05| Rosas vermelhas

Rosas vermelhas geralmente significam amor, costumam despertar sentimentos de amor, alegria, excitação, borboletas na barriga e mais um milhão de sentimentos alegres...

Agora eu acabava de entrar em casa, meu coração está às galopadas, e não por excitação e nem por alegria, quem dera se fosse por um bom motivo.

O que me deixa nervosa é o vaso de flores vermelhas na mesinha de dentro da sala, a mesa de jantar foi posta e nada daquilo me agrada, muito pelo contrário.

É nojento;
É assustador, amedrotante...

Minhas mãos começaram a soar de forma excessiva, um zumbido em meus ouvidos me deixava zonza.

Eu não sabia o que esperar de Henry nesse momento, a máscara dele tinha caído e estava ciente de que ele não era o meu amor e se quer era o meu príncipe encantado.

Com passos trémulos segui até ao quarto, a típica bagunça dele estava lá, roupas do dia anterior, isso significa que ele também não dormiu em casa.
Dava para ouvir daqui o barulho do chuveiro ligado, caminhei até a cozinha e servi um copo generoso de água para acalmar os nervos.

Observei a mesa posta, duas pizzas 4 estações, a minha preferida, uma travessa com massa italiana e filete de bife grelhado, duas taças de vinho já servidas, e uma cesta de natas.

Tudo com um aspecto muito bom, mas tudo muito assustador, já não sabia o que esperar dele.

- Que bom que chegou meu amor, fiz sua comida favorita.__ veio até mim com um sorriso extremamente forçado e juntou seus lábios aos meus de forma rápida.

- Eu... Henry, não... não precisava fazer tudo isso...__ minha voz saiu trémula.

- O que é isso princesa, precisava assim! Esse é meu pedido de desculpas pelo meu comportamento. Sente aqui e coma!__ direcionou-me até a cadeira, e fez-me sentar, serviu duas fatias de pizza e colocou a taça de vinho ao lado do prato.

Sempre tive uma boa intuição e a minha gritava naquele exacto momento para não tocar em nada daquilo, mas meu coração insistia que eu podia confiar em Henry, que ele era o meu amor e que ele não me faria mal.

Apesar dos sinais de perigo serem óbvios e mais claros que a neve, eu decidi arriscar, dei mais um voto de confiança para ele e comi.

O jantar foi todo em silêncio, servi um bocado de tudo, apesar de não ter fome, estava tudo muito gostoso.

- Nós precisamos conversar...__ Henry disse depois de tirar os pratos da mesa.

- Sim, acho que você me deve uma explicação...__ tomei mais um gole do vinho e senti minhas entranhas aquecerem.

- Me desculpa Anaís... pelo jeito como eu te tratei e pelo que você viu.
Eu realmente tenho um caso com a Jéssica, a minha chefe...__ falou de forma pausada e tomou um gole do vinho.

- Você o quê?__ o espanto fez com que meu sangue congelasse.

- Sim, me envolvi com a Jéssica faz 3 anos, foi sem querer, foi só um beijo e na outra vez foram amassos e depois foi o sexo e eu não consegui mais parar...__ explicou meio exasperado.

- COMO VOCÊ TEVE A CORAGEM DE FAZER ISSO COMIGO? EU FIZ DE TUDO POR VOCÊ! PAREI OS MEUS ESTUDOS, ME AFASTEI DOS MEUS AMIGOS, DA MINHA FAMÍLIA SÓ PRA TE AGRADAR! EU DEDIQUEI TODOS ESSES ANOS A VOCÊ HENRY!__ meu coração doía como um raio, minhas mãos estavam trémulas, o suor escorria pelas costas, minha garganta estava seca e meus ouvidos zumbiam...

Meu mundo estava a desabar diante de mim e eu não podia fazer nada, eu não sabia o que fazer, a não ser ficar desesperada.

- Sim, eu sei e sinto muito por isso, mas eu preciso de você aqui comigo. Apesar de não estar mais em condições para ser minha mulher, você me será muito útil...__ disse totalmente calmo.

- O que... quer dizer com isso?__ minha voz saiu arrastada, levantei sentindo uma tontura e tentei dar um passo, mas minhas pernas eram como gelatina e eu caí.

- Não se esforce muito...__ murmurou.

- O... que... fez... comigo?!__ minha garganta se fechava a cada segundo e minhas forças se esvaziavam.

- Eu dei um jeito em você princesa. Você é minha! Minha propriedade! E vai ficar comigo até eu me cansar de você, caladinha assim é melhor! Não preciso mais ouvir seu choro, suas reclamações e nem nada do género.
Eu sinto muito que as coisas tenham chegado a esse nível, mas eu não posso deixar você ir embora da minha vida.
Eu sei que esse era o seu plano, percebi assim que vi seu olhar de mágoa ontem lá na empresa, parece que dessa vez eu consegui mesmo te magoar.
Sem contar com as minhocas que aquela velha plantou na sua cabeça...__ esbugalhei os olhos e tentei falar, mas nenhum músculo foi movimentado.

Henry levantou-se e me carregou até ao quarto.

- É, eu ouvi toda a historinha trágica da garota que foi agredida.
Você quer saber como?
Eu grampeei a casa dela, ela parecia inofensiva, apesar de me odiar eu não pensei que ela fosse te convencer a se afastar de mim.
Eu sempre controlei cada passo seu, apesar de não te dar atenção, eu nunca deixei de amar você...
Me envolvi com Jéssica porque ela sim é uma mulher apresentável, juntos somos imbatíveis e fazemos muito dinheiro. Mas também tem você! Eu te amo tanto, tanto que dói! Você me entende e cuida de mim, você sempre me perdoou e foi você quem minha mãe deu a benção para ser a mãe dos meus filhos, meu amor.
Eu não posso te deixar ir, eu não vou te deixar ir, porque você é minha. MINHA e de mais ninguém!__ dito isso ele saiu do quarto cantarolando e me deixou ali, deitada, imóvel, estarrecida e quebrada, literalmente.

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