a pequena livraria dos sonhos

— Bom dia, dona Beatrice!

Felix comprimentou a senhorinha que varria a entrada de sua casa bem cedinho, se espreguiçou de sono, mostrando para o mundo o seu pijama de dinossauros que comprou em Seul antes de se mudar para Itália. A mulher de meia idade sorriu gentil, dando início a uma conversa tranquila.

O Lee tomou seu café ainda sonolento, se lembrando do passeio que fizera há alguns dias e encontrou a pequena loja, assim como estava a fazer nos últimos dias. Por alguma razão, seus pensamentos eram apenas do garoto misterioso da biblioteca, a qual lhe denominou como "A pequena livraria dos sonhos" pois era pequena e, bom, tudo lá dentro parecia ser irreal demais para ser verdade.

Estava determinado a aparecer lá novamente e talvez conseguir o nome do tal menino misterioso, se a vergonha não lhe matasse e o medo não o corroese.

E assim fez. Um pouco mais tarde do horário em que apareceu no dia anterior, após seu trabalho, Felix apareceu na lojinha, seu peitoral subindo em ansiedade ao encontro do garoto.

O sininho tocou, e sem muitas enrolações, foi em busca do tal homem que o tinha encantado dias atrás. O ambiente continuava os mesmos, a iluminação fraca e as plantas cheirosas decorando sua visão de um jeito simples e significativo. E então o viu, vestindo as mesmas roupas do outro dia, se cabelo totalmente solto desta vez.

— oi.. você.. você trabalha aqui?

Se arriscou perguntar, se perdendo nós traços bonitos e bem esculpidos do outro, que o olhou assustado. Seus olhos pareciam mais profundos o olhando de frente.

Ele deixou com que seu livro caísse, tendo Felix se abaixando para captura-lo no mesmo instante. Assim que pode pensar em devolve-lo, o rapaz não estava mais ali. Tinha sumido como pó, deixando um Lee plantado sem explicações. Estava mais confuso que antes.

. . .

— Moço?

Nada. Tinha desaparecido como um truque de mágica. O pobre Felix andava pelas estantes apressadamente com o livro em mãos, certo que não estava alucinando. Sua mente jamais seria capaz de criar alguém tão bonito assim e aquilo parecia real demais. Como uma pessoa poderia simplesmente sumir assim?

Passou pelo balcão, pelos cantos, pela entrada. Nada. Felix não via nada. Execto quando se atreveu olhar aos fundos do estabelecimento, escondido atrás de uma cortina de pedras antiga, com um olhar assustado. — Estás a ver-me?

— Ahm.. Claro?

Sua voz era consistente e doce ao mesmo tempo, boa o suficiente para fazer dos ouvidos de Felix um campo florido de tulipas rosas, muito diferente de sua aparência, mas nada desagradável. Felix teve que morder o canto de sua boca e evitar um sorriso, sendo totalmente contrário aos seus instintos sobre não assustar o garoto, que cá entre nós, já parecia estar assustado o suficiente.

Mas o que ele poderia fazer? Diante de si tinha uma das pessoas mais belas que já virás em sua vida – se não A mais bonita – e estava curioso. Curioso como nunca o tinha visto antes pelas ruas, ou por que ele estar em uma livraria tarde do dia, quando deveria estar em uma festa ou em sua própria casa, talvez. Estava intrigado e fascinado, de certa forma. As orbes escuras o analisaram com uma certa cautela e hesitação.

— Não, você não está. Estou ficando louco.

Tirou sua própria conclusão, deixando novamente Felix a sós quando voltou as estantes olhando a parte de crônicas e poemas. — Ei! Sabia que deixar os outros falando sozinhos, é feio?

Felix o seguiu enquanto o outro ainda o ignorava descaradamente. Mas que tipo de gente era aquela? Talvez seja por isso que sempre dizem para não dizer nada aos mais quietos e anti sociais. Tendem a ser pessoas estranhas, frias e..

— Não podes estar acontecendo! Isto é loucura! Loucura!

Parecia realmente assutado quando olhou para Felix nos olhos novamente, e após parecia mais ainda. Felix estava totalmente de acordo com a tese em que ele é maluco. — Loucura? Loucura é você falar igual um velho e me ignorar desse jeito!

Exclamou. — Com todo respeito.

— Eu não sou um velho! Eu tenho dezesseis anos! — Aumentou o tom de voz para se igualar ao loiro, parando por um instante. — Ou tinha. Digo, cinquenta. Não importa! Vá! Deixe-me!

— Cinquentão? Nunca! Olha pra você, no máximo dezenove!

Em mais passos acelerados o garoto passeava pela livraria, fazendo uma pilha de livros em seu colo enquanto o australiano o seguia. — Por favor, vá!

— Por que?!

— Eu estou morto! — Disse-te. — Se estiver certo, tenho entre cinquenta a quarenta anos! Estás feliz agora?

O mundo de Felix pareceu cair em efeito dominó; Morto? Não, isso é loucura! Felix estaria rindo se o outro não tivesse uma expressão tão séria em seu gosto agora. Agora quem estava pálido era ele; Como estaria vendo alguém morto? Alguém morto que anda, fala e aparentemente chora também? Isso era totalmente loucura.

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