12: Um Bolo de Aniversário
Notas Iniciais
Oii, anjinhos!! Como estão??
Eu demorei mas cheguei hihi, eu ia postar ontem depois que terminasse ele, tudo certinho, e acabou ficando muito tarde :' mas aká estamos!
Um dos motivos, foi que ontem eu fiquei algum tempinho pulando, rindo e chorando ao mesmo tempo kkkk eu entrei aqui e vi que um capítulo tinha batido 1k de comentários e o passado também! Junto aos 1k de visualizações em todos eles e a aceleração dos batimentos do meu coraçãozinho aaaaaa eu senti tudo junto e misturado!! Foram tantos sentimentos bons, fiquei alguns minutos até a ficha cair aaaaaa eu tô muito feliz!!!!! Muito, muito obrigada pelo carinho, anjinhos!!! De coração 😭😭😭💜💜💜💜💜
Vamos comemorar juntinhes! A nova fase chegou! Eu espero que gostem! Muita coisa vai rolar daqui pra frente hehe
E FELIZ ANIVERSÁRIO ATRASADINHO, ANJINHO @kimoshi__ !! Espero que tenha aproveitado seu dia especial!! Pois, hoje ainda, irá aproveitar com o Tete também hihi ✨🎉💜
Eu tô me tremendo toda até agora dkfndfk por favor, me contem o que acharem!!
A garrafinha, ou, copo de água, cadê?? 👀
Sem me enrolar mais, boa leitura, anjinhos! 💜
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"E a flor conhece o beija-flor e ele lhe apresenta o amor, e diz que o frio é uma fase ruim, que ela era a flor mais linda do jardim e a única que suportou, merece conhecer o amor e todo seu calor. Ai, que saudade de um beija-flor, que me beijou, depois voou pra longe demais, pra longe de nós, saudade de um beija-flor, lembranças de um antigo amor. O dia amanheceu tão lindo, eu durmo e acordo sorrindo."
Flor e o Beija-flor - Henrique e Juliano feat. Marília Mendonça
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Na manhã seguinte, o sol lutou contra as nuvens pesadas de floquinhos de neve, para ganhar um espacinho e iluminar a propriedade Kim, conquistando apenas alguns fracos -e sem calor- raios de sua estrela batendo nas portas de vidro da sala, deixando o cômodo antes escuro, colorido depois de um beijinho dourado dizendo: olá, bom dia!
A casa toda ainda parecia estar dormindo, até mesmo Byeol noona se aproveitou do frio e da corzinha preguiçosa invadindo suas cortinas, para ficar por mais tempo na cama.
Porém, as orelhinhas extensas de pelos branquinhos já dançavam, o narizinho gelado remexia com a coceira que sentia, mas os dedos quentinhos se negavam a desenroscar de fios macios e gostosos de ficar mexendo, para coçar.
Os olhos negros foram se abrindo devagar, ainda mais brilhantes, descansados e cheios de energia, olhando ao redor a pequena bagunça que a sala se encontrava.
Jeongguk bocejou, se remexendo e afundando um pouco mais contra a blusa de lã laranja -o presente que ganhou de noona- que o manteve quentinho a noite toda, respirando calmamente aproveitando a luz fraquinha e permanecendo quietinho, procurando despertar de fato.
Não se lembrava da hora que apagou, mas sabia que era madrugada, em vista que foi se aconchegando no sofá branco e extenso sem nenhuma vontade de subir a escada e ir para seu quarto, seu corpo estava todo mole, com preguiça. Mas se lembrava de acomodar o príncipe com a cabeça em seu ombro, como se estivessem se preparando para assistir algum filme.
E gostou muito de saber que não precisava estar em uma ocasião assim para ter aquele contato com Tae.
Abaixando o olhar, sentiu mais firmeza nas mãos dedilhando os cabelos castanhos -já que via o que estava fazendo-, e sorriu pequeno se perguntando como o corpo do hyung se esparramou no sofá, com as pernas compridas para além do braço estofado, a cabeça em seu colo e o braço direito pendendo para fora, a coberta grossa cobria suas pernas e o restante se enrolava no corpo grandão, Taehyung era bonito até mesmo dormindo daquela forma.
Sentiu suas bochechas começarem a esquentar, enquanto tentava expulsar alguns nozinhos complicados acerca do príncipe de sua mente. Não era hora de pensar neles.
Envergonhado, passou a bater o pé direito contra o chão, aumentando a velocidade gradativamente, ocasionando no movimento refletindo em sua coxa, balançando a cabeça de Taehyung que resmungou baixinho despertando aos poucos.
Não era sua intenção acordá-lo, não naquele momento e daquele jeito, mas não conseguia controlar seu corpo e mente, lembrando de tudo o que havia ocorrido para terminarem dormindo juntos no sofá, de seu presente especial, da música, da dança, dos toques e abraço, das palavras carinhosas e do olhar quentinho.
Seu coração palpitou um pouco mais acelerado, aquele natal jamais sairia de sua mente.
― Hm... ― Desviou o olhar do rosto semi desperto do hyung, evitando voltar a olhá-lo, estava com ainda mais vergonha por tê-lo acordado com seu lado coelhinho inquieto demais. ― bom dia, Ggukie. ― A voz rouquinha o fez arrepiar os pelinhos felpudos das orelhas de coelho, pela primeira vez naquele dia.
― Bom dia, hyung. ― Desejou, acabando contagiado pela preguiça do mais velho, rindo baixinho -e sendo vencido- o observando se ajeitar entre a coberta, coçando os olhos.
O TaeTae é mesmo muito dorminhoco. Pensou.
― Dormiu bem? Deveria ter me dado um cutucão, eu saía para irmos para os quartos descansar, desculpe.
― Tá tudo bem hyung, ― Com o pouquinho de coragem que tinha, Ggukie voltou a acariciar os cabelos do maior. ― eu dormi bem, o sofá é confortável, e o hyung... me deixou mais confortável ainda. ― Exibiu os dentinhos tentando acalmar o mesmo, falando palavras bonitas como ele sempre fazia consigo, e não precisou pensar, apenas disse a verdade.
Os curtos segundos de silêncio não eram desconfortáveis para si, porém já árduos para Tae, com o coração acelerado querendo sair de seu peito logo cedo sob o olhar de jabuticaba cintilante.
Mais um pouquinho de tempo e estaria visitando um cardiologista, não duvidava.
O que sentia -até mesmo quando o moreninho não fazia absolutamente nada, talvez agora apenas sorrir molinho de preguiça para si- só poderia ser uma doença.
Quando se tratava do mesmo, um nó gigante tomava sua mente, o deixando totalmente perdido em sensações boas, mas ainda muito estranhas.
― o hyung dormiu bem, também?
― Dormi muito bem. ― Tae se impressionou por não ter se atrapalhado ao dar uma resposta ao garoto coelho, afinal, só de vê-lo sorrindo e confortável, não se importando de ser um folgado e estar dormindo com a cabeça apoiada em seu colo, já bastava para acalmá-lo.
Nunca havia dormido tão bem em sua vida.
― Você gostou dos outros hyungs, Ggukie? ― O sono se esvaiu completamente do acastanhado, assim que viu o assentir frenético e fofo do mais novo.
― Eles são pessoas boas e bonitas, gosto dos novos hyungs. ― Jeongguk respondeu animado. ― Jimin hyung disse que se eu quiser, ele pode me ensinar um montão de coisas, me ajudou com alguns nozinhos também. ― Sorriu pequeno, a conversa que teve com o híbrido de gato lhe fez muito bem, gostou de seu novo amigo, Jimin.
― Eu fico muito feliz Ggukie, ― O empresário sorriu grande, fazendo o coraçãozinho elétrico retumbar nas orelhinhas extensas, com o quadradinho de seus lábios. ― eles também só vão te dizer coisas bonitas. ― O coelhinho concordou, sabia que sim, todos eles eram humanos diferentes e bons, ficou feliz em conhecê-los e se tornar amigo deles.
Já sabia o que contar a sua amiga panda quando ela viesse para mais uma conversa, ela talvez ficaria orgulhosa por ter dado um passo a mais que alguns nozinhos durante a véspera de natal.
― Quando os hyungs vão vir de novo? ― Perguntou esperançoso, os olhinhos brilhando um pouco mais, pela conversa baixinha e preguiçosa que estavam tendo.
― Provavelmente na próxima semana, para fazerem mais bagunça. ― Riram baixinho.
― O hyung também fez bagunça. ― Tae lhe encarou com uma expressão de falso indignado, que o via fazendo para noona quando ela contava algo vergonhoso sobre sua infância.
― Mas foi só um pouquinho assim, Ggukie, ― A mão grande e quentinha deixou o esconderijo sob o cobertor, e o empresário demonstrou com o polegar e indicador a mínima quantidade que disse, fazendo o de fios negros soltar uma risadinha. ― e o senhorzinho também fez bagunça.
― Foi só um pouquinho assim, ― Ggukie o imitou e acabaram rindo juntos outra vez, naquele clima gostoso e quentinho.
Tae nunca amou algo mais do que ver Jeongguk radiante e confortável. Estavam dando passos na direção certa para ajudá-lo.
― noona vai precisar de ajuda para limpar tudo. ― Saiu de seus devaneios com o comentário do menor.
― Vamos ajudá-la, ― O mais novo concordou outra vez, parando de fazer o cafunezinho que estava quando o levando pro mundo dos sonhos de novo, para esticar os braços e se espreguiçar. ― semana que vem o ano acaba, depois que passar as festividades precisamos sair para fazer algumas coisas.
― Quais coisas? ― Jeongguk tornou a se aconchegar contra o sofá.
― Documentos novos para você. ― Seu peito sacudiu, iria ter mais que um dono e uma coleira apertando seu pescoço.
Sabia que tinha documentos, mas aqueles eram diferentes e ficavam no colégio que estudou, escondidos de seu pai, caso ele visse, daria um jeito de impedir sua avó de levá-lo para as aulas. A mais velha sempre se esforçou muito para dar uma vida a si.
― Obrigado, Tae. ― Voltou a acariciar os cabelos castanhos, soltando uma risadinha sapeca quando viu o hyung piscar bem devagar, apreciando o carinho.
― Por nada, pequeno. ― O sono voltou com tudo e o Kim precisou se forçar a permanecer acordado, parecia estar bem cedo, ainda. ― A comemoração de final de ano só será um pouquinho longa... ― Foi abaixando seu tom de voz, ficando acanhado, queria comentar sobre seu aniversário, para então, quem sabe, descobrir quando era o do moreninho.
― Por que? ― Ggukie tombou a cabeça levemente, curioso.
― Dia trinta, sabe, é meu aniversário também. ― O acastanhado mordeu o interior das bochechas, sentindo seu rosto esquentar com os olhos galáticos o fitando arregalados.
― Isso é muito legal, hyung!
E Tae gostava, ah como gostava de não precisar mais insistir para que o moreninho lhe desse sua opinião, adorava ouvi-lo falar o que vinha em sua cabeça sem se conter.
― Vai ter bastante presentes, festa e bagunça. ― Tae gargalhou, tampando a boca com a borda da coberta, tomando coragem para perguntar quando era o do mais novo, mas não conseguiu a tempo. ― Vamos levantar, hyung.
― Ah não... ― Usou o tom de voz mais manhoso que conseguiu, se escondendo debaixo da coberta e se aconchegando melhor, esperançoso para poder voltar a dormir recebendo o cafuné de Ggukie, ou se não, apenas ficar de preguiça, mas sem sair do ninho quentinho que criaram juntos.
Mas acabou soltando risadas contidas, com as mãozinhas tentando tirar a coberta de cima de si, ocasionando em algumas cócegas.
[...]
Byeol noona despertou com certas risadinhas sapecas ecoando pelo corredor, abafadas pela porta de seu quarto fechada, e sendo contagiada abriu um sorriso se levantando, seus garotos já estavam de pé e poderiam estar com fome.
Fez suas higienes e se arrumou rapidamente, arrumando a cama e abrindo as cortinas e janela, saindo do cômodo com uma cartela de comprimidos para dores e inflamações, em mãos. Suas costas haviam melhorado um pouco, mas ainda doíam pela queda que sofreu na noite anterior.
Negou para si mesma, passando pela sala de jantar sem perceber tudo perfeitamente organizado, diferente de como deixaram antes de ir dormir, estava aérea pensando em como sentiu-se anos mais nova, acompanhando os garotos para espionar os mais novos.
De fato, gostava de uma fofoca, vivia trocando informações com a governanta dos In, na propriedade ao lado, mas também com os da rua inteira, eram todos amigos, governantas e governantes.
Riu baixinho se aproximando da cozinha, lembrando de quando Yoongi sugeriu que formasse e liderasse uma aliança secreta de governantes.
Se divertia cuidando de seus meninos.
E agora tudo era mais especial, conforme assistia de camarote o que acontecia entre seus meninos mais novos.
Como um parecia estar sendo a salvação do outro.
Se sentia impotente por não poder ter feito nada por seu orelhudo antes, e também por nunca poder ter tirado, de fato, a solidão de seu Kimzinho.
Mas agora tudo estava diferente, e não poderia estar mais feliz de vê-los assim.
Saindo de seu mundinho de pensamentos, arqueou as sobrancelhas ao ver a sala toda organizada, e surpresa, adentrou o batente da porta vazada da cozinha, observando os garotos conversando e trocando risadinhas, enquanto, arrumavam a mesa para o café da manhã, o cheirinho bom preenchendo todo o cômodo.
- Nossa... - Não tinha nem o que falar, apenas assistiu os sorrisos direcionados a si, assim que os mais novos a ouviram e lhe deram atenção. - vocês fizeram tudo hoje, - Sorriu emocionada. - bom dia, queridos.
- Bom dia, noona! - Tae foi o primeiro a se aproximar, depositando um beijinho em sua testa. - Trabalhamos hoje, afinal, a senhorita levou um tombo ontem, não é? - Soltou uma risadinha nervosa com a expressão beirando a infantil de seu menino, lhe provocando.
- Pois é, menino! Ai ai...
- E hoje ainda é natal, fizemos tudo para a noona, - Seu sorriso aumentou com Jeongguk se aproximando, dentro da blusa que lhe deu exibindo os dentinhos. Seu menino era tão lindo. - bom dia, noona.
- Bom dia, querido. - Acariciou o topo de sua cabeça, aproveitando para ajeitar os fios negros rebeldes entre as orelhinhas extensas. - Dormiram bem?
- Uhum, - O moreninho concordou, seguido do empresário que balançou a cabeça igualmente, fechando os olhos e sorrindo. - mas eu demorei para conseguir fazer o hyung levantar.
As bochechas do citado esquentaram, enquanto, ouvia as gargalhadas dos dois.
- Eu disse que é uma guerra tirar esse daí da cama.
- Tá bom-Tá bom, - Tae inflou as bochechas vermelhinhas, o que prendeu o olhar cintilante em si. Ggukie achava aquele gesto fofo e bonito. - vamos comer, sim?
- Opa, vamos! - Byeol noona os puxou para a mesa, rindo descrente com o misto quente que Tae serviu em seu prato, junto aos pãezinhos que Ggukie serviu por primeiro. - Obrigada, queridos.
- De nada noona. - Tae respondeu de boca cheia, depois de abocanhar seu misto quente.
- Olhe os modos, menino! - O acastanhado riu de forma contida, mas não podia fazer nada, estava com muita fome.
- Desculpe, - Engoliu o primeiro pedaço. - fizemos um ótimo trabalho, Ggukie.
- Uhum. - As orelhinhas brancas dançaram, enquanto, Jeongguk sorria com os olhinhos para o príncipe, concentrado em mastigar seu pãozinho.
- Eu até me impressionei com mais um milagre acontecendo nesta casa, esse ano.
- Assim a noona destrói a minha imagem de dono de casa. - Taehyung fez a mesma expressão de falsa frustração que Ggukie também já conhecia muito bem, mas logo encolheu os ombros, envergonhado, e noona se limitou a negar e rir baixinho.
- O hyung é um bom dono de casa. - O coelhinho continuou sorrindo para si, o brotinho em seus lábios cada vez mais perto de florescer.
- Obrigado, Ggukie! Tá vendo, noona? O Ggukie reconhece meu esforço. - E apesar de ainda levemente tímido, Tae provocou, fazendo expressões birrentas para Byeol, que estreitou os olhos para si.
- Eu reconheço a sua força de vontade, - Disse a mais velha, fingindo estar indiferente. - mas também o talento na cozinha. - Ergueu seu misto quente já pela metade, rindo junto ao coelhinho com a expressão toda contente que contornou o rosto de Taehyung.
Noona abriu um sorrisinho nostálgico, não poderia negar, mesmo sendo um pouquinho atrapalhado, e por conta disso tudo o que seu Kimzinho tocasse fosse para o chão, desde sempre ele se esforçou para ser prestativo e um bom ajudante.
"- Noona!
Byeol sorriu, se virando para a entrada da cozinha, observando a criança de cinco anos vestida com a fantasia do herói de seu desenho favorito, apoiando as mãozinhas na cintura e estufando o peito.
- Estou aqui, TaeTae.
- Eu? Eu não sou o TaeTae!
- Ah, não?! - A mesma cobriu a boca com as mãos, fingindo estar surpresa. - Então, quem é você?
- Eu sou o Capitão Kim! Meu nome é secreto pá ninguém sabê que sou eu, noona.
- Ah, entendi! - Conteve o sorriso bobo. - Mas eu posso saber que você é o meu TaeTae?
- Agora pode, - O pequeno correu para seus braços, enlaçando seu pescoço em um abraço gostoso. - mas tem que usá meu nome de super herói quando tiver mais gente. - Byeol riu baixinho, bagunçando os cabelos castanhos escorridos em um corte de tigelinha.
- Pode deixar que eu vou guardar segredo. - Taehyung soltou uma risadinha gostosa. - Do que precisa, querido? - O garotinho deu de ombros, significava que estava entediado.
- Eu posso ajudar a noona?
Se desvencilhando de si sem que tivesse a chance de responder, TaeTae pegou o pano de prato sobre a mesa, alcançando as louças no escorredor, secando os copos com cuidado, mas o prato foi mais difícil de manusear e caiu de suas mãozinhas partindo-se no chão.
Byeol, com o susto, se preocupou apenas com os pezinhos descalços cobertos somente com as meias azuis da escolinha, que chegavam na altura dos joelhos de seu menino, o trazendo para seu colo.
- Desculpa, noona, foi sem querer.
- Não tem problema, querido, acontece, - Acariciou uma das bochechas gordinhas. - a noona vai limpar e vai ficar tudo certo. - O levou para a sala, deixando o pequeno herói sentadinho no sofá.
- Vou ter que treinar mais pra ser um bom herói...
- É que você é muito miudinho ainda, espere crescer mais um pouquinho, sim? - Taehyung assentiu freneticamente, em um gesto fofo.
- Quando eu for grande, eu vou ser um bom herói, noona?
- Vai sim, querido...
[...]
Byeol deu um sobressalto, com o baque da porta da frente, quebrando o silêncio da casa.
Saindo da cozinha secando as mãos no pano de prato que tinha pendurado no ombro, encontrou TaeTae -com agora seus sete aninhos- tirando os sapatos com um enorme bico nos lábios, correndo e se jogando no sofá.
Mais uma vez ele entrava sozinho, sua mãe deveria estar ocupada e não ficaria para almoçar, iria diretamente para o teatro.
- Querido... - Foi calmamente até o ser pequeno, pensando que talvez estivesse magoado pela mãe não poder ficar. - o que aconteceu? Como foi a escolinha hoje?
- Foi ruim! - O pequeno tinha os bracinhos cruzados sobre o peito, o bicão o deixando ainda mais adorável. Então a Kim não era o motivo.
- Algum amiguinho fez algo que não gostou? - Perguntou, ficando ainda mais preocupada com o assentir bravo. - E o que foi?
- Uma menina me beijou!
Byeol sustentou o olhar arregalado por alguns segundos, antes de começar a rir, deixando seu TaeTae ainda mais bravo.
- É sério, noona! Para de rir! - Taehyung esperneou.
- Tá bem, parei. - Byeol se conteve, trazendo o garotinho para seu colo. - Mas por que foi ruim? Ela te beijou onde? - Ainda de bracinhos cruzados, TaeTae usou o indicador gordinho para tocar a bochecha direita. - Então...?
- O Yoongi hyung disse que menina é beijoqueira, e ela ia me passar sapinho! Aí ele não quis me dar um beijinho de tchau!
O bico nos lábios pequenos aumentou.
- Oh meu querido, - Controlando a vontade de rir, noona o abraçou forte. - é só lavar o rostinho que você não vai correr o risco de pegar sapinho. - O ajudou a resolver seu primeiro problema na escolinha.
- E daí amanhã o hyung vai me dar um beijinho de tchau de novo? - Os olhinhos marejados, denunciando o quanto TaeTae ficou tocado por não recebê-lo do melhor amigo, lhe deu um aperto no peito.
- Claro que vai. - Então o sorrisinho quadrado, sem um dentinho da frente, se abriu para si.
- Eu vou lavar o rosto! - Pulando de seu colo, Taehyung correu escada acima, em direção a seu quarto.
Depois de voltar com a franjinha castanha até mesmo úmida, mas com o problema resolvido e todo alegre outra vez, o garotinho insistiu para ajudar sua noona a arrumar a mesa para o almoço, conseguindo colocar tudo sem grandes riscos, mas quando se virou novamente para a estrutura com um copo em mãos, levou um susto vendo seu pai parado à porta. Frio e silencioso.
O copo escapou de seus dedinhos e se espalhou em pequenos e cortantes cacos pelo chão. TaeTae se atrapalhava todo quando ficava nervoso.
- Pa.
- Onde está a sua mãe? - A expressão rígida do homem não mudou. TaeTae tinha um pouco de medo.
- A mamãe disse que precisava ensaiar mais, foi pro teatro. - O Kim bufou, dando as costas para si. - Papai! - O mesmo fingiu não ouvi-lo, então Taehyung suspirou, voltando-se para a mais velha. - Noona... desculpa. - Seu coraçãozinho doía, por coisas que sequer compreendia ainda.
Mas a única que entendia delas, era a que tinha mais medo, de deixar noona triste consigo.
- Tá tudo bem, TaeTae. - Foi acolhido nos braços de sua segunda mamãe. - Eu vou limpar num instante, senta que a noona vai te servir, - Fez o que ela lhe pediu depois do abraço. - Depois tem um bolo de chocolate bem grandão que eu fiz, para a sobremesa.
- Eba!
[...]
- N-Noona...
Assim que ouviu a vozinha chorosa chamar, do seu garotinho ostentando os nove anos, Byeol deixou de prestar atenção nas roupas que dobrava, analisando a figurinha parada na porta de seu quarto, com um dos joelhos ralado e sangrando.
- TaeTae! O que aconteceu?! - Correu até o mesmo, o puxando pela mão fazendo se sentar na cama.
- E-Eu caí de bicicleta. - A mesma sorriu pequeno, acariciando o rostinho mais crescido.
- Essas coisas acontecem mesmo, querido, foi só um raladinho, a noona vai limpar e passar um remedinho, tudo bem? - Se afastou depois do assentir fraquinho do serzinho amuado, estranhamente desde que chegou da escola, e mesmo pelo sorrisinho mais murchinho de antes, sabia que Yoongi seguia lhe dando os beijinhos de tchau. O motivo não era esse.
Fechando a primeira gaveta da cômoda e voltando a se aproximar de Taehyung, Byeol se ajoelhou, pegando o algodão e água boricada, o molhando e passando a limpar o ralado de seu menino com cuidado e carinho.
Mas vez ou outra o olhava, inquieta, tentando decifrar os olhinhos vagos na expressão avoada.
- O que aconteceu, querido? Por que tá com essa carinha, huh? - Seu peito apertou com o biquinho choroso que se formou nos lábios pequenos.
- A mamãe prometeu que ia almoçar comigo, mas ela não veio...
- Oh, meu querido, - Espirrando o remedinho alaranjado no machucado, Byeol guardou tudo rapidinho, se sentando ao lado do seu garotinho. - a sua mãe deve ter ficado muito ocupada de novo... tenha um pouquinho mais de paciência, sim? - Tae concordou, murchinho. - Que tal eu ligar para a senhora Min, e ela trazer o Yoongi pra brincar com você? - A expressão tristinha logo se transformou em uma alegre.
- Eu quero!
TaeTae já saiu pulando outra vez.
- Mas antes eu vou ajudar a noona.
E mesmo todo atrapalhadinho, deixando algumas peças de roupas amarrotadas, com as costuras desalinhadas, Taehyung a ajudou sorrindo outra vez."
Byeol gostava de ter aquelas lembranças, mas durante muito tempo seu TaeTae não foi mais o mesmo, desde que sua mãe havia falecido, logo quando tudo tinha melhorado e haviam criado uma conexão forte, e ela passava seus dias o ensinando tudo o que sabia.
Ele não tinha mais aquela vontade, tinha os olhos caídos e a expressão melancólica, se acomodou em sua solidão e sofria sozinho.
Até encontrar Ggukie. Ah, então as coisas começaram a mudar. Até o café da manhã preparou, só para poder ajudar.
E só quem assistia cada detalhe do que estava acontecendo, poderia notar como seu menino voltou a enxergar cores e graça na vida.
- Eu sou formado em ser dono de casa!
Afastou suas lembranças ouvindo Tae brincar, arrancando um risinho do garoto coelho, de olhos maravilhosamente brilhantes, também havia notado, eram lindos e estava feliz por vê-los preenchidos de luzes outra vez.
- Ah! Mas também não precisa exagerar, TaeTae! - Respondeu e o acastanhado lhe mostrou a língua, recebendo um beliscão no braço, seu, em seguida.
- Ai-Ai! Tá bom! Desculpa, noona! - Seu moleque acariciou o braço -quando se afastou-, com um enorme bico nos lábios. Mas logo o sem vergonha sorriu, e não era para menos, ouvindo a gargalhada do orelhudo.
- Bom, - Soprou um riso, também contagiada pelo mais novo. - já terminaram? - Se levantou, levando seu prato e xícara para a pia.
- Já sim, noona. - Ggukie respondeu primeiro, se levantando igualmente, enfiando um pedaço do último pãozinho que pegou da cestinha na boca, andando em sua direção com as bochechas infladas, depositando as porcelanas junto às suas. Adorável.
- Eu ainda não. - Tae abocanhou seu terceiro pão de queijo, fechando os olhos aproveitando o sabor.
- Mas você é magro de ruim mesmo... - O acastanhado soltou um risinho sapeca, se levantando e afastando da mesa, terminando de comer a massa salgada levando o que usou para a pia.
- Posso ajudar, noona? - Byeol repuxou os lábios, a muitos anos ouvia aquela pergunta do seu menininho.
- Não há muito o que fazer hoje, vou só lavar a louça por agora. - Comentou, e sabia, com o passar do tempo, Taehyung não queria mais secar para si. - Por que vocês não tiram toda a neve da calçada? Daqui a pouco não conseguiremos abrir as portas da sala! - Brincou, conseguindo mais risadinhas de seus meninos.
- Mas ir lá fora, nesse frio?! As pás estão lá atrás... - Um biquinho dramático contornou os lábios de Taehyung.
- Deixe de ser preguiçoso, menino! - Lhe deu um tapinha fraco no braço.
- Tá bem-Tá bem! Vamos, Ggukie? - O empresário encontrou o olhar negresco, intenso e faiscante. Aquilo era perigoso, o desconcertava todo.
- Vamos, Tae. - Respondeu o menor, sorrisinho contido.
- Então vamos, - Se atrapalhou um pouquinho, por ainda ter permanecido alguns segundo observando os olhos escuros.
O empresário se afastou de noona, indo para além da cozinha, sendo seguido pelo garoto coelho, que acelerando um pouco os passos, andava ao seu lado, levando nos lábios ainda aquele sorrisinho, e sua animação por poder ajudar sendo denunciada pelos olhos galáticos.
- as pás estão lá na área de lazer. - Comentou, seu peito pulando tão animado quanto a expressão no rosto bonito do pequeno híbrido.
Chegando no final do corredor, os olhos negros se arregalaram ao ver que o príncipe abriu as duas portas de vidro, passando pelo pequeno cômodo arrastando as outras duas pelos trilhos, ao invés de virar e seguir o outro corredor.
Curioso, rapidamente atravessou aquele lugar com paredes de vidro, sem conseguir prestar muita atenção nos detalhes coloridos dali, queria saber o que tinha do outro lado, junto às espreguiçadeiras.
Entreabrindo os lábios, deixou o ar que prendeu por alguns segundos escapar, observando aquele espaço gigante com encanto. Todas as paredes eram divididas, a metade feita de tijolos e a outra de vidro, essa parte de baixo era revestida com uma cerâmica clara, enquanto que, o chão tinha o mesmo modelo de uma cor mais escura, além de aspecto diferente, antiderrapante. Seguindo a parede lateral que tinha vista para o jardim, contou oito espreguiçadeiras brancas, com um fino estofado e almofadas coloridas, decorando sobre. No centro, um buraco gigante coberto por uma lona azul e no fundo, na única parede completamente de tijolos, havia outra geladeira, pia e churrasqueira. Tudo era bem organizado e bonito.
- Aqui, encontrei as pás. - Desviou o olhar para o hyung, que fechou uma porta discreta próxima a parede do lado oposto que estava, se aproximando com os objetos de ferro. - Então, o que achou?
- Aqui é muito lindo, hyung. - Trocaram sorrisos singelos.
- O melhor é que os barulhos da rua não chegam aqui, é um lugar tranquilo para descansar, - Jeongguk concordou, voltando a admirar em volta, dando alguns passos em direção a piscina. - pode vir aqui sempre que quiser.
- Tem água aqui? - Tae mordeu o interior das bochechas, observando os olhinhos brilhantes o encararem um pouco arregalados e o indicador branquinho apontando para a lona.
- Não mais. - O moreno assentiu com a boca levemente aberta, em um misto de surpresa e frustração. - Mas ainda nesse verão, pretendo voltar a cuidar dela e mantê-la cheia. - As orelhas felpudas dançaram graciosamente, em uma entrega fofa de como o menor tinha gostado de saber daquilo. - Vamos? Depois que tirarmos toda a neve da calçada, podemos aproveitar um pouco as espreguiçadeiras. - Jeon concordou freneticamente, arrancando um risinho seu.
Calmamente, o guiou para o final da área de lazer, onde a porta dos fundos lhes deu passagem para o jardim, e contornando a lateral da casa, atolando o pé na neve vez ou outra, o que arrancava aquelas risadinhas sapecas incrivelmente lindas do coelhinho, Tae mostrou -com as bochechas coradas por ter se atrapalhado e feito papel de bobo no caminho-, como segurar e usar corretamente a pá para que não se machucassem, passando a limpar tudo o que se concentrou e congelou sobre a cerâmica.
Bons minutos mais tarde, quando já haviam retirado quase tudo, o acastanhado notou o montinho de neve entre seus pés, e pensou em fazer uma bolinha e convidar o moreninho para brincar, mas ao olhá-lo e notar as mãos menores levemente arroxeadas, desistiu da ideia, poderia sugerir a brincadeira em outro dia, e assim, saírem mais preparados para o frio rigoroso de inverno.
- Acho que já está bom, - O pequeno Jeon afastou a última pá carregada de neve, erguendo o olhar para o hyung. - fizemos um ótimo trabalho, Ggukie! - Taehyung ergueu a mão destra, esperando a do coelhinho conectar-se a sua. O que não aconteceu.
Jeongguk apenas tombou a cabeça suavemente para o lado.
- Não vai devolver o meu high five? - O Kim perguntou, quase deixando um biquinho se formar em sua boca.
- High five?
- Sim! - Sorriu grande, dando um passo à frente ainda com a mão erguida. - Nós trabalhamos bem juntos, é uma forma de comemorar!
As orelhas felpudas e branquinhas se agitaram, assim como o rabinho exposto ao ventinho frio, Jeon sentiu seu coração acelerar ainda mais, enquanto, conseguiu abrir um mínimo sorriso retribuindo o toque do mais velho, sentindo sua palma gelada conectar-se a maior.
Então aquele gesto especial, significava que si e seu príncipe trabalhavam bem juntos. Gostou muito de saber que poderia fazer aquilo com seu amigo, que era -na verdade- algo de amigos.
- Vamos voltar, está muito frio aqui fora.
E não querendo considerar a hipótese de ter que separar suas mãos, Tae as entrelaçou, puxando o moreninho novamente para os fundos da propriedade, tornando a adentrar a área de lazer, onde o vento cortante não podia os atingir.
- Me dê a pá, eu vou guardá-las rapidinho.
Assentindo, o de fios negros entregou a ferramenta para o acastanhado, que deu uma breve corrida até aquela mesma porta discreta, no tempo que, andou os poucos passos restantes até a primeira espreguiçadeira, se sentando.
- Oh, você vai adorar, Ggukie! São muito confortáveis.
O hyung falou retornando, se sentando e logo se esparramando na que estava à sua direita. Experimentando, ergueu as pernas e apoiou as costas no fino acolchoado também. Suspirou. Era realmente muito confortável.
- É bom. - Comentou, se ajeitando melhor, esticando as pernas e braços, começando a sentir seu corpo amolecer, com preguiça outra vez.
- Uhum. - Virou a cabeça na direção do príncipe, sorrindo ao notá-lo abraçar uma das almofadas cheia de cor e fechar os olhos.
E aproveitando aquele momento confortável, passaram alguns minutinhos em silêncio, ouvindo apenas os suspiros um do outro.
- Ggukie.
- O hyung.
Acabaram por quebrar o silêncio ao mesmo tempo, o que arrancou uma risadinha de ambos.
- Pode falar primeiro.
- O que o hyung gostava de fazer aqui? - Jeongguk perguntou, se deitando de lado, podendo encarar seu príncipe melhor.
- Como o espaço é grande e a piscina nunca estava cheia, eu ensaiava balé com a minha mãe. - Os olhos negros tornaram a se arregalar.
Então seu príncipe também era um dançarino.
- É uma dança muito bonita. - Tae lhe deu um enorme sorriso, assentindo.
- E você?
Ggukie passou alguns segundos quieto, tentando puxar as lembranças de sua infância do meio de seus nozinhos.
- Eu ajudava a minha avó a cozinhar - Sorriu pequeno, inebriado pela doce lembrança. - e depois ela me ajudava com as lições da escola.
- Além de dedicado é um bom cozinheiro! - Ggukie soltou um risinho envergonhado.
Em seguida, não falaram mais nada. Prosseguiram encarando um ao outro, até que o garoto coelho foi percebendo os olhos de mel se fechando vagarosamente, seu hyung dorminhoco apagou mais uma vez.
Ele era fofo dormindo, mas parecia tão longe.
Em pouco tempo, já havia se apegado ao calor do belo homem, e gostaria de continuar sentindo, de contornar seus ombros, ou então, acariciar seus cabelos.
Suspirou frustrado, sentindo seus olhos pesarem igualmente.
[...]
Os últimos quatro dias até o anterior ao aniversário do acastanhado, se passaram animados e ansiosos na propriedade Kim, principalmente para o mesmo, o que arrancava risadinhas e suspiros do garoto coelho.
Jeongguk achava o jeitinho do príncipe uma graça, enquanto, ele esperava por seu baile real de aniversário, contando como gostaria de ter os amigos reunidos, e juntos, assistirem filmes a tarde e noite toda, e comer todas as guloseimas que noona prepararia.
Byeol por outro lado o chamou de bebezão a semana toda, mas não parou de o mimar, e o moreninho achava ainda mais fofa a relação deles, e a noite, de como Tae se aproximou de si -todo acanhado-, apenas para ter certeza que iria assistir um filme com a cabeça em seu ombro.
Seu hyung era manhoso e carente como um cachorrinho, e achava engraçado como ele chamava sua atenção.
Sequer prestou atenção no filme naquela noite, ficou admirando o príncipe dormir, sereno enquanto começava a dar um jeitinho de se esparramar no sofá.
Mais tarde, quando a hora de se deitar chegou, Jeon ouviu o: "boa noite, Ggukie, durma bem"; soar baixinho e preguiçoso, retribuindo, esperou o maior entrar e fechar a porta, sabia que do jeitinho que o hyung estava com sono, se jogaria direto na cama. E estando também cansado, fez o mesmo na sua, não gostando muito do colchão e cobertas frias. Gostava do calor do príncipe.
No dia trinta de dezembro, o Kim despertou com o toque de seu celular anunciando uma chamada, e mesmo que ainda fossem oito horas da manhã, abriu um sorriso genuíno olhando o nome no visor: Yoonie hyung. Rapidamente deslizou o ícone verde o atendendo.
- Hyung! Muito bom dia! - Se sentou, coçando os olhos e bocejando, logo abrindo um sorriso animado, ansioso para o que o mais velho queria lhe falar, afinal, aquele era um dia especial.
- Nossa, que animação toda é essa? Ainda é cedo.
O tom de voz do outro lado da linha era sério demais, e Tae ergueu as sobrancelhas, formando um biquinho nos lábios. Não era bem o que esperava.
E por mais que não soubesse como estava doendo no branquelo fingir toda aquela frieza, suspirou ouvindo o Min continuar:
- Eu e o Minie estávamos resolvendo algumas coisas, já que vamos passar o ano novo aí, - Um sorrisinho pequeno voltou a adornar os lábios ressecados, pelo tempo de sono. - e estão faltando algumas pastas, preciso que vá até a empresa pegar.
Taehyung sentiu o impacto daquele pedido como um balde de água fria.
- Mas, hyung! Ir lá hoje? Tipo, hoje mesmo? Dia trinta de dezembro?
- É ué, se eu tô te ligando justamente pra isso... - Os olhinhos de mel começaram a marejar.
- Eu trouxe as pastas necessárias para casa, só vou termi-
- Não-Não! Não são essas, preciso das do laboratório.
- Tá brincando?!
- Não, né? Os pedidos só vão para a fábrica com os relatórios do laboratório do Sejin hyung. Qual é, Tae? Você mora mais perto, não vai tomar muito do seu tempo.
- Tá bom, hyung. - Yoongi engoliu o próprio bolo na garganta, ouvindo a fungadinha do melhor amigo do outro lado da linha. - Mas, não tá esquecendo de mais nada, não?
- Hm... não, - Encarou o namorado, que enrolou o rabo laranjinha em sua cintura, o abraçando de ladinho, para que não desistisse do plano. - era só isso mesmo, quando trazer aqui, pode deixar na portaria, que o ajushi nos entrega daí...
- U-Uhum.
- Ah, espera! Me lembrei de algo sim, - Taehyung grudou ainda mais sua orelha ao celular.
- O que?
- Se certifique que os documentos estão terminados, por favor, você é o presidente, precisa assinar todos, tudo bem?
- Tá bom. - Deixando o aparelho escorregar de seus dedos caindo em seu colo, após encerrar a ligação, o empresário abraçou os próprios joelhos, resmungando choroso. - Eu também não ligo!
Ainda com um enorme bico nos lábios, se levantou indo para o banheiro, não era mais uma criança para ficar chorando quando alguém se esquecesse de seu aniversário, até mesmo seu melhor amigo, era um adulto e se a responsabilidade chamava, tinha que ir e cumpri-la.
Depois de pronto, com roupas quentes e confortáveis -já que estariam apenas si e os seguranças do prédio presentes-, saiu do quarto suspirando pesado, para piorar, ainda estava com sono.
E instantaneamente erguendo o rosto, encarou a porta fechada do cômodo do coelhinho, que deveria estar em seu décimo sono ainda. Repuxou os lábios, voltando a fazer seu caminho pelo corredor, tentando adivinhar se Ggukie também deveria ter se esquecido.
Mas se sim, não faria mal, o importante era pelo menos passar o dia consigo, o que duvidava. Já conseguia visualizar a si mesmo, preso na empresa o dia todo.
Antes de sair de casa, deixou um bilhetinho colado na geladeira, avisando noona de que tinha ido para a empresa, só para variar um pouco, e suspirando frustrado, saiu da propriedade, passando a dirigir pelas ruas mais desertas e entupidas de neve.
Ggukie despertou pouco depois, esticando todo o corpo sob os cobertores quentinhos, rolando pela cama até que estivesse deitado em cima destes, sentindo seus pelinhos se arrepiarem com o contato gostoso do quarto gelado contra sua temperatura elevada.
Até que gostaria de ficar mais um pouquinho na cama, de preguiça, porém algo o chamou a atenção, ou melhor, a falta de algo, que lhe fez se levantar e fazer suas higienes e arrumação do quarto bem rapidinho, saindo e notando a porta do cômodo do príncipe aberta, seu cheiro estava ali, mas não forte como sentiu nas poucas vezes que despertou de madrugada, onde apenas abriu os olhos para conferir que ainda era noite e poderia dormir mais, tranquilo sob as luzes dos abajures.
Era gostosa a sensação de saber que estava seguro e tinha a noite toda para dormir, mais ainda quando sentia morangos e chuva se espalharem com cada movimento do hyung, mesmo ele estando em outro quarto.
Chacoalhando a cabeça, afastando de seus pensamentos a imagem do seu protetor dorminhoco, desceu a escada, passeando seu olhar pela sala vazia, em seguida, adentrando a cozinha, vendo apenas Byeol noona, caminhando apressada abrindo os armários pegando vários pacotes de alimentos que não conseguia identificar, e sobre a pia, haviam várias tigelas de aço.
- Bom dia, noona. - A cumprimentou, rindo baixinho com o olhar arregalado e os cabelos minimamente esvoaçados da mesma, ao que essa lhe deu atenção.
- Bom dia, querido.
Byeol se aproximou para acariciar seu rosto e bagunçar seu cabelo, em um carinho bom que gostava muito de sentir, e após, voltar para a pia separando alguns ingredientes dos outros.
- O hyung não está em casa? - Perguntou, pegando um pãozinho doce -seu preferido-, assistindo, curioso, o lugar ao seu lado vazio, sem sequer o tal sousplat, prato e xícara do príncipe.
- TaeTae deixou um bilhete, teve que ir na empresa a pedido de Yoongi, Ggukie, - Apesar de assentir, sentiu seu peito se comprimir, era o aniversário de seu príncipe e sequer pôde parabenizá-lo antes de ir.
TaeTae trabalha demais. Pensou, suspirando um pouquinho frustrado, mas entendia o trabalho do mesmo.
- mas alguma coisa tá errada nessa história... - Noona se virou para si, apoiando as mãos na cintura, uma delas segurando o pano de prato.
- O que? - Mordeu a massa em suas mãos com gosto, arrancando um risinho da mais velha.
- Os meninos estão aprontando.
E como Byeol conhecia aqueles moleques perfeitamente bem, parecendo ter sido efeito de suas palavras, não demorou nem cinco minutos para que a campainha tocasse e pelo interfone, visse as carinhas dos três sem vergonhas.
Jeongguk se levantou em seguida, animado, ouvindo a voz do híbrido de gato, que surgiu na cozinha colocando duas caixas pequenas e brancas na mesa.
- Ggukie! Bom dia! - Percebendo ser um hábito seu, sorriu contido com o maior dando uma leve esfregada de suas bochechas, ronronando.
Era um cumprimento fofo e gostava dele.
- Bom dia, Jimin hyung, - Os outros dois apareceram também, agora acompanhados de Byeol, que estava curiosa sobre o que estavam aprontando. - Yoongi e Hoseok hyungs, bom dia.
- Bom dia, coisinha linda! - O Jung bagunçou ainda mais seu cabelo, arrancando um risinho seu.
- Bom dia. - Yoongi sorriu gengival, antes de bocejar e se espreguiçar.
- Trouxemos tudo para uma festa surpresa! - O anúncio do Park fez as orelhinhas extensas dançarem, então era aquilo que os hyung estavam aprontando. Era uma boa ideia, além de muito bonita.
- Vocês são muito espertinhos, Tae vai adorar a surpresa desse ano. - A única mulher ali, sorriu emocionada.
- Mas foi difícil convencer ele a sair e que também esquecemos que hoje é o seu aniversário. - O Min formou um biquinho nos lábios, não queria ter falado daquela forma com Taehyung, mas era o único jeito de não dar nenhuma pista do que fariam para si.
- O que sabemos é que o Tae não vai suportar ficar lá por muito tempo, temos que ser rápidos para organizar tudo.
- Eu posso ajudar? - Jeon perguntou, esperançoso, havia perdido até mesmo a fome.
- Mas é claro, coelhinho! Estamos todos juntos para dar ao Tae a melhor festa de aniversário do mundo! - Exclamou Hoseok, arrancando alguns risinhos dos demais.
- Ok, temos kit festas, balões, decoração, chapeuzinhos, refrigerantes, bebidas sociais...
- Os docinhos e salgadinhos eu vou buscar mais tarde, check!
- O que tá faltando? - O felino e o moreno mais alto passaram a se encarar, tentando ler um no outro, o que trazia aquele sentimento de que deixaram algo para trás.
- Um bolo?
O garoto-coelho perguntou baixinho, até porque não tinha certeza, já que noona havia pego muitos ingredientes, deveriam ser para cozinhar um.
- Um bolo! - Ambos repetiram, arregalando os olhos.
- Quem ficou responsável pelo bolo? - Os olhares desesperados foram primeiro para Yoongi.
- Nem vem! Eu comprei bebidas, decoração, balões e essas coisas aí. - Se defendeu.
- Eu cuidei da comida. - O Jung falou em sua defesa.
- Eu fui atrás do kit, refrigerantes e petiscos, - O ruivo suspirou frustrado. - como a gente foi esquecer logo do bolo?
- Sem neuras, a noona pode fazer um. - Argumentou o Min.
- Mas eu pretendo fazer as guloseimas que o Tae mais gosta, não vai dar tempo.
- Onde nós vamos encontrar um lugar aberto para comprar um bolo?
- As lojas começam a fechar logo depois do almoço. - Os três se encararam, se corressem poderiam encontrar algum comércio aberto.
Jeongguk que assistia tudo em silêncio, segurava o riso, era engraçado vê-los daquele jeito, era contagiado por aquele clima de festa surpresa.
- Cada um vai pra um canto da cidade, tem que ter alguma confeitaria aberta. - Yoongi deu o plano.
Rapidamente, os três deixaram a propriedade, nomeando aquelas horas que estariam fora de busca ao bolo do TaeTae.
- Sobrou só nós dois, - Noona comentou, e riu a acompanhando, se divertindo verdadeiramente. - me ajude a organizar essa bagunça, querido.
- Tá bom, noona. - Pegou as caixas as colocando nos lugares indicados pela mais velha sobre o balcão, espiando vez ou outra as coisas bonitas e fofas que seus hyungs compraram.
Sorriu grande, seu hyung tinha amigos especiais.
Já no escritório da presidência, Tae mantinha o foco no computador em sua frente, o café que comprou no meio do caminho esfriava ao seu lado, enquanto, mantinha o queixo apoiado na mão canhota com o cotovelo na mesa, e um enorme bico nos lábios, quase dormindo sentado analisando os relatórios de Sejin hyung.
Suspirou, Yoongi só poderia estar de brincadeira com a sua cara, o baixinho nunca tinha se esquecido do seu aniversário, sempre vinha com um papinho de ser piegas demais, mas estava lá, lhe dando um curto texto com palavras bonitas e uma foto de ambos anexada a folha de caderno amassada.
Abriu um sorrisinho triste, guardou as cartinhas do hyung de todos os anos de sua amizade desde que aprenderam a ler e escrever juntos, mas parecia que aquele ano, não teria uma para guardar.
E voltando a prestar atenção nos documentos do seu melhor perfumeiro, quis chorar, eram cinco pastas não terminadas que deveria redigir e assinar, imprimir, separar nas pastas e levar para os amigos.
Porém, o sorriso de coelhinho logo invadiu sua mente, lhe dando ânimo, e estalando as costas ao seu ajeitar na cadeira giratória, sorrindo para as paredes, focou em digitar o que faltou a fim de terminar logo, queria voltar para casa e passar o resto do dia com sua segunda mãe e Ggukie.
Não se impressionou quando observou o visor de seu celular demonstrar ser quase uma da tarde, mas ao menos conseguiu terminar, organizar e assinar tudo aquilo.
Sorrindo grande ao seu levantar e espreguiçar, desbloqueou a tela do aparelho entrando no contato do melhor amigo, digitando com preguiça.
Terminei, vou levar pra vocês|
E sequer estranhou não ter recebido uma resposta minutos depois, em vista que o casal de amigos eram muito responsáveis com seus trabalhos.
Porém, para acabar com sua alegria de finalmente poder estar indo embora, seu celular tocou, e olhando o nome no visor, suspirou irritado. Porém, atendeu.
- O que quer?
- Oh, boa tarde, meu filho!
Tae revirou os olhos, com o falso tom simpático de seu pai.
- Fale logo, preciso voltar pra casa.
- Onde está?
- Trabalhando.
- Mas meu filho realmente tem responsabilidade com o trabalho, indo até no dia do próprio aniversário! E falando nisso, feliz aniversário, Tae!
- Hum... obrigado.
- Sabe, o pai não pode estar com você no dia de hoje e-
- Eu prefiro o senhor longe, mesmo.
- Ah, que isso! - O Kim mais velho gargalhou, debochando de si, esgotando sua paciência. - Me sinto até com vontade de voltar a morar com você, gosta tanto de mim, não é?
- Não tem espaço pra você na minha casa.
- Me admira, numa casa daquele tamanho, mas conhece o seu pai muito bem, não é? Apesar dos meus defeitos eu não me esqueceria de você.
- É...
- E também sei que não se esqueceria de mim, estou ficando sem dinheiro, filho! Preciso de mais para o hotel e despesas.
Arregalou os olhos.
- O que fez com todo aquele dinheiro que eu transferi para sua conta?
- Entenda as necessidades do seu velho pai, Tae...
- Tanto faz, vou transferir mais em breve, contando que fique por aí, - A risada do outro lado da linha o fez massagear a têmpora esquerda com a mão livre. - era só isso?
- Claro! É só isso filho, nem esquente a cabeça!
- Impossível. - Resmungou.
- O que?
- Não é nada, vou desligar primeiro.
Suspirando, desligou a chamada enfiando o celular no bolso, seu pai teria que esperar de qualquer forma, não conseguiria fazer transferências nos últimos dias do ano, e não queria sacar algum valor e ter de vê-lo pessoalmente para entregar.
Guardando suas coisas, saiu trancando a porta, seus únicos objetivos novamente sendo apenas entregar as pastas ao casal de amigos e voltar para casa, assistir alguns filmes com o lindo coelhinho.
[...]
Na cozinha transformada em uma pequena bagunça na propriedade Kim, Jeon observava com cautela cada movimento de Byeol, engolindo a saliva e lambendo os lábios muitas vezes dentro de cada minuto, assistindo todas as guloseimas que as mãos levemente enrugadinhas faziam. Tudo parecia ser tão gostoso.
Com fome, chacoalhou a cabeça se levantando, a fim de se distrair dos aromas docinhos e tentadores, se aproximando da bancada contendo os últimos pacotes e ingredientes, junto de uma batedeira, bacia, forma e papel branco, denunciando a receita.
Achava engraçado e fofo o método de organização de noona, que parecia já ter muita prática com aquelas receitas, trocando de lugar passando por todos os cantinhos da cozinha, se voltando para o forno ou geladeira com doces coloridos e cheirosos, minutinhos depois.
Curioso, leu a receita que a mesma faria -provavelmente- depois de terminar a torta de morango, arregalando os olhos brevemente, nostálgico, era de um bolo de chocolate.
Sempre fez bolos de chocolate com sua avó, de todos os tamanhos e formatos.
Sorriu pequeno, passeando com as polpas dos dedos destros sobre aquela folha já amarelinha, a massa e cobertura seriam as guloseimas mais gostosas da festa, ainda mais porque sabia que o príncipe amava tudo o que tinha a ver com chocolate.
TaeTae. Chamou em seus pensamentos, se perguntando o que o mais velho estaria fazendo, ou, se já estivesse voltando para casa.
Sua maior missão naquele dia, era distrair seu protetor, e era muito mal nisso, então torcia para que ele demorasse mais um pouquinho para voltar, somente o tempo que noona precisasse para fazer todos os doces que ele mais gostava.
Mas pensando melhor, queria ajudá-la, nem que fosse com apenas um pouquinho. Suas mãos formigaram, e automaticamente aceitou seus pensamentos instintivos sobre ajudá-la, o que aliviaria aquela coceirinha.
Com cuidado, ergueu o "pescoço" da batedeira a aproximando de si, em seguida, olhou para trás como se estivesse prestes a fazer uma travessura e conferisse se ninguém estava o olhando, por sorte, Byeol noona permanecia concentrada em frente a pia, cuidando do liquidificador ligado, de costas para si.
Sorrindo sapeca, voltou-se para a bancada, pegando um ovo da bandeja de trinta ovos -contendo alguns espacinhos vazios- disposta ali, lendo a quantidade na receita e quebrando o primeiro dos cinco, despejando dentro da vasilha encaixada no eletro, pegando o segundo e batendo a casca na quina de mármore da bancada, quebrando-o ao meio e acomodando no acrílico branco, até chegar no quinto ovo, olhando para trás novamente, encontrando ainda, somente as costas da mais velha.
Depois, leu os próximos ingredientes na receita, pegando o recipiente que indicava uma xícara, derramando na vasilha o açúcar, rasgando o pacote de cor vermelha do achocolatado, e fazendo o mesmo, por fim, colocou o leite, os três sendo com aquela mesma medida, em seguida, pegou uma medida duas vezes menor, colocando na vasilha meia xícara de óleo, realizando exatamente como mandava a receita, por mais que já soubesse de cor, como se fazia um bolo de chocolate bem gostoso.
Mas então chegou em um momento decisivo complicado, o eletro faria muito barulho assim que o ligasse, e seu objetivo era ajudar noona em segredo, para depois surpreendê-la com uma forma quentinha de bolo de chocolate.
Mordendo o interior das bochechas, enquanto, abaixava o "pescoço" da batedeira, pensava em uma solução, porém chegando à conclusão de que não tinha uma saída, deslizou o botão para a velocidade média, fechando os olhinhos com força com o som alto preenchendo o cômodo. Agora não era mais um segredo que estava fazendo aquela doce receita.
- Querido! Como está se saindo?
Reabriu os olhos depois de alguns segundos, apenas para esbugalhá-los, surpreso, observando a mais velha parada ao seu lado, encarando seu feito sorrindo.
- Já fiz muitos bolos de chocolate com a minha avó, - Comentou, abrindo um sorrisinho tímido.
Byeol noona o retribuiu, tentando esconder sua tristeza naquele sorriso, por saber através de seu Kimzinho -um tempinho atrás-, que seu garotinho já não tinha mais a avó.
- acho que vai ficar gostoso.
- Com toda certeza, vai. - Expulsou seus pensamentos, alargando o sorriso e acariciando os cabelos negros levemente bagunçados.
Cerca de cinco minutos após o carinho, e a atenção da mulher ter se voltado para o resto da cozinha -onde limpou e organizou tudo deixando apenas o bolo em seus cuidados, desligou a batedeira, voltando a erguer o "pescoço" do eletro, sorrindo grande capturando o cheirinho doce observando a mistura homogênea e gostosa que ficou na vasilha.
- Ah não! - Ao ouvir a voz frustrada de noona, Ggukie conteve a vontade de passar o indicador na massa e experimentá-la, virando-se em direção a mesma. - Acredita que acabou a canela em pó, orelhudo?
- Isso é ruim, noona? - Perguntou preocupado, observando a massa recém tirada do forno esfumando sobre a pia.
- Não muito, mas dá um toquinho final aqui, - Byeol formou um biquinho nos lábios, deveria ter se lembrado de comprar mais canela em pó, no mercado. - eu vou ver se algum vizinho tem um pouco, - A mesma passou por si após lavar as mãos. - volto em um minutinho querido, tudo bem?
- Uhum. - Assentiu, a assistindo deixar a cozinha, pouco depois, ouviu a porta da frente abrir e nos segundos seguintes fechar. Suspirou, voltando a olhar para a massa do bolo, repuxando os lábios.
Não tinha mais medo de ficar sozinho, agora o escuro não conseguia o atingir, não como antes...
"- P-Pai, o Ggu-eu quero ir na casa da vovó... - O Jeon sentado na velha poltrona da sala, virando uma garrafa de cerveja atrás da outra, o encarou entortando a cara, enojado.
Jeongguk não se importava com aquele olhar, sentia seu peito doer de saudades da Jeon, já que por ter falado errado -de acordo com o mais velho- e ter lhe desobedecido quando o mandou ir dormir sem que pudesse comer, o fez ficar de castigo por vários dias, preso na dispensa.
- Suma da minha frente.
E aproveitando o considerado bom humor do homem, a criança de nove anos deixou a velha casa, correndo para a vizinha, onde antes mesmo de abrir o portão, já podia ver sua avó recolhendo as roupas do varal e as jogando em um cesto grande, esse que servia de barco pirata para si durante as horas que podia brincar e sonhar, sem medo.
- Vovó! O Ggukie chegou! - Adentrou o pequeno jardim, correndo até a mulher.
- Meu netinho! - Gargalhou quando foi pego no colo, estava muito feliz, abraçando o pescoço da mais velha sentindo seu cheirinho, não entendendo os olhos enrugadinhos analisando todo seu corpo com preocupação. - Você está bem? - Assentiu, deitando a cabeça no ombro da mesma suspirando, sabia que ela ficava triste por não ter força o suficiente para fazer algo e lhe salvar do monstro. - Com fome?
- Uhum. - Resmungou sentindo seus olhinhos pesarem, seu corpo estava cansado de passar as noites em pé rígido, acordado com medo do escuro.
- Me ajuda a fazer um bolo de chocolate bem gostoso?
- Ajudo, vovó!
Sendo levado para dentro da casa da Jeon, reanimou descendo de seu colo quando já estavam na cozinha, para lavar bem as mãos e pegar os ingredientes que conhecia muito bem, pelos armários.
Adorava fazer bagunça e meleca, enquanto mexia a massa na bacia com a colher de madeira.
- Opa! Sujou aqui, Ggukie! - Soltou outra gargalhada, quando o dedo indicador de sua avó mergulhou na massa e resvalou por seu nariz de propósito.
- Sujou aqui também, vovó! - Nem precisou fazer o mesmo, suas mãos já estavam melecadas o suficiente, para que apenas revelasse os dedinhos pela bochecha da mais velha.
- Seu danadinho! - A mesma lhe agarrou, enchendo seu rosto de beijinhos, arrancando risadas altas e felizes suas.
Até porque, seu pior pesadelo ainda não havia começado"
Jeon piscou algumas vezes, espantando aquela doce lembrança, ainda que mantivesse um sorriso melancólico cheio de saudade nos lábios.
Gostava de ter lembranças boas com sua avó, foram e ainda são o que lhe davam a vida.
Suspirando, até mesmo se esqueceu de provar a massa, não sabia por quantos minutos tinha ficado inerte com a memória de um dia bom, e talvez fosse até por esse motivo que conseguia se lembrar, amava demais sua avó para se esquecer de algum detalhe sobre ela.
E voltando a ler a receita, novamente concentrado, separou as duas xícaras de trigo para bater aos poucos, deixando por último o fermento.
Mas antes que pudesse ligar a batedeira com um pouco da farinha despejada junto a massa, ouviu a porta abrir e fechar outra vez, porém logo arregalou os olhos não ouvindo a voz de noona, e sim, a do príncipe.
- Ggukie! Noona! Cheguei! - Tae aspirou o cheiro doce que serpenteava pela sala toda, seu sorriso aumentando no tempo que ia diretamente para a cozinha, sabendo que sua segunda mãe não tinha se esquecido de si.
Já o mais novo permaneceu quietinho, sem conseguir se mexer, apertando a xícara entre seus dedos com força desmedida.
- Ggukie! - Arregalou os olhos, encontrando os de puro mel em seguida. - O que está fazendo? Por acaso é um bolo? - Sequer conseguiu rir do jeitinho animado feito criança do hyung, ficou nervoso demais para tal ato.
- É-É. - Respondeu, desviando o olhar para a bancada outra vez, passando a bater o pé direito contra o chão.
- E para que ocasião seria? - O Kim, quase saltitando, parou ao seu lado. - Uma comemoração? Um dia diferenciado? Uma data especial? - O peito do empresário estava quase saltando por sua boca, seu pequeno também não tinha se esquecido.
- É-É para hm... - Jeongguk sentiu quando suas orelhinhas petrificaram, assim como seu rabinho tornou-se imóvel, não sabia o que dar como resposta ao príncipe. - para...
- Você está bem, Ggukie? - Taehyung franziu o cenho levemente, preocupando-se, observando os olhos brilhantes arregalados na expressão assustada.
- Tô b-bem, hyung, - O máximo que o moreno conseguiu fazer, foi repuxar os lábios em um sorriso travado, não conseguia encontrar uma desculpa qualquer para despistar o mais velho da festa surpresa que lhe aguardava.
E justamente, ficou inquieto e desesperado, os outros hyungs não haviam voltado, o que significava que ainda não tinham um bolo de aniversário, e nada do que planejaram estava pronto, e seu hyung já estava em casa.
- e-eu tô ajudando a n-noona.
- Eu percebi, - O sorriso quadradinho e a aproximação do mesmo, apenas o deixou mais agoniado. - noona esteve fazendo bastante coisas hoje? - Ggukie prendeu a respiração por alguns segundos, pensativo, conseguindo se mover devolvendo a xícara para a bancada, suas mãos estavam suadas e corria o risco de derrubá-la.
- Não m-muitas, - Soltou o ar, se obrigando a encarar os olhos bonitos do príncipe. - noona só tá fazendo p-porque, - Sentiu seu coração dar um salto, ainda procurando por algo esfarrapado para dizer, em meio a seu reflexo no olhar de mel. - porque ela disse q-que hoje queria f-fazer uma sobremesa diferente! - Suspirou discretamente, aliviado.
- Só por isso? - Não respondeu de imediato, ficou preso assistindo as sobrancelhas grossas arquearem, junto a expressão serelepe do seu protetor.
- Só...
E por um momento, Ggukie se arrependeu de ter lhe dado aquela desculpa, pois logo o rosto todo alegre e iluminado do mais velho, se desmanchou em uma expressão triste, e no lugar do belo sorriso, um biquinho tomou conta.
- Bom... - Tae enfiou as mãos nos bolsos folgados da calça de moletom que vestia, recuando alguns passos, forçando um sorrisinho. - é bom fazer coisas diferentes de vez em quando, não é?
- Uhum. - Jeongguk mordeu o interior das bochechas, não queria ter magoado o príncipe.
- Mas enfim, eu posso te ajudar? - O Kim voltou a se animar, indo até a pia e lavando bem as mãos, fazendo seu coraçãozinho acelerado parar de doer por ter de mentir para si, porém no fundo sabia, era por uma bonita causa, e estava ansioso para ajudar a entregar a surpresa de aniversário ao hyung.
- Pode sim, Tae. - Exibiu os dentinhos, contente com a nova aproximação do mesmo, parando ao seu lado outra vez, aceitando sua desculpa.
- O que eu preciso fazer?
- Falta colocar o trigo e fermento na massa, e bater. - Anunciou Jeon, entregando a primeira xícara -já com a metade da farinha- nas mãos grandes.
- É fácil! - Tae soltou uma risadinha com o assentir frenético fofo do menor, observando os dedos branquinhos ligarem a batedeira.
- O hyung pode colocar o resto dessa xícara agora, - Concordou. - deva. - Acabou virando o conteúdo de uma vez, antes que o moreninho pudesse terminar de falar.
Então tudo o que puderam fazer, foi fechar os olhos com o trigo que esvoaçou pelo balcão, e um pouco em seus peitorais e rostos.
- Tae hyung! - O híbrido passou as mãos pelo rosto, desligando o eletro em seguida, observando a pequena bagunça que se formou sobre o balcão.
- Desculpa, Ggukie.
Franzindo o cenho brevemente, o citado se esqueceu do trigo espalhado pela espátula oval da batedeira, levando o olhar para o príncipe, que mantinha um novo biquinho nos lábios e a metade do rosto "pintado" com resquícios de farinha.
Não conseguiu segurar e riu baixinho, comprimindo os lábios tentando se conter.
- Não ria, é sério, coelhinho. - Os olhos de mel suplicaram.
Tae estava se sentindo um completo idiota, tudo o que fazia era um desastre.
- O hyung se sujou. - O mais novo exibia os dentinhos na expressão risonha e seu peito acelerou, o anjo ria divertido com a situação, talvez não estivesse sendo pelo seu jeito e cara de bobo, como seu pai sempre disse.
Se sentiu mais seguro, graças ao anjo.
- Ah, e o senhorzinho achou engraçado? - Arqueou as sobrancelhas, sorrindo grande assistindo o menor assentir sem tentar se conter, totalmente espontâneo. - Devia ver como está sujo também.
Riu acompanhando o mesmo, em seguida, ficaram quietinhos contemplando aqueles sentimentos bons que um trazia ao outro, o empresário notando Ggukie passar as mangas da blusa pelo rosto, um pouco desajeitado, limpando às cegas, deixando para trás o nariz ainda coberto com um pouco de farinha.
Então uma ideia sapeca passeou por sua mente.
- Ainda tá sujo aqui, Ggukie. - Deu alguns passos em sua direção, passando o indicador pela borda da vasilha do eletro, lambuzada de massa.
- Onde? - O coelhinho o encarou, com os punhos seguindo erguidos, próximos a seu rosto.
- Bem aqui! - O pegando de surpresa, Tae resvalou o dedo sujo -propositalmente de massa- pela bochechinha rosada, gargalhando com o olhar negresco brilhante triplicando o tamanho, sobre si.
- Hyung!
- O que foi, Ggukie? - Esboçou um sorrisinho em falsa inocência.
- O hyung... - Jeon usou a nova artimanha que havia aprendido assistindo aos doramas com Byeol noona, piscando lentamente, fixando o olhar no do príncipe, o prendendo em si, enquanto, passava o dedo pela massa sem que esse percebesse. - tá sujo ainda também! - Ergueu a mão de surpresa, imitando seu ato sapeca, gargalhando com o olhar estrelado arregalado em sua direção, no tempo em que seu protetor passava a mão pela epiderme atingida por si, retirando a massa.
Aquela sensação, de meleca e bagunça... era muito boa.
- Ah, então vai ser assim? - O Kim mordeu o interior das bochechas, coletando o pouco que conseguiu do trigo derrubado na bancada com sua mão grande e atrapalhada, dando um passo à frente se aproximando perigosamente do orelhudo, que dobrando as pontinhas das orelhas felpudas as fazendo dançar, recuou em alerta, ainda que soltando uma risadinha divertida.
Ambos permaneceram alguns segundos em silêncio, apenas se encarando, tentando adivinhar o que o outro faria, o empresário sendo o primeiro a se mover, jogando o pó branquinho no mais baixo, observando o narizinho avantajado ficar coberto com uma pequena quantidade, e a outra grudar no rastro de chocolate que fez anteriormente.
Em seguida, foi surpreendido pelo mesmo, que imitou seu gesto conseguindo fazer com que grudasse farinha até em seus cílios.
- Isso é injusto! Você é mais rápido! - Tentou fazer seu joguinho de falsa frustração, não convencendo os olhos quase infantis do anjo.
- O hyung que é muito lento. - O moreno provocou, exibindo ainda mais os dentinhos com a expressão surpresa do seu príncipe.
Taehyung poderia cair durinho no chão naquele segundo, o observando brincar daquele jeito.
- Isso não vai ficar assim! - Chacoalhou a cabeça expulsando seus nozinhos, passando os dedos da mão destra pela massa achocolatada erguendo o punho remexendo-os de forma engraçada, ameaçando tocar no rosto bonito de seu pequeno.
Ggukie sentia seu coração refletir nas orelhas, seu rabinho balançava freneticamente naquela bagunça, no meio de tantos sentimentos bons, e seus olhos cheios de luzes, recusavam-se a deixar de prestar atenção em cada movimento do príncipe, ele também ficava muito bonito sorrindo sapeca para si.
Recuando e fugindo dos dedos melecados, foi para trás do maior, passando as duas mãos rapidamente pelas bordas da vasilha lambuzando-as da massa, e seu sorriso aumentou vendo toda aquela meleca. Sendo ágil, ergueu os braços, resvalando a mistura por ambas as bochechas quentinhas do mais velho, ato que o impediu de se virar para si, segundos antes.
- Tá bom-Tá bom! Você venceu essa! - O Kim fingiu se render, estendendo as mãos para o alto. Mas sendo espertinho, distraiu Ggukie com uma erguida e a outra se abaixou serpenteando pelo balcão buscando farinha, até que alcançou o pacote e sorrindo grande, encheu a mão. - Mas não essa! - Jogando tudo para trás, pintou o rosto do coelhinho com trigo.
E ao contrário do que esperou, ouviu uma gargalhada gostosa, o que o distraiu, enquanto, o garoto coelho dava a volta ao seu redor, pegando um punhado igualmente, porém antes que pudesse colorir o rosto do príncipe, teve o punho segurado pela mão grande e quentinha.
- Nem essa. - Se vangloriou o acastanhado, piscando lentamente de forma engraçada, com os cílios coloridos de branco.
- O hyung que perdeu essa. - Então mais trigo acertou sem nenhum impedimento o rosto amorenado, segurar o pulso do coelhinho, não impediu os dedinhos de se abrirem e atacarem a farinha em seu rosto.
- Ok-Ok, você venceu essa, Ggukie! Eu me rendo! - Taehyung riu chacoalhando a cabeça, derrubando todo o conteúdo que grudou nos poucos fios atrapalhando um pouquinho sua visão, verdadeiramente feliz com aquela brincadeira melequenta, suspirando conforme continuava observando os olhos de jabuticaba, cintilantes.
Há anos eu não me sentia vivo assim. Pensou, deixando aquela sensação tomar todo seu peito.
Jeon não estava diferente, tendo seu corpo bem perto de seu protetor, que o aproximou de si inconscientemente, sendo tocado de maneira gentil, e ainda, com o olhar de mel sobre si, o olhando daquela forma singela que o enchia de nozinhos.
Era estranho o que dominava seus pensamentos no momento, enquanto via o que tinha feito no rosto dourado. Durante a brincadeira, não pensou em nada, apenas sentiu algo indescritível o tomando, o fazendo agir sem medo, impulsionado pela diversão, pela companhia do seu príncipe.
Era diferente e incrivelmente bom.
Lhe trazia lembranças boas do passado, e novas e bonitas no presente.
- Precisamos terminar o bolo, hyung. - Expulsou aqueles nozinhos de sua mente, o deixavam confuso, e extremamente envergonhado.
- Claro! - Tae se afastou, sentindo seu peito pular constrangido, observando o ser pequeno corado até as orelhinhas, e imaginou ser porque o puxou para mais perto, quase unindo seus corpos.
Não queria agir como um bobo, nem estragar aquele momento tão divertido e único dos dois, nem apreciar companhia mais perfeita, em um dia que não diferia muita coisa, apenas trocava o último número de sua idade.
- Vou fazer o certo, dessa vez. - Comentou inseguro, com receio do coelhinho não o permitir ajudar mais.
- Então o Tae coloca mais uma xícara e um pouquinho para bater. - Calmamente fez o que lhe foi pedido, se sentindo orgulhoso de si mesmo por não ter se atrapalhado daquela vez, ligando a batedeira depois de meia xícara de trigo e duas colheres, passando a esperar a espátula misturar à massa.
E após colocar toda a medida, aguardou por alguns minutinhos -depois de ligar o forno para pré-aquecimento-, a próxima ordem do moreninho, que untava a forma com manteiga e farinha, e seus lábios se repuxaram inconscientemente assistindo aquela cena tão fofa.
Sendo instruído, ergueu o "pescoço" do eletro retirando a vasilha do encaixe, vendo o mais novo adicionar uma colher de sobremesa do fermento em pó, antes de permiti-lo mexer com uma colher de madeira a mistura final. Concluindo seu trabalho, entregou a vasilha para o mesmo, que despejou o conteúdo na forma a levando para o fogão.
- Agora temos que esperar. - Se inclinou para frente, observando a massagem sob a luz alaranjada, com água na boca, assim como o coelhinho.
- Fizemos um ótimo trabalho, Ggukie! - Ergueu sua palma na direção do mais novo, abrindo um sorriso em forma de quadradinho, brilhante, quando seu high five foi retribuído, pela mão levemente suada.
- Noona vai ficar brava pela bagunça?
- Talvez arranque nossas orelhas de tanto puxar... - O Kim gargalhou com o olhar assustado encontrando o seu. - mas podemos limpar antes que ela volte. - Jeon assentiu prontamente, pelo bem de suas orelhas. - Por falar nisso, onde noona foi?
- Foi ver se o vizinho tinha canela em pó. - Se afastaram do eletro, encarando o chão sujo de trigo, bem como a bancada e os pertences que usaram.
- Então precisamos ser rápidos, - O moreninho concordou freneticamente, lhe arrancando um riso soprado, já fraquinho devido o jeito fofo. - Ggukie? - O moreninho levou o olhar da bagunça que fizeram, para o seu. - Quando é o seu aniversário?
Jeongguk entreabriu os lábios surpreso, ofegando discretamente, mas como se tivesse participado de uma maratona, a única que se lembrava daquela data era sua avó, e agora se perguntava se seu príncipe também.
- É dia primeiro de setembro... - Respondeu em um tom mais baixo do que gostaria, remexendo o nariz, curioso, assistindo o mais velho abrir a porta de um dos armários, pegando uma caneta disposta ali e folheando o calendário preso na madeira.
- Prontinho! Venha ver, Ggukie! - Se aproximando, encontrou o círculo em volta do número um do mês de setembro, escrito dentro do quadrado dividindo os dias: aniversário do Ggukie; - Até o seu dia especial, teremos muitas vitórias somadas para que possa contar aos hyungs, - Ergueu o olhar marejado para o rosto bonito do mais velho. - eu prometi que nunca mais ouviria palavras cruéis, e promessas são para sempre, Ggukie.
- Obrigado, Tae. - Seu rosto estava vermelho, por prender as lágrimas que queriam escorrer.
- Temos muito o que fazer até o seu aniversário, - O Kim mudou de assunto, acariciando seus cabelos, o dizendo que estava tudo bem sem palavras, de novo. - a começar por nos livrarmos de ficar com as orelhas ardendo. - Riu baixinho junto ao mesmo, respirando fundo, acalmando a euforia de seu coração. - Limpa a bancada, que eu cuido do chão?
- Uhum - E no tempo que Tae saía do cômodo, andando pelo corredor até a área de serviço procurando pela vassoura, observou uma última vez seu dia marcado ali, antes de fechar a porta com cuidado e começar a guardar os ingredientes que sobraram, em seguida, colocando a louça suja na pia deixando apenas todo o trigo espalhado pelo mármore.
Ainda naquele clima gostoso, Tae retornou e varreu a cozinha, levando o punhado de trigo que juntou, para fora da casa com a ajuda de uma pequena pá de plástico, no tempo que Ggukie limpava a bancada, enquanto trocavam sorrisinhos tímidos.
Do lado de fora, a governanta junto dos outros meninos tentavam esconder o bolo que com muito custo encontraram, afinal, haviam percebido o carro do Kim estacionado na garagem, mas tinham esperanças de que a festa continuasse um segredo, já que não poderia mais esconder suas presenças, Tae se recusaria a sair de casa mais uma vez.
- Queridos! Cheguei! E olha quem eu encontrei no caminho! - Anunciou Byeol noona, abrindo a porta chamando suas atenções, e sem demora saíram da cozinha, recebendo os olhares arregalados e confusos da mesma junto aos outros hyungs.
- Mas o que aconteceu aqui?! - A única mulher ali arqueou as sobrancelhas, entreabrindo os lábios embasbacada, vendo seus meninos mais novos com os rostos todos sujos, assim como a parte de cima de suas roupas.
- Longa história, noona. - Taehyung encolheu os ombros, envergonhado, principalmente sob os olhares sugestivos dos três hyungs falhando em esconder a caixa mediana colorida que carregavam, de si.
- Bom, - A Byun não pôde se conter e deu uma risadinha. - pelo menos sobrou massa para assar? - Brincou, deixando os garotos ainda mais envergonhados.
- Sobrou, noona, o bolo já está quase assado. - Jeongguk respondeu baixinho, tímido, embaixo do olhar castanho da mais velha.
- Isso é muito bom, eu também encontrei a canela em pó! Mas precisei bater nas portas da rua inteira. - A mesma suspirou cansada, o que arrancou um risinho dos garotos, um pouquinho aliviados por não receberem uma bronca.
- Canela em pó? Para o que exatamente, noona mais linda do mundo inteiro?
- Achou mesmo que teríamos esquecido, TaeTae? - A mesma lhe respondeu com outra pergunta, os olhos estreitos, mas seu lado bobo o fez reagir com os seus marejados.
- Esquecido do que? - Yoongi perguntou, fingindo não saber, entrando na frente do namorado para esconder a caixa.
A sala foi preenchida de gargalhadas.
- Eu termino de cuidar do bolo, os garotos vão me ajudar com o lanchinho, e vocês vão se limpar. - Tae e Gguk concordaram, passando a subir as escadas em um silêncio confortável.
- Me enganou direitinho, Ggukie, - O garoto coelho sentiu seu rosto começar a esquentar. - nosso bolo de aniversário é o mais gostoso de todos, tenho certeza. - Soltou uma risadinha envergonhada, mas estranhamente gostando de como "nosso" soava vindo dos lábios do príncipe.
Em seus respectivos quartos, Jeongguk aproveitou para tomar um banho quentinho, vestindo uma calça de moletom azul clarinha, e uma camiseta, colocando o moletom que havia ganhado de seus hyungs por cima, passando a se sentir ainda mais quentinho, vestindo também um par de meias, saindo do cômodo calçando por fim as pantufas.
Já Tae apenas lavou o rosto e trocou de roupa, colocando um conjunto -também de moletom- vermelho quentinho e confortável, não ligando de como iriam rir de sua cara, mas foi sua opção apenas se limpar, gostaria de tomar banho somente quando fosse se deitar, limpinho e cheirosinho para dormir.
Os garotos se encontraram no corredor outra vez, descendo a escada juntos trocando algumas palavras animadas, Ggukie sorrindo grande com a animação quase palpável do príncipe.
- Surpresa!
Gritaram todos quando chegaram na cozinha, rindo logo em seguida, se divertindo com o momento do aniversariante que já sabia que teria uma festa surpresa.
- Eu realmente achei que tivessem se esquecido de mim, - O Kim formou um biquinho nos lábios.
- Claro que não, meu bebê! - Hoseok praticamente correu até si, o abraçando apertado, junto ao casal de amigos que o acompanharam.
- Foi difícil mentir para você hoje de manhã. - O Min lhe deu um beijinho na bochecha como um pedido mudo de desculpas, ganhando em resposta um enorme sorriso.
- Eu não perdi as esperanças o dia todo. - Riram se separando.
- Vamos comer agora? - Yoongi perguntou, se sentando em uma das cadeiras, o lugar mais próximo do bolo.
- Mas e o parabéns?
- Não é hora ainda, Hoseokie.
- Então vamos começar com o lanchinho! - Anunciou Byeol noona servindo mais salgados e docinhos pequenos na mesa, piscando para o moreninho, que escondeu o sorrisinho sapeca, as guloseimas grandes ficariam escondidas na geladeira, para o parabéns de mais tarde. Era o seu segredo com a mais velha. - Venham queridos, se sentem! - A mesma os chamou, servindo seus meninos com pãezinhos doces e massinhas salgadas.
Logo a cozinha foi preenchida pelas seis vozes eufóricas, em uma conversa animada entre a busca pelo bolo, a decoração rápida, o sorriso extremamente feliz do acastanhado, e o único detalhe permanecendo omitido, o olhar negresco doce que não despregava do mesmo.
[...]
Aproveitando a distração de todos, Ggukie praticamente pulou para fora da casa, silencioso e ligeiro como seu coelhinho interno.
Parando no final da calçada, deixou suas orelhinhas dançarem, tremelicando de frio, e os pelinhos brancos seguindo a linha de suas costas, arrepiados igualmente.
Mas seu coraçãozinho apressado não lhe permitia ceder a baixa temperatura, seus olhinhos trabalhavam rápidos e concentrados varrendo todo o jardim, procurando algo que pudesse ser um bom presente, bonito e especial para dar ao príncipe.
Começar sua busca por ali não tinha sido uma boa escolha, havia muita neve em um cantinho, no outro, mais um grande punhado, no centro, mais neve branquinha e no final, um pouco mais, sequer conseguiria encontrar sua toca outra vez, por mais que se esforçasse procurando.
Suspirou frustrado, não poderia dar um punhado de neve ao hyung, porém também não seria fácil ir para a área de serviço sem ser notado, e olhar dentro da caixa com antigos pertences de Tae.
Mordendo o interior das bochechas, tentando pensar no que poderia dar, considerou uma nova carta, mas já tinha lhe dado uma e não saberia o que escrever no pouco tempo que tinha, e passando a andar pela camada de neve, não sentindo o quão geladinha estava pelas botas protegendo seus pés, seguiu até a árvore que o mais velho disse ser tão especial, encostando as costas ali, voltando a olhar em volta, pensativo.
Era muito difícil dar presentes, ainda sim, sorriu grande, ao menos tinha uma lembrança compartilhada com o príncipe, bonita e inesquecível, do preparo do bolo.
Saindo de seus devaneios de nozinhos bem pequenos, seu nariz se remexeu, captando um cheirinho mais doce e bom, e o seguindo também com o olhar, encontrou algo inusitado, e incrivelmente belo.
Uma rosa.
Uma única flor entre toda aquela neve, com algumas pétalas cobertas de floquinhos junto de uma parcela do caule, e ela se mantinha forte e viva.
Era apenas uma, tão pequena, entre todos aqueles punhados de massa congelada.
Seu sorriso aumentou, a pequena rosa era perfeita.
- Oi, amiguinha,
A cumprimentou se abaixando, passando os dedos frios pelas pétalas delicadas, coloridas de um tom vívido de vermelho, retirando um pouco da neve sobre si.
- você sobreviveu, é muito forte para aguentar todo esse inverno...
Jeongguk sentiu seus dedos congelarem, mas não deixou de afastar a neve do caule e um pouco ao redor de sua nova amiga, com cuidado para não machucá-la.
Ele a admirava, pois sequer sabia se conseguiria ser forte em seu próprio inverno, dentro de sua mente.
- assim é melhor?
Voltou a prestar total atenção em si, observando as folhas verdinhas balançarem, quase como se estivessem se agitando felizes, livres da neve.
- Parece que sim, - Soprou um risinho, passeando com a pontinha do indicador em uma das pétalas macias, a dando carinho também, com estava sempre recebendo. - minha avó me contou uma vez que você pode me entender, vamos ser amigos? - Outra rajada de vento fez a flor dançar. - Eu fico muito feliz que tenha aceitado, - Soltou outra risadinha. - é difícil se manter de pé, não é? - Sorriu pequeno, se sentia identificado com sua nova amiga. - Mas não se preocupe! Eu vou proteger você!
Se erguendo, olhou ao redor, procurando por algo que pudesse ajudá-lo a protegê-la do intenso frio, encontrando algumas redomas de vidro no cantinho da parede da casa, cobrindo alguns vasinhos de flores vazios, e indo até eles, pegou uma redoma, retornando rapidinho até sua amiga a cobrindo.
- Prontinho, isso já vai ajudar um pouco. - Tornou a sorrir, a observando por alguns instantes, cada detalhe que encontrava era perfeito. Até surgir uma ideia entre seus nozinhos de pensamento. - Ei! O que acha de ter um dono? - Perguntou animado. - O TaeTae é gentil e gosta muito de flores, vai cuidar muito bem de você.
O moreninho sorriu grande outra vez, havia encontrado um presente tão lindo e forte quanto o príncipe.
Só precisaria esperar o momento certo para entregá-la, não iria a retirar da terra, pois era sua casa, se retirasse morreria em breve, mas levaria Taehyung até ela.
- Ggukie! - Suas orelhas remexeram em direção às portas de vidro, abertas pelo híbrido de gato, que batia os dentes o chamando, encontrando-o em poucos segundos escondido parcialmente pela árvore. - O que faz aí neste frio?! Venha para o quentinho! Vamos cantar o parabéns!
- Tô indo, Jimin hyung!
Jeongguk se ergueu de novo às pressas, indo em direção ao felino sem conseguir esconder seu enorme sorriso.
Afinal, mais um pouquinho e entregaria um belo e forte presente ao seu príncipe.
[...]
Depois de toda a festa e comilança e bagunça que se estendeu à sala, com música, seguida de filmes e jogos, noona anunciou a hora de ir dormir, ameaçando puxar a orelha daquele que não lhe obedecesse.
E mesmo não estando completamente cansados, os hyungs -com medo- obedeceram, se dividindo no andar de cima em dois quartos de hóspede, um para o casal, e outro para Hoseok. Por fim, após se certificar que todos estavam confortáveis, Tae retornou ao andar de baixo procurando Ggukie, já que não tinha o encontrado em seu quarto também.
Parando ao pé da escada, sorriu exibindo o quadradinho nos lábios, observando o par de orelhinhas dançarem e uma delas virar-se para trás, o moreninho havia escutado seus passos. Se aproximando e dando a volta no sofá, se sentou ao seu lado, assistindo a forma fofa com a que abraçava a almofada e em seguida, erguendo os olhos para si, abrindo um sorrisinho tímido.
- Achei que estivesse com sono. - Comentou, suspirando disfarçadamente.
- Eu tô, um pouquinho. - Taehyung suspirou encantado, vendo o bocejo longo desmentir seu protegido.
- Sei. - Brincou, soltando um risinho junto ao mesmo.
- Eu quero te dar um presente de aniversário.
O coração do empresário acelerou subindo e travando em sua garganta, assistindo as bochechas no rosto branquinho ganharem um tom lindo de vermelhinho.
- Ggukie, - Riu de forma nervosa, se aproximando um pouco mais do coelhinho. - não precisava se preocupar com isso. - Sentiu seu rosto começar a esquentar igualmente.
- É especial... - como você.
Jeongguk queria ser corajoso o suficiente para conseguir terminar de falar.
- O que é? - O Kim perguntou, completamente envergonhado, mas curioso ao mesmo tempo.
- Tá lá no jardim.
- Me leva até ele, então?
O de fios negros assentiu devagar, desviando o olhar do de puro mel do príncipe, não sabia como Tae iria reagir quando visse seu presente, ficou nervoso.
Se levantando, ambos caminharam até as portas de vidro, vestindo os casacos grossos antes de abri-las e Taehyung acender as luzes de fora.
- Ela ficou te esperando atrás da árvore grandona.
O acastanhado soprou um riso, cada vez mais fascinado, tendo sua mão segurada pela branquinha, sendo guiado até sua melhor amiga da natureza.
- É simples hyung,
Vindo de Jeongguk, nada nunca seria simples, mas Tae também não tinha coragem de dizer isso a ele.
- mas ela é muito forte e gosta de conversar. - Sem se dar conta, franziu o cenho levemente, confuso, até se deparar com a pequena redoma de vidro cobrindo uma rosa, afastando a neve da terra, a mantendo protegida.
- Ggukie... é linda. - Se abaixou sendo acompanhado pelo anjo.
Não tinha como expressar com palavras como cada gesto de Jeongguk era especial, como tornava tudo uma fantasia, quentinha e doce. Paralela com o mundo que desprezava.
- O hyung gostou? - O garoto coelho perguntou acanhado, prestando atenção no rosto do mesmo, no olhar tão carinhoso sobre sua nova amiga.
Mas que não percebia que aquele ainda era um pouco menos do qual era direcionado a si.
- Eu amei! Ggukie, eu nunca vi algo tão bonito.
Mentiu o Kim, porque já tinha visto sim.
O garoto coelho era a coisa mais linda que já tinha visto, desde o primeiro momento que se encontraram.
- Obrigado pelo presente.
Sorriu para a rosa incrivelmente vermelha, que nasceu com as raízes protegidas pela saltada da árvore. Parecia planejada para estar ali, para ter sido encontrada pelo coelhinho, para dar aquele momento a eles.
- De nada, Tae. - Ggukie sentiu seu peito se aquecer, verdadeiramente sentindo uma pontinha maior de felicidade.
Seu príncipe havia gostado do singelo presente.
- O hyung ainda não falou sobre rosas.
Jeon não queria que ele lhe chamasse para ir dormir, não queria se afastar dali, não queria que aquele momento acabasse.
- Bom, - Tae começou, alargando seu sorriso. - a rosa, assim como tudo aqui no jardim, é do reino plantae, - Ggukie assentiu, prestando total atenção em suas palavras. - ela é da família rosaceae, são mais de cem espécies e milhares de variedades híbridas, - Taehyung se aproximou até estar bem pertinho do mais novo. - você sabia que as primeiras rosas do mundo cresceram aqui na Ásia há cinco mil anos atrás?
Os olhinhos brilhantes triplicaram o tamanho, enquanto, os fios negros esvoaçavam com Jeon negando, surpreso.
Riu baixinho acariciando os cabelos macios, desse.
- É bastante tempo, não é?
- Sim.
- Cada rosa tem um significado simbólico e especial, a amarela por exemplo, significa amizade; a branca, pureza; a azul, o mistério, a busca pelo impossível, mas também tranquilidade e harmonia; a vermelha... - Deu uma pausa, suas bochechas flamejantes ao que desviou o olhar para a forte e espinhosa rosa que ganhou. - significa, verdadeiro amor, forte e inabalável, também é paixão, respeito, adoração...
Seus olhos tornaram a se encontrar, cada um conseguia se ver refletido entre as milhares de constelações do outro.
- t-tem até uma história sobre essa rosa. - Taehyung desviou-se do universo de Ggukie. Envergonhado demais por estar insinuando algo que parece tão inalcançável, ao moreninho.
- Me conta? - Assentiu, sorrindo pequeno e nervoso.
- Aconteceu no outono, todas as folhas começaram a cair, secas, na estação que vai perdendo as cores, deixando tudo mais frio e triste,
Os olhinhos negros piscavam devagar, encantados com a voz rouquinha falando sem parar.
- um dia, um beija-flor estava passando por um campo procurando abrigo para o frio, ele precisava descansar para continuar migrando, e foi aí que ele conheceu uma rosa vermelha, a única em pé sobre a terra. Admirado, ele desceu para conversar com ela, dizer o quanto ficou encantado por sua força, ela desconfiou inicialmente, mas logo também se encantou pelo beija-flor, ele contou que o frio era uma fase ruim, difícil e amarga, mas que ela continuou forte se tornando a mais linda que ele já viu, tinha sido a única a suportar, e por isso, merecia conhecer o amor e todo o seu calor... - Jeongguk suspirou maravilhado, nunca tinha escutado uma história tão bonita antes, enquanto, podia observar o rosto do belo homem e seu olhar sereno, mais brilhante que um diamante.
Amor e calor... com certeza eram tudo o que queria poder conhecer um dia, poder se sentir exatamente igual às palavras tão bonitas que usavam para descrevê-los, com alguém especial.
- E o que aconteceu depois? - Perguntou baixinho, também observando a rosa que protegeu.
- ele beijou ela, - Seus olhos voltaram a se encontrar, fixando e memorizando a imagem um do outro, cada detalhe, cada luz os contornando. - depois ele precisou partir, mas quando o dia amanheceu, a rosa enxergou tudo em cores, ainda mais forte para se manter de pé.
- É... lindo.
Era tudo o que o coelhinho conseguia falar, sua mente começou a formar mais nozinhos, no tempo que pensava na história, naquele sentimento.
Logo, chacoalhou a cabeça, era difícil compreender.
- E agora, - Tae tirou a redoma que a cercava com cuidado, - é deixarmos que um beija-flor venha até ela.
A rosa não iria morrer, suas raízes estavam bem protegidas, e ainda tinha recebido o cuidado especial do anjo, que em seu ver, a deixou ainda mais forte e brilhante.
Os dois compartilhavam aquelas duas características.
- Será que vai vir algum? - Jeongguk olhou em volta, não notando nenhum movimento nos galhos das árvores, estava muito frio para qualquer passarinho, mas torcia por sua amiga vermelhinha.
- Eu também não sei, - Tae foi sincero, se erguendo e esticando a mão, puxando o moreninho para fazer o mesmo assim que esse tocou suas peles quase congeladas. - o que acha de amanhã nós virmos perguntar a ela?
Ggukie passou alguns segundos apenas encarando o sorriso de quadradinho do príncipe, antes de exibir seus dentinhos igualmente e concordar.
- Agora é melhor irmos dormir, noona vai arrancar nossas orelhas se sonhar que estamos aqui.
Riram juntos, refazendo o caminho para a sala, entrando e fechando as portas de vidro, que Taehyung trancou, e em seguida, apagou as luzes, seus casacos voltaram para o cabideiro e em um silêncio confortável, subiram a escada.
- Ggukie, - O empresário chamou, assim que pararam no corredor, entre as portas fechadas de seus quartos.
Logo, deveriam soltar suas mãos e se separar até o dia seguinte. Mas estranhamente, queriam passar mais tempo juntos.
- Sim, hyung? - Seus olhos se encontraram outra vez naquela noite.
- Obrigado, - Devagar, mas ainda de surpresa, o acastanhado o puxou para um abraço, calmo e quentinho.
Aquele cuidado, aquele carinho... abraços eram o que o moreno mais gostava, se sentia protegido, principalmente quando estava entre os braços de seu príncipe.
Há muito tempo esperava receber apenas aquilo, palavras gentis já bastavam.
E agora, recebia tudo o que jamais imaginou, contar para sua avó e pedir em seus sonhos sempre foi fácil, mas sentir não.
Sentir seu corpo se aquecendo com o calor do mais velho, com suas palavras bonitas, com seus sorrisos, sentir seu coração bater mais forte, precisando ser ouvido, eram misturas boas e estranhas que gostava de sentir. A dor nunca mais o atingiria.
- me deu um presente incrível Ggukie, - Juntando toda a coragem que tinha, contornou as costas largas calmamente, retribuindo o abraço especial. - você é como uma rosa...
Seu coração naturalmente acelerado se apressou ainda mais, refletindo em suas orelhas humanas de tão forte que passou a bater, sua mente encheu de nozinhos com a fala de seu hyung.
E o que o deixou frustrado, além de não conseguir compreender a si mesmo, foram os braços afrouxando ao seu redor, até que o príncipe estivesse a um passo de distância, outra vez.
- Me deixa feliz saber que o hyung gostou do presente, de nada. - Foi sincero, abrindo um sorriso contido, envergonhado.
- Ele é lindo, - Gostou de ver o rosto vermelhinho. - b-bom, boa noite, Ggukie.
- Boa noite, Tae.
Mesmo não gostando muito da ideia, Jeongguk entrou primeiro, trocando mais um sorriso com seu protetor antes de fechar a porta, assim como Taehyung suspirou, formando um biquinho nos lábios adentrando seu quarto, também fechando a porta.
Ambos os garotos realizaram suas higienes com as mentes vagando, enquanto tentavam desfazer nozinhos, mas era uma tarefa tão complicada que desistiram, se jogando nas camas tentados a não pensar por hora.
Jeon se embolou nos cobertores, fechando os olhos e assistindo -mesmo sem sua própria permissão- o rosto do príncipe lhe contando a história da rosa e o beija-flor.
Seu peito então voltou a acelerar e aquecer, lembrando de cada palavra. Amor e calor. Então seu corpo todo passou a formigar em uma sensação boa, que o impedia de dormir, conseguia apenas senti-la, junto a seu coração e a voz rouquinha.
O Kim passava por algo parecido, se virava pra lá e pra cá na cama, repassando por suas pálpebras a imagem do moreninho acanhado o guiando para seu presente, dos olhos brilhantes lhe encarando arregalados na expressão fofa, da simples história que pareceu imensamente importante, só porque estava contando para o garoto coelho.
Suspirando, se sentou na cama massageando o peito acelerado, não conseguiria dormir, tinha a certeza de que pelo menos não estava tendo um ataque cardíaco. Apenas.
Voltando a se deitar, apoiou o travesseiro contra o rosto, tentando expulsar os nozinhos de seus pensamentos, mas só conseguia assistir aquele momento com o anjo, de novo e de novo.
Talvez algo estivesse mesmo acontecendo com seu coração.
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Notas Finais
E então?? O que acharam??
Os nenéns estão se aproximando cada vez mais 😭💜
O que acharam do Tete neném?? Eu amo escrever a relação dele com a noona
Ele tristinho porque se "esqueceram" do seu aniversário, é muita maldade aaa 😭😭😭
Tem novo personagem na área! O pai do Tete... quais são suas análises sobre ele??
O bolo de chocolate é tradição 🥺 e eles fazendo juntinhos, junto a bagunça aaaaa
E o aniversário do Tete? O presentinho do Ggu! 💜😭
Eu espero que tenham gostado! E me perdoem os errinhos! Eu tô ansiosa com essa nova fase hihi será que eles descobrem o tal sentimento estranho? Muita coisa vai rolar mesmo, se preparem hehe
Até a próxima att, anjinhos!! Se cuidem direitinho!!
Bom diatardenoite!! 💜
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