☠️ Capítulo V ☠️
Lee Feng
Eu sou o tipo de pessoa que guarda muitos segredos, admito, mas nunca imaginei que encontraria alguém que pudesse se equipara a mim nesse quesito. Estamos a horas dentro da sala de mapas, dei apenas a ideia superficial de que quero chegar ao Nevoeiro da Maldição para roubar o tesouro que um dia pertenceu ao terrível capitão Edmundo Lower e o ruivo calculou precisamente em como chegarmos lá sem morrer de fome e sede, mal sabendo que a real intenção de chegar até esse local passa longe de um tesouro mequetrefe de um pirata nojento.
No entanto, o que me deixa intrigada é que existe algo no homem a minha frente - dormindo debruçado sobre mapas e anotações, o cabelo levemente bagunçado pelo seu sono e o hábito engraçado de coçar a cabeça quando está concentrado - que entrega facilmente que assim como eu, ele é um homem que não sai falando de si para qualquer um.
Não me lembro de nenhuma vez em que senti tantas coisas incompreendidas por um homem, desacredito na ideia de que um dia estive realmente apaixonada. Nasci em uma aldeia pobre da Costa de Jade, criada até os cinco apenas pela minha mãe abandonada por meu pai depois de descobrir gravidez e até os doze por uma dona de bordel que só não me vendeu como uma cabra por causa da cicatriz sob meu olho, confiar em alguém ou apenas entregar a minha confiança sempre foi a ideia mais absurda que poderia passar pela minha cabeça. Eu precisava sobreviver, se isso significava afastar qualquer ser humano de perto de mim, que assim fosse.
Thomas por outro lado é o meu completo oposto. Pesquisei sobre ele, descobri coisas a seu respeito, mas como um bruxo, o ruivo conseguiu despistar minhas investigações e manter sobre si pequenos segredos, o que faz todas as sensações que sinto em sua presença ainda mais viciante. O ruivo se remexe sobre os papeis, me fazendo voltar a realidade e parando de encará-lo.
- Pode continuar observando, sei que é legal ficar olhando o meu cabelo na luz do sol. - sua voz sai rouca devido ao sono, os olhos ainda fechados. Ele tem razão, seu cabelo é lindo diante do sol.
- Já que está acordado, levanta e para de babar nos meus mapas.
- Bom dia para a senhorita também, capitã.
Ele se espreguiça, seu corpo esticando e tomando um espaço maior do que já tem, os músculos de seu peito desnudo fazendo algo em meu estômago aquecer, os cabelos bagunçados, o pomo de Adão marcado. Estou quente. Por que estou quente?
De uma forma nada natural e estranhamente nervosa, me levanto em direção a porta. Preciso tomar uma garrafa de rum, preciso esfriar... isso tudo. Posso sentir seu olhar confuso sobre mim, mas me recuso a encarar essa montanha masculina que me causa coisas.
- Arrume tudo antes de sair, você tem algumas horas antes do café da manhã para poder dormir um pouco mais. Depois do café quero você comandando o leme e seguindo nossa rota.
Não espero que ele me responda e bato a porta atrás de mim. Preciso me controlar.
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O mar está bonito sob o pôr do sol, imenso e calmo. Posso senti-lo por meio da ligação que tenho com ele, a única coisa que me liga à minha origem. Poderia passar horas sentada entre as barras de madeira da pequena varanda em meu quarto apenas sentindo o vento e a maresia, mas tenho coisas a fazer.
Obediente, Thomas estava lá depois do café como mandei e depois do almoço quando sai da minha sala de mapas ele continuava lá. Sereno e concentrado. Sabendo disso, fiquei tranquila em resolver coisas da minha tripulação, como: checar como está o resfriado de um dos marujos, resolver reclamações de alguns homens e checar a lista de mantimentos em falta.
Céus, preciso chegar logo ao refúgio pirata e entregar esse recrutas como prometi a corte pirata, para embarcar na minha real jornada.
Acreditei que o que roubei no Porto real da marinha me daria provisões suficientes para chegar até o esconderijo, mas parece que não tenho homens a bordo e sim máquinas trituradoras de alimentos. Existe a possibilidade de racionar as porções, o que geraria algumas reclamações e a minha paciência com esses recrutas folgados afundando no oceano.
Pelas barbas de Kallimur, às vezes eu odeio ser capitã. Shang entra na cabine com uma cara séria e passos duros, parando na porta da varanda e cruzando os braços.
- Anda, desembucha. Quem eu preciso matar agora?
- Matar não vai resolver, o problema é na dispensa. Você viu a lista do cozinheiro do que está faltando? - inquieta, esfregou os olhos pedindo aos sete mares por paciência.
- Temperos no geral, trigo, carne e mais um dez itens.
- Adicione à lista também o rum. - O espanto me faz levantar desajeitada. Não, o rum não. - Não sobrou uma única garrafa.
- Qual a ilha mais próxima que podemos assaltar?
- Lembra daquela ilha-colônia dos franceses? Ela fica só alguns milhas náuticas ao norte, vamos desviar poucos graus da rota do refúgio, mas se seguirmos a corrente da madrugada chegamos normalmente lá.
- Você está colocando ela na jogada porque quer ver sua garota? - ele abre um sorriso convencido. - Canalha.
- Você faz o seu saque e eu durmo com a garota dos meus sonhos enquanto tento fazê-la vir a bordo. Dois problemas resolvidos em uma única noite. - É impossível não deixar o sorriso se alargar para sua desculpa de meia tigela.
- Se ela não aceitar vir a bordo, sequestra ela. Você pode manipular também, para ela vir até você, sabe? - dou de ombros, deixando-o para trás com sua gargalhada.
- Você não presta. - ouço suas botas, enquanto ele me segue.
- Eu sei disso.
O convés tem pouca movimentação, mas todos parecem mais relaxados a minha presença. Atrás do leme, os cabelos soltos como se tivessem sido molhados e todos os botões da camisa abertos, Thomas conduz o navio enquanto conversa animado com Ângelo sobre algo. A visão dele dessa forma faz meu corpo parar para observar. Será que ele sabe fechar os botões da camisa ou toda a inteligência dele só se manifesta quando se trata de navegação?
- Parece que eu não sou o único pensando em libertinagem. - a voz de Shang me assusta. Ele não espera que eu retruque e começa a se afastar rindo da ardência em minhas bochechas.
Com muito custo afasto os lapsos de imaginação que vem a minha mente, me aproximando do rapaz. Só preciso falar que ele precisa virar vinte graus ao norte. Apenas isso. Porém, algo tira meu foco, ele está cantando uma canção que conheço bem.
"O mar canta a história
O trágico amor
A ninfa e o mortal, proibido amor
Amaldiçoado poder destronou e roubou..."
A canção de como a rainha das ninfas se apaixonou por um homem. Originalmente era uma velha lenda, mas não tardou até que os pescadores da costa da Jade a transformassem em uma música que se espalhou por todos os mares.
- De acordo com a lenda que a rainha das ninfas do oceano, Yu Feng, a sétima filha da deusa Mazu, era a mais poderosa dos sete mares. - Thomas começa a narrar a história para Ângelo que escuta interessado. - Ela era doce e gentil, mas provocada era feroz e impetuosa como as ondas do mar. Por séculos ela se manteve dentro do seu propósito de ser uma rainha protetora, sábia e poderosa, mantendo os mares como um território pacífico e intocado pelos homens. Até que os mortais descobriram como usar as águas para locomoção.
"Alguns desses mortais mantinham uma rota para uma região ainda inexplorada, quando uma tempestade assolou o navio. Os homens daquele navio foram derrubados pelas ondas e apenas acordaram em uma pequena ilha deserta, quando abriram seus olhos deram de cara com várias ninfas.
Criaturas de beleza inimaginável, possuíam anatomias humanas, mas escamas cobriam seus corpos, suas orelhas eram alongadas e possuíam presas. Entre elas estava a rainha das ninfas, por quem o capitão da tripulação caiu de amores imediatamente. As ninfas foram bondosas com os homens e os abrigaram com generosidade em sua ilha até que o navio pudesse voltar ao mar, a rainha cai nos encantos do mortal e um romance se sucedeu.
Tudo parecia perfeito, a rainha estava feliz e depois de alguns meses esperava por uma criança em seu ventre. Quando a rainha contou que estava grávida foi uma grande felicidade, mas a deusa não ficou nem um pouco feliz com tal união. Naquela noite, Mazu matou o marinheiro e baniu sua filha para longe dos mares."
Ao final da história Ângelo está quase em prantos. Preciso começar a dar aulas de história para esse garoto para impedi-lo de acreditar em histórias distorcidas de pescadores.
- Por que Mazu fez isso? Eles poderiam ter sido uma família tão feliz! - vejo uma lágrima escorrer de seus olhos. Fala sério.
- Para de chorar, bobão. Essa história está errada. - Os dois me encaravam sem entender nada.
- Como assim, a lenda sobre o trágico amor está errada? - Thomas questiona sem acreditar.
- Ela estava apaixonada, ele não. Quando a rainha contou que estava grávida, o marinheiro fugiu na calada da noite e ela nunca foi banida, pelo contrário foi mandada pela própria deusa para um lugar calmo e pacato para ter seu bebê e criá-lo até seus cinco anos de idade.
- As histórias podem se modificar com o tempo. - Thomas dá de ombros sem levar a sério minhas palavras. - A sua versão pode ser apenas mais uma modificação.
- Na verdade é a original. - retruco.
- Como pode ter certeza?
- Eu tenho minhas fontes. - dou de ombros e o ruivo rola os olhos. - Enfim, tenho novas instruções. Angelo preciso que avise sobre o código gongji¹. - o garoto sai com um sorriso cúmplice para mim. - Thomas, preciso que desvie a rota vinte graus ao norte.
- Por que? O que é código gongji?
- É o nosso código para reabastecer o navio, tem uma ilha que não foi mapeada que tem os suprimentos que precisamos.
O ruivo parece não confiar muito na minha palavra, mas faz como o ordenado. Um pequeno entusiasmo surge em meu peito, um ataque repentino e perfeito, tudo que eu precisava para me sentir viva e entorpecida de adrenalina. Apesar de preferir mais furtos, do que o roubo escancarado, gosto de como chegamos de surpresa e a adrenalina do caos me consome. Sem falar que eu fico maravilhosamente linda com o meu traje especial para roubos.
- Como conhece essa versão da lenda da rainha da ninfa e do marinheiro? - Thomas pergunta repentinamente me tirando do meu devaneio.
- Minha mãe me contou. - me sento próximo ao leme apoiando os pés em um monte de corda. O ruivo me encara curioso, esperando mais informações, mas desvio o olhar para o mar.
- Ela também era pirata?
- Não, era artesã. Fazia as melhores redes de pesca da aldeia. - Não consigo esconder o pequeno sorriso que adorna meus lábios ao lembrar da mulher de corpo esguio, feições delicadas e o sorriso mais lindo do mundo que iluminava seu rosto quando me via. - Que outras histórias essa cachola guarda?
Ele parece frustrado por eu ter mudado o nosso rumo da conversa, mas pensa por um tempo.
- São muitas, não tenho um número exato. - ele dá de ombros. - Gosto de ler sobre elas desde que tinha uns nove anos.
- Conhece a lenda do altar da ninfa?
- Nunca ouvi sobre ela. - seus olhos se acendem em interesse. - Que lenda é essa?
- Essa história é muito popular na Costa de Jade e muitos piratas do mar oriental a levam muito a sério. - Seus olhos não se desgrudam dos meus, esperando ansiosamente pelo completamento. - A rainha das ninfas, depois de todo o episódio com o marinheiro que a abandonou, passou cinco anos em terra para dar a luz e cuidar de seu bebê. Após esse período, Yu Feng precisava voltar aos oceanos e suas responsabilidades, ela deixou o fruto de seu amor proibido com uma amiga muito querida e retornou, deixando para trás apenas a promessa de que um dia a criança iria retornar aos seus braços e herdar a sua coroa.
"Como uma forma de se comunicar com a amiga, ela forjou um altar em uma ilha próxima a Terra da Deriva e deixou a instrução para sua amiga ir até lá todos os meses para lhe dar notícias e de que a criança deveria vir junto com ela apenas quando tivesse doze anos.
Sete anos se passaram e como instruída, a mulher assim fez e no aniversário de doze anos, a criança foi levada ao altar, mas a rainha das ninfas não apareceu e tudo que encontraram foi um mapa com uma carta com oito lugares."
- Esse mapa, não seria o lendário mapa das sete ilhas de ouro?
- Exatamente. Andei pesquisando sobre esse mapa, mas não encontrei nada a seu respeito. - ele se mexe desconfortável, como se soubesse de alguma coisa. - Sabe alguma coisa sobre ele?
- Não. Como eu poderia saber?
- Mentiroso. - Seus olhos se arregalam. - Somos amigos Thomas, capitã e navegador, piratas até o fim... Conte logo o que sabe. Guardar segredo é muito feio.
- Sendo assim, que seja um segredo por outro. - ele engole o que acredito ser seu medo, assumindo uma posição mais defensiva. - Um jogo de três perguntas.
Ele é ousado. Gosto disso.
- Então vamos jogar isso todos os dias. - ele abre um sorriso convencido. O alarme para o jantar soou junto do meu estômago, o barulho da minha fome fez o ruivo abrir um pequeno sorriso.
- Parece que o jogo vai ter que ficar para depois da janta.
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- Capitã! - A voz de um dos meus marujos interrompe o melhor momento do meu jantar. Jairo, um homem incrivelmente alto e musculoso, vem até mim com um sorriso que faz seus olhos puxados quase sumirem. Precisava ser bem na hora da minha sobremesa, poxa? - O primeiro imediato está chamando na sala de armas para falar do gongji.
Shang e seu péssimo hábito de ser extremamente organizado.
- Obrigada, Jairo. Avise aos homens para irem para lá, chegarei em um minuto. - o grandalhão faz uma pequena reverência e se vira para comprir a ordem.
Por coincidência ou não, as primeiras pessoas que ele avisa são Thomas e seu amigo loiro, ambos sentados a poucos metros de distância da minha mesa no deck. Meu coração acelera levemente quando o ruivo se levanta e marcha em minha direção, como se estivesse muito preocupado em ser charmoso com seus cabelos de fogo voando com a brisa. Será que ele deixaria eu trançar suas madeixas ou amarrar em um coque samurai? Alheio aos meus pensamentos, ele para a frente da minha mesa com seus braços bonitos para trás.
- Ouvi sobre a reunião para esse tal de gongji, preciso comparecer ou devo ficar no leme?
- Quanta devoção ao seu serviço, senhor Black. - Ele apenas dá de ombros, mas noto um breve sorriso ameaçar surgir. - Matenha o navio no curso e se junte a nós na reunião. Depois de abastecermos o navio, gostaria da sua companhia em minha cabine para dar início ao nosso jogo. - Suas bochechas ganham uma tonalidade rosada e o vejo engolir em seco.
- Sim, senhora capitã.
Um arrepio toma a minha espinha com suas palavras. Céus, acho que tenho fetiche em ver esse grande homem me responder com submissão. Antes que minha mente comece a ter ideias indecentes, limpo a minha mesa e entrego o prato ao cozinheiro que passa por mim. Preciso me concentrar na reunião de agora e no ataque que faremos ainda essa madrugada.
A cada passada que dou para dentro do recinto, quase duzentos homens abrem passagem para mim. O espaço é bem amplo com as paredes pintadas de preto e dourado, não há mesa aqui, apenas prateleiras e baús cheios de pistolas, espadas, clavas, bolas de canhão, máscaras e pólvora. Quando chego a frente, bem ao lado de Shang e Ângelo - que fechou a cara na mesma hora em que tirei uma adaga de suas mãos -, vejo Thomas entrar e ficar dividido entre admirar a estrutura da sala e ficar confuso com a quantidade de armas. Alguém retira a espada de cima do baús e a entrega.
- Como sabem estamos no limite das provisões. - Os vários rostos assentem concentrados. - Então dei início ao código gongji. Para os novatos, isso é apenas um nome bonito para ataque. Um saque no meio da madrugada e nosso alvo é a ilha-colônia francesa Beauté Isolée. Como seu nome já diz é bonita e isolada no meio do oceano, um lugar de onde a coroa francesa tira parte da comida de suas mesas e também abriga nobres palacetes. Perfeito para encher nossa dispensa e nossos bolsos.
Os homens abrem sorrisos cúmplices e cheios de luxúria. Thomas é o único a ficar sério.
- Vamos dividir a tripulação em duas. Uma parte ficará no navio sob o comando do primeiro imediato para bombardear a área da fortaleza mais próxima dos palacetes como distração, enquanto a outra parte irá dar a volta de botes comigo para invadirmos pela área oposta. Vamos tomar a ilha pela madrugada e zarparmos depois do café da manhã. - Eles urram alegres, sedentos pela adrenalina e a promessa de pilhagem. - Mas temos um termo de conduta. Nenhuma violência contra mulheres, crianças e idosos é permitida, vocês já sabem o que acontece com quem burla essa minha regra. - eles engolem em seco, lembrando dos quatro que matei logo no primeiro dia e incertos com a minha seriedade, mas relaxam quando deixo que o sorriso travesso desponte em meus lábios. - Fora isso, peguem tudo e sem nada devolver.
Eles jogam seus punhos ao alto e gritam em plena euforia. Eu amo esses momentos pré assaltos.
- Prepare as armas! Apaguem todas as luminárias do convés superior! - Sahng grita suas ordens e eles começam em sua frenesi. - Estamos a poucas horas de lá e precisamos do efeito surpresa.
- Por que não posso participar? - Ângelo questiona cabisbaixo. - Eu já aprendi tudo que me ensinou sobre as lutas!
- Já falamos sobre isso. Você ainda é muito novo e lá será perigoso, sem participação ativa nos ataques até os dezesseis. E você ainda não aprendeu nem a metade.
- Aprendi sim! - o menor tenta me atacar, mas facilmente bloqueio e contra atacou, ele se protege bem, porém deixa a guarda livre em um dos lados. Com um puxão forte, torso seu braço e o prendo contra o meu corpo. Ele tenta se desvencilhar, mas é inútil.
- Viu? Ainda te falta técnica e...
- Eu não vou participar disso. - A voz de Thomas me interrompe.
- Vá ajudar a apagar as luminárias, quando acabar quero você na minha cabine devidamente arrumado para dormir. - liberto Ângelo, ignorando por ora o ruivo à minha frente. Alguns homens param seus afazeres para observar sua audácia. - E nem tente me enganar com os travesseiros sob as cobertas ou te tranco em uma das celas até chegarmos em casa. Está me entendendo?
- Sim, senhora. - ele bufa deixando a sala.
- Você me escutou? - Thomas volta a falar. Impertinente, ele joga a espada diante dos meus pés, fazendo os homens ficarem em alerta. - Eu não vou participar disso. Não vou roubar ninguém!
- Thomas, já passamos dessa face em que você acredita que ainda é dono do seu próprio nariz. - Seu rosto se contorce em raiva diante do meu desinteresse. Já estou ficando cansada desses joguinhos de moralidade dele. - Você me pertence, quanto mais rápido aceitar isso, melhor. Agora pegue a maldita espada e vá se preparar com os outros para o ataque.
- Não. - Ficamos nos encarando por breves segundos, a tensão rondando nossos corpos, a raiva fervendo quase cozinhando meus ossos por tamanha insubordinação.
- O que disse, marujo?
- Não. Eu não vou participar disso.
Meus punhos se fecham, os homens observam em completo choque e incredulidade. Thomas Black acaba de desafiar a minha autoridade, uma coisa jamais feita a bordo desse navio.
- Prendam-no. Vou lidar com esse insubordinado depois do roubo.
Dois homens partem para cima dele, o ruivo revida dando alguns socos no primeiro, mas é segurado pelo segundo. Feroz Thomas se desvencilhar e os três dançam em um combate de ataque e defesa. Ele não é ruim, porém em meio a suas investidas o ruivo cometeu seu pior erro, ficar de costas para mim. O golpe é rápido em sua nuca com um bastão de bambu, não tão forte para apagá-lo, o ruivo cambaleia desorientado dando a brecha para os homens o mobilizassem.
- Parece que vou precisar de mais que charme e ameaças para te adestrar. - Ele tenta se afastar, mas agarro seu queixo forçando os nossos olhares a se encontrarem. - Você vai entender agora porque me conhecem mais pela crueldade.
Notas finais:
1. Gongji (pronuncia: gonji) traduzido do mandarim é ataque. Esse código não é um código naval real, só coloquei porque amo protagonistas bilíngues.
Obs: fiz umas mudancinhas no capítulo de apresentação, porque enquanto estava escrevendo o enredo me mostrou um potencial muito bom e eu acabei mudando algumas coisa do roteiro original e adicionando uns toquezinhos características meus a mais. Então dêem uma passadinha lá só para checar isso, ok?!
Beijinhos de luz para vocês.😘✨
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