Carinhos e aconchegos.
Acharam que eu tinha abandonado, né? Nunca! Se preparem para os alimentos diários novamente.
___________________________________________
O toque quente das mãos unidas quase conseguia disfarçar o frio que o vento gélido proporcionava.
Giselle e Ningning caminhavam pela praia, sentindo a areia molhada sob os pés descalços e aproveitando a luz da lua que parecia ainda mais bonita naquela noite. Uma brisa fria fez a ruiva agarrar-se ao braço da namorada, buscando um pouco mais de calor humano.
Aqueles dias na casa de praia estavam sendo perfeitos.
— Está com frio? — Giselle abafou uma risada. Achava adorável tudo o que a namorada fazia, mesmo que estivessem juntas há dois anos.
— Um pouco. — A ruiva disse baixo, de forma quase inaudível. — Eu gosto do cheiro do mar. É relaxante. — Ela permitiu-se fechar os olhos por alguns segundos e ouvir o barulho das ondas quebrando, era um som ambiente maravilhoso.
— Fico feliz que esteja gostando daqui. Sempre quis te trazer, mas infelizmente nunca tive a oportunidade. Até agora. — Giselle olhou para a namorada ainda de olhos fechados e sorriu sem mostrar os dentes.
O olhar da ruiva encontrou o seu logo em seguida e os lábios se desenharam em um sorriso terno.
— Você ainda me olha como se eu fosse derreter sem o seu amor. — Ningning riu baixo.
— E você vai?
— Talvez. — A chinesa brincou, parando de andar e puxando Giselle para um abraço. Ela adorava ter a altura perfeita para encaixar o rosto na curva do pescoço da mais alta. — Eu queria ficar aqui ‘pra sempre.
Ningning não sabia se estava falando sobre aquela praia ou sobre estar nos braços da amada. Talvez fossem as duas coisas.
Giselle riu nasalmente.
— Eu também queria, mas não esqueça que deixamos duas loucas sozinhas e ainda precisamos buscá-las.
Por um raro momento, a ruiva até esqueceu-se sobre o porquê de estarem ali e acabou acompanhando a namorada em uma risada baixa.
— Me pergunto se ainda estão vivas. — Ningning brincou, mas realmente temia o que iria encontrar ao voltar.
— Elas precisam estar, sou muito nova para ir presa. Ainda tenho uma vida pela frente e pretendo me casar com você, ter filhos... — A morena usou de um tom dramático e conseguiu aquecer o coração da mais baixa com as últimas palavras.
Ningning deixou um leve selar na pele alva do pescoço de Giselle.
— Parece que o nosso futuro em família depende daquelas duas.
— Definitivamente. — Giselle respondeu.
Os braços da mais baixa rodearam a cintura da namorada, sentindo o calor por baixo do casaco verde musgo que a mesma usava. Ningning encarou o olhar carinhoso da mesma, depositando um selar nos lábios cheinhos antes de voltar ao assunto.
— Eu estou com saudade. — A ruiva admitiu. Nunca antes ficou tanto tempo sem longe da melhor amiga.
— Odeio ter que admitir isso, mas eu também sinto falta daquela implicante. — Giselle referiu-se a Jimin.
Sofria muito com a melhor amiga a zoando quase o tempo todo, mas agora parecia estranho não a ter falando besteira pelos cantos.
— Só mais alguns dias... — A ruiva disse lembrando-se de quando voltariam.
— Menos de uma semana. — Giselle constatou.
Voltariam no final de semana e a morena esperava encontrar a casa no mesmo estado em que deixou ou teria sérios problemas com os pais. Aquela casa era como uma herança de família e mesmo que não acreditasse que aquelas duas fossem virar a mesma de cabeça para baixo, ainda existia a possibilidade.
Ou talvez estivesse apenas exagerando.
— Você acha que elas se acertaram? — Ningning indagou.
Giselle pensou por alguns segundos.
— Talvez. — Disse depois de imaginar as duas garotas se dando bem. — Mas não quero me apegar a isso, as chances de voltarmos lá e elas estarem convivendo cada uma em uma parte da casa para não esbarrarem uma na outra são grandes.
Ningning riu baixo. Adorava a forma exagerada que a namorada pensava as vezes.
Ao menos ela torcia para que fosse realmente um exagero.
— Elas vão ter que se falar de uma forma ou de outra, conhecendo bem a minha melhor amiga, ela não consegue ficar muito tempo sem conversar com alguém. — Ningning sabia que a loira era do tipo tagarela.
— Mesmo que esse alguém seja a Jimin? — Giselle não parecia muito crente sobre isso.
— Bom... Espero que sim, né? — A ruiva riu sem graça.
Giselle a achou fofa e levou uma das mãos até o cabelo ruivo da namorada, bagunçando um pouco os fios. Ningning detestava quando a mais alta fazia aquilo, então mostrou a língua para a namorada logo em seguida.
— Quando estávamos saindo de lá, acho que vi o carro da Rosé estacionado em frente à casa do outro lado do lago. — Giselle comentou.
— Rosé? — Ningning lembrava-se daquele nome, mas não soube de onde.
— Uma das amigas que fiz quando mais nova, comentei com você uma vez. — A ruiva então recordou-se sobre a namorada contar sobre suas idas a casa de campo. — Se ela realmente estiver lá, significa que as outras meninas também estão.
— E por que estamos falando sobre isso?
— A Lia, uma das irmãs da Rosé, sempre foi muito apegada a mim quando eu ainda era mais nova. Eu não duvido que ela bata na porta da casa assim que ver as luzes acesas e acabe dando de cara com as meninas. — Giselle riu imaginando se aquilo realmente aconteceu.
— Acha que ela faria aquelas duas conviverem? — Ningning perguntou ainda um pouco confusa.
— Talvez sim, as meninas da casa ao lado sempre gostaram muito de trilha e luau. Seria uma boa se elas as arrastassem para algo assim. Consegue imaginar? — A ruiva não conseguia, mas agora que parou para pensar torcia para que aquilo realmente acontecesse.
Giselle, as vezes, sentia falta de aproveitar as férias sem preocupações naquela casa de campo. Lembrava-se de todas as vezes que seu pais gritavam para a mesma não correr no deck ou quando ela e as vizinhas escalavam as tantas árvores que o lugar tinha, tudo para conseguir alguns frutos que sequer comiam.
— Gi... — Saiu de seus devaneios ao ouvir a voz da ruiva. Ningning havia voltado a posição anterior e afundava novamente o rosto em seu pescoço.
A mais alta apenas murmurou para que prosseguisse.
— Não foi nessa casa de campo que conheceu a sua ex-namorada? — Ningning prosseguiu, indagando de forma baixa. Sentia-se um pouco envergonhada por estar perguntando aquilo.
— A Chaewon? — A pergunta saiu de forma retórica. — Foi, mas por que a pergunta? — A morena indagou.
— Você acha que ela também está lá?
— Não sei... — Giselle ponderou. — Ela sempre aparecia por lá quando eu era mais nova, ela é prima das meninas então é muito comum que ela acabe passando uns dias ali.
Ningning murmurou algo que a morena não ouviu.
— Está incomodada com o fato de voltarmos e eu acabar encontrando a Chaewon? — Touché. Ningning permaneceu calada. — O namoro entre ela e eu durou apenas alguns meses, foi coisa de primeira paixão. Uma paixão de verão que não durou muito.
Ningning, ainda um pouco envergonhada, ergueu o olhar para encarar o olhar da namorada. Detestava demonstrar ciúmes, por mais bobos que fossem.
— Eu estou com você agora, certo? — As mãos da mais alta envolveram as bochechas cheias da ruiva. — Não precisa se preocupar com nada disso, eu prometo.
— Eu te amo. — Ningning falou baixo, sentindo o carinho do polegar da namorada.
— Eu também amo você. — Giselle selou os lábios da outra em um beijo carinhoso. — Você é boba, amor. — Brincou e viu um rubor preencher a pele quentinha da namorada.
[...]
— Yoo Jimin! — Minjeong esbravejou a pleno pulmões aquele nome pela primeira vez em algum tempo.
A loira dava voltas no sofá da sala enquanto perseguia a morena que estava com o controle remoto nas mãos e parecia disposta a correr uma maratona, afinal, Minjeong já sentia as pernas doerem na tentativa falha de alcançar a outra e pegar o maldito controle das mãos dela.
Tudo começou quando decidiram ver um filme e Jimin insistiu em colocar um de terror, mesmo sabendo que a loira odiava. Durante um ou dois minutos a morena tentou argumentar com a loira sobre assistir ao menos uma vez, mas aquilo não durou muito, logo o resultado foi uma Jimin fugindo com o objeto em mãos e uma Minjeong correndo atrás da mesma como se a sua vida dependesse disso.
— Você é muito sedentária, Jeongie. — Jimin riu, desistindo de fugir e jogando-se sobre o sofá.
O problema foi que Jimin parou de correr de repente, fazendo Minjeong não prever seu movimento e tropeçar no tapete da sala, caindo com todo o seu peso sobre o corpo da morena. Jimin grunhiu de dor com a cotovelada que levou na barriga e viu o olhar desesperado da loira sobre si.
— Ji, eu juro que não fiz por mal, foi sem querer! — O tom preocupado por parte da loira fez-se presente.
— Você quer me matar? — Jimin conseguiu rir em meio a dor que sentia.
— Por que está rindo, sua idiota? — Minjeong, ainda sobre a morena, deu um tapa em seu ombro.
— Por que está me batendo? Você acabou de me esmagar e ainda me bate? — A morena não poupou esforços para ser dramática.
Minjeong revirou os olhos com a atitude da morena, mas acabou não escondendo um sorriso no canto dos lábios. Notou o controle remoto solto sobre o sofá e o pegou disfarçadamente. Ela tinha ganhado, afinal.
Assim que percebeu a posição em que estava, tentou levantar, mas sentiu os braços da morena envolverem a sua cintura.
— Acho que vai ter que me dar um beijo para a dor passar. — Ouviu o tom manhoso sair pela boca da morena.
Oh céus, nem em seus melhores sonhos ela imaginou a garota pedindo algo daquela forma.
— Jimin... — Minjeong não conseguiu esconder que havia ficado sem graça. Não é como se fosse conseguir realmente, afinal, o rubor em suas bochechas a denunciava.
— Você fica linda assim. — Jimin comentou piorando a sua situação, mas para a sua sorte — ou azar — o aperto em sua cintura foi aliviado e logo ela estava livre novamente.
Minjeong se recompôs e encostou-se na outra ponta do sofá, aproveitando que estava com o controle remoto nas mãos e mudando para um programa qualquer que não fosse nada perto de um filme de terror.
— Ei, você roubou. — Jimin disse assim que viu o objeto nas mãos da loira. Sequer notou o momento em que a mesma havia tomado de si.
— Não roubei nada. — Minjeong mostrou a língua para a morena que apenas negou com a cabeça e arrumou a postura.
Um programa sobre casas passava na televisão e alguns minutos se passaram, a noite parecia um pouco mais fria do que o normal e a loira podia sentir um certo incômodo na ponta dos dedos — agora gelados.
Estava com preguiça de buscar um edredom. Jimin agora parecia concentrada naquele programa sobre reforma, ao menos tinha desistido sobre o filme, mas algo ainda incomodava a loira.
— Jimin. — Foi a sua vez de usar um tom manhoso, mas talvez ele tenha saído baixo demais, afinal, a morena não pareceu ouvir. — Ji...
Jimin finalmente saiu de seu devaneio e encarou o olhar da loira do outro lado do sofá. A morena adorava programas sobre reformas e quase sempre os assistia quando estava completamente entediada em casa.
— Desculpa, eu estava distraída. — Sorriu sem graça.
— Eu estou com frio. — Minjeong disse envergonhada, não sabia de onde tinha tirado tanta coragem para sugerir aquilo. — E você está tão longe.
Jimin demorou alguns segundos para processar a frase.
Um sorriso sincero foi desenhado nos lábios da morena, deixando as borboletas no estômago da loira voando completamente sem rumo.
— Você me negou um beijo. — A morena resolveu implicar, lembrando-se do ocorrido de minutos atrás.
— Eu não vou pedir duas vezes. — Minjeong mentiu. Ela pediria mil vezes se fosse necessário.
Mas aquilo pareceu fazer efeito, afinal, não demorou mais do que dois segundos para a morena engatinhar sobre o estofado e logo deitar o corpo sobre o seu, apoiando a cabeça em seu peito e envolvendo os braços ao redor de seu tronco. Minjeong torcia mentalmente para que a morena não conseguisse ouvir o ritmo descompassado das batidas do seu coração teimoso.
— Você pediria sim. — Jimin murmurou baixinho.
O cheiro do shampoo da morena adentrava as narinas da mais baixa, sua mão percorreu toda a extensão das costas da outra e pararam sobre os fios escuros, fazendo um cafuné lento.
Ao mesmo tempo em que sentia um calafrio e um certo nervosismo por ter Jimin em seus braços daquela forma, Minjeong também sentia o aconchego do corpo da morena e definitivamente aquela era a melhor sensação que já sentiu em toda a sua vida.
— Eu gosto do seu cheiro. — A loira deixou o comentário escapar de seus lábios.
— Também gosto do seu. — Sentiu o aperto em seu tronco aumentar, como se a morena quisesse garantir que ela não sairia dali.
Minjeong sorriu e mesmo que não pudesse ver o rosto da morena naquela posição, imaginou que ela também estivesse sorrindo.
Jimin voltou a focar no programa depois de alguns segundos de silêncio, mas o calor do corpo da outra não a fazia esquecer que vez ou outra sentia-se nervosa com o carinho que recebia nos cabelos.
— E eu gosto do seu beijo.
Talvez a coragem por ter se permitido tentar ainda estivesse presente na loira, pois não havia nenhuma outra explicação para aquilo.
Dessa vez a mais baixa conseguiu atrair facilmente atenção da morena, que não demorou em levantar o rosto para poder encarar os olhos castanhos da garota sob si. Sentiu o toque dos dedos da mesma descerem por seu rosto, levando-o de encontro ao dela aos poucos.
— Você quer me deixar viciada? — Jimin sussurrou.
— No meu beijo? — Minjeong perguntou encarando a íris escura da outra.
— Em você.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top