Capítulo 2
Jungwon
Assim que Marie entrou no quarto e segui em direção ao meu quarto, ao entrar encontrei o Niki me esperando.
_ Você esteve com a Marie, ela não te lembra alguém?_ ele estava parado a minha frente, parecia agitado mas estava feliz.
_ Sim, eu a conheci e sim, ela me lembra a princesa Mia._ coloquei as pastas que estava carregando na escrivaninha e me recostei nela cruzando os braços.
_ Deve ser ela! São iguais, apenas o cabelo está um pouco diferente, o da princesa era maior e mais liso, a princesa usava maquiagem por ser uma dama da realeza e por seu status deveria sempre agir com seriedade, mas não estamos vivendo na idade média, ela pode agir e se arrumar como bem entender, mas eu tenho certeza, até o cheiro é igual!
Levei minha mão esquerda até minha face para sentir melhor o aroma, eu segurei sua mão para anotar o telefone e o perfume dela permanecia na minha pele. Não me refiro ao perfume cosmético mas ao perfume da pele, do sangue, cada perfume do sangue é único e o dela era igual ao da princesa Mia.
Seria possível depois de um século e nesta realidade reencontrar minha noiva?
Mas não somos mais noivos, o tempo nos separou e agora não tinhamos mais obrigação de casar um com o outro. Se era ela a princesa, agora ela era livre para ficar com quem ela quisesse.
_ Os outros perceberam?_ perguntei já que Jake e Sunoo haviam estado com ela.
_ Sim, eles também acham que ela é a princesa.
_ Mas ela não parece se lembrar de nós, pela personalidade diria ser outra pessoa. _ isso era óbvio, a princesa era recatada, educada e devia sempre permanecer séria, eu a conheci quando ainda eramos jovens, pré adolescentes se fossemos humanos, ela era meiga, gentil, muito parecida com a Marie atual, mas com o tempo e os deveres da realeza ela teve que endurecer seu semblante e quase nunca sorria.
_ O Jay também a viu...
Isso era algo que eu realmente não queria ouvir, mas em algum momento eles se encontrariam e não teria como evitar. Gostaria de não sentir nada com essa notícia mas no fundo isso me feria como um espinho cravado no meu coração, feria, encomodava, doía e sangrava, mas não me matava, apenas me fazia sofrer constantemente.
_ E ele notou? _ como não notaria.
_ Se notou, não demonstrou! Na verdade agil como um babaca com ela._ isso me deixou chocado devo dizer.
Como era possível ele não ter percebido, ele teria me matado se tivesse a chance para me tirar do caminho apenas para poder ficar com ela. Eu sabia que eles estavam apaixonados mas como eu era o primeiro na hierarquia para me casar com ela e sabia como ela levava a sério suas responsabilidades fiquei tranquilo sabendo que esse amor não vingaria. Era triste saber que ela não estava apaixonada por mim, mas faria qualquer coisa para fazê-la feliz.
_ Ele ainda vai perceber. _ falei calmamente.
_ E o que você vai fazer Jungwon? _ Niki também era um dos pretendentes, mas ele apenas sentia um amor de irmão por ela e ela por ele.
_ Nada. Não estamos mais no passado, tudo mudou e o nosso reinado acabou, ela não é mais obrigada a se casar nem comigo e nem com ninguém, ela é livre para fazer o que bem entender. Como nós também somos. _ tentei ser o mais sensato possível.
_ Você falou certo, somos todos livres! Então use a sua liberdade e aproveite a vida, vá e lute e a conquiste, você ainda a ama não pode negar._ ele segurou meus ombros e sorriu, eramos bons amigos desde que nos conhecemos e ele sempre torceu para termos um casamento feliz.
_ Por enquanto vamos apenas observar, não temos certeza se é ela.
_ Eu tenho fé que é a minha querida noona! _ ele sorriu e foi em direção a janela e subiu nela._ Não vai querer um lanchinho? O Sunghoo vai trazer bolsas de sangue hoje.
Isso as vezes era preciso, não precisávamos beber sangue constantemente, mas vez ou outra era necessário para manter nossas forças e nossa sanidade. Preferia de animais, me recusava a beber sangue humano desde que fomos tirados do nosso reino, mas teria que me render uma hora ou poderia acabar atacando alguém.
_ Ainda estou bem, mas pode ir você._ acenei um tchau enquanto ele pulava a janela.
Sentia minha cabeça cheia, estava exausto de tanto ajudar alunos quanto em pensar sobre como a princesa conseguiu sobreviver e vir parar aqui. E claro, como ela não nos reconheceu, isso era um grande mistério.
Jay
Estava deitado na cama pensando sobre algo que estava me tirando a paz e me deixando inquieto demais para me manter preso em meu quarto.
Fui até a janela, a lua estava clara demais para uma lua crescente, mas pelo menos havia nuvens no céu que logo ocultariam o brilho daquela noite. Assim que as nuvens tornaram a noite escura como deveria ser resolvi sair do meu quarto, flutuei para o lado de fora da janela e me dirigi até a janela ao lado, abri ela suavemente usando a telecinese e adentrei aquele quarto recem ocupado.
Flutuei até a cama e ficando acima dela pude observar a garota que dormia docemente nela, coberta até o peito, deitada de lado com um braço sobre o edredom vermelho e o outro flexionado com a mão sobre o travesseiro, a palma virada para cima ao lado de sua face.
Sua pele era branca, seus lábios tinham um leve tom avermelhado, longos cílios pretos saindo curvados de sua palpebra adormecida combinavam com seu longo cabelo preto que mesmo no escuro brilhava com os feixes de luz que a lua jogava de forma singela em seu quarto. Sua expressão era terna e suave, transmitia paz em seu sono profundo. Ainda flutuando me coloquei na horizontal ficando a poucos sentimetros de seu corpo, com o rosto próximo ao seu o bastante para sentir sua respiração na minha face.
_ Você realmente se parece muito com ela e seu cheiro é igual ao dela, mas você não age como ela._ falei num tom muito baixo comigo mesmo, ela não acordaria de seu sono e se acordasse eu usaria meu poder para fazê-la adormecer novamente.
_ Seria possível depois de séculos de distância nos encontrarmos novamente? Eu te procurei por décadas, qualquer boato sobre vampiros era o bastante para eu ir investigar, mas nunca encontrei nada, era como se você tivesse evaporado. Não desisti de procurar porque deixei de te amar, apenas desisti porque a dor estava me consumindo. _ peguei uma mecha de seu cabelo para sentir melhor seu perfume, era nostálgico e me trazia inúmeras lembranças como quando a vi pela primeira vez quando cheguei ao reino e fui anunciado como seu segundo pretendente.
Você estava perfeita em seu vestido vermelho sangue com mangas estreitas nos braços e solto nos pulsos, o corpete do vestido era justo marcando sua delicada cintura e havia seda branca para adornar toda a região dos seios. Ele era longo e com um caimento mais solto para o restante do corpo. Seu cabelo estava preso nas laterais e solto na parte te trás que formava um véu negro sobre suas costas e uma pequena tiara prata com rubis enfeitava sua cabeça. Você me olhou um pouco tímida mas manteve a expressão firme ao me comprimentar, mas sentir seu coração descompassar quando beijei a sua mão foi o marco para eu me apaixonar por você princesa.
Por todo um ano você teve que conviver mais diretamente com seus sete pretendentes, cada dia você teria a companhia de um de nós, eu ficava extremamente ansioso pela sua companhia e quando a via se aproximar, já longe dos olhos dos serviçais, você me abria um enorme sorriso. Levou quase seis meses mas você finalmente me sedeu um beijo, foi apenas um selar de nossos lábios mas o tempo parou para mim naquele momento.
Quanto mais o tempo passava, mais eu me apaixonava por você e mais meu desespero aumentava, sendo eu o segundo pretendente, só poderia ficar ao teu lado se o primeiro não existisse.
Me lembro de lhe propor para fugirmos, mas você não aceitou, disse que seriamos caçados até o fim, você seria presa e ainda forçada ao casamento até terem um herdeiro e depois disso seria executada e eu seria queimado vivo imediatamente.
No dia do seu noivado eu a encontrei na frente do lago ao amanhecer, você usava um quimono presente de sua mãe vermelho e você chorava copiosamente. Eu te abracei e limpei suas lágrimas, você sorriu e disse que sempre me amaria, mas desejava nunca ter nascido nessa maldição porque poderia ser livre para ser minha esposa. Também te jurei amor eterno e que encontraria um meio de mudar esse destino.
Mas não tive tempo para mudar seu destino pois naquela noite houve o ataque dos vampiros inferiores e fomos tirados por magia negra do nosso mundo e nunca tive notícias suas.
_ Se você for a verdadeira princesa eu vou descobrir, mas se não for, se for uma impostora se passando por minha amada, eu te mato!_ soltei a mecha de cabelo e flutuei para fora do quarto.
A noite estava ainda no meio e eu queria caçar algo fresco para me alimentar, precisaria dos meus sentimentos afiados agora mais do que nunca.
Marie
Acordei de madrugada, eram 03:35, sentia uma brisa fria no meu rosto, quando me sentei na cama notei que a janela estava aberta e fui até ela para fechá-la. Não me lembrava de ter deixado ela aberto, talvez não tenha trancado direito e ela abriu. Pelo menos não teria como alguém entrar já que estava no terceiro andar, não era impossível mas também não seria fácil.
A lua estava muito brilhante e fiquei debruçada na janela observando a lua e seu céu estrelado, ela uma bela visão.
Estava com saudade da minha mãe e da fazenda, mesmo não tendo amigos lá, eu tinha a companhia da minha mãe, ela era muito amorosa comigo mesmo eu sendo adotada, também sentia saudade dos funcionários que trabalhavam diretamente para minha mãe pois podia conversar com eles quando não estavam muito ocupados.
Fiquei muito feliz pelos garotos que foram tão gentis comigo, mas talvez eles não tenham tempo para mim agora que as aulas vão começar. O único que foi rude comigo foi o tal do Jay, mas vou ser paciente e tentar ser amiga dele, desde que ele não venha com gracinhas para cima de mim.
E pensando nele, como que por brincadeira do destino, eu o vejo atravessando o campus em direção aos dormitórios. O que ele estaria fazendo por aí tão tarde? Isso realmente não é da minha conta mas estaria mentindo se dissesse que não estava curiosa.
Ao se aproximar mais dos dormitórios ele olhou para cima e me viu na janela, não tive tempo de me esconder e agora era tarde para disfarçar que estava fechando a janela. Ele sorriu de canto e acenou, fiquei surpresa e acenei de volta.
_ Feche essa janela senão vai ficar resfriada._ ele disse um pouco alto para que eu ouvisse.
_ É que estava sem sono, mas já vou fechar._ como dessa vez ele foi gentil eu sorri para ele.
Ele pareceu surpreso, passou a mão na nuca e entrou.
Talvez seja possível sermos amigos um dia.
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