☠️ Capítulo XVI ☠️
Thomas Black
Hoje é o dia de embarcar rumo à Terra da Deriva. Três dias após o início do quer que seja a coisa que está acontecendo entre mim e Lee. Ela tem me mostrado pequenos detalhes que ela nunca deixou transparecer que simplesmente me cativam cada vez mais.
Depois que acordamos nos jardins da casa da colina, voltamos de mãos dadas para o casarão central, passamos horas na biblioteca lendo coisas diferentes, conversamos sobre nossos gostos sobre coisas banais e obviamente nos beijamos o tempo suficiente para que eu precisasse pará-la e tomar um banho gelado para me acalmar.
Não quero dormir com ela sem antes ter deixado minha vida de corsário para trás. Se quero ser dela tenho que fazer as coisas direito para ser exclusivo dela.
Depois que passar seu aniversário, vou contar minha decisão a ela e zarpar em um barco pequeno de volta a Porto da Marinha, vou dizer que falhei ao almirante, que fui descoberto, precisei fugir para salvar minha vida e passar para ele uma descrição completamente errada sobre quem realmente é Lee Feng. Com essa questão resolvida vou pedir demissão, vender algumas das propriedades que meu pai me deixou e voltar para os braços de Lee.
Não posso condená-la à forca, mas também não posso me tornar um pirata de todo o coração. Sou um idiota moralista, não consigo matar piratas e muito menos consigo compactuar com todas as condutas piratas. Mas me consola o fato de que posso viver uma vida simples aqui na fortaleza sendo cartógrafo para eles e terei a garota que arrebatou meu coração em meus braços, e se ela estiver disposta podemos fazer expedições para descobrir novas rotas juntos. Me parece uma vida melhor do que jamais imaginei.
Me sinto um grande bobo apaixonado escutando meus próprios pensamentos, mas não posso reprimir o sorriso que surge em meus lábios enquanto caminho despreocupado pelo mercado. A sacola em meus braços já tem algumas mudas de roupas novas e alguns perfumes pagos com meu gordo salário como navegador.
— Espadas! Adagas! Todos os itens ideais para você esfolar alguém por metade do preço! — Os berros de um vendedor me chamam a atenção e apesar de não querer esfolar ninguém me aproximo em busca de uma arma para auto defesa. — Olá, senhor dos cabelos de fogo. No que posso te ajudar?
— Queria dar uma olhada em suas melhores armas, por favor.
O homem abre um grande sorriso e começa a me mostrar as coisas mais mirabolantes e violentas que já vi. Lee estaria com os olhos brilhantes vendo essas coisas. Entre facas curtas, pequenos dardos e pistolas com detalhes folheados a ouro, ele me mostra algo que me deixa bastante curioso e desperta um certo interesse.
— Essa é uma novidade que trouxemos do outro lado do mundo. — Ele abre um grande sorriso. À primeira vista parece uma espada com um cabo mais grosso que o normal, mas então ele aperta um pequeno botão e o óleo de baleia começa a escorrer pela lâmina, quando ele a aproxima de uma pequena vela a arma incendeia imediatamente.
— Uou! — Deixo escapar minha surpresa com a coisa. Lee já havia comentado sobre uma coisa dessas, mas achei que era lorota de sua parte.
— Perfeita arma para aterrorizar qualquer adversário que tente te ameaçar pela bagatela de duzentas moedas de ouro.
— É muito tentador, mas eu não sou o melhor dos espadachins.
— Se tiver um bom professor pode vir a se tornar.
Uma pequena luz se acende em minha cabeça. A melhor pessoa que pode me ensinar as melhores técnicas é Lee, uma desculpa perfeita para passar mais tempo com ela. Os olhos do vendedor brilham vendo o saco de moedas sendo colocado diante dos seus olhos e o meu peito é corroído pela ansiedade de propor a minha capitã que ela me ensine a usar essa coisa.
Meus passos se tornam mais rápidos para retornar para casa, a empolgação da proposta dominando meu corpo. Nunca fui muito bom em luta — Lee ter me salvado assim que nós conhecemos é um bom indicativo disso —, sei dar uns socos, mas nada muito extraordinário. Aprender a manusear a espada flamejante, me parece o melhor passo para cortar o fio que me prende a minha versão corsário da Marinha Real.
Eu não quero matar ninguém, mas se vou cogitar mesmo ficar contra a maior potencial militar que controla mais partes desse planeta do que posso contar é bom que eu saiba pelo menos me defender.
Esse pensamento me faz pensar na minha mãe. Esse tipo de coisa seria bem a cara dela, se estivesse viva tenho certeza que estaria empolgada com a minha decisão. Ela também amaria conhecer Lee… Queria que ela estivesse aqui…
Quando finalmente chego ao casarão, dou de cara com um grande frenesi na sala de estar. Vários serviços que se mantiveram ocultos nos últimos dias parecem surgir de todo e qualquer buraco, carregando baús, barris e armamentos para fora. Angelo e Jimmy surgem do corredor, cada um com uma bolsa grande e caixas nas mãos.
— O que está acontecendo?
— As consequências das decisões daquela chata indecisa. — Angelo resmunga com um bico chateado quilométrico. — Ela sabe que detesto aquele navio.
— Lee adiantou nossa partida, então estamos todos correndo contra o tempo para encher o porão do Azul Perolado para partirmos antes do meio-dia. — Jimmy explica. — Aliás, ela mandou que você se apressasse. Parece que é o único tripulante que está faltando se apresentar. Ela também quer debater algo sobre os mapas.
O loiro sai pela porta da frente. Uma sensação nova, diferente da que me preenche quando me apresentei ao Princesa do Mar, me domina. Estou… Empolgado? Talvez entusiasmado por não ser algo muito focado em missão e seja algo mais leve e pessoal. Sinto que dentro dessa viagem vou poder conseguir ver ainda mais lados incríveis sobre Lee e sobre a navegação, sem o adicional de medo e adrenalina recorrente.
Sou rápido em organizar a minha bagagem, tomando cuidado ao esconder bem no fundo da minha bolsa a caderneta do almirante. Não é difícil achar o tal novo navio que vamos embarcar. É um navio tão majestoso quanto o princesa do mar, sua madeira são pintadas da mesma cor que o nomeia, na polpa seu nome é escrito com letras elegantes brancas e na proa a imagem de uma concha turquesa é folheada a prata e suas velas diferente de todas que já vi trazem as cores brancas e azuis.
Na Gávea, posso ver Lee observando o horizonte com sua luneta e gritando ordens que não consigo escutar direito para os tripulantes embaixo. Um sorriso inconsciente se espalha em meus lábios e começo a subir a rampa para embarcar no navio. O interior do navio é tão grande quanto o do Princesa do Mar, no deck superior próximo ao leme vejo a cabine da capitã e do seu imediato, além de um convés imenso que facilmente caberia 300 pessoas, no segundo nível do navio além da despensa, sala de jogos e sala de mapas, existem várias cabines que funcionam como dormitórios para as tripulações. Meio perdido começo a procurar por Jimmy ou alguém que me diga para onde exatamente devo ir. Fico em um dos dormitórios ou vou para sala de mapas?
— Thomas! — A voz de Shang me tira dos meus questionamentos. O chinês caminha com uma leveza que não vejo com frequência, parece que toda aquela expressão carrancuda e autoritária cai de uma só vez. Jimmy aí seu lado parece mais relaxado do que nunca. — Lee, está te procurando.
— Ah, certo. Pode deixar que eu já vou, só preciso saber onde eu deixo as minhas coisas.
— Você vai ficar na cabine comigo e com o Angelo. — Jimmy diz.
— Melhor se apressar. — Shang diz. — Ela está na cabine dela.
Dito isso, o primeiro imediato segue seu caminho de volta ao convés superior envolto em uma aura leve e feliz. É estranho e meio assustador vê-lo dessa forma, mas deve ser isso que a vida ao lado da pessoa que ama e a paternidade proporcionam a um homem.
— A paternidade e o amor estão transformando esse homem.
— Não só ele… — O loiro dá de ombros. — Deixa que eu levo suas coisas para nossa cabine. Melhor correr para a capitã.
Ele pega minhas coisas e começa a caminhar para o início do nível, para uma cabine bem próxima da sala de mapas. À medida que caminho para a cabine de Lee, a frenesi no convés parece diminuir, alguns homens desembarcam e Shang grita as ordens para zarpar. Com duas batidas fortes, ouço a permissão para entrar na cabine e uma Lee revirando uma bagunça de papéis me recepcionando.
— Oi.
— Olá, está com problemas aí? — Ela levanta um papel, mas o joga para longe frustada. Se existisse uma competição de pessoa mais bagunceira, com certeza ela ganharia.
— Não estou encontrando uma das folhas do meu caderno de desenho.
— Posso ajudar. — Me aproximando da imensa bagunça. — Como é esse desenho?
— Eu prefiro enfiar minha cabeça a sete palmos do chão, do que descrever esse desenho para você.
— Por que? É um desenho indecente meu? — Suas bochechas ganham um leve tom rosado e meu sorriso rasga meu rosto seguido de uma alta gargalhada. — Não acredito! É mesmo um desenho indecente meu?
— Não! — Ela retruca de uma forma nada convincente que me faz gargalhar mais ainda. — Eu só não gosto que as pessoas vejam meus desenhos. É algo particular e… — Vendo que a risada ainda está presa em minha garganta ela me empurra com uma cara emburrada. — Para de rir, seu estúpido! Quer saber? Esqueça esse desenho!
Ela começa a marchar com pisadas fortes para longe, mas para quando minhas mãos se enroscam em sua volta em um abraço por trás. A chinesa mantém sua pose irritada, mas deixa a passagem para seu pescoço em evidência para que a irresistível fragrância seduza meu nariz a deslizar pela região. Sinto-a suspirar ao meu toque e estremecer com meus beijos.
— Se quiser eu posso posar para você repor esse desenho no seu caderno. — Ela se vira, ficando na ponta dos pés para passar os braços por cima dos meus ombros.
— É mesmo? — Ela encurta a distância, fazendo nossos narizes se roçarem. — Posaria onde, como e quando eu desejasse?
Deposito um breve selinho em seus lábios fazendo surgir um sorriso carregado de uma malícia significativa, ela volta a colar nossas bocas em uma beijo rápido, carregado de luxúria, sua língua invade e explora fazendo todo meu corpo se eletrizar. Suas mãos desceram pelo meu peito, seus dedos afoitos procurando os botões da minha camisa. É preciso um auto controle absurdo para pará-la.
— Espera… — Seguro suas mãos sentindo as batidas do meu coração, ela resmunga e tenta avançar, mas consigo pará-la. — Espera, Lee. Acho que temos que ir mais devagar.
— Mais devagar? Thomas, se formos mais devagar que isso até uma lesma seria mais adiantado que nós.
— Lee, esse momento deveria ser especial para nós dois. — Recito a meia verdade em minha cabeça. Ela bufa irritada.
— Eu acho esse momento bem especial.
— Na sua cabine, em plena luz do dia com seus cem homens do outro lado dessas finas paredes do navio?
— Não tem cem homens nesse navio, é uma tripulação pequena de trinta homens. — Ela rola os olhos como se a ideia ainda não fosse ruim.
— Esse argumento não acrescenta em nada.
— Pelos sete mares, eu achei que para fazermos isso eu só precisaria gostar de você e você de mim.
— Bem, sim. Só precisamos disso, mas o local e momento não é propício.
— Céus, homem! Eu só quero que você tire a minha virgindade! — Ela se exalta e meus olhos se arregalam.
— Você…
— Beijei muito na minha vida, mas ninguém nunca me inspirou confiança suficiente para me levar para a cama. — Ela desvia os olhos por um minuto, mas quando me encara novamente a história que ela me revelou sobre seu passado na festa em alto mar com Serena vem a minha cabeça. — Sempre vi o ato como algo muito mais do que libertinagem carnal e sempre disse para mim mesmo que se um dia fosse transar com alguém seria por ter um sentimento forte que me levasse até isso. — Ela volta a ficar muito perto, sua respiração se misturando com a minha, seus lábios selam os meus e se demoram por um tempo. — Quero você, Thomas Black, como nunca quis ninguém.
Ela me quer. Ela confia em mim.
Meu plano principal de só me deitar com ela depois de largar de vez a vida de corsário nunca me pareceu tão sensato. Mas talvez não seja tão ruim se pudéssemos só… aliviar a tensão entre nós.
Nossa bocas se unem em um beijo intenso, carregado e feroz que faz todo meu corpo esquentar de uma só vez, seus dedos travessos voltam a serpentear pelos botões da minha camisa, mas rapidamente puxo seus braços para trás com um comando silencioso que ela acata com um suspiro sobre meus lábios. Com a mão direita mantendo suas mãos onde devem ficar e a mão esquerda invadindo sua blusa grande, meus dedos subindo por sua pele até encontrar os seios ainda cobertos. Ela interrompe o ósculo deixando escapar um gemido baixo, meus lábios descendo por sua mandíbula e pescoço, trabalhando em conjunto com a minha mão. Seu corpo parece derreter sob meu toque, com passos destrambelhados nos caminhamos até seu corpo sobre sua mesa bagunçada. Meus beijos voltam ao seu pescoço, sua mandíbula, até que meus lábios estão próximos o suficiente de seu ouvido.
— Eu também te quero da mesma forma como nunca quis ninguém. — Sussurro, vendo os pelinhos de seu pescoço se arrepiarem. A ereção em minha calça é dolorosa demais e não sei até onde terei alto controle. — Quero que a sua primeira vez seja perfeita, não uma coisa desleixada com trinta homens lá fora que podem nos atrapalhar, mas de um jeito especial onde eu possa me entregar para você.
— Se entregar para mim? — Seus olhos brilham.
— Você está me dando a confiança de se entregar para mim, nada mais justo que eu faça o mesmo. — Beijo seu queixo, deixando minhas mãos fazerem um leve carinho em sua cintura. — Quero ser todo seu. Por livre e romântica vontade.
Ela volta a me beijar, mas dessa vez um beijo rápido e singelo.
— Thomas! Lee! Precisamos ordenar o curso! — A voz de Shang soa forte e alerta. Lee resmunga e sela nossos lábios na tentativa de retormar o que começamos, mas a voz e a batida se tornam mais fortes. — Rápido!
— Eu vou matar esse idiota. — Ela resmunga e me afasto um pouco para tentar voltar a realidade.
— Melhor irmos.
Ela salta de seu lugar na mesa buscando voltar a sua imagem inabalável. Sua atenção foca em minha boca e um sorriso vitorioso surge.
— Acho que preciso usar menos batom. — Sua fala me alerta e tento limpar mais uma vez, a fazendo rir. Acho que estou fazendo um trabalho medíocre.
Ela volta a ficar próxima de mim, meus dedos formigando para tocá-la mais uma vez, mas deixo que se concentre em limpar o estrago com a barra da manga de sua camisa. Com o serviço feito, ela deixa seu rosto rente ao meu.
— Só para constar… — Seus olhos se abaixam para o meio das minhas pernas. — Eu ainda desejo ver você posar para meus desenhos. E vai ser de uma forma bem indecente.
— Quem sou eu para te negar tal desejo, capitã? — Retruco com um sorriso zombeteiro e ela estala um beijo em meus lábios.
Céus. Estou todo arrepiado.
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O dia avançou agitado sem dar brecha para que eu e Lee nos víssemos de novo. Eu deveria agradecer por isso, pois o timbre sua voz, a sensação de sua boca na minha, o jeito como ela sussurrou que queria fazer um desenho indecente meu, tudo está impregnado no meu cérebro e não estou confiante do meu autocontrole para não passar por cima da minha moral.
Pelo menos a brisa gelada que sopra no mar e minhas mãos apertadas em torno do leme me ajudam a desviar os imensos pensamentos indecentes que rondam minha mente.
Em certo momento as enxurradas de linhas de raciocínios se tornam uma coisa cômica demais para se acreditar. Eu estou mesmo perdidamente apaixonado pela mulher que deveria levar para a forca, acredito que repeti isso para mim mesmo umas quinhentas vezes desde que a ficha caiu, mas ainda me soa cômico.
Me lembro claramente de ter escrito uma lista sobre os lados positivos e negativos dela, me lembro claramente de como o lado negativo era gigantesco, e agora aqui estou eu quase implorando que as horas e dias passem logo para que eu possa me declarar, expor a verdade para ela e fugir para a fortaleza pirata.
Eu sou um idiota.
É estranho como todas as minhas concepções sobre o mundo e a moral foram mudadas em poucos meses. Parece meio radical da minha parte, mas ao mesmo tempo a coisa certa a se fazer.
— Boo! — A voz de Lee em meu ouvido me faz saltar sobressaltado. Porra, de onde ela saiu?
— Pelos sete mares, que susto! — ela solta uma leve risada se escorando no corrimão que envolve o deck superior.
— No que está pensando?
— Tantas coisas que nem consigo enumerá-las.
— Aposto que está repassando o plano para se declarar para mim. — Minha risada sai divertida demais para alguém que realmente faria o que ela diz.
— Pois passou bem longe, capitã. Você que vai se declarar para mim.
— Até parece. — Ela rola os olhos, mas mantém seu sorriso no rosto. — Então, no que estava pensando?
Será que devo começar a contar fragmentos de toda a verdade para que quando finalmente chegarmos em terra firme — ou em um lugar sem chances do meu corpo morto ser encontrado boiando na água — ser mais fácil colocar todas as cartas na mesa?
— Eu sei onde o mapa das sete peças está. — A frase sai rápida e clara. Seu rosto passa de um sorriso, para algo inexpressivo, até por fim ela se aproxima eufórica.
— O que? Onde?
— Fiz mais algumas pesquisas e depois de uma batalha da Marinha Real contra Lionel Miller, alguns espólios foram levados de alguns navios do capitão que estava perto de naufragar e eles encontraram esse mapa. — Seus punhos se fecham tentando controlar a raiva com a menção do seu odioso pai biológico. — Ele está na Academia de Eruditos.
— Acha que podemos ir até lá depois de terminar meu assunto na Terra da Deriva? — Não consigo distinguir sua expressão e nem entender o que pode estar passando em sua cabeça.
— Não seria uma boa ideia. Estamos em uma tripulação de trinta pessoas, a Academia guarda inúmeras relíquias e é tão bem protegida quanto o palácio do rei. Seria suicídio ir até lá.
— Eu preciso daquele mapa, Thomas. — Sua voz sai sombria, parece estar maquinando uma carnificina.
— Sei que precisa, mas tem um jeito menos mortífero do que simplesmente ir até lá e atacar com toda a força.
— Qual a sua ideia?
— Quando chegarmos à Terra da Deriva, logo depois de você aproveitar sua tradição de aniversário, você manda uma mensagem para a fortaleza pedindo apoio de três dos seus navios e eu mando uma mensagem para um conhecido meu que trabalha na Academia. Vou dizer ao meu conhecido que tenho informações sobre você e que preciso me encontrar com ele. — Ela ouve atenta. — Quando eu chegar ao porto com as falsas informações, enquanto eu estiver conversando com ele, você ataca para criar uma distração. É o tempo perfeito para que eu invada a Academia e roubei o mapa. Com eles em mãos, dou o sinal para que você recue e despiste a Marinha. Vai ser o tempo para que eu possa fugir do Porto e nos encontrarmos na Fortaleza.
Seu silêncio perdura por um tempo, fazendo todo meu corpo se encher de tensão e ansiedade. Ela gostou do plano? Desconfiou por eu ter um “conhecido”? Se bem que ela sabe quem era meu pai, então é plausível que eu conheça pessoas. Lee é imprevisível, nunca sei o que esperar dela quando meu pescoço está em jogo, mas para meu alívio ela abre um leve sorriso.
— Acho que alguém está se tornando um pirata de verdade. — Ela se desencosta, caminhando na minha direção. — Quando acabar seu turno me encontre na sala de mapas, vou começar a organizar as coisas com a sua ideia, mas você querer sua ajuda nos mapeamentos do curso e… — a chinesa deposita um beijo em minha bochecha, mas antes de se afastar seus lábios estão perigosamente dos meus ouvidos — beijar mais um pouco sua boca.
— A senhora está ficando muito pervertida, capitã. — Retruco e ela apenas abre um sorriso libidinoso.
— Estou apenas usufruindo do que é meu, marujo. — Ela vai embora me lançando uma piscadela.
Eu já disse que essa mulher ainda vai me matar? Porque ela vai e eu vou morrer sorrindo.
— Que cara de mané. — A voz de Angelo me tira dos meus pensamentos. Ele e Lee são algum tipo de assombração? De onde esse menino saiu? Jimmy vem atrás dele como sua sombra e fiel escudeiro. — Você gosta mesmo da minha irmã, não é?
— Sim… Eu gosto dela… — A confissão sai com um sorriso no rosto e o garoto faz uma expressão de ânsia de vômito.
— Está bem estampado na sua cara. — De repente o garoto assume uma feição dura, algo que não devia ser ameaçador, mas me causa um certo receio. — Eu vou ser bem claro. Lee me ensinou tudo que sabe, eu sei como desovar um corpo e como te estrangular alguém duas vezes maior enquanto dorme, então eu acho bom você ser bom para minha irmã.
Um arrepio percorreu a minha espinha. Essa família é louca… Muito louca.
— Não está nos meus planos desapontar ninguém. Serei bom para ela.
— Vou estar de olho em você, tomatinho.
O garoto sem mais nem menos saiu da minha vista com um sorriso radiante, como se não tivesse ameaçado me matar. Essa família está cheia de pessoas psicóticas e sanguinárias, é a única explicação.
Céus, onde é que eu fui atracar meu navio?
— Tomatinho. — O loiro gargalha do péssimo apelido dado.
— Cala a boca.
— Não, senhor, eu tenho que falar. — Meu amigo abre um sorriso enorme e convencido, já tenho uma noção do que ele vai dizer. — Eu avisei que se enrabichar com a capitã ia te fazer cair no próprio golpe. Eu avisei! Eu avisei! Eu avis…
— Certo, certo! Já entendi! Eu sou um mané.
— Que bom que sabe. — Ele cruza os braços com um sorriso presunçoso no rosto. Odeio esse cara. — E então, qual vai ser o plano agora?
— Vou roubar o mapa que ela quer e pedir minhas contas no trabalho. Nunca gostei de lá mesmo.
— Uau! Está realmente apaixonado para deixar de lado a recompensa do chefe. — Ele diz olhando em volta para que ninguém escute. — Vai mesmo desistir da Academia.
— Ela parece algo bem menos atrativo, quando eu posso me aventurar com Lee pelos sete mares sem precisar seguir ordens e protocolos.
— E está disposto a lidar com o lado cruel dos piratas?
— Ela não é tão cruel quanto pensava. Posso lidar com isso.
— Não estou falando dela, Thomas. Existem vários outros piratas na fortaleza, piratas que não seguem o mesmo código de conduta de Lee, pessoas crueis que vão matar e roubar qualquer um. Vai conseguir lidar com esse tipo de gente que faz parte do mundo de Lee com esse coração de justiceiro?
Suas palavras fazem uma sensação ruim tomar o meu peito. Sou capaz de lidar com isso?
— Eu não… sei…
— Então é bom descobrir logo, antes que esteja afundado até o pescoço nesse mundo. — Ele faz menção de se afastar, mas o impresso.
— Se eu desertar, o que vai fazer? Vai se juntar a tripulação ou vai me matar na primeira oportunidade?
— Por mais que às vezes você seja um chato de galocha, não vou deixar você nessa sozinho e também já faz um tempo que eu estava de saco cheio da Marinha. — Ele abre um sorriso. — Vou fazer questão de ficar nessa tripulação para te atazanar. Agora deixe eu ir atrás daquele moleque ou meu trabalho de guarda-costas vai para o ralo.
O loiro se afasta e uma dose de alívio misturada com felicidade me toma, mas ainda me sinto incomodado pela sua fala sobre os diversos tipos de piratas que vou encontrar se entrar de cabeça nessa. Porém, eu sei como Lee trabalha, demorei para aceitar isso, mas ela é realmente justa com aqueles que pouco tem e sabe até que ninguém e com quem deve ser cruel. Eu me sinto tranquilo em me envolver com esses foras da lei sabendo que Lee é a cabeça, o comando maior e o futuro me parece muito promissor quando sei do sinto por ela.
Eu posso lidar com isso. Pelo menos é isso que acredito.
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