05: Uma Urso-Terapia
Notas Iniciais
Oii anjinhos! Como estão??
Gente do céu kkk aqui do nada ficou muito frio, enfim Cbw :' e onde vocês moram??
Bebam bastante água mesmo no frio, ok??
Aviso de capítulo inédito IRRAAA! Esse não existia na primeira versão
Eu não tenho muito o que dizer sobre ele, só que eu amo muito o Tete e a forma como ele é o protetor do nosso coelhinho :'
Leiam com água de acompanhamento
Sem mais delongas, boa leitura! <333
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"É tão difícil e solitário quando você não se conhece. Confie, porque estarei ao seu lado. Você sabe que estarei."
My Friends - Red hot Chili Peppers
ᘔ|
O pequeno garoto coelho assim como o belo anfitrião da casa, passaram bons minutos apenas sentindo pele contra pele. O de orelhas branquinhas extensas tentando decifrar tudo o que o toque quentinho queria lhe passar, e o acastanhado os seus pensamentos e confiança.
Taehyung usou a mão livre para puxar levemente os fios da nuca, desconcertado com o olhar escuro que estava fixo em suas mãos de repente o encarando, esperando que dissesse o que iriam fazer a seguir.
― V-Vamos começar ― Puxou-o para se levantar com delicadeza, sorrindo pequeno com o jeitinho acanhado do outro, agora permanecendo em pé ao seu lado. ― pela cozinha mesmo.
Viu o moreno observar em volta e depois se concentrar em si novamente, pensou no quão bobo estava agindo, já que estavam ali a um bom tempo e provavelmente os olhinhos negros analisaram o cômodo atentamente.
― Bem, ― Pigarreou engolindo em seco. ― nos armários debaixo e de cima tem comida de todos os tipos, ― Informou abrindo uma porta apenas para confirmar o que falou. ― a qualquer momento que sentir fome, pode abri-los e pegar o que quiser, ― Esperou por alguns segundos o assentir do coelho. ― a geladeira também, se sentir sede ou quiser algo de comer frio pode pegar, ― Falava um pouquinho mais alto e devagar, se animando ainda mais com o menor concordando e até mesmo apertando suavemente o dorso de sua mão. ― pia, fogão, micro-ondas, por favor, fique a vontade para comer e usar o que quiser, tudo bem?
Jeongguk tinha a habitual aceleração no coraçãozinho ainda maior, ouvindo o empresário e o acompanhando pela cozinha, decorando os lugares que ele mostrava estar cada coisa.
― Por aqui eu acho que é só, ― Notou-o soltar um risinho. ― próxima parada, a sala de estar, ― O mais alto tentou fazer graça, mas essa passou despercebida por Jeon, que olhava em volta o que algumas horas atrás não reparou direito pelo medo que o consumia. ― ela é toda sua, ― Esse voltou o olhar para o de mel do seu protetor. ― pode ligar a televisão e assistir o que quiser, cochilar no sofá, tem alguns jogos de tabuleiro no raque, sinta-se a vontade, ― Consentiu, mesmo que não fosse fazer aquelas coisas que ele citava, pelo menos não por enquanto. ― aquele corredor leva para a lavanderia e área externa de lazer, pode ir lá para descansar, as espreguiçadeiras são muito confortáveis, ― Era quase impossível controlar suas orelhas dançantes com a animação do homem o guiando pelos espaços da enorme casa. ― nesse outro corredor, tem dois quartos de hóspede, a noona fica em um deles porque a idade dela não permite que fique subindo escadas, ― O Kim riu baixinho se lembrando das desculpas da mais velha para ficar com um quarto embaixo. ― e aqui, ― Guiou o ser pequeno até a grande porta corrediça de vidro. ― é o jardim.
Os olhos negros se arregalaram no tempo que passeava-os pela extensa faixa de grama verdinha, aquele lugar era gigante e muito bonito.
Duas árvores bem folhadas condecoravam pontos aleatórios do meio, canteiros bem organizados de flores contrastavam harmoniosos em círculos em mais pontos do quintal, havia uma horta que seguia toda a lateral do muro, além do banco de madeira que recebia a sombra da árvore mais alta e um pequeno chafariz desativado que servia de banheira para passarinhos.
Tinha quase certeza de que estava sonhando com um lugar lindo que cheirava terra e paz.
Mesmo estando de noite e a luz amarelada das lâmpadas maiores ofuscasse as cores, essas refletiam no olhar sem vida do pequeno, que inconscientemente deu um passo à frente saindo da casa, parando na curta calçada que criava um acabamento na residência e dava boas vindas ao jardim.
― É muito bonito... ― Comentou baixinho, sem ter certeza de que o mais alto ouviu, pois nem si próprio escutou pela dormência em seus ouvidos.
― É sim. ― Taehyung concordou em meio a um suspiro, tendo sua mão solta pela gélida e branquinha.
Assistiu com fascínio o orelhudo parar na beirada da porcelana quase encostando os pés cobertos por uma meia grossa na grama, esse que olhava tudo ao redor com atenção, decorando a beleza do jardim mais lindo que já viu em sua vida.
Então o empresário sentiu que todo o dinheiro que gastou ali, no fim valeu a pena, por poder ver como aquela parte da mansão se tornaria a favorita do garoto coelho.
― Você gostou? ― Perguntou parando ao seu lado.
― Sim ― Jeongguk respirou fundo, seus pulmões estavam doloridos, mas pareceram se aliviar da dor com o ar puro que entrou. ― é lindo.
― É seu.
Os olhares se encontraram, e o sorriso quadrado nos belos lábios o fizeram repuxar os seus. Um sorriso de canto foi o suficiente para impactar o coração do acastanhado. Sentia que o pequeno Jeon iria se soltar mais cedo ou tarde, e o jardim seria seu primeiro passo.
― Por que está fazendo tudo isso pra mim? ― Aqueles olhos murchinhos fixaram-se nos seus.
― E-Eu ― O maior foi pego de surpresa com aquela pergunta. ― não sei te responder essa ainda. ― Secou as mãos na calça do pijama, essas que suaram frio com o rosto pouco iluminado esperando sua resposta.
Aliviou-se com o assentir do garoto, que voltou a observar o imenso jardim.
― Vamos para o andar de cima agora, ― Chamou a atenção do ser baixinho, que estava totalmente voltada para a vontade de explorar toda aquela área verde tão convidativa.
Era um coelhinho afinal.
― está muito tarde e frio para ficar aqui fora, ― Jeongguk o olhou outra vez. ― mas amanhã poderá passar o tempo que desejar no jardim. ― Tornou a oferecer sua mão, essa que sem relutância foi aceita pelos dedinhos gelados.
Trazendo-o para dentro, o de fios castanhos fechou a porta e os guiou rumo a escada, acendendo a luz no interruptor na parede. Os quadros do artista que tinham informados com uma plaquinha logo abaixo assinados como Vincent Van Gogh, pareciam interessar muito o seu protetor, e pela casa, muitas pinturas se pareciam com as penduradas no corredor dos degraus. Eram bonitos.
Depois de alcançarem o primeiro corredor no andar superior, o Kim acendeu as luzes igualmente, mostrando a Jeongguk que haviam mais portas do que percebeu quando desceu seguindo o bilhete amarelinho.
― Aqui ― O empresário abriu a primeira apertando o botão no interruptor. ― é uma sala de televisão, ― Notou o coelho concordando demonstrando que o entendeu mesmo falando um pouco mais baixo, sorriu deixando-o se familiarizar com o cômodo, até porque, poderia explorar qualquer cantinho da casa.
Jeon analisou os sofás, a poltrona, uma televisão gigante em um painel negro bonito na parede, uma mesa de computador com caixas de som acopladas, além de uma mesinha de centro e um armário com vários cds, dvds e bonecos de coleção. Achou aquele lugar muito bonito, mas as luzes fracas deixavam tudo escuro demais.
Não gostava do escuro.
― pode assistir aqui se quiser também, ― Assentiu, mas sabia que não entraria naquela sala outra vez. ― A três próximas, ― Olhou para as portas brancas seguindo a da sala de televisão. ― são quartos de hóspede, ― O Kim abriu as portas revelando os cômodos iguais e bem organizados. ― esse é o seu ― Na última notou cores diferente sobre a cama e coisas e produtos a mais que não tinham nos outros.
― É bonito... ― Jeongguk se martelava mentalmente por somente dizer aquilo, porém não era como se pudesse pôr em outras palavras. Tinha uma cama e luz, talvez conseguiria dormir. E ganhar aquilo do belo homem, seu protetor, levava seu coração a mil.
― Foi arrumado especialmente para você, ― Recepcionou o mais alto, sorrindo animado com o jeitinho menos acanhado do outro. ― antes de entrar para dormir, ― As jabuticabas doces o encararam. ― deixe eu mostrar as últimas três portas, ― Consentindo, o moreninho tentou controlar as orelhinhas movendo-se ansiosas para explorar a cama quentinha que iria dormir. ― essa não é usada, é o antigo quarto da minha mãe ― Jeongguk notou a voz rouca tornando-se mais baixa ao que o maior falava. ― e meio que fica trancada...
Não sabendo direito o que fazer, apertou a mão que sequer percebeu ter segurado a sua para continuar o caminho, recebendo outro sorriso quadrado.
― a última desse lado ― O acastanhado chacoalhou a cabeça afastando alguns pensamentos tristes, virando-se agora para o lado esquerdo do corredor. ― é o meu escritório, ― Abriu revelando um cômodo organizado com uma mesa grande de vidro, computadores e uma cadeira grande confortável de cor preta, armários e cômodas facilitando na separação de documentos importantes e algumas prateleiras com livros que nunca viu antes. ― alguns dias eu fico com preguiça de sair de casa, então trabalho aqui, ― Sorriu percebendo a sombra de outro nos lábios vermelhinhos. ― e pelos próximos vou ficar por aqui também, ― Informou recebendo um assentir leve. ― por último, ― Guiou o ser pequeno para a porta em frente a do quarto que poderia ficar. ― esse é o meu quarto, ― As mãos branquinhas ficaram ainda mais geladas, seu protetor estaria bem perto de si. A sensação era estranha, mas boa. ― escolhi que ficasse no quarto em frente ao meu porque qualquer coisa que precisar, principalmente se for durante a madrugada, pode vir me chamar e eu vou te ajudar, qualquer coisa, é só pedir, tudo bem?
― Tudo bem, Tae. ― Taehyung faltou desmaiar com a resposta baixinha e doce do outro, usando até mesmo seu apelido.
― Ficarei muito feliz em ajudar, ― Bem devagar, passou a erguer a canhota contendo a marca dos dentinhos do ser agora calminho ao seu lado, pousando-a no topo da cabeça do baixinho entre as orelhas compridas, bagunçando os cabelos repicados com cautela. ― bom, acabamos de conhecer a casa e ficou mais tarde ainda, acho melhor irmos dormir, ― Jeongguk assentiu ainda com os olhos fechados com força, relaxando conforme sentia a mão leve o dando um carinho. E a quanto tempo não recebia um.
Adentrando a porta da frente, o Kim teve a mão solta outra vez e o orelhudo deu alguns passos dentro do quarto, notando tudo o que o mais velho deu a si, sem o cobrar por nada.
― Gostou? ― Jeon acenou de forma muda, os olhinhos levemente arregalados observando cada detalhe. ― Noona se certificou de trocar o jogo de cama para o mais macio.
― Tudo isso é pra mim? ― Seu peito foi estrangulado entre o aperto e as batidas aceleradas, ansioso.
― É sim, ― Se aproximou do pequeno que agora rodeava a cama, pegando o controle da televisão fixada à parede sobre o criado-mudo, curioso. ― quer ligar a tv?
― Quero, Tae. ― O acastanhado então, com um sorriso maior que os anteriores, apertou os botões de comando sem tirar o controle das mãos pequenas, demonstrando como fazia.
E pegando o jeito rapidamente, Jeon passou a mudar de canal e aumentar o volume para que conseguisse ouvir com mais precisão, parando em um desenho estranho e ao mesmo tempo divertido, de uma esponja do mar fazendo hambúrgueres de siri.
Taehyung mordia os lábios para não deixar sair todos os sons encantados que gostaria de soltar, observando as caretinhas do menor concentrado, absorvendo cada ação do desenho.
― Eu tenho um amigo que se parece muito com o Lula Molusco. ― Comentou, recebendo um sorrisinho pequeno, mas que de fato demonstrava que Jeongguk tinha achado sua frase se referindo a Yoongi (mesmo que tivesse omitido essa parte) engraçada.
Quis sair pulando com o minúsculo mas doce gesto, havia ganhado a noite.
― No banheiro tem uma escova e pasta novas, vai ficar mais tranquilo se escovar os dentes agora, depois não vai precisar se levantar se já estiver com sono. ― O menor assentiu, sua resposta vindo um pouco mais rápida, os olhos encontrando os seus também, ele estava interagindo consigo livremente, curioso, e o que sabia, com vontade de sorrir.
― Eu vou poder continuar vendo? ― Jeongguk apontou timidamente para a televisão.
― Mas é claro, ― Sorriu largo. ― pelo tempo que quiser, ― Acompanhou-o lhe dar as costas rumo ao cômodo menor no quarto. ― eu vou fazer o mesmo, já volto pra terminar de ajeitar tudo pra você. ― O orelhudo concordou enquanto abria a pasta e colocava uma gotinha na escova, antes de exibir os dentinhos avantajados e passar a escová-los.
Só então quando recebeu o olhar atento, despertou de seu devaneio sentindo o rosto esquentar até as orelhas por ter ficado observando o jeito fofo como ele fazia aquela higiene.
Soltando um risinho nervoso, praticamente fugiu do quarto de hóspede para o seu próprio, correndo para o banheiro e lavando o rosto, olhando-se no espelho sussurrando o quão pateta era por ficar daquele jeito com tudo o que o garoto coelho fazia.
E depois de escovar os dentes igualmente, voltou ao cômodo da frente encontrando Jeongguk sentado na beirada da cama, os olhos naturalmente grandes e redondinhos vidrados na tv e na risadinha do Bob Esponja.
― Precisa de alguma mais coisa? ― Chamou a atenção do orelhudo, que timidamente negou. ― Tudo bem, ― Sorrindo, atravessou o quarto pegando mais uma coberta dentro do armário. ― se sentir frio jogue essa por cima das outras, tá bom?
― Uhum ― A resposta doce alargou seu sorriso.
― Então boa noite, Ggukie
― Boa noite, Tae ― O coelho subiu completamente na cama, não se deitando ainda, apenas se sentando para continuar assistindo.
― eu posso apagar a luz? ― O corpo menor travou.
― p-pode. ― Percebendo o medo em seu protegido, o acastanhado deu a volta na cama acendendo os dois abajures sobre os pequenos móveis em suas laterais, soltando mais um sorriso de conforto ao mais novo e voltando para a porta apagando a luz, mas ainda deixando o cômodo bem iluminado, certo de que ajudaria o orelhudo a dormir.
[...]
A madrugada parecia tranquila, nada era ouvido além de alguns insetos cantores do jardim. E isso parecia pior para o garoto coelho encolhido em uma das pontas da cama, coberto até a cabeça, escondido do que sua mente projetava para o assustar.
Aquilo acontecia todas as noites, sentia dor todas as noites, gritava todas as noites, e os senhores maus não se importavam, apenas faziam o que bem queriam.
E quando não acontecia, cochilava por poucos minutos e abria os olhos, conferindo se estava sozinho, certificando-se de que poderia estar seguro. Não conseguia dormir.
Se sentando, encarou cada cantinho do quarto iluminado de dourado, estava sozinho, nada iria o machucar ali. Mas então viu.
A maçaneta da porta moveu-se devagar, alguém estava abrindo, queria entrar.
Suas mãos suadas começaram a tremer, assim como seu corpo todo. Fechou-as em punhos e as unhas quase fincavam na pele de suas palmas pela força que usava.
Ao que piscou limpando a vista embaçada, a maçaneta estava no mesmo lugar, a porta fechada e continuava sozinho no quarto.
Era sua mente lhe pregando outra peça, o lembrando de que não tinha paz, e que não a encontraria tão cedo.
Sentindo falta de ar, apertou os punhos contra o peito desesperado esperando aquilo que sentia a anos aliviar, sua garganta trancou doendo vezes mais, sentia o suor em suas costas e testa, sua cabeça começou a rodar e o medo ficava cada vez maior dentro de si.
Não sabia nomear aquela crise, ao menos sabia que estava em uma.
Minutos depois, quando pôde parar de sentir tudo aquilo, deitou-se novamente engolindo o choro, como em tantas noites o mandaram fazer. Encolhendo o corpo até não aguentar-se e soluçar, outra vez transformou-se na bolinha branca e peludinha.
Aninhando contra as cobertas gigantes para seu tamanho no momento, tentou dormir de novo, cochilando por míseros minutos até abrir os olhos azuis de seu lado coelho, precisando olhar em volta novamente.
O resto de sua madrugada se passou assim, e quando o dia finalmente amanheceu, mal portava-se de pé.
Estava cansado e não mais atento às coisas à sua volta. Seguiu Taehyung, que foi o acordar sendo em vão, para além do quarto em direção à cozinha, não notou a presença da mulher mais velha, nem o som da pequena tv ali, menos a voz preocupada do Kim.
Sentado, pendia corpo para frente fechando os olhos, logo abrindo-os arregalados olhando em volta, buscando segurança.
Tudo o que seus instintos lhe avisavam era perigo.
― Ggukie? ― Seu protetor o chamou, mas não o olhou, sua cabeça estava pesada demais para erguer. Coçou os olhos. ― Não conseguiu dormir bem?
E quando o acastanhado levantou a mão destra a fim de acariciar seus cabelos como na noite anterior, seu corpo agiu sozinho se esquivando.
Taehyung sentiu seu peito apertando por ver a mãozinha apoiada na mesa escapar dali e o coelhinho mencionar que iria sair de perto, seu toque calmo saiu como uma ameaça.
― Garoto? ― Ouviu uma voz mansa vir de seu lado esquerdo, não respondeu, estava concentrado nos dedos apertando a coleira em volta de seu pescoço, sem forças para arrancá-la. Estava o sufocando em meio ao início daquela outra crise. ― Toma um copo de água para se acalmar um pouquinho, huh? ― Negou inconscientemente.
― M-Medo. ― Conseguiu falar o que mais sentia, e o empresário podia ver, o pequeno orelhudo quase dormindo sentado, abrindo os olhos arregalados minutinhos depois. Não descansou nada.
― Vem. ― Se levantou puxando-o com zelo, tirando os dedos que puxavam a tira de couro do pescoço branquinho, segurando as duas mãos firmemente, o guiando.
E Jeongguk deixou apenas porque sentiu o cheirinho de morango, reconheceu o seu protetor.
― Está tudo bem Ggukie, aqui estamos somente nós. Eu, você e a noona, ― O mais velho adentrou o quarto de hóspede, o guiando até a cama ainda bagunçada. ― não conseguiu dormir não é? ― Deitou-o sobre o colchão, cobrindo o corpo trêmulo e sentindo uma nova onda de angústia notando os olhinhos negros marejados. Não queria ver o orelhudo daquele jeito. ― Pode descansar, ninguém vai te machucar, eu não vou deixar. ― Se ajoelhou ficando um pouco mais alto que a cama, observando o garoto coelho fechar os olhos vencido pelo cansaço.
Taehyung ficou ali o cuidando, até que no máximo cinco minutinhos depois, o pequeno abriu os olhos observando em volta até parar sobre em si.
O Kim sentia-se despedaçar por entender porquê aquilo acontecia. Porque o doce menino não conseguia descansar por estar com medo de ser machucado. Por viver rodeado de perigos nojentos como as pessoas que o faziam mal. Por ser assim o único jeito de sentir-se seguro, percebendo que estava sozinho.
― Ei, tá tudo bem, ― Sorriu murchinho recebendo um olhar assustado como resposta. ― não tem perigo aqui eu prometo, ― Tentou tocar as mãos trêmulas não escondidas pela coberta, suspirando triste quando o moreno puxou-as para debaixo do tecido grosso, fugindo de si. ― vai se sentir mais seguro se eu sair, não é? ― O silêncio foi a resposta que o acastanhado recebeu. ― Vou fechar a porta e me certificar de que ninguém ouse entrar, tudo bem? ― O coraçãozinho acelerado do coelho parecia que iria explodir. ― Tente descansar mais um pouquinho, vou estar guardando a porta. ― Jeongguk tornou a fechar os olhos opacos até sem perceber.
Se levantando, Tae aproveitou os minutinhos que o orelhudo iria cochilar e correu para a cozinha, alcançando o caderninho que abandonou em cima de algum balcão quando foi apresentar a casa para o garoto coelho, escrevendo rapidamente sua mensagem e tornando para o andar de cima, onde deixou-o no quarto.
Andando devagar pelo cômodo, percebeu o rosto apagado sobre o travesseiro macio, mas tinha certeza de que o pequeno Jeon havia acordado mais uma vez enquanto esteve no andar de baixo.
Não tinha certeza se aquilo que escreveu ajudaria, porém não deixaria de tentar.
Apoiando o pequeno caderno como um quadro de paisagem e aberto, como se conectasse as pontas de duas cartas e as mantivesse uma apoiada na outra, recuou seus passos sorrindo triste com a imagem inquieta na cama, saindo do quarto e fechando a porta.
Jeongguk abrindo os olhos novamente, conferiu outra vez sua segurança, era algo que a muito tempo não conseguia controlar.
Passando os olhos pelo quarto, parou na letra caprichada e bonita que sabia a quem pertencia. Aquilo era inesperado. O caderninho apoiando no criado-mudo em sua frente dizia palavras lindas:
"Vai ficar tudo bem, Ggukie!
Estou aqui, cuidando de você mesmo do lado de fora
Não vou deixar nenhum mal passar, prometo
Pode fechar seus olhos e dormir
Deixa comigo!"
Outro desenho de uma carinha estranha decorava o final da mensagem, e quase que instantaneamente sentindo o cheiro do seu protetor, fechou os olhos. Não entendia como ficava calminho consigo.
Mas admirava aquele belo homem e cada coisinha que ele fazia por si.
Em seu sono intranquilo, abriu os olhos mais algumas vezes, porém finalmente conseguiu descansar, pensando nas palavras tão singelas direcionadas a si naquele caderninho, principalmente o dono delas.
No andar de baixo, o empresário andava de um lado para o outro com o celular apoiado no ouvido, esperando calmamente chamar pelo número de um dos cartões que pegou na recepção do hospital.
― O que vai fazer, Tae? ― A mais velha sentou-se no sofá, também preocupada com o garoto coelho, enquanto, o quase filho realizava a ligação.
― O Ggukie precisa de ajuda noona ― Taehyung dava voltas pela sala judiando dos cabelos compridos, nervoso. ― vou tentar um horário com um ou uma psicóloga que esteja disposto a vir... ― Suspirou com a chamada caindo na caixa postal. ― é dessa ajuda que ele precisa agora. ― Falou enquanto discava o número do segundo cartão, esperançoso para ser atendido.
― Tem razão, querido. ― Noona concordou, com os pensamentos voltados para o garoto, que estava tão ansiosa para conhecer, sofrendo e precisando de amparo.
Sabia que seu menino era a ponte mais forte para isso.
O pequeno Jeon acordou duas horas depois, um pouco menos cansado e assustado, esticando o corpo eliminando a tensão. Se sentando, coçou os olhos despertando devidamente, logo erguendo o olhar para a porta com suas orelhinhas captando as vibrações dela se abrindo, revelando seu protetor com um sorriso nos lábios, com prato e copo cheio em mãos.
― Você acordou! ― O Kim exclamou feliz. ― Pra você ― Estendeu a porcelana com um pão quentinho e de cheiro maravilhoso, junto do copo preenchido de leite morninho para ajudá-lo a esperar até o almoço ficar pronto. O empresário soprou um riso, foram exatamente as palavras de sua noona. ― vai ajudar a recompor as energias.
― Obrigado, Tae. ― O coelhinho devorou o que para si era o café da manhã, sentindo-se satisfeito ao final lambendo o bigodinho de leite que criou em torno dos lábios, sua barriga agradecendo pelos alimentos.
― Não é nada, ― Calmamente, Taehyung sentou-se sobre o tapete ao lado da cama, aumentando o sorriso com o olhar curioso sobre si. ― Ggukie, você aceita conversar com uma pessoa? ― O coelho tombou a cabeça levemente, confuso. ― É uma profissional que quer te ajudar, vai conseguir fazer muitas coisas por si mesmo conversando com ela.
Jeongguk voltou a sentir o coração entalado na garganta, passando bons minutos em silêncio.
― Ela... é boa? ― Tae sorriu bobo com a pergunta.
― É sim, ela só vai te dizer coisas bonitas também, vai te ajudar a organizar tudo o que acontece aqui, ― Tocou com a polpa do indicador a própria testa, se referindo a mente. ― e então, não vai mais sentir medo.
O garoto coelho mordeu os lábios, em seguida, tentando melhorar no sorriso abrindo um bem pequenininho, mas que já era algo grande para o homem de coração acelerado em sua frente.
― Eu aceito conversar com ela, Tae. ― Apesar de inseguro quanto a isso, confiava no belo homem atrapalhado que lhe acolheu.
― Isso é ótimo, Ggukie! ― Taehyung se levantou sorrindo animado, e Jeongguk gostou de assistir aquela cena. Era um sentimento estranho e bom. ― Eu vou entrar em contato e daqui a pouco ela vai chegar aqui. ― O moreno assentiu, ficando um pouquinho nervoso.
― Você vai ficar comigo? ― A pergunta pegou Tae de surpresa.
― Infelizmente eu não posso Ggukie, ― A mão grande pousou sobre os cabelos negros com carinho. ― mas vou esperar por você, tudo bem? ― Jeon concordou devagar.
Cerca de meia hora depois a híbrido de panda chegou na mansão Kim, trocando breves palavras com o acastanhado enquanto recebia o olhar curioso e atento do híbrido de coelho se movendo de segundo em segundo mais para trás do humano.
Jeongguk analisava cada característica da mulher alta, as orelhinhas sobre sua cabeça pequenas e negras contrastando com o cabelo curto, seu rabinho era pequeno da mesma cor, ela usava um óculos grande e redondo que a deixava como se estivesse transformada em sua urso panda, e sua aura, tanto a humana quanto híbrida, o fizeram confiar automaticamente.
Ela soltava feromônios de bambu, doces, que o inebriaram deixando calminho.
Então ela era a tal psicóloga.
― Vou deixar vocês sozinhos para conversarem mais a vontade. ― O Kim anunciou soltando a mãozinha gelada, soprando um riso com os olhos arregalados o encarando. Levantando a mão devagar, tocou novamente os cabelos negros os acariciando com um sorriso calmo no rosto, subindo as escadas em seguida.
E o pequeno híbrido ficou para trás, pensando e nomeando aquele carinho como quando o humano quer dizer que vai ficar tudo bem. Seu coração se acalmou.
― Então ― Voltou-se para a mulher alta. ― eu me chamo Hyubi, muito prazer conhecer você, como se chama? ― A psicóloga continuou sorrindo, esperando pacientemente pela resposta do adorável coelho.
― Eu sou Jeon Jeongguk... muito prazer. ― Sua fala saiu baixinha.
― E quantos anos você tem? ― O tom de voz da panda era calminho.
― Vinte ― Respondeu a olhando. ― como você vai me ajudar a organizar aqui? ― Apontou para a cabeça.
― Nós vamos conversar.
― Sobre o que?
― O que você quiser. ― A mesma sorriu o observando tombar a cabeça para o lado levemente.
― O que machuca também? ― Perguntou receoso, não queria falar sobre o que machucava.
Alarmado, recuou com a aproximação da híbrido.
― Você acha que eu vou te machucar? ― Ela perguntou ainda calma, tocando suas mãos devagar sentando-o no sofá, e para deixá-lo mais confortável, sentou-se no do outro lado do cômodo.
― Tem mulheres más... ― Arrepiou-se com a sensação ruim, com o escuro de sua mente lhe mostrando algumas imagens.
― Isso é verdade, mas hoje não precisamos falar sobre.
― Não? ― A psicóloga negou, ainda com o sorriso bonito na face.
― Hoje vamos nos conhecer, conversar sobre o que gostamos e não gostamos, vamos ser amigos.
― Amigos... ― Repetiu, repuxando os lábios.
― Sim, assim como é amigo daquele humano. ― O rosto do menor esquentou. Afinal, eles eram amigos?
Não conseguia encontrar a resposta.
― E amigos são próximos como vocês, conversam, compartilham as coisas um com o outro. ― Lembrava-se que sua vovó tinha lhe ensinado sobre isso.
Gostava da ideia de ter o belo homem como seu amigo.
― Certo. ― Arrancou um sorriso ainda maior da mulher.
Ambos passaram um pouco mais de uma hora conversando, se conhecendo e os feromônios doces ajudaram muito o moreno a se soltar, sentia-se seguro com eles cobrindo seu corpo. Quando a panda anunciou que tinham feito um grande progresso e deveria ir embora, Jeon não impediu suas orelhinhas de baixarem, mas foi por um breve momento, pois logo soube que conversariam outra vez dali alguns dias.
Não entendia qual era a sensação boa que a híbrido lhe trouxe conversando consigo, mas depois de agradecer a ela, sabia a quem mais deveria agradecer.
Lembrando-se do que o homem tinha falado antes de ir dormir na noite anterior, esperou a psicóloga fechar a porta da frente e então subiu as escadas parando na porta branca do quarto do mais velho.
Um pouco tímido, deu três batidinhas, abrindo um sorrisinho maior por vê-lo abrir quase que no mesmo segundo.
― Ggukie, como foi a conversa? ― O híbrido ouviu a barriga do humano fazer barulho, com fome.
― Foi boa, ― Respondeu passando a acompanhá-lo pelo corredor, retornando ao andar de baixo, dirigindo-se para a cozinha ao lado do mais alto. ― Tae ― Encarou os olhos cor de mel. ― obrigado. ― Soltou seu melhor sorriso até o momento.
― Não precisa me agradecer, eu quero ajudar. ― E novamente a mão leve acariciou seus cabelos.
E o sorriso quadrado que veio depois, fez seus olhinhos ficarem presos no seu protetor.
― A sua barriga tá fazendo barulho.
As bochechas de Taehyung coraram fortemente.
― A-Ah, ― Riu nervoso bagunçando os cabelos. ― é que... q-que ― Os olhos negros esperavam atenciosos sua resposta. ― vamos almoçar!
Anunciou retirando as tampas das panelas, ciente da mensagem de sua noona avisando que ficaria no quarto mais um dia, no seguinte, se aproximaria do coelhinho, devagar.
― Tae,
O acastanhado abriu um enorme sorriso os servindo, sendo a segunda vez que era chamado e o moreninho que iniciava a conversa.
― Sim?
― as conversas com a psicóloga, tem que pagar não é?
Ggukie perguntou receoso, não queria incomodar o humano que o acolheu.
― N-Não ― Tae colocou o prato recheado na frente do garoto coelho. ― não se preocupe. ― Enfiou uma generosa colherada do seu na boca, tentando encerrar aquela conversa.
Quase engasgando-se com o riso encantado que quis escapar com os olhinhos estreitos em sua direção, desconfiados de si.
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Notas Finais
E então?? O que acharam dessa nova parte na estória??
Não é tão fácil como nós queríamos :'''' mas nosso coelhinho está tentando e logo-logo Tete vai poder virar um grudinho hehe
Eu reorganizei os primeiros capítulos pensando em como apresentar cem por cento deles para vocês, mostrar a vida de cada um e como foi o choque das duas se encontrando
Mas para frente, o amor que vai nascer entre eles é um elo que me deixa muito apaixonada escrevendo, e queria que se lembrassem do começo para eles chegarem em algo tão profundo juntinhos, do Ggukie superar tudo o que machucava, com a força e tudo o que o Tete oferece para ele
Deixar claro que nem sempre será fácil, mas o amor tá aí para dar força e ajudá-los a passar pelas coisas ruins que acontecem
Mas enfim, espero que tenham gostado e que também tenham a mesma vontade que eu de por todo mundo num potinho kkk :'
Até a próxima att, anjinhos! Se cuidem! <3
Bom diatardenoite! <3
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