O tempo passou ♡ Capítulo 75
Vida de pai, mãe, dormir tarde e acordar cedo nós sabíamos bem como era isso desde que descobrimos a Hannah. Porém sabíamos mais coisas como preços bons de fantasias, musicas infantis, remédios, e explicar que maquiagem era coisa que adulto. Aprendemos a ter paciência, a educar, explicar coisas inexplicáveis, dividir nosso tempo, nos organizar, viajar com dez malas, proteger todas das quinas e jamais esquecer o anticoncepcional.
Sim, os anos passaram para todos e nossa vida... Bom, ela mudou bastante.
Resumi cinco anos não é fácil e não tem como ser ao pé da letra, mas poderia tentar. Após o nascimento da nossa bebê dos cabelos dourados fomos para casa junto a todos os nossos amigos e passamos uma semana recebendo visitas, Hannah conheceu seu quarto e tentamos fazer ela dormir nele, mas precisávamos ver se ela estava respirando a cada cinco minutos.
Hannah foi o bebê mais dengoso e doce que já conheci, Emma a melhor mãe do mundo e eu o pai mais protetor que consegui. Ela transformou nossa vida deixando tudo girando ao seu redor, desistimos do berço e ela dormiu por um ano em nossa cama, Hannah aceitou chupeta e mamadeira, e não achamos ruim afinal sempre fomos pais que estudavam e hoje somos pais que trabalham.
Os meses passavam mais rápido do que imaginávamos e muitas coisas foram complicadas, Emma sofreu no começo da amamentação mas não desistiu e acumulamos muito sono até hoje. Mesmo minha sogra nos ajudando em tudo e meus avôs nos visitando todos os meses passamos por coisas apenas nós três, como a primeira febre, as vacinas, os dentes... a fase dos dentes foi bem pesada ela acordava mais de três vezes por noite e claro, as quedas quando começou a andar.
Como prometemos, nos reuníamos todos os feriados e Hannah cresceu junto aos gêmeos, ambos tinham diferença de meses e se davam muito bem. Alice sempre mandava presentes que envolviam sujeira, Joanne junto a Gustavo deram a primeira bicicleta e um parquinho para colocar no jardim.
Eu e Emma crescemos como casal, aprendemos a nos decifrar por o olhar e consegui amar mais a mulher ao meu lado, a mãe dedicada e a melhor estilista de noivas da cidade. Também a melhor decoradora de festas infantis, para sorte da nossa filha. Sempre prometíamos nunca desistir e realmente nunca desistimos.
Comemoramos todos os meses da Hannah e os aniversários, Joanne fazia lindos ensaios fotográficos, e sobre isso, elas duas criaram um lindo e forte vinculo. Hannah foi batizada pelas três melhores pessoas que haviam em nossas vidas. Gustavo, Alice e Joanne cumpriam os papeis de padrinhos com muito amor e mais presentes que o normal, confesso.
Hoje com vinte e quatro anos de idade, faz um ano que me formei junto a Emma. Conseguimos após muito esforço e dedicação, criar nossa filha e sair da faculdade com nossas melhores notas. Não foi fácil, Mary nos indicou uma babá chamada Lauren, ela era uma mulher de meia idade que começou a cuidar na nossa filha quando Emma precisou voltar para a faculdade e sempre fez isso muito bem.
Faz apenas um ano que nos formamos e como Alice nos fez prometer, a cada formatura fazíamos uma festa somente com os adultos e dava muito certo, conseguimos a brilhante dadiva de uma amizade ainda mais forte. Passávamos todos os feriados juntos e o Halloween era a melhor data, nos fantasiávamos junto e a casa do Nicholas Baker virava uma mansão assustadora. Era o feriado que Hannah mais gostava, pois perto dos seus padrinhos não havia limites com os doces, ela sempre chorava para ir embora e aquilo cortava meu coração.
Falar sobre nossa filha é fácil. Como Alice previu, Hannah herdou os cabelos loiros da mãe e da avó, cacheados como os meus, e os olhos verdes que nos representam tão bem. A genética foi imbatível. Seu olhar é puro, seu sorriso cativante, e, claro, falou "mamãe" primeiro. Aliás, Hannah é a criança mais falante e curiosa que conhecemos. Em poucos minutos, uma enxurrada de porquês e para que serve isso? faz todos pensarem que ela tem bem mais do que quatro anos.
Blair, a avó mais coruja do mundo, sempre pegava Hannah nas sextas-feiras e a trazia de volta no domingo à noite, uma tradição que começou quando ela completou um ano. E, adivinhe só? Hannah sempre voltava cheia de dengos, energia e uma mochila carregada de doces. Blair costumava dizer que fazia por Hannah o que não conseguiu fazer por Emma no passado.
Hannah sempre foi um bebê doce e calmo, chorando apenas quando tinha dor, fome ou quando Emma brigava com ela por puxar seus cabelos ou jogar comida no chão. Criamos nossa filha da melhor forma que pudemos, mas nada preparou a gente para lidar com seu gênio forte quando ela queria algo que não podia ter. Um exemplo marcante foi quando nos mudamos do apartamento para uma casa...
Isso aconteceu quando ela tinha dois anos. Naquela época, já tínhamos um pouco mais de dinheiro sobrando — embora criar um filho sempre nos fizesse gastar tudo o que tínhamos e o que não tínhamos. Concordamos que nossa filha, com sua energia inesgotável e o hábito de bater nas paredes com a bicicleta, precisava de mais espaço para correr e brincar. E, claro, tinha outra razão: Hannah havia colocado na cabeça que queria um cachorro chamado Ted, igual à cenoura do seu desenho favorito.
Assim, nos mudamos para uma casa com jardim e adotamos um filhotinho branco com pintas pretas. Mas, como era de se esperar, Ted logo virou Vaca. Afinal, Hannah tinha sua própria lógica inegociável.
Aos três anos Hannah começou a frequentar a escola e Lauren cuidava dela até um de nós pega-la na escola, Emma chorou nas primeiras quatro semanas e sempre ameaçava ensinar nossa filha em casa, ela era o extrato de uma mãe apegada e grudenta. Mas conseguimos, Hannah entrou na escolinha colorida e sempre nos trazia um desenho que colávamos na parede do seu quarto. Ela amava desenhos, morangos e framboesas, ajudava a da banho em nosso filhote, chorava quando não podia vestir uma fantasia para brincar no jardim e agora aos quatro anos, ela falava muito.
Um pai sendo pai, não consigo passar muito tempo sem falar da nossa filha.
Nos saímos muito bem juntos, eu e Emma. Ela se formou com honras e fez muitas amizades boas por onde passou principalmente no ramo da moda, nossa relação era construída por dialogo e uma comida boa como pedido de desculpas caso precisasse. Quando Hannah nasceu, enfrentamos tudo junto e fazemos isso até hoje seja na ida ao mercado, em consultas médicas, colocar para dormir e em noites que são apenas nossas.
Os finais de semana são só nossos.
No período da faculdade, estudava de manhã e trabalhei algumas horas da noite em um bar, fazendo o que gostava, cantar. Depois de alguns anos da faculdade Emma começou a pensar em abrir seu ateliê e trabalhamos para isso, meses após sua formatura inauguramos junto um local pequeno onde ela colocaria em pratica todo seu talento.
No meu caso, em anos de faculdade fiz uma amizade muito boa com um menino chamado Jeremiah, ele também tinha o sonho da produção musical. Ele se tornou um amigo para todas as horas, fazíamos viagens juntos, como quando fomos a Los Angeles, mesmo a trabalho foi surreal.
Abrimos uma sociedade, e o padrasto da Emma se juntou a nós para ajudar. Nosso estúdio estava sendo montado aos poucos, com muito suor e dedicação. Para nossa felicidade, conseguimos firmar parceria com uma gravadora que reconheceu nosso talento. Em breve, lançaríamos um cantor pop incrível. Sentia-me completamente realizado. Apesar das adversidades do dia a dia e de uma vida cheia de lutas, sabia que éramos abençoados.
Nossa casa era confortável, e o amor que sentia por Emma só crescia. O que ela ainda não sabia, no entanto, era que em breve deixaria de ser apenas minha namorada. Emma já havia soltado várias indiretas sobre casamento, mas eu me fazia de desentendido. Queria que fosse uma surpresa inesquecível. Sobre separação? Isso nunca passou por nossas cabeças, mas é claro que brigávamos de vez em quando. Alguns desentendimentos eram feios, com direito a gritos e portas batendo. Afinal, ninguém é perfeito, especialmente quando nossos gênios são tão diferentes. Já tínhamos mais de cinco anos juntos, e aprendemos que precisávamos nos reinventar constantemente. Emma mudou em muitos aspectos, mas seu temperamento arisco continuava o mesmo. E tudo bem — foi exatamente assim que me apaixonei por ela.
Para comemorar nosso aniversário de namoro, planejamos uma viagem. Hannah ficou com Alice, que sempre dava um jeitinho de convencer nossa filha a nos pedir que ficasse com ela. Era a nossa semana de descanso, algo que precisávamos muito diante da rotina pesada.
Estávamos no meio do ano, em pleno verão, e como de costume, nos preparávamos para viajar para nossa cidade natal durante as férias. Mas, dessa vez, algo muito especial estava planejado. Mais especial até do que a viagem à Disney, quando todas as famílias se uniram para uma aventura inesquecível. Naquele aniversário de quatro anos da Hannah, lotamos o jatinho dos Baker e o barulho e as risadas durante o voo foram memoráveis.
Agora, estávamos prontos para mais um marco na nossa história. Sabíamos que os momentos em família eram os melhores e mais felizes, e mal podíamos esperar pelo que estava por vir.
– MAMÃE CHEGOU, CRIANÇAS! – Emma anunciou ao abrir a porta, e nosso cachorro literalmente voou nela. – Calma, senhor Vaca, como vou passar assim?
Emma entrou sorridente, segurando vários sacos de papel e eu sorri ao vê-la.
– Mamãe, meu papai não é criança, e eu sou uma rainha. – Hannah corrigiu com um tom sério, fazendo Emma rir. – Olhe meu vestido!
Emma abaixou-se para admirar o vestido da filha, feito por ela mesma.
– Perdoe-me, rainha. Vocês dois com essas coroas estão lindos.... – Emma disse, com um sorriso brincalhão, me mandando uma piscada. – A mamãe estava morrendo de saudade de você, minha rainha. Como vou conseguir trabalhar assim? –Ela beijou Hannah, varias vezes.
Sim, estávamos usando coroas pois segundo Hannah, ela era a rainha e eu, o rei. Cheguei mais cedo do trabalho, e passamos a tarde brincando de chá real. Emma, que às vezes chegava mais tarde por conta dos casamentos que organizava, sabia que a filha entendia essas ausências, mas sempre compensava com carinho.
– Sinta saudade de mim também, obrigado. – Brinquei, e ela mandou um beijo no ar. – Você está linda hoje, tenho medo de algum noivo desistir de casar, porque se apaixonou por você.
Emma arregalou os olhos em minha direção e negou.
– Obrigada, querido. E sinto sua falta também, mas nenhum noivo vai desistir de nada, fique tranquilo! – Ela respondeu com um sorriso. – Dei folga para as meninas hoje, então ficarei em casa à tarde, afinal temos coisas para arrumar, viajamos amanhã. Trouxe nossas roupas e, por favor, vamos tentar não amassá-las? – Emma continuou, erguendo cabides com roupas cuidadosamente penduradas. – Ah, paguei a fatura do cartão, a conta dos celulares, e aproveitei para comprar frutas no caminho. – Finalizou, amarrando seus cabelos longos em um coque prático.
Emma era incansável e adorava resolver tudo sozinha e para nossa ocasião especial, Emma havia desenhado quase todas as roupas da festa durante meses, seus desenhos acabaram chamando atenção na nossa cidade natal, o que a fez ganhar muitos novos clientes.
Deitado no sofá ao lado da Hannah, assistíamos a um filme da Barbie, enquanto Emma colocava as frutas na geladeira.
– Papai, posso levar o Vaca? – Hannah perguntou de repente, e Emma negou da cozinha. – Vai chover mamãe, e ficar frio.
Hannah olhou pelo vidro da janela para o jardim e percebeu que, na verdade, o céu estava limpo, sem sinal de chuva.
– Amor, não podemos levar o cachorro, ele vai ficar no hotelzinho. O carro já vai cheio e lá não teremos tempo de cuidar dele! – Emma se aproximou e sentou ao lado da filha.
– Sua mãe tem razão, mas não se preocupe. Você vai ver a tia Alice, o tio Gustavo e a tia Anne. – Sorri, tentando animá-la, enquanto os olhos verdes de Hannah me encaravam. Emma também sorriu. – E verá o Blake e a Lizzie.
Hannah cruzou os braços e, emburrada, voltou a olhar para a televisão. Emma, com sua habitual paciência, pegou alguns morangos e os ofereceu no pratinho rosa preferido da filha, como em um passe de mágica, Hannah pegou o prato e começou a comer. Truques que só pais e mães dominam tão bem.
– O Blake é chato e chora. – Hannah resmungou baixinho, enquanto eu olhava para Emma, que apenas suspirou e bateu na testa, tentando segurar o riso.
Hannah tinha uma opinião forte e uma memória impressionante. Blake, por outro lado, era conhecido por sua energia ilimitada e por transformar a casa dos Clark em um caos. Ele corria pela casa com as bonecas das meninas, escondendo-as nas moitas, o que as levava lágrimas.
– Lembra que não pode chamar seu primo assim? – falei, enquanto ela me olhava. – Ele pode ficar triste, e não queremos isso. Ele é um ótimo menino que gosta muito de você, queridinha.
Hannah balançou a cabeça, sem muito entusiasmo, mas Emma não deixou passar.
– Hannah, se for mal-educada com seu primo, ficará no cantinho do pensamento. E você sabe que não estou brincando, não pode exclui-lo. – A voz de Emma era séria, e Hannah imediatamente revirou os olhos.
Nós éramos bem rígidos quando se tratava de respeito ao próximo, por ser filha e neta única, Hannah às vezes, recebia mais mimos do que o necessário, e Emma sempre fazia questão de corrigi-la quando ela fazia birra ou se comportava mal. Emma costumava dizer que a forma como seu pai a criou, cedendo a tudo sempre que ela ficava com raiva, acabou prejudicando seu caráter durante a adolescência e não queríamos repetir esse erro com nossa filha.
– Ouça o papai e a mamãe... Seu primo gosta muito de você. – Acrescentei, cutucando de leve sua perna.
Hannah me lançou um olhar sério antes de cruzar os braços novamente.
– Vossa alteza – brinquei, ajustando a coroa em sua cabeça – ninguém da realeza pode ser mal-educado, isso seria inadmissível no palácio.
Um leve sorriso surgiu no canto da boca dela, mas ela rapidamente escondeu. Emma olhou para mim e revirou os olhos, segurando o riso, enquanto pegava o pratinho vazio de Hannah para colocar mais morangos.
Hannah sorriu, por fim cedendo. Eu era um pai bobo, e Emma sempre dava as ordens.
– Coma seus morangos e depois vamos arrumar a mala dos brinquedos após o banho – Emma sussurrou, enquanto Hannah concordava com um leve aceno. – Faremos uma mala especial e você poderá levar as massinhas brilhantes para mostrar à Lizzie.
– Está bem, mamãe... e senhor rei. – Hannah olhou para mim com um ar travesso. – Mas ele só é um pouquinho maluquinho da cabeça, o papai falou.
Fiquei boquiaberto com o comentário, sem acreditar que aquilo tinha saído da boca dela. Emma, por sua vez, me lançou um olhar fulminante – aquele clássico "não diga essas coisas perto da nossa filha falante de quatro anos ou vai ser um desastre público".
– Hannah! – Reagi, tentando disfarçar minha surpresa. – O papai não falou assim! – Olhei para Emma com uma expressão de inocência forçada.
– Conversaremos mais tarde, senhor rei. – Emma respondeu, me fitando com seus olhos verdes
Hannah deu de ombros, mordendo outro morango, completamente alheia à confusão que acabara de causar. Eu, por outro lado, sabia que teria que ouvir sobre isso mais tarde.
– Vamos arrumar logo a bolsa dos brinquedos, e precisa se despedir da Lau... – falei, enquanto Hannah enfiava um morango na minha boca, rindo. – Está muito bom mesmo, filha. – Mastiguei a fruta azeda com esforço, sorrindo para não desanimá-la.
Emma observava a cena com um sorriso nos lábios. Nós dois já estávamos acostumados a ser "intimados" por Hannah a provar tudo o que ela comia. Claro que aceitávamos, não só para incentivá-la, mas também porque era impossível dizer não àquela carinha determinada.
– Banho hoje com o papai, separe dos brinquedos para o banho! – Emma decretou, levantando-se. Hannah saltou do sofá, animada, já correndo para buscar seus brinquedos.
– Sim, mamãe! – respondeu Hannah com firmeza, puxando minha perna com toda a força. – O pato precisa ir também, senhor rei.
Ah, o famoso pato de borracha. Surrado e descascado pelo tempo, mas absolutamente indispensável para qualquer momento especial. Suspirei, sabendo que aquele banho seria tanto para a pequena quanto para o brinquedo favorito dela.
– Certo, senhorita – disse, erguendo-a no colo e seguindo para o banheiro. – Mas o pato não pode reclamar se usar shampoo, hein?
Observei minhas meninas andando juntas rumo ao banheiro e sempre admirava o quão Hannah era a cópia fiel de Emma, segundo as pessoas a mesma tinha apenas minhas bochechas grandes, só que eram rosadas. Elas andavam juntas de mãos dadas pela rua, usavam roupas juntas e galochas coloridas em dias chuvosos.
– Alex, pode colocá-la para dormir também? – Emma pediu, e eu sorri, assentindo. – Preciso arrumar nossas coisas.
Levei Hannah para o banheiro, onde a banheira já estava repleta de brinquedos. Com a animação de sempre, ela começou a retirar um por um, como se fosse um grande evento. Aquilo era a parte favorita dela no ritual do banho.
– Posso sim, descanse por agora – disse, abraçando Emma, que retribuiu o gesto. – A Hannah acordou cedo e, se tudo der certo, dormirá cedo também... – Emma me deu um beijo e, claro, eu retribuí com igual intensidade.
Ainda éramos como fios desencapados, como costumávamos dizer. Bastava um toque e tudo acendia entre nós. Por isso, Emma optou por continuar usando anticoncepcional. Afinal, apesar de amar ser pais, outro filho naquele momento talvez fosse precipitado.
– Meu moreno sexy – ela murmurou com um sorriso malicioso – precisamos ter uma longa conversa sobre isso. Uma conversa íntima e... muito interessante.
Emma piscou para mim e, ao olhar de relance para Hannah, vi que ela já havia retirado todos os brinquedos da banheira, pronta para mais diversão.
– Estava pensando... que poderíamos passar uma noite romântica no lago, tomar uma bebida cara e quente... – Emma sugeriu, encostando sua cabeça no meu ombro.
– Vamos ao lago sim, não se preocupe – respondi, deslizando os dedos pelos seus cabelos, fazendo-a suspirar. –E no final da noite...
A encarei e ela sorriu, mordendo o lábio, logo se afastando.
O lago da nossa cidade natal sempre foi um lugar especial para nós, era nostálgico e cheio de boas lembranças. Cada vez que visitávamos, parecia que o tempo parava, e nossas memórias se renovavam. Na verdade, toda a cidade tinha esse efeito em nós. Eu sabia que, sempre que Emma passava por sua antiga casa, não conseguia evitar deixar escapar algumas lágrimas.
Ela não tinha contato com o pai, porém, quando Hannah tinha poucos meses fomos ao seu hospital e ele atendeu a neta por ser o único na emergência. O medico pediu desculpas a Emma e chorou ao ver Hannah que ainda era um bebê, de fato ele cuidou da neta por algumas horas quando a mesma queimava em febre e Emma o desculpou. Mesmo sem Hannah entender os motivos ou ter contato, mostrávamos a ela sua família por fotos. Ela sabia que Flinn era seu avô, e meus pais eram avos estrelas.
Emma ela escolheu perdoar o pai para lavar sua alma porém não manteve nenhum tipo de contato, percebemos que guardar mágoa não a ajudava em nada. Estávamos bem, havíamos conseguido e Emma pediu que o mesmo seguisse sua vida bem e saudável. Era uma relação entre pai e filha na qual não podia me intrometer tanto assim, apenas respeitei os sentimentos da pessoa que amo e a apoiei como anos atrás.
– PAPAI, O PATO. – Hannah gritou, me assustando.
– Nem precisa de DNA pra confirmar, você é mesmo sobrinha da Alice! – murmurei, pegando o pato de borracha e o arremessando na banheira. – Vamos dar banho no pato o quanto antes... e em você também, senhorita. – Ela sorriu, e meu coração se encheu de amor.
Peguei a saboneteira, o shampoo e o pente, colocando tudo ao alcance. Pendurei sua toalha no ombro e me ajoelhei ao lado da banheira. Há cinco anos, desde que era um bebê, tínhamos o hábito de cantar a mesma música na hora do banho. Hoje, Hannah sabia a letra toda e cantava comigo, o que derretia meu coração.
Estávamos ensinando nossa filha a cuidar do próprio corpo e a economizar água. Tudo começou quando ela e Lizzie encheram a mini banheira da casa dos Clark de espuma até transbordar. O banheiro virou um mar de água e sabão que escorria pelas escadas. O senhor Clark precisou de horas para secar tudo. Embora as meninas não tenham entrado na banheira porque era alta, aquele incidente quase me fez ter um infarto.
Filhos têm esse poder de nos matar do coração várias vezes ao dia.
– Lava o pato, lava o urso e a ovelha também, vamos juntar a fazenda toda pra um banho quentinho, meu neném! – cantei enquanto ela dançava, sentada na banheira. – Lava o braço da Hannah e seu cabelinho também... – continuei, enquanto ela passava as mãos na cabeça, imitando o movimento.
A banheira com mais espuma do que agua a deixava feliz, passávamos muitos minutos lavando brinquedo por brinquedo.
– Senhor pato, senhor pato limpinho! – Ela cantou, afogando o pato na água. – Papai, ele está limpo? – Sorri e acenei com a cabeça, confirmando.
Eu a amava tanto que meu coração parecia quase explodir de tanto amor. Com certeza, era o maior amor do mundo. Ela me transformou, me ensinou que não há nada que eu não possa fazer por ela.
Passei shampoo na cabeça dela e, com o chuveirinho, a enxaguei, cuidando para não molhar suas orelhas. Hannah gostava do banho, mas apenas quando estava de bom humor. Depois de ser enrolada na toalha, subiu em um banquinho e ficou animada para escovar os dentes.
Não adiantou avisar que ela ainda ia jantar, porque se recusou a sair do banheiro sem escovar os dentes.
– Lavar o dente, pra lá lá lá e para cá cá cá! – Hannah cantou ao me ver colocar a pasta de dente na escova. – Eba eba eba! – Ela sorriu, pegando a escova com empolgação.
Ter um pai músico significava ter uma música para tudo, e segundo Emma, isso deixava as coisas mais divertidas.
– Não esqueça da língua! – Observei enquanto ela dançava na frente do espelho. – Que pessoinha mais linda eu fiz, que obra de arte! – Hannah sorriu e, não resistindo, tirei uma foto dela. – Vamos mandar para tia Anne!
Enviei a foto para Joanne, que respondeu quase imediatamente, com muitos corações e carinhas de choro. Ela sempre dizia que sentia falta de Hannah e com certeza, a sobrinha também sentia falta dela.
S2
Deitados no sofá, eu e Emma assistíamos à nossa série depois de uma deliciosa refeição tailandesa. Hannah dormia tranquilamente com a cabeça apoiada no colo de Emma e as pernas no meu, usando um pijama da Branca de Neve. Conversávamos e assistíamos à TV ao mesmo tempo, aproveitando os momentos que tínhamos de tempo livre, já que dormíamos tarde e acordávamos cedo.
– Não está triste porque minha aliança sumiu do banheiro? Tenho certeza de que deixei na pia, não sei o que fazer... – Emma lamentou, ainda preocupada com o desaparecimento da sua aliança na semana passada.
– Está tudo bem, quem sabe a gente não a encontre nos brinquedos da Hannah. Se não acharmos, podemos mandar fazer outra, igual àquela – sorri, tentando tranquilizá-la, e ela concordou.
Na realidade, ela não tinha perdido a aliança, mas ainda não era hora de contar. Emma mudou de assunto e começou a me contar todos os detalhes das produções dos últimos meses: o tempo que levou, a forma como fez cada peça e o quanto se dedicou para garantir que tudo saísse perfeito.
– A noiva gostou do vestido? – Perguntei, passando um doce para Emma.
– Ela amou, me ligou chorando e disse que foi por causa do nervosismo. Foram meses fazendo roupas para toda a família, fiz um bom trabalho mesmo, e esse foi um dos mais especiais. – Emma sorriu, tocando os cabelos de Hannah, ainda dormindo, enquanto a observava com carinho.
Hannah dormia tranquila e profundamente, com aquele sono pesado que às vezes eu também tinha. O clima da casa estava sereno e acolhedor, com o toque suave da noite chegando.
– Vai ser tudo lindo, esperei muito por esse momento. Não vejo a hora de chegarmos. – Falei, desligando a televisão, meu tom de voz calmo e cheio de expectativa. – Eu coloco ela na cama e vamos para a nossa rainha. – Me inclinei e beijei Emma, com carinho.
– Não fui coroada, só você. – Emma sussurrou, e eu concordei, sorrindo, sem palavras para expressar a felicidade que sentia.
Com muito cuidado, peguei Hannah no colo, certificando-me de não acordá-la. A levei até sua cama com um cuidado quase religioso, como todos os pais fazem, com tanto amor e atenção. Ao tirarmos o berço, Alice fez um novo desenho do quartinho, e logo a pequena já dormia em sua cama, abraçada a uma almofada de vaca que ela amava.
Arrumei a cama de Hannah, cobri suas perninhas e me certifiquei de que ela estava em um sono profundo. O abajur suave iluminava o quarto enquanto apagava a luz principal. Revisei as cortinas e fechei a porta do armário. Era sempre assim, um ritual quase sagrado todas as noites. Se não fosse eu, Emma fazia isso com a mesma dedicação.
Caminhei pelo corredor apagando as luzes e recolhendo os brinquedos do chão. Havia muitos, e a maioria fazia um barulho terrível quando pisado. Outro fato curioso da paternidade era o silêncio necessário quando a criança dorme, o silêncio se tornava quase uma regra não escrita, uma tranquilidade que tomava conta da casa enquanto a pequena descansava.
Entrei no nosso quarto e encarei Emma, ela estava tão relaxada, mas ao mesmo tempo, tão cheia de vida, e era impossível não admirar a mulher que ela se tornara. Mãe, estilista, parceira, cúmplice. Não podia deixar de pensar como tudo isso parecia perfeito agora, mesmo com os altos e baixos.
– Vai ficar me encarando? – Ela brincou, me tirando do devaneio. – Não vai me deixar ser a primeira a ouvir as músicas?
Caminhei até a cama e deitei ao lado dela, ela sempre foi a primeira a ouvir minhas composições e, sem dúvidas, a maior fã, como ela mesma dizia.
– Sim, irei. – Respondi, sorrindo para ela, feliz em poder dividir aquilo com ela novamente. – Como estava me vendo?
Ela tirou uma boneca da cama, logo me fazendo chegar mais perto.
– Nasce uma mãe, ganhamos sentidos de águia. Preciso estar com meus olhos apontados para muitos locais diferentes.
Ela se ajeitou e colocou as pernas sobre o meu corpo. Senti um calor confortável, um carinho silencioso, e ela largou o celular, me olhando com atenção. Seu toque no meu cabelo era suave, e eu não pude deixar de sorrir.
– Está cansado, amor? – Ela perguntou, tocando minha cabeça.
Nos abraçamos por baixo das cobertas, e ela me agarrou com a força de quem já me conhecia profundamente. Dormíamos juntos há anos, e, sinceramente, não sabia mais como dormir sem ela.
Beijei seu rosto e a vi fechar os olhos, dando-me uma sensação de paz.
– Cansaço mental, loira. – Sussurrei, e ela consentiu.
– Pronto para as férias de verão? – Ela perguntou, mudando de assunto, e o sorriso dela se estendeu ao lembrar de algo mais. – Às vezes sinto falta daquele seu quarto, tenho boas lembranças.
– Era pequeno e apertado, mas nos divertimos muito. – Eu sorri ao relembrar aqueles tempos simples. – Sempre que vamos para o lago e bebemos, sabia que podemos... – Sussurrei, prendendo o riso.
Aquelas idas ao lago tinham um significado especial para nós, um lugar onde a vida parecia ter começado, onde nossas decisões mudaram tudo. Onde a ideia de ter outro filho era sempre discutida, mas com uma mistura de cautela e desejo.
– Vamos pensar bem sobre isso, ela cobra um irmão todos os dias. – Emma me beijou e, com um toque delicado, arranhou minhas costas com suas unhas vermelhas. – Eu desenhei esse sutiã, o que achou?
Sua voz ao meu ouvido, cheia de malícia e carinho, me deixou sem palavras. Não importava quanto tempo passasse, Emma sempre soube como mexer comigo.
– Lindo, muito sexy. – Respondi, inclinando-me por cima dela. Ela sorriu de volta. – Já já estará nas passarelas de Milão, mas antes disso estará jogado em alguma parte desse quarto...
Ela sorriu com malicia, e a beijei.
– Alex, tem algo me cutucando. – Emma parou de me beijar e arregalou os olhos, me tirando do transe mais uma vez.
– Como é? – Perguntei, sem conseguir conter o sorriso, quando ela ergueu a varinha de brinquedo como se fosse lançar um feitiço.
Ela gargalhou e, com um brilho travesso nos olhos, bateu a varinha na minha cabeça. Mas eu já sabia, o feitiço já tinha sido lançado há muito tempo. E, honestamente, por mim, tudo bem. Eu estava completamente encantado.
– Amo tudo em você, pode ficar ao meu lado para sempre? – Sussurrei, tocando suavemente seu rosto. – Emma, consentiu com a cabeça, e eu sorri ainda mais. – Que bom, irei cobrar. – Beijei-a, sentindo uma onda de felicidade e amor invadir meu peito. – Que comecem as férias de verão, rainha.
Ela me olhou com um olhar carinhoso, e suas palavras chegaram a me tocar profundamente. Era como se cada momento juntos fosse uma bênção que ela não queria deixar escapar.
– Eu amo você, Alexander. Faz muito tempo... – Emma disse, puxando as cobertas sobre nós enquanto rolávamos na cama.
O conforto e a sensação de estar com ela me envolviam por completo. Como se, no fim das contas, todas as histórias que construímos, todos os nossos altos e baixos, tivessem sido feitos para nos levar até aquele momento. Em silêncio, deitados ali, eu soube que, não importa o que o futuro nos reservasse, esse amor seria o que sempre nos manteria juntos.
Quando eu era jovem, não conseguia pensar em como minha a vida daria certo com tantas perdas. Hoje, vejo como tudo se encaixou e deu certo após muita luta. Já não choro em datas como a morte dos meus pais, aprendi a transformar toda aquela dor e agonia em lembranças boas e amor. Hoje, mostro suas fotos a minha filha e explico quem eram seus avos e que são estrelas brilhantes no céu. Tenho uma pessoa ao meu lado que foi um presente, ela me completa e me deu o bem mais preciso da minha vida. Tenho amigos que traduzem bem a palavra amizade e estão conosco praticamente todos os meses, somos como sempre uma enorme família.
O silêncio reconfortante do quarto foi quebrado pelas finas batidas na porta, seguidas do ranger suave. Olhei para Emma e sorrimos. Não importava o quanto tentássemos, a nossa rotina de pais era inescapável, mas, de certa forma, adorávamos esses pequenos momentos.
– Mamãe... – A voz doce e fina de Hannah ecoou pela porta, e nossos corações se aqueceram. – Não quero dormir lá sozinha.
– Oi, amor, venha. – Emma sorriu calorosamente e afastou-se, criando espaço para nossa filha.
Eu bati suavemente na cama e, em um salto rápido, Hannah correu até nós, segurando uma almofada. Com a agilidade de sempre, ela me escalou, se aconchegando entre mim e Emma.
– Estamos aqui com você, feche os olhos. – Falei, alisando seus cabelos com carinho. – Não está sozinha, estamos aqui.
– O papai e a mamãe. – Hannah sussurrou, os olhos já fechados, e o sorriso nos meus lábios se fez ainda mais forte.
– Isso. – Respondi em uníssono com Emma.
Ela se aproximou de nossa filha, e, sem palavras, nos acomodamos todos juntos, formando um sanduíche de sono. Ali, nos aconchegando sob as cobertas, com o calor de nossos corpos, eu me sentia completo. Sentia que, com elas ao meu lado, tudo fazia sentido. Nada mais importava.
O amanhã nos levaria de volta à cidade de poucas ruas, onde uma parte do nosso coração ainda residia. O sol de verão nos aguardava, e com ele, momentos especiais e o gesto romântico que eu estava planejando. O futuro era cheio de promessas, e, com minha família ao meu lado, eu sabia que seria um verão e tanto.
S2
Aí, gente, sou completamente apaixonada pela família do Alex!
Como já mencionei, foi um resumo de como a vida deles se desenrolou ao longo dos anos, e já se passaram cinco. Personagens que, sem dúvida, conquistaram os corações de todos — inclusive o meu.
Espero que tenham se encantado com a Hannah, essa doce bebê que surgiu de uma noite aleatória, mas que trouxe tantas surpresas boas para todos nós.
♡
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top