Aposta ganha!
— Lilian o que houve? Por que está indo embora? Vamos voltar e tomar soverte como nós combinamos.
— Eu acho melhor ir embora...
— Ok então vamos para outro lugar se for o caso...
— Você não entendeu. Eu estou indo para casa.
— Tudo bem, então eu te acompanho...
— Melhor não... eu vou sozinha.
— Lilian, o que está acontecendo?
— Eu... eu acho melhor a gente se afastar. — Ela se esforçou ao máximo para dizer aquela frase.
— Mas por que? A gente se dá tão bem... eu fiz algo que te desagradou? Se foi por causa do que aconteceu agora pouco lá na soverteria, eu sinto muito. Saiba que não sou de briga, mas não podia ficar parado vendo aqueles bocós te ofendendo e não fazer nada.
Ao ouvir aquilo, Lilian chorou. Foi a coisa mais bonita que ela já viu. Nunca que ninguém, nem mesmo seus pais a defenderam. Quantas e quantas vezes ela queria que alguém a defendesse. Tudo bem, não precisava sair no tapa, mas o suficiente para ela se sentir protegida, amada e bem cuidada.
— Não, muito pelo contrário... você é maravilhoso. Te conhecer foi a melhor coisa que me aconteceu. E é aí que está o problema.
— Eu não entendi.
Lilian não queria magoa-lo. Ele era tudo para ela. Não queria dizer que desconfia daquela amizade, mas como não havia outra maneira, falou logo de uma vez.
— Eu tenho medo de que tudo isso o que a gente está vivendo seja uma farsa!
— Como assim "uma farsa"? Ah não, você não acreditou neles?
— Diz para mim que o que aqueles babacas falaram não é verdade! Que tudo o que a gente viveu até agora é na verdade uma aposta. Que você apostou com os seus amigos que ia sair comigo por um tempo e depois ia me dispensar. — Lilian perguntou com os olhou cheios de lagrimas para Enrique.
— Não Lilian, de onde você tirou isso? Não vai me dizer que acreditou no que aqueles imbecis falaram?
Ela não respondeu, pelo menos não de imediato.
— Se coloca no meu lugar, eu sou humilhada, xingada e maltratada desde que eu me entendo por gente... e de repente vem um rapaz lindo do nada te chamando de linda, te tratando bem a ponto de você se sentir especial. Você não vai desconfiar?
— Mas você é especial Lilian, não precisa que ninguém faça isso.
Ele estava errado. Lilian só conseguiu se sentir especial graças a ele. Se não fosse por ele, ainda continuaria se sentindo um lixo.
— Por favor não desista da gente. Pior, não desista de você mesma. Não deixe que uma meia dúzia de desinfelizes que estão entediados com a própria vida, apaguem com o seu brilho.
Se ela já se achava sem brilho, agora sim que a sua luz apagou de vez. E por mais que Enrique tentasse acende-la, ela continuava apagada que lâmpada queimada. Então para poupá-lo de ficar trocando o tempo todo, decidiu afasta-lo.
— Você não vai poder me proteger o tempo todo. E essa luta não é sua.
— Eu sei..., mas você não precisa passar por tudo isso sozinha. Estarei sempre ao seu lado para o que der e vier.
Ele estendeu as mãos para ela. Lilian olhou para os lados para ter certeza de que nenhum conhecido estava passando por perto e pegou nas mãos dele... eram quentes, macias e firmes.
Ficaram se olhando por alguns minutos quando de repente ela o viu se aproximar de seu rosto. Ela só ficou parada esperando ver o que ele ia fazer... o que ia acontecer.
E aconteceu... o seu primeiro beijo. Quando ela menos esperou, os lábios dele tocaram os seus. Foi igual aos romances young adult dos quais costuma ler. Durou no máximo um minuto, mas foi o minuto mais mágico da sua vida.
— Eu preciso ir. Obrigada por tudo... e adeus Enrique. Adorei te conhecer.
— Imagina, eu que agradeço. Eu também adorei te conhecer. E não diga adeus, pois ainda vamos nos encontrar e ficar juntos. Então por enquanto é um até mais ver.
Lilian queria mesmo reencontrá-lo em outra ocasião. Mas enquanto essa outra ocasião não vem, vai lutando com as forças que tem contra a realidade.
***
No dia seguinte, a fofoca sobre Lilian estar saindo com alguém se espalhou por toda a escola como se fosse rastilho de pólvora. Era também o assunto mais comentado nas redes sociais, pois parece que um dos arruaceiros a seguiu, a viu junto com Enrique e tirou foto juntamente no momento em que eles se beijaram. Para ficar pior, postaram com a legenda:
"Aposta ganha!"
E como sempre, ela foi motivo de chacota. Não sabe como e de onde tirou forças para suportar tanta humilhação.
Mas sabe o que foi mais estranho? Em momento algum ninguém do grupo de vândalos mexeu com ela. Nenhum deles fez aquelas piadas de mau gosto, a insultaram, fizeram gestos obscenos ou esbarraram nela sem querer como eles sempre fazem. Alguma coisa eles estão tramando contra ela.
E infelizmente a notícia não se limitou a escola. Em casa, seus pais já estavam cientes do seu feito e é claro que não deixariam barato. Ela mal entrou e deu de cara com os dois sentados no sofá, a encarando como se ela fosse uma criminosa.
— Que história é essa de que você está namorando escondido?
Sua mãe perguntou furiosa, levantando com tudo da poltrona e avançando em sua direção. Seu pai continuou sentado a olhando atravessado. Sentia que ia ser exterminada a qualquer momento.
Tentou dizer alguma coisa em sua defesa, mas o pânico e a vergonha não deixavam a voz sair. No lugar da voz, veio uma ânsia de vomito da qual precisou tapar a boca para não sujar o tapete.
— Eu posso explicar! — Foi o máximo que conseguiu dizer.
— Explicar o que? Que você estava mentindo para gente esse tempo todo, sua cretina mentirosa?
Lilian tentou conversar com os pais sobre Enrique, explicando que ele só um amigo... aliás, era o único que tinha e que ele sempre a respeitou. Aproveitou a ocasião para falar do bullying que sofria na escola.
Mas como sempre foi tudo em vão. Além de não terem acreditado na sua palavra, ela levou a maior surra da sua vida e foi posta de castigo até segunda ordem.
E isso ainda não acabou...
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