03| Sonhos e Pesadelos

Eu sei que você é o único
Eu sei que nossa hora vai chegar
Eu sinto você em meu coração
Eu vejo você em meus sonhos
Eu mantenho você em minhas orações
Elaine  — You're the one

Miragem. O que é fruto da imaginação; aquilo que tende a ser ótimo, mas não é verdadeiro; o que não é real.

Os dias que estou vivendo parecem fazer parte dos meus melhores sonhos, Henry está a cumprir com a sua palavra e voltou a ser o MEU príncipe encantado, é uma pena que Stella e Nívea não estejam mais comigo pra ver essa mudança.

Mas por que raios eu sinto falta delas?!
Elas tentaram arruinar o meu relacionamento só porque elas não tinham sorte no amor!

Não saberia dizer em que momento elas se tornaram haters do Henry, foram elas que pegaram — parcialmente — no meu pé para que eu desencalhasse e ficasse com ele.

Quiseram bancar o cupido e não aguentaram quando me viram feliz.
Isso diz muito sobre o tipo de pessoas que elas são, ou eram... Eu não sei!

Elas me faziam tão bem e cuidavam de mim, custou acreditar que elas queriam o meu mal. Chorei horrores quando elas insinuaram que Henry me iludia e só queria se aproveitar de mim.
É claro que era loucura delas, o meu Henry nunca faria isso comigo, por isso eu decidi me afastar delas e vim morar com ele.

De vez em quando eu vejo elas na lanchonete da rua 7 quando voltam da faculdade...
Confesso que eu sinto falta da faculdade, larguei tudo quando me mudei pra viver com Henry, queria me dedicar inteiramente ao nosso relacionamento e o que mais me motivou foram as inseguranças que eu tinha relativamente ao trabalho dele.

Não o trabalho em si, mas as mulheres que existem lá. Quem em sã consciência resistiria a personificação da palavra "sexy"?

Eu precisava garantir que o teria por perto, na linha, completamente satisfeito e sem motivos para traições...
5 anos de pura dedicação à ele.

Qualquer um percebe que eu sou extremamente apaixonada por esse homem, a ponto de abrir mão de tudo por ele.

Meu mundo gira em torno dele!

Ahhh, ele é o meu mundo!

Suspiro com um sorriso bobo, e volto a arrumar as rosas de acordo com as cores.
Trabalhar numa floricultura foi uma das bênçãos que Deus me deu, com certeza.
Sempre gostei de flores, de plantas, graças ao meu pai que nos seus tempos livres banca o jardineiro...

Saudades de casa...

- Anaís minha querida... me faça um favor sim?!__ Sarah, minha chefe, aparece no meu campo de visão.

- Pois não?! Você sabe que o seu pedido é uma ordem, literalmente...__ gracejo e ela da uma gargalhada fofa.

- Sim eu sei, mas desde o momento que o pedido não faz parte das suas funções, ele não pode ser uma ordem.__ esclarece.

- Admiro seu respeito pelos funcionários, você é a melhor!

- Sim, eu sei!__ declara cheia de si.

- Exibida!__ rimos

- Indo ao assunto. Você poderia levar aquele arranjo de flores para a White's Midia? O estafeta teve um imprevisto e não vai chegar tão já... por favor...__ pisca seus olhos amendoados diversas vezes e eu gargalho.

- Claro! O que eu não faria por você abuelita? É lá onde o Henry trabalha, vou aproveitar dar um beijo nele...__ comento sorrindo.

- Affss, aquele energúmeno...__ resmunga revirando os olhos, ela não se dá bem com Henry, na verdade ela não gosta dele.

- Ele tem se comportado agora...

- Nem quero ouvir, leve as flores logo antes que liguem reclamando.__ me interrompe e caminha para o escritório.

Suspiro.
Pareço ser a única que vê o quão bom Henry é.

Caminho até o balcão, pego no arranjo de flores brancas, parecem simples demais, acrescento uma margarida solitária no centro e ficam perfeitas, sorrio satisfeita e caminho até ao passeio chamando um táxi.
Dou o endereço e aprecio os prédios poderosos de Bellevenue. Com o clima nublado, vem uma chuva intensa por aí.

Pelo menos o trânsito está muito bom e chego ao prédio lustroso, pago a corrida e me dirijo à recepção.

- Boa tarde! Sou da Sarah's Flowers e tenho esta entrega em nome do senhor Foster...__ Foster é o sobrenome de Henry! Mas podem ter vários Foster espalhados por aí. Deve ser coincidência.

- Ahhh sim, pode subir até ao 19º andar, a secretária do sr. Foster irá lhe receber...__ Merlim, a recepcionista diz simpática e agradeço acenando.

Pego o elevador e rapidamente chego ao andar indicado, a secretaria estava vazia, caminho até o final do corredor e vejo Henry prensando uma mulher ruiva contra a parede.

Sacudo a cabeça na intenção de espantar a imagem, pode ser que eu esteja alucinando, mas a imagem continua ali e é real.
A raiva sobe em frações de segundos por todo o meu corpo e automaticamente grito seu nome.

- HENRY! O QUE SIGNIFICA ISSO?__ minha voz sai raivosa e ele imediatamente vira-se pra mim, para de sorrir e seu rosto assume uma expressão sombria.

Ele caminha até mim a passos nervosos, aperta meu braço esquerdo e me arrasta até uma sala, que pela bagunça e seu cheiro forte, deve ser seu escritório.

- O que está fazendo aqui?!__ sussurra raivoso.

- Eu é que pergunto o que significa aquilo?! Você estava beijando aquela mulher?__ minha voz sai falha e um nó se forma em minha garganta.

- Aquela é a minha chefe! Filha do presidente da empresa! E você me fez passar uma saia justa! Você tem noção de que isso pode me prejudicar!__ cospe as palavras em meu rosto.

- ISSO TE PERMITE ME TRAIR COM ELA HENRY?__ pergunto frustrada.

- Baixa seu tom de voz! Quer que o prédio inteiro te escute?!__ aumenta a força no aperto em meu braço.

- Está me machucando Henry...__ murmuro chorosa.

- Pensasse nisso antes de me fazer passar vergonha e colocar meu emprego em jogo! Só faça o que tem que fazer e saia daqui! Nos resolvemos em casa.__ diz frio e se afasta de mim

- Henry, por favor...

- Vai. Embora...__ murmura seco e eu me viro com o corpo trémulo, deixo as flores na secretaria e saio da empresa feito um raio.

Caminho pelas ruas com as pernas bambas e a respiração irregular, olho para o meu braço e uma marca vermelha que vai ganhando um tom roxo se destaca em minha pele.

As lembranças de um Henry desconhecido vem com tudo , ele teria coragem de me agredir?
Ele ia bater em mim?
Ele estava beijando aquela mulher?

Quem era o homem que estava comigo agora a pouco?
Eu não o reconheço...

Lágrimas e pingos grossos molham meu corpo, em questões de segundos minhas roupas estão encharcadas.
Sem ânimo caminho até ao parque e me sento num dos bancos enquanto a chuva cai forte sobre mim, trazendo lembranças dolorosas...

•••

14 anos atrás...

- Para com isso Marcos! Você está assustando as crianças !__ tia Lenny grita chorosa.

Tio Marcos vai até ela com o cinto na mão esquerda e uma garrafa de bebida na mão direita, dá um gole longo acabado o conteúdo e atira a garrafa contra parede.

Pega no cinto e bate no corpo dela, os gritos estridentes fazem meu coração bater muito forte, aperto Lana contra meu corpo e tapo seu olhos.

- Você é minha mulher. MINHA!__ atira o cinto para longe e começa com uma sessão de socos...

Sangue.
Gritos.
Choro.
Pânico

Silêncio...

- Se não for minha, não será de mais ninguém!__ Tio Marcos diz baixinho e deita seu corpo robusto por cima do corpo imóvel da tia Lenny.

•••

Levanto do banco com o corpo trémulo, olho para o local tentando calcular como chegar a um local seguro, a noite caiu sem que me apercebesse...

Com passos lentos avisto a pequena e cheia de flores, bato a porta com a mão trémula e ela é aberta.

- Me ajuda abuela...__ peço chorosa e me deito em seus pés.

O dia começou como um sonho e terminou como um pesadelo.

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