Capítulo 68.

Promotora Harley Dent na mídia.

Henry...

Finalmente vou voltar para o trabalho, embora seja bom descansar as últimas semanas tem sido uma provação pra mim, trancado dentro de casa, mesmo com as coisas que eu resolvia de casa era muito maçante ficar preso dentro dessas paredes. Minha mãe, Tyler e Meg tinha tomado conta da empresa muito bem, porém, estava mais do que na hora de eu voltar ao trabalho. 

O fim de semana ao lado de Meg na praia foi revigorante para mim, o lugar é muito lindo, mesmo que não tenhamos tido a oportunidade de aproveitar muito a praia devido ao frio que fez morada na ilha, aquela casa com certeza se tornou meu segundo lugar preferido no mundo por que o primeiro era em seus braços.

Coloquei um terno de três peças azul escuro com ricas em outro tom de azul, camisa azul clara e gravata marrom. Me olhei no espelho respirei fundo e desci as escadas. Estou sozinho por que Meg insistiu em ir dormir no seu apartamento, eu não vejo a hora de ela vir morar comigo.

- Bom dia senhor. – Molly me comprimento assim que cheguei à cozinha.

- Bom dia Molly. – Respondi em um tom agradável.

Depois de tomar café da manhã me dirigi a empresa, assim que passei pelas portas parei respirando fundo, absorvendo a sensação de estar de volta, subi diretamente para o andar da presidência onde Tyler me esperava com uma pilha de papéis, passei a maior parte da manhã ocupado em me inteirar do que está acontecendo. Perto da hora do almoço a porta da minha sala se abriu e a mulher da minha vida parou por ela com um sorriso nos lábios. 

- Vim visitar meu presidente preferido. – Ela falou sorrindo para mim.

- Olá meu anjo. – Afastei a cadeira para que ela pudesse se sentar no meu colo.

- Como está sendo seu primeiro dia de retorno? – Entrelaçou seus dedos em meus cabelos enquanto falava.

- Muita coisa para me inteirar e tomar nota, mas eu amando cada segundo, sentia muita falta do trabalho. – Falei com sinceridade.

- Ótimo. – Ela se inclinou me beijando lenta e profundamente, nos afastamos apenas quando ficamos sem ar. – Vamos almoçar juntos?

- Claro que sim, assim que eu terminar aqui desço até a sua sala pode ser?

- Sim. Agora vou deixar meu chefe trabalhar. – Ela brincou tocando meus lábios rapidamente e se levantando. – Eu te amo.

- Eu te amo. – Falei a vendo se dirigir até a porta.

Sorri olhando para a porta fechada, olhei para a mesa a minha frente vendo o porta-retrato que descansa sobre ela com uma foto nossa. “Quando na minha vida que eu imaginaria que teria fotos minhas com uma mulher sobre a minha mesa e que eu amaria essa mulher perdidamente.” Uma batida na minha porta me tirou dos meus devaneios, levantei os olhos para a porta vendo a cabeça do meu assistente passar timidamente por ela.

- Senhor. – Ele falou em um tom calmo. – O senhor Granger deseja uma reunião para um novo projeto.

- Encaminhe a assessoria do senhor Granger para a assistente da senhora Taylor, esses assuntos são departamento dela agora.

- Sim senhor. – Ele parou e me olhou por mais um instante antes de falar. – E senhor, o senhor Moore está aqui para lhe ver. – Eu sabia que não se tratava de Tyler, pois caso contrário ele já estaria aqui dentro, nunca me respeitou aquele um.

- Diga para ele entrar. – O homem assentiu e desapareceu pela fresta da porta.

Me ajeitei na cadeira, ajeitei minha gravata e segundos depois o juiz Adolf Moore passou pela porta da minha sala, seus cabelos grisalhos e barriga protuberante não o deixava menos imponente, com seu olhar sempre penetrante.

- Bom dia Adolf. – Cumprimentei indicando a cadeira a frente da mesa.

- Bom dia Henry. – Ele desabotoou o terno e se sentou na cadeira.

- A que devo a honra?

- É sobre o caso Thompson. – Balancei a cabeça em confirmação, já imaginava que esse seria o caso. – O veredito do julgamento será dado quinta-feira. Um oficial deve avisar em breve.

- Então de um jeito ou de outro na quinta isso acaba.

- Sim. – Ele fez uma pausa. – Eu não tive contato com o juiz Cleimond por motivos óbvios, mas pelo que eu o conheço o parecer dele será favorável.

- Favorável a quem?

- A lei e a justiça certamente. – E depois de um pigarro acrescentou. – E a promotora Dent não perdeu uma única causa em toda a sua carreira, a justiça será feita meu filho e aquele homem vai mofar na cadeia. – Ele fez uma pausa. – Ele vai pagar por seus crimes.

- Eu espero que sim, ele tem que pagar por todos os seus crimes.

- Ele vai. – Ele me olhou nos olhos me passando confiança, quase como se me fizesse uma promessa. – Algum Thompson voltou a falar com a sua mulher ou com a outra garota?

- Não.

- Ótimo. Se isso acontecer não hesite nem por um segundo em entrar em contato comigo e com a polícia. – Confirmei com a cabeça. – Bem eu já vou indo. Tenha um bom dia.

- Tenha um bom dia e obrigado. – Ele me deu um dos seus raros sorrisos e saiu.

Depois que Adolf saiu passei um tempo pensando em tudo aquilo, ficaria muito contente caso Patrick fosse preso, mas o que eu desejava mesmo era matar aquele infeliz com minhas próprias mãos, ele quase tinha tirado tudo de mim, causou sofrimento as pessoas a minha volta. Tentou arruinar a vida de tantas mulheres, eu nunca odiei tanto uma pessoa em toda a minha vida, meu sangue ferve só de pensar nele.

Assim que eu concluí a análise de alguns contratos levantei da cadeira, peguei meu terno o vestido e sai em direção ao elevador, desci em direção ao andar da sala de Meg. A sua assistente não estava em seu posto o que me faz acreditar que ela deve ter saído para o almoço. Entrei na sala sem bater e ela estava atrás da mesa com o rosto direcionando para o notebook a sua frente e os dedos batendo rapidamente no teclado, sem me olhar ela levantou um dedo me pedindo para esperar. Me sentei em uma cadeira de frente para a sua mesa e fiquei distraindo brincando com um porta-retrato que continha algumas fotos nossas, do outro lado da mesa tinha outro porta retrato com fotos suas com seus amigos e família.

- Terminei. – Ela disse apertando duas teclas ao mesmo tempo e baixando a tela do notebook em seguida. – Vamos?

- Vamos sim. – Me levantei. – Era o livro que você estava escrevendo?

- Sim, tive uma ideia de desenrolar e queria concluir logo o raciocínio. 

- Está perto de terminar?

- Estaria se eu não tivesse decidido modificar a ordem de alguns acontecimentos de modo que tive que reescrever boa parte do que já estava escrito.

- Mas, agora você está satisfeita com o que está fazendo?

- Agora estou. – Ela sorriu colocando um casaco vermelho por cima do seu vestido preto e simples e pegando a bolsa.

Andamos de mãos dadas até o elevador e de lá em direção ao carro, era uma tentação trabalhar com ela no mesmo prédio que eu, pois a todo instante eu queria que minhas mãos pudessem passear pelo seu corpo sem rumo, desejava descer até a sua sala e a foder sobre a mesa.

Afastei meus pensamentos obscenos quando meu pau começou a se animar dentro das minhas calças. Fomos até o Salt almoçar, eu sei como ela adora esse restaurante que por ironia do destino – o mesmo malandrinho que nos uniu – é meu.

- Então. – Ela começou depois que nosso pedido chegou. – Sabe o jantar de hoje à noite com a Marianne e a Cerimonialista?

- Sei o que tem?

- Não vou poder ir. – Ela disse levando um pedaço de brócolis até a boca. – O senhor Granger pediu uma reunião urgente e marquei um jantar com ele hoje, como a reunião é somente para decidir a data e os locais creio que não vá ter problema eu faltar.

- Por que você não remarcou a reunião para o casamento? – Perguntei o óbvio.

- Por que esse era a única data que ela tinha essa semana. – Ela disse e sorriu. – Então você vai ter que se virar bonitão, os locais a gente já decidiu e a data desde que seja daqui a 3 ou 4 meses para dar tempo de a Ellen estar de volta é perfeito pra mim.

- Tem certeza? – Perguntei indeciso.

- Tenho sim. – Respondeu convicta e eu apenas assenti. “Eu preciso convence-la a não voltar para a emissora, ela é tão boa no serviço e parece que gosta, tem combinação mais perfeita? Teria ela ao meu lado, não ficaria sobre carregado e com toda a certeza ela é mais qualificada do que eu para a função.”

**

Meg...

Entrei no tribunal sentindo um enjoo crescente dentro de mim, é hoje que tudo termina, ou o Patrick sai daqui condenado ou solto e esse pensamento faz um frio percorrer por minha coluna e um desconforto se instalar em minha barriga. O que aconteceria se ele fosse inocentado? Eu nunca viveria em paz? Eu sentia que estava prestes a vomitar.

Percebendo minha tensão Henry apertou ainda mais minha mão na sua quando passamos pelas portas da sala de audiência.  Ele tentou me convencer a não vir, mas eu não ia aguentar ficar sentada longe esperando o veredito, prefiro ver em primeira mão.

A sala de audiência não estava cheia, nos sentamos algumas fileiras atrás da promotora Dent, com Iam e Natalie de um lado e John e Tyler do outro, Carol chegou minutos depois, beijou minha bochecha e se sentou ao lado de Tyler, Grace tinha uma importante reunião na emissoras por isso não veio.

Faltava pouco para o início da audiência quando Tulipa entrou na sala ladeada pelas amigas Lyanna e Violet, elas falaram conosco e se sentaram atrás de nós.

- Pensei que você fosse preferir não vir. – Eu não tinha certeza se era o melhor para ela.

- Nós tentamos convence-la do contrário. – A garota de cabelos turquesa falou.

- Eu não ia aguentar esperar o parecer em casa. – Tulipa falou colocando uma mecha de cabelo que se soltou coque atrás da orelha esquerda e ajeitando os óculos de armação grande que usava. – Falei com a terapeuta e ela disse que se eu queria muito vir era melhor para eu encerrar o ciclo.

- Eu te entendo. – Toquei na sua mão para lhe confortar.

- Ele vai ser condenado né? – Ela perguntou nervosa.

- Claro que sim, eu já lhe disse as provas são fortes. – Violet falou confortando a amiga.

Antes que eu pudesse falar algo a atenção de todos foi chamada para a entrada do juiz Cleimond. Todos ficamos de pé voltando a nós sentar depois que ele ordenou. A promotora entrou com seu assistente, depois veio o advogado de defesa, seu assistente e Patrick escoltado por policiais, com uniforme de cadeia e as mãos algemadas.

- A acusação pode apresentar sua arguição de encerramento. – O juiz falou depois de apresentar o caso e dar alguns apontamentos.

- Meritíssimo juiz, senhores e senhoras do júri, o caso apresentando perante vocês está claro. – Harley Dent começou a falar depois de se levantar e ficar de frente para o juiz. – O réu atentou contra a vida de duas pessoas inocente, movido tão somente pelo orgulho, por não aceitar o relacionamento da senhorita Taylor com o senhor Green, ele teria conseguido seu plano inicial de ceifar suas vidas não fosse pela ação rápida de um segurança do senhor Green. – Ela fez uma pausa. – O réu cometeu esse atentado por não aceitar a relação anteriormente citada e por não aceitar o fim de sua relação com a senhorita Taylor, relação durante a qual ela sofreu violência não somente física como psicológica, os relatórios médicos conseguidos pela promotoria mesmo depois de eles terem sumido milagrosamente deixam isso claro. – Ela olhava do júri para o juiz e falava em um tom firme e eloquente. – Assim sendo, o réu é culpado de tentativa de assassinato e de violência doméstica.  – Fez uma pausa. – Quanto a acusação de estupro contra a senhorita Albuquerque, embora tenha ocorrido três anos atrás, baseada no depoimento dela e da senhorita Sulivan e nos laudos médicos que haviam sido enterrados em papelada deixam claro que sim o réu estuprou Tulipa Albuquerque, uma garota de apenas 19 anos de idade, cheia de sonhos, com a vida inteira pela frente, uma garota que veio para esse país em busca de um recomeço depois de perder os pais jovem demais, e viu sua vida destruída mais uma vez pelo réu que a estuprou por meses, tendo como consequência várias visitas a médicos, procedimentos e feridas em seu psicológico que podem nunca ser curadas. – Ela fez uma última pausa. – Patrick Thompson é culpado senhoras e senhores, peço que não deixem crimes tão vis impunes. – Dizendo isso ela voltou a se sentar. – Ele é um perigo para a sociedade.

- A defesa tem a palavra. – O juiz falou depois de cerca de dois minutos de silêncio total. Meu estômago estava embrulhado em um nível incômodo e eu ouvia Tulipa fungando no banco de trás.

- Meritíssimo, senhores e senhoras do júri, peço que não se deixem levar por palavras acaloradas. Se o meu cliente é culpado de algo, é de amar demais. – O advogado de defesa começou a falar e isso me deu vontade de bater nele, apertei a mão de Henry ao meu lado. – Seus atos contra a senhorita Taylor e o senhor Green foram movidos pelo sentimento e desespero de ver a mulher que se ama nos braços de outro, foi um crime passional, cometido por um homem desesperado, ele não pretendia atirar em nenhum dos dois, ambos os tiros foram acidentais. – A cada palavra eu ficava mais indignada, não podia acreditar. – Ele atirou na senhorita Taylor em um reflexo e o tiro no senhor Green foi decorrente da disputa dos dois. Quanto as acusações de violência doméstica contra a senhorita Taylor, os dois tinham um relacionamento intenso, mas meu cliente nunca chegou a agredi-la. – Travei meu maxilar para me manter calada e senti a mão de Henry apertar a minha. – Quanto a acusação de estupro contra a senhorita Albuquerque, ela é totalmente infundada, os dois tiveram uma relação pautada em relações sexuais, que as vezes eram um tanto vigorosas por isso as visitas ao médico. – Tulipa resmungou atrás de mim, olhei para trás e vi suas duas amigas impedindo que ela falasse algo. – Por tudo exposto eu peço que os senhores não condenam um homem inocente que quando muito precisa de tratamento médico. – Dizendo isso ele voltou a se sentar. – Todos merecem uma segunda chance e com o meu cliente não é diferente.

- O Júri irá se recolher para o veredito. – O juiz falou se levantando em seguida, sendo seguido pelas 12 pessoas do júri.

A espera foi silenciosa, o ar dentro do tribunal estava pesado, a sensação era que a atmosfera era tão densa que dava pra corta-la com uma faca. Eles voltam pouco mais de meia hora depois quando as conversas já começavam a se levantar pela sala, todos ficam em silêncio esperando veredito, meu coração se apertava em meu peito e um medo crescia dentro de mim. O Juiz tomou a palavra deu alguns apontamentos e começa a ler o veredito.

- Pela acusação de tentativa de homicídio doloso contra Margareth Taylor, o réu foi declarado culpado. – Não pudemos deixar de sorri satisfeita. – Pela acusação de tentativa de homicídio doloso contra Henry Green, o réu foi declarado inocente, a tentativa foi definida como culposa, pois o disparo foi acidental. – Ele falou e eu bufei irritada. – Pela acusação de violência doméstica contra Margareth Taylor, o réu foi declarado culpado. – Henry apertou minha mão. – Pela acusação de estupro contra Tulipa Albuquerque, o réu foi declarado culpado. - Senti meu corpo relaxar.

Patrick pegou pena máxima pelos crimes que foi declarado culpado.  O juiz ainda deu alguns apontamentos antes de bater o martelo e dispensar os presentes, mas eu pouco prestei atenção. Sua mãe chorava na fileira logo atrás do filho que nesse momento era conduzido por policiais. Ela gritou pelo filho e chorou mais, se fossem outras pessoas seria uma cena triste e complicada de se ver, mas deles eu sinceramente não sinto pena, apenas asco. Esperei que ela se virasse para nós com ódio e acusações como fizera no outro dia, ainda mais depois do veredito desfavorável  a eles, mas, ela somente se levantou e  se deixou conduzir para a porta pela mulher que a acompanhava, sem olhar em nossa direção, o que foi um alívio.

Pode até soar um tanto cruel, mas ouvir aquele veredito me deixou feliz, a ponto de desejar comemorar, podia sair purpurina de mim tamanha a minha felicidade. Eu sentia um alívio, sentia como se agora eu realmente estivesse livre para continuar, sentia que aquela página finalmente estava virada e eu podia seguir minha vida sem medo, pela primeira vez em muito tempo eu não precisava me perguntar quando ele apareceria novamente.

Eu sentia minha confiança na lei renovada naquele instante.  A expressão no rosto de Tulipa deixa claro que ela sente o mesmo que eu, ela soltou o ar pesadamente e seu rosto suavizou um pouco, era como se a vida voltasse um pouco aos seus olhos, eu fiquei muito contente com isso, espero que agora seja mais fácil para ela seguir em frente.

===================

Finalmente o Patrick foi condenado. Espero que apodreça na cadeia e sofra muito por , por que ele merece.

Agora Meg e Tulipa podem seguir livremente suas vidas.

Será que o Henry vai conseguir convencer a Meg a continuar trabalhando na Editora?

Estamos chegando perto do fim.

Até terça. 😘🥰

Vote e comente. ❤😍

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top