Capítulo 2- Conhecendo o bando
Jeongin colocou a jovem no sofá e saiu para pegar a lenha do estoque. Minho se ajoelhou próximo a jovem e precionou a ferida para que o sangramento parasse. Felix trouxe a caixa de primeiros socorros e entregou para Changbin que sentou no sofá e começou a preparar gazes e soro para limpar o ferimento. Minho retirou a mão e Changbin limpou o ferimento, Chan se ajoelhou próximo a cabeça da jovem e colocou uma toalha quente sobre a testa da jovem que continuava desacordada.
_ Por que ela não acorda Chan? _ disse o jovem coiote Seungmin que estava em pé atrás do sofa a observando. _ Isso deve doer e mesmo assim ela não acorda.
_ Não sei Seungmin... ela deve estar muito fraca devido ao frio e a perda de sangue.
_ Coitadinha..._ o jovem lobo marrom Han se ajoelhou no chão trazendo mais toalhas e água quente para aquece-la.
_ Você sabe que tipo de híbrida ela é Minho? _ disse o pantera negro Hyunjin.
Minho cheirou o sangue em suas mãos, seu doce aroma de ômega fêmea parecia dançar em suas narinas e em sua mente se formou a figura de um pequeno felino de olhos azuis.
_ Uma gata sem raça definida... jovem, deve ter uns 18 anos no máximo. _ Minho era um puma das neves e como felino sabia bem reconhecer outro.
_ Uma gatinha indefesa... ela deve ter sofrido até chegar aqui..._ disse com o olhar triste o jovem guepardo Felix.
_ Ela vai se assustar quando acordar e se ver rodeada de híbridos machos e maiores perto dela._ disse o urso polar Changbin. _ Gatos quando se sentem acuados são ferozes.
Terminou de fazer o curativo e se levantou e a raposa Jeongin se sentou em seu lugar.
_ Espero que ela não morra..._ se sentia preocupado com a pequena já que a havia encontrado tão fraca.
_ Vamos deixar ela aqui próxima a lareira. Tragam cobertores e um moletom para colocar nela, sua roupa está molhada por causa da neve.
Hyunjin trouxe cobertores e Seungmin uma blusa grande de moletom do Chan que era o maior ali entre eles, seria grande para cobrir o corpo magro da pequena gata. Eles se viraram enquanto Chan a trocava com a ajuda de Minho que era o segundo mais velho. Embora fosse uma jovem muito atraente, não era hora para ficar a admirando enquanto a despiam e colocavam o moleton nela, mas claro que os dois alfas também não eram cegos e ficaram corados ao fazer isso sem falar que agora limpa seu perfume de fêmea era ainda mais agradável e sedutor para todos eles.
Eles a deixaram dormindo e foram para a mesa de jantar para terem uma reunião.
Chan era o líder e o alfa mais velho e se sentava na parte superior da mesa de onde conseguia ver todos de seu bando sentados a sua volta.
_ Eu preciso muito da colaboração de todos aqui. Ela é uma pequena ômega e ninguém pode a tomar para si, não a conhecemos, mas ela é jovem e indefesa agora. Preciso que todos controlem seus instintos para não a assustarem. Não somos animais selvagens e sempre protegemos os mais fracos e mais jovens abandonados nestas terras. Ninguém chega aqui sem ter sofrido no mundo lá fora e iremos acolher esta ômega se assim ela quiser, mas não posso fazer isso sem que vocês me prometam que não irão forçá-la a nada por ser uma ômega fêmea, mesmo se vocês estiverem no cio, ninguém irá tocar nela, não sabemos o quanto ela sofreu neste mundo e será difícil talvez ela confiar em nós.
_ Prometemos nos comportar Chan! _ disse o pequeno raposo olhando para os outros.
_ Vamos nos controlar e se tentarmos algo pode nos trancar se for preciso._ disse o jovem Han.
Todos acentiram e Chan respirou fundo e olhou para eles.
_ Então está bem! Mas serei severo se alguma coisa sair do controle então não me julguem depois._ ele se levantou e foi até a cozinha._ Melhor deixar uma canja pronta para quando a pequena acordar.
Cada um foi fazer alguma tarefa fosse dentro ou fora da casa, mas sempre um deles ficava por perto caso a pequena acordasse.
Ao anoitecer começou a chover e o ar ficou mais frio. Todos estavam dentro da casa, Minho e Han preparavam o jantar. Chan estava sentado perto do sofa em uma poltrona lendo um livro quando ouviu um resmungo manhoso.
Olhou para os outros que estavam na mesa de jantar mas estes estavam olhando surpresos e apontaram para o sofá, Chan se virou e viu que a pequena gata se espreguiçava com os olhos fechados. Eles foram se aproximando devagar mas Chan fez sinal para pararem por medo de a assustar.
A jovem foi se sentando e olhou para sua roupa não a reconhecendo e olhou para o teto também sem reconhecer e só então olhou para os meninos que ficaram admirados com a beleza de seus olhos azuis. Mas logo seu doce semblante mudou para pânico e fúria, ela tentou se levantar mas caiu sentindo a dor no tornozelo que a fez gritar, seu animal urrava de dor e desespero, seus olhos derramavam lágrimas enquanto se arrastava para a saída da casa mas Chan a segurou enquanto os outros vinham em sua direção.
_ Fique calma! Você estava ferida na floresta e te trouxemos aqui. Não vamos te machucar._ Chan a segurou mas levou um arranhado no rosto e a soltou.
_ Lobo maldito! Você vai me matar! Eu odeio lobos!_ ela se arrastava para a parede e se encolheu tremendo de medo._ Você vai me matar eu sei...
Ela afundou o rosto nos joelhos os abraçando, seu choro era sofrido devido ao medo e a dor.
Minho ouviu a voz da garota e foi para a sala junto de Han, ao ver a garota tão assustada e Chan ajoelhado no chão ferido tentou se aproximar devagar.
_ Não tenha medo pequena, ninguém vai te machucar. Veja, somos todos diferentes aqui, não existe apenas lobos, você pode confiar em nós._ Minho se aproximou devagar e se agachou perto da jovem sem a tocar._ Olhe para mim por favor.
_ Não importa não serem lobos, são machos e vão me violentar...prefiro morrer..._ ela tremia muito e Minho se arriscou ao se aproximar dela e a abraçou.
Ela gritava e se debatia nos braços de Minho e tentou o arranhar mas este segurou sua mão e a beijou para espanto da garota.
_ Ninguém aqui vai fazer nada com você eu prometo. Se alguém tentar algo eu te protejo, somos felinos, eu vou te proteger. Somos híbridos abandonados a própria sorte nesta floresta. Só queremos ajudar outros iguais a nós.
_ Desculpe por te assustar, não imaginava que você teria tanto medo, eu peço desculpas. _ Chan se ajoelhou e colocou suas mãos no chão e abaixou a cabeça se curvando. Todos olharam incredulos com tal atitude vindo de um alfa. Até mesmo a gata arregalou os olhos vendo a atitude do alfa.
_ Está vendo pequena, não vamos te machucar. _ Minho soltou a mão dela e afagou sua cabeça sem a soltar do abraço. Mas a gata ficou curiosa e se soltou devagar dos braços de Minho sem desviar os olhos de Chan.
Ela se deitou no chão o olhando para tentar ver seus olhos, Chan a olhou e ficaram se encarando por alguns instantes e ela foi se aproximando devagar de Chan sem desviar o olhar. Seus olhos azuis brilhavam e os do alfa sustentavam o olhar mesmo se sentindo encantado com a curiosidade da ômega.
_ Que alfa estranho é você? Nunca vi nada igual..._ ela se aproximou mais ainda se arrastando pelo chão até chegar próximo as mãos de Chan, ela o farejou primeiro e depois deu uma leve e rápida lambida na mão de Chan que o arrepiou e corou. Ela se afastou e o olhou novamente e se sentou ainda com o olhar desconfiado._ Não sei se confio ainda...
Os outros foram se aproximando pois também estavam curiosos. Ela os olhou um por um e se demorou em Jeongin.
_ Foi você que me salvou? Eu senti seu cheiro o tempo todo._ Jeongin ficou envergonhado e acentiu com a cabeça. _ Obrigada! _ ela se curvou um pouco mas franziu o rosto ao sentir novamente a dor e miou dessa vez com ferocidade segurando o tornozelo.
_ Não se mexa muito ou o ferimento pode abrir._ Hyunjin se aproximou a tomando no colo e a colocando no sofá. _ Precisa repousar agora para se curar.
Felix correu para cozinha e voltou com uma tigela de canja de galinha.
_ Coma para ficar forte._ entregou a tigela para a garota que foi aos poucos aliviando o semblante da dor. Ela segurou a tigela e rapidamente a levou para a boca e engoliu tudo, estava faminta.
Felix ficou segurando a colher e sorriu ao ver que não era necessária e todos riram o que fez a pequena olhar para eles e baixar a tigela envergonhada.
_ Desculpa...eu estava com muita fome..._ ela abaixou os olhos com muita vergonha.
Ela era tão linda assim que não tinha como todos eles não se encantarem.
_ Como você se chama pequena? _ perguntou Minho se sentando no sofá. _ Eu sou o Lee Know mas todos me chamam de Minho.
_ Meu nome é Rebeca... prazer em conhecê-los. _ disse a pequena com os olhos baixos.
_ Não precisa ficar acanhada. _ disse Chan se levantando do chão. _ Meu nome é Bangchan mas geralmente me chamam de Chan. Estes são Felix, Han, Hyunjin, Changbin, Seungmin e Jeongin.
Ela foi olhando para eles enquanto Chan os apresentavam.
_ O que aconteceu com você Rebeca para vir parar aqui na floresta? _ perguntou Chan.
A jovem abaixou os olhos se lembrando dos últimos acontecimentos.
_ Eu estava na cidade, fazia dois dias que não comia e me senti obrigada a roubar... Peguei um pão de uma banca e corri, mas me viram fazer isso e me perseguiram até a entrada da floresta. Tive que me arrastar por baixo da cerca e corri o mais rápido que pude, mas a neve não me permitia ver direito. Meu casaco ficou preso na cerca e estava com muito frio, mas não podia parar por medo de caçadores me pegarem. Foi quando pisei na armadilha..._ todos sentiram pena da garota._ Eu não conseguia me soltar e mesmo gritando, ninguém apareceu, o frio foi piorando e acho que desmaiei.
_ Você não tem família? _ perguntou Changbin.
_ Eu tinha uma mãe mas ela me doou para uma família rica para que me adotassem, pois temia não conseguir me criar. Fiquei presa nessa casa e era um brinquedo para os filhos do casal. Eles não me queriam como filha mas como uma distração para seus filhos. Eu era sempre xingada e comia apenas restos de comida, me chamavam de viralata. Um dia fui acusada de roubo pela mãe, seu bracelete havia sumido. Mas eu não o roubei foi um dos filhos que o pegou e me culpou, não adiantou eu contar a verdade porque não acreditavam numa gata viralata. O pai me levou para a entrada de outra cidade e me deixou lá. Não podia voltar para a casa deles e nem encontrar minha mãe. _ ela parou pois queria chorar mas se segurou._ Fazia pequenos trabalhos para me virar enquanto o tempo passava, mas ninguém queria uma gata sem raça por medo de os roubar e por não ser bonita ou valiosa para poder me adotar.
Todos se sentiram tristes pela pequena.
_ Você pode ficar aqui o quanto quiser. Pode fazer parte da nossa família. _ disse Chan se aproximando e acariciando seu cabelo.
_ Eu não quero incomodar vocês. Vou trabalhar para lhes pagar eu prometo! _ ela os olhou e parou em Chan._ Perdão por te arranhar...
Ela parecia triste e envergonhada.
_ Está tudo bem pequena. Seja bem vinda ao bando!
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top