Pergaminho XIV

A casa dos irmãos

O sol mal havia despontado. A geada cobria todo o gramado em volta do santuário. Com certeza ali não era o melhor lugar para se abrigar do frio, afinal, não tinha paredes, somente grossas colunas de mármore segurando o domo branco. O único som escutado, em meio a dúzia de pessoas por ali, era do orador ao centro. De frente a um caixão branco de madeira, sua voz mansa balbuciava frases numa língua arcaica: "Pietatis, honore, sacrificii, ut pax, patientia."

A reza seguiu por mais alguns minutos com algumas palavras no mesmo idioma. Por fim, o orador fechou o livro preto em suas mãos e saiu dali do meio em postura ereta sem muito enfeite. O príncipe loiro e seus irmãos eram os que estavam mais próximos do caixão. Com alguns passos a frente, ele pôde ver com exatidão a face pálida que descanscansava. Leon virou levemente o rosto para o rei. Os olhos de Jano não pareciam tão entretidos na situação quanto aqueles ao seu redor, suas írises amareladas buscavam algo na poeira sobre o chão, como se os pensamentos tivessem roubado sua presença.

— Ainda não me contaram — iniciou Leon. — O quê aconteceu?

Jano, tremia os lábios.

— Dizem que foi um derrame. Mas um dos meus mestres cientistas diz que encontrou resquícios de Amiriatonina no lobo frontal e parietal.

— Isso é muito sério! Tem certeza? — Leon permanecia de frente ao caixão, com a pupila no canto dos olhos, direcionada ao seu irmão.

— Ainda não, vão analisar melhor as amostras que coletaram. Não é a toa que estamos velando um cadáver com uma esponja onde deveria ficar o cérebro.

— Quem você acha que faria isso? Tem alguma ideia?

— Estão investigando. Mas com certeza um dos nossos melhores generais irá ter algum inimigo. Agora, pensando aqui, fiquei sabendo que esse tipo de veneno, quase que indetectável, é produzido e restrito a venda apenas uma única região. Tente adivinhar onde é?

— Reino Lazuli.

— Bingo!

— Jano, precisa ter cuidado com o que for fazer. Se realmente o Reino Lazuli estiver por trás disso estamos falando de guerra!

Antes que o rei respondesse, uma voz ao lado dele tomou partido, um interlocutor com um tom que sabia exatamente o que dizer:

— Essa guerra, é inevitável. — Os pretos cabelos ondulados mostraram a identidade de Damos. — Os fatos são nítidos, só não vê quem não quer. O Reino Lazuli sempre esteve ao lado dos blancos. Eles sempre quiseram a guerra.

— Ainda não temos certeza se foram eles mesmos que envenenaram. Podem até ter vendido o veneno para os blancos, por que não? — concluiu Leon.

Damos sorriu:

— Eu admiro em um certo grau, sua inocência irmão; mas acho que isso não é saudável quando se trata de política.

O rei virou o rosto para ele:

— E o que você sugere, meu conselheiro?

— Duas coisas, meu rei. Primeiro de tudo, envie um de nossos espiões para ceifar a vida de algum general deles; eles precisam saber que não vamos ficar de braços cruzados. Segundo, como eu já venho dizendo ao senhor há algum tempo, prepare as tropas.

— Não acho que seja a melhor ideia. Isso só colocaria mais lenha nesse fogo. — Leon ergueu o tom.

— Como eu disse, a guerra já é inevitável mesmo. — acrescentou Damos. — A questão é, quando ela chegar, nós vamos estar preparados ou não?

Ao mesmo tempo, o rei colocou uma mão sob a testa e bufou. Parecia soltar um ar preso desde que chegaram ali. Sim, o peso em seus ombros era muito grande e Leon sabia disso. E era por isso mesmo que seu Jano precisava escutar os conselhos de seu irmão!

— Se eu não tivesse só falado merda na reunião semana passada, talvez a gente não estaria passando por isso.

— Ainda pensando na reunião? — questionou Leon.

Damos, acrescentou:

— Sendo sincero meu rei, aquela reunião nunca que iria dar certo. Esses mestres de casa querem a nossa queda, TODOS ELES. Eles tem inveja do nosso poder, de sermos a potência que somos.

— Você já disse isso. — revirou os olhos Leon. — Umas trinta vezes. E não venha com pensamentos tão simplórios.

— Pois então, repito e repito! Não precisamos negociar com esse tipo de gente.

— E você sugere o quê? Nos isolarmos? Ou melhor! Se eu te conheço bem, posso jurar que gostaria de extinguir todas as outras casas, igual o Rutherford fez.

Damos o encarou em silêncio. Leon, por sua vez, colocou sua mão aos ombros do rei.

— Agora eu tenho que ir, meu irmão.

— Tem certeza? Não vai acompanhar o enterro?

— O bacharel chegou na cidade ontem a noite, marquei de me encontrar com ele.

— Frtzix? Aquele mercador doido? — defrontou Damos.

O Rei estendeu uma mão:

— Queria poder sair também. Essas horas que eu amaldiçoo nosso pai; ele sempre soube do meu ódio dessas obrigações.

Leon sorriu e se retirou dali sem pressa. Damos por sua vez, permaneceu ao lado de seu meio irmão, em silêncio, seguindo a face para a mesma direção que ele. Seus olhos castanhos por fim, se desviaram à direita, na qual ele pôde ver uma mulher acanhada ao fundo. Meia idade com um ar nobre abaixo do queixo, identidade essa que se evidenciava com a tiara branca sobre os cabelos amarronzados; exatamente quem procurava. Ele reverenciou Jano e partiu ao encontro dela.

— Senhora Helena — se apresentou, também com uma reverência.

— Damos.

A mulher mal desviou os olhos para ele, assim como a maioria por ali, olhava angustiosamente para o caixão.

— A senhora o conhecia?

— Eu, eu e a esposa dele éramos amigas quando ele morava na capital. — e por fim, os dois se prenderam na mulher toda de preto do outro lado do caixão.

Damos balançou o rosto em negação.

— É uma verdadeira tragédia. — um silêncio se seguiu por alguns segundos. — Já lhe contaram a causa da morte?

— Jano me contou das suspeitas dele. Mas ainda acho um absurdo essa ideia de ter sido os lazulis. Eu não entendo muito de política, mas pelo o que eu andei ouvindo, nossa briga é com os blancos, não com os lazulis.

— Então pensa como seu filho Leon. Mas senhora, os reis desses dois reinos são da mesma casa.

— Sim, isso eu sei.

— A senhora não desconfia de que estão se ajudando? De que os dois querem a guerra para nos destruir?

— Não... Não sei na verdade. Eu disse que não entendo de política.

— De todo modo, acho que de uma coisa a senhora sabe; nossa situação vai ficar ainda mais difícil. Nossa segurança; minha, sua e dos seus filhos; estão em perigo.

O olhar de angústia da mulher, se apertou.

— Sim, talvez você esteja certo.

— Se eles conseguiram chegar num general de alta patente, o que os impede de chegar até nós? Eu mesmo já contratei um escudeiro de proteção para mim. — Damos, de frente ao caixão, desviou a íris de soslaio para o canto, até a mulher. — Eu conversei com Lancellot, ele está disposto a entregar sua vida se necessário pra proteger sua casa... Nossa casa... Por acaso Leon não consideraria...

— Leon? Meu filho não precisa de um escudeiro de proteção. Ele já sabe lutar muito bem.

— Senhora, perdão por discordar; mas o general a nossa frente não morreu esfaqueado ou num combate.

— Já temos copeiros e oficiais excelentes. Eles não vão deixar que uma coisa dessas aconteça.

Igual ao serviço que prestaram ao general? Senhora, Lancellot foi treinado não só como um hábil guerreiro, mas como um detetive.

— Lancellot? Você fala do Lancellot meu sobrinho? O primo dos meninos... Quer dizer, o seu primo também?

— Sim e essa é a melhor parte, com certeza. Por ser da nossa família ele sabe melhor do que ninguém o quão é importante protegê-la.

A mulher voltou a ficar em silêncio, pensava olhando para o caixão e observando a viúva a frente derramando numa poça ao chão, suas lágrimas.

— Duvido que ele aceitaria.

— Eu também, e é por isso que estou falando com a senhora. Se eu falasse pra ele, nunca que iria me ouvir. Não tem ninguém melhor nesse mundo todo pra convencer ele do que a senhora.

————||————

 
Os passos de Leon faziam eco nos corredores do palácio. Sua espada mesmo na bainha, rangia baixo. A primeira entrada à direita foi seu destino. Ele passou pelo arco de abertura até uma sala recôndita pequena, cheia de armários que cheirava a bolor. De cara se deparou com um senhor andando de um lado ao outro, mexendo nas estantes, apertando os olhos com a pouca luz que o corredor dispunha.

—  Bacharel Hael Frtzix.

O velho de cabelo espetado se virou e ergueu o sorriso mais largo que podia.

— Leon! Que bom te ver, rapaz!

O loiro riu:

— Eu não diria que é certo chamar alguém na casa dos quarenta de rapaz...

— É só modo de dizer... — ele riu.

— Obrigado pelo elogio. Mas enfim, você recebeu minha mensagem? Conseguiu trazer a encomenda que pedi?

O senhor coçou sua costeleta:

— Se a mensagem tivesse chegado um pouquinho depois não daria tempo. — Ele ergueu dedo apontando para uma prateleira. — Está dentro daquela caixa.

Leon não hesitou e correu até o caixote de carvalho escuro. Sentiu a pressão em suas costas com o peso. Na tampa da caixa, a face de um corvo estava talhada em roxo. Ele tremeu enquanto abria a tampa e tremeu ainda mais se admirando com o objeto intrigante e milagroso que via.

— Como o senhor conseguiu?

— O quê? Eu achava que não se interessava por minhas histórias.

— Ah, mas dessa vez eu estou MUITO interessado!

— Veio direto do Reino Soturno.

— O senhor entrou lá?! — arregalou os olhos.

O velho ficou em silêncio durante segundos, até que, por sua vez, se entregou a uma escandalosa gargalhada. Se passaram um minuto, ele ria. Se passaram três minutos e um mosquito entrou por sua garganta, ele ainda ria. Até que no quinto minuto, depois de molhar as mãos com suas lágrimas, a risada foi cessando aos poucos.

— Que ridículo! Até parece... — respondeu enxugando os olhos. — É que, nessa viagem eu conheci um cara, que conhecia um cara, que conhecia um cara, que conhecia um cara, que conhecia um cara, que conhecia um cara, que conhecia um cara, que conhecia o primo de um cara. O irmão desse primo conseguiu entrar no Reino Soturno e roubar um dos protótipos mas avançados deles. Isso meu amigo, é o futuro!

Poderia ser mais uma história de pescador? Poderia, mas Leon já havia viajado com o bacharel umas duas vezes para saber que de fato, suas odisseias podiam ser bem esquisitas.

— Eu agradeço, meu amigo, será de grande importância, isso eu te garanto!

— Fico feliz; agora, se não se importa... O valor de remuneração... Já está com você garoto?

— Eu mandei um dos guardas trazer num baú. Sete mil moedas de ouro não caberiam num saco de pano, certo?

— Bem, vou levar isso por enquanto. Mais uma vez, obrigado!

Com as alças nas laterais do baú, Leon o carregava com um alívio grudado em seu rosto, ele sabia, ou melhor, tinha certeza que o objeto dentro daquela caixa seria de extrema importância para o que estava por vir.

————||————

Leon largou a caixa na mesa de cabeceira ao lado da cama. De sua janela, ele observava o tempo se fechar e um vendaval arrastar as folhas das árvores. Em poucos segundos se viu preso em devaneios, ao menos, até uma voz feminina brotar da porta e o assustar:

— Acabei de vir do enterro. Foi uma pena você não estar lá.

— Sinto muito mãe, tinha assuntos importantes pra resolver.

— Eu imagino que sim. — a mulher mexia numa flor próxima a entrada.

— Mãe! — ela desviou o rosto para seu filho. — vou partir em breve.

— Entendo... Garra do Falcão?

— Não é meu destino final. Mas vou passar por lá.

— E a moça? Qual era mesmo o nome dela?

— Laila.

— Isso! Laila... Como ela está?

— Bem, eu já te disse.

— Sim, você disse mesmo. — ela deslizava os dedos entre as folhas da flor. — E... Você pretende se casar com ela? Ter uma família?

— Por que essa pergunta de repente?  — Leon fitou os olhos de sua mãe, dobrando a testa e inclinando a cabeça como um cachorro confuso — Mãe? Tem alguma coisa errada?

— Não, por que tá perguntando isso?

— Bem, é que você tá apertando tanto que tá quase arrancando as folhas dessa planta sem motivo algum.

Ela tirou as mãos da flor em imediato.

— Na verdade, tem algo me incomodando sim, filho. — Ela caminhou até uma poltrona e se ajeitou confortavelmente. — Antes de vir aqui eu estava conversando com Lancellot.

— Lancellot? O filho do irmão do pai?

— Isso, seu primo melhor dizendo. Ele me contou que está disposto a entregar seu serviço e sua vida como seu escudeiro de proteção, filho.

Leon riu timidamente:

— Eu não preciso de escudeiro de proteção mãe. A senhora sabe que posso me defender, me soa até como ofensa me dizer isso.

— Não, não entenda mal Leon, mas não é só por meio de uma batalha que alguém pode ser morto.

— Vamos reforçar a segurança do palácio então e colocar copeiros mais experientes e confiáveis. Não acho que vão tentar me envenenar, mas se isso te deixar menos preocupada, que seja então!

— O envenenamento também não é a única forma de assassinato.

— Não mãe, eu vou me proteger sozinho do que quer que seja.

— Eu sei mas...

— O que me é estranho é que você me conhece muito bem, já deveria ter imaginado que falaria isso.

— Sim. Eu imaginei mesmo.

— Então... Por quê?

— Por que eu não queria ter que apelar para isso: — ela respirou fundo. — Se você não aceitar ter um escudeiro de proteção, não poderá mais ver Laila.

— Como?

— Se você ficar vulnerável, ela também irá ficar e, como deve imaginar, você até pode, mas ela não consegue se defender sozinha. Aceitar essa proteção não irá proteger só você meu filho, mas ela também.

Leon coçou sua barba rala e pensou ansiosamente; ele a arranhava, até começar a rasgar parte de sua pele com as unhas. O loiro desviou os olhos para sua mãe e os semicerrou:

— Eu sei que você não passou a ter essa ideia de um escudeiro pra mim de repente e sozinha. Nem quando o papai foi pra guerra você havia pensado nisso. Me diga a verdade, alguém te deu essa sugestão? Quem? E principalmente: por quê? Foi alguma de suas criadas? Foi Jano? Ou melhor... Foi Damos? Isso me cheira a ideia daquele bastardo!

— Sim, foi ele.

— Então eu tenho um motivo justo pra não aceitar essa sugestão. Tem algo por trás disso.

— Ou talvez não tenha. Seu irmão talvez não se importe muito com vocês, mas talvez ele tenha feito isso pela família, seria uma grande vitória da casa Dalton se eles conseguissem matar alguém da família principal. Ele quer proteger a família, por mais que muitas vezes seus métodos não sejam dos mais éticos.

— A senhora chegou a essa conclusão mãe? Ou ele a ajudou nisso também?

Eles se encararam por segundos.

Leon continuou:

— Está bem! Que seja! Vou aceitar isso, pela senhora e por Laila também. Mas manterei meus olhos o mais aberto possível.

— Eu não pediria menos de você.

— Bem, vou começar a ajeitar minhas coisas e amanhã vou partir.

— Certo... — ela deu às costas e caminhou em direção a porta.

— Mãe! — interrompeu Leon, para que ela virasse o rosto. — Obrigado, por sempre se preocupar... Em todos esses seus sessenta e poucos anos você tem se preocupado. Com o pai, comigo, com o Jano... Obrigado!

Ela sorriu e deixou o quarto.

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Leon ajeitava a cela de seu cavalo e um dos criados entregou em suas mãos a bagagem, outro, amarrava com cuidado no cavalo, a caixa de madeira recém comprada.

— Cuidado! – o loiro alertou. — Não posso nem cogitar a ideia disso aí quebrar.

— É alguma arma senhor? — questionou o criado, terminando o nó.

— No momento não... — Leon coçou a nuca e ergueu o rosto para as nuvens carregadas — Mas... Quem sabe um dia não se torne a arma mais poderosa do mundo?

— Soube que já estava de partida. — Damos se aproximou sem muita cerimônia. Leon concordou com a cabeça e o outro homem prosseguiu: — Sua mãe me contou que você aceitou nosso primo Lancellot como seu escudeiro de proteção. A propósito, ali está ele.

O cavalheiro desviou os olhos e viu, viu um homem gigantesco; músculos parecendo troncos e com um rosto sério. De fato, um ogro com uma feição que, só de ver, faria muitas crianças não conseguirem dormir a noite. Os cabelos eram loiros como os Thomsons e as diversas cicatrizes que contornavam da suas pernas até o rosto, assemelhava-se a um mapa e pareciam contar uma história de muita violência, suor e sangue, a história de um guerreiro.

— Duvido que alguém ouse te assediar com ele por perto. — Leon não lhe deu uma palavra, mas sim voltou a arrumar a sela  — Olha, eu sei que nosso pai nunca teve uma boa relação com o irmão dele, mas ambos já morreram, não há mais motivos para nos afastarmos. Ele é tão Thomson quanto você e vai fazer o possível pra proteger esse nome.

— Eu sei disso.

— Sabe? Você me parece aflito ainda.

— Não há com o que se preocupar. Se eu concordei com isso, significa que eu confio nessa ideia.

O monstro se aproximou dos dois, evidenciando ainda mais a altura absurda.

Leon estendeu a mão para ele:

— Faz tempo que não nos encontrávamos primo.

Damos completou:

— Desde o funeral de nosso pai, pra ser mais exato.

E por fim, após responder sua mão – que por acaso cobria completamente a de Leon – o homem finalmente disse:

— Será uma honra servir ao Senhor, Milorde. — Ele sacou da bainha uma espada estupidamente grande e larga. Com força, a cravou no chão e pôs um joelho ao solo.

— Não era necessário formalizar seu juramento, primo. — acrescentou Leon. — Confio na sua palavra, somente isso. — O homem então se levantou. — Vou partir em breve.

— Sim milorde, já pedi para que preparassem meu cavalo.

— Sem problemas, eu aguardo.

Uma outra voz emergiu ao fundo; esta voz sim ergueu o sorriso de Leon, contudo, trouxe um leve susto aos que estavam em volta.

— Já iria embora sem se despedir de novo? — a coroa branca reluzia com autoridade. Os dois que acompanhavam Leon fizeram uma curta reverência com a cabeça. — Leon, Damos e você é o...

— Sou Lancellot, vossa majestade.

— Lancellot! Verdade! Faz tempo que não nos vemos primo; fico feliz em encontrá-lo.

— Digo o mesmo senhor.

— E por favor, leve meus cumprimentos a sua mãe e sua irmã.

— Pode deixar senhor.

Damos e Lancellot não demoraram a se retirarem dali.

— E então. — começou Jano. — Vai para Garra do Falcão de novo?

— Antes vou passar em algumas cidades e resolver alguns probleminhas, mas sim, lá é um dos meus destinos.

— Sinceramente não sei o que tem lá que faz você querer voltar tanto!

Leon riu.

— Um lugar calmo, pacífico. Se pudesse, passaria o resto de minha vida lá.

— É só isso mesmo? Sabe o que eu andei ouvindo de alguns soldados de lá? Que você está saindo muito com uma mulher de lá.

O loiro coçou a nuca.

— E o que é que tem um homem estar na companhia de algumas mulheres de vez em quando, meu irmão? Acho que você não tem muita moral pra falar isso.

— Não estou falando de prazer e diversão. Você não é visto com várias mulheres, mas com uma só apenas, todas as vezes que foi para lá. — Jano aproximou os labios dos ouvidos de seu irmao, abaixando o tom num leve sussurro: — Olha, eu sei que aqui não é o melhor lugar para te falar isso meu irmão, mas... Pelo amor de Jahed! Não vá se apaixonar por uma camponesa! Você melhor do que ninguém sabe que estamos numa das piores crises políticas que já passamos e não podemos nos dar ao luxo de nos casar com qualquer uma! Já estou tendo um esforço danado pra tentar casar você com uma princesa da casa Heisenberg. Os pais dela são teimosos pra caramba e se esses boatos tomarem forma, sabe que já era!

Leon ergueu um sorriso e segurou nos ombros do Rei.

— Não se preocupe com isso meu irmão, já tem problemas demais nas suas costas, não vou te trazer mais um.

— Sei que não vai me decepcionar.

Eles então estenderam os braços e apertaram-se numa longa despedida.

Damos e Lancellot os observavam ao fundo, ao passo que conversavam mexendo o canto da boca com leveza. Lancellot, em especial, teatrava olhando para os lados despreocupadamente, como que não se importasse com a pessoa ao seu lado.

— Você ainda não deixou claro Damos. Como vai querer que eu te passe as informações? Pessoalmente quando nos encontrarmos, ou por Falcão?

— Por Falcão é melhor. Quero tudo, cada frase, cada palavra, cada toque que der em algum objeto, cada pensamento eu quero que anote. Por isso mandar por falcão é melhor, assim não acumula informações e você não deixa escapar nada.

— Certo, pode deixar. Você melhor do que ninguém sabe que faço meu trabalho de maneira exemplar.

— Sim... Sim, eu sei.

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Mapa do Continente:

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🐲~luks~🐲

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