Capítulo 70.
Henry...
Passei a semana inteira tentando encontrar um momento para falar com Meg sobre o seu emprego e meu desejo de que ela permaneça trabalhando diretamente comigo, eu a conheço o suficiente para saber que essa não vai ser uma conversa fácil e muito menos que ela vai ser fácil de convencer, mas eu preciso tentar. Desde ontem que eu venho tentando falar com ela, mas sempre algo atrapalha mesmo na hora. Mas, estou decidido de hoje não passa, ouvi ela conversando com Grace sobre voltar para a emissora, preciso conversar sobre isso antes que seja tarde demais. Respirei fundo vendo-a sair do banheiro do seu quarto no seu apartamento e ir em direção ao closet.
- Meu anjo. – Falei vendo-a sair do closet vestindo uma camisola rendada que me fez lembrar do sonho com ela e uma criança que eu tive com ela algumas vezes antes do atentado. – Nós podemos conversar? – Ela me olhou com o cenho franzido.
- Sobre o que você quer conversar? – Ela perguntou fazendo um coque frouxo nos cabelos.
- É... Eu... Eu quero saber se você está gostando de trabalhar na editora. – Optei por começar por essa pergunta, pois caso ela não tivesse gostando o assunto acabaria ali.
- Na verdade, eu estou gostando sim. – Ela se sentou ao meu lado na cama olhando para o meu corpo coberto somente por uma calça de moletom e parando nos meus olhos. – Quando eu fui pra lá, achava que fosse um trabalho exaustivos e maçante, pelo nível de responsabilidade, mas, não, é muito bom, parece que tem sempre uma coisa nova acontecendo, um livro pra ler, um problema pra resolver. – Ela falou animada. – É instigante.
- Ótimo. – Falei com um sorriso. – E você tem tido tempo para escrever?
- Sim, eu tenho, na verdade tenho tido mais tempo para escrever agora do que na Emissora. – Ela fez uma pausa. – Bem, eu estava tendo né, por que agora a sua mãe e a Cerimonialista não tem me dado sossego. – Ri da expressão que ela fez. – Mas, por que essas perguntas? - Me olhou desconfiada.
- É que eu quero que você continue trabalhando comigo. – Falei de uma vez. – Não quero que você volte para a Emissora. – Lhe olhei nos olhos. – Você aceita a minha proposta de emprego?
- Henry, eu não posso aceitar. – Ela falou séria. – Olha eu aceitei assumir o cargo pra ajudar a sua mãe que estava sobrecarregada e aceitei apenas até você está recuperado.
- Mas, o que lhe impede de aceitar? – Peguei suas mãos. – Você me falou que está gostando do trabalho, por que não continuar?
- Olha primeiro eu não quero me aproveitar da nossa relação para conseguir uma promoção. – Ela levantou um dedo. – Segundo como eu vou trabalhar na editora que publica meus livros? Onde está a ética nisso? – Ela levantou um segundo dedo e depois abaixou a mão.
- Meu anjo, você não estaria se aproveitando da nossa relação para uma promoção, você jamais faria isso. – Falei calmamente. – Se alguém fosse se aproveitar seria eu, por que ter você a frente da editora comigo tem sido uma mão na roda pra mim, me deixou bem menos atarefado e colocou alguém qualificado no cargo. – Sorri e ela foi junto. – Quanto a ética envolvida na publicação dos seus livros pela editora que você trabalha, não se incomode com isso, afinal vários escritores tem suas próprias editoras, não é?
- Sim, mas é diferente.
- Diferente por que meu anjo? – Toquei seu rosto. – Olha em poucos meses nós estaremos casados e você vai ser a dona da editora também trabalhando lá ou não.
- Não, eu serei casada com o dono. – Ela disse teimosa.
- Meg, depois de assinamos os papéis, tudo que é meu ou seu será nosso. – Levei sua mão até a boca depositando um beijo no dorso.
- Henry...
- É a verdade Meg, quando eu disse que quero dividir a vida com você, constituir um futuro nosso eu me refiro a tudo. – Passei uma mão por seus cabelos colocando uma mecha que havia se soltado do coque atrás da orelha. – Eu te amo e quero ser seu parceiro na vida.
- Eu amo você. – Ela respirou fundo. – E quero tudo que você disse, mas isso não a algo que envolve somente nós dois.
- Elas sabem e estão de acordo. – Acrescentei antes que ela falasse mais alguma coisa. – Elas te adoram e você sabe disso, além do mais, estão vendo o ótimo trabalho que você bem exercendo. – Acrescentei sorrindo orgulhoso. – E elas sempre reclamaram comigo, me mandando delegar funções e não me sobrecarregar, não confio em mais ninguém para comandar a editora ao meu lado. - Falei com sinceridade.
Era a mais pura verdade, eu quero tudo e quero com ela, a minha ruiva, a minha mulher, vamos dividir a vida, ficaremos juntos até o fim, tudo será nosso, as decisões serão realizadas juntos, os problemas resolvidos juntos, vamos crescer juntos.
**
Meg...
- Tudo bem, eu aceito. – Falei depois de mais de meia hora de discussão. – Eu continuo trabalhando com você, mas continuo como vice diretora. – Falei irredutível.
- Tudo bem, obrigada. – Ele falou feliz me abraçando e enchendo meu rosto de beijos me fazendo rir. – Eu nem acredito que você aceitou. – Ele estava visivelmente contente, o que me fez rir. – Alguma chance que você mudar sua sala para o andar pra presidência?
- Não abusa em Green. – Falei batendo de leve em seu braço arrancando risos dele.
Eu ainda estou um pouco em dúvida quanto à minha decisão, não com o rumo que minha profissão está tomando, pois eu sempre quis trabalhar em uma editora, só não esperava estar a frente de uma, ser roteirista não era minha primeira opção. Minhas reticências eram quanto a trabalhar pra ele e sobre trabalhar no lugar onde eu vou publicar meus livros, também tenho medo de não funcionar trabalharmos juntos. Mas, ele tem razão, são medos bobos, eu vou entrar pra família, e estou fazendo isso em parte por que tenho visto como ele tem estado mais descansado ultimamente. “Em uma relação nós temos que ser o apoio um ao outro.”
- Vai ser tão bom ter você trabalhando comigo, por que eu vou ter minha mulher a poucos andares de mim e por que eu agora tenho alguém em quem confio completamente para compartilhar as obrigações. – Ele me olhou com carinho. – Eu sempre tive problema em delegar funções.
- E não tem esse problema comigo?
- Claro que não, você tem minha confiança. – Ouvir isso me deixou com lágrimas nos olhos. – Eu confio a você a minha vida.
- Você quer mesmo me ver chorar? – Falei rindo e chorando ao mesmo tempo.
- Só quero que saiba o quanto eu amo você. – Ele me abraçou apertado e eu coloquei a cabeça em seu ombro nu sentindo o conforto de sua pele fria e chorando lhe molhando.
- Eu amo você.
Antes que eu pudesse me recuperar por completo o interfone tocou. Henry deu um beijo em minha cabeça e se levantou da cama indo atender, me deixando sozinha imersa em pensamentos. Uma dúvida me atingiu “e se eu não for boa o suficiente? É uma função de muita responsabilidade, uma coisa é exercer o cargo por um mês ou dois, outra é assumir permanentemente essa função e se eu não der conta? E se eu fizer besteira?”
- Pode ir parando com as dúvidas, você é mais que capaz de fazer isso. – Levantei a cabeça vendo Henry encostado na soleira da porta com as mãos nos bolsos da calça de moletom.
- Como você sabe o que eu estou pensando? – Perguntei com as sobrancelhas erguidas.
- Por que eu te conheço Margareth Taylor. – Ele se aproximou ficando de joelhos ao meu lado. – Você é extraordinária, competente e preocupada, vai continuar exercendo o ótimo trabalho que vem fazendo até agora. – Ele beijou cada um dos meus joelhos.
- Tudo bem. – Respondi depois de um silêncio. – Eu cheguei até aqui, posso fazer isso.
- Assim que se fala meu anjo. – Ele se levantou e me estendeu uma mão. – Vamos comer?
Peguei sua mão estendida em minha direção e fomos para a cozinha, sobre a bancada estavam embalagens de comida chinesa, minha barriga roncou quando eu vi a comida. Fui até a geladeira pegando uma jarra com suco natural de laranja, por que nem só de vinho vive a mulher, peguei dois copos e levei pra mesa, ele veio atrás de mim com as embalagens de comida.
- Vocês já decidiram a cor do vestido da Carol? – Henry perguntou depois de um tempo comendo em silêncio alguns dias atrás meu apartamento tinha quase virado uma zona de por que Carol não queria vestir rosa e nem eu queria, não sou fã de rosa.
- Vai ser rosa mesmo. – Falei e ele rio. – Não tinha outra combinação que ficasse tão bonito, nem mesmo o coral. – Falei levando o copo aos lábios. – Nada ornava com o vermelho do vestido das madrinhas e o branco do meu.
- Entendo. – Ele falou ainda rindo.
- E você já decidiu entre o terno branco ou cinza?
- Vai ser branco. – Ele falou depois de engolir a comida em sua boca. – Acredita que minha mãe mandou buscar um alfaiate da Itália?
- Sim eu acredito. – Respondi sorrindo.
- Por falar em mãe já decidiu quando vamos para Manchester? – Ele insiste em irmos até minha cidade natal, para ele conhecer meu pai e o restante da família, então sabe como é “as coisas que eu faço por amor.”
- Que tal na outra semana por que aí os convites já estarão prontos e a gente aproveita e leva. – Falei com um suspiro e me lembrei de algo que eu tenho pra falar com ele.
- Ótimo. – Ele estendeu a mão sobe a mesa tocando a minha. – Vai ficar tudo bem.
- Vai sim, estarei com você. – Voltamos a comer. – Então, por falar nos convites. – Comecei depois um silêncio. – Tem uma coisa que eu quero falar sobre os convidados.
- Você quer convidar o Nathan. – Ele se adiantou.
- É. – Lhe olhei incerta. – Olha, ele se tornou um amigo, salvou a sua vida, gostaria de tê-lo nessa ocasião. – Falei com calma. – Mas, se isso for deixar você desconfortável, por causa do meu passado com ele eu entendo. – Eu realmente entendo, pois não sei como reagiria se a situação fosse ao contrário.
- Eu estaria mentido se dissesse que a presença do Nathan em nossas vidas não me incomoda nem um pouco. – Uma das coisas que fazem eu amar esse homem cada vez mais é a sua sinceridade. – Mas, ele salvou a minha vida, ele é importante pra você, embora eu odeie isso, não irá mudar, ele parece um homem bom, um cara legal, eu acho até que poderia me tornar amigo dele se não me lembrasse que suas mãos passeavam pelo seu corpo cada vez que olho pra ele. – Eu não contive um riso quando ele falou isso.
- Henry, Isso foi a muito tempo, é passado, hoje em dia não significa mais nada. – Me apressei em falar. – Pra nenhum de nós.
- Eu sei meu anjo, eu sei. – Ele tocou uma mão em minha bochecha. – E é por isso que está tudo bem em convida-lo para o nosso casamento.
- Tem certeza? Não quero que se sinta na obrigação.
- Eu tenho sim, eu lhe prometo. – Me sorriu com sinceridade.
Sorri e me inclinei para lhe beijar. Voltamos a comer e conversamos mais um pouco sobre o casamento, aproveitando o assunto para começar a fazer a lista de convidados, à medida que colocávamos nomes na lista eu via o tamanho do absurdo. “Meu Deus, está festa vai ser enorme.”
**
Meg...
Pressiono os dedos em minhas têmporas a fim de dissipar o incômodo em minha cabeça, estou a horas lendo um manuscrito para um novo livro, quero terminar isso ainda hoje, mas pelo que estou vendo não ser a tarefa fácil, já que minha cabeça resolveu não cooperar comigo. Ouço batidas em minha porta.
- Entre. – Levanto os olhos vendo Donna caminha em minha direção com os cabelos amarrados em um coque e uma pasta nas mãos.
- Senhora, esses documentos precisam ser revisados e assinados ainda hoje. – Agora é que não término a leitura mesmo. – Os primeiros são os com mais urgência pois a publicação dos livros já está atrasada.
- Pode deixar. – Respondi pegando a pasta de suas mãos e abrindo. – Mais alguma coisa?
- O senhor Jackson Carter está aí fora e deseja vê-la.
- Pode manda-lo entrar. – Falei com os olhos virados para o documento a minha frente.
- Sim senhora.
Ela se virou e saiu, pouco depois a porta da minha sala foi aberta revelando um Jackson vestindo calça social escura e uma blusa verde escuro. Ele sorriu pra mim e eu apontei para uma das cadeiras a frente da minha sala. Eu ainda não tinha falado com ele sobre eu não voltar mais para a emissora.
- Bom dia. – Ele disse sorrindo, parecia bem mais leve que meses atrás.
- Bom dia. – Respondi fechando a pasta. – A que devo a honra?
- Queria lhe parabenizar pelo sucesso do seu livro e pelo seu casamento.
- Obrigada Jackson. – Lhe estendi minha mão. – Se meu livro é um sucesso hoje é graças a você que o apresentou a Grace.
- Não mesmo, se ele é sucesso hoje é por que você é muito talentosa, eu somente apressei os acontecimentos. – Ele pegou minha mão estendida.
- Ainda assim, eu agradeço.
- Por nada então. – Ele soltou minha mão. – Você não vai voltar, não é? – O sol de quase meio dia entrava fraco pelo vidro atrás de mim.
- Não, eu iria falar com você em breve a respeito. – Falei depois de um suspiro.
- Eu disse que o Henry ia trazer você pra trabalhar com ele, mais cedo ou mais tarde, ele é inteligente demais pra não fazer isso. – Eu apenas o encarei. – Mas, o importante é você está feliz trabalhando aqui?
- Sim, eu estou, eu nunca imaginei que fosse gostar tanto. – Respondi com sinceridade. – E estou tendo tempo para criação.
- Isso é tudo o importa então. Fico feliz por você de verdade, embora seja triste perder você como colega de trabalho.
- Obrigada. – Respondi sorrindo.
Conversamos por mais alguns minutos sobre meu trabalho novo, sobre o trabalho antigo, Grace está entrevistando alguém para a minha vaga por isso Jackson deduziu que eu não voltaria.
- Como você e a Cristina estão? – Perguntei depois de um momento de silêncio.
- Estamos bem, bem de verdade. – O sorriso em seu rosto se ampliou ao falar da esposa. – A terapia tem sido ótima para nós, ela melhorou em muito sua confiança em mim, praticamente não brigamos mais.
- Eu fico muito feliz em saber disso Jackson. – Falei com sinceridade.
- Eu também fico. – Ele parecia ter os pensamentos longe. – Vamos adotar uma criança.
- Sério? – Ele assentiu. – Meus parabéns, essa criança vai ser muito sortuda por ter pais como vocês.
- Obrigada, estou bem ansioso para isso eu lhe confesso, sempre quis ser pai. – Seus olhos brilhavam.
- Você será um ótimo pai. – Me levantei e parei ao lado da cadeira abrindo os braços em sua direção. – Vocês vão conseguir o quanto antes a adoção vai ver.
- Obrigada. – Ele se levantou e me abraçou apertado.
- Se precisar de advogado fale comigo e eu entro em contato com a minha irmã, o escritório que ela trabalha é muito bom.
Ele ia responder, mas foi interrompido pelo barulho da porta se abrindo, nos separamos e olhei para a porta encontrando Henry vestindo um terno de três peças azul com a mão ainda na maçaneta e o cenho franzido.
- Henry. – Jackson o cumprimentou.
- Jackson. – Henry falou tirando a mão da maçaneta fechando a porta e caminhando até mim, passando um braço pela minha cintura.
- Meu amor o Jackson estava agora mesmo me contando que eles vão adotar uma criança.
- Isso é sério? – Henry direcionou a pergunta ao homem a sua frente.
- Sim, nós vamos amanhã mesmo visitar o orfanato. – Ele falou animado.
- Isso é muito bom, meus parabéns. – Henry falou lhe estendendo uma mão. – Se eu puder ajudar com alguma coisa é só falar.
- Obrigada, por tudo. – Jackson respondeu apertando a mão que lhe foi estendida. – Agora eu vou indo. Até mais.
Nos despedimos e ele saiu pela porta a fechando atrás de si e me deixando a sós com meu noivo, me virei de frente para ele e lhe olhei nos olhos.
- Sério? Você ficou com ciúmes do Jackson? – Perguntei incrédula.
- Me desculpe meu anjo. – Ele colocou as mãos no meu rosto. – Eu tento, mas quando eu vejo outro homem com as mãos em você isso me mata de ciúmes, mas sou civilizado o suficiente para me controlar.
Não pude deixar de rir do modo como ele falou, era verdade, ele era ciumento, mas nunca foi possessivo e sempre se controla, o que me deixa muito confiante em relação a nós. Ele se inclinou em minha direção depositando um beijo em meus lábios, fechei os olhos retribuindo o beijo.
================
Ela aceitou continuar na Editora, apesar de todo o medo ela aceitou.
Eu não aguento a fofura desse casal.
Fico feliz que Jackson tenha se acertado com a esposa, ele merece ser feliz. Espero que consigam logo adotar uma criança.
Até domingo. 🥰😘
Vote e comente. 😍😍❤
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top