Capítulo 61.
Meg...
Me remexo no banco de trás do carro enquanto August está no banco da frente dirigindo, com Patrick na cadeia Henry dispensou a maioria dos seguranças, manteve August para ficar aos meus serviços, já que ele e Ellen se juntaram contra mim e me proibiram e pegar em um volante antes de fazer aulas de direção, queria dizer que é um exagero, mas sejamos sinceros eu sou realmente péssima.
Faz um mês desde que Patrick nos atacou, o julgamento dele começa em duas semanas, o pai dele vem tentando adiar, mas o juiz Moore não permitiu que isso acontecesse, a promotora responsável pelo caso é Harley Dent, pelo pouco que eu pesquisei dela a mulher é implacável, nunca perdeu um caso, se dedica a fundo em seu trabalho. Henry deve receber alta do hospital ainda essa semana, no máximo na próxima, ele ainda sente muita dor, sua voz ainda não voltou a normal e não está comendo alimento sólidos, o repouso deve continuar em casa, mas sair daquele hospital já é uma vitória.
Minha mãe e minha vó voltaram para a Manchester duas semanas depois do que aconteceu e me ligam todos os dias para saber como estou, Ellen voltou para Mumbai na última sexta, foi difícil vê-la partir novamente, mas pelo menos agora eu sei que é por menos tempo. Carol voltou de NY ontem, ela me disse que não vai ficar em Manchester, está lá no momento para resolver algumas coisas antes de se mudar de vez para cá.
Eu volto ao trabalho amanhã, em parte estou animada, mas, também estou muito nervosa, não vou voltar ao trabalho na emissora, com Henry afastado ele, Grace (de onde veio a ideia) e Marianne me convenceram a aceitar o cargo de vice-diretora da editora, elas duas estavam se desdobrando para cuidar da corporação como um todo, sem contar os negócios paralelos dele, não me sinto bem com isso, eu não sou uma empresária e muito menos tenho direito de estar ocupando um lugar na empresa da família, mas quando eu disse isso quase fui linchada por eles, Deus por que Greens tem de ser tão teimosos? Eis a pergunta de um milhão de libras.
- Quer que eu a acompanhe senhora? – August pergunta assim que para o carro em frente a uma casa espaçosa e charmosa em uma área afastada da cidade.
- Não é necessário, me aguarde aqui. – Dizendo isso peguei minha bolsa e sai do carro.
É fim de tarde de segunda feira, depois de organizar minha transferência para a editora me dirigi até a casa de Franck. Ele foi visto em casa alguns dias atrás e vim atrás dele, Henry viria pessoalmente, mas não pode sair do hospital ainda. O sol ainda está alto e claro, o jardim na frente da casa era lindo e colorido por flores de diferentes tipos.
Subi os degraus em direção a porta da frente com meus saltos ecoando ao ir de encontro com a superfície, minha cicatriz incomoda, na verdade ela doi as vezes. Não sei por que nos filmes dão a impressão de que é tranquilo levar um tiro, essa merda dói demais, as vezes parece que simplesmente morrer seria mais fácil e indolor. Bati e uma mulher de cerca de 37 anos com os cabelos negros e olhos da mesma cor, abriu a porta me encarando.
- Senhorita Taylor? - Ela parecia surpresa ao me ver.
- Sim, a senhora é esposa do Franck?
- Sou sim, me chame de Evelyn. – Ela sorriu simpática. – Entre por favor. – Se afastou para o lado e eu entrei.
Por dentro a casa era ampla e acolhedora, em uma mesinha próxima a um grande sofá branco tinha um porta-retrato com duas mulheres bem parecidas com ele que eu julguei serem suas filhas.
- Me chame de Meg. – Falei me virando para ela. – O Franck está em casa? Eu gostaria de falar com ele. – A mulher hesitou.
- Ele...
- Olha Evelyn, ele foi embora e não tive a chance de agradecer, ou tentar convence-lo a não se demitir. – Falei não a deixando protestar. – Eu teria vindo antes ou o Henry mesmo teria vindo, mas ele ainda está no hospital.
- Ele está lá nos fundos, não tem andado no melhor dos seus humores ultimamente. – Ela falou depois de passar alguns minutos encarando meu rosto. – Pode ir até ele.
Ela me conduziu pela casa até uma cozinha com móveis de madeira escura, o fogão estava ligar o com algo borbulhando em uma panela, o cheiro era bom, passamos pela porta dos fundos e ela apontou para uma figura alguns metros à frente de short e camiseta pretos com uma arma na mão atirando em alguns alvos a frente. Agradeci a ela e desci os degraus que davam para um grande gramado, deixei meus sapatos e a bolsa no último degrau e fiz meus pés tocarem a grama fofinha. Caralho que ia andar por essa grama com esses malditos saltos por que eu não ia.
Me aproximei lentamente, nunca assuste o homem armado, aprendi nos filmes, antes de eu chegar ou alcançá-lo ele ouviu meus passos abafados pela grama e se virou com a arma abaixada, seu rosto mostra traços de cansaço e ele parece surpreso ao me ver.
- Senhorita Taylor. – Falou guardando a arma na parte de trás do short, de perto eu consegui ver uma cicatriz grande no seu braço esquerdo e outra na lateral de sua perna esquerda que vai da canela até se esconder sob o short.
- Franck. – Sorri para ele e como não pode conter minha curiosidade perguntei. – Foi isso que te tirou do exército?
- Da marinha. – Ele corrigiu. – Era fuzileiro.
- Sinto muito. – Ele apenas assentiu. – Bem, obviamente não foi pra apreciar seu corpo em treinamento que eu vim aqui. – Falei com humor e ele sorriu. – Vim pra levá-lo de volta.
- Eu não posso voltar. – Ele tinha um olhar triste. – Eu falhei no meu trabalho, vocês eram minha responsabilidade e eu não salvei vocês, foi o meu sobrinho que ajudou aquele homem a entrar na livraria, se eu nunca tivesse pedido um emprego pra ele ao senhor Green, isso nunca teria acontecido.
- Franck não se culpe pelo que aconteceu, se você não tivesse aparecido nós estaríamos mortos, não apenas feridos, pois foi você quem parou o Patrick. – Falei me aproximando dele. – E quanto ao Pietro ter ajudado, ele conseguiria entrar com a ajuda de outra pessoa.
- Mas, não foi, foi com a ajuda do meu sobrinho. – Ele falou com amargura.
- Se for procurar um culpado, então aponte a mim, se eu não tivesse entrado na vida do Henry isso nunca teria acontecido, se eu não tivesse sido idiota o suficiente para me envolver com um homem abusivo, nada disso teria acontecido. – Apesar de tudo, uma parte minha ainda se ressentia com tudo isso e talvez eu nunca fosse me perdoar completamente, ou talvez eu consiga com tempo e terapia parar de culpar.
- Você não tem culpa, você é uma vítima. – Ele disse em um tom gentil que me surpreendeu. – Ele é o único culpado.
- Então não se culpe e volte. – Sorri para ela. – Não há ninguém em quem o Henry confie mais que você e eu lhe garanto que isso não mudou, se ele não está aqui é por que ainda não recebeu alta. – Ele ficou em silêncio. – Volte, nós precisamos de você. – Permaneceu em silêncio por tanto tempo que eu já estava cogitando ir embora.
- Tudo bem eu volto. – Ele disse quando eu já estava quase me virando pra sair. – Eu prometo não falhar novamente. Me perdoe. – Tocou meu braço ao falar.
- Só se for por nos deixar. – Sorri e lhe abracei, contente por ele ter aceitado voltar a trabalhar para o Henry, ia me sentir muito melhor com ele ao seu lado. – Isso é ótimo.
- Eu estou soado. – Ele protestou quando o abracei.
- Não importa. – Sorri me afastando.
- Como ele está? Se recuperando bem?
- Sim, ele ainda sente dores e a voz não voltou ao normal, mas logo vai ficar 100%.
- É você? – Caminhávamos de volta para a casa.
- Quase totalmente boa, essa merda ainda dói um pouco, ninguém me avisou que levar um tiro dói tanto. – Ele sorriu.
-Você foi muito forte ficando acordada e falando sem transparecer a dor tanto tempo. – Ele falou se referindo ao dia do atentado.
- A maior parte era teimosia e adrenalina. – Eu ri.
- Como estão as vendas do livro?
- Toda a repercussão em torno da tentativa de assassinato foi uma puta de uma publicidade. – Falei me abaixando para pegar meus sapatos e minha bolsa sentindo uma fisgada na barriga. – Então as vendas estão bem altas, já tenho até um fã-clube pedindo a continuação.
- Isso é bom. – Ele segurou a porta aberta pra mim.
- É ótimo. – Sorri, Evelyn nos olhava atenta. – Amanhã vá ao hospital falar com ele. – Toquei seu braço. – Fico feliz que tenha aceitado.
- Você já vai? – Evelyn perguntou e eu assenti. – Fique para o jantar. – Ela sorriu simpática.
- Eu adoraria, o cheiro está ótimo, mas eu tenho que ir, quero ficar um pouco com meu namorado antes de voltar pra casa, não poderei dormir no hospital hoje por que amanhã volto a trabalhar.
- Não é muito cedo? – Ela questionou.
- Minha médica me liberou semana passada. – Não que ela não tenha reclamado muito antes. – Desde que eu descansasse no meio do dia e dormisse bem a noite. – Falei lembrando dos protestos de Natalie. – Bem, foi um prazer conhecê-la. – Toquei seu ombro.
- O prazer foi meu.
- Até outro dia. – Sorri pra ela e me virei para Franck. – Até amanhã.
- Você veio de táxi? – Ele perguntou quando eu estava quase na porta.
- Não. – Respondi simplesmente.
- De carro? – Senti a preocupação em sua voz. “Henry é um fofoqueiro.” – Digo veio dirigindo?
- Não, August veio dirigindo, não posso arriscar. – Ele concordou e sorrio.
Depois de sair da casa de Franck, fui ao hospital Henry ficou contente por saber que eu consegui trazer ele de volta ao trabalho. Passei algum tempo com ele e me despedi dele, quando cheguei em casa já era mais de 21 horas.
**
Meg...
Me olhei no espelho verificando se estava tudo em ordem, a saia lápis azul escura com risca de giz, a blusa de seda rosa claro e o terninho do mesmo tecido da saia que estava por cima, bem como meus saltos pretos com o solado vermelho.
- Você está perfeita. – Natalie falou sentada na minha cama.
- Obrigada, eu estou tão nervosa. – Mexi no meu cabelo pela décima vez. – E se eu for um fracasso? Eu estudei pra escrever livros, trabalhar como editora, não pra comandar uma editora inteira. Eles são loucos. – Minha voz estava uma oitava mais alta devido o nervosismo crescente em mim.
- Calma, Meg você é boa em tudo que faz. – Ela se levantou e me virou para encara-la. – Você é perfeitamente capaz disso, vai chegar lá e vai arrasar, você é mais do que qualificada para comandar uma editora.
- Mas...
- Sem, mas, se você ficar assim vai falhar pelo medo, é o que você quer?
- Não.
- Então joga o medo pra puta que pariu e vai trabalhar. – Natalie falou me encorajando.
Depois de conversar com ela me senti bem mais confiante, mas aqui estou eu parada no banco de trás do carro, respirando apressadamente e quase me tremendo. Respirei fundo acalmando meu ser. “Se eu sobrevivi a um tiro posso fazer isso.” Esse certamente vai virar o meu lema de vida.
Finalmente sai do carro e caminhei até a porta, assim que eu adentrei no prédio vi as pessoas me olhando com curiosidade, algumas cochichavam e eu tinha consciência de que estavam falando sobre minha nova posição na corporação, respirei fundo e não me detive. Subi até o andar da presidência, falaria com Marianne antes de começar o trabalho. Quando entrei na sala de Henry ela estava sentada em sua cadeira com óculos no rosto, estava muito séria e parecia algum personagem arrogante e brilhante de uma comédia romântica.
- Bom dia minha filha. – Ela falou se levantando.
- Bom dia.
Conversamos um pouco sobre a função que eu exerceria ali, sobre como as coisas estavam indo e como ela estava feliz por ter ajuda, realmente não deve ter sido fácil para elas. Depois de alguns minutos conversando Tyler entrou com um papel nas mãos.
- Esse é o seu contrato, que lhe dá autoridade para tomar decisões referentes a editora. – Ele falou depois de nos cumprimentar. – Assine aqui, só falta a sua assinatura. – Ele apontou para o papel.
- Tudo bem. – Assinei onde ele me indicou.
- Ótimo, vem vou lhe mostrar a empresa e sua sala.
- Almoçamos juntas? – Marianne perguntou antes de eu sair.
- Vou adorar.
Tyler me apresentou a empresa, fiz uma pequena reunião com os funcionários dizendo que a situação era temporária, que espero ter uma relação agradável com eles e que não teriam grandes mudanças. Em seguida ele me levou até a minha sala que ficava dois andares abaixo do andar da presidência. Em uma mesa a frente da sala estava uma mulher que não devia ter mais de 22 anos, sua pele possuía um tom que me lembrava uma avelã, seus olhos eram um verde e outro cor de mel.
- Essa é Donna, sua assistente. – Ele apresentou a moça que se levantou e estendeu a mão para mim.
- Senhora Taylor é um prazer conhecê-la. – Apertei sua mão.
- O prazer é meu. – Disse soltando sua mão. – Espero que trabalhemos bem juntas.
- Eu farei o meu melhor. – Ela sorriu confiante.
- Ótimo. – Sorri. – Pode começar me trazendo todas as pendências. – Ela assentiu e eu entrei na sala.
Tyler entrou atrás de mim, me atualizou sobre o que precisava de minha a tenção imediata. A sala era quase do mesmo tamanho da sala da presidência, tinha uma estante com alguns livros publicados pela editora, um sofá claro com uma aparência confortável, a mesa era grande com tampo de vidro, sustentada por uma armação de metal, um notebook estava sobre ela, bem como um porta objetos, uma poltrona clara e convidativa estava atrás da mesma e duas cadeiras do mesmo tom a sua frente. Uns vinte minutos depois Donna entrou na sala com algumas pastas nas mãos.
- Aqui senhora. – Ela se inclinou colocando as pastas sobre a mesa e Tyler olhou descaradamente para a sua bunda no vestido colado. – Mais alguma coisa?
- Por hora isso é tudo. – Ela assentiu e saiu. – Mantenha o seu pau longe da minha assistente Moore.
- Nossa Meg, achei que fossemos amigos. – Ele diz fingindo estar ofendido.
- E somos, isso é só mais um motivo para você se manter longe. – Coloquei as mãos na cintura.
- Chata. – Levantei uma sobrancelha. – Tá bom, eu fico longe se eu morrer de bolas roxas a culpa é sua.
- Descarado. – Bati no seu ombro rindo.
- Vou deixar você trabalhar.
Assim que ele saiu eu coloquei a bolsa sobre a mesa, tirei o terninho colocando sobre o sofá e me sentei na poltrona, liguei o notebook e puxei a primeira pasta para começar. “Deus me ajude.”
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Vejam só quem está trabalhando na editora, exercendo um cargo de chefia.
Que bom que a Meg conseguiu trazer o Franck de volta não é mesmo?
Eu não sei vocês, mas eu estou doida pra ver o julgamento do Patrick.
Até amanhã. 😘
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