da água.
- Sim. - Concluíram o pensamento com risadinhas divertidas, aquecendo o coração de noona que os observava.
Acabaram por deixar a tela de lado, observando aquela espécie de peixes contornando todo o fundo de areia, saindo e entrando de suas minúsculas tocas, balançando como as algas em volta. Jeongguk mantinha os dentinhos expostos, achou-os engraçados.
- Cavalos-marinhos! - Exclamou ao encontrar um pequeno grupo também próximo da areia.
- São tão bonitinhos. - Noona expressou afinando um pouco a voz, observando os de tonalidade dourada irem de um lado para o outro, fazendo graça.
- Olhe aqueles com as caudas entrelaçadas, noona! - A mesma seguiu a direção que o dedo indicador branquelo mostrou, encontrando o casalzinho de frente um para o outro, as cabeças encostadas enquanto tinham os corpos entrelaçados.
- É mesmo muito fofo. - Concordou animada.
- Esses aqui são um pouco estranhos. - Ao ouvirem o comentário do empresário, seguiram curiosos até o próximo aquário, mais a fundo do túnel.
Dentro daquela divisória, haviam peixes de uma única espécie, que o coelho leu na placa indicativa, serem: Pâmpanos-manteigas, peixes históricos, mas que em alguns países, de forma alguma são consumidos, por conta de vermes e outras substâncias nocivas à saúde.
Eles eram realmente estranhos, tinham dentes saltados pelas mandíbulas, olhos minúsculos não ornando com os tamanhos de suas cabeças, que eram achatadas e quase formavam um quadrado até o restante dos corpos, tinham um cor metálica única, que refletia a luz extremamente clara que iluminava a água, nadando desajeitados e aparentando estarem fadigados todo o tempo, permanecendo a maioria dos minutos com movimentos mínimos.
- São diferentes, - Concordou, voltando a entrelaçar seus dedos timidamente, mas de forma firme, até porque, havia dado sua palavra de que não deixaria o príncipe se perder. - mas tem uma beleza única, só deles.
- Tem toda razão. - O Kim levou o olhar do aquário para si, repuxando os lábios em um sorriso grande, o serzinho angelical era indescritivelmente doce, por dentro e por fora. - Vamos para o próximo? - E recebendo uma confirmação frenética fofa, o guiou para o corredor ao lado, onde espécies mais exóticas tinham tudo adaptado para um ambiente confortável, mesmo que igualmente vibrante e colorido.
Noona deu a volta pelos aquários em seguida, ficando um pouco distante, aproveitando a distração de seus meninos para bater algumas fotos, sorrindo contagiada pelo que via através da lente.
- Olhe esses, quantos bigodes! - Jeongguk riu baixinho do comentário de seu hyung, também observando os peixes maiores e gordinhos, nadando de um lado para o outro depressa. Eram esverdeados e conseguiam se camuflar com as pedras no fundo do vidro, o coelho achou-os peixes muito inteligentes, mesmo sabendo que era um instinto de proteção.
- Acho que eles tem mais bigodinhos do que eu. - Contou, remexendo o nariz pelo sentido aflorado, afinal, só conseguia sentir aqueles fios sensíveis quando estava transformado em seu coelhinho.
- Podemos contar e comparar. - Riram baixinho. - E quanto a mim? Será que eles têm mais também? - Com a mão livre, Tae passeou pela bochecha, contornando o queixo, criando uma barba invisível na pele lisinha.
- O hyung não tem bigode!
Uma gargalhada gostosa escapou do orelhudo, chamando a atenção de outros visitantes, porém ambos sequer deram atenção, estavam focados somente em compartilhar aquele momento.
- Vou deixar crescer!
Arqueou as sobrancelhas diversas vezes, fazendo graça para o moreninho, que ria divertido, imaginando uma barba no rosto do mais velho. Tinha certeza de que ficaria um homem ainda mais belo.
- Quando crescer, podemos comparar também. - Taehyung concordou, aumentando o sorriso com a ideia.
- Na próxima vez que viermos, verão que terei mais bigode que vocês. - Falou para os peixes no aquário, recebendo como resposta, outra gargalhada do garoto coelho.
Ao atravessarem o corredor, encontraram um extenso aquário de recifes, assistindo infinitos peixes fazendo graça, com escamas reluzentes e coloridas, deixando impossível para ambos identificar quantas cores conseguiam ver, eram muitas. O acastanhado reconhecia os que eram miudinhos, teve muitos em pequenos aquários em seu quarto quando criança, eram os mais comuns de se encontrar, mas observando o rostinho fascinado do Jeon, percebeu que não eram simples peixinhos para decorar uma casa.
- Vejam, queridos! - Seus olhares seguiram a direção que trouxe a voz da Byun, que tinha metade do corpo em outro túnel. - Aqui há tartarugas!
- Vamos conhecê-las, hyung! - Sem calcular sua força, Jeongguk puxou a mão grande e quentinha entrelaçada a sua, levando seu humano consigo até o outro túnel, não deixando de acompanhar as espécies coloridas que surgiam no caminho.
Ao adentrarem o corredor do lado direito, logo de cara puderam ver um espaço consideravelmente grande, com a maior porcentagem repleta de água e uma pequena parcela com areia.
Os olhos naturalmente grandes duplicaram o tamanho. Tartarugas eram maiores do que imaginava, eram lindas vistas de pertinho daquela forma.
- Nossa... - Suspirou maravilhado, assistindo uma das quatro que estavam ali, nadando calmamente, enquanto que as outras permaneciam aconchegadas na areia.
- São crescidas em cativeiro. - Se atentou às palavras do mais velho, que lia sobre elas na tela grudada na parede abaixo do aquário.
- São adoráveis. - O pequeno Jeon concordou com noona, abrindo um sorriso retribuindo a mesma.
- Será que alguma delas já tem mais de cento e cinquenta anos? - Perguntou curioso, procurando por alguma informação nas imagens exibidas.
- Esse aquário é antigo, - Suas orelhinhas dançaram. - mas acho que não para ter uma tartaruga com essa idade, a mais velha deve ter a idade da noona, ou ainda, pode ser até mais nova!
Provocou ao encarar a mais velha, gargalhando com sua expressão brava, que assustaria outros, mas já a conhecia, sabia que estava segurando o riso também.
- Seu moleque! - Byeol se aproximou de si, apenas para lhe dar um beliscão.
- Ai ai, noona! - Massageou o braço, fingindo dor, em vista que o casaco grosso impediu a grisalha de dar uma devida lição ao mimado que criou.
- Quando nós chegarmos em casa, vamos ter uma conversinha...
Lhe deu o aviso com falsa seriedade, não estava brava por algo que era verdade, passando para o aquário a frente, escondendo a vontade de rir junto de seu menino.
Ggukie permaneceu quietinho, pelo bem de suas orelhas que também já foram ameaçadas, e apesar de saber que era brincadeira não queria arriscar. Mas o acastanhado parecia não ter esse medo, passando a seguir Byeol noona tranquilamente.
E depois de conhecerem algumas espécies de tartarugas, seguiram para o quarto e último túnel, encontrando peixes grandes e pequenos pacificamente misturados nos mesmos aquários, até uma arraia nadava junto a eles, num oceano artificial muito bonito aos olhinhos negrescos.
- Vejam só! Esses são a cara do Tae, - Observaram o mesmo cardume que a mulher de meia idade. - peixes-palhaços!
- Muito engraçado, dona Byeol. - O empresário formou um biquinho nos lábios, franzindo as sobrancelhas em uma expressão brava, suspirando de forma teatral. A mesma riu junto ao moreninho, o fazendo por fim, encolher os ombros envergonhado.
Não devia brincar com sua segunda mãe, sendo que ela gostava de devolver com a mesma moeda. Mas se sentia agradecido, as duas pessoas mais importantes em sua vida estavam felizes, era o que importava para si.
- Vimos tudo do primeiro andar, que tal alimentar os peixes agora? - Sugeriu, recebendo o olhar arregalado e surpreso de Ggukie.
- Podemos alimentar os peixes?
- Podemos sim, pequeno, tem um aquário aberto para visitantes no piso de cima, - As pontas das orelhas extensas dobraram algumas vezes, denunciando o entusiasmo do mais novo. - você quer ir lá?
- Eu quero, TaeTae!
O menor respondeu tão livre, tão à vontade.
Taehyung sentia pontadas certeiras em seu peito, por poder estar fazendo parte de tudo o que seu belo garoto sentia naquele momento. Ele não sentia medo, ou, deixava de expressar o que queria falar, estava pulando como um verdadeiro coelhinho, conhecendo tudo o que não tinham o direito de ter arrancado de si no passado. E era infinitamente bom vê-lo assim.
- Então vamos.
Delicadamente, o puxou para a saída do túnel, os guiando para o lado oposto, onde uma escada rolante subia calmamente, deixando os visitantes aproveitarem o teto cheio de peixes. E quando pisaram nos degraus em movimento, não foi diferente.
- Aqui é mágico. - O garoto coelho sorria assistindo ao mar, encantado com cada pequeno detalhe que muitos deixavam de lado, mas que pareciam imensamente importantes para si.
- É sim. - Tae assentiu, mesmo que o mais novo não pudesse ver, se achando um completo bobo, entretanto, era inevitável não ser um quando Jeongguk sorria, ou, falava coisas lindas e fofas e importantes para si.
Ao chegarem, a visão de um tanque extenso, posicionado com cuidado no chão e aberto, dava ao garoto coelho a visão de uma parcela do mar como nos desenhos do Bob Esponja que tanto gostava. Era engraçadinho e fofo.
- É ali que pegamos os saquinhos de ração. - Seguiu a direção que o príncipe indicou com a cabeça, encontrando próximos a parede, dois cilindros coloridos, as partes de vidro recheadas com pacotinhos e bolinhas, e na de metal, indicadores para uma nota de won e abertura para retirar o brinde.
Com um pequeno solavanco pela surpresa, Tae foi arrastado pelo serzinho estupefato até os cilindros, passando a observá-lo com encanto, enquanto, o mesmo rodeava aqueles pilares, curioso.
- Aqui, coloque lá. - Lhe ofereceu a nota azul de mil wons, suspirando discretamente com as orelhinhas e o rabinho dançando de forma graciosa.
Depois de depositar o dinheiro, Ggukie girou o botão ao lado, ouvindo um estalinho e algo caindo embaixo desse, onde indicava que pegasse o que sorteou, animado, tirou de lá um saquinho marrom, se levantando e tornando a encarar o Kim com os olhinhos brilhantes.
- Peguei, hyung.
- Vamos alimentá-los, então. - Puxando a mãozinha livre, os guiou para a beirada do tanque. Ajoelhando-se e rapidamente sendo acompanhado pelo mais novo que o entregou o pacote de ração.
- Oi amiguinhos! Estão com fome?
Taehyung sentiu suas mãos perderem o controle, o que dificultou que rasgasse o pacotinho minúsculo para seus dedos grandes. O anjo era um ser tão precioso, mesmo que estivesse lhe abalando seriamente com seu encanto aos poucos.
- Fome têm eles. - Falou ao finalmente rasgar o plástico. - Não! Sim! E-Eles parecem estar com fome. - Riu, nervoso, pegando a mão branquinha estendendo a palma para si, despejando as bolinhas da ração.
Soltando uma risadinha, achando o jeito desajeitado do acastanhado fofo, Ggukie capturou seus dedos livres, dividindo a ração que tinha.
- Dê um pouco pra eles também.
E derretido com o sorrisinho de brotinho, Tae abriu um grande em retribuição, enquanto viravam as mãos dentro do tanque, assistindo um cardume desesperado se aproximar para pescar a ração que lhes deram, formando muitas bolhinhas e uma bagunça colorida naquela parte da água.
- Eles são esfomeados, - Comentou risonho, assistindo os peixes aos poucos se afastando. - igual o hyung.
- Comida cai bem em qualquer hora do dia. - Sua resposta fez o menor soltar uma risadinha.
- É verdade.
Passaram alguns segundos apenas se encarando, longe das vozes altas ao redor, procurando por seus reflexos no olhar um do outro. Até o moreninho ter sua atenção puxada, junto a uma de suas orelhas.
Assustado, virou o corpo rapidamente para ver quem o tocava, inconscientemente aproximando-se mais do empresário procurando proteção, encontrando um garotinho de olhos grandes como os seus, soltando risadinhas por trás de uma chupeta presa entre seus dentinhos, passando a acariciar sua pelagem branca e macia.
- Boito! Boito!
O de olhar arregalado não compreendeu suas palavras emboladas de primeira, mas quando ocorreu, Jeongguk sorriu também, e mesmo atento a seus movimentos, permitiu que aquele carinho continuasse.
Aquela criança era fofa.
- Oh! Me desculpe! - Uma mulher alta e desesperada, afastou a mãozinha rechonchuda da orelha do coelho. - Eu me distraí por um momento. - Falou se curvando algumas vezes.
- Tudo bem. - Jeon sorriu um pouco tímido e desconfiado, imitando seu gesto e se curvando, era uma humana desconhecida afinal. - obrigado pelo elogio, você também é muito bonito. - Disse ao garotinho, recebendo como resposta uma gargalhada alta e animada, do mesmo tentando se soltar dos braços da -provavelmente- mãe, para voltar em sua direção.
- Boito! Boito! - Apontou com o dedinho para si quando a mesma passou a os afastar depois de uma reverência, em seguida, o chamando com a mãozinha. - Boito, omma! Deixa brincá! - Começou a choramingar quando foi perdendo o garoto coelho de vista.
Ggukie formou um biquinho nos lábios, tinha gostado de interagir com o filhote humano, lhe trouxe uma sensação boa e diferente.
- Ela parecia com pressa... - O Kim falou em tom baixo, inebriado pelo cheirinho cítrico do outro, para não dizer que a mulher não tinha tanta paciência com o filho.
- Uhum... - Jeongguk maneou a cabeça, voltando-se para si e os peixinhos. Esperava ter outra oportunidade de brincar com um filhote, como na ONG com seus novos amiguinhos.
- Aqui tem outras espécies e até sapos, quer ver?
- Quero, Tae! - A animação voltou rapidamente para o moreninho.
- Esperem! - Noona que tinha ficado para trás fotografando alguns peixes, concentrada, os encontrou e mirava a câmera para ambos. - Deixe eu tirar uma foto de vocês, sorriam e digam 'xis! - Ao fizerem o que foi indicado, ouviram o barulhinho da máquina em suas mãos. - Chegue mais perto do Ggukie, TaeTae!
Mesmo sentindo seu rosto começando a esquentar, o acastanhado se aproximou mais um pouco, conseguindo sentir seus casacos friccionando nos ombros.
- Agora sim, - A mesma voltou com a lente diante dos olhos, tirando uma nova foto. - lindos!
- V-Vamos ver as salamandras, noona. - Taehyung sugeriu, envergonhado.
- Vamos! Esses bichinhos saem ainda mais adoráveis nas fotos do que os peixes.
Levantando, com os dedos se entrelaçando automaticamente, os garotos passaram a seguir a mais velha para o final do corredor, iluminado com luzes densas, mas ainda sim bonitas, deixando o ambiente um pouco escuro, e o anjo colado ao seu protetor.
Naquela parte do piso, os aquários eram em formas cilíndricas largas, porém dando o mesmo conforto para os animais que viviam neles.
Nos primeiros, observaram sapos de diversas espécies, até o mais comum de se encontrar, e que aparecia constantemente no jardim do Kim, assustando-o ao pular de seus canteiros bem quando colocava as mãos entre as flores. Noona nunca soube identificar quem ficava mais assustado, seu menino pela visita repentina, ou o sapo, pelos gritos histéricos do mesmo.
Depois de alguns segundos em que percorreram para lados diferentes, o pequeno Jeon deixou de encarar os girinos, notando a falta de calor que vinha da mão do príncipe não mais conectada à sua.
Com as orelhas dançando atentas, girou em seu próprio entorno, procurando pelo mesmo e o encontrando logo à frente, entre dois aquários de sapos. Suspirando aliviado, caminhou até seu hyung, parando ao seu lado para observá-los também.
- Era aqui que eu sempre escapava de noona... - Arregalou os olhos, encarando os travessos de mel que riam junto aos lábios quentes.
- Não pode, hyung! - Ggukie sentiu seu coração aumentar a frequência, sem saber o que fazer direito diante do belo homem. Não poderia deixar que ele se perdesse.
- Por que não? - O Kim deu um passo para trás, sendo seguido pelo moreninho em reflexo.
- E se o hyung se perder?
A pergunta soando mais baixa e tímida, aqueceu as bochechas e acelerou o coração do acastanhado.
- Mas e se você fugir comigo?
Os olhinhos negros reluziram na luz azul escura, e Tae pode se observar brilhando no meio de suas costelações.
- Nós dois iremos nos perder...
- Não se encontrarmos um segurança. - Jeongguk acabou soltando uma risadinha, com as sobrancelhas grossas arqueando de forma engraçada, mesmo que não acalmasse suas palpitações refletidas de nozinhos causados pelo mesmo.
- É melhor ficarmos aqui. - Tentou encaixar sua mão à maior, porém Tae se afastou um pouco mais, sorrindo arteiro.
- Me encontre, Ggukie.
E assim, correu para o fundo do piso, na parte mais distante e escura, se escondendo atrás de um aquário de caranguejos-eremitas, sentindo-se um bobão, porém algo em si brilhava como o espírito de uma criança, entregue.
O coelhinho passou a bater o pé direito contra o chão, causando um barulhinho abafado, tentando decidir entre seguir o príncipe espoleta, ou, contar a noona que ele poderia se perder.
Respirando fundo, escolheu a primeira opção, andando depressa entre os aquários, mal conseguindo se concentrar em observar os animais que estavam neles, seus olhinhos permaneciam focados em encontrar o príncipe fujão, mesmo que tivesse receio, afinal, havia outros humanos ali, muitas vozes e perfumes diferentes do timbre rouco e aroma de morango e chuva.
Seguindo concentrado aquele perfume, não demorou para acontecer, atrás do habitat dentro do vidro cilíndrico, iluminado pela fraca luz mesclada ao tom de verde, encontrou os olhos de mel, observando-o, risonhos.
- Te achei, hyung! - Foi até si rapidamente, era definitivo que Tae parecia não se esconder bem, na ONG durante a brincadeira foi o primeiro a ser pego em todas as partidas.
- Você é muito bom em esconde-esconde, pequeno! - Ganhou um carinho em seus fios negros e rebeldes. Automaticamente o medo de se perder foi embora, estavam juntos e poderiam guiar um ao outro. - Agora é sua vez.
- Eu sou o melhor nesse jogo. - Jeongguk empinou o nariz, como o mais velho sempre fazia. Por sua mente se passavam as lembranças da noite mágica de natal e da guerra de bolas de neve em que todos os hyungs brincaram juntos.
Taehyung fraquejou, observando o sorriso mais forte de brotinho, tão meigo, colorido de vermelhinho exibindo os dentes de coelho, tão... Jeongguk.
Não, ainda não eram Jeongguk, precisavam florescer.
- Será? - Provocou, mordendo o interior das bochechas contendo um riso. - Irei te encontrar rapidinho, pequeno, quer apostar?
Desde o jogo da velha, Ggukie descobriu que também não gostava de perder, e suas orelhinhas dançaram, demonstrando a vontade de provar para o príncipe que era sim.
- Pode começar a contar. - O acastanhado lhe deu as costas após sua resposta, com aquele sorriso bonito.
Domado por aquela energia boa e inexplicável que surgia quando estavam juntos, Ggukie se afastou, conferindo apressado se noona ainda estava por perto, vendo que sim, procurou mais aliviado por seu esconderijo.
Taehyung como o bom trapaceiro que era, olhou para trás, soltando uma baixa risada ao notar seu pequeno se escondendo atrás do aquário das salamandras.
E lhe dando mais um tempinho até que sua contagem chegasse a trinta, virou-se completamente para os aquários, sorrindo de forma sapeca iniciando uma caminhada calma na direção do maior do piso, olhando vez ou outra ao redor em uma falsa procura pelo moreninho.
Parando do lado oposto do esconderijo do mesmo, apoiou as mãos na cintura, disfarçando o máximo que conseguiu, afinal, Ggukie poderia o observar facilmente. E ponderando ter passado tempo o suficiente o procurando, riu baixinho dando a volta no aquário.
- Te encontrei, pequeno!
Seu sorriso murchou até sumir, sendo trocado por um biquinho confuso. Jeongguk não estava lá.
- Mas eu tinha tanta certeza... - Apoiou as mãos na cintura, olhando em volta, tentando de fato achar algum sinal do garoto coelho.
Por fim, não encontrando nem mesmo Byeol noona, Taehyung secou as mãos suadas nas calças grossas o protegendo do frio, observando além das pessoas contornando os aquários qualquer indício de seu pequeno.
E quando seu coração dava as primeiras palpitações desesperadas, sorriu descrente com os olhinhos negros o observando de um vidro cilíndrico na diagonal do que estava, o fazendo ter mais certeza de que era o mais novo com um movimento muito parecido com as orelhas peludinhas caindo que observou pela fraca luz do lugar.
- Pode mudar o esconderijo durante o jogo? - Questionou a si mesmo, indo a passos apressados até o novo esconderijo do coelhinho.
Sorriu grande durante o curto percurso, ele era espertinho demais e obviamente percebeu que tinha trapaceado. Suspirou abobado.
E dando a volta naquele aquário, novamente não o encontrou, apenas o vulto do corpo pequeno se esgueirando para a parte da frente. Rindo baixinho, o seguiu, acelerando os passos para acompanhá-lo, tentando compreender como Ggukie conseguia ser rápido e ágil estando parcialmente agachado.
- Pequeno, não adianta mais, eu já te encontrei!
Sem perceber, começou a correr levemente atrás do mesmo, que se escondeu atrás de um sapo rechonchudo e verde, exibindo os dentinhos de coelho para si.
- Mas não bateu o pique, hyung!
Piscou, atordoado com a risadinha que veio a seguir.
- Nem você!
Ficaram apenas se encarando por alguns segundos, até o garoto coelho soltar uma risadinha e correr para trás de outro aquário, sendo acompanhado pelo olhar melado brilhante e demasiado encantado.
- Quando virou uma brincadeira de pega-pega? - Questionou, imitando seu gesto parando novamente do lado oposto.
- Quando eu vi o hyung virando para espiar. - Abriu um sorriso sem vergonha, ainda que novamente fascinado com o jeitinho descontraído do belo garoto.- Mas se quiser pode desistir.
- Não mesmo, - Ameaçou dar a volta para o mesmo lado que o moreno, que soltou uma risadinha indo pelo seu oposto, assim o príncipe nunca o pegaria. - eu sou o melhor nas brincadeiras.
- Não pode contar só com isso, TaeTae.
Estupefato, o maior deu a volta no aquário, seguindo o coelhinho fujão que disparou competitivo para dois à frente.
Ambos mal perceberam quando iniciaram uma corrida entre as pessoas e os aquários, gargalhando quando ficavam de lados opostos, atentos a quem daria o primeiro passo. Vez ou outra, esqueciam a brincadeira e conheciam os pequenos seres dos aquários, logo em seguida, voltando a disparar tomando cuidado para não esbarrar nos outros visitantes.
Depois de um tempo, estavam tão entretidos fugindo e ao mesmo tempo encontrando um ao outro, que não prestavam mais tanta atenção nos vidros e seus habitats, apenas nos sons de suas risadas e nas sensações boas que traziam em seus peitos acelerados.
- Ei, vocês aí!
Jeongguk foi o primeiro a sair da bolha que criaram e parar de correr, arregalando os olhinhos quando um homem alto e fardado começou a se aproximar, a feição brava o dando medo. Tae parou ao seu lado ofegante, e não hesitou em conectar suas mãos colando também seus corpos.
- O que pensam que estão fazendo?! - O homem grisalho cruzou os braços malhados rente ao peito, arqueando uma sobrancelha.
- B-Boa tarde, senhor. - Foram as primeiras palavras que saíram dos lábios trêmulos de pêssego. - Não estamos fazendo o que está pensando que estamos fazendo. - Taehyung riu sem graça, engolindo em seco quando o mesmo aproximou mais alguns passos até estar em sua frente exclusivamente.
- Então o que eu estou pensando que estão fazendo?
- Não quero colocar palavras nos seus pensamentos, - Os olhos de mel esbugalharam igualmente. - d-digo, seus pensamentos nas suas palavras! Minhas! Minhas palavras. - A careta do homem mais velho piorou. - N-Não quis ofender, senhor.
- Por algum acaso não perceberam as placas espalhadas por todos os lados? - O tom de voz rouco e ameaçador fez o aperto de suas mãos aumentar. - É proibido correr pelos corredores, esse piso é ainda mais perigoso! Acidentes acontecem!
- Não foi por querer. - O Kim se sentiu pequenininho diante do segurança.
- Foi pelo que então?
Quanto mais pensava em uma resposta, mais bobagem deixava escapar.
- Eu não quero ver vocês correndo por aqui de novo, senão os colocarei para fora do aquário, regras são regras, rapazes.
Algumas pessoas que passavam ao redor os olhavam, ora de forma julgadora, ora curiosa. Taehyung estava prestes a se desmanchar de nervosismo, com o olhar escuro sobre si, quando ouviu a voz doce ecoar ao seu lado.
- Pedimos desculpas, senhor. - O olhar duro do homem forte recaiu sobre o orelhudo. - Não vamos mais correr. - O narizinho gelado remexeu inquieto, bem como as extensões peludas.
- Ah! Saquei o que está tentando fazer! - O segurança apontou o indicador para si. - Está tentando me subornar com esse jeitinho fofo e escapar da bronca, garoto coelho! - Quando Tae se encheu de coragem para retomar a atenção assombrosa para si outra vez, livrando seu pequeno, o mesmo continuou. - E ainda conseguiu, - A feição do homem mudou, mostrando um sorriso pequeno. - tudo bem, estão liberados, mas eu estou com os olhos bem em cima de vocês. - Ameaçou.
Jeongguk nunca tinha visto um segurança parecido com um grande e feroz urso, que demonstrava gostar de coisas pequenas e fofas. Ele próprio era engraçado e fofo.
- Meninos! Vocês estão aí! - Ouviram a voz desesperada de noona ecoar e logo a mesma se aproximando, afobada, enquanto guardava a câmera.
- Eles estão com a senhora? - O grisalho perguntou.
- Estão sim, senhor. - A mesma respondeu, passando a trocar algumas palavras com o segurança, levando um olhar indescritível de um garoto para o outro, até encerrar a conversa deixando ambos aliviados. - Não se preocupe, estarei cuidando deles, são só crianças. - Brincou mesmo realmente achando que eram, mas de fato não se importava, seus meninos estavam se divertindo.
Não que fossem escapar de uma bela bronca em casa.
O homem grande encarou especificamente o Kim de cima a baixo, que apesar de mais alto que si em bons centímetros, era esbelto e tinha cara de criança.
- Sei... - Voltou-se para Byeol noona. - então eu já vou indo, aproveitem a visita. - Se afastou, olhando desconfiado para os garotos antes de sumir pela escada rolante que voltava ao primeiro andar.
- Noona! - Os olhos estreitos ficaram sobre Tae. - Salvou a gente!
- Vocês, hein. - Não se aguentando, acabou rindo contagiando os mais novos. - Vamos subir, no próximo andar tem os peixes grandes de verdade.
Animados e ainda de mãos dadas, Jeongguk e Taehyung deram os primeiros passos até a outra escada rolante que os levaria para cima.
- Sem correr dessa vez! - Soltaram baixas e sapecas risadinhas com a fala da mais velha.
- Ficamos sem saber quem foi o ganhador. - A voz rouca soou em um tom divertido.
- Eu dou o meu título de presente pra você. - Riram já descontraídos dos minutos atrás na presença do segurança, parecendo voltar a uma bolha particular.
Homens ursos e seguranças não eram maus, Jeongguk não sentiu tanto medo daquele humano, afinal, se lembrava que nem todos eram maus.
Os primeiros passos pelo último piso foram curiosos, até um enorme aquário revelar uma baleia branca nadando lentamente, impressionando os olhinhos negros.
- Ela é linda... - Se aproximaram calmamente, passando a observar cada detalhe no grande animal, reluzindo a luz do que parecia mais ser um tanque.
- É mesmo. - Taehyung tinha os olhos fissurados pela baleia igualmente.
Noona pegou a câmera da bolsa novamente, tirando fotos de todos os ângulos possíveis, aproveitando a distração dos garotos para fotografá-los também.
Já esses, sorriam observando o grande animal se aproximar do vidro. Belugas não tinham uma boa visão, foi o que o pequeno Jeon leu na tela presa a um pilar na frente do aquário, mas ela parecia ter os enxergado, pois começou a rodopiar e fazer graça, indo para trás e voltando se exibindo para ambos.
Depois de ficarem bons minutos observando a mesma, que descobriram também se chamar Tulipa, muitos visitantes chegaram e se amontoavam para vê-la, por pouco não ficando encurralados, decidiram deixar a nova amiga e continuar por aquele corredor.
O resto do percurso pareceu tão encantador quanto, observaram diferentes espécies de arraias; lulas; águas-vivas e até golfinhos. Porém, o que novamente causou o estopim nos mais novos, foi o maior aquário do lugar, com espécies de tubarões, que nadavam de forma majestosa tão próximos do vidro.
- Fascinante. - Tae comentou em meio às vozes que começavam a soar um pouco mais altas pela quantidade de visitantes que subiram ao piso, se aproximando do aquário observando cada detalhe nos mais famosos predadores.
O pequeno Jeon foi se aproximando aos pouquinhos, entrelaçando seus dedos automaticamente quando seus braços se chocaram, passando a observar a imensidão daquele pedaço do mar, se sentindo ainda menor no meio de tantos tubarões.
- É mesmo muito faiscante...
Taehyung perdeu a concentração na cor densa e pintada do pequeno tubarão-gato próximo da areia no fundo, levando o olhar para o garoto ao seu lado, observando os grandões em cima, com os olhinhos brilhando.
- Muito o que? - Soltou um riso mudo, desacreditado, pelo que seus ouvidos foram agraciados a escutar.
- Faiscante, que nem o hyung disse. - O olhar negresco encontrou o seu, sereno.
- Fascinante. - Corrigiu, abrindo um largo sorriso quando o moreninho arregalou levemente os olhos, assentindo com os lábios entreabertos.
- Fascinante. - Jeongguk repetiu, guardando a palavra em sua mente, voltando a observar os tubarões.
Tae queria repeti-la também, afinal, o belo garoto era fascinante em todas as formas e ângulos, por dentro e por fora. Suspirou derretido ainda o olhando, os tubarões já não pareciam mais tão interessantes quanto assistir o rosto bonito iluminado pelo tom azul das luzes.
- Meninos, - Noona se aproximou também, depois de tirar muitas fotos. - estão com fome? Querem comer alguma coisa?
- Huum, o shopping está perto de nós e tem o melhor hot-dog do mundo. - O acastanhado lambeu os lábios, desejoso, sendo acompanhado pelo de orelhas felpudas em reflexo.
- Hot-dog? - Jeon perguntou curioso, parecia uma comida gostosa.
- Isso, pequeno, - O acastanhado sorriu bobo, a pronúncia cheia de sotaque lhe acertando o peito em cheio. - é feito com pão de leite, salsicha, batata palha, milho, vinagrete e outros molhos deliciosos, - Graças a barulheira em volta, as orelhas de coelho não captaram o ronco em sua barriga, mas Tae também sabia que o mais novo estava com água na boca. - o sabor é sensacional! - O rabinho feito pompom passou a balançar freneticamente, Jeongguk já sentia fome e o hot-dog parecia mais saboroso que as folhinhas verdes que gostava de pegar da horta de noona.
- Então nós vamos comer... hot-dog? - Os olhos negros faiscaram ansiosos.
- Claro que vamos! Hot-dogs bem quentinhos e saborosos. - Taehyung assistiu encantado -como em todas as outras vezes- os movimentos graciosos das orelhinhas felpudas.
- Pare de falar de comida e vamos logo, TaeTae! - Os garotos riram divertidos. - Estou quase materializando a imagem de um sanduíche natural apetitoso.
Noona iniciou a caminhada até a escada rolante novamente, e Jeongguk começou a se perguntar sobre quantos andares poderia ter aquele prédio.
- Eca, lanche natural. - Voltou a atenção para o príncipe, que exibia uma careta engraçada.
- Mas antes! - A mesma se virou para ambos outra vez, fingindo não ter escutado o acastanhado. - Vamos tirar mais algumas fotos!
[...]
Quando chegaram no próximo e último andar, ambos piscaram algumas vezes com os olhos sensíveis pela luz forte ao invés da densa e em tons suaves do mar. Estavam em uma loja cheia de itens para aquário, chaveiros de lembrança, camisetas e ursinhos de pelúcia de alguns peixes.
Ggukie olhou-a de cima a baixo fascinado com a quantidade de coisas ao redor, principalmente as pelúcias espalhadas por cada canto, lhe chamando a atenção. Ao passar os olhos pela vitrine, avistou outras lojas, parecidas com as do...
- Eu disse que o shopping estava perto. - Ouviu a voz rouquinha vir detrás de si, o arrepiando dos pés às orelhas de coelho.
- O shopping fica grudado no aquário?
- Uhum, estamos no quarto andar, - Taehyung lhe respondeu risonho, passando pelas portas automáticas e caminhando em direção a saída, sendo seguido pelo garoto coelho surpreso, ainda que muito curioso. - veja, - Se aproximaram das grades de proteção. - quando nós viemos pela primeira vez, compramos tudo no segundo andar.
- Fascinante.
O acastanhado riu baixinho, observando o narizinho avantajado e fofo se agitando em meio a tantos cheiros diferentes.
- É mesmo, pequeno.
Já tinha até mesmo se esquecido o que era fascinante, notando a pequena cicatriz na bochecha direita do mais novo -a maçã do rosto escondida, demonstrando o quão saudável estava-, já tinha a visto muitas vezes, mas decidiu esquecê-la, sabia que seu jeito bobo o faria perguntar sobre ela em algum momento e não queria que o anjo tivesse lembranças que lhe trouxesse dor.
- Meninos! Achei que iriam comprar alguma lembrancinha. - Byeol saiu do comércio de tema aquático guardando uma pequena sacola na bolsa.
Tae riu baixinho negando divertido, sua segunda mãe adorava colecionar bugigangas, ainda mais se eram pequenas e fofas.
- Não pensamos em nada, estamos morrendo de fome, noona! - Dramatizou, recebendo como resposta um revirar de olhos da mesma e uma risadinha do moreno ao seu lado.
- Então vamos logo, antes que desmaie de fome. - Ggukie soltou outra risadinha, antes de se afastar para acompanhar a mais velha, deixando o empresário para trás, perdido em pensamentos bons.
Certas coisas nunca mudavam, e noona com seu jeitinho de cuidar era uma delas.
Chacoalhando a cabeça, apressou o passo até os outros dois, rindo baixinho ouvindo a conversa descontraída sobre doramas que estavam tendo. Pelo menos não eram suas vergonhas da adolescência, agradecia pela mesma não ter se lembrado de nenhuma até aquele momento.
Descendo um andar, deram a volta pelo piso encontrando a praça de alimentação, que Jeongguk poderia jurar não ter fim, captando diversos cheiros deliciosos e muitas opções em um enorme "C", tudo tão colorido e vibrante que lhe dava mais fome. Entretanto, apesar de tudo aquilo para escolher, estava focado em sua vontade de experimentar hot-dog.
- Eu vou pedir os lanches. - Taehyung avisou, indicando com a cabeça o pequeno local em tons de vermelho e amarelo, com um hot-dog gigante na fachada, oscilando em luzes coloridas o nome da lanchonete. O garoto coelho sentiu seu estômago roncar.
- Ggukie vem comigo? - Noona perguntou serena. - O meu sai mais rápido, e depois escolhemos uma mesa com vista para a cidade, o que acha?
- Acho fascinante, noona.
Tae se segurou para não deixar um riso escapar, suspirando em seguida, poderia ouvi-lo falando apenas aquela palavra eternamente.
O brilho diferente que surgia no olhar do anjo toda vez que algo novo lhe encantava, fazia qualquer coisa parecer o gesto mais lindo do mundo.
E com os pensamentos o distraindo, enquanto caminhava lentamente de costas observando-os também se afastar, chocou as costas contra uma bancada, sentindo seu rosto esquentar com os poucos olhares que recebeu, e voltando a prestar atenção em seu caminho, enfiou as mãos nos bolsos do casaco se apressando até a fila do caixa para fazer o pedido.
Demorando menos do que o tempo estimado, Taehyung deixou sua senha -chamada no painel- no balcão, trazendo para suas mãos a bandeja com os dois lanches, além de refrigerantes e porções de batata frita, que sabia ser a única fritura que dona Byeol não resistia.
Olhando em volta procurou pela dupla, vendo suas silhuetas um pouco afastadas, em um ponto da praça mais tranquilo, sorriu grande, a grisalha pensava em tudo.
Acelerou os passos na direção de ambos, prestando atenção no que carregava e olhando para seu caminho, tentando evitar ao máximo sua maior habilidade, que era ser um perfeito desastrado.
Jeongguk e noona riam divertidos no tempo que esperavam pelo Kim, e para a mais velha não tinha nada mais gratificante do que vê-lo a vontade, sem nem mesmo se importar com os olhares de curiosos sobre si, estando totalmente concentrado em manusear a máquina fotográfica, olhando para todos os cantos através da lente, como se pudesse ver o mundo de outra perspectiva, adorá-lo.
E quando seu olhar escuro recaiu sobre o príncipe se aproximando, o pequeno Jeon sentiu seu corpo todo se arrepiar com o sorriso caloroso que viu pela tela, o cheiro que sentia ao longe sequer lhe fez lembrar que estava com fome, admirava seu salvador, apertando o botão redondinho uma vez, tirando uma foto linda do mesmo.
Abaixando a câmera devagar, encontrou seus olhares e seu coração apressadinho descompassou ainda mais, o sorriso singular e quadrado, tão belo, simbolizava inúmeras coisas para si.
Começou a se lembrar desde a manhã fria, que antes mesmo de um bom dia recebeu aquele sorriso, durante a tarde no aquário ele não desapareceu em momento algum e suas mãos juntas lhe traziam segurança e calor, o mar inteiro parecia quentinho porque estavam vendo juntos. Seu príncipe era um humano que não se importava com o que o dinheiro poderia comprar, ele era um colecionador de memórias bonitas, assim como si próprio gostaria de ser. E começava a acreditar que estava substituindo as ruins pelas boas a cada gesto do príncipe azul. Achou que nunca riria tanto quanto numa brincadeira de pega-pega, nem que fosse encontrar um segurança urso e fofo, menos que continuasse sendo alvo exclusivo daquele sorriso. Gostava de sentir seu peito transbordando com os sentimentos que o hyung trazia, mesmo sem entendê-los. Então deixou o que estava sentindo sair.
Sentiu vontade de sorrir, sorrir mais do que já sorriu, finalmente encontrando a resposta de como retribuir todo aquele cuidado e carinho que recebia.
Taehyung parou a alguns passos da mesa redonda, sentindo que seus joelhos cederiam a qualquer momento, suas mãos se tornaram pedras de gelo o anestesiando, tirando a sensibilidade de sentir a bandeja e seus nozinhos de pensamento se embolaram dolorosamente, desesperados com o que seus olhos viam.
Seu coração pulando dentro do peito começou a refletir em suas orelhas, conseguia ouvi-lo de tão forte que batia contra seu interior, querendo fugir de si, a respiração se tornando irregular e seu corpo todo travando diante da imagem mais linda do mundo. Era imensurável e magnífica. Os lábios vermelhinhos estavam repuxados em um... sorriso grande e estonteante de dentinhos avantajados exibidos sem qualquer hesitação, bochechas mais gordinhas e os olhos cintilantes sorrindo junto contornados por ruguinhas charmosas. Se sentiu suspenso no ar, andando por outra gravidade. Talvez estivesse sendo um exagerado, mas não ligava.
Não quando desde o primeiro momento que o viu, sentiu que sairia perdendo alguma coisa, e agora sabia o que era. Jeongguk era especial, precioso, encantador, e a personificação de todas as palavras mais belas que pudesse encontrar em livros de poesia. Talvez fosse cedo, mas não tinha escudos o suficiente, não estava preparado para o que começou a sentir.
As batidas de seu coração se tornaram mais fortes e desesperadas, sua garganta secou e então, seu coração fugiu.
Fugiu por um brilho diferente a cada pequeno detalhe; por um gesto; um olhar; um sorriso; fugiu por outro coração tão inocente e puro.
Seu peito subia e descia rapidamente, acostumando com a ideia de que não pertencia mais a si mesmo. Era uma sensação avassaladora que o arrepiou dos pés à cabeça, enquanto seus olhos permaneciam intercalando entre os de jabuticaba e o largo sorriso de coelhinho que esperou tanto para ver.
Ah... Jeongguk não fazia ideia do quanto o atingiu.
- Eu tirei uma foto sua hyung, ficou bonita! - A voz tímida o puxou de seu transe, o recepcionando ainda com aquele belo sorriso.
- E-Eu, - Se aproximou apoiando a bandeja na mesa, aquela era uma das primeiras vezes que ficava sem ter o que dizer. - f-foto minha é?
- Uhum! - Se sentando ao seu lado, observou o dono do cheirinho de torta de limão lhe mostrar a tela onde sorria para si.
- B-Boa ficou, - Se desesperou, ouvindo uma risadinha partir do mesmo. - não! É! F-Ficou legal.
Pegando seu hot-dog, tentou se livrar do papel que o impedia de enfiá-lo quase completamente na boca, para tentar dizer menos bobeiras. Estava todo molenga.
- Esse é seu. - Indicou o lanche na bandeja, suspirando derretido outra vez ao observar os dedos branquelos primeiramente indo em direção as batatas fritas.
E depois de acabar com uma porção inteira, Jeongguk pegou o hot-dog, tirando o papel com calma, em seguida, abocanhando um generoso pedaço fechando os olhinhos para mastigar. Taehyung por pouco não se engasgou com aquela adorável cena, sem sentir o molho escorrendo pelo papel e sujando sua mão.
- O hyung tinha razão, é muito gostoso! - Jeon falou assim que engoliu o primeiro pedaço, suas orelhas e rabinho dançando elétricos com o sabor que preenchia sua boca, sentindo cada tempero naquela combinação gostosa.
- Disse que era o melhor do mundo.
- E é mesmo. - Concordou, lambendo os lábios capturando qualquer resquício dos molhos que pudesse ter ficado para trás, mordendo o pão recheado com gosto, saboreando cada ingrediente, adorando hot-dog.
Taehyung e Jeongguk devoraram os lanches primeiro, dividindo a segunda porção de batatas fritas, e por fim, bebendo os refrigerantes em grandes goles para molharem as gargantas, o gás lacrimejando seus olhos, mas saciando a sede e a fome.
- Tô cheio. - O Kim inclinou-se para trás, apoiando as costas no encosto da cadeira, dando mais espaço para sua barriga levemente estufada.
Jeongguk deixou um soluço escapar, pelo gás do refrigerante, imitando o príncipe e ficando mais confortável na cadeira. Seus olhos começaram a piscar de forma lenta sentindo vontade de tirar um cochilo. E como adorava aquela sensação.
- Vocês estavam mesmo com fome. - Noona riu baixinho levando o olhar de um para o outro, terminando de comer seu lanche natural.
- Hot-dog é muito gostoso, noona. - O garoto coelho comentou baixinho, com preguiça.
- Viremos muitas outras vezes comer então. - Os mais jovens trocaram singelos e moles sorrisos, Byeol negou suavemente, apreciando-os felizes e de barrigas cheias.
Depois de satisfeitos, saíram da praça de alimentação a passos mais lentos, descendo até o térreo e dando a volta por todo o piso, procurando pelas portas mais próximas do aquário e do estacionamento separado desse.
- Hyung? - Ouviu a voz tímida lhe chamar, e olhando para sua esquerda, encontrou os olhinhos cintilantes do dono dessa.
- Sim? - Esperou por breves segundos a resposta do moreninho, que desviava o olhar para alguns pontos ao redor com as orelhinhas sem mover um músculo, envergonhado. - Quer comprar ou comer mais alguma coisa? - Perguntou sereno, o incentivando a falar.
- Uma casquinha de morango... - Aquele par negresco o encarou ainda mais brilhante, afinal, se lembrava que ali perto tinha o quiosque que comeram pela primeira vez.
- Vamos comprar então. - Um sorrisinho se abriu nos lábios vermelhinhos, no tempo que os guiava até o toldo rosa já conhecido próximo a uma escada rolante, mais a frente.
Com o sorvete em mãos, Ggukie continuou o caminho acompanhando noona, com o sorriso ainda no rosto saboreando o doce gelado que tanto gostava. O empresário, por outro lado, foi a passos mais lentos, ficando um pouco para trás, novamente pensativo.
Ali, tinha completa certeza de sua resposta a doce pergunta feita a si algum tempinho atrás, no natal.
Seu amor, o pequeno anjo havia tomado desde antes.
Porém não poderia respondê-la ainda, Jeongguk estava se sentindo melhor a cada dia, descobrindo coisas novas e lutando incansavelmente contra os nozinhos que o machucavam.
Deveria ter se lembrado mais vezes de que era para apenas lutar ao seu lado, o ajudar a alcançar a liberdade que tanto merecia, a conquistar seus desejos, entregar o mundo inteiro em suas mãos, mas acabou entregando seu coração junto.
Seu pequeno cobrava de si mesmo as tarefas que o ajudavam a ser mais forte que as lembranças do passado, mais forte do que os pesadelos que vinham lhe atormentar a noite, não era seu direito cobrar mais aquele sentimento dele.
O anjo estava bem, feliz e livre, era tudo que importava.
Sorriu vendo-o quase saltitando com a casquinha na mão, conversando de forma animada com sua segunda mãe até a saída, decidindo afastar aqueles pensamentos por hora.
O caminho para casa foi mais silencioso, afinal, todos estavam cansados da tarde divertida conhecendo o aquário, e ao chegarem Tae sequer reclamou, assim como os outros dois foi diretamente tomar um relaxante banho.
Ao anoitecer, Byeol noona suspirou cansada, se esticando e guardando o último prato no armário, em seguida, observando a cozinha limpa e organizada. Pendurando o pano no escorredor, foi se afastando dali, parando no batente da porta massageando o que alcançou de suas costas pedindo por descanso daquele dia tão divertido e agitado. Já não era mais uma moça, isso era um fato.
Porém logo sorriu contagiada, assistindo seus meninos de barrigas cheias, novamente, sentados ao redor da mesinha de centro, observando as fotos que tirou do passeio.
- Essa a noona tirou do hyung, olha! - Soltou uma risadinha, observando o rostinho vermelho de seu moleque ao pegar a câmera para olhar.
- É mesmo.
Tae deixou um riso soprado escapar, observando a si mesmo sentado na cadeira da mesa, na praça de alimentação, lutando contra o papel contornando o hot-dog. Tinha a expressão corada e se lembrava que estava prestes a desmaiar, as pernas dobradas quase encostando os joelhos trêmulos. Estava tão bobo.
- E essa é sua, olhe. - Mudou a foto, entregando o aparelho ao moreninho novamente, que repuxou os lábios olhando para si mesmo, com os braços abertos como noona havia lhe pedido, em frente ao aquário com os tubarões.
Taehyung não conseguia tirar os olhos daquela foto também, o sorrisinho de Ggukie, mesmo um pouco apagado pela iluminação, estava lindo. O anjo estava tão belo iluminado por suas novas cores.
- Você gostou de conhecer o mar? - Perguntou baixinho, perdido no rosto bonito em direção a tela da câmera.
- Eu gostei muito... - Os olhos negrescos se conectaram aos seus. - obrigado por me mostrar o mar, hyung.
O coração do acastanhado deu um novo salto, dolorido dentro do peito pelo tanto que pulou feito uma pipoquinha durante a tarde.
- Eu fico muito feliz, - Trocaram singelos sorrisos. - obrigado por não deixar eu me perder, Ggukie.
Naquele momento, foi a vez do coraçãozinho desenfreado naturalmente do coelho, se agitar ainda mais, mesmo que não compreendesse o porquê.
- Amigos cuidam um do outro. - O príncipe assentiu com um sorriso lindo condecorando seus lábios, e fechou os olhos sentindo o carinho que recebeu de si, nos cabelos.
- Bom, garotos, - Noona se viu obrigada a interrompê-los, ao olhar a hora no relógio pendurado na parede. - já está tarde, precisam descansar do passeio.
- E amanhã eu ainda preciso ir trabalhar. - Um bicão surgiu na expressão do Kim.
- Mas o hyung vai vir na hora do almoço, não é? - Jeongguk perguntou, cheio de esperança.
- É claro!
O empresário não aguentaria tanto tempo longe de casa depois daquele mês de férias.
E as orelhas felpudas começaram a dançar, animadas. O pequeno Jeon também não conseguiria.
- Então vamos. - Desligando a câmera oferecida pelas mãos pequenas, Tae se levantou indo em direção a mulher de meia idade. - Boa noite, noona. - Recebendo um beijinho na testa, aproveitou para se inclinar um pouco mais, alcançando a bochecha contra o ombro da mesma. A cabeça cheia de nozinhos de esperança, mas também de pessimismo. - Tá doendo... - Lhe contou baixinho, sabia que era melhor assim, antes que aquilo pudesse se tornar algo maior e piorar a dor.
- O que, meu querido? Onde dói? - Teve o rosto segurado pelas mãos calejadas, bem como os olhos levemente enrugadinhos, preocupados, lhe analisando.
- Minha garganta, acho que vou ficar gripado. - Mentiu, fazendo seu famoso drama.
- Não vai deixar de ir trabalhar amanhã por conta de uma dor na garganta, espertinho.
- Me pegou. - Um risinho mais triste escapou de si.
Ao se afastar, foi a vez de Jeongguk receber um beijinho, a adorável cena de suas orelhinhas dobrando as pontinhas, cativaram um pouco mais do empresário, que o esperava para subirem juntos.
- Durmam bem, queridos.
- Você também, noona. - O acastanhado desejou, lhe dando um último sorriso antes de começar a subir, ao lado do belo garoto coelho.
Em um silêncio confortável, mal perceberam quando o corredor e as duas portas separadas por ele, surgiram.
- Bom, então boa noite, Ggukie. - O coelho demorou alguns segundos para responder, não gostando muito da ideia de não poder mais ver o sorriso de quadradinho e sentir aquele calor, até o dia seguinte.
- Boa noite, TaeTae. - Desejou, mesmo não afastando um passo de seu príncipe.
- Hoje foi incrível... - Encontrou seus olhares, concordando prontamente, sendo contagiado pelo sorriso bonito.
- E o hyung, encontrou algum peixinho favorito? - Taehyung assentiu, aproximando um pouco mais seus corpos.
- Meu preferido é o peixe-coelho.
Respondeu baixinho, prendendo os lábios entre os dentes para conter a risada, observando o olhar redondinho de repente confuso sobre si.
Mas o que poderia fazer? Enquanto nadava entre os aquários naquela brincadeira de esconde-esconde, viu o peixinho mais bonito do mundo.
- Peixe-coelho? - O moreno tombou um pouco a cabeça, franzindo as sobrancelhas.
- Eu não acredito que não viu o peixe-coelho! - Encenou, apoiando a mão no peito e esboçando uma expressão incrédula.
- Acho que não vi, - Um biquinho inconsciente se formou nos lábios vermelhinhos. - como ele era?
- Hum... - Taehyung apoiou a mão no queixo, pensativo. - ele era colorido, - Sorriu grande. - o mais colorido do aquário, tinha escamas altas que brilhavam e olhos negros bem redondinhos. - Jeongguk continuou confuso, não tinha visto um peixinho assim. - Estava nadando com os outros peixes pequenos e fofos.
Seus olhos se arregalaram, tinha mesmo deixado de conhecer um peixinho?!
- Não vi ele, hyung! - Um riso soprado escapou do mais velho.
- Não se preocupe, quando voltarmos lá em uma visita futura, eu te mostro ele. - Seus corpos estavam tão próximos que um mínimo movimento friccionava os tecidos de seus pijamas.
- Certo.
- E quer sonhar com seu peixinho favorito essa noite? - O mais alto perguntou divertido.
E sim, como Jeongguk queria sonhar com todo aquele mar, afinal, não conseguiria escolher apenas um para ser seu favorito.
Mas aos poucos foi mudando de ideia, enquanto observava os olhos de mel sorrindo junto aos lábios repuxados. Através deles, via as lembranças desde o momento que saíram de casa, de seu príncipe falando coisas engraçadas e provocando a ira em noona, de seu jeitinho atrapalhado em lhe ajudar a descobrir sobre os peixes e até durante a brincadeira, que ocasionou em uma bronca do segurança, da casquinha de morango que ele comprou para si e de suas palavras tão bonitas enquanto estavam no fundo do mar.
Já sabia com quem gostaria de sonhar.
- Quero sonhar com a baleia branca, a Beluga. - Omitiu seu verdadeiro desejo.
- É um animal incrível mesmo.
- Uhum. Ela é um pouco atrapalhada, mas muito inteligente e linda.
- Então vá primeiro, preciso pensar em qual peixe quero sonhar também. - Surpreendendo-se, Tae prendeu a respiração por alguns segundos, com os braços circulando suas costas.
- Foi muito divertido conhecer o mar com você, hyung.
- Eu digo o mesmo. - Molenga, retribuiu aquele abraço quentinho, temendo que suas pernas fossem ceder ao turbilhão de emoções que o anjo havia lhe feito passar.
- Boa noite, Tae. - Depois de bons segundos, desejou se afastando.
- N-Noite boa, bem durma, Ggukie. - O coelho riu baixinho balançando a cabeça, abrindo a porta de seu quarto, esperando seu hyung fazer o mesmo.
- Durma bem, TaeTae.
Assim, fecharam as portas, e separados, seguiram um pouco desanimados para os banheiros, fazendo suas higienes antes de apagarem em suas camas, também cansados pelo dia divertido que tiveram.
[...]
Na manhã seguinte, Jeongguk se levantou com preguiça, sentindo suas energias renovadas, fazendo suas higienes e escolhendo uma roupa quentinha e confortável, sorrindo a todo momento se lembrando do sonho colorido que teve, com todos os peixinhos que conheceu no aquário, seu príncipe e noona. Menos o tal peixe-coelho, que não saía de seus pensamentos justamente por não conseguir dar uma forma imaginária a ele, mas poderia esperar até o hyung lhe mostrar na próxima visita ao mar, peixe-coelho soava um pouco estranho para si.
Deixando o quarto organizado minutos depois, farejou o corredor -como havia se tornado um costume- encontrando as moléculas de morango um pouco fracas. Seu hyung parecia já ter ido trabalhar.
As orelhas antes animadas e dançantes caíram, novamente seria um primeiro dia sem a presença quente e carinhosa do belo homem de sorriso quadrado.
Suspirando, desceu a escada indo diretamente para a cozinha, encontrando Byeol noona repondo alguns alimentos na mesa, sorrindo doce ao percebê-lo se aproximar.
- Bom dia, querido! - Voltou a erguer as orelhas, com o carinho tão bom que recebeu por suas extensões.
- Bom dia, noona. - Se sentou, esperando que a mais velha fizesse o mesmo, mas esta foi logo para a pia, prestando atenção no programa de culinária que passava na pequena televisão disposta no balcão. - Dormiu bem?
- Dormi muito bem, querido, e você? - A mesma retornou para si, ainda sorrindo, trazendo um pote com rodelas brilhantes de cenouras, lhe oferecendo.
- Também. - Passou a língua entre os lábios, pegando e degustando sem demora o legume.
- TaeTae saiu cedo hoje, mal quis tomar café da manhã, - Seu narizinho remexeu, preocupado, não era bom pular logo a refeição mais importante do dia. - deve estar atolado em trabalho agora na volta das férias. - Concordou levemente, pensando como seu protetor deveria estar no momento. - Mas podemos fazer um almoço bem gostoso pra ele, o que acha?
- Eu quero ajudar, noona. - Respondeu prontamente, se animando quando a mais velha sentou a ponta da mesa para lhe fazer companhia, o cheiro de baunilha o conformando da falta do morango de Taehyung.
- Então vamos cozinhar juntos. - Jeongguk concordou devolvendo o sorriso da mais velha, voltando a se concentrar em devorar suas rodelas de cenoura, antes de colocar os olhinhos sobre os pãezinhos doces na cesta no centro da mesa e nas fatias de bolo ao lado.
Byeol noona controlava a vontade de apertá-lo, observando seu menino vez ou outra, esticando o braço trazendo as massas para seu prato comendo distraído, mas bem. Negou sorrindo de forma boba, voltando a se concentrar também em aprender a receita que a apresentadora do programa ensinava.
As horas se passaram lentamente para o garoto coelho, que havia secado a louça após o café da manhã, ajudado com a organização da casa e, ainda, colhido uma pequena cesta de temperos da horta, se certificando cuidadosamente de pegar as folhinhas mais cheirosas e bonitas, tão agasalhado a mandado de noona que quase não conseguia sentir a textura da neve.
E mesmo depois de passar mais de uma hora a ajudando com o preparo do almoço, cortando os legumes e aprendendo a cortar a carne, gargalhando divertido com as histórias da infância de seu hyung, parecia que o tempo não passava, Taehyung não vinha para casa de uma vez.
Inquieto, terminou de colocar a mesa junto a mais velha e pulou para o jardim nevado outra vez, observando todo o espaço a fim de se distrair.
Mas quando suas mãos começaram a formigar, em um sentido que não vinha completamente de si, e sim, do seu lado animal, decidiu ceder e se transformar na bolinha branca e peluda, ao menos assim, se distrairia um pouco, de fato.
Deixando os tecidos de suas roupas ali mesmo sobre a cerâmica em frente às portas de vidro, o coelhinho saltou entre a neve geladinha, aproximando-se das grades de madeira que limitavam a plantação de noona, seu olfato captando os cheiros ainda mais fortes, deliciosos.
No entanto, as folhinhas verdes não eram seu desejo, e sim, uma toca. E sentindo que se cavasse uma não seria tão quentinha devido a estação, Ggukie começou a cavar a própria camada superficial de neve, criando vários buracos seguindo a horta e a parede, apenas para saciar sua vontade, passando as patas imensamente gélidas pelos bigodinhos vez ou outra, retirando os floquinhos que acabava jogando em seu próprio rosto pela agilidade de suas patas.
Um longo tempo se passou, o coelho peludinho começava a sentir frio exposto ao tempo quando deixou um buraco na neve pela metade, depois de ter criado semelhantes pelo jardim todo, escutando atentamente o barulho do motor do carro tão próximo. Seu príncipe finalmente tinha voltado para a hora do almoço. Deu um pulinho mais alto, batendo as patas na neve com as orelhas dançantes, demonstrando uma animação maior, que vinha dos dois lados de seu DNA.
E sem sequer sentir frio por conta da euforia, se transformou novamente em humano, vestindo-se fora do alcance de visão das portas de vidro, em seguida, abrindo-as depressa. Sorriu grande assistindo a porta da frente sendo aberta, revelando o belo homem de terno, passando a sorrir igualmente para si.
- Cheguei! - Tae anunciou abrindo os braços, fazendo uma cena fofa diante dos olhos redondinhos.
Se aproximando do mais velho, Jeongguk pode sentir o cheirinho de morango e chuva mais forte, e secretamente adorava aquela fragrância do príncipe.
- O hyung demorou. - Foi a primeira coisa que disse, com as orelhinhas agitadas.
- Me desculpe, pequeno, - Tae se aproximou de si, erguendo a mão grande para seus cabelos, lhe dando um afago carinhoso. - tinha muita neve nas ruas, da tempestade que teve de madrugada.
- E redobrar o cuidado e a atenção, evita acidentes. - Acabaram por sair da bolha que já começavam a criar ao redor, rindo baixinho da fala de Byeol noona.
- Exatamente, e eu faço como sempre me ensinou, noona! - Trocaram animados sorrisos.
- Ggukie querido, sabia que fui eu que ensinei o TaeTae a dirigir? - A mesma falou em um tom orgulhoso, empinando o nariz em seguida, arrancando novas risadinhas dos garotos.
- E algum dia noona vai ensinar você também. - O Kim comentou, encontrando seus olhares novamente, brilhantes e indecifráveis como na noite de natal, desejando que nunca acabasse.
- Vou mesmo! - Byeol deixou um riso soprado escapar, tirando o pano de prato pendurado em seu ombro, descansando-o no mármore da pia para então se sentar. - Mas só se estiver bem forte! Vamos orelhudo, Tae, se sentem, vamos almoçar, meninos!
Os garotos foram se aproximando até estarem sentados em seus costumeiros lugares, um ao lado do outro.
- Ggukie, deixa eu te mostrar uma coisa.
Taehyung falou aos sussurros, atraindo a atenção do moreno que pegava longos fios de macarrão bem quentinho e trazia para seu prato, sorrindo de forma sapeca ao ver que a mulher de meia idade havia focado a atenção no jornal passando na mini tv.
- O que é? - Os olhos de jabuticaba o encararam ansiosos.
- Eu passei no mercado, olhe o que trouxe. - Afastando um dos lados do paletó, Taehyung exibiu, no bolso interno, uma barra de shot e um saquinho também amarelinho de mm's. - Nossa sobremesa está garantida. - Um sorrisinho com dentes a mostra surgiu nos lábios do garoto coelho. - Mas é segredo. - Concordou prontamente.
- Não pense que não vi o que tem aí, senhor Taehyung. - Arregalaram brevemente os olhos sob a voz de noona, que sequer precisou desviar o olhar da televisão, logo voltando a trocar sorrisos sem vergonha.
Depois de uma deliciosa refeição, que causou muitos elogios da parte do acastanhado, ainda mais por saber através de noona que Jeongguk se distraiu a ajudando, podendo contemplar as bochechas ficando vermelhinhas no mais novo, ambos ajudaram com a louça e se aconchegando no sofá dividiram a sobremesa, claro, com muitas conversas e risadas e chocolates sendo levados diretamente para seus lábios, eletrizando-os com aquele mimo.
Entretanto, o tempo se passou tão rápido que logo Taehyung estava despedindo-se para voltar a empresa, e dessa vez Jeongguk assistiu seu carro se distanciar até sumir pelos portões. Suspirando, abaixou as orelhas.
- Querido? - Rapidamente as extensões se ergueram, remexendo enquanto se virava em direção a voz de noona. - Que tal assistirmos juntos o dorama que vai estrear hoje?
- Eu quero, noona! - A mais velha sorriu grande, evidenciando as ruguinhas pela idade junto aos traços de seu rosto.
- Vou preparar alguns petiscos.
- Certo. - O de fios negros assentiu, correndo para o andar de cima assim que a mais velha adentrou a cozinha, iria pegar uma coberta para dividirem.
Não demorou muito, estavam aconchegados no enorme sofá branco em frente a televisão, cobertos e rodeados de guloseimas que descansavam sobre a mesinha de centro, separados por vasilhas de porcelana, contendo biscoitos; fatias de bolo; alguns pãezinhos doces e de queijo; porém Jeongguk não tirava os olhos de certas rodelas alaranjadas na vasilha mais próxima de si.
Depois de acabar com o legume e alguns pães recheados com creme docinho, enquanto, as cenas na tv apresentavam os personagens principais do dorama, o moreno foi se aconchegando vagarosamente contra a mais velha, indicando silenciosamente que gostaria de deitar a cabeça em seu colo como na primeira vez, reivindicando aquele carinho nas orelhas timidamente.
Byeol, notando a inquietude de seu menino, apoiou uma almofada sobre suas pernas e sem precisar dizer nada sentiu-o apoiar a cabeça ali. Riu baixinho entrelaçando os dedos nos fios escuros, iniciando um cafuné sorrindo encantada com o pé direito e pompom balançando quase sincronizados, aprovando o carinho que estava proporcionando.
Em poucos minutos o pequeno Jeon já cochilava, encolhendo-se contra a coberta apreciando um som diferente, calmo, vindo das vozes na televisão e dos poucos veículos que passavam na rua, um som que lhe trazia paz, não escutava nenhum grito de súplica, nem risadas maldosas. Estava envolvido pelo cheiro protetor de baunilha.
Quando voltou a abrir os olhos, esticou as pernas e orelhinhas, observando a sala um pouco mais escura e os personagens de outro dorama que já acompanhava com a mais velha, em cena.
- O novo dorama já acabou, noona? - Perguntou com a voz rouquinha, se sentando novamente esticando os braços com gosto.
- Acabou faz um bom tempinho, - A mesma soltou uma baixa risada concordando. - mas depois podemos assistir de novo. - Ggukie assentiu freneticamente, queria saber como aquela história iria se desenrolar.
Acabou deixando um riso soprado escapar, com os pensamentos acerca do príncipe novamente, às vezes achava que o mesmo daria um excelente personagem principal, pois agia como os da televisão quando estava fazendo drama, como dizia Byeol noona.
E se lembrando de algumas dessas vezes, seus olhos recaíram sobre a única gaveta no raque e do que ela guardava.
- Noona?
- Sim, querido? - A mais velha lhe encarou sorrindo.
- Eu posso pegar algumas folhas e lápis de cor naquela gaveta? - Apontou de forma tímida para o móvel, sentindo suas mãos voltarem a formigar com as lembranças de quando passava horas sentado à mesa da casinha de sua avó, desenhando para ela.
- Mas é claro, orelhudo! - Suas extensões peludinhas se agitaram. - Pegue o que quiser à vontade.
Se levantando, o garoto coelho deu os poucos passos restantes até o raque, ajoelhando-se e abrindo a gaveta, encontrando novamente todas aquelas cores e papéis em branco pedindo para serem coloridos por elas.
Pegando algumas folhas junto de cores fortes e brilhantes, retornou até estar atrás da mesinha de centro, sentando-se no tapete, próximo das pernas de noona, ajeitando os materiais sobre o vidro pensando no que poderia começar a desenhar. Tinha aproximadamente doze cores diferentes e queria usar todas.
Passando alguns minutos pensativo, uma ideia lhe ocorreu, conseguia encontrar todas aquelas cores no jardim e poderia antecipar a primavera retratando sua parte favorita da casa, além de também poder presentear noona até as flores crescerem para entregá-las com o regador em um -ainda- presente de natal.
Animado, se remexeu ficando em uma posição confortável, escolhendo um tom mais claro de verde para começar, observando a folha em branco por mais algum tempo até criar o primeiro traço. Com o coração apressadinho acelerando um pouco mais, sentiu aquela sensação mágica de criar voltando a pertencer a si outra vez, mostrando a falta que sentiu de desenhar tudo o que seus olhos capturavam. Mesmo que durante algum tempo tenha sido somente imagens tristes e cruéis.
Espantando o último pensamento, se deixou levar por tudo o que via no jardim do príncipe, esquecendo-se das horas criando cada vez mais traços, usando todas as cores para dar vida à horta, às árvores, aos canteirinhos e flores.
Byeol noona que passou por alguns episódios do dorama nesse tempo, além de um cochilinho com a cabeça apoiada no encosto do estofado igualmente, ao se inclinar para espiar o que seu doce menino criava, entreabriu os lábios fascinada com os detalhes que via preenchendo a folha antes em branco. Era como se estivesse vendo uma foto do jardim logo ao lado. O anjo de seu moleque era muito talentoso e vê-lo voltando a se expressar enchia seu peito de felicidade.
- Meu querido! - Não conseguiu segurar a surpresa, o que o fez dar um leve sobressalto, virando as orelhinhas em direção a sua voz seguidas do olhar brilhante. - Me desculpe, eu não queria te assustar, mas é que está fazendo um desenho tão bonito. - As bochechas mais cheinhas receberam beijinhos de um tom forte de vermelho.
- Ainda não está pronto, noona. - Ggukie respondeu, envergonhado.
- Então imagine quando estiver! - Soltou uma risadinha com o comentário da mesma.
- Eu não me lembrava que minhas mãos conseguiam fazer isso. - Byeol sorriu doce, se esticando para lhe dar um carinho.
- A cada dia está conhecendo e lembrando mais sobre você mesmo, continue assim querido, está indo bem. - O moreninho abriu um largo sorriso, tornando a mesma mais uma vítima de seu brotinho florescido.
- Esse é pra você, noona.
- Oh, orelhudo! - Exclamou emocionada, recebendo uma risadinha tímida do mesmo. - Obrigada! Eu vou guardar com todo carinho pra sempre. - Jeongguk deixou a timidez de lado, animando-se como nunca, sentindo tudo ao redor ficar quentinho e cheio de amor, empenhando-se em colocar seus sentimentos confusos e pensamentos para fora diante do jardim tomando cada vez mais formas e cores.
[...]
Alguns dias se passaram e Jeongguk começou a se levantar sentindo algo estranho, junto a falta do cheiro de morango e chuva, da preguiça e do calor que vinha do príncipe. Não sabia o que era, mas toda vez que percebia estar farejando o ar em busca daquela fragrância, sendo em vão, sentia aquela coisa estranha, o atrapalhando até mesmo quando estava desenhando.
Poderia dizer que passou a acontecer desde o dia em que Taehyung passou a resistir até mesmo à sobremesa e voltava a trabalhar com pressa, o tempo seguindo tão rápido que assim faltava um mês para a primavera.
Quando contou o que acontecia de estranho com seu lado humano e coelho, junto aos nozinhos que apareciam quando não ouvia a voz do hyung até a hora do almoço à amiga psicóloga, recebeu como resposta algo que o deixou mais confuso ainda, sentia saudade e carência.
Sentimentos que sabia serem bons e ao mesmo tempo estranhos, mas por que?
Como poderia sentir saudade de uma pessoa que via todos os dias? Que passava longas horas lhe fazendo companhia antes de ir dormir?
Se noona também ficasse tanto tempo fora, longe de si, iria sentir a mesma coisa? Quando a panda lhe perguntou, sabia que também iria. De sentir seu carinho em suas orelhas extensas e de seus comentários engraçados sobre os doramas que assistiam juntos na televisão, dos cochilos em seu colo e também de seus lanchinhos que vinham com suas histórias de quando era moça morando em uma fazenda cheia de coelhinhos.
Porém, ainda embolado em mais nozinhos acerca do acastanhado, que faziam suas bochechas esquentarem, Ggukie passou a tentar se distrair, não queria ser um garoto egoísta por desejar ter seu salvador todos os dias, como nas férias.
Então inconscientemente começou a seguir uma rotina, ela era confortável, mas a mesma dia após dia. Acordava pela manhã, fazia suas higienes e organização do quarto; descia as escadas procurando insistentemente pelo cheiro de morango e chuva; tomava café da manhã com a mais velha lhe fazendo companhia e a ajudava com a retirada da mesa; colhia temperos para o almoço e horas mais tarde -depois de ajudá-la no preparo da refeição-, via o hyung entrando no carro e sumindo pelo portão; preguiçoso, assistia um pouco do dorama com noona depois de comer alguns petiscos e sem aguentar acabava cochilando em seu colo.
E após ter feito todas aquelas coisas, novamente estava sentado em frente a mesinha de centro, encarando uma nova folha em branco depois de ter deixado o primeiro desenho de lado, contornando o corpo com a coberta quentinha, assistindo vez ou outra a neve caindo do lado de fora em outra tempestade, que fazia parecer que já estava de noite, mesmo que ainda fossem 15:00.
Um pouco alheio, suspirava ouvindo as cenas que se desenrolavam na televisão, tentando colocar primeiramente nos pensamentos uma imagem para desenhar, até que começou fazendo um círculo com leves traços do lápis, pequeno e simples na parte de cima da folha, mas não tinha um propósito para ele. Franzindo o cenho, tombou um pouco a cabeça para o lado, criando um traço ondulado sobre a bolinha, em seguida, outro embaixo conectando as pontas, passando a dar forma no que poderia ser o esboço de um olho. Ajeitando os traços e criando novos, foi detalhando com grafite fraco o outro olho, em uma posição que demonstrasse que o rosto seria visto levemente lateral, não totalmente de perfil, descendo para o nariz arredondadinho. A partir dali perdeu-se finalmente em seu mundinho concentrado no desenho, se demorando em uma pintinha bonita na ponta desse, trazendo a ponta do lápis mais abaixo, exibiu leves curvas no que seria o lábio superior, em seus pensamentos já os colorindo da cor de um pêssego, começando a criar traços maiores determinando o contorno de um belo rosto com definidos maxilares.
Apoiando o rosto na mão esquerda erguida, continuou dando cada vez mais formas ao rosto ainda desconhecido e apagado, mas que parecia dócil e quentinho.
Entretanto, sua atenção foi tomada pela cena que passava na tv, atraindo seus olhinhos, o distraindo, observando os humanos do dorama entrando em um jardim tão lindo quanto o do seu príncipe.
"- Uau! Esse lugar deve ser especial para você,"
A humana boa e que também achava muito bonita falou. Concordou em seus pensamentos, jardins eram os lugares mais bonitos que conhecia, depois do mar.
"- se for para tirar uma espada tem que ser aqui..."
O humano apenas a encarava de volta, ouvindo-a, como se estivesse lidando com muitos nozinhos também.
"- Agora, por favor."
Jeongguk assistiu tão encantado quanto a humana, a neve começando a cair, a entendia, afinal, quando viu a neve cair pela primeira vez naquele inverno, estava segurando as mãos de seu hyung depois de ouvi-lo cantar uma música tão bonita e ensiná-lo a dançar.
"- Somos os primeiros a ver a primeira neve!"
O homem que achava engraçado pelos episódios anteriores, tão atrapalhado quanto Taehyung, seguia somente observando-a, as orelhas de coelho remexiam curiosas com o que estaria pensando, ao mesmo tempo que temia o que poderia acontecer.
"- Suas últimas palavras...?"
Seu rabinho se agitou, enquanto, trocava de posição, apoiando os joelhos no tapete macio e confortável, esquecendo-se do desenho que fazia, focado nos humanos na grande tela.
"- Cada momento que passei com você, brilhou profusamente."
O pequeno Jeon suspirou outra vez, o humano Goblin também dizia lindas palavras, porém não queria que fosse uma despedida, eles deram seu amor um para o outro também, parecia tão injusto terem de se separar.
A humana passou bons segundos o encarando também, até deixar seus pensamentos de lado.
"- Ok, vou puxar."
Negou, mesmo que não fosse alterar nada, queria vê-los sentindo amor e calor juntinhos.
Se reergueu assistindo-a levar as mãos até a espada cravada no peito do humano que surgiu como mágica, as extensões peludinhas dobrando as pontinhas, demonstrando toda a inquietude no garoto coelho.
Entretanto, ficou confuso, mas secretamente também agradecido, pela mesma não ter conseguido tocar a espada.
"- Espera, o que está acontecendo? Eu a enxergo, mas não consigo tocar."
"- Quer dizer que... você não é."
Os lábios vermelhinhos se entreabriram surpresos.
"- Fica quieto! Estou mais confusa que você agora."
"- Já estou o mais quieto possível! Você..."
O humano falou esbaforido e repuxou os lábios levemente, ele o lembrava um certo alguém que já conhecia, que agia assim quando ficava nervoso.
"- Espera aí... acho que já sei o que é isso."
Jeongguk se atentou às suas palavras.
"- Um príncipe de contos de fadas, um que foi encantado-"
"- E daí?!"
A humana se aproximou até seus rostos estarem bem próximos. O coelhinho mordeu o lábio inferior curioso.
"- É salvo com um beijo."
Os olhinhos negros se arregalaram, no tempo que, voltava a se sentar sobre os joelhos, devagar, estupefato assistindo-os com os lábios colados, sem notar o tempo mudando ao redor. Seu nariz se agitava conforme os segundos passavam até suas bocas desgrudarem.
Nunca sentiu um beijo como deveria ser, como sua avó contava e como via na televisão no momento, aquela sensação sempre foi muito ruim, mas por que parecia tão boa agora?
Eram muitos porquês que rondavam sua mente, mas que gostaria de tentar outra vez, porque sentia vontade, queria dizer sim, mesmo que a sensação não fosse como esperava.
Chacoalhando a cabeça, afastou aqueles nozinhos que começavam a lhe trazer lembranças cinzas e acelerar seu coração, voltando a se concentrar em seu desenho, ouvindo somente as vozes dos personagens ao longe, deixando de prestar atenção, se acalmando outra vez.
Só então percebeu como os traços se assemelhavam ao seu príncipe, e decidindo dar continuidade, novamente não viu o tempo passar, colocando todos os detalhes que seus olhos já encontraram em Tae, entoando apenas a melodia da música bonita que pertencia àqueles humanos.
O acastanhado abriu a porta da frente deixando os ombros caírem, anestesiados com o cômodo quentinho e confortável que o atingiu, ao invés do frio da garagem assim que deixou o carro. Retirando os sapatos, estalou ambos os lados do pescoço relaxando e antes que pudesse jogar sua maleta no sofá, encontrou um par de orelhinhas brancas dançando, olhinhos concentrados em uma folha de papel, um biquinho nos lábios e uma bagunça de cores na mesinha de centro.
Fechando a porta devagar para não chamar a atenção do anjo, Tae caminhou a passos silenciosos até parar ao seu lado, um sorriso de orelha à orelha surgindo observando o desenho incrivelmente parecido consigo que fazia. Sua segunda mãe havia comentado consigo do talento que carregava, mas não imaginava que seria atacado com a cena mais linda do mundo por chegar e vê-lo daquele jeito.
Então soube qual seria seu próximo passo, entregaria folhas em branco e muitas cores, de todos os tipos, para o belo garoto.
- Cheguei, pequeno. - Anunciou baixinho, soprando um riso com o suave sobressalto do anjo, que jogou a cabeça para trás o encarando por alguns segundos, antes de abrir um lindo sorriso florescido.
- Fico feliz, hyung.
Seu coração palpitou acelerado, aquele gesto por si só era lindo, por maior, demonstrando que confiava um pouco mais em si. Ah, como Jeongguk tinha o poder de fazê-lo derreter com somente um sorriso de dentinhos avantajados.
- Eu também... - Respondeu lhe retribuindo o sorriso de forma abobada, chacoalhando a cabeça sentindo suas bochechas esquentarem ao perceber o que tinha feito. - d-digo, é, estou feliz por ter chegado em casa, - Riu sem graça. - não-não eu... - Coçou a nuca, sendo torturado pelos olhos curiosos o encarando bem atentos, quase risonhos. - o que está desenhando aí? - Mudou de assunto se sentando com falsa calmaria ao lado do pequeno híbrido.
- Não está pronto ainda... - Jeongguk respondeu extremamente acanhado, não sabia o que esperar como reação do belo homem ao seu lado, quando esse visse que era um retrato seu, denunciando que esteve pensando em si o dia todo.
- Deixa eu dar uma espiadinha, - Seus olhares se encontraram. - por favor, Ggukie... - As orelhinhas felpudas viraram para trás, contrariadas.
- Quero mostrar depois que estiver pronto, hyung. - Suas mãos começavam a se tornar gélidas, estava envergonhado.
- Tudo bem, pequeno, - A voz rouquinha e baixa lhe enviou uma nova onda de arrepios até as extensões de pelos branquinhos. O Kim sorriu sereno, acariciando o topo de sua cabeça, reforçando de forma muda o que havia dito, mesmo que já soubesse o que era de fato desenhado ali. - vou ficar esperando ansioso para ver. - As bochechas do moreno coloriram-se de tom rubro e os lábios vermelhinhos repuxaram em um tímido sorriso.
- Qual sua cor preferida, Tae? - Perguntou, começando a se sentir estranho, mas com um pouco de certeza de que o hyung iria gostar de ver o que desenhou.
- Azul. - O mesmo continuou lhe encarando sereno, fazendo com que a vontade de descobrir tudo sobre a cor o invadisse. Iria usá-la como a cor principal.
- Certo.
E antes que Tae pudesse perguntar a do moreninho, sabendo que ouviria seus pensamentos lindos sobre as cores, noona surgiu à porta da cozinha.
- Ah! Vejo que chegou, TaeTae! - A mesma sorriu doce os observando. - E bem na hora, o jantar está pronto, venham comer, meninos!
- Hum! Estou morrendo de fome. - Se levantou, sendo acompanhado pelo mais novo, que espertinhos, virou o desenho exibindo o verso branco para si. Soltou uma risadinha, contendo a vontade de apertá-lo. - Ei, Ggukie, - Chamou aos sussurros, recebendo o olhar redondinho no mesmo segundo. - comprei mais chocolates para a nossa sobremesa, - Um sorriso sapeca adornou os lábios volumosos. - vamos assistir algum filme hoje? - A resposta veio com um assentir animado e fofo.
- Pode ser do Capitão América, dessa vez?
- Claro que pode!
Tae adentrou a cozinha quase saltitando, extremamente feliz por ver o anjo cada dia se soltando mais, criando raízes e descobrindo sua essência, longe de qualquer mal.
Após o jantar, ambos se aconchegaram no sofá como em todas as noites, despedindo-se de Byeol noona que já ia se deitar, lhes dando a instrução para irem dormir mais cedo, fingindo não saber dos açúcares que seu moleque escondia.
E quando o filme do herói já estava na metade e os chocolates que eram os seus preferidos, acabados, o pequeno Jeon sentiu a cabeça do príncipe se apoiar em seu ombro, respirando de forma pesada, cansado, tossindo e espirrando algumas vezes, aninhando o corpo contra o seu.
Não demorou muito para acompanhá-lo, se sentindo confortável para se aconchegar o mais próximo possível do grandão e quente também, encostando suas cabeças passando a cochilar tranquilo. Aquela era a sensação que mais apreciava ao estar junto ao príncipe assim.
[...]
No dia seguinte, o garoto coelho passou o almoço todo observando seu príncipe, que comia lentamente, parecendo um pouco distraído, diferente dos outros dias, seu corpo tremelicava de minuto em minuto e sentia muito calor emanar de si. Noona já havia comentado consigo o que poderia ser e sua preocupação o fez esperar pelo acastanhado na porta da frente, ele estava ficando doente saindo para trabalhar em meio às temperaturas baixas demais. E ao terminar a refeição, o acompanhou diretamente para o sofá, repuxando os lábios, assistindo-o se encolher sob a coberta.
- A sopa da noona esquentou até os meus ossos. - Riu baixinho com o comentário rouco, se sentando ao seu lado puxando metade do tecido grosso e peludinho para si.
- Estava uma delícia. - Disse, sentindo sua barriguinha estufada ao se ajeitar melhor no estofado.
- Uhum. - O Kim virou-se em sua direção sorrindo, apoiando a cabeça no encosto macio do sofá. - Mas está muito frio, tanto que sinto que vou congelar. - Trocaram risos divertidos.
- Está mesmo.
- O que fica fazendo durante essas tardes frias, pequeno? - Tae perguntou interessado, sentindo uma nova onda de tremor passear por seu corpo dolorido.
- Eu gosto de ficar desenhando e assistindo dorama com a noona. - O mais velho assentiu com um sorriso pequeno adornando os lábios. Jeongguk estava falando e se expressando de um forma tão confortável.
- Quem me dera poder trocar definitivamente meu escritório na empresa pelo aqui de casa. - Rapidamente deu as costas ao moreninho, espirrando duas vezes seguidas, sentindo o nariz congestionado.
Taehyung não acreditava que tinha mentido sobre a dor que estava sentindo a noona quando visitaram o aquário e durante aqueles dias realmente começar a senti-la.
- O hyung tá bem? - Seu sorriso se alargou com a doce pergunta, voltando em sua direção.
- Tô sim, é só um resfriado, logo passa, - Suspirou se sentindo extremamente cansado, arregalando os olhos brevemente com a ideia que lhe ocorreu a mente. - mas e então, Ggukie, não quer fazer algo diferente?
- Ir na ONG? - As orelhinhas extensas dançaram, há alguns dias o pequeno Jeon queria voltar lá e começar a ajudar seus semelhantes como podia.
- Você quer ir? - Tae sorriu bobo com o assentir frenético fofo. - Poderia ter me dito antes, pequeno! Sabe que pode sair para passear ou lutar, - Seu sorriso se tornou orgulhoso com a última palavra. - sempre que desejar.
- O hyung está muito ocupado.
Ah como o Kim gostaria de lhe responder que exclusivamente para si estava livre a qualquer momento. Porém, não queria agir como um bobo.
- Mas o Jimin hyung não, - Deixou um riso soprado escapar com a feição de olhinhos arregalados e ansiosos. - pode combinar de ir com ele primeiro, o Minie entende de todos os projetos da ONG e pode te ensinar, o que acha?
- Eu gostaria muito. - Aquele brilho que ofuscava o universo, cintilou no olhar de jabuticaba.
- Vamos aproveitar e ligar para ele então.
Animado, com o rabinho balançando sob o cobertor, Jeongguk se aproximou um pouco mais do príncipe, observando-o tirar o celular do bolso e iniciar uma chamada que aparecia sua imagem na tela também com o felino.
Ambos esperaram por alguns segundos, até surgir outro quadrado na tela, preenchido com a imagem de um teto cinza, até se mexer e revelar o Park vestido de terno sentado em uma cadeira grande, como a do escritório do príncipe. Nunca tinha o visto daquele jeito, e como o mesmo lhe disse uma vez, era um homem bonito vestido assim.
- Oi, gente! - O gato cumprimentou enérgico e o coelhinho abriu um largo sorriso, fascinado por poder ver o hyung mesmo estando tão longe.
- Oi, Jimin hyung! - Os olhos redondinhos revezavam entre sua própria imagem e a do alaranjado. Tae apenas sorriu, maneando a cabeça em um cumprimento simples, afinal, logo estariam trabalhando a poucos escritórios de distância, outra vez.
- Ggukie, que saudade! Como você está?
- Muito bem, e você, hyung?
- Melhor agora que eu tô te vendo de novo, - As orelhinhas felinas e perfuradas dançaram junto ao sorriso bonito nos lábios cheios do híbrido mais velho. Ggukie sorriu um pouco tímido, também sentia faltado hyung gatinho. - e então? O que desejam?
- Folga. - Taehyung resmungou e Jimin pode ouvi-lo, rindo junto ao moreninho.
- Nem pense nisso, tem uma papelada imensa te esperando aqui, patrãozinho.
- Isso é muito motivador, hyung. - Novas risadinhas preencheram a sala e o escritório do Park. - Mas eu não quero nada, Ggukie quer conversar. - Oferecendo o celular às mãos branquelas, o acastanhado se levantou dando a volta no estofado, assentindo levemente junto ao sorriso quadradinho, o incentivando a falar, em seguida, seguindo para a cozinha, lhe dando mais privacidade.
- Sobre o que quer conversar, coelhinho? Mais nozinhos? - O pequeno Jeon passou alguns segundos pensando, respondendo um pouco mais baixo:
- Também, hyung, - Sentiu suas bochechas começarem a esquentar. - mas o TaeTae ligou para perguntar se podemos ir na ONG, quero aprender sobre os projetos que o hyung conhece. - Jimin sorriu sereno do outro lado da tela.
- Claro! Quando você quer ir?
- Amanhã dá? - O gatuno riu um pouco mais alto, achando o jeitinho tímido do mais novo uma graça.
- Dá sim, eu posso passar aí depois do café da manhã para te buscar! Vamos tirar um dia, só nosso. - Jeongguk sorriu grandiosamente em resposta, assentindo rapidamente. Jimin por outro lado estava animado igualmente, afinal, há dias não via o doce garoto coelho que já havia se tornado um grande amigo. - E como está indo com sua tarefa?
Sem demora, Ggukie contou ao felino como os dias se seguiram desde a tarde que passaram juntos, alegrando o coração feroz do outro híbrido, que o ouvia encantado. Assim, conversaram por longos minutos, até o empresário precisar de seu celular para voltar à empresa, mas com uma ideia correndo em sua mente, o anjo teria seu próprio celular. Pois, odiou-se por ter se obrigado a interromper a conversa tão animada entre os híbridos.
Quando a noite finalmente chegou, acompanhando o retorno do acastanhado para casa, sentiu seu coração ser colocado para testes novamente ao que seu pequeno recusou o convite para assistir a um filme, dizendo que iria dormir cedo para que acordasse no outro dia bem disposto, afinal, queria aprender e ajudar outros híbridos. Mesmo que deitado em sua cama não conseguisse pregar os olhos, já sentindo falta daquele momento junto ao moreninho.
Na manhã seguinte, foi acordado com a doce voz chamando seu nome, e não via nada melhor e mais bonito do que abrir os olhos e ver o anjo todo iluminado, sorrindo com os dentinhos à mostra, contando os minutos para sair e explorar um pouco mais de sua luta.
O Park não demorou muito para chegar e dividir a mesa do café da manhã com os três moradores da enorme propriedade, introduzindo alguns assuntos da ONG ao ser de lábios salpicados de açúcar e bochechas gordinhas, mas que estava totalmente concentrado em ouvi-lo.
- Vão com cuidado, - Alertou, negando e rindo baixinho com sua segunda mãe conferindo os agasalhos dos menores, no lado de fora da casa. - e claro, deem o seu melhor.
- Pode deixar, hyung. - Ggukie respondeu com um sorriso pequeno decorando os lábios, voltando alguns passos até estar em sua frente. Seu coraçãozinho acelerado desenfreou ainda mais, não iria sair como príncipe daquela vez.
- Se divirta, pequeno, - Desejou o mesmo, lhe acariciando os cabelos. - mande lembranças às crianças por mim. - Tae sorriu um pouco envergonhado, o que arrancou uma risadinha do garoto coelho.
- Vou mandar. - Em surpresa, o tronco maior foi contornado pelos braços bem escondidos no casaco grosso e quentinho, em um abraço rápido, mas que abalou seriamente o dono dos fios castanhos.
Jeongguk não sabia de onde havia tirado coragem para fazer aquilo, mas apreciou o contato macio e quentinho.
- Até mais tarde, Ggukie. - Tae o apertou contra si, retribuindo-o com ternura.
- Até, TaeTae.
- Nossa, assim parece até que vocês estão se despedindo. - O comentário sapeca do felino fez a garagem inundar-se com risadas divertidas e envergonhadas.
E assim que se separaram, o coelho entrou no carro branco junto ao felino de sardas -que trocou igualmente um breve abraço com o Kim-, Taehyung os acompanhou partir com um sorriso bobo nos lábios.
Desejava mais do que tudo, que no final daquele dia, o anjo voltasse para casa cheio de novas conquistas a fim de lhe contar.
Entrando novamente, fechou a porta caminhando até o sofá se sentando, acabando por encontrar o desenho de seu rosto ali, esboçado com traços leves e múltiplos. Seu sorriso aumentou, enquanto, deitava ainda observando a folha, relembrando outra vez a cena do anjo ali, colocando os traços de forma concentrada, tão lindo.
Jeongguk estava indo muito bem, estava mais confiante e confortável, falando mais abertamente e descobrindo seus talentos. Fechou os olhos alargando o sorriso, o anjo estava a cada dia melhor e feliz. Estava cumprindo sua missão, como um secreto bobo apaixonado.
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Notas Finais
E então?? O que acharam?? :3
Ggu está se descobrindo cada vez mais e o Tete não podia estar mais boiola xmdjdnd amo escrever as cenas assim ✊🏻😔
A relação que eles estão construindo... o coração do Kim já foi kkkk
A relação do Ggu com a noona também 🥺🤲🏻
Essa ida a ONG promete... o que vocês acham que vai rolar??
Eu queria também aproveitar para agradecer mais uma vez sua paciência, seu carinho e presença aqui comigo acompanhando essa pequena história, anjinho! Muito obrigada! 💜
E avisar que agora eu tomei vergonha na cara e fiz um cronograma kkkkk não vão demorar mais -tanto- pra sair att :3
Aah! A fic com o tema dos Bridgerton já está disponível também hihi para quem quiser, só entrar no meu perfil 💜
Até a próxima att, anjinhos! Se cuidem! 💜
Bom diatardenoite!
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