Capítulo 4.
Três meses depois do fatídico dia Meg se mudou para Londres, ela começou um novo curso com a ajuda da avó, disse a Eva que pediria crédito estudantil ou tentaria uma bolsa, mas a mulher se recusou terminantemente dizendo que fazia questão de pagar pelo estudo da neta, que queria lhe proporcionar a realização dos seus sonhos, isso Meg acabou aceitando, pois sabia que era uma forma de a avó se redimir por não ter feito isso com seu tio, mas quando quis lhe dá dinheiro para as despesas se recusou veementemente.
- Eu nem acredito que você está aqui. – Ellen falou abraçando a amiga assim que terminaram de organizar a mudança.
- Nem eu, isso é tão bom. – Apertou ainda mais o abraço. – Eu me sinto livre.
- É o início da sua nova vida amiga e eu estarei ao seu lado.
- Sempre.
**
Meg conseguiu um emprego em uma lanchonete e tudo estava correndo bem, estudava pela manhã saia da faculdade e ia direto para a lanchonete, quando saía de lá voltava para o apartamento e colocava sua leitura em dia. Um semestre inteiro já tinha se passado e ela não falou com seus pais, apenas soube deles pelo pouco que Carol lhe contou. Estava de férias e por isso conseguiu um emprego temporário servindo bebidas em uma boate, o dinheiro extra ia ajudar muito ela e como estava de férias podia dormir até mais tarde.
- Como você ficou tão boa em preparar coquetéis? – O homem alto de olhos verdes e sorriso encantador lhe perguntou.
- Tática de sobrevivência. – Respondeu simplesmente e se afastou para atender uma mulher que acabara de se aproximar do balcão.
- Como assim tática de sobrevivência? – Ele perguntou assim que ela ficou desocupada.
– Pra resumir a história, pais controladores e um curso que eu não gostava. – Respondeu sorrindo.
- E isso mudou? – Ele quis saber.
- Sim, joguei tudo pro alto e mudei de vida.
Ela se afastou voltando ao trabalho e viu o homem sair do balcão, dois dias depois em uma noite particularmente complicada ela saiu do trabalho exausta e um tanto estressada, tudo que ela queria era ir para casa e cair na sua cama hibernando até a noite do dia seguinte.
- Ei. – Uma voz lhe chamou enquanto ela andava com o celular na mão para chamar um táxi já que pra completar sua sorte tinha perdido o último ônibus.
- Oi. – Disse encarando o homem de olhos verdes da noite anterior, tudo que ela não precisava naquele momento era de outro cara lhe abordando só por que ela trabalha servindo bebidas.
- No outro dia eu achei que você era familiar, acho que lhe vi no campus, você anda com a turma de moda não é?
- Sim, Natalie é minha vizinha. – Ela falou se recordando de ter visto o homem algumas vezes no campus encarando o grupo de meninas com o qual ela andava as vezes.
- Então você não faz moda? – Ele pergunta se aproximando.
– Não, eu faço letras.
- Hum... Interessante. – Ele passou uma mão pela nuca. – Então você conhece todas aquelas garotas?
- A maioria.
- Então poderia me dizer uma coisa? – Ela assentiu meneando a cabeça. – A June é solteira?
- Sim. – Respondeu pensativa. – Mas, ela é lésbica.
- Sério? – Ele perguntou.
- Sim, sem chance irmão.
Os dois caíram na risada juntos, ele lhe deu uma carona para casa e conversaram o caminho todo, riram de novo quando se lembraram já na despedida que não havia se apresentado, o rapaz se chamava Iam e estudava publicidade. Daquele dia em diante Iam se tornou um amigo muito próximo.
Os dias se seguiram normalmente durante aquele mês de férias, Iam, Ellen e Natalie iam vê-la em algumas noites e acabaram se aproximando também.
Em uma quinta feira próximo ao fim das férias um dia de muito movimento Meg estava servindo alguns clientes e quando se virou seu coração quase parou ali quando viu a sua frente seus pais lhe encarando com olhares acusatórios.
Rosemary usava um vestido verde de alças largas e decote reto que lhe caia reto até a altura dos joelhos, seus cabelos ruivos com alguns fios brancos despontando estavam soltos e em seus pés usava um sapato de salto alto preto. Albert usava um terno preto de três peças feito sob medida e uma gravata verde.
- Podemos falar com você? – Ela assentiu, tirou o avental, falou com o colega e se virou para sair.
Seguiu os pais até o estacionamento e parou esperando que eles falassem algo. Sua mãe lhe encarava da cabeça aos pés, Meg vestia uma saia de couro preta colada ao corpo que ia até o meio das suas coxas, uma meia arrastão também preta, uma blusa vermelha lisa e sem decote, e botas pretas de salto e cano alto. Seus cabelos ruivos estavam presos em um rabo de cavalo e na orelha tinha brincos de argola.
- Por que você está trabalhando em um lagar assim? – Sua mãe franziu o cenho para a boate.
- É um emprego como qualquer outro. – Deu de ombros.
- Sua missão é nos envergonhar? – Seu pai quase gritou. – Primeiro você abandonou medicina, depois começou a trabalhar em uma lanchonete, agora trabalha em uma boate vestida como prostituta. – Aquilo foi como um soco no seu estômago.
- Eu larguei medicina e não me arrependo um único dia, por que segui o que eu amo, meus trabalhos são dignos e eu não me envergonho deles e quanto as minhas roupas não é da conta de vocês.
- É da nossa conta sim, você está jogando o nosso nome na lama. – Sua mãe falou. – Estamos mal vistos na cidade depois que você foi embora.
- E culpa é minha por querer ser feliz? – Meg gritou. – Vieram até aqui só pra dizer o quanto eu estou errada e como eu sou uma decepção? Bem já o fizeram.
- Viemos para te levar de volta. – A mãe falou.
- Eu não sou voltar.
- Se você não voltar eu sou tirar você do testamento. – Seu pai disse.
- Você ainda não percebeu que eu não ligo para o seu dinheiro? Pode ficar faça bom uso dele.
- Não tome uma decisão da qual você vai se arrepender. - Foi a vez de sua mãe falar
- Não me arrependerei, me arrependo de não ter saído de casa antes.- Ela sabia que estava quase em lágrimas, mas tentava se segurar. – Como souberam que eu estava trabalhando aqui.
- Um amigo de passagem pela cidade lhe viu e me contou. – Seu pai disse com amargura.
- Bem se era só isso podem ir.
- Você não sabe o que está fazendo menina quando se arrepender será tarde. – A ameaça reverberava pela voz de Albert.
- Me tire do testamento de vez, me tire da vida de vocês, eu sempre fui uma vergonha pra vocês mesmo. – Falou não contendo as lágrimas que desciam sem parar. – E não se preocupem não jogarei o nome da família de vocês na lama.
Meg chorou naquela noite até dormir abraçada a Iam na cama dele, ela sabia que se fosse para casa e Ellen a visse naquele jeito ia lhe fazer falar e no momento só queria colo e conforto. Iam era ótimo pra isso ele nunca fazia perguntas demais quando a pessoa estava triste, ele abraçava, fazia carinho e dizia que tudo ia ficar bem, depois quando a pessoa estivesse pronta pra falar ele ouvia pacientemente.
Depois daquele dia Meg tomou uma decisão e falou com sua avó, mudou seu nome legalmente e agora assina como Margareth Taylor, assim como Eva que ficou muito orgulhosa pela neta resolver carregar seu nome de solteira, por ela se sentir confortável para se chamar de Taylor. Seus pais no entanto ficaram ofendidos, mesmo depois de exclui-la de suas vidas.
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Eis o motivo para Meg usar o sobrenome Taylor.
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