14: Um Passo Importante

Notas Iniciais

Oii, anjinhos! Como vocês estão? :3

Eu tardei, mas cheguei hihi! Senti muitas saudades aaaaaaaa

Me desculpem a demora :'), eu tive um pequeno bloqueio criativo, e junto, tudo o que escrevi depois que passou, senti que não estava bom e não queria estragar os momentos tão importantes que vão vir entre eles, e que eu acabei apressando na versão anterior. Mas agora eu fiz devagar e consegui hihi estou satisfeita com o resultado que vou entregar a vocês! :3

Deu 16k de palavras, eu prometo que vai compensar todo esse tempinho sem att hehe

Mas a insegurança sempre bate :'), por favor, comentem o que forem achando ao longo do capítulo!

Ah! E também um aviso importante: no decorrer da conversa dos jikook que vai rolar aí, teremos uma lembrança do nosso gatinho dessa vez e ela não é muito boa :' (estará em negrito), então, dependendo da intensidade, se se sentir desconfortável, pule ou interrompa a leitura, sua saúde em primeiro lugar!

E anjinho, kimoshi__ suas palavras para o Ggu, do comentário no capítulo anterior, que eu pedi para, chegaram a ele! A pessoa que falou também é especial hihi o crédito é seu! 💜

Peguem suas garrafinhas de água!

E sem enrolar mais, boa leitura! 💜

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"Existe um herói, se você olhar dentro de seu coração. Você não precisa ter medo do que você é. Existe uma resposta, se você procurar dentro da sua alma e a tristeza que você conhece irá desaparecer. E então um herói surgirá, com a força para prosseguir. E você deixará seus medos de lado, e sabe que pode sobreviver. E quando sentir que sua esperança se foi. Olhe dentro de si e seja forte, finalmente verá a verdade, que existe um herói em você."

Hero - Mariah Carey

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Ainda era uma madrugada congelante quando Jeongguk se levantou, confiando nas luzes douradas e protetoras dos abajures para caminhar até o banheiro, um pouco lento e cheio de sono, mas se sentindo incomodado, com os cabelos úmidos de suor pregados em sua testa e alguns fios do comprimento também, dos lados do rosto. Teve um pesadelo.

Esse não tinha sido como os outros, parecia ter perdido a força com a qual o atingia e o impedia de tentar dormir novamente, em suas pálpebras tinha visto apenas o escuro, porém aquelas risadas esganiçadas e cruéis, aquelas palavras feias, estavam lá o lembrando que merecia receber apenas aquilo. Acordou com seu príncipe gritando que não era verdade.

Seu coração naturalmente acelerado, e que no momento quase saltava de sua garganta, foi se acalmando aos poucos depois que abriu a porta e ligou a luz bege do cômodo menor, indo para a pia sem erguer o olhar, não queria encontrar a si mesmo através do espelho.

Ligando a torneira, deixou a água fria entrar em contato primeiramente com suas mãos, antes de formar uma conchinha e inclinar o tronco jogando um pouco contra o rosto, evitando se tocar, repetindo aquele movimento algumas vezes, até sentir sua pele se adaptar a temperatura da água e ficar fria igualmente.

Se sentindo um pouco mais relaxado e calmo, desligou a torneira virando-se diretamente para a toalha de rosto pendurada a seu lado esquerdo, fechando os olhos para se secar, ouvindo a voz grossa e rouca ecoar de seu pesadelo repetidas vezes, como se quisesse reforçar o que Tae sempre lhe dizia, só não conseguia convencer a si mesmo de que ele falava a verdade.

Não compreendia porque era tão difícil sentir aquelas coisas boas que ouvia, desejava qualquer sinal delas o envolvendo.

Voltando para o quarto, fechou a porta seguindo novamente para sua cama, primeiramente sentando na beirada, observando o relógio sobre o pequeno móvel quadrado ao lado, indicando quatro horas da manhã.

Suspirou, ainda tinha muito tempo para dormir, e estava seguro para que pudesse voltar a se embolar nas cobertas peludinhas e quentes. Deitando-se, ajeitou novamente o ninho ao seu redor, respirando profundamente antes de fechar os olhos e assistir somente o breu outra vez.

Quando novamente despertou, se remexeu no colchão, levando o olhar para o marcador do tempo, eram sete horas em ponto e o sono já não tinha mais. Sabia que noona deveria estar de pé, entretanto, não sentia vontade de levantar, não porque sentia aquela preguiça boa, mas porque estava tomado pelo desânimo, pela sua falha tentativa da noite anterior, pela sua ingratidão com seus humanos.

E novamente com os nozinhos de seus pensamentos o levando para a tarefa da amiga panda, se encolheu entre os cobertores tentando expulsar todos eles, apertando as pálpebras com força, tentando dormir e ficar afastado daquilo mais um pouco.

Não obteve sucesso.

Taehyung, no quarto de fronte, se levantou em um pulo como em todos os novos dias, sorrindo antes mesmo de abrir os olhos direito, com preguiça de lavar até o rosto e escovar os dentes, mas só de saber que encontraria um par de orelhinhas brancas e um sorrisinho de inverno nos lábios vermelhinhos logo no café da manhã, dava um jeito em si próprio, acordando devidamente, enquanto, pensava no que poderiam fazer durante os dias frios do primeiro mês do ano.

Deixando o cômodo, passou pelo corredor descendo a escada, sem prestar tanta atenção na porta do de Ggukie ainda fechada, pois sabia, como todos os dias, que ele já deveria estar na cozinha, ajudando sua segunda mãe, ou, comendo alguns pãezinhos doces que tanto adorava.

E também adorava ver as bochechas mais gordinhas e os lábios volumosos salpicados de açúcar.

- Bom dia noona e... - Adentrou a cozinha, arqueando as sobrancelhas um pouco surpreso quando viu apenas a mais velha terminando de pôr a mesa. - ah...

- Bom dia, querido. - Ganhou um carinho no rosto, pela mão quentinha de Byeol.

- Ggukie ainda está dormindo? - Perguntou puxando sua cadeira de costume para se sentar, olhando para trás encontrando o pé da escada, nenhum ruído de passos.

- Parece que sim, - A mais velha sorriu terna, ainda que negando a atitude ansiosa de seu moleque. - Ggukie está cada dia melhor, mais solto e falante, - Riu baixinho se sentando também, servindo um pouco de café preto em sua xícara, apenas para petiscar. - isso é muito bom.

- É maravilhoso! - O acastanhado sorriu grande, suspirando nos poucos segundos que de repente ficou perdido no mundo da lua, mas sem passar despercebido pelo olhar atento e materno de noona.

- Você está diferente...

- Como assim, noona? - Tae chacoalhou a cabeça, sorrindo agora de forma travada, esticando a mão destra até a cestinha com os pães de queijo esfumaçantes.

- Ei! A mesa não está pronta ainda, e espere o orelhudo também! - Recebeu um tapinha no dorso, antes que pudesse alcançar um exemplar da massa salgada. Bufou estreitando os olhinhos de mel para a mesma. - Eu só estou comentando TaeTae, você anda diferente... - Poderia Byeol estar começando a precisar usar óculos para mais situações do que há alguns anos atrás, mas as bochechas de seu menino ganhando um tom avermelhado, enxergou facilmente. - aconteceu alguma coisa? Sabe, tão boa assim?

Também sabia a resposta, mas queria ouvir da boca do mesmo.

- Sendo sincero noona... nem eu sei o porquê. - O mais novo encolheu levemente os ombros, algo correndo por sua mente o fazendo voltar a sorrir abertamente.

- Uma hora vai saber dizer, não se preocupe... - Byeol deu um gole em seu café amargo. - só espero que eu seja a primeira a saber. - Deu a condição estreitando os olhos, arrancando uma risadinha cúmplice e ao mesmo tempo envergonhada do rapaz.

Juntos também gostavam de trocar informações sobre a vizinhança, ou sobre os outros garotos. Às vezes era assim que conseguia cuidar de todos eles.

Ambos passaram algum tempo em silêncio, algo confortável enquanto viam o noticiário da manhã, com o cheiro de pãezinhos doces preenchendo a cozinha, vindo do forno.

Quando o eletrodoméstico acionou o alarme de que a fornada estava pronta, Byeol se levantou, retirando o olhar da pequena televisão para o forno de vidro embaçado. Então se deu conta.

- O orelhudo ainda não desceu... - Virou-se outra vez, em direção ao acastanhado.

Queria estar despreocupada, afinal, gostava que Jeongguk se sentisse confortável para fazer o que quisesse, inclusive, ficar na cama e dormir até seu sono acabar, mas seu lado materno estava inquieto, alfinetando que alguma coisa poderia ter acontecido.

- Eu vou chamar ele. - Taehyung ameaçou se levantar, mas noona sentiu aquela alfinetada mais forte que si e o parou.

- Querido, deixe que eu chamo ele, - Desamarrou o avental da cintura com pressa, em seguida, estendendo as luvas térmicas de dentro do bolso ao acastanhado. - tire os pães do forno pra mim?

- Tá bom, noona. - Sorriu terna para seu menino, que calçou as luvas um pouco desengonçado, caminhando até o forno.

- Obrigada, TaeTae. - Então saiu do cômodo, subindo a escada.

No corredor, confirmou sua suspeita. A porta do quarto de seu orelhudo ainda estava fechada. Se aproximando, deu três batidinhas antes de abri-la, sorrindo pequeno com o embrulhinho e orelhas felpudas de fora, sobre a cama.

- Querido? - Chamou e no mesmo segundo as orelhinhas também se esconderam. - A mesa já está pronta, os pães doces acabaram de sair do forno... - Soltou uma risadinha sapeca ao percebê-lo acordado, mas não obteve uma resposta, Ggukie sequer se mexeu. - Orelhudo, - Seu peito deu um leve aperto, indo cada vez mais para perto do ser escondido. - está tudo bem? - Perguntou assim que encontrou o rosto bonito, em meio às cobertas. - Não dormiu bem essa noite? - Se sentou na beirada da cama, quase se arrependendo quando os olhinhos negros se arregalaram, mas logo esse negou com a cabeça. - Quer conversar sobre?

- Depois, noona. - A resposta veio baixinha e desanimada.

- Hum, então tá bom. - Sorriu para ele, tentando lhe passar conforto. - Quer dormir mais um pouquinho? - Jeon assentiu, mesmo que não fosse realmente o que queria, fechando os olhos por breves segundos, antes de voltar a encará-la. - Descanse bem, querido. - Se aproximando mais, sem dar a chance do mesmo conseguir se encolher e escapar de si, Byeol depositou um beijinho carinhoso em sua testa, lhe acariciando a bochecha à mostra antes de se levantar. - Sabe, algumas coisas são mais complicadas que as outras, leva tempo até conseguirmos entendê-las, não se pressione tanto, Ggukie, deixe rolar no seu próprio tempo. - Aquelas palavras pareceram certas para o momento, os olhos escuros voltaram a se arregalar e Byeol continuou sorrindo, contagiando-o.

A mesma sabia que a conversa com a psicóloga tinha sido um pouco mais intensa, estava na cozinha ouvindo tudo, percebeu também quando seu menino ficou pensativo e quietinho de repente depois que ela foi embora, mas aquela era uma fase que precisava enfrentar, compreendendo que não poderia acontecer da noite para o dia.

- Descanse. - Reforçou se afastando, deixando o quarto um pouco mais tranquila, mesmo que não pudesse resolver aquele problema para seu menino, como costumava fazer para seu Kimzinho.

Jeongguk mexia o pé direito inquieto sob as camadas grossas de cobertores, sentindo o beijinho que recebeu formigar em sua pele.

Aquela sensação era boa, gostava dela. Havia recebido dois beijinhos de noona até aquele momento, e secretamente desde o natal, desejava aquele carinho outra vez.

Se sentia cuidado pela mais velha, e talvez um pouco egoísta também, por desejar mais daquilo.

Suspirando, ajeitou-se em seu ninho, ainda sem vontade de levantar, fechando os olhos bem despertos pensando em seus humanos. Ainda não tinha uma forma de retribuí-los por tudo, pelo contrário, estava oferecendo apenas sua ingratidão.

Pensando assim, acabou se forçando a dormir outra vez, sem mais pesadelos, porém também sem sonhos.

Noona desceu a escada retornando para a cozinha, encontrando o acastanhado de bochechas infladas mastigando algo. Estreitou os olhos para o mesmo.

- Muito bonito, senhor Kim... - Sorrindo até mesmo com os olhos, Tae encolheu os ombros, tinha sido pego no flagra, trazendo da mão escondida atrás das costas, com o susto da presença repentina da mesma de volta, um pão de queijo pela metade.

- Ver eles ali na cestinha, quentinhos, foi tentador demais, noona. - A mais velha soltou um riso anasalado, negando descrente. - O Ggukie já vai descer? - Balançou a cabeça de um lado para o outro, suspirando discretamente.

- Ele quis dormir mais um pouco, - Sorriu pequeno, sabia que não era verdade.. - a nova tarefa da psicóloga mexeu demais com ele, - Taehyung arregalou os olhos brevemente, seu coração acelerando dolorido imaginando como não deveriam estar os nozinhos de seu pequeno, pensando se ele deveria ao menos ter conseguido dormir a noite e descansar, mas pelo visto não foi o que aconteceu. - é algo que ele não vai conseguir fazer do dia para a noite, mas estamos aqui para incentivar e ajudá-lo. - Trocaram singelos -ainda que preocupados- sorrisos.

- Acha que ele confiaria em mim e aceitaria dividir essa tarefa?

- Pergunte a ele, TaeTae. - Byeol se animou outra vez, seu moleque poderia começar essa ajuda, e juntos, se sairiam muito bem.

- Eu vou. - O mesmo sorriu, sentindo seu rosto esquentar, mas pela ansiedade que o dominava, esperaria o anjo acordar, e então propor de uma vez por todas sua aliança, para lutar ao seu lado.

Só tinha medo de estar sendo precipitado demais e não ter toda a confiança do coelhinho a esse ponto, dele lhe contar e deixar que o ajudasse nessa nova tarefa.

- Vou falar com os hyungs também, acho que o Jimin hyung é melhor do que eu para esse papel. - Coçou a nuca com a mão livre, sentindo-se inseguro.

- Todos irão ajudar, TaeTae, não há o melhor, ou, pior, o que importa é estarmos aqui para o orelhudo, sim? - Assentiu freneticamente, arrancando um risinho de sua segunda mãe. - Então vamos comer, quero guardar tudo ainda quentinho para o Ggukie, no forno.

Concordando, Tae se sentou novamente junto a mesma, se servindo e passando a comer, enquanto, a provocava falando vez ou outra de boca cheia, ou, quando revelou ter comido três pães de queijo no tempo que ela havia subido para chamar Jeongguk, recebendo um dolorido beliscão da mais velha, que logo começou a pedir que se calasse para conseguir ouvir seu programa de culinária recém começado.

Depois de ajudá-la a retirar a mesa, e guardar um farto prato de café da manhã para o garoto coelho que não saía de seus pensamentos, o Kim iniciou uma conversa no recente grupo feito pelo felino no aplicativo de mensagens, com ambos os três hyungs, explicando o pouco que sabia e lhes pedindo ajuda, tanto para animar seu Ggukie, como para ajudá-lo com o pedido tão complicado da panda, e que também ainda não tinha conhecimento.

Sorria aliviado, principalmente com todas as mensagens desesperadas e preocupadas do gato de sardas que tentava o acalmar, mesmo estando em um estado pior. Jimin seria a ajuda perfeita, sabia disso.

- Os hyungs virão na hora do almoço, noona. - Desencostou da cadeira da mesa, se aproximando um pouco da mais velha, sorrindo mais animado e confiante.

- Vou preparar o dobro das porções de bibimbap e kimchi e arroz, - A mesma soou exasperada, adorava cozinhar para aqueles moleques que pareciam saber comer somente fast food. - vou precisar ir ao mercado, estão faltando alguns ingredientes...

Tae gargalhou.

- A senhora está indo constantemente durante a semana no mercado, hein, dona Byeol, - Em seguida, recuou engolindo em seco, com o olhar bravo da mesma sobre si. - só estou comentando, - Ergueu os braços em rendição, ainda que sem reter o riso. - me traz chocolate? - Perguntou em um tom manhoso.

- Não! - Formou um biquinho birrento nos lábios. - Você está rindo da única diversão de uma velha senhora na rua... - O olhar ameaçador ainda estava em sua expressão. - eu só vou no mercado, hospital e farmácia, tenha compaixão pela maior fonte de fofocas que eu posso encontrar para me entreter, sim?

- Tá bom, tá bom, desculpa noona. - Continuou a rir, sabia que às vezes a mesma ía no mercado, para comprar uma única barra de chocolate, apenas para se ocupar.

Voltando a se aproximar, piscou algumas vezes fingindo inocência, sorrindo de forma fofa para a mais velha, que já negava antes mesmo de terminar de pedir o que queria.

- Noona, eu nunca te pedi nada...

- Vergonha na cara não tem, não é? - Byeol estreitou os olhos. - Tá bem, Taehyung, eu trago uma barra de shot pra você.

- A noona é a melhor noona do mundo! - Tae a abraçou, atrapalhando um pouco sua visão do prato ensaboado em suas mãos. Sorriu terna, seu moleque só tinha altura mesmo.

- Eu sei. - Se gabou. - Agora passe um paninho nos balcões e na mesa, sim?

- Claro, eu vou ajudar a noona em tudo, pra sempre. - Sorriu para a criatura animada, pegando o pano que deixou separado e passando a realizar o que pediu.

- Quero ver tudo bem limpinho. - Ouviu uma risadinha sapeca.

- A senhora se esqueceu que pediu isso a um dono de casa formado?

Trocaram alguns risos divertidos, antes de mergulharem no silêncio, sendo quebrado somente pela voz da senhora de idade ensinando alguma receita, na pequena tv, que o acastanhado sabia que estava anotando em sua cabeça, pois estava concentrada, sem sequer falar sozinha, como gostava de encher o saco quando a ouvia resmungar para si mesma.

[...]

Os olhinhos ônix se abriram lentamente duas horas depois. Piscando e sentindo-os um pouco inchados, Ggukie se remexeu erguendo as mãos, coçando. Naquele momento sim, estava com preguiça, muita preguiça.

Ao menos parecia que sua mente cheia de nozinhos havia compreendido seu corpo, e parou de disparar mais e mais deles. Pensava em apenas uma coisa: que estava com fome.

Automaticamente seu nariz farejou o ar, captando o aroma delicioso de pãezinhos doces que fizeram seu estômago roncar. E estava tão perto. Quando se virou para o relógio marcando agora dez horas da manhã, encontrou. Um prato recheado com a massa que adorava, junto de um misto quente e pães de queijo, ao lado, um pequeno pote com pedaços de cenoura e ainda um copo com suco.

Se sentiu até mesmo um pouco constrangido, não tinha certeza, não tirou da cabeça que estava sendo ingrato, um mau menino.

- Aish... - Resmungou esfregando o rosto contra a coberta peludinha, focando na maciez e conforto, para logo se sentar colocando as pernas fora do quentinho, trazendo o prato morno para seu colo, abocanhando primeiramente o que mais gostava, suspirando com o açúcar derretendo em seu paladar.

Depois de comer os pãezinhos, intercalando entre os salgados e um pedacinho de cenoura, finalizou com o suco de laranja fresquinho, sentindo-se satisfeito e até um pouco guloso, sua barriguinha ficou suavemente estufada, o deixando com mais preguiça.

Se levantando com moleza, devolveu as porcelanas para o pequeno móvel, só então notando o caderninho de noona apoiado contra o abajur, e trazendo-o para suas mãos, um sorriso de dentinhos expostos se abriu instantaneamente, observando a letra caprichada do príncipe lhe desejando bom dia, junto ao desenho de uma carinha fofa e engraçada logo embaixo.

Não sentindo o cheiro de morango e chuva pelo andar, se apressou em largar o caderninho ali novamente e sair em direção ao banheiro para fazer suas higienes, queria retribuir aquele bom dia, queria estar na presença de seus humanos, que lhe faziam tão bem, queria se sentir protegido sob os sorrisos de noona e do hyung, sem pensar em mais nada.

Retornando para o quarto com quase pulinhos de coelho, ajeitando os fios de seu cabelo com as próprias mãos, trocou de roupa, abrindo as cortinas e janela em seguida, e puxando as cobertas da cama, começando a esticá-las. Não deixaria seu quarto bagunçado, ao contrário do príncipe, sempre via tudo fora de ordem quando levava os olhinhos para dentro da porta de fronte aberta.

Soltou uma risadinha, os pensamentos voltados para Taehyung sem que sequer percebesse.

E antes que pudesse terminar, ouviu batidinhas na porta, seguidas da voz grossa e rouquinha preenchendo todo o cômodo.

- Você acordou, Ggukie! Bom dia, preguiçosinho. - O coelho sentiu seu rosto esquentar e uma sensação boa tomar conta de si, mesmo constrangido. Era o jeito mais caloroso e engraçado de se desejar bom dia que já viu.

- Bom dia, hyung. - Suas orelhinhas dançaram, estava mais conformado e animado outra vez. - E o hyung continua sendo o mais preguiçoso. - Conteve uma risadinha.

- Tem toda razão, - O acastanhado adentrou o quarto completamente, enfiando as mãos nos bolsos da calça de moletom que usava, olhando para o chão, começando a ficar nervoso. - mas hoje eu posso me gabar. - Seus olhos voltaram a se encontrar, em meio aos risinhos descontraídos que trocaram. - Noona comentou comigo... conseguiu descansar?

- Estou novinho em folha! - Jeon respondeu com o brotinho em seus lábios, estonteante. Afinal, não era completamente mentira. - E o hyung?

- Também, - Tae soprou um riso. - mas se surgir uma oportunidade de tirar um cochilinho, não vou negar, não. - Sorriu exageradamente, tinha conseguido arrancar outra risadinha do moreno. - Na verdade pequeno... eu queria perguntar, - Tornou a encarar o chão. - s-se de repente, você gostaria de compartilhar comigo o que não te deixou descansar bem essa noite...?

As mãos pequenas tornaram-se gélidas e o pé direito inquieto contra o chão.

- Se não quiser, não tem problema, só... se lembre do que eu te disse antes, sobre lutar com você.

E sim, como Jeongguk se lembrava daquele dia, a pergunta deveria ser: como poderia esquecer? Era impossível. O olhar de mel conectado ao seu, a voz grossa e ainda sim suave lhe dizendo aquelas palavras tão bonitas, o toque gentil em seu rosto...

"- Sabe, pequeno? - Taehyung soprou um risinho, gostava do novo apelido que ganhou do mesmo. - Se quiser, pode conversar comigo sobre a sua luta também, sempre, - Os polegares criavam desenhos invisíveis sobre suas bochechas. - eu vou lutar com você, até que não tenha mais medo e vença, Ggukie..."

Fechando os olhos, desejando secretamente sentir aquele toque das mãos grandes e quentinhas outra vez, Jeongguk sorriu pequeno, gesto esse que não deixou de contagiar Taehyung, que esperava calmamente seu tempo, caso decidisse contar algo a si.

Ao voltar a encará-lo, o pequeno coelho sentiu vontade de começar a falar, mas as palavras pareciam ter ficado presas em sua garganta, certos nozinhos eram o que o impedia.

Desde que desistiu de sua vida após a morte de sua avó, desde que não lutou mais, desde que o escuro lhe roubou seus sonhos e tudo dele se impregnou em sua mente, a sujando como seu corpo, sabia que não voltaria a ter aquela chance mais, de ao menos tentar viver. Naqueles momentos que seus piores pesadelos se realizavam, ela era esmagada, e com o passar dos anos, se esqueceu dela.

Se esqueceu quem era Jeon Jeongguk.

E quando o príncipe o salvou, lhe deu todas as coisas que havia desistido de lutar para ter.

Não queria que ele soubesse daquilo, que percebesse que não tinha valor algum ter ajudado... um ninguém.

Mas ao mesmo tempo pensava, se pudesse se esforçar e acreditar que teria aquela chance de volta, se pudesse senti-la o envolvendo, mostrar que queria sim voltar a se sentir vivo, a viver sentindo amor e calor...

Seus olhos piscaram lentamente procurando os do príncipe, para logo se prenderem ao sorriso quadrado, lindo. Aquele gesto o contagiava.

Só precisava dar um passo maior que aquele monte de nozinhos.

Se abra com o príncipe, Jeongguk.

Era o que passou a repetir a si mesmo, dentro de seus pensamentos pesados, enquanto se aproximava desse devagar.

- Não consigo...

Mais um passo.

Tae que esperava -no momento- ansioso por uma resposta, abriu a boca diversas vezes, mas sem dizer nada. Tudo o que fez foi assentir alguns segundos depois, conformado de que não tinha a confiança suficiente do mais novo.

Permaneceram em silêncio por mais algum tempo.

- Não consigo fazer a tarefa de autoconhecimento que a doutora Hyubi pediu.

Estava à frente.

Jeongguk falou em um sopro de coragem, e os olhos castanhos se esbugalharam, Tae mal conseguia acreditar que o moreninho tinha confiado aquilo a si, e talvez o deixasse ajudar. Seu coração estava pulando desesperado dentro do peito.

- A-Ah! - Ficando nervoso e atrapalhado, ergueu as mãos para o cabelo, bagunçando ainda mais os fios. - Eu entendi, pequeno. - Se aproximou também, com as pernas um pouco bambas, tomando uma das mãos branquinhas para si. - E é normal que certas coisas não dêem certo logo na primeira tentativa. - O empresário foi perdendo o nervosismo, conforme encarava o olhar salpicado de estrelas. - Se conhecer não é algo que conseguimos da noite para o dia, leva um tempo especial. - Se lembrou das palavras de noona. - Vamos começar de novo e devagar? Você e eu?

Foi a vez do coelhinho arregalar os olhos, dentre tudo o que o hyung poderia lhe dizer, ele se ofereceu para completar a tarefa consigo. Seus nozinhos se apertaram desesperados, não esperava por aquela resposta.

- Vamos, Tae. - Por fim, repuxou os lábios, seu corpo outra vez formigando com aquela sensação boa e esquisita que não sabia rotular, só que a causa era o príncipe.

Não estaria sozinho.

- Seremos uma boa dupla.

- Sim, obriga. - Novamente foi interrompido, no tempo que tentava agradecer o hyung.

- Não me agradeça, Ggukie! - Desesperado, o acastanhado puxou a mãozinha gélida conectada a sua suada, abraçando o garoto com cuidado, escondendo dele ao menos sua expressão impactada e boba. - P-Pelo menos não agora. - Engoliu em seco, com medo de tê-lo assustado. - Como tentou começar a tarefa?

Jeongguk demorou um pouco para responder, estava com os pensamentos dominados pelo cheiro do príncipe, com o rosto tão perto das clavículas cobertas.

- Tentei falar sobre mim mesmo, a doutora disse pra eu dizer o que gosto e não gosto, o que machuca e o que não, também pra eu tocar no meu próprio corpo e algo sobre criar escudos. - Terminou em um tom mais baixinho, controlando a vontade de suas mãos, quase cedendo para abraçar o mais velho, porém estava envergonhado demais para aquilo, escolhendo ficar aproveitando seu calor, sua proteção. - Faltam poucos dias para a doutora voltar, eu... não queria mais ainda sentir dor. - Foi sincero, fechando os olhos, se deixando levar pelo corpo maior o aconchegando cada vez mais.

- Eu entendo, é muito difícil nos vermos como quem amamos nos vêem, - Suspirou, o hyung já se sentiu como si antes. - mas você tentou e depois de tudo o que passou até o escuro ir embora, é justo que sinta orgulho de si mesmo por começar. - Sorriu pequeno, poderia começar a sentir orgulho de seu pequeno e falho começo. - Podemos mudar um pouco e recomeçar pelo lado mais fácil, o que acha?

- Pode ser. - Respondeu baixinho, entorpecido com as mãos grandes acariciando suas costas lentamente. Se acostumaria fácil com aquele carinho, e sentia que poderia virar dependente dele.

- Então eu começo, - Tae soltou uma risadinha, olhando para o céu cinzento além da janela aberta. - gosto de abraços quentinhos, não sei se resolvem tudo, mas.

- Resolvem, TaeTae.

De surpresa, os braços cobertos por uma blusa de lã, contornaram as costas largas. O garoto coelho continuou de olhos fechados, apreciando sua coragem de retribuir o gesto do mais velho, e era tão bom.

Naquele momento, ficou em paz.

- Então vamos trabalhar mais com eles. - O próprio Kim se impressionou por não ter gaguejado ou se atrapalhado, mas estranhamente sentia-se confiante em recolher o belo garoto em seus braços, parecia tão certo ser assim, o encaixe perfeito.

- Uhum. - Jeon se mantinha parado sob aquele calor, apertando os braços ao redor do príncipe, colando mais e mais seus corpos.

Não souberam contar por quanto tempo ficaram naquele abraço cheio de nozinhos e sensações indescritíveis, mas também não queriam cronometrar o tempo e terem de se separar.

Mas quando o momento chegou, eles se afastaram devagar, sem coragem de se encararem, mas pelo cantinho do olho, Taehyung viu o anjo sorrindo. E sorriu também.

- Se sente melhor? - Perguntou, sabia que Jeongguk precisava de apenas um pouco daquilo, de um ombro, ou melhor, abraço amigo.

Percebeu desde que ele chegou em sua vida, que mesmo melhorando a cada conversa com a psicóloga, estava se sustentando em pé sozinho. E não conseguia imaginar como deveria estar sendo difícil para si assimilar tantos pensamentos ao mesmo tempo.

Porém agora, estava mais do que disposto a lhe dar muitos abraços e ajuda. Estavam juntos naquela tarefa.

- Me sinto muito melhor. - Os olhinhos de jabuticaba chamaram os seus e automaticamente se encontraram, como imãs.

- Ouvir isso é muito bom. - Trocaram envergonhados, mas singelos, sorrisos. - Vamos descer? - O menor concordou, entretanto, logo arregalou os olhinhos brilhantes.

- Espera um pouco! - Elétrico, o mais novo voltou-se para sua cama, terminando de esticar as últimas cobertas, deixando-as lisinhas sobre o colchão.

- Queria conseguir deixar tudo arrumadinho assim. - Tae comentou descontraído, conseguindo uma risadinha divertida de Ggukie.

- Mas o hyung consegue, - Agora com tudo em seu devido lugar, acompanhou o mesmo para além de seu quarto. - eu vou descer para dar bom dia a Noona, e você vai organizar seu quarto. - Os ombros largos caíram, ajudando a montar a expressão incrédula no rosto do empresário.

- Mas Ggukie!

Tae até tentou, mas não teve tempo de fazer seu drama, o moreninho soltou mais uma daquelas risadinhas adoráveis, o abandonando ali e descendo a escada.

Poderia o acastanhado apenas segui-lo, no entanto, encarando seu cômodo pessoal todo bagunçado, formou um biquinho nos lábios o adentrando, sem saída, porém empenhado em deixar tudo organizado.

E talvez orgulhar seu anjo.

Quando finalmente terminou, varreu seu quarto com os olhos atentos, suspirando ao observar cada coisa em seu devido lugar. De fato nem parecia mais seu quarto, estava tão... organizado.

Estava impressionado.

Noona com certeza soltaria fogos de artifício se o visse agora, comemorando mais um milagre, como a própria dizia quando driblava sua preguiça por algum tempo.

Rindo de si mesmo, negou deixando aqueles pensamentos de lado, fugindo do cômodo em direção ao andar de baixo, ansioso para contar ao moreninho que sua missão estava cumprida.

- Ggukie! - Chamou assim que adentrou a cozinha, aos tropeços. - Eu terminei de organizar lá em cima!

Porém, não recebeu uma resposta, o que o fez arquear as sobrancelhas, os olhos encontrando seu pequeno todo concentrado, sentadinho à mesa, com as orelhas branquinhas captando a voz da mais velha, que caminhava pela cozinha olhando pelos armários, ditando em bom tom o que discorria pela mão destra pequena em seu caderninho.

- O que estão fazendo? - Perguntou curioso, se aproximando de Jeon e parando ao seu lado, ainda em pé, notando a letra mais firme e traçada, totalmente adorável, do mesmo.

- Estou anotando a lista de compras, hyung. - Um sorrisinho animado foi direcionado a si, alarmando seu coração fragilizado.

Tae ficou bobo, enquanto, lhe devolvia o olhar, sem dizer nada.

- A-Ah - Chacoalhou a cabeça, rindo sem graça. - legal! Eu também terminei a minha tarefa, arrumei meu quarto. - Soltou uma piscadinha, tentando disfarçar seu nervosismo por ter sido tão indiscreto, outra vez.

- Isso é muito bom, TaeTae! - Jeongguk piscou os olhinhos devagar, sorrindo com eles e exibindo ruguinhas lindas. - Viu? Você também consegue. - Concordou freneticamente.

- O quê?! - O acastanhado controlou a vontade de revirar os olhos, com o tom surpreso extremamente teatral de sua segunda mãe, que fechou os armários voltando-se para si de olhos arregalados. - Kim Taehyung arrumou o quarto?! Tipo, organizou tudo?

- É noona! - Cruzou os braços se sentindo afetado, também não era tão bagunceiro assim. - Eu coloquei cada coisa em seu devido lugar. - Por fim, sorriu, exibido.

Byeol correu para a janela, encarando o céu tentando se iluminar, mas as nuvens de floquinhos de neve ainda estavam carregadas e não saíam do lugar.

- O que tá fazendo, dona Byeol?

- Depois desse milagre, hoje vai cair uma tempestade! - Taehyung bufou.

Mas logo o bicão que estava formado em seus lábios se desfez, abrindo um largo sorriso com a gargalhada fofa que escutou.

- Tá bom, já chega. - Fingiu estar emburrado, mesmo que no fundo realmente estivesse. - Terminaram de anotar tudo o que precisa para o almoço?

- Noona disse que os hyungs vão vir! - Tae mordeu a pontinha da língua escondida, sorrindo todo bobo para Jeongguk, que lhe olhava com as doces jabuticabas, cintilantes, feliz com a notícia.

- Vão sim, vamos almoçar todos juntos hoje. - Reforçou, controlando a vontade de apertar o coelhinho de orelhas dançantes e sorriso de brotinho.

Mesmo não estando preparado, estava curioso para saber que flor nasceria nos lábios vermelhinhos, quando desabrochasse.

- Bom, então sem enrolação! - Byeol bateu uma palma, chamando suas atenções. - Apesar de que deveria colocar vocês de castigo, - Estreitou os olhos enrugadinhos para ambos, e somente Ggukie pareceu afetado, olhando para suas mãos, exibindo um sorrisinho culposo. - vou deixar essa passar, o orelhudo vai comigo ao mercado.

O garoto coelho arregalou os olhos por breves segundos, concordando em seguida. Gostaria de ver de perto como era um mercado.

Já o empresário, sorria abobalhado, sabia que noona também tinha seu jeitinho de ajudar seu pequeno. Esse era um momento para eles.

Poderia ficar e planejar o que iriam fazer à tarde.

- É isso aí, - Ergueu ambos os polegares em um sinal positivo. - e eu vou aproveitar minha inspiração para arrumar meu escritório. - Corrigiu-se mentalmente: e eu vou aproveitar minha inspiração para tirar um cochilinho no sofá.

- Minhas preces finalmente estão sendo ouvidas. - Resmungou noona em um tom dramático, sendo com quem Tae aprendeu seu próprio drama, apoiando a alça marrom de sua bolsa de couro no ombro direito, esticando a mão correspondente em sua direção. - Chave do carro, por favor.

O acastanhado negou descrente, rindo soprado, se virando para o balcão atrás, abrindo uma caixinha de madeira colorida e retirando a chave e controle em um pequeno molho, dali.

- Tá na mão. - Entregou a mais velha.

- Obrigada, querido. - A mesma ajeitou as peças discretas de lã em seu corpo, levando uma mecha de cabelo grisalho e castanho atrás da orelha. - Vamos, Ggukie?

- Vamos! - Jeon se levantou rapidamente, prendendo o caderninho entre as mãos, como se tivesse medo que ele fosse desaparecer.

O Kim apoiou a mão na boca, escondendo o riso mudo e encantado que escapou.

- Tomem cuidado na rua.

Alertou, os acompanhando até a porta, assistindo com o coração palpitante o garoto quase saltitando em sua frente com o rabinho elétrico, dentro de um agasalho azul junto a blusa de lã laranja, por cima, que só o deixavam ainda mais adorável, enquanto calçava as botas aconchegantes para a estação.

- Tá bom, hyung. - Trocaram largos sorrisos.

- Se divirtam. - Ggukie concordou, sem conseguir disfarçar sua animação.

- Querido, já pode entrar no carro. - Byeol riu soprado, observando seu orelhudo entrar e se aconchegar rapidinho sobre o banco de couro.

- Ah! - O empresário se aproximou da porta, apoiando os cotovelos na janela aberta pelos dedos curiosos do coelho. - Ggukie, não deixe a noona esquecer de trazer chocolate, - Formou um biquinho pidão. - nosso estoque de sobremesa acabou.

- Pode deixar, TaeTae.

E antes que pudessem ficar igual dois bobos olhando um para o outro, a porta do motorista se fechou, o barulho os trazendo de volta.

- Deixe de ser um grude, moleque! - O bicão aumentou nos lábios de pêssego, chamando ainda mais a atenção do de fios negros, que sequer conseguiu rir da feição ofendida do mais velho. - Vamos, se afaste! Vou arrancar.

A contragosto, Tae se afastou do cheirinho de torta de limão e do dono desse, sorrindo abertamente para si depois de mostrar a língua a noona, que estava concentrada demais em apertar o botão para abrir o portão e manobrar seu carro.

Trocando acenos tímidos de despedida, antes do carro deixar a propriedade Kim, o dono fechou a porta deixando os ombros caírem, em uma mistura de saudade e satisfação, pelo anjo ter saído para passear. Suspirando, abriu um sorrisinho preguiçoso nos lábios, dando passos moles cheios de drama até o grande sofá branco, puxando os assentos deixando-os maiores e se jogando ali de barriga para baixo.

- Enfim, um descanso merecido. - Fechou os olhos puxando uma almofada para debaixo do rosto, abraçando suas extremidades e encolhendo um pouco as pernas, totalmente satisfeito com a posição que já estava fazendo sua mente se desligar.

Porém, poucos minutos depois, o corpo amolecido se remexeu e um bufar frustrado escapou dos lábios volumosos, sentindo que a quantidade de mensagens chegando, sendo notificadas pelo seu celular vibrando sobre a mesinha de centro, não eram animadoras.

- Mas quem... - Se sentou pegando o aparelho, desbloqueando a tela assim que notou a notificação do aplicativo de mensagens, sendo do melhor amigo.

|Faltam poucos dias para voltarmos a trabalhar Tae

| Então eu fui supervisionar o trabalho da outra rede

~ 10:00

Taehyung se impressionava com o empenho de Yoongi justo nas férias. E se detestava trabalhar, por mais que com o tempo tenha se acostumado e feito daquela empresa um lugar confortável, não imaginava para o branquelo, que desde que levantava da cama, reclamava do escritório, até o fim do expediente. Mas não poderia negar, jamais encontraria um amigo disposto a assumir aquele cargo mesmo não suportando, e fizesse parte de sua equipe mais forte nas salas de reuniões.

Estaria perdido se não fosse pelo irmão de outra mãe, que tinha.

| Até que está tudo certo

| Eles são bem rápidos

| Os acionistas assinaram os documentos que faltavam e o catálogo foi para as respectivas empresas de produção

| E também já assinei o documento permitindo a transferência da parte financeira direcionada ao reflorestamento e proteção animal e ambiental

| Precisam que o presidente dê a palavra final e eles encerram também

| Ah e mais uma coisa, logo mais estaremos aí :)

~ 10:03

Taehyung riu baixinho lendo todas aquelas mensagens, mesmo que frustrado por ter que sair de seu amado sofá e ir para o escritório no andar de cima, enviar aqueles emails, mas faria aquilo bem rápido, queria aproveitar a presença dos amigos quando todos estivessem reunidos.

- Esse cara... - Negou para si mesmo, clicando na barra inferior, passando a digitar suas respostas.

Isso é ótimo hyung!|

E mais uma vez fazendo toda a parte pesada :') vou te recompensar!|

Pode deixar que já estou indo para o escritório resolver os últimos detalhes|

E ok, estaremos esperando vocês! Vai vir só pra comer, não é hyung danado?!|

O sorrisinho diz tudo|

~ 10:05

Sequer deu tempo de apagar a tela, o mesmo também já havia visualizado e passou a responder, enquanto esticava o braço livre se espreguiçando.

|

| É o meu trabalho Tae

| Mas realmente você estaria perdido sem o pai aqui ;)

O acastanhado revirou os olhos, se levantando e indo em direção a escada, subindo devagar, pois os olhos permaneciam no celular.

| Pode começar me recompensando com... uma televisão 4K!

| E não me ofenda! Jamais que eu iria aí pensando somente na comida deliciosa que só a coroa sabe fazer

| Estou indo pelo Ggukie

~ 10:07

Sorriu, chegando no corredor, caminhando às cegas para a última porta do lado direito.

Não acha que tá pedindo demais, não, pai?|

O Ggukie tá todo animado, ficou feliz em saber que você vão vir :3|

O sorriso que ele deu...|

~ 10:08

| Ok, então uma geladeira novecentos litros!

| A que tinha aqui em casa pifou :')

| Ah lá, começou com a boiolice

~ 10:10

Sonha!|

Mas hyung! Ele tem um sorriso|

Fica ainda mais lindo quando é daquele jeitinho|

Sabe?|

~ 10:11

Suspirou, tropeçando no enorme tapete sob a mesa de seu computador, decidindo que era melhor deixar o celular de lado até estar na cadeira giratória, ligando o aparelho para fazer seu pequeno trabalho. O Kim nem queria se lembrar de que tinha mais míseros seis dias para ficar em casa, pra ficar com Jeongguk.

Os próximos minutos se passaram feito segundos para si, estava distraído pensando no belo anjo, que quando percebeu a tela acesa a sua frente pedia a senha de acesso. Digitou rápido com os dedos gélidos, abrindo os programas que precisava para se comunicar com seus funcionários em expediente.

E só depois que mandou os emails e o necessário para concluir mais um catálogo da perfumaria, voltou as mensagens com Yoongi.

| Não...?

| É, já era pra você meu amigo, teu burrinho tá amarrado

~ 10:12

Nada a ver!|

Eu só sisse que é lindo|

Disse*|

Que quer dizer?|

~ 10:30

Para piorar sua situação, a resposta veio logo, deixando seu rosto ainda mais quente.

|Que não fui só eu que amarrei meu burrinho com alguém

| Observe bem seu próprio comportamento com ele

| Comigo aconteceu o mesmo

~ 10:31

Tá blefando!|

Eu só quero a todo momento dizer coisas lindas sobre ele|

Mas isso não quer dizer nada! |

~ 10:31

| Se você diz...

| Eu vou estar aqui pra esfregar na sua cara o resultado disso que tá rolando aí

~ 10:32

Aigoo!|

Foco|

Já encerrei o catálogo, agora vou voltar pra minha soneca|

~ 10:33

| Ele mudando de assunto kkkkk

| Mas obrigado, pode ir lá

| Aproveita e sonha com o Ggukie

~ 10:33

HYUNG|

~ 10:34

Envergonhado, o acastanhado largou o celular, se levantando e apalpando o rosto com as mãos, tentando acabar com o calor e rubor das bochechas.

Sabia que não poderia deixar aquilo acontecer, era impossível. Só queria ver o anjo bem e feliz.

[...]

O caminho para o mercado tinha sido o mais divertido de todos, o rádio tocava músicas animadas, complementando aquele clima quentinho com o aquecedor ligado. Os olhos negros passeavam pela paisagem coberta de neve, ainda mais cheia de graça pelas ruas, mas também pelo rosto enrubecido de noona, que resmungava às quatro estações quando algum carro se enfiava na frente, ou, não indicava com uma seta que trocaria a direção. E durante aqueles minutos, não conseguiu parar de rir, mesmo que tentando esconder da mais velha.

Seu coração estava apressadinho, mas normal, como sentiu bater durante toda a sua vida. A diferença era que agora estava leve e em paz, tinha algum tempinho, desde o abraço que trocou com o príncipe mais cedo.

- Finalmente. - Byeol soltou animada, podendo arrancar o carro quando os tratores tiraram a neve que atrapalhava a entrada segura no estacionamento, escolhendo uma vaga na parte coberta depois de algumas voltas, próxima às portas automáticas do primeiro andar. - Quem disse que coroas não podem dirigir? - Perguntou olhando para o orelhudo, que encarava a entrada bem iluminada curioso, soltando uma risadinha com seu comentário. - Vamos, querido? - E quase não precisou perguntar, o cinto escapou do corpo magro e logo o mesmo estava do lado de fora.

Soprando um riso, a mulher pegou sua bolsa no banco detrás, imitando suas ações e saindo também, apertando o botão no controle do molho, trancando o carro.

Com as rajadas de vento congelante invadindo o pátio, a dupla foi a passos rápidos para a entrada, onde logo no começo já haviam algumas lojinhas de comida e máquinas de jogos com pelúcias e bolinhas saltitantes, o rosto do mais novo se iluminou com tantas cores miudinhas.

- Por aqui, Ggukie. - Noona indicou, e seguindo-a, foram para as escadas rolantes mais a frente, subindo um andar, dando a visão para o coelhinho de um lugar gigante, cheio de prateleiras e corredores e caixas.

Com certeza o mercado era maior que a mercearia que tinha tudo, a única do bairro, que ia com sua avó todas as semanas.

- Vamos gastar! - Soltou um riso, ainda que fascinado com tanta comida ao redor, sem perceber a mais velha se afastando um pouco para pegar um carrinho.

- Posso levar, noona? - Pediu, assim que colocou os olhos sobre o mesmo, afinal, também queria ajudar.

- Claro, orelhudo. - A mais velha o deixou em suas mãos, abrindo a bolsa para pegar o caderninho que guardou ali com os itens anotados. - Vamos.

Jeongguk então passou a empurrar o carrinho, seguindo noona pelos primeiros corredores, se sentindo pequeno entre tantas cores que estampavam as embalagens, passando a língua pelos lábios, alguns pareciam tão deliciosos.

Com metade dos alimentos dentro da estrutura de rodinhas, começou a andar mais grudadinho na mais velha, apertando o apoio de metal para empurrar, o mercado era cheio de pessoas e corredores -que pareciam um labirinto- e prateleiras com muita comida, mas não queria se perder.

- As carnes são no açougue do outro lado, o chocolate também, - Ouvia a mais velha resmungar baixinho, usando uma caneta para riscar a folha escrita. - é, pegamos tudo que é nesses corredores, orelhudo. - Concordou, mesmo que soubesse que a mais velha não iria ver.

Continuando a segui-la, atravessaram um corredor que cortava a extensão das prateleiras as dividindo em duas. Passando pelo próximo a frente, seus olhos encontraram caixas grandes e coloridas de cereal, as tigelas com leite e o conteúdo crocante ilustrando, encheram sua boca de água.

- O que foi, querido? - Noona voltou alguns passos, assim que sentiu falta do barulho das rodinhas do carrinho atrás de si. Em seguida, soltou uma risadinha com a língua serpenteando os lábios vermelhinhos, os olhinhos fixos naquelas caixas de cereal. - Você quer?

Jeongguk sentiu suas orelhas dançarem, conseguindo desviar o olhar para a mais velha, que lhe encarava com um sorriso de sobrancelhas arqueadas. Mas não a respondeu.

- Pode escolher, pegue o que quiser, querido. - Sentiu suas bochechas começarem a esquentar. - De qual mais gosta? - Continuou apenas a encarando, nunca tinha provado cereal, sentiu vontade. - Ggukie, - Byeol se aproximou mais, acariciando sua mão por sobre a barra de ferro. - escolha, se sente vontade, leva.

- Eu não sei qual... - Falou baixinho, estava envergonhado.

- Eu comprava para o Tae comer no café da manhã no tempo de escola, - A mesma encarou a prateleira, encontrando logo a caixa do de bolinhas de chocolate, era o preferido de seu moleque. - vamos levar... - Os olhinhos escuros encontraram os seus brilhantes, beirando o infantil, o coelhinho não precisava de palavras para lhe responder, conhecia muito bem aquela expressão. - um de cada! - O mais novo arregalou os olhos, eram cinco sabores diferentes nas caixas coloridas. - Assim você experimenta e descobre qual gosta mais. - Pegou caixa por caixa, colocando no carrinho.

- Noona... - Voltou a encarar os olhos de jabuticaba, a expressão envergonhada.

- Não se preocupe querido, - Jeongguk sentiu a mão leve acariciar seus cabelos. - eu quero saber das coisas que você gosta de comer, e sempre fazer um agrado pra você também, - Abriu um pequeno sorriso, emocionado. - comece a me falar mais sobre você, huh? - Concordou levemente, com aquela sensação constrangida indo embora.

Depois de ajeitar as caixas no carrinho, Byeol se afastou novamente, seguindo pelo corredor e atravessando para uma área aberta, onde uma metade continha diversos cheiros bons de frutas e legumes, enquanto que na outra, várias geladeiras e refrigeradores, seguindo a parede, e uma enorme bancada de vidro, guardando todos os tipos de carne possíveis.

Jeongguk, que havia entrado em um pequeno transe, pensando no que a mais velha havia lhe dito, chacoalhou a cabeça, empurrando o carrinho apressado ao encontrá-la tão longe de si. Atravessando para aquele pátio, parou quietinho ao lado da mesma, que olhava distraída para a enorme placa indicando os preços do açougue. Haviam poucas pessoas à frente na fila, um senhor de idade e um jovem casal.

O moreno então passou a encará-los, curioso, o homem e a mulher prosseguiam ao léu, em uma conversa baixinha e cheia de sorrisos, os dedos entrelaçados, no tempo que também aguardavam.

Achava-os bonitos. Mas ao mesmo tempo era algo esquisito.

Lembrava-se de quando segurou a mão do príncipe pela primeira vez, uma sensação ruim passeou por seu corpo todo. Porém, nas outras vezes, a sensação ruim foi embora, dando lugar a uma nova e boa, mesmo não compreendendo sua palma suar tanto. Toques bons eram novos e estranhos para si, não se sentia completamente à vontade com eles, entretanto, queria se esforçar, porque gostava dos beijinhos de noona, dos toques do príncipe e os cumprimentos gatunos de Jimin hyung. Acostumou-se muito rápido com eles, sentia-se bem.

Mas, como o humano e sua companheira, ainda não tinha certeza se conseguiria sentir, parecia algo inalcançável para seu tamanho de coelhinho.

Desviando o olhar, começando a perceber seu rosto esquentar de tantos nozinhos surgindo, encontrou a sua direita um balcão de madeira, contendo algumas embalagens de defumados e vidros de conservas, que mesmo lacrados, seu nariz conseguia captar os cheiros, enrugando ao desaprovar alguns.

- O que foi querido? - Byeol noona focou a atenção a si, pegando um dos vidros, o analisando. - Algum que goste? - Riu baixinho assistindo seu orelhudo negar freneticamente.

- O cheiro de gengibre em conserva é ruim, - a mais velha se impressionou com o olfato apurado do mesmo, si própria não sentia nada. - minha avó me fazia tomar uma colher várias vezes no dia quando ficava gripado.

Falante... era assim que a mais velha queria vê-lo. E apesar de entender o que as palavras soando mais baixinhas e tristes queriam dizer, seu coração ainda palpitou feliz.

- É um bom tempero e remédio natural, acho que vou levar um pote... - Tentou o distrair, acabando por soltar uma risadinha observando os olhinhos negros se arregalarem. - estou brincando. - Devolveu o pote para o balcão. - E ovos de codorna? - Ggukie negou novamente. - Hum... então pasta de fígado? - A caretinha enojada o denunciou. Riu um pouco mais.

Ambos andaram mais um pouco, seriam os próximos a receber atendimento.

- Do que mais não gosta? Eu corto do cardápio lá de casa.

- Alface... - Por pouco a voz baixinha e tímida não passou despercebida por noona.

- Não gosta de alface? - Perguntou surpresa e Jeongguk negou, suas orelhinhas dançando.

- Nem de milho. - Byeol arfou, descrente.

- É bom saber disso, - Por fim, sorriu compreensiva. - está indo muito bem, Ggukie. - Os dentinhos avantajados surgiram, enquanto, lhe sorria de volta, sem se aguentar e bagunçando seus cabelos outra vez, acariciando uma das orelhas extensas -que descobriu ser um carinho que seu menino gostava, pois até mesmo tombava a cabeça, pedindo mais-, dizendo que forma muda que era um bom menino.

E o garoto coelho se sentia um bom menino outra vez.

- Do que a noona não gosta?

- Eu detesto mel, mas sempre fiz o TaeTae comer. - Trocaram risadinhas divertidas. - Também não gosto de comer carne, mas cozinho para vocês ficarem saudáveis e fortes.

Jeon sorriu, Byeol noona cuidava de si e do príncipe com muito carinho, um realmente diferente de tudo. Sua avó tinha uma forma especial de cuidar, mas noona também, como se fosse uma mãe cuidando de seus filhotes. E experimentar esse cuidado e carinho traziam sensações indescritíveis.

Sem dar continuidade a conversa, já que a vez da mais velha fazer seu pedido de carne chegou, Jeongguk seguiu pensando em como todos o faziam se sentir confortável com suas presenças, o ajudando com uma tarefa que deveria ser só sua.

Aqueles humanos eram especiais e diferentes de todos que já conheceu.

Principalmente o príncipe, que era seu maior aliado em sua luta. Não estava sozinho, nem desprotegido.

- Pronto,

Saiu de seus pensamentos com a voz de Byeol noona, que guardava no carrinho dois sacos com pedaços vermelhinhos e suculentos.

- pegamos tudo da lista, querido, você quer mais alguma coisa?

A mesma perguntou carinhosa, e negou sorrindo, experimentar os sucrilhos das caixas coloridas já era o suficiente. E sequer poderia imaginar o que deveria ter mais, espalhado pelos inúmeros corredores.

- tudo bem, então vamos pegar o chocolate que o Tae pediu e pagar.

- Uhum. - Jeon tentou camuflar a estranha sensação de energia, seu rabinho passou a se remexer elétrico, ouvindo o nome do doce que gostou muito de experimentar e dividir com o hyung.

Seguindo noona, passando por mais três corredores e enfim virando a direita, seus olhos se arregalaram e a boca entreabriu, notando as cinco prateleiras recheadas com todas as cores que pudesse citar, cheias de chocolate, de todos as formas e sabores, até o final do extenso corredor.

- Aqui, é esse.

Byeol pegou logo três barras de shot, negando para si mesma, se questionando porque dava tantos mimos ao moleque que tinha em casa. E olhando para seu outro menino, soprou um riso com o olhar atento e faiscante se desviando para todos os lados.

- Quer levar um de sabor diferente? - Aquele olhar pidão voltando-se para si, denunciou o ser fofo com o nariz farejando o ar, tentando decifrar os cheiros dos chocolates. - Pode escolher quantos quiser sem olhar o preço, o cartão é do Tae mesmo. - A mesma deu de ombros, ninguém tinha mandado ele ensinar Ggukie a gostar tanto de chocolate.

- Pode ser esse? - Ergueu o olhar para o moreno, que apontava discretamente para um pacotinho amarelo de mm's, as bolinhas coloridas ilustradas nele o chamando toda a atenção.

- Claro que pode, querido. - O coração da mais velha acelerou feliz outra vez, com o sorrisinho que o mais novo deu, enquanto, colocava o chocolate no carrinho. - Então, agora vamos, senão não vai dar tempo de preparar o almoço.

Concordando, acompanhou a mais velha até um dos caixas na frente de todos os corredores, assistindo com atenção como a funcionária humana passava as compras e colocava nas sacolas. Por fim, ajudou a mais velha a carregar até o carro e guardar nos bancos traseiros.

O caminho de volta estava mais quentinho, em um clima animado com o rádio tocando músicas antigas, porém mais congestionado, gerando o estresse em Byeol que causava muitas risadas em Jeongguk.

- Vai ver quando ficar mais velho, vai passar o dobro disso como castigo. - Noona ameaçou, sendo confrontada com mais risadinhas, entretanto, acabou sendo contagiada pelo seu orelhudo.

Quando chegaram em casa, um carro preto já estava estacionado na enorme garagem, e o garoto coelho quase esqueceu de novamente ajudar com as compras, suas orelhas extensas encontraram o som das risadas dos hyungs e queria vê-los logo.

- Ggukie! - Jimin foi o primeiro a vir até si ao abrirem a porta, tirando algumas sacolas de suas mãos, em seguida, esfregando a bochecha contra a sua, ronronando. - Que bom te ver de novo! Como está?

- Melhor hyung, e vocês? - Encarou os outros dois também.

- Com fome. - Resmungou o Min se aproximando só para bagunçar seus cabelos.

- Estou ótimo! Esperando para nos divertirmos a tarde toda! O que tem nessas sacolas, huh? - Hoseok bisbilhotou, ganhando um peteleco de Byeol.

- Curioso!

- Merecido, - As orelhinhas felpudas dançaram outra vez, agora arrepiadas e dobrando as pontinhas, assim que ouviram a voz grossa do príncipe. - se divertiu, Ggukie? - Assentiu, sorrindo um pouco mais aberto.

- Tem uma parte gigante, só pra chocolate lá! - Tae riu concordando, a cena era adorável demais para interrompê-la falando provavelmente algo bobo. - Noona pegou barras de shot de sobremesa.

- Mal vejo a hora de poder comer, - Trocaram singelos sorrisos. - mas precisamos esconder dos hyungs. - Riram baixinho de forma sapeca.

- Ok, estamos atrasados! - Desviaram os olhares um do outro com a voz de noona vinda da cozinha. - Yoongi me ajuda com as panelas, Jimin e Hoseok arrumam a mesa, Tae e Ggukie cuidam do suco e da salada.

- Salada, noona?! - O Min deixou os ombros caírem.

- Todo mundo vai comer bastante salada hoje, e sem reclamar!

- É! Sem reclamar, hyung! - Provocou Taehyung, assim que entrou na cozinha, ajudando seu pequeno com as sacolas.

- Isso vale pro senhor também, Tae! - Todos riram de sua cara emburrada.

E aquele clima divertido e confortável, era o que Jeongguk mais apreciava entre seus humanos.

[...]

Após o longo e divertido almoço, com as ameaças de noona sobre seus moleques e sorrisos orgulhosos para o garoto coelho que comia bastante salada, mesmo tentando esconder os risinhos divertidos e separando discretamente algumas folhinhas verdes, todos ajudaram a retirar a mesa, e enquanto a mais velha lavava a louça, três marmanjos brigavam pela sobremesa, recebendo mais ameaças de si para encerrarem a discussão boba, e disfarçadamente o felino se aproximou do coelho, o puxando pela mão para fora da cozinha.

- Vamos sair dessa barulheira toda. - Jimin apressou os passos em direção a área de lazer, e Jeongguk não omitiu o sorrisinho sapeca quando passaram pelos corredores e se deitaram em espreguiçadeiras, um do lado do outro.

- Os hyungs são engraçados. - Comentou soltando uma risadinha mais alta, gostava daquela bagunça que criavam.

- São dois patetas e o meu Yoonie. - O Park comentou sorrindo até com os olhos, arrancando agora uma gargalhada abafada por uma almofada, do mais novo. - Mas eu te trouxe aqui, pra gente bater um papo, de um homem bonito para outro. - Ggukie sentiu o rosto esquentar, mesmo sem conseguir conter um riso soprado, passando a encarar o gato de sardas, realmente muito bonito, e se sentando em reflexo ao movimento do mesmo.

Seu coraçãozinho continuava em paz, sentia o quanto era bom rir a todo momento, verdadeiramente.

- Que papo é esse?

- O que te impede de aproveitar o espaço entre seus humanos?

Jimin foi direto, suas orelhinhas perfuradas com argolinhas douradas, dançando junto às extensas e branquinhas.

- Digo, eles te dão tudo o que precisa, por que não se permite aproveitar?

- E-Eu, - Jeongguk mordeu o lábio inferior, apreensivo, o hyung também já havia percebido que estava sendo um ingrato. - não sei... fico pensando nos outros, - Abaixou o olhar para a almofada colorida em seu colo. - enquanto ganho tudo o que me fizeram acreditar que eu não merecia na vida, outros híbridos e filhotes continuam sofrendo e desprotegidos, então eu volto pro passado, onde eu não tinha nada pra contar sobre mim. - O mais velho assentiu devagar, demonstrando no pequeno sorriso em seus lábios que o compreendia.

- Eu te entendo Ggukie - Ronronou, trocando de espreguiçadeira, se sentando ao lado do moreninho. - e eu pensava do mesmo jeito quando via o Yoonie me dando tantas coisas, inclusive carinho e amor, e sentir que não estava o retribuindo, por estar preso ao passado. - Encontrou os olhinhos negros e arregalados com os seus quase laranja. - Mas como alguém que já passou por essa experiência, me escute bem, - O orelhudo concordou, remexendo o nariz, curioso. - nesse exato momento... alguém está morrendo, seja de forma dolorosa ou não, agressiva ou não... - Percebeu o cintilar no olhar negresco, e o suspiro surpreso que saltou do coelho. - muitos de nós estão sofrendo, estão sendo abusados, mulheres e crianças humanas também, humanos são... imprevisíveis.

Apesar de concordar lentamente, Jeon estava pasmo, nunca gostou de notícias tristes, e ouvir o hyung gato falar tão abertamente consigo, lhe deu arrepios.

- Mas ao mesmo tempo, alguém pode estar nascendo, sabe? uma nova vida traz felicidade e humanos e híbridos podem estar felizes agora, podem estar seguros em casa, vivendo bem. - Jeongguk não conseguia encontrar um meio termo para tudo aquilo, porém entendia seu sábio hyung, que falava com um sorriso bonito nos lábios, sereno. - Assim é a vida, absorver a dor do mundo não faz bem e nem te deixa caminhar pra frente.

O Park encontrou uma das mãos branquelas e gélidas, acariciando suavemente.

- Ggukie, não pode se culpar pelas situações lá fora e nem compará-las com você mesmo, hoje você está bem e seguro, amanhã outra pessoa que está sofrendo pode ficar bem também, é nisso que deve pensar, certo?

Conformado, balançou a cabeça positivamente, abrindo um sorrisinho pequeno, afinal, era verdade, quando viu aquela investigação na tv, seus iguais estavam sofrendo, mas agora estavam protegidos na ONG, gostava da ideia de pensar apenas nas coisas boas que podem acontecer com todos.

- Você não está sendo ingrato, - Jimin também pareceu ter lido seus pensamentos. - só deixe as coisas rolar pensando em si mesmo, pensando em fazer bem a quem te faz bem, aproveite o café da manhã, as conversas, as risadas e o tempo juntos, curta as brincadeiras, os presentes, e principalmente, se entregue naquilo que deseja, - Seu coração disparou, emocionado. - eles mentiram tanto pra você quando disseram que não merecia uma boa vida, agora tem um mundo inteiro só pra você descobrir. - Trocaram singelos sorrisos.

- Obrigado hyung, eu precisava ouvir isso. - Apesar de algumas partes terem doído, Jeon se sentiu confortado pelas palavras do gato de sardas.

- Não foi nada, - Jimin deu de ombros, soltando uma risadinha. - estou te treinando para começar sua luta, Ggukie, não é fácil se conhecer, comece pelo mais fácil, seus gostos, se prefere doce ou salgado, frio ou quente, dia ou noite... vá devagar, cada coisinha que conhecer sobre si mesmo, leva um tempo e espaço diferentes.

- TaeTae falou isso mais cedo, acho que agora eu consigo. - O garoto coelho sorriu envergonhado, sob o olhar esquisito junto ao sorriso de canto do mais velho.

- Com o Tae vai descobrir muitas coisas também...

- O que descobriu com o Yoongi hyung?

Ggukie rebateu com outra pergunta, curioso, suas orelhinhas dançando quando até mesmo as sardinhas espalhadas pelas bochechas gordinhas ficaram mais evidentes com a coloração vermelha se mesclando ali.

- Comigo as coisas fugiram de controle, - Sorriu um pouco triste. - quando o Yoonie me levou pra casa dele, me tratou bem, me deu comida e cama quentinha - O moreno concordou, se sentia identificado com o amigo gato. - e eu arranhei ele em troca. - Riram. - Com o passar do tempo, eu fui ficando bem, Yoonie respeitou o meu espaço e esperou que eu me aproximasse primeiro, todo dia ele deixava na porta do meu quarto, leite e pão de mel, bastante carne nas outras refeições, e até não se importou de eu caçar passarinhos e levar para dentro de casa, - Jimin sorriu com nostalgia. - então começamos a conversar e nos conhecer, viramos bons amigos e eu estava bem, porque com o tempo, sentia que só precisava dele, sabe? - O menor suspirou encantado, aquela se parecia com alguma das história que sua avó lhe contava. - a paixão veio sem que a gente percebesse e era um sentimento maravilhoso, mas precoce demais, eu também estava tentando me conhecer e do jeito errado e desesperado, nem tudo mudaria e seria um mar de rosas assim...

"O felino abriu os olhos lentamente, o pequeno movimento doendo tanto quanto o resto de seu corpo, não se lembrava de nada.

Porém, no minuto seguinte, pareceu perder todos os sentidos outra vez, ao olhar para o lado e encontrar o corpo branquinho do namorado nu e cheio de marcas grotescas sobre o lençol manchado de sangue.

Nada poderia ser pior no mundo do que a vaga lembrança que lhe ocorreu de repente, de que tinha sido a causa daquilo tudo, que havia se transformado em um monstro.

As garras saltadas nas mãos trêmulas agarraram com força os próprios braços que as sustentavam, arranhando desesperadamente a epiderme igualmente cheia de cicatrizes. A vizinhança pôde escutar um grito rouco de dor e desespero.

Se levantando mesmo sem forças, o gato laranja puxou os cabelos com força, sem controlar as lágrimas que passaram a escorrer densas, atrapalhando sua visão. Mas não poderia ficar parado, não depois de ter feito aquilo com o humano que amava.

Maldito cio! Maldito!

Repetia em sua mente, que achava estar bem, mas continuava doente.

Vestindo-se apressado, se aproximou do corpo de bruços apagado na cama, o peito ardendo sem ar e o coração saltado, relutando em tocar outra vez em seu humano.

E sem saber direito o que fazer, enrolou-o em um cobertor, deixando o apartamento, ignorando todos os olhares que recebeu, enquanto corria pelas poucas ruas, em direção ao hospital mais próximo.

Jimin se lembrava perfeitamente, foram dois dias sem encontrar os olhos castanhos, o médico dizia estar tudo bem, que seu Yoonie precisava apenas de descanso e cuidados com os machucados pelo corpo, mas aquilo não acalmava seu ser, não tirava de sua cabeça como tinha se transformado em um monstro e machucado a pessoa que amava.

Não esteve consciente naqueles dias malditos, mas sabia que a culpa era sua, para atormentá-lo lembrava-se de curtos momentos e das lágrimas de dor deixando os olhos suplicantes de seu amor.

Quando finalmente pôde levar o humano para casa, limpou tudo e o aconchegou em sua cama, Yoongi dormia de forma pesada e se encolheu como um gatinho, sorriu amargo. Ele era o verdadeiro gatinho entre ambos.

Cobrindo-o, ajeitou todos os remédios e pomadas sobre o pequeno móvel ao lado da cama, junto a uma garrafa de água, e saiu outra vez, estava perdido.

Andando até uma praça próxima do apê, se sentou no banco que desde o início, o mais velho indicava para que tomassem sorvete e assistissem as crianças brincando, desabou ali.

Ainda no hospital, tinha fugido dos olhos tristes assim que eles o encontraram, não queria ouvir que seu humano o odiava, que tinha medo de si, por ser um monstro. Ali, naquele momento, teve que tomar uma decisão. E passou tanto tempo preso dentro de seus nozinhos doentes, apertando a mente novamente escura, que não percebeu o dia indo embora, e a noite passando a assistir seu rosto ardente pelas lágrimas que não paravam de escorrer.

- M-Minie? - Ergueu o olhar assustado, encontrando o dono de seu coração, agasalhado, em sua frente. Automaticamente se levantou recuando para longe. - Ei... tá tudo bem. - Yoongi sorriu murchinho, não conseguia imaginar o que os nozinhos estariam fazendo com seu gatão, que mantinha a feição apavorada e as garras saltadas, mas sabia que o encontraria ali, e o levaria de volta para o quentinho de sua casa.

- Y-Yoonie, - Os olhos quase laranjas perderam o brilho. - e-eu... machuquei v-você.

Ouvir aquilo doeu no Min, como se estivessem estrangulando seu coração, mais do que seu próprio corpo naquele momento. Era inegável o que havia acontecido, mas a culpa não era de seu gatão.

- N-Não foi de propósito, - Sua voz embargou. - tá tudo. - Foi interrompido por sua paixão rosnando e arranhando ainda mais o próprio corpo, as garras fincando na epiderme profundamente.

- NÃO TÁ! - O Park voltou a puxar os cabelos com força, sentia tanta dor, não estava conseguindo suportar mais. - E-EU SOU UM MONSTRO! EU MACHUQUEI MEU AMOR!

Recuou mais alguns passos com a tentativa de aproximação do mais baixo.

- Minie me escuta! - O Min começou a se desesperar, queria mais que tudo conseguir abraçá-lo e impedir de se machucar ainda mais. - E-Eu sinto muita dor sim, mas olhe pra mim, eu tô aqui na sua frente, eu tô bem!

O felino negou diversas vezes, mais para as coisas que sua mente traiçoeira estava falando, do que para seu amor.

- Não teve culpa, - Yoongi conseguiu se aproximar alguns passos. - eu insisti para passar esse momento com você.

Finalmente conseguiu o olhar destruído do gato laranja que amava e novos passos em sua direção, quase conseguindo tocá-lo no rosto.

- A culpa foi minha, - Sorriu tentando confortá-lo um pouco, erguendo o rosto ao sentir algumas gotinhas de chuva começando a cair. - vai chover logo, vamos pra casa, Minie. - Tentou tocar a mão trêmula, mas o Park voltou a se afastar.

- E-Eu não posso, e se te machucar de novo? - Mãos lágrimas deslizaram pelo rosto mais bronzeado. - sou instável, um monstro, - Seus olhos se arregalaram, sombrios. - n-nunca vou melhorar!

- Do que está falando?! Você não é um monstro, Jimin! - Yoongi agarrou a mão canhota e extremamente gélida do mesmo, impedindo-o de se afastar mais. - Você está melhor, a sua saúde mental tá melhorando cada vez mais, por favor, não fale isso.

- Eles tinham razão, - O maior falou baixinho, como se quisesse responder a si mesmo. - eu não mereço uma boa vida. - A fina garoa que se iniciou, pareceu aumentar a intensidade. - E-Eu não posso, amor. - Se livrou da mão quentinha e lhe deu as costas.

- Não, Jimin! - O Min tentou agarrá-lo outra vez, falhando ao que esse se esquivou de seu toque. - Para com isso!

As gotinhas geladas tornaram-se mais fortes, assim como os passos do felino para longe.

- Park Jimin! - O felino parou, inesperadamente ouvindo a voz brava. - Não foi certo nos precipitarmos, mas não me arrependo! Eu tô aqui, atrás de você e tô bem! A chuva tá engrossando e eu detesto água, mas tô aqui por você! Porque eu te amo e não vou desistir disso! - A voz um pouco fraca abaixou o tom que Yoongi gostaria de ter usado até o final. - Me deixa enfrentar isso com você.

Em surpresa, o gato de virou correndo em sua direção, desabando em seus braços.

- E-Eu te amo, Yoonie! Com todas as minhas forças! - O Min abraçou o corpo tremendo, intensamente. - Mas eu tô s-sentindo tanta dor, por favor, me perdoa. - Seu choro alto despedaçou o humano.

- N-Não precisa pedir perdão, tá tudo bem, - Yoongi soluçava, enquanto, tentava amenizar tudo aquilo que seu amor estava sentindo, com carinhos singelos por suas costas e cabelos. - nós vamos enfrentar essa fase juntos, vai passar meu amor, eu prometo."

Chacoalhando a cabeça, Jimin afastou aquela memória, assim como as lágrimas que inconscientemente escorreram.

- Hyung? Você está bem? - Encontrou os olhos negros e brilhantes, o encarando preocupados.

- Uhum. - Sorriu pequeno respirando fundo. - Está vendo essas marcas? - Ergueu as mangas da blusa, espantando aquela lembrança encarando os traços desalinhados de cicatrizes condecorando sua pele.

- Sim... - Timidamente, os dedos branquinhos tocaram algumas.

- Eu causei em mim mesmo quando estava tentando me conhecer e as coisas deram errado, estava fazendo exatamente como você, - Seus olhos se conectaram mais uma vez. - e eu só consegui depois que cedi ao meu próprio limite, depois que deixei o Yoonie me ajudar. - Sorriu se lembrando de todas as primeiras vezes boas com o namorado.

- Eu entendo agora hyung, - O moreno sorriu pequeno. - e vou me esforçar pra fazer do jeito certo.

- Respeitando a si mesmo.

- Respeitando a mim mesmo. - Ggukie repetiu, arrancando um largo sorriso do felino.

- Quanto ao Tae, deixe o tempo te mostrar o que vai conhecer ao lado dele, não tenha pressa. - As bochechas do mais novo se coloriram envergonhadas, mas antes que pudesse responder, uma voz animada surgiu.

- Ah, vocês estão aí! - Ouviram Hoseok cantarolar, preenchendo o local. - Vamos, noona já colocou a verdadeira sobremesa na mesa!

- Ih, então vamos correr, antes que o Yoonie coma tudo! - O Park sugeriu brincalhão para o garoto coelho, que gargalhou levantando e o acompanhando junto do mais velho, de volta para a cozinha, mesmo que ainda estivesse preocupado com as lágrimas que seu hyung derramou, queria compreendê-lo também, e se esforçaria para aquilo.

[...]

Ao entardecer, os hyungs foram embora, deixando os dois mais novos acenando da porta. Foi uma tarde tão divertida, principalmente quando iniciaram uma brincadeira de roubar uma almofada do "guardião", que deveria ficar de costas para ambos. E quando Ggukie ficou perto o bastante e a pegou quase conseguindo escapar, se arrastando também sentado em uma almofada, Hoseok que era o "guardião" se virou e o capturou, fazendo cócegas em si. O que encantou a todos, foi a gargalhada alta e espontânea do garoto coelho se contorcendo, tentando escapar do "castigo" dos dedos do guardião cutucando sua barriga.

Os hyungs também riram junto, Byeol noona quase chorou, enquanto, preparava o lanchinho da tarde, e Taehyung petrificou no lugar que estava, memorizando aquela cena tão bela e indescritível, não tendo dúvida de que seu coração tinha parado por alguns segundos, voltando só depois de receber um tapinha nas costas do melhor amigo.

- Agora, chega de farra, - Se sobressaltaram com o silêncio sendo quebrado por noona, que vinha da cozinha alisando as costas, resmungona. - os dois, direto pro banho!

- Tá bom, noona! - Jeongguk foi o primeiro a subir a escada, quase saltitando, contagiado por algo que vibrava em seu peito. Feliz.

- A conversa com Jimin hyung deu bons resultados... - Tae comentou sorrindo todo bobo, seguindo logo atrás, deixando Byeol a frente do corredor, acompanhando-o com o olhar.

- O que o tempo ainda vai fazer... - Negou para si mesma, abrindo um sorriso contido, indo para seu quarto igualmente.

Chegando no corredor do andar de cima, o Kim suspirou, lembrando vez atrás de vez aquela gargalhada gostosa que Ggukie havia soltado, tão linda, tão dele.

E ao se aproximar da porta de seu quarto, ainda sonhando acordado, arqueou as sobrancelhas ao ser puxado por um som, vindo do cômodo à frente.

Virando-se em direção a porta fechada, mordeu o lábio inferior, praguejando internamente sua curiosidade, mas sem tentar se auto impedir, deu os passos restantes até grudar a orelha na madeira branca à frente. Iria bisbilhotar só um pouquinho.

- Eu gosto de salgado ou doce?

Mordeu o lábio inferior, sentindo mais uma pontada em seu peito já calejado.

Já Jeongguk perguntou a si mesmo, distraído, andando em círculos em frente a cama, próximo da porta. Logo bufou, o gato tinha feito parecer fácil responder, mas parecia mais difícil.

- Eu gosto dos dois. - Formou um biquinho nos lábios. - Frio e quente também... - Forçou seus nozinhos a pensarem em si mesmo e em tudo o que já experimentou. - gosto mais do dia, - Aquela era uma certeza. - gosto de comer salada mais do que os hyungs, e de pães doces e cenouras, e... - Seu estômago emitiu um barulhinho e acabou mudando o caminho de seus pensamentos. - banho quentinho. - Sorriu pequeno, falar aquelas coisas traziam uma sensação boa, pois realmente gostava, e tinha tudo aquilo a sua disposição agora.

Indo para a cômoda pegando uma toalha, ainda que pensando no que mais poderia dizer, no que gostava, seu nariz se remexeu encontrando um cheirinho bom que reconheceria de longe, e suas orelhas dançaram quando seus olhos avistaram, a tempo, uma sombra se afastando de sua porta.

Passando a bater o pé direito eufórico contra o chão, sentiu seu rosto esquentando, seu príncipe estava o ouvindo.

Ponderou, talvez mais tarde pudesse pedir ajuda com mais coisas que pudesse falar sobre si mesmo.

Porém, constrangido, correu para o banheiro.

Já no quarto defronte, Taehyung continuava estampando um sorriso bobo no rosto, imaginando a expressão determinada e fofa no rosto bonito do anjo, adorando ouvi-lo dizer sobre as coisas que gostava.

Avoado, seguiu um caminho parecido com o do garoto coelho, para o banheiro, esquecendo o pijama e a toalha sobre a cama.

Depois de um bom tempo, já de banhos tomados, cada um permanecia em seu quarto, Tae tomando coragem para abrir a porta e chamar Ggukie, e esse, do mesmo jeito, envergonhado por ter sido ouvido, mas decidido a aproveitar, gostava da companhia de seu hyung, e iria pedir por ela.

Respirando fundo, tomou coragem e abriu a porta, dando de cara com a da frente fechada. Seu pé direito batendo inquieto contra o chão, mesmo se batesse e chamasse por seu príncipe, o que falaria?

Mordendo o interior das bochechas, pensativo, encarou todo o andar menos iluminado, parando na porta do escritório, e então se lembrou do dia em que o mais velho o distraiu daquela tempestade, do jogo que resultou em algumas risadas por ele ter ficado empenhado em vencer, depois que tinha descoberto seu truque.

E pensando em chamá-lo para passarem um pouco mais de tempo juntos, começando com o jogo, sorriu sentindo suas orelhinhas dançarem, até porque já sabia, iriam fazer coisas de amigos acabando com algum filme, que indicaria a hora de ir dormir.

Mas não iria entrar no escritório do hyung, que deveria estar ainda mais escuro por ser no final do corredor e jardim, longe das luzes de fora da casa. E se lembrando de noona ter pego o papel para escrever sua carta no Natal no raque da sala, desceu a escada apressado, passando pelos sofás e mesinha de centro, se ajoelhando em frente ao móvel e o abrindo, encontrando diversos papéis, alguns até coloridos, junto a canetas e lápis de cor.

Sentiu suas mãos formigarem e o sentimento de saudade o tomar momentaneamente, gostava muito de desenhar desde que se entendia por coelhinho, e todos os seus desenhos estavam na casa de sua avó, ela sempre os guardou.

Repuxando os lábios, encarou todas aquelas cores por mais alguns segundos, antes de pegar alguns papéis e canetas e se reerguer em um quase saltinho, voltando animado para o andar de cima, suas orelhinhas e rabinho eufóricos, o denunciavam, queria estar com o príncipe.

Novamente encorajado, mesmo que apertando suavemente as bordas das folhas entre os dedos gélidos, Ggukie tornou a subir a escada, parando em frente a porta do aposento do príncipe outra vez, batendo levemente com os nós dos dedos, passando a segurar o risinho que quis escapar ao ouvir um: já vai, um pouco desesperado, e um segundinho depois, a figura alta com cabelos castanhos lindos úmidos, bagunçados.

- Ggukie! Estava pensando em você agora mesmo!

Suas bochechas esquentaram, bem como até suas orelhinhas, e desviou o olhar, mas seus lábios quase se repuxaram sozinhos. Tae percebendo o que falou, engoliu em seco, apertando com força desmedida o trinco da porta sob sua mão.

- D-Digo, pensei em chamar você p-pra fazer alguma coisa juntos de repente, é!

O empresário falou tudo de uma só vez, puxando o ar com força, abrindo um sorriso travado, se sentindo um bobo.

- Eu quero, hyung. - Se acalmou com a risadinha fofa de seu pequeno.

- O que quer fazer primeiro?

- Vamos jogar? - Jeongguk ergueu as folhas e canetas, retribuindo pouco o sorriso do mesmo, pois ficou preso observando o quadradinho singular, gostava de vê-lo nos lábios pêssegos.

- Claro, vamos! - Se colocaram lado a lado timidamente, descendo a escada, esbarrando os ombros vez ou outra. Não sabiam quem estava mais atrapalhado, acabando por soltar risadinhas até estarem sobre o tapete felpudo da sala.

- Preparado para perder? - Brincou Tae se sentando de um lado da mesinha de centro, desenhando a primeira tabelinha ao que as folhas e uma caneta foram oferecidas a si.

- Só se eu deixar o hyung ganhar, não é? - Rebateu o coelho, recebendo um olhar arregalado e dramático do príncipe.

- Aquela vez eu que te deixei ganhar, mas agora é pra valer. - Soltou um risinho rouco e provocador, gabando-se.

- Então começa, TaeTae. - Jeon mordeu o interior das bochechas, tentando não rir da expressão engraçada do mais velho.

E logo nas primeiras partidas, Tae perdeu todas.

Não jogaram por muito tempo, em vista que o convite do hyung para que explorassem a cozinha em busca de algo para comer, convenceu o orelhudo rapidamente.

Com preguiça depois da comilança, que ocorreu em vez de apenas alguns petiscos, para que noona não percebesse o sumiço de alguns biscoitos e caixinhas de achocolatado, ambos se jogaram no sofá, entretidos com a conversa baixinha sobre o dia com os outros hyungs, e o que poderiam fazer nos últimos de férias do empresário.

- O que acha de um passeio no aquário de Seul?

Aquela era uma das primeiras vezes que Taehyung gostava de suas próprias ideias, e ver o rosto branquinho se iluminando ainda mais ao ouvir sua sugestão, quase foi capaz de ouvir as batidas de seu coração.

Apreciava aquele lugar colorido de todas as espécies de peixes que pudesse conhecer. A última vez que tinha ido lá foi com sua mãe, mas agora iria voltar a ser especial, para si e para o garoto de orelhas de coelho dançantes a seu lado.

- Acho muito legal, é como conhecer o mar...

E cumpriria mais um pouco de sua promessa, daria outro pedaço bonito do mundo nas mãos delicadas.

- Iremos nos divertir muito. - Sorriu grande, desviando o olhar do negresco cintilante, envergonhado, mas intensamente feliz.

Se levantando para alcançar o controle sobre o raque, ligou a televisão entrando no aplicativo que mais usavam juntos, rodando o feed em busca de algum filme que mais chamasse suas atenções. E depois de escolherem o primeiro de Homem Aranha, caíram na preguiça daquele momento bom com as luzes apagadas, se aconchegando de forma tímida um no outro como todas as noites, para concluírem aquela parte tão boa da rotina que inconscientemente criaram.

O resultado se deu com Taehyung dormindo, apoiando a cabeça no ombro de seu pequeno, enquanto esse, com os olhos escuros e brilhantes bem abertos, observava a tela preta, passando as letras miúdas junto de uma música, pensava no quão tinha gostado da história do herói também.

Porém, teve que conter a vontade de pegar o controle a poucos centímetros de si e apertar na logo do próximo da coletânea, era hora de ir dormir e teria trabalho para acordar o belo homem dormindo sereno contra si.

- Hyung? - Chacoalhou o corpo grandão, levemente. - É hora de ir dormir. - Acabou soltando uma risadinha, afinal, tinha metade do filme que ouvia a respiração serena e via os olhos fechados do mais velho.

- Ah não... - Ouviu a voz rouca resmungar manhosa. - aqui está tão bom.

Taehyung aconchegou mais a cabeça em seu ombro e conteve um riso, por mais que fosse confortável e se sentisse ainda mais protegido e quentinho dormindo com o mais velho, do que em sua própria cama, precisava acordá-lo, não seria bom se acostumar a isso, e sabia que seria fácil.

Pensando no que fazer, mordeu o lábio inferior controlando a vontade de rir, sentindo aquela sensação estranha e boa o dominando.

- Hyung, a noona tá vindo! - Falou de forma alarmada, um pouco mais baixo para que a mais velha realmente não escutasse.

- O que?!

Tae se endireitou no mesmo segundo, os olhos arregalados pesados de sono, encarando o corredor apagado ao lado da escada, em seguida, voltando para os olhinhos sem sequer algum resquício de sono, demonstrando divertimento, por fim, negou descrente e atordoado, com a risadinha que veio do garoto sapeca.

- Muito espertinho. - Conformou-se, sem aguentar, rindo também, se levantando e esticando o corpo. - Então vamos, amanhã temos um dia cheio de preguiça pela frente.

Trocaram risos baixinhos, desligando a televisão e ajeitando as almofadas outra vez, subindo a escada com passos calmos, sem causar tanto barulho, parando novamente entre as portas de seus quartos, encontrando seus olhares e assim permanecendo, sem trocar mais nenhuma palavra por alguns minutos.

- Tem algum hyung que gosta mais, Tae? - Jeongguk quebrou o silêncio, um pouco acanhado, porém sem desviar o olhar do de mel.

- O Yoongi é meu melhor amigo, - O acastanhado respondeu risonho. - mas eu gosto de todos eles igualmente, - Sorriu sincero. - e você?

Jeon encolheu um pouco os ombros, sorrindo tímido.

- O Jimin hyung. - Não conseguiu terminar de falar, o que sairia um pouco parecido com a resposta do mais velho, pelo próprio esboçar uma expressão sofrida apoiando a mão no peito.

- Eu fui trocado pelo Jimin hyung?! Ai como dói! - Taehyung fechou os olhos dramaticamente.

- N-Não é isso! Eu escolho você, TaeTae! - Desesperado, o moreno abraçou o tronco largo, sendo prontamente retribuído.

E talvez o coelhinho estivesse usando essa desculpa para o ato.

- Eu só estava brincando, desculpa Ggukie! - Taehyung sentiu vontade de bagunçar os cabelos, passou a se sentir esquisito por ter feito aquela brincadeira boba.

- Eu sei, - Arregalou os olhos com a risadinha que recebeu junto a resposta. - gosto de todos os hyungs também, mas continuo escolhendo você.

Sem conseguir responder, senão soltaria algo bobo, o Kim apenas se limitou a fingir estar calmo e apertar o abraço.

- Desde que você e o Jimin hyung conversaram comigo, sinto que está mais fácil dizer sobre mim. - Jeongguk falou sobre seus sentimentos sem qualquer relutância, aquilo deixou Tae todo mole.

- Isso é muito bom, - Sorriu grande. - está indo bem, vai conseguir, Ggukie!

- Obrigado, Tae.

- De nada, Ggukie.

Ambos seguiram por mais alguns minutinhos em silêncio ainda abraçados, se separando bons minutos depois, quando o sono os atingiu mais profundamente.

- Então, boa noite, Ggukie - O acastanhado lhe acariciou em um pontinho bom perto de sua orelha de coelho. - durma bem.

- Boa noite, TaeTae - O retribuiu, inclinando levemente a cabeça, querendo mais daquele carinho. - você também.

- Pode ir primeiro. - Concordou, se afastando sem tanta vontade, adentrando seu quarto, encarando o príncipe da porta, lhe dando um sorriso. Tão bonito que fez seus lábios imitarem o gesto sem sua permissão.

Fazendo o mesmo, Tae passou pela porta do seu, acenando timidamente, recebendo o mesmo do ser de bochechas vermelhinhas, antes de fechar a porta e sobrar apenas si e seu sorriso bobo apontado no corredor.

Negando, fechou sua porta e se apressou em suas higienes para jogar-se na cama, tentando inspirar o cheirinho de torta de limão de sua imaginação, apagando daquele mesmo jeito e sem remédios.

No quarto da frente ainda todo iluminado, Jeongguk foi para o banheiro e escovou os dentes sem encarar o próprio reflexo. Mas quando terminou, refletiu sobre tudo o que ouviu de seus hyungs, suspirando por saber o que deveria fazer, só não, se conseguiria.

Chacoalhando a cabeça, respirou fundo tomando coragem, erguendo o olhar encontrando-o no enorme espelho adiante. Passou a observar a si mesmo com atenção.

- Estou orgulhoso por ter começado.

Repetiu um pouco trêmulo o que o príncipe tinha lhe dito pela manhã, e a sensação que o tomou foi estranha.

- Eu sou... - Analisou seu próprio rosto, sem ter nenhuma palavra para descrevê-lo. Era tão estranho. - Jeon Jeongguk, - Falou calmo. - e tenho vinte anos. - Repuxou levemente os lábios por ter conseguido começar, seus olhos focando no movimento da boca enquanto falava. - Eu gosto de comer pãezinhos doces, - Gostou de ouvir sua própria voz soar, dessa vez sem falhas, sem medo. - e de café e cenouras e misto-quente, - Lambeu os lábios. - gosto de doces e salgados, e prefiro o dia porque a noite é muito escura, - Suas orelhinhas dançaram, demonstrando que estava ficando animado. - gosto de comer as folhinhas verdes da horta da noona, mas não as de espinafre, nem de alface, nem os alimentos que tem cheiro ruim no mercado.

Seu narizinho enrugou brevemente, voltando a se remexer, como se se lembrasse do gengibre em conserva. Mas por um lado , admirou o imenso lugar, muitas vezes maior que a mercearia que tinha tudo, que foi com sua avó algumas vezes.

- Meus nozinhos de pensamento me dão dor de cabeça, - Seu peito deu um salto e as batidas se tornaram incertas. - pensar neles machuca, mas quando eu converso com o TaeTae, eles somem, e-eu gosto, - Sorriu pequeno, tornando a observar seu rosto por alguns segundos. - gosto de conversar com a noona e com o Jimin hyung também, de rir com os hyungs, - Seu pé direito passou a bater contra o chão. - g-gosto do carinho e das palavras bonitas, de sentir o cheiro de morango e chuva até dormir, - Suas bochechas começaram a esquentar, não conseguia mais parar quieto. - os a-abraços do príncipe... eu gosto muito, tudo é novo e bom e não machuca, g-gosto de sentir as sensações que ele me causa, d-de ter luz. - Arregalou os olhinhos sentindo sua respiração desregulada, tinha escolhido coisas para falar sobre si mesmo, pensou em si mesmo, livre de qualquer ordem, livre de tudo o que o aprisionava por hora. - G-Gosto de sentir assim.

Percebeu que estava prestes a chorar através de seu reflexo, mas era por causa daquela sensação de liberdade, aquela explosão boa. Sorriu exibindo os dentinhos, e então notou que também gostava do seu sorriso, seu novo sorriso.

- E-Eu posso escolher gostar e não gostar, - As primeiras lágrimas leves escorreram por suas bochechas. - eu posso e-escolher sim ou não. - Falou olhando seu próprio olhar refletido, reforçando para si mesmo a nova vida que estava vivendo. - Eu sou o Jeongguk. - Sorriu para si mesmo, sentindo que seu nome voltou a pertencer a si, mais do que antes.

Passados alguns minutinhos, o garoto coelho mais sensitivo a tudo a sua volta, esperava aquela sensação boa se acalmar um pouco dentro de seu peito, enquanto passeava os olhos por si mesmo, estava feliz por ter dito, pouco, mas mostrado a si mesmo que tinha aquele direito de volta, a sua voz, simplesmente tudo. Sua cabeça doía um pouco, porém alguns nozinhos foram embora, tinha dado mais um passo à frente deles.

Secando o rosto com a toalha espantando as lágrimas quentinhas, deixou o banheiro indo diretamente para sua cama, se aconchegando sobre o gelado das cobertas, suspirando.

Ainda tinha tanto para falar, de como gostava do calor do príncipe, mais do que aquela sensação geladinha de inverno, mas também de sua cama, de como as palavras do mesmo o atingiam, de como segurar a sua mão era... indescritivelmente bom.

Seu corpo todo passou a formigar, naquela sensação esquisita que arrepiava seus pelinhos e deixava seu rabinho elétrico, lhe tirando o sono e deixando apenas sua mente, trabalhando sem parada por ter conseguido fazer um pouquinho da tarefa, porque sabia que não estava sozinho, por refletir tudo o que falou, por sentir um pouco do que era amor e calor.

Jeongguk não fechou os olhinhos a noite inteira, mas por conta de tudo aquilo que estava sentindo e pensando.

Ao amanhecer, deixou o quarto às sete horas, descendo a escada, sonolento, procurando por noona.

- Bom dia, querido! - Ergueu os olhinhos pesados de sono, mas se recusando a fechar e descansar, encontrando a mesma sentada no sofá da sala, mexendo em seus fios de lã coloridos dentro de uma caixa de madeira.

- Bom dia, noona. - Respondeu baixinho, o sinal de um biquinho querendo adornar seus lábios vermelhinhos, enquanto dava a volta no sofá e se sentava ao seu lado.

- O que foi, orelhudo? - Byeol levou a mão para seus cabelos, lhe dando um carinho bom, percebendo os olhos de seu menino se fechando e a cabeça pendendo para frente. - Não dormiu bem? - Ggukie negou devagar. - Precisa descansar querido, vem, deita aqui. - O olhar escuro se arregalou, enquanto, assistia noona colocar a caixa sobre a mesinha de centro e uma almofada em seu colo, dando tapinhas ali, o chamando.

Demorou alguns minutinhos para ceder, o sono deixou-o um pouco arisco, porém logo estava deitado contra o resto do sofá, apoiando a cabeça na almofada, sentindo as mãos levemente enrugadas, encontrarem seus fios negros outra vez.

- Tente descansar um pouquinho, sim? - Byeol soprou um riso voltando a fazer carinho nos fios e orelhinhas esticadas e duras, notando o olhar de canto atento do mais novo, mas sequer conseguiu se sentir ofendida com sua desconfiança, prosseguiu com os carinhos até ver os olhinhos negros se fechando e as extensões branquinhas caindo molinhas, um pouco para fora da almofada.

Jeongguk dormiu rapidinho sob seus carinhos.

Cerca de uma hora depois, Taehyung desceu a escada, bocejando e esticando os braços para o alto.

- Bom dia, noona! - Sorriu com preguiça, logo abrindo a boca surpreso ao encontrar seu pequeno dormindo ali. - Ggukie não dormiu bem? - A mesma negou, mas sua resposta seguiu, antes de começar a se preocupar.

- Mas ele não está assustado, nem parecia incomodado com algo, apenas com sono. - A mais velha sorriu terna. - E olhe só! - Exclamou um pouco mais baixo, deixando de o fazer carinho, e um segundo depois, as orelhas grandes se moveram, como que pedindo para que continuasse. - Esse garoto é muito fofo. - Byeol soltou encantada, voltando a ver a parte animal de seu menino cair molinha, ao ter reiniciado seu cafuné.

- É um anjo. - Tae sorriu grande, observando o jeitinho doce de Ggukie dormir. Bobo demais para conseguir falar mais.

- É sim, - A mais velha concordou, analisando o olhar brilhante de seu menino recaído sobre o outro. - pegue uma cobertinha pra ele, TaeTae. - O mesmo não a ouviu, continuou perdido em seus pensamentos, que talvez tenham originado todo aquele brilho diferente em seus olhos. - Tae! - Chamou mais alto, ocasionando em um remexer do mais novo, e seu moleque chacoalhando a cabeça, lhe encarando de olhos arregalados.

- Ham?

- Busque uma coberta, Ggukie pode sentir frio. - Repetiu, contendo uma risadinha ao vê-lo assentir desesperado e correr escada acima.

Jeongguk sentiu por mais um longo tempo o carinho gostoso em suas orelhinhas e cabelos, antes de mergulhar em um sono profundo, sequer sentindo quando noona o ajeitou com carinho e cuidado no sofá, bem como a coberta grossa sobre si, indo para a cozinha começar o almoço. Nem o cheiro bom que passou a preencher o ar bons minutos depois o despertou.

Cerca de uma hora e meia passada -e cinco que o coelhinho ressonava tranquilo-, com tudo pronto e posto na mesa, noona secou as mãos no pano de prato, após colocar em duas tigelas, sua salada habitual com cenoura e tomate, das folhas de alface, sorrindo de forma boba temperando separadamente e se virando para colocá-las na mesa, encontrando Tae escorado no batente da porta, tentando assistir Ggukie dormir e achando que estava conseguindo disfarçar para si.

- Acorde o orelhudo para comer, Tae. - No mesmo segundo recebeu o olhar do sem vergonha.

- Tá bom, noona. - Taehyung praticamente correu da cozinha.

Dando a volta no sofá, ergueu as mãos para os cabelos, nervoso, bagunçando antes de respirar fundo e sorrir pequeno, tomando coragem para acordar o serzinho quase completamente escondido sob a coberta.

- Ggukie, - Chamou se aproximando um pouco mais. - pequeno, - Chamou em um tom mais alto, sentindo seu coração acelerar com a dancinha que as orelhas branquinhas fizeram, já em pé. - é hora de acordar, vamos, - Cutucou levemente o ombro escondido sob a onda da coberta. Ggukie se remexeu, afundando ainda mais contra o tecido grosso. - ei preguiçosinho, - Riu baixo inclinando o tronco e apoiando a mão no encosto branco, encontrando os olhinhos negros minimamente abertos. - o almoço está pronto. - Jeongguk passou alguns segundos apenas o encarando daquele jeito, antes de suspirar e remexer, esticando o corpo espantando a preguiça, mas voltando a fechar os olhos, descobrindo um pouco do tronco. - Tem salada de cenoura, eu vou ter que comer tudo sozinho? - O empresário formou um biquinho, junto ao tom de voz dramático.

- O TaeTae não me engana mais assim... - Ggukie quase ronronou, o timbre rouquinho pelo sono tirado.

- Espertinho. - Apesar de boquiaberto pela surpresa, Taehyung riu, exibindo o quadradinho nos lábios. - Agora se levante para comer, de barriga cheia a soneca fica ainda melhor. - O convencendo e ganhando um sorrisinho também, o acastanhado se afastou do sofá um pouco atrapalhado, sentindo o rosto esquentar, afinal, estava muito perto do coelho, que se sentava com moleza.

- O cheiro está muito bom. - Jeongguk se levantou, seu narizinho agitado avaliando o aroma do almoço.

- A noona garantiu que o gosto está ainda melhor. - Riram brevemente, caminhando até a cozinha lado a lado. E pelo cantinho do olho, Tae observava o menor coçar os olhinhos, o que lhe causou a distração, e acabou batendo o ombro no batente da porta, suas bochechas tornando-se vermelhas, ao que encontrou o olhar questionador de sua segunda mãe.

- Cuidado para não se machucar, TaeTae...

Sentou-se rapidamente, evitando olhar para a mesma que ria de sua cara, e para o olhar brilhante que sabia estar queimando curioso sobre si.

Após o almoço, nem o chocolate foi capaz de refazer as energias do coelhinho, que andava molinho e ainda com sono, querendo apenas se aconchegar em algum lugar quentinho e dormir mais.

- O que acha de assistirmos um filme? - Perguntou Tae, tentado a animá-lo, sorrindo quadradinho, o que Jeongguk não viu por estar coçando os olhos suavemente inchadinhos.

- Acho legal. - Respondeu baixinho, sorrindo pequeno antes de bocejar e se aconchegar melhor no estofado.

- Vamos para o segundo do Homem Aranha? - O assentir frenético e mais animado contagiou o empresário, que logo encontrou a logo citada, e ambos iniciaram o filme da franquia.

Taehyung, depois de alguns minutinhos, não sabia mais o que fazer, se tentava puxar algum assunto, ou se comentava algo sobre as imagens que assistiam, ou ainda, se sugeria que o anjo fosse para a cama descansar, em vista que pendia a cabeça para frente e para trás, mal permanecendo com os olhinhos abertos.

Nervoso, optou por não fazer nada, tinha quase certeza de que agiria como um pateta.

Forçando-se a focar na televisão, mirando o anjo vez ou outra com o cantinho do olho, o tempo foi passando e acabou se distraindo, ficando tranquilo quando ouvia algumas fracas risadinhas do ser milagrosamente acordado.

Porém, passado a metade do longa, onde o único som que preenchia o ambiente era o da televisão, arregalou os olhos prendendo a respiração quando de repente sentiu algo encostando em seu ombro. Olhando para o lado, encontrou a cabeleira negra e suas pernas ficaram moles constatando que o menor tinha dormido e escorregado até ali.

Tentou respirar fundo, não poderia ficar mais nervoso e atrapalhado do que já estava.

Permanecendo imóvel, deixou o anjo se aconchegar contra si, suspirando no sono pesado que estava.

Mas poucos minutos depois, já estava completamente relaxado também, se aconchegando de volta no menor, deixando as posições confortáveis para ambos, sentindo os olhos começarem a pesar também, ao que apoiou a cabeça na do mais novo.

Ggukie que sentia o corpo pesado e cansado mesmo que molinho, agora se sentia leve em seu sono, aconchegado a algo grande, quentinho e macio, estava quase flutuando. Um sonho havia chegado para lhe fazer companhia.

"Era um lindo dia, sentia o sol quentinho queimando sua pele, o vento que batia contra seu rosto era morno e pisava descalço em algo fofinho, também com temperatura, mas era um mormaço gostoso, dava preguiça.

Não conseguia olhar em volta, e o brilho da estrela fazia seus olhos ficarem estreitos pela ardência, mas ouvia, era o som do mar. Tinha ouvido aquele som partir de alguma televisão, uma vez.

- Ggukie! - Ouviu a voz rouca chamar, conseguindo finalmente se mover e rodopiar, passou a procurar o dono dela.

- TaeTae! - Chamou de volta ao não encontrá-lo.

- Te achei, pequeno! - Virou-se mais uma vez, como num passe de mágica o príncipe estava ali, atrás de si, tão lindo, chamando sua atenção com algumas cócegas em sua barriga.

Seus cabelos estavam úmidos e mais cumpridos, vestia roupas claras e frescas e o sorriso quadrado se iluminava, aquecendo seu coração apressadinho.

- Me achou. - Sorriu também, se aproximando do mesmo.

- O que achou do mar? - Não lhe respondeu logo, nunca tinha visto o mar, mas ali, era como se soubesse exatamente como ele era.

- Eu achei maravilhoso. - Respondeu sem controlar a si mesmo, entrando no abraço oferecido pelo maior.

- Eu fico muito feliz, prometi que iria ouvir só as palavras bonitas... - Se afastaram apenas para encontrar seus olhares outra vez. - mas eu não sei falar a língua do mar, então quis te entregar ele.

Se sentia estranho, por que aquele carinho parecia diferente do que Tae o dava normalmente? Por que gostava tanto? Ao ponto de seu coração dar saltos e batidas incertas com aquela sensação?

- Vamos continuar o caminho? - Aquele sorriso lindo estava lá, a mão grande estendida a si.

- Pra onde? - Conectou suas palmas, retribuindo seu sorriso.

- Pra onde quisermos ir. - E o puxando levemente, Tae lhe deu a visão de suas costas largas, correndo um pouco atrás dele por aquele chão macio e gostoso, sentindo o rosto receber o vento e o cheiro de morango e chuva, enquanto podia ouvir a risada rouquinha.

Tae cumpria sua promessa, desde quando permitiu reconhecê-lo como seu humano, alguém que passou a confiar inteiramente."

Abrindo os olhos sem mais nenhum resquício de sono, encontrou diretamente as portas de vidro da sala escurecendo, reflexo da tarde do lado de fora, suspirou, dormiu por bastante tempo.

Então percebeu, estava sorrindo como no sonho, suas bochechas até mesmo começavam a doer, porém não conseguia parar.

Passeando os olhos ao seu redor, chegou na mão quentinha cobrindo a sua sobre uma almofada, seus pensamentos estavam perdidos nas imagens que viu nas pálpebras fechadas, sumindo quando a realidade de estar daquele jeito com o príncipe o tomou, do mesmo lhe cuidando enquanto dormia também.

Timidamente, se aconchegou um pouco mais contra o ombro maior, farejando o cheiro bom desse passando a encarar a televisão de tela preta, ainda perdido naquelas sensações que impediam o sorriso de sair de seu rosto. E gostava delas, de sentir daquela maneira.

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Notas Finais

E então? O que acharam?

Nosso coelhinho está indo muito bem hihi o Tete tá todo bobinho 🥺💜

Coisitas mais importantes vão começar a rolar entre eles hehe, mas claro, no tempo certo, para que não aconteça igual com o Guinho e gatinho :' foi um longo caminho, mas o Minie também conseguiu vencer sua própria luta 🤲💜

Ver o Ggu a caminho disso também deixa todos bobinhos, inclusive o Tete que está cada vez mais próximo dele aaaaa

Eu espero que tenham gostado e me perdoem os errinhos!

E outra vez, muito obrigada por estarem aqui e pelo carinho, anjinhos! Vocês são incríveis! 💜💜💜

Desde que eu fui banida, não escrevi outros plots que estavam guardadinhos, mas agora que me conhecem bem hihi, o que vocês achariam se eu colocasse nosso casal em um cenário inspirado em Bridgerton e que fosse engraçadinho e safado ao mesmo tempo? Gostariam de ler? 👉👈

Até a próxima att, anjinhos! Se cuidem direitinho! 💜

Bom diatardenoite!






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