Capítulo 26.



Na quinta feira Meg saiu do trabalho um pouco mais cedo por que ia passar no trabalho de Natalie para provar o vestido que ela tinha feito para o baile anual da Glamour (baile beneficente realizado anualmente pela importante revista), que esse ano como ela uma das estilistas responsáveis pelas demanda do ateliê não pôde se livrar, a amiga estava muito animada para o baile e sempre se lamentava por Ellen não está para lhes acompanhar. Experimentou o vestido e ele estava praticamente perfeito só precisava soltar um pouco nos seios e ajustar a barra.

- Sabe de quem eu estou fazendo o vestido para o baile? – Natalie perguntou enquanto colocava alfinetes onde necessitava de ajuste.

- Já sei a Helena Bonham Carter, você passou a semana falando isso.

- Isso é incrível e eu ainda não me acostumei, mas não era dela que estava falando. – Natalie falou se levantando. – A sua chefe, Grace Green veio aqui hoje cedo e eu que lute pra fazer o vestido dela em duas semanas estando cheia de outros pra fazer também.

- Tadinha de ti amiga. – Falou rindo.
- Vai rindo de mim Margareth. – Ela falou lhe apontando uma tesoura e Meg levantou os braços. – Pode tirar o vestido.

Meg, tirou o vestido, voltou a colocar a calça jeans colada e a blusa com um decote nas costas que usava. Ficaram conversando um pouco enquanto Natalie desenhava um modelo de vestido.

- Então você vai mesmo jantar com o Nathan? – Ela perguntou.

- Sim eu vou.

- É mesmo uma boa ideia? – Ela fez uma pausa. – Você não acha que ele tá querendo um flashback?

- Sinceramente eu acho que não.

- Mas, vocês passaram tanto tempo sem contato e agora ela vem se reaproximando... – A amiga insinuou.

- Olha eu conheço o Nathan, sei que ele me amou, sei que ele ficou arrasado quando o deixei e que isso não fez ele parar de me amar. Isso me destruiu também, vê que quando ele me via tinha vontade de me abraçar, de estar comigo e não podia, então ele ficava tristinho. – Meg falou baixando a cabeça, ela se sentia triste com isso. – E ele manteve distância de mim, se ele veio até mim agora é por que ele conseguiu esquecer a dor e a mágoa, por que ele virou a página e por que ele consegue está comigo sem querer voltar a termos algo, sem sentir mágoa, sou ser estranho.

- Então você está dizendo que ele te superou?

- Sim. – E agradecia aos céus por isso.

- E você acha que ele esteve ligado a você esse tempo todo?

- Eu não sei Natalie. – Falou olhando para a amiga. – Mas, acho que não, ele namorou outras pessoas e o Nathan não se envolveria com alguém gostando de outra, mas, nós não nos víamos a anos, então talvez ele tenha percebido que consegue manter uma relação comigo sem ter sentimento.

- Entendo.

- Deixa eu ir por que estou quase atrasada. Depois eu te conto como foi.

Se despediram e Meg pegou um táxi para o restaurante onde encontraria Nathan que já a estava esperando quando ela chegou.

- Oi, desculpa, tive que passar na Natalie pra provar um vestido. – Falou sem lembrar que ele não sabia quem era Natalie. – E ainda peguei trânsito.

- Está tudo bem. – Ele falou depois de a abraçar. – Você dirige bem agora?

- Algumas coisas nunca mudam Nathan. – Os dois riram. – E eu vim de táxi.

- Se você continua como naquela época é melhor assim. – Falou ainda rindo.

- Engraçadinho. – Ela falou pegando o cardápio. – Ninguém respeita minhas habilidades automobilísticas.

- Que habilidades? – Ela lhe deu um olhar morta e não respondeu.

- Então, como está a conferência?

- Muito boa, amanhã à tarde eu volto para casa. – Ele disse e continuou falando sobre a palestra que deu no dia anterior, a mesa redonda que participaria na manhã seguinte, a pesquisa que estava realizando.

- Sempre soube que você se tornaria o melhor neurocirurgião da Inglaterra.

- Exagerada. – E seguiram conversando sobre o trabalho de Meg dessa vez.

Henry estava indo para um jantar com um dos escritores que tem contrato com a editora, um homem brilhante, porém um tanto excêntrico, apesar de não ter muita paciência, sabia lidar com ele e suas excentricidades. Enquanto ia para a mesa que havia reservado seu olhar foi atraído instantaneamente para uma ruiva sentada na frente de um homem de olhos verdes que a olhava com carinho. Mesmo de costas ele reconheceu Meg, instantaneamente sentiu seus músculos retesarem e uma sensação ruim se instalar dentro dele. Antes mesmo que pudesse pensar em algo, se viu caminhando na direção dos dois que tomavam vinho enquanto conversavam.

- Boa noite. – Falou ao se aproximar.

- Boa noite. – Meg olhou para ele sorrindo surpresa por vê-lo ali e antes que pensasse em algo se levantou e o abraçou depositando um beijo em seu rosto, em um gesto que lhe pareceu muito natural. – Surpresa ver você aqui.

- Jantar de negócios, reunião com um escritor. – Ele falou.

- Nathan esse é Henry Green da Corporação Green, com eles que vou publicar meu livro. – Ela falou ainda de pé ao lado de Henry que mantinha uma mão em suas costas. – Henry esse é Nathan Wood, o melhor neurocirurgião do Reino Unido.

- É um prazer conhecê-lo senhor Green. – Nathan falou esticando a mão em sua direção.

- O prazer é meu doutor Wood. – Falou apertando a mão do outro com mais força que o necessário. – Vim aqui só para lhe cumprimentar. – Falou desfazendo o aperto de mãos e olhando para Meg. – Vou indo.

- Bom jantar. – Ela falou para ele.

- Pra vocês também. – Ele disse e se inclinou para lhe dar um beijo na bochecha e acabou lhe beijando bem perto da boca.

Henry se obrigou a sair de perto da mesa, mas sua vontade era ficar ali e tirar ela de perto daquele cara que a olhava como se a conhecesse muito bem, ele não entendia o que estava sentindo, o era algo  totalmente novo e o corroía por dentro. Sentou na mesa, mas não conseguiu se concentrar no homem a sua frente, pois seus olhos e pensamentos ficavam se voltando para a ruiva que lhe virava a cabeça.

Tanto que quando a viu se levantar e ir ao banheiro teve que lhe seguir, não aguentava se perguntar quem era aquele homem e o que eles tinham, por isso a esperou de frente para a porta do banheiro feminino apoiado na parede. Uma parte dele tinha receio de saber quem era aquele homem para Meg.

**

Meg...

Henry sorriu ao sair de perto da nossa mesa e eu o observei caminhar calmamente na direção da mesa na qual um homem esperava por ele. Voltei a me sentar e o Nathan me olhava sorrindo.

- O que foi?

- Você está namorando o seu editor? – Ele perguntou ainda rindo.

- Eu e o Henry não estamos juntos. – Respondi e ele ergueu uma sobrancelha. – Que foi?

- Vocês se olham como um casal Meg, e ele olhou pra mim como se quisesse me fuzilar.

- Você está dizendo que ele está com ciúmes de você? – Falei rindo.

- Vai dizer que não percebeu? O cara quase estraga meus instrumentos de trabalho apertando. – Falou mostrando as mãos.

- Você deve estar vendo coisas. – “Será que ele tá com ciúmes de mim? Mas, por que?  Deve ser exagero do Nathan.” – Não tem nada acontecendo. – Falei sem comentar o fato de termos dormido juntos, não tinha necessidade dele saber.

- E você me elogiando pro cara ainda. – Nathan falou rindo e balançando a cabeça. – Parece a minha mãe que mãe que não perde a oportunidade de falar esse tipo de coisa. – O garçom chegou com nossos pedidos.

- Ela ia adora ver você me comparando a ela na sua frente. – Falei rindo antes de colocar uma porção de comida na boca.

- Ela não te odeia Meg. – Ele falou mais baixo.

- Sim, ela me odeia. – A mulher sequer falou comigo quando a cumprimentei no casamento da Lisa. – Ou pelo menos se ressente.

- Sinto muito. 

- Não se desculpe, eu não estou reclamando. – Falei levantando os olhos para ele. – Olha, eu a entendo, é sua mãe, ela te ama, criou você pra ser o homem maravilhoso que você é – Toquei seu braço.  – É mais que compreensível que ela não dá mulher que... – Não continuei quando imagens da época invadiram a minha mente. Olhei para o lado e vi o Henry me encarando, involuntariamente retirei minha mão do braço se Nathan.

- Partiu meu coração? – Ele completou.

- Eu sinto muito, eu...

- Está tudo bem. – Agora foi ele quem me tocou, eu podia sentir os olhos do Henry queimando sobre mim. – Eu me ressenti por um tempo, eu te amei por um tempo, mas hoje eu superei, de verdade. – Ele falou com sinceridade. – E eu não te chamei aqui para remoermos o passado. – Ele sorriu tirando a mão do meu braço. – Eu chamei você por que sempre foi uma amiga, desde que nos conhecemos, e eu não gostaria que passássemos mais tempo afastados, agora que eu sei que posso está com você aqueles sentimentos ouser algo estranho. – Ele falou calmamente. 

- Fico muito feliz que isso. – Falei sorrindo e me afastando para que o garçom que se aproximou tirasse os pratos. – Senti falta da sua amizade.

É óbvio que não seria a mesma coisa, até por que nós nunca fomos apenas amigos, éramos namorados amigos, nossa relação agora seria diferente, mas, eu gostei do rumo que ela vai tomando. A sobremesa não demorou a chegar e nós comemos enquanto conversávamos.

Me levantei e fui ao banheiro, depois de usar o banheiro e lavar as mãos sai do mesmo e quase caiu pra trás de susto ao ver o Henry encostado na parede de frente ao banheiro feminino.

- Caralho você me assustou. – Falei levando a mão ao peito. – Tem fetiche em me assustar?

- Desculpe, minha intenção era outra ruiva. – Ela tinha um sorriso malicioso nos lábios e se aproximou de mim, pegando meu rosto em suas mãos e tomando meus lábios em um beijo cheio de desejo.

- Era essa a sua intenção? – Perguntei rindo quando ele se separou.

- Talvez. – Falou antes de me beijar novamente, mas dessa vez com calma. – Quem é o homem que está com você? – Perguntou sem rodeios.

- Eu lhe apresentei a ele não foi? – Ele arqueou uma sobrancelha. – Nathan é um ex-namorado. – Vi seu semblante mudar e ele fechar as mãos em punhos.

- O homem que fez aquilo com você? – Ele falou entre dentes.

- Que? – Demorei pra pegar no tranco, até me lembrar do que ele falava. – Não, ele não fez aquilo, foi outro ex. – Fiz uma pausa. – Nathan foi meu primeiro namorado, ainda em Manchester.

- E vocês estão se reaproximando?

- Sim estamos tentando reatar a amizade.

- Só amizade ou algo mais? – Ele me olhou nos olhos.

- Só amizade. – Falei sem sequer entender por que eu estava dando satisfações da minha vida pra ele. – Por que esse interrogatório?

- Só curiosidade. – Ele falou se aproximando.

- Tá bom. – Dei de ombros sem querer alongar. – Vamos.

- Espere. - Me segurou voltando a me beijar.

Andei a sua frente de volta ao salão e ele se colocou ao meu lado com uma mão na base da minha coluna, quando ele chegou em sua mesa me deu um beijo no rosto antes de eu continuar para a minha mesa, onde Nathan esperava com um sorriso zombeteiro nos lábios. Meia hora depois me despedi dele, me despedi de Henry que perguntou se eu queria carona, mas disse que já tinha chamado o táxi, quando foi me beijar dessa fez ele selou nossos lábios lentamente me desejando boa noite. Do lado de fora me despedi de Nathan com a promessa de não perdermos mais contato.

**

Henry...

Não sei explicar o alívio que eu senti depois que a Meg me disse que entre ela e o tal do Nathan não estava rolando nada, embora ainda me incomode o fato de eles terem namorado e estarem ali juntos. Não consegui me concentrar no jantar a noite inteira, meu olhar vez ou outra sendo atraído para ela. “Por que essa mulher me atrai tanto?”

Quando ela veio se despedir eu só queria a levar para casa e a fazer minha, ouvir ela sussurrar meu nome enquanto gozava, fazê-la esquecer aquele cara, mas, ela simplesmente foi embora. Enquanto eu dirigia para casa depois do jantar eu me vi lutando contra a vontade de ir bater na porta dela.

“O que essa mulher está fazendo comigo? Eu não sou assim. Henry você está se tornando um idiota. Você tem que se livrar disso. Tem que se afastar dessa mulher.”

Prometi a mim mesmo manter a relação entre nós somente profissional e procurar outra mulher pra sair, assim eu apagaria a imagem e o cheiro dela de mim. Mas, idiota como sou o que estou fazendo em pleno domingo de manhã depois de não sair de casa no sábado? Isso mesmo, ligando para ela.

Ligação on*

- Alô. – Ela atendeu distraída.

- Alô, lhe acordei? – Perguntei.

- Não, estava escrevendo. – Ela respondeu. – Henry?

- Isso, sou eu. – Falei sorrindo feito um idiota. – Desculpa lhe atrapalhar.

-Está tudo bem eu já ia parar pra fazer o almoço. – Ela falou. - Então a que devo a honra de sua ligação?

- Que tal jantar hoje à noite? – Perguntei sendo direto como ela.

- Hoje? – Ela perguntou.  – Pode ser, tenho nada pra fazer mesmo. – Ela riu.

- Ótimo. – Sorri vitorioso. – Lhe pego as 20:00 horas?

- Não, eu faço o jantar e comemos aqui em casa que tal? – Ela perguntou e eu abri ainda mais o sorriso. – Estou com vontade de cozinhar algo bom hoje e acho muito chato cozinhar só pra mim.

- Eu vou adorar.

- Até a noite então.

- Até.

Ligação off*

Depois que desliguei o telefone fiquei imerso em pensamentos por Deus sabe quanto tempo, ela tinha me chamado para jantar na sua casa, ela vai cozinhar para mim, o que isso significa?  Será que ela gosta de mim? Ou só gosta de cozinhar? Eram tantas perguntas em minha mente que eu quase entro em parafuso, sentia esperança por ela ter sentimentos por mim, mas, principalmente senti um receio, afinal não é isso que eu quero da vida, não é?  Depois de acordar do meu transe fui para o meu escritório em casa para trabalhar um pouco.

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Henry ficou com ciúmes? 🤔

E esse jantar hem?

Próximo capítulo no domingo.

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