Capítulo 33.
Natalie...
Meg estava sentada no meu sofá, com os braços abraçando seus joelhos enquanto Henry chamava por ela do lado de fora, o homem parecia tão desesperado que me deu pena, podia jurar que ele estava quase em lágrimas pelo seu tom de voz. Eu não sabia o que fazer, mas conhecendo Meg como conheço e sabendo por tudo que ela passou eu sabia que nada de bom aconteceria se ela fosse conversar com ele agora e também não ajudaria em nada ela ouvir ele lhe chamando.
Me levantei do seu lado e caminhei até a porta pronta para dar um jeito de fazê-lo ir embora, já estava com a mão na maçaneta quando ouvi uma voz que eu reconheceria em qualquer lugar conversar com Henry. Havia chamado Iam, pouco depois que Meg chegou, mas não esperava que ele chegasse logo, fiquei com medo de ele brigar com Henry, por isso abri a porta devagar e espiei pela fresta, mas ele não o fez, conversou com o homem e o convenceu a ir embora.
Depois que o elevador fechou e começou a descer levando Henry consigo Iam se virou para o meu apartamento me vendo na porta, eu o chamei com um aceno de cabeça e ele veio até mim.
- Como ela está? – Perguntou tocando meu ombro exposto.
- Não muito bem, ela ficou muito abalada. – Disse deixando-o passar fechando a porta em seguida.
Iam se abaixou perto dela a fazendo lhe olhar, ele passou uma mão em seu rosto e começou a conversar com ela, voltei a cozinha para esquentar o chocolate quente e levar de volta pra ela. Teve um tempo que eu tinha ciúmes da relação dos dois e em algum momento cheguei a pensar que pudessem ficar juntos, mas eles eram os irmãos que não tinham.
- Não tem chocolate quente pra mim? – Iam perguntou fazendo bico quando eu entreguei a caneca de Meg, ele fica muito fofo fazendo isso.
- Você não é prioridade aqui hoje meu bem. – Falei e Meg esboçou um sorriso do jeito que falávamos. – Mas, eu posso pensar em dividir o meu com você.
- Já é um começo. – Ele falou pegando minha caneca das minhas mãos e levando a boca.
- Ele foi mesmo embora? – Meg perguntou depois de um silêncio.
- Foi sim, eu pedi pra ele deixar você se acalmar.
- Obrigada. – Iam apenas sorriu.
- E você vai fazer o que? – Perguntei tomando minha caneca das mãos de Iam que estava querendo monopolizar ela.
- Eu não sei, gosto muito dele, mas eu não sei se daria certo continuar com isso, eu, eu não sei nem se ele gosta de mim.
- E você acha que isso que ele fez é atitude de quem não gosta? - Perguntei um tanto irônica.
- Tá, mas... – Ela tomou outro gole de chocolate quente. – E se eu tiver um ataque sempre que ele tiver ciúmes? E se... – Ela não completou o que queria falar, mas eu sabia exatamente o que era, ela tinha medo de se repetir o que aconteceu com o Patrick.
- Meg, você não pode parar a sua vida, você sabe. – Falei entregando a caneca a Iam e me aproximando dela. – Você não pode deixar aquele homem comandar a sua vida, depois de tanto tempo ainda. – Peguei suas mãos.
- Henry não é o Patrick e você sabe disso. – Iam falou do outro lado depois de esvaziar o conteúdo da caneca. – Você sabe que eu seria o primeiro a querer você longe dele se eu achasse que ele fosse uma ameaça.
- Eu sei. – Ela falou. – Só preciso de um tempinho, quero organizar meus pensamentos.
Ficamos mais algum tempo conversando, ligamos pra Ellen mesmo sabendo que era bem tarde na Índia, ela tentou ajudar a nossa amiga e reclamou por não está aqui para lhe abraçar. Conversamos e tentamos distrair Meg da maneira que pudemos, já passava das 23 quando ela foi para o apartamento e Iam ficou para me ajudar com a louca suja do jantar que comemos juntos.
**
Meg...
Demorei a dormir na sexta, as coisas que tinha acontecido no dia não deixavam minha mente, nem mesmo o banho frio que tomei ajudou a acalmar meu espírito, eu ouvia a voz de Henry chamando por mim e podia sentir angústia e dor nela, mas, eu não sabia se poderia me jogar em seus braços se eu estava pronta para isso.
"E se eu me apavorar toda vez que a gente brigar?"
"E se ele se mostrar agressivo?"
"Para, pode ficar calada porra, eu não posso ficar presa no passado pra sempre. Mas, será que estou pronta pra ir em frente?"
As vozes na minha cabeça não estavam ajudando, levantei e fui até a cozinha , fiz um chá de camomila e tomei com umas gotinhas de limão, voltei para a cama e depois de intermináveis minutos eu finalmente consegui adormecer, o cansaço vencendo minha mente que corria a mil com pensamentos e dúvidas.
Eu estava na casa de Henry com ele ao meu lado sorridente e carinhoso, então eu recebi uma ligação de Carol e corri para atender, quando voltei para a sala ele estava com cara de poucos amigos e os braços cruzados sobre o peito.
- Quem era? – Quis saber.
- Carol. – Dei de ombros sentando ao seu lado.
- E porque você não atendeu aqui?
- Por que era assunto de irmã.
- Você tá me traindo Meg? ACHA QUE EU SOU IDIOTA? QUE VAI ME FAZER DE OTÁRIO?
Ele agarrou meu braço com força e quando eu olhei pro lado não era o Henry que me segurava era o Patrick, seus cabelos loiros levante caídos sobre a testa, os olhos estreitos e a boca em linha reta, ele tremia de raiva e eu comecei a tremer de medo. Sua mão apertava meu pulso a ponto de ser quase insuportável de dor.
- Me solta, por favor eu não fiz nada.
- Eu vi você com aquele empresário idiota, você pensa que me engana vadia? – Ele gritou pra mim.
- Patrick por favor.
Ele deu um tapa em meu rosto que ficou ardendo e me puxou para si apertando meu pescoço, eu pedia por ar, arranjava seus braços e tentava puxar sua mão de mim, mas não consegui, me sentia mais fraca a cada segundo, já estava beirando a inconsciência.
Acordei ofegando e suada, olhei em volta piscando várias vezes, procurando por alguém, eu estava sozinha e o sol começava a nascer do lado de fora. Voltei a me deitar e não pude impedir a torrente de lágrimas que saia pelos meus olhos, fazia tempo que eu não tinha pesadelos com ele e nunca tinha sido dessa forma. “Até quando ele vai me amedrontar?” “Acho que talvez seja hora de eu voltar ao psicólogo, não estou tão bem quanto imaginava.”
Depois de muito chorar me levantei incapaz de continuar deitada, eu precisava relaxar, esquecer o que perturbava minha mente, nem o banho frio que tomei ajudou, então vesti um short saia azul de tecido elástico, um top também azul e uma regata branca soltinha que mostrava o top nas laterais, amarrei o cabelo em um rabo de cavalo e calcei um par de tênis de corrida rosa com branco, coloquei uma faixa de braço pra o celular na qual o guardei, coloquei minha playlist de correr pra tocar pus os fone e sai.
Corri pelas ruas, sentindo o sol esquentar gradativamente sobre a minha pele a média que a manhã se estendia, passei por lanchonetes, mercados, casas, sem parar pra olhar por onde eu ia, acabei na praia que não ficava muito longe do nosso apartamento, eu adorava essa parte da praia por que é pouco movimentada, a areia branquinha, o mar azul e calmo, o cheiro de maresia, o som das ondas quebrando perto da praia me lembravam de quando eu era criança e nós íamos para a casa da vó Eva em Jersey durante as férias de verão.
Sorri com as lembranças, tudo era mais fácil, teve um momento enquanto éramos crianças que Lisa era mais próxima de mim e Carol, as vezes eu sentia falta disso, andei pela praia meio sem rumo, observei os poucos banhistas que se encontravam por ali e as pessoas que corriam na calçada que contornava a orla, corri pela areia até me ver livre de toda a angústia que apertava meu peito.
Quando enfim me sentia leve voltei pelo caminho que eu tinha vindo, mais andava do que corria de tão cansada que eu estava, por vezes eu me vi tentava a chamar táxi, estou muito desacostumada com exercício. “Tenho que mudar isso.”
Corri mais um pouco só para testar meu limite e parei ofegante a um ponto de parar com as mãos nos joelhos, passei direto pelo prédio no qual moro e fui a uma cafeteria que tem no bairro, onde você encontra o melhor omelete da cidade, só não é o melhor do mundo por que esse é o da Vó Eva. Pedi o café da manhã dos campeões, omelete, bacon, panquecas e café, sim hoje é um dos raros dias que eu tomo café. Esperei calmamente pela minha comida enquanto mexia no celular, vi que tinha ligações do Henry, mas no momento eu só queria descanso. Quando enfim voltei para casa já era quase 10 horas.
Fui direto para casa e passei o resto do dia tentando me concentrar em escrever, sem muito sucesso, no fim da tarde eu saí para ir no mercado comprar ingredientes para fazer um bolo, estava morrendo de vontade de comer bolo de chocolate com morango, e não existe receita melhor no mundo do que a que aprendi com o tio Matthew. “Nada melhor que muito açúcar pra acalmar a minha mente,”
- Senhorita Meg. – O porteiro me chamou quando eu ia passando para o elevador com sacolas nas mãos.
- Sim Oliver? – Parei me virando.
- Chegou isso aqui para a senhorita. – Ele falou apontando para o balcão onde estavam um buquê de rosas vermelhas e brancas, um buquê de tulipas, minhas flores preferidas, e uma caixa de chocolates. – Chegou agora a pouco. – Ele falou sorrindo para mim.
- Obrigada Oliver. – Fui até o balcão e não pude deixar de sorrir ao pegar o cartão que estava no buquê de rosas e vê escrito com uma caligrafia rebuscada as palavras:
Me perdoa.
Sinto sua falta.
H.G.
- Por nada. Quer ajuda para levar isso tudo isso para o seu apartamento?
- Preciso na verdade se não terei de ir e voltar. – Falei sorrindo.
Lhe agradeci e ofereci um chocolate, ele aceitou e saiu, quando eu fiquei sozinha me encostei na porta olhando para as flores sobre minha mesa de centro, voltei a abrir a caixa e peguei um chocolate, foi aí que vi um papel lá dentro. Peguei o papel e me sentei no chão perto da mesa, abri e comecei a ler.
Eu não sou um poeta, por isso vou me valer das palavras de William Shakespeare:
“Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão.
No fundo, isto não tem muita importância.
O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos.
Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado.”
Você é o meu sonho acordado Meg, nunca imaginei me importar tanto com alguém em toda a minha vida como me importo com você, enquanto escrevo estas palavras estou com o coração apertado pelo medo de te perder.
Com carinho Henry Green.
Eu não sei quanto tempo fiquei parada olhando para aquele papel. Meu coração apertou e se aqueceu lendo aquelas palavras e lágrimas escorreram dos meus olhos, como ele podia me emocionar com tão poucas palavras? Como tão poucas palavras podiam ser tão profundas? Como eu posso me apaixonar um pouco mais por ele? Por que foi o que acabou de acontecer.
**
Carol...
Acordei com o toque do meu celular tinindo em meus ouvidos, minha cabeça lateja devido a bebida da noite anterior, depois de ganhar uma audiência fui beber com uns colegas do escritório. Senti a mulher ao meu lado se mexer resmungando.
“Eu juro que se for o infeliz do Matt perguntando se eu comi a gostosa de ontem ou outra idiotice do tipo eu o mato. Quem liga as 8 da manhã de um sábado para alguém?”
Peguei o celular e olhei para a tela, cada músculo do meu corpo se retesou e eu fiquei completamente desperta quando eu vi que se tratava de um número da Inglaterra que me ligava, me levantei nua enquanto atendia a chamada.
Ligação on*
- Alô. – Falei ao atender caminhando para o banheiro.
- Alô Carol Brown? – Uma voz grave masculina falou do outro lado da linha, ele parecia um pouco preocupado.
- Ela mesma. – Respondi fazendo malabarismo pra vestir um robe de seda sem tirar o telefone do ouvido.
- Eu sou Henry Green. – Meg tinha me falado que estava saindo com ele, então a menção do seu nome disparou todos os alertas em mim.
- Aconteceu alguma coisa com a minha irmã? – Falei saindo do banheiro e direção a sala, meu coração palpitava. – Me diz o que aconteceu com ela. – Falei um pouco mais alto.
- Não aconteceu nada com a Meg. – Ele falou me tranquilizando. – Ela está saudável eu lhe garanto. - Suspirei de alívio.
- Se você me disser que me ligou as 8 da manhã de um sábado para me falar sobre o contrato que já foi assinado eu juro que pego o primeiro avião pra Londres só pra arrancar as suas bolas e não tô nem aí se vai danificar o brinquedo da Meg. – Falei já me enfurecendo e o vi rindo do outro lado da linha. “Ninguém perturba meu sono sagrado, a não ser que seja para foder.”
- Não, não foi pra falar do contrato que eu te liguei. – Ele falou depois de rir. – Pelo visto você sabe que eu e a sua irmã estamos... saindo, ou estávamos.
- Deixa eu adivinhar, você fez merda e agora quer a Meg de volta? – Perguntei com uma voz ácida. “Típico de homens”. Não que eu nunca tenha feito isso.
- Precisamente.
- Típico. – Revirei os olhos. – Você dormiu com outra mulher?
- Como se eu conseguisse fazer isso. – Ele falou e eu me surpreendi afinal Henry Green tinha uma fama de mulherengo, mas continuei calada. – Eu queria dizer pra ela o que eu sinto, mas acabei brigando com ela por ciúmes.
- E ela fugiu? – É claro que fugiu, minha irmãzinha tem seus traumas. Preciso saber se ela largou a terapia.
- Sim e eu não sei o que fazer, então lembrei que tinha seu número nos arquivos da empresa.
- Quando aconteceu?
- Ontem.
- Eu conheço minha irmã você precisa dar pelo menos um dia para ela digerir tudo aconteceu.
- Eu sei, mas eu não sei o que fazer pra ela me perdoar.
- É o seguinte pelo visto você quer um grande gesto romântico. – Ele confirmou. - Olha eu não sou muito boa com o romance, sabe, não que eu não seja romântica, mas, a minha criatividade ficou toda voltada para argumentação. – Falei rindo. – Mas, acredito que a Natalie posso lhe ajudar.
- Você me passa o número dela?
- Claro lhe mando por mensagem. – Mandei o número.
- Mais uma coisa qual a flor preferida dela?
- Tulipa.
- Até mais. Obrigado.
- Por nada e vê se não faz merda de novo. – E desliguei.
Ligação off*
Então minha irmãzinha fisgou mesmo esse homem, por que ele não estaria fazendo isso se não estivesse apaixonado por ela, eu espero sinceramente que ele gosta de verdade dela e que a faça feliz. Se não eu vou acabar com a raça dele, por falar nisso eu tenho que falar com Mike meu contato na corregedoria, espero que ele esteja perto de conseguir algo contra aquele desgraçado do Patrick, por que eu duvido que ele tenha esquecido da Meg.
Voltei para o quarto e a mulher havia voltado a dormir, sem querer ser indelicada expulsando-a e não estando afim de dormir com ela, fui para o quarto de hóspedes e desabei sobre a cama não demorando a voltar ao meu merecido sono afastando os pensamentos da minha mente.
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Vem um grande gesto pela frente. Henry Green um homem romântico, quem diria.
O que será que ele vai fazer?
Até sexta. 😘
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