03: Uma Pontinha de Esperança
Notas Iniciais
Olá meus amores! Como vocês estão?
Eu tinha montado um calendário de atts bem lindo, mas fui parar no hospital de novo com pedra no rim, mas eu juro gente, eu bebo muita água, de verdade.
Falando nisso, bebam água por favor!
Estou atrasadinha de novo dkjfd mas agora voltamos a programação normal hihi
E me perdoem por hoje mais cedo kkk é o efeito dos antibióticos :'
Boa leitura!
───────•••───────
"Cada passo que eu dou e cada movimento que eu faço parece perdido, sem direção. Mas eu tenho que continuar tentando, tenho que manter minha cabeça erguida. As lutas que estou enfrentando e os riscos que estou tomando às vezes podem me derrubar, mas não, eu não vou quebrar."
The Climb - Miley Cyrus
ᘔ|
Jeongguk tentou se mexer. Acordou sem saber onde estava, mas seu corpo continuou dormindo profundamente.
Sentiu todas as lágrimas de medo que escorreram apesar dos olhos forçados a permanecer fechados e cada espasmo de seu corpo doente durante todo o caminho estranho.
A primeira coisa que sentiu quando voltou a recobrar os sentidos foi um cheiro doce e suave. Braços quentes. Um par de presas enormes.
— Olá, garoto. — Ainda que recepcionado em um tom baixo, a voz daquele híbrido o atingiu como um grito ensurdecedor. — Eu quero cuidar de você, vai melhorar rapidinho, mas preciso fazer alguns exames antes, tudo bem? — Sem voz ou força para responder, apenas relaxou o corpo sobre o lugar macio que ficou acomodado.
Porém, com o passar dos tais exames tudo começou a se revirar dentro de si, como se tivesse dado várias voltas ao redor do próprio corpo.
Em reflexo virou para a lateral. Precisava vomitar o que estava preso em sua garganta.
— Vamos desafivelar essa coleira no pescoço dele. — A voz de antes ordenou.
Quando sentiu alguns pares de mãos tocando seu corpo o forçando a voltar a deitar, desespero tomou conta junto do medo que sentia há muito tempo e que o fez começar a se debater, impedindo aquelas mãos de chegarem até seu pescoço, tentando se livrar delas sem obter sucesso.
— Calma! — O híbrido apertou sua mão suavemente. — Eles só querem te ajudar. — Negou inconsciente. — Deixem ele respirar. — Após aquela nova ordem, as mãos se afastaram, mas o corpo menor continuou rígido.
Alguns segundos caíram em completo silêncio, até a mão suave pousar debaixo de seu pescoço dando apoio para sua cabeça, em seguida ele apoiou algo em seus lábios. Um comprimido.
— Esse remedinho aqui vai te ajudar, tome ele por favor.
Não queria. Sempre foi obrigado a tomar vários por dia, que causavam dor e o destruíram de dentro para fora.
Sem conseguir relutar, soltou um soluço magoado enquanto as lágrimas voltavam a escorrer e engoliu aquele comprimido. Pouco tempo depois voltou a ficar no escuro e não sentiu nada do que voltaram a fazer consigo.
O garoto coelho não soube por quanto tempo ficou adormecido, mas percebeu primeiramente a mudança de ambiente e das vozes estranhas. Não estava sentindo dor e nem vontade de vomitar. Seu corpo relaxou ainda mais.
"— Quero ver alguém tentar fazer mal a esse menino de novo, eu chego direto na voadora primeiro."
Uma das vozes era macia e feminina dizendo aquelas palavras que para si eram novas. Ela colocou mais uma coberta sobre seu corpo e se afastou junto de outra voz afirmando que estava livre.
Já ouviu aquele tom rouco antes.
Quando eles pareceram se afastar, ainda que dormindo, teve a certeza de que alguém o ouviu pedir por ajuda e o salvou.
Seu rabinho pomposo e branco se agitou levemente sob os cobertores. Naquele momento ganhou um pouco de esperança.
ᘔ|
Entretanto, nem tudo saiu como esperava. Jeongguk estava em uma casa estranha e bonita, com um humano estranho e bonito.
Quando o coelho branco assumiu sua forma, passou a tremer e olhar ao redor gigante com atenção. Era perigoso se transformar e há muito tempo conseguia controlar sua forma humana. Aquilo tinha acontecido de repente com a aproximação do homem com cheirinho de morango.
Não deveria ter deixado. Ser pequeno machucava e era mais fácil ser pego para isso.
— G-Garoto-coelho-garoto! — O homem se atrapalhou com os próprios pés e o coelho passou a procurar por um bom esconderijo.
Tae andou em volta do sofá, se assustando mais que o próprio híbrido que foi ligeiro em sair dali.
— Não, amiguinho! Espere!
Continuou o seguindo, assistindo a bolinha branca parar embaixo da mesinha de centro. Respirando fundo, o Kim deu passos vagarosos apoiando os joelhos no chão, em seguida, suspirou derrotado o observando sair dali com pulinhos rápidos, parecendo encontrar o esconderijo perfeito sob o raque logo em frente.
— Ei, — Apoiou as mãos no carpete também encostando a bochecha direita, enxergando o coelho o encarando fixamente com o corpinho pequeno tremelicando. — está tudo bem, me desculpe por ter tocado em você, — Ele se sentiu realmente mal por ter feito o híbrido ficar com medo de si. — queria que soltasse o prato para eu poder te servir mais da sopa da noona, — O garoto na forma de animalzinho não se moveu. — ela é uma senhora bem legal e já gosta muito de você, — A orelhas brancas forçadas a ficar abaixadas pela altura do móvel se moveram limitadas junto ao narizinho rosa, demonstrando que voltou a ficar curioso sobre a presença feminina na casa, ainda que prosseguisse com a maior parte tomada pela desconfiança. — não vamos machucá-lo eu prometo, — O coelho não acreditava mais naquela frase. — não vai sair daí? — Taehyung observava o movimento que a bolinha peluda fazia para respirar, desesperada ao inflar e murchar. — Tudo bem, pode ficar se quiser, — Se reergueu, engatinhando até encostar no sofá onde conseguia ver do narizinho rosa para baixo. Acharia fofo, se não fosse o culpado pelo coraçãozinho dele quase explodindo assustado.
Ficou bons minutos em silêncio e o coelho não moveu um músculo sequer, o fazendo começar a se preocupar.
— Sabe? — Começou um pouquinho mais alto, observando com fascínio as patinhas peludas rasparem pelo narizinho e orelhas compridas. Significava que estava começando a ficar calmo outra vez? — Se você sair daí, — Notou quando os movimentos do pequeno congelaram, as pequenas patas ainda próximas do nariz como se penteasse os bigodinhos. — vai poder comer mais, — Sorriu com a imagem dos dentinhos avantajados aparecendo brevemente e o estômago do pequeno o denunciando com um barulhinho. — depois vamos ter a sobremesa que a noona, a senhora legal que eu te contei, comprou no mercado, — As pontinhas das patas branquinhas despontaram do escuro embaixo do raque. — e ainda, a melhor parte, — A bolinha se atentou a voz do homem. — vai poder dormir em uma cama quentinha e só sua, seguro, — Seu coraçãozinho acelerou um pouco mais. — e não vai mais precisar ter medo. — Aquele timbre rouco era amigável, doce. Jeon começou a ceder.
E principalmente a se perguntar: quem era aquele homem?
O Kim ficou alguns segundos esperando com expectativa, porém, sua expressão murchou ao ver que não teria uma resposta do ser pequeno. Então começou a se questionar em um desespero interno todos os tipos de perguntas relacionadas ao garoto que no momento era um coelho, e todas elas terminaram em: e agora?!
Queria tentar compreender tudo o mais rápido possível, mas nunca em sua vida tinha visto um híbrido se transformar, e assim, automaticamente não conseguia responder a primeira pergunta de sua listinha mental, porque como se tivesse piscado apenas uma vez, o garoto já não estava mais em sua frente como um... garoto!
Foi algo extremamente rápido que não era compatível com olhos humanos, só podia ser!
Olhou para seu lado esquerdo, encontrando o pijama que havia comprado com pressa em uma das lojinhas da avenida, quase formando um biquinho inconsciente. As coisas não começaram bem entre si e o pequeno híbrido de coelho.
Entretanto, logo um click* surgiu em sua mente, talvez sua falta de respostas não seria completamente pelo medo do outro, mas se voltasse a ser humano em sua frente, estaria provavelmente nu, e assim não o deixaria confortável jamais.
Seus olhos se arregalaram, o que pensou fazendo total sentido.
— Ei... garoto-coelho, — Às pegou tornando a engatinhar, dessa vez aproximando-se do móvel abrigando o animalzinho. — eu vou deixar sua roupa aqui, se você quiser sair já vão estar pertinho para se vestir... — Não falou com completa certeza, mas ao abaixar o rosto na altura dos olhinhos negros, sorriu pequeno por não vê-lo se afastar, ou parecer mais assustado. — está bem? — Aquelas orbes continuaram a encará-lo, como se pudessem ver além de si, todo o seu interior, sua alma. — Acho que sim, — Recebeu uma curta e breve aproximada da bolinha, que farejou seu cheiro logo prensando o corpinho contra a parede novamente. — viu? Eu sou um cara legal. — Quis rir de si mesmo, mas estava orgulhoso demais para fazer isso.
Esticando a mão livre devagar (e também muito curioso), ainda que com os olhos maiores e negros conectados aos seus ariscos, quase tocou o rostinho branco peludinho, recolhendo-a com um resmungo alto de dor quando sentiu a força dos dentinhos mordendo-o.
— Aigoo — Choramingou. — tudo bem-tudo bem, — Se afastou massageando o dorso dolorido olhando para a perfeita marca da boquinha do coelho. — eu só queria ser seu amigo.
Mesmo que ele pensasse que o machucaria, levantou-se derrotado e muito frustrado deixando-o à vontade com o pijama ao lado, pegou o prato descansando sobre a mesinha de centro e caminhou até a abertura da porta que dava para a cozinha, iria preenchê-lo, o trazer quentinho de volta à sala e depois ir para seu quarto, pelo menos assim ele iria sair e comer.
Ao voltar o olhar para a sala, repuxou os lábios observando-o sair de seu esconderijo, passando o narizinho pelas peças de roupas parecendo se embolar ali, no entanto, franziu o cenho levemente quando viu-o morder os tecidos os arrastando para trás do sofá.
Seu coração errou as batidas, será que finalmente havia o convencido de que não faria-o mal? Não sabia, mas sorriu grande a caminho do fogão. Ainda não conseguia acreditar na capacidade de transformação do garoto, porém não deixou de se encantar e ficar cada vez mais curioso para saber sobre ele.
O ser branquinho sentia o coração querendo saltar pela garganta, no tempo que, levava as roupas para o único lugar ali que cobriria melhor sua nudez quando se transformasse em humano outra vez, repreendia a si mesmo por ter deixado seu lado coelhinho falar mais alto, qualquer sinal de alerta que deixasse de prestar atenção poderia machucá-lo, mesmo que não acreditasse que aquele homem pudesse ter essa capacidade.
Encolhendo-se contra o estofado, se concentrou e domou seu lado animal, voltando a ter o corpo de um homem, assim, num piscar de olhos,* envolvendo seu corpo com os braços inicialmente cobrindo o que conseguia de sua exposição, conferindo em volta que não havia chances de correr qualquer perigo e se vestiu rapidamente.
Dando a volta retornando ao carpete macio, se sentou pegando a colher que usou para comer, levantando o olhar para o cômodo bem iluminado logo a frente, de onde o cheiro de morango vinha com mais intensidade, procurando pela figura alta do homem.
Fingindo estar despretensioso, o acastanhado abriu o armário lateral conectado a pia na direção da porta, apenas para poder inventar a desculpa de que estava procurando por algo e não apenas interessado em ver o garoto coelho, enquanto, encarava-o de volta à humanidade sentado no centro da sala distraído. Sorriu negando, o mesmo havia formado um biquinho nos lábios segurando o talher, em uma denúncia inocente doce de que realmente queria comer mais.
E assim que seu olhar buscou sua pessoa novamente, arregalando-se por vê-lo diretamente em seu campo de visão, o chamou com o indicador, sorrindo demonstrando que estava tudo bem.
Ficou feliz por conquistar uma parcela minúscula da confiança do híbrido.
Assistiu o corpo menor ficar de pé devagar e andar até a entrada da cozinha, claro, não se aproximaria tão fácil assim, só porque sorriu e disse palavras amigáveis, realmente sendo sincero desejando sua amizade.
Para não deixá-lo mais desconfortável, continuou afastado, voltando vagarosamente a ficar em frente ao fogão sendo acompanhado de longe, observando o de fios negros ficar do outro lado da mesa.
O entendia, era um completo estranho para si ainda e se estivesse em seu lugar faria a mesma coisa.
Abrindo a tampa da panela, que automaticamente liberou o vapor da sopa ainda quentinha e cheirosa, Taehyung se esticou abrindo uma das gavetas ao lado e pegou um talher de concha limpo rapidamente o mergulhando ali, enchendo-o do caldo bom que atraiu totalmente os olhinhos negros. Encarou o ser desconfiadinho, aumentando o sorriso até sem perceber vendo os movimentos das orelhas felpudas novamente parecendo felizes. Preenchendo a porcelana buscando pela panela todas as rodelas de cenoura que enxergava, voltou-se para o outro a apoiando na mesa da cozinha, empurrando com cuidado para o centro.
Estava radiante, não precisaria sair, não parecia mais ser tão assustador assim no olhar escuro.
E uma alegria contagiosa surgiu gigantesca dentro de si mesmo, prestes a escapar de seu corpo, simplesmente por ver o serzinho moreno puxar o prato e se sentar ainda naquela ponta da mesa, no lado oposto do seu, erguendo a porcelana com delicadeza inalando o cheiro e até fechando os olhinhos, logo pondo-se a comer e separar o seu legume favorito. Era a coisa mais linda que já tinha visto na vida.
Sentou-se também, com movimentos calmos, ficando em silêncio no tempo em que ele comia, olhando em volta pensando em alguma forma mais sutil de comunicação, porém sentia-se o próprio caos por não saber o que fazer para conseguir conversar com o menino sem afastá-lo ainda mais, desconfiado. Não negaria que também não era muito bom com expressões e palavras mais quentinhas, tratava todos com um tipo de respeito até um pouco frio, mas porque não convivia com tantas pessoas assim, não se sentia livre.
Tentando afastar os pensamentos, focou no que poderia o ajudar e seus olhos encontraram então o caderninho de anotações de sua noona sobre o balcão, provavelmente a mesma devia ter o esquecido ali quando chegou do mercado e conferiu as compras.
Se levantou num movimento rápido e um pouco desesperado, encolhendo os ombros voltando o olhar preocupado para o coelho, por fim, suspirou aliviado, ele sequer tinha o dado atenção, o que no fundo fazia com que um biquinho quisesse se formar em seus lábios.
Ainda determinado, pegou o pequeno bloco, abrindo em uma página em branco e com a caneta que estava presa no espiral, escreveu a primeira coisa que pensou ser sutil para começar a conhecer o outro.
"Qual o seu nome?"
E o pequeno híbrido, desprendendo o olhar do prato já quase vazio em sua frente, acompanhou a mão grande (e que notou também ser quente quando tocou sobre a sua) arrastar o caderninho até próximo a si.
O pegando até sem perceber estar com as mãos melecadas com o caldo temperado, leu aquela pergunta logo erguendo os olhinhos para o humano adiante, não poderia estar se iludindo em um sonho com uma pessoa tão diferente e... boa. Sentiu isso emanando de seu cheiro.
Se questionava sobre o homem de cabelos castanhos e bonitos, os olhos da mesma cor brilhantes, lindos, a pele morena, bonita, os lábios pêssego cheinhos, bonitos. Ele era um homem muito bonito, inteiramente, por dentro e por fora. Reparando no sorriso, em forma de quadrado e lindo igualmente, não sentiu mais medo de estar perto dele.
E quando o humano ofereceu a caneta para que respondesse, viu naquele simples gesto, um cara legal,* como ele mesmo havia dito.
Taehyung perdeu até mesmo a fala e seu sorriso congelou, conseguia apenas sentir seu coração disparado, vendo o menor pegar a caneta e ler mais uma vez sua simples pergunta, mas que não parecia ser somente simples para ele, que repuxou o cantinhos dos lábios mostrando a si a sombra de um mínimo sorriso. Ficou uma bagunça de sentimentos.
Já o de fios negros, que gostava de ver coisas bonitas para tentar ter um pouco de cor, percebeu que não seria apenas um admirador da caligrafia impecável.
Sentiu algo bem pequenino nascer dentro de si, semeado por alguém diferente, aquele humano com gestos de cuidado.
Viu surgir dali uma pontinha de esperança, mesclando em meio ao cinza do ser destruído que era desde o seu interior.
───────•••───────
Notas Finais
E então? Hihi
Ainda vivos???
Talvez esse não seja o maior surto de fofura da fic, mas é uma nova característica do nosso coelhinho, que vai nos matar de amor em várias ocasiões novas aqui hehe
Haverá mais uma grande mudança no enredo que eu decidi acrescentar e que vai dar um empurrãozinho para as interações dos nossos Taekook, ela é delicada e aborda diretamente nosso coelhinho e o que ele passava, então tenham um pouquinho de paciência que ele ainda vai se manter muito distante do nosso Kim lindo. :'
Espero que tenham gostado e me perdoem os errinhos!
Até a próxima att, anjinhos!
Bom diatardenoite!
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top