Capítulo 56.

Meg...

Hoje é o grande dia, o dia mais importante da minha carreira até agora, dizer que estou nervosa não está nem perto do real, eu já ultrapassei o nervosismo desde antes do meio dia. Me olho no espelho pela décima vez me certificando que tudo está no lugar, meu cabelos estão soltos, caindo em cascatas ruivas onduladas sobre meus ombros, a maquiagem é leve e natural, um olho esfumado em marrom e nos lábios um batom nude com nuances de rosa queimado e um fundo malva acinzentado, meu vestido longo é simples em um tecido verde escuro, com um decote no busto e detalhes em tiras prateadas que unem nas costas e passam por baixo do busto, a não ser por esse detalhes as costas são nuas, nos pés eu usava uma sandália nude de salto alto que se confundia com o tom da minha pele.

- Você está linda minha filha. – Me virei para a porta e encontrei minha mãe de pé na soleira me olhando com um sorriso nos lábios, ela trajava um vestido azul escuro de mangas curtas , um decote em “V" e uma faixa na cintura.

- Obrigada mãe a senhora também está linda.

- Claro que está, você acha que a gente herdou a beleza de onde? – Carol parou ao lado da minha mãe em um vestido coral alaranjado que se agarrava ao seu corpo e tinha uma fenda grande na perna direita. – Olha a vovó tem a mesma beleza. – Falou indicando a senhora que se dirigia para o sofá em um vestido preto.

- Você tem razão. – Falei pegando uma pequena bolsa e andando até a porta onde elas estavam.

- Estou tão orgulhosa de você irmãzinha. – Ela passou um braço pelo meu pescoço e me puxou para junto de si e andamos juntas até a sala. 

- Obrigada Carol. - Ouvimos batidas na porta.

- Eu abro. – Ellen falou passando por nós com um vestido rosa queimado  quase arrastando no chão. – Olá, Henry. – Ela cumprimentou meu namorado que estava parado na porta com um terno italiano de três peças cinza escuro, com camisa da mesma cor e gravata verde.

- Oi. Boa noite a todos. – Ele sorriu para a minha amiga e olhou para a sala que estava cheia de gente. – Todos pronto? – Perguntou vindo em minha direção.

- Estamos. – Respondi assim que ele alcançou minha cintura e me puxou selando nossos lábios.

- É a escritora mais bonita que existe, não tem condições. – Falou assim que nos separamos e eu sorri.

- Ora se não é o meu cunhado que adora me acordar aos sábados pela manhã. – Carol falou.

- Foi só uma vez e eu estava um pouco desesperado. – Ele sorriu pequeno. – Desculpe, e é um prazer conhece-la pessoalmente.

- Igualmente. – Ela  sorriu.

- Vamos antes que eu enlouqueça? – Falei nervosa.

Todos saímos pela porta a última a passar foi Ellen que trancou a porta. Iam e Natalie também iam com a gente, ela usava um vestido lilás delicado e ele uma calça social preta e uma camisa azul quase violeta.

Tamborilei meus dedos na perna de Henry pelo caminho inteiro mais um sinal de nervosismo, quando a limusine parou em frente a livraria na qual acontecia o lançamento eu vi fotógrafos e repórteres. “Tenho certeza que a maioria deles estão aqui pela minha relação com o Henry e não pelo meu livro em si.” Constatei com desgosto. "Mas, toda audiência é bem vinda."

- Pronta? – Ele me perguntou me tirando dos meus pensamentos e eu percebi que os outros já haviam saído.

- Não, mas, vamos mesmo assim. – Ele sorriu me beijou e saiu me estendendo a mão em seguida.

Algumas fotos foram tiradas e nós finalmente conseguimos entrar, percebi que tinham seguranças na porta de entrada, ao lado dos repórteres, e também alguns do lado de dentro. Na entrada tinha um banner grande com a ilustração da capa, uma pequena mesa com vários livros sobre e uma mulher de vestido preto estavam logo atrás do banner, para vendas.


Nos dirigimos para o salão onde aconteceria a recepção, ao lado da porta de entrada tinha outro banner dessa vez metade dele estampava a arte da capa e a outra metade tinha uma foto minha, isso era um pouco estranho, ver a minha foto estampada assim em um banner, ainda não tinha me acostumado a isso.

Por dentro o salão era um lugar amplo, com posters e várias obras na parede, uma decoração minimalista em rose Gold e branco predominava no lugar. Ao fundo tinha um palco baixo com um púlpito, na parede atrás outra imagem do livro com um banner com o logotipo da editora Green. Uma música suave dava uma áurea mística ao lugar.

Várias pessoas circulavam por lá, vi meus familiares e amigos circulando entre as outras pessoas, circulamos pelo lugar falando com algumas pessoas e em seguida nos dirigimos para perto do palco, Grace foi a primeira a chegar até nós, seguida por Ellen, Natalie e Iam, quando John se dirigiu em nossa direção seu olhar recaiu sobre Ellen e ele a mediu de cima a baixo e sorriu de lado.

- Você deve ser a Ellen. – Ele disse depois que nos cumprimentou. – Ouvi falar de você. – Ele olhou pra mim e sorriu.

- Sim, sou eu. – Ela levantou o olhar pra ele. – E você é?

- Eu sou John Brolin. – Estendeu a mão para ela.

- Prazer em conhecê-lo. – Ela pegou sua mão em um cumprimento rápido e soltou em seguida.

- O prazer é meu. – Ele sorriu de lado.

Pouco depois Carol se aproximou com Tyler conversando sobre alguma coisa jurídica, não prestei muita atenção,  assim que eles chegaram a nós fiz as devidas apresentações. Conversamos até que a música parou e uma mulher jovem de pele escura e cabelos em um tom de Marsala subiu ao palco e se posicionou atrás do púlpito, ela se apresentou e deu abertura ao evento. Em seguida foi a vez de Henry falar.

- Quando Amélia Pierce entrou em minha sala tecendo elogios sobre o livro da funcionária da minha irmã, eu fiquei intrigado. – Ele olhou para a Amélia que estava do outro lado da sala um pouco atrás ao lado de uma mulher igualmente elegante e então para mim. – Precisei ler para vê o que tinha chamado a atenção da minha editora mais exigente. – Ele fez uma pausa. – Não tinha sequer chegado ao fim do livro e eu já tinha uma certeza, eu precisava publica-lo.

Ele continuou falando mais um pouco sobre o livro e o lançamento, em seguida desceu e veio em minha direção, a mulher de cabelo marsala voltou ao palco dando algumas informações. A próxima a subir ao palco fui eu.

- Boa noite, me sinto imensamente honrada em está aqui para publicar meu primeiro livro. – É muito emocionante e eu estava quase em lágrimas, de emoção e nervosismo. – Quem podia imaginar que eu chegaria tão longe? Só nos meus sonhos. – Todos riram. – Mas, enfim aqui estou, publicando meu primeiro livro, apesar dos desvios e dificuldades em minha jornada, não desistam dos seus sonhos. - Sorri olhando para a frente. - Vamos ao que interessa vou ler um trecho do livro para vocês. – Abri o livro pousado no púlpito e comecei a ler.

Senti uma sensação estranha tomar conta de mim assim que meu carro adentrou um ponto da estrada que cortava uma floresta escura, cujas árvores de um lado e outro da mesma se uniam no alto diminuindo a incidência de sol. Algo naquele lugar me chama com tanta intensidade que me aperta a alma, antes de me dar conta do que estou fazendo parei meu carro. Apertei o volante decidindo o próximo passo.

“Que tipo de idiota entra sozinha em uma floresta escura?”

Aparentemente eu, pois ignorando todos os meus instintos, e conhecimento adquirido com anos de filmes e séries, eu largo o volante e abro a porta do carro, sai de lá colocando uma bolsa de alça fina no ombro e caminhei para a floresta, andei por minutos, a floresta se adensava a medida que eu entrava, contornei uma grande pedra e adentrei em uma parte ainda mais densa. O lugar exalava poder e antiguidade, o ar era carregado e misterioso, parecia que aquela região estava intocada pela humanidade, olhei em volta e podia jurar que alguns pontos da floresta brilhavam em uma luz nebulosa, todos os pelos do meu corpo se eriçaram quando  eu continuei a caminhada, em algum ponto, minutos ou horas depois eu alcancei um grande lago, a água era de um azul esverdeado, pequenas libélulas pairavam sobre ele, eram os primeiros animais que eu avistei em muito tempo.

Algo me dizia que eu tinha que alcançar a margem oposta do lago, mas não tinha como passar naquele ponto, andei alguns metros até encontrar uma passagem, como se fosse uma ponte de terra batida com uma fina camada de água cobrindo-a, quando eu foquei melhor na água percebi criaturas humanoides adormecidas no fundo lago, sua pele era pálida e os cabelos esverdeados, os rostos angulosos e membros longos. Tirei meus sapatos e os deixe na margem, controlei todo o impulso de voltar correndo por onde vim e avancei.

Quanto meu pé tocou a água foi como se eu me conectasse com ela e toda a sua ancestralidade, era como se a água conversasse comigo, me mostrando o que eu devia fazer, ele queria que eu acordasse as criaturas  no fundo do lago, que despertasse algum poder ancestral.

- Espíritos da água vinde a mim. – Falei movendo minhas mãos para frente e para trás e as girando. – Espíritos da água vinde a mim. – A água ao meu redor começou a se mover em minha direção, seguindo os movimentos dos meus braços, eu sentia como se uma energia emanasse de mim para a água e dela pra mim, sentia o controle que eu exercia sobre aquele elemento. – Protetores da floresta vinde a mim. – As criaturas dentro do lago abriram seus olhos e os focaram em mim, o que eu vi dentro deles me deixou paralisada.

(...) Acordei em minha cama ofegante e exausta, não sabia se aquilo fora sonho ou realidade, mas meus pés sujos de lama e minhas roupas molhadas e rasgadas, assim como a flor amarela emaranhada em meus cabelos não deixavam dúvidas de que aquilo aconteceu realmente. O que era em si ainda mais perturbador.

Concluí a leitura do Prólogo e fechei o livro levantando o olhar para as pessoas a minha frente, vi minha vó sentada bem próxima ao palco com um sorriso orgulhoso nos lábios e minha mãe ao seu lado com uma expressão que era um misto de orgulho e arrependimento. Uma salva de palmas ecoou pelo salão me fazendo abrir um enorme sorriso.

Corri meus olhos por ele vendo as pessoas que estavam ali, vi muitos rostos conhecidos, rostos amados, alguns repórteres, um frio passou pela minha barriga quando eu reconheci críticos literários em meio às pessoas ali presentes. “E se meu livro ou minha escrita não agradar? E se eu não fiz o suficiente?”

Uma parte de mim se ressentia por Lisa e meu pai não estarem ali presentes, eu sei muito claramente que eles não são de acordo com a minha profissão, mas ainda são parte da família, esperava que o orgulho não fosse maior que tudo, provavelmente eu fui tola em achar que fosse diferente, algumas pessoas nunca mudam e com eles é assim pelo visto. Me resta superar, pois eu tenho muitas pessoas que me amam e me apoiam. 

- Bem, agora eu acredito que seja o momento de responder algumas perguntas. – Falei me tirando dos meus pensamentos melancólicos e olhando para os repórteres a frente sentindo um crescente frio na barriga. 

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Finalmente o lançamento do livro da Meg.

E o John olhando pra Ellen hem?

Espero que tenham gostado do capítulo e do trecho do livro dela.

Até Domingo. 😘

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