Capítulo 50.
Andrew e Tulipa na mídia.
Esse capítulo contém gatilhos.
Meg...
Faltam menos de três semanas para o lançamento do meu livro e a cada dia que passa eu fico mais nervosa, perguntas e dúvidas invadem minha mente sem pedir licença. “E se eu não tiver público? E se a crítica acabar com a minha obra? E se eu não conseguir suprir as expectativas em um segundo livro? E se flopar tanto que não chegue a ter um segundo livro?”
Tem sido um tanto difícil me concentrar no trabalho com a cabeça a mil, mas ter um roteiro para escrever me ajuda e muito a me fazer relaxar, quando eu estou escrevendo tudo ao meu redor parece sumir e eu fico imersa no mundo que estou criando é quase mágico.
Me distrai tanto que quando sai para o almoço já passava de 13 horas, depois do almoço dirigi até a minha antiga universidade, queria muito a presença do senhor Clarke em meu lançamento e pelo que sei ele não sai muito de casa a não ser para passeios de moto, para o trabalho e para tratar dos seus negócios extra e coisas desse tipo. Sim eu sei da vida do meu professor, sabe como é em um campus as fofocas correm soltas e com ele não é pra menos, quando você tem um professor incrivelmente gato, que mais parece um modelo de cueca ou de crosfit do que um professor de literatura, e ele sequer olha para a chuva de alunas que se interessam por ele, todas babando na sua beleza e seus cabelos sedosos.
O professor Clarke é viúvo e veio de outra universidade depois da morte da esposa em um acidente, às pessoas que o conhecia antes dizem que ele era um cara cheio de vida, mas que depois que depois da morte dela que estava grávida ele se fechou para o mundo, se afastou da maioria das pessoas.
Enfim, ele foi um dos meus professores preferidos, sempre respondia as perguntas, era atencioso e não importava o tamanho do meu decote ou o quanto minha saia era curta ele sequer notava, aquilo me deixava muito a vontade em sua presença.
Parei o carro no estacionamento da Universidade tomando duas vagas, por que vocês sabem né direção não é um dos meus dons, desci do mesmo pegando minha bolsa e rumei para a ala de letras sentindo a sensação que tinha alguém me observando. Faz uns dois dias que eu tenho essa sensação, como se eu estivesse sendo seguida, as vezes acho que estou ficando paranóica. Deixando a sensação de lado caminhei até a sala com o nome “Clarke” na porta, bati duas vezes e entrei assim que ouvi uma voz masculina autorizar minha entrada.
Abri a porta para uma sala mediana, com paredes brancas e mobília escura. Uma estante cobria uma parede inteira e metades da outra, até perto da porta, com livro de cima a baixo, tinha um sofá marrom na parede oposta com uma mesa baixa na frente, o outro lado da porta tinham algumas prateleiras, ao fundo uma mesa grande e simples, atrás da qual um homem incrivelmente grande dentro de um terno escuro, com os cabelos loiros escuros soltos batendo nos ombros, uma barba que lhe cobria o queixo e olhos azuis me encarando, assim que passei pela porta ele me encarou levantando uma sobrancelha, ato que o deixava ainda mais sexy, não que essa fosse sua intenção. Ele se levantou contornando a mesa em minha direção.
- Margareth Taylor, a que devo a honra? – Ele parou na minha frente me fitando de cima para baixo.
Uma mulher que antes estava sentada em uma das cadeiras a frente da mesa, debruçada na direção dele, lhe mostrando algo em uns papéis a menção do meu nome se virou em minha direção se levantando, ela tinha uma expressão estranha no rosto, algo entre o reconhecimento, a surpresa e talvez culpa, a fitei confusa. Parada de pé eu pude reparar melhor nela, era pequena, muito pequena, do tipo que parece uma boneca, ela devia ser menor que a Ellen ainda, seus cabelos castanho eram cacheados e volumosos, os olhos pretos atrás de um óculos claro de armação grande, lábios carnudos, ela era muito bonita, mas algo em seus olhos transparência dor ou tristeza.
- Essa é Tulipa Albuquerque, minha bolsista no mestrado. – Clarke nos apresentou.
- Muito prazer Tulipa. – Sorri para ela lhe estendendo minha mão.
- O prazer é meu senhorita Taylor. – Disse pegando minha mão em um aperto rápido e tímido.
- Por favor me chame de Meg. – Ela assentiu. – Albuquerque, você é portuguesa Tulipa? – Seu sotaque demonstrava que ela não era daqui e o sobrenome se não me engano é de origem portuguesa.
- Brasileira.
- Oh! Belo país. - Falei sorrindo.
- Já visitou?
- Na verdade não, mas está entre os meus destinos dos sonhos.
- Não deixe de ir então. - Ela sorrio pequeno.
- Não deixarei. – Sorri para ela e me virei para o homem nos observando. – Então senhor Clarke.
- Você não é mais minha aluna Margareth me chame de Andrew.
- Chamo se me chamar de Meg. – Ele meneou a cabeça. – Então, meu livro O Despertar será lançado dentro de três semanas e eu gostaria muito da sua presença. – Tirei um envelope da minha bolsa e estendi para ele. – Por isso vim pessoalmente lhe entregar o convite, sabe como dizem é mais difícil dizer não pessoalmente. – Tulipa se mexeu parecendo um pouco incomodada.
- Não posso prometer nada, mas, farei o possível para ir.
- Ótimo, e leve à Tulipa como sua acompanhante eu vou adorar a sua presença também. – Sorri com sinceridade para ela. – Gostei de te conhecer. – Algo em mim sentia que nós precisávamos nos conhecer.
- Seria uma honra sen... Meg, também adorei lhe conhecer. – Ela sorriu tímida. – Li sua tese outro dia e devo dizer que foi inspiradora.
- Obrigada. – Olhei para Andrew. – Vou deixar vocês trabalhando e voltar para o meu. – Até o dia do lançamento, estarei esperando vocês. – Toquei o braço de Andrew e em seguida abracei brevemente Tulipa antes de sair da sala deixando os dois para trás.
Como eu já estava na Universidade aproveitei para entregar o convite da minha antiga orientadora, ela me apoiou muito na minha escrita e teve que suportar minhas ligações as 6 da manhã na época do TCC, não sei nem como ela aceitou ser minha orientadora na tese depois do tanto que eu a incomodei, eu me rejeitaria.
Depois de falar brevemente com ela caminhei apressada para o estacionamento, já estou atrasada para voltar ao trabalho, entrei no estacionamento e fui caminhando em meio às colunas altas, quando estava a apenas alguns carro a de distância senti um puxão em meu braço e fui arrastada até um canto um pouco escondido onde o estacionamento fazia uma curva, eu não via quem me puxava então achei que se tratava de um assalto, mas assim que meu corpo foi prensado contra a parede e ele me virou para encara-lo eu pude ver o rosto que tanto me fez sofrer, Patrick Thompson me encarava com os olhos apertados, uma expressão dura e uma arma na mão.
- Patrick me solta. – Tentei sair do seu agarre em meu braço, mas ele me apertou mais me prendendo a parede.
- Você acha mesmo que eu ia te ver aquele riquinho mimado e ia ficar quieto? – Ele estava os olhos vermelhos. – Você é minha Meg. – Encostou seu corpo no meu, na parte do estacionamento que estamos não tem câmeras, estamos em um ponto cego e eu sei que esse é o seu desejo.
- Eu não sou sua Patrick. – Falei entre dentes. – E não é o Henry o riquinho mimado, esse é você, ele é um homem de negócios, que fez sua empresa crescer em pouco tempo, e diferente de você ele não se apoia no dinheiro e influência de sua família pra sair por ai fazendo merda.
- Não fala comigo assim. – Ele gritou e por um momento eu me encolhi com as lembranças do passado.
- É o que você é, um playboy mimado, um homem mal e agressor que usa um distintivo e seu nome como muleta, você se acha imune por ser quem é.
Eu tinha que segurar a minha língua, seus olhos ficaram apertados de raiva e a mão que antes estava em meu braço agora apertava meu pescoço com força suficiente para me deixar sem ar.
- Você é minha Meg. – Ele afrouxou o aperto. – Eu te amo e sei que você me ama.
- Não amo você, eu amo o Henry.
Maldita boca a minha, ele apertou mais o meu pescoço e pressionou o bocal frio de sua pistola em minha têmpora, ouvi o click da arma sendo destravada e uma arrepio percorreu pelo meu corpo, naquele momento eu percebi que ele não estava para brincadeira e eu poderia morrer.
- Você vai ser minha de novo Meg, nem que para isso eu precise matar cada pessoa que você ama até restar somente a mim. – Ele deu uma risada anasalada e eu fiquei paralisada. Ele tirou a mão do meu pescoço.
Continuou falando o quanto me amava e como ia fazer eu ser dele, que se eu não fosse sua não seria de mais ninguém, que ele era capaz de qualquer coisa pra estar comigo. Meu corpo parecia anestesiado, só quando ele se esfregou em mim e eu senti sua ereção roçando no meu corpo eu voltei a realidade.
Levantei meu joelho de encontro as suas partes masculinas e bati ali, fazendo ele gemer se dobrando sobre o próprio corpo, dei um soco em seu pescoço o fazendo engasgar e cair de joelhos, chutei sua mão que segurava a arma, com esse movimento sua arma disparou contra a parede, o chutei novamente nas suas partes íntimas e sai em disparada.
Peguei a chave do carro e o abri tão rápido que nem o flash poderia me pegar, me joguei dentro do carro e acelerei vendo ele vir em minha direção com a mão pra dentro da jaqueta, provavelmente segurando a arma.
Acelerei como se minha vida dependesse disso, por que na realidade ela dependia, quando sai do Campos e entrei na rua movimentada a adrenalina baixou e eu desabei, às lágrimas deixaram minha visão turva, minhas mãos estavam trêmulas e se eu já não sou a melhor das motoristas, nesse momento estou ainda pior.
Acho que existe algum santo protetor dos motoristas ruins, ou das pessoas ameaçadas por ex-namorados assassinos, por que eu consegui chegar sem bater na frente do prédio do Henry, eu sei que ele não está em casa uma hora dessas, mas eu não me sentiria segura na minha casa, Patrick sabe onde eu moro e mesmo com toda a segurança eu tenho medo. Sai do carro pegando minha bolsa e passei pela portaria com passos vacilantes e olhos chorosos, assim que passei pela porta do apartamento deixei a bolsa no móvel ao lado da porta, me desfiz de todas as minhas roupas, minha vontade era queima-las ali mesmo elas tinham o cheiro dele, eu sentia o toque dele em mim. Corri escada a cima e fui para o banheiro do quarto do Henry, esfreguei minha pele até ficar vermelha, escovei os dentes, enrolei uma toalha nos cabelos e me sequei com outra. Fui até o closet e peguei uma calcinha entre as roupas que o Henry insistiu em comprar pra mim, vesti uma camisa sua, voltei para o quarto me jogando na cama e chorando com os braços em volta dos meus joelhos.
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O inferno tem sempre que voltar pra mexer com o sossego não é minha gente?
Imagina como a Meg ficou abalada tadinha.
Qual será a reação do Henry quando souber?
Espero que tenham gostado.
Até domingo. 😘
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