Capítulo 51.
Henry...
Hoje o dia está tranquilo, depois da reunião na hora do almoço, eu só teria uma no fim da tarde, por isso voltei para a minha sala e continuei verificando alguns papéis, Tyler veio aqui umas duas vezes falar sobre alguns contratos, recebi uma ligação sobre a construção do hotel novo. Quando o Tyler saiu de sua segunda visita meu celular tocou, olhei verificando ser o número do meu prédio, franzi o cenho e atendi.
Ligação on *
- Green. - Atendi já me identificando.
- Senhor Green. - O porteiro chamou. - A senhorita Taylor chegou a pouco no prédio. - Eu pedi para ser informado sobre qualquer movimento estranho no lugar.
- Está tudo bem, ela tem uma chave. - Falei me perguntando por que a Meg tinha saído cedo do trabalho.
- Não foi por isso que eu liguei senhor, ela estava com os olhos vermelhos e parecia muito abalada.
- Como assim? - Já comecei a ficar alterado.
- Eu acho que ela estava chorando senhor e suas mãos estavam um pouco trêmulas.
- Faz quanto tempo que ela chegou?
- Cerca de 30 minutos senhor.
- Por que demorou a me avisar? - Bradei com raiva.
- Tive um incidente com a senhora do 5 andar. - Ele falou baixo. - Me desculpe senhor.
- Que não se repita. - Falei desligando o celular e me levantando.
Ligação off.
Nunca dirigi tão rápido como hoje, meus pensamentos estão com a minha ruiva e na possibilidade de vê-la sofrer. Larguei o carro na frente do prédio e vi seu carro parado com as duas rodas dianteiras em cima da calçada. Eu preciso esconder as chaves dela.
Quando entrei em casa meu coração gelou ao ver suas roupas jogadas ao lado porta, corri escada acima e entrei no quarto de uma vez, ela estava em nossa cama vestindo uma camisa minha, encolhida no meio da cama em silêncio, ela se mexeu me olhando por alguns segundos e voltando a se virar, subi ao lado na cama e a puxei para os meus braços, ela afundou a cabeça em meu peito e chorou, a abracei apertado desejando transferir para mim a sua dor.
- Meu anjo vai ficar tudo bem. - Afaguei seus cabelos ainda molhados, baixei meus olhos percebendo sua pele avermelhada. - O que aconteceu?
- O Patrick. - Ela levantou os olhos para mim. - Ele nunca vai me deixar em paz? - Em seus olhos eu vi dor e medo.
- Ele vai sim meu anjo. - Eu preciso tirar esse homem de perto dela. - Estou aqui com você. - Eu cometi o erro de não me meter e atender ao seu pedido, isso não vai se repetir.
A afastei para lhe olhar nos olhos e vi uma marca em pescoço. Levei meus dedos ao local.
- EU NÃO ACREDITO QUE AQUELE INFELIZ TOCOU EM VOCÊ. - Ele me paga. - Ele te feriu em outro lugar? - Ela me mostrou seu braço direito com marcas fortes de dedos.
**
Meg...
A cada palavra que eu falava sentia Henry ficar mais tenso ao meu lado, com o maxilar travado, bufando, ele balbuciava coisas sem sentido. Lhe contei cada detalhe e chorei no processo me repreendendo mentalmente por ser a porra de uma pessoa tão fraca.
- A culpa é minha. - Henry falou com lágrimas nos olhos. - Aquele infeliz foi visto rondando a emissora e o prédio onde você mora, eu fui burro ao pensar que aumentar a segurança nesses lugares era suficiente, devia ter colocado segurança com você o tempo todo, eu... me perdoe. - Ele chorou me abraçando.
- Ei, Ei. - Toquei seu rosto. - Não é sua culpa e eu não aceitaria seguranças, você sabe. Você não tem culpa pelo que aquele infeliz fez. - Limpei seu rosto secando suas lágrimas, quando eu o conheci nunca imaginei que Henry pudesse ser um homem sensível.
- Mas, vai ter de agora em diante. - Seu tom era de quem não estava em negociação. - Não quero aquele infeliz perto de você, você vai ter segurança direto com você, não vai ficar desprotegida. - Me tocou no rosto.
- Tudo bem. - Concordei.
- E você tem que denunciar. - Não falei nada, só afundei em seus braços, eu sabia que ele não ia desistir disso e não estava em condições para discutir.
Não sei quanto tempo eu fiquei em seus braços, chorei, me abracei, ele acariciava minhas costas e cabelos dizendo o quanto eu sou importante para ele e que tudo vai ficar bem. Com o passar dos minutos eu relaxei me sentindo segura em seus braços e me permiti afundar em um sono sem sonhos.
Não sei por quanto tempo eu dormi, mas quando acordei estava sozinha na cama, o quarto é iluminado pela luz do abajur ao lado da cama e do lado de fora da janela a noite já caiu sobre a terra da rainha. Ouvi vozes do lado de fora do quarto o que fez eu me mexer ficando sentada na cama, a porta se abriu e Henry passou por ela vestindo a mesma roupa de quanto chegou a diferença era que agora ele estava sem o terno.
- Você acordou meu anjo. - Ele se aproximou da cama sentando ao meu lado, sua expressão estava serena demais pro meu gosto. - Eu preciso sair um pouco agora. - Tocou meu rosto.
- Por que? Eu não quero que você vá. - Toquei sua mão.
- Eu preciso. - Pegou minha mão e a beijou. - Eu prometo que vou voltar rápido. - Fez uma pausa. - Natalie e Iam estão aqui, vão lhe fazer companhia enquanto eu estiver fora.
Ele me beijou nos lábios lenta e carinhosamente, beijou minha resta e saiu pela porta, assim que ele saiu meus amigos passaram por ela, Natalie acendeu a luz do quarto e eu pude ver a expressão de preocupação no rosto dos dois quando eles se aproximaram de mim.
Sentaram comigo na cama cada um de um lado e me abraçaram dizendo que tudo ia ficar bem, eu podia ver nos olhos do Iam um reflexo da mesma culpa que eu vi nos olhos do Henry. Quando eles vão entender que as coisas acontecem além do que podemos evitar?
- Ele foi pra onde? - Perguntei agarrando o braço de Iam, eu tinha minhas suspeitas, mas meu peito apertava só de pensar.
- Ele precisou sair para resolver um assunto. - Iam não me olhou nos olhos.
- Foi atrás dele não foi? - O seu silêncio foi minha resposta e todos os músculos do meu corpo pareceram acordar. - Eu preciso impedi-lo, ele vai se machucar. - Tentei sair da cama.
- Meg, ele já foi, calma, ele não estava sozinho.
- Mas...
- Calma. - Natalie que estava calada até então tocou meu braço e me puxou para um abraço. - Ele não vai se machucar.
Naquele momento eu fiz algo que não fazia a muito tempo, rezei pedindo algo a Deus, pedi que protegesse o homem que eu amo, o homem a quem entreguei meu coração tão rapidamente que me assusta e que eu sinto que preciso do seu bem estar pra viver.
**
Henry...
Deixar a Meg naquele quarto foi a coisa mais difícil que eu já fiz na vida, queria abraçá-la e acaricia-la até fazer sua dor passar, queria arrancar seu sofrimento e toma-lo pra mim, só pra não ver dor em seus olhos.
Desci as escadas e sai do apartamento, de frente ao prédio Franck já esperava por mim dentro do carro como eu havia solicitado por telefone, enquanto Meg dormia eu liguei para Natalie e pedi que viesse ao meu apartamento com Iam, lhe expliquei brevemente o que houve e em seguida liguei pra Franck pedindo a localização do infeliz e que viesse me pegar em casa.
- Tem certeza disso senhor?
- Sim. - Falei secamente. - Mas, vamos em um lugar antes. Chega de ficar parado vendo aquele infeliz amedrontar a mulher que eu amo.
Passamos em uma delegacia onde a filha de um velho amigo do meu pai trabalha, prestei queixa e Abigail me prometeu levar a denúncia a diante e ir no outro dia até a minha casa para pegar o depoimento de Meg. A agradeci e sai da delegacia voltando para o carro.
- Senhor eu consegui contato com a senhora Santori. - Franck começou assim que acelerou o carro. - Ela foi embora do país depois de terminar o namoro com o Thompson por que ele atirou nela.
- Como é? - Então ele realmente não estava brincando.
- Quando ela disse que não o queria mais ele ficou perseguindo-a, ate que um dia quando ela disse que não voltaria pra ele, ele atirou nela, por sorte ela tentou correr e bala pegou no braço ao invés de no peito.
- Como ele se safou dessa?
- A polícia concluiu que foi um disparo acidental, "um infeliz acidente" está na cópia do inquérito que ela me passou, inquérito esse que não achei em nenhum registro oficial, mas encontrei os registros no hospital. - Vi o homem ao meu lado apertar o volante com força suficiente para deixar os nós de seus dedos sem sangue.
- O desgraçado se safa de coisas assim a anos.
- Sim, sua família deu uma boa quantia para a moça em troca do seu silêncio e a ajudou a ir embora.
- Então ela não vai falar oficialmente?
- Não, a não ser que se prove não ter sido um acidente.
Ficamos em silêncio pelo resto do trajeto, paramos em frente a um prédio residencial luxuoso, entramos com a desculpa de visitar outro inquilino, subi para o seu apartamento com Franck em meu encalço, quando bati na porta ele se afastou para o lado e tirou uma arma do coldre sob o terno.
A porta se abriu e o olhar do homem a minha frente recaiu sobre mim com ódio, seus olhos faiscavam e ele me olhava com desdém.
- Sério? Você veio tirar satisfações comigo? - Ele rio em escárnio.
- Está com medo? - Respondi em tom de deboche.
- Você não passa de um playboy mimado. - Ele deu de ombros.
Antes que ele falasse mais alguma coisa eu o atingi com soco em seu queixo que o fez vacilar para trás e virar a cabeça para o lado oposto com o impacto.
- Eu sou um homem, não um inútil que depende do pai, como você. - Outro soco. - Você é um playboy mimado, não eu, você usa seu nome, dinheiro e posição na polícia como muleta, não é homem o suficiente para enfrentar as suas próprias ações. - Outro soco, dessa vez o seu lábio sangrou. - Você é um covarde.
- Você não sabe nada sobre mim. - Ele quase tremia de raiva.
Ele caminhou rapidamente em minha direção e me acertou um soco no queixo me fazendo sentir gosto de sangue na boca, bati novamente nele em resposta, dessa vez próximo ao olho lhe cortando a sobrancelha, mais um soco, dessa vez em seu nariz sentindo o osso se mover sob meu punho, o impacto foi tão grande que os nós dos meus dedos doeram. Ele me agarrou pela cintura tentando me levar pra trás, batendo em minhas costelas, dei uma cotovelada em suas costas o fazendo me soltar.
- A Meg é minha eu a amo, mato você antes que possa ficar com ela. - Ele gritou vindo novamente pra cima de mim de novo.
- Você não a ama, você nunca amou, você não ama ninguém. - Desviei lhe socando no estômago. - Eu a amo e não vou deixar você machuca-la. - Sim meu Deus eu amo, eu amo aquela mulher.
Ele veio pra cima de mim novamente e trocamos alguns socos, soquei seu queixo e sua barriga na altura do estômago o fazendo ir pra trás, ficando próximo a uma mesa, antes que eu pudesse avançar sobre ele, o infeliz colocou a mão sob a mesa puxando uma arma dali e apontando em minha direção. Seu rosto focou o meu com apenas um olho aberto já que o outro estava praticamente fechado por golpes.
- Onde está o valentão agora? - Ele perguntou com a arma apontada para o meu peito.
- Não sou eu quem precisa se esconder atrás de uma arma. - Fiz pouco caso dele. - Mas, como eu disse você é covarde. - Ele destravou a arma.
- Senhor Thompson abaixe a arma. - Franck falou já dentro do apartamento atrás de mim com uma pistola apontada para o infeliz. - Eu não hesito. - Ele disse levantando a arma para mirar na sua cabeça.
Depois de alguns segundos de hesitação Patrick baixou a arma lentamente. Franck pegou no meu colete por trás e me puxou para fora do lugar sem tirar os olhos ou a arma do homem a nossa frente.
- Fica longe dela. - Eu disse antes de sair do apartamento.
Franck fechou a porta do apartamento e caminhou de costas até entrarmos no elevador, sempre com a arma em punho, agora segurando ela com as duas mãos. Eu já tinha visto ele em ação uma vez antes quando sofri um assalto, mas, nunca o tinha visto daquele jeito com o modo de combate ativado, ele realmente não teria hesitado se fosse o caso, pois foi o que aprendeu em seus anos de treinamento no exército.
- O senhor tem algum ferimento? - Perguntou assim que entramos no carro.
- Nada sério. - Olhei meu rosto no retrovisor e vi uma mancha em meu queixo e a sobrancelha esquerda com um pequeno ferimento.
Quando cheguei em casa, subi as escadas e fui até um quarto de hóspedes, eu não ia aparecer sujo de sangue na sua frente, ainda mais naquele momento. Só espero que ela não fique com medo de mim de novo.
Tirei toda a roupa, tomei um banho quente, coloquei um curativo na sobrancelha, vesti um roupão, passei enxaguante bucal para ativar o gosto e o cheiro de sangue devido um ferimento por dentro da boca e fui para o nosso quarto. Natalie e Iam conversavam com ela, assim que porta se abriu ela se virou em minha direção e me analisou com os olhos, os outros dois saíram silenciosamente me deixando as sós com ela.
- Fiquem nos quartos de hóspedes. - Falei antes de eles saírem. - Eles estão limpos.
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Finalmente o Henry bateu naquele infeliz.
Em minha humilde opinião o Franck devia ter atirado.
Espero que tenham gostado, nos vemos na terça. 😘😘
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