◊|Prólogo|◊


🧿

Istambul, Turquia, maio de 2017.

Berna, uma velha conhecida do círculo social de Ali Emin, tornou o encontro inesperado na boate entre os dois uma conversa picante regada a raki turco, risadas estrambólicas e olhares ardentes. Um coelho não deveria saltitar por estar na companhia de uma predadora e de maneira inocente seguir o caminhar exuberante de uma pantera. A mulher que conhece o quão dependente um homem pode se tornar de sua presença, faz disso uma armadilha.

A noite não foi como planejado para Ali. Saiu de casa interessado apenas em socializar com seus bons amigos, mas Berna não deixou espaço para que isso acontecesse. Contudo, receber toda atenção de alguém cobiçada é algo que muda os planos de qualquer um, inclusive de Ali, além de fazer de tudo para se manter naquela posição de poder, onde quem olhasse para os dois admiraria o impacto visual do casal.

O turco é um jovem homem influente, rico e extremamente atraente em seus atributos físicos, num corpo esguio no que se compõe alto e magro. Naturalmente forte nos lugares certos, possui no rosto um ar um tanto selvagem, que não corresponde a personalidade de alguém maleável. Ali é também comunicativo, com um tino comercial invejável. A jovem mulher é uma modelo requisitada, inteligente, dona de si e de uma beleza estonteante.

O famoso empresário de trinta e quatro anos, ofereceu gentilmente uma carona. A oportunidade era perfeita para a noite ser estendida de forma sutil, caso a modelo estivesse determinada a seguir adiante, o que parecia estar bem claro que sim. Ele se deixaria levar pela circunstância, mesmo um pouco cansado, pois, o jogo de conquista e relacionamentos de uma noite estavam em sua rotina.

Após entrar em seu Audi SUV de luxo com o cheiro marcante do couro, que revestia os assentos, parte interna do painel e portas, foi pego de surpresa quando a modelo montou em cima de seu colo. Ela revelou ter curiosidade em saber se o empresário era todo grande e atiçou facilmente uma ereção com um beijo provocativo. Imaginou que seria agraciado com uma noite de sexo, mas não esperava ser atacado, no bom sentido, ainda no veículo.

— Ali... — gemeu a mulher controlando a penetração ao sentar no empresário.

Em um pequeno espaço de tempo, assistiu ser devorado de um jeito impetuoso, pela linda mulher usando um vestido tubinho lilás, que foi levantado às pressas pela dona, ficando amassado ao redor da cintura. O perfume dela incendiou o carro tanto quanto a sua vagina dominadora. Berna fez dele seu brinquedo e manobrou o ritmo do sexo improvisado.

O beijo com o sabor do batom e a textura da barba bem cuidada, se misturou entre as bocas treinadas. Movidas exclusivamente para mostrar o quão bons eram na arte de beijar e em não decepcionar quando a oportunidade surgia. Tinham consciência dos desejos que seus corpos podiam despertar e principalmente da desenvoltura sexual.

O empresário alcançou com a boca um dos seios à sua frente, enquanto sua mão se ocupou com o outro. A mulher estremeceu com os estímulos, fazendo bom proveito do que tinha no meio das pernas do turco, agarrando parte do cabelo grosso do parceiro. Os fios macios e volumosos com comprimento médio de Ali, formavam indiscutivelmente uma bela cabeleira quase preta e transmitiam um charme a mais, além de estar sempre bem-arrumados.

Cada vez mais a mulher gemia com o corpo quente, ao rebolar no que lhe preenchia por completo entre as pernas e causava picos ardentes de prazer. Deitou o banco do motorista, no intuito ter melhor desenvoltura nos movimentos necessários para levar a modelo a um orgasmo, e atingiu o seu objetivo com maestria.

Esperou a modelo curtir o momento, enquanto seu corpo testemunhava os delicados espasmos que ela produzia, depois a colocou de quatro e a penetrou. Enquanto estava lá, começou a se sentir vazio, incomodado com o sexo sem propósito. Sair com mulheres em busca de um prazer, virou uma rotina, e aquilo não lhe trazia mais a satisfação que buscava.

Berna parecia gostar da continuação, e ele passou a atuar um personagem que não o correspondia mais. A cada tapa que levava em sua bunda, a modelo se contraía, na tentativa de estimular Ali. Apesar do turco estar excitado com a parceira da noite, não sentia tanto tesão como gostaria, o ato era algo mecânico e sem sabor.

Acelerou o ritmo para tentar finalizar sem perder o foco, mas seu momento reflexivo já tinha causado um impacto irreversível. Constatando que não chegaria mais ao objetivo, parou abruptamente. Saiu de dentro dela, retirou preservativo e colocou no copo vazio de café que estava ao lado do câmbio.

— Por que parou do nada? — Berna estranhou.

— Não estou conseguindo — declarou incomodado.

— Se fosse preciso mais tempo, eu aguentava — afirmou vestindo a calcinha.

— Tenho certeza que sim, mas não precisa.

Sentaram em seus respectivos bancos. Ele estava pensativo, ela parecia decepcionada. Deu partida na ignição e saíram no veículo da rua escura onde o carro estava estacionado, longe de olhares que reprovariam com certeza ato libidinoso.

— O que houve? — perguntou arrumando o vestido.

— Acho que bebi muito — justificou.

— Eu sei que não quer casar comigo, mas nem trepar? É meio frustrante.

— Não pense nisso, é claro que não é você.

Berna perdeu o olhar através da janela pelas ruas que passavam, deixando os olhos vidrados no vazio. Ali permaneceu em silêncio, não iria alimentar o assunto com alguém de quem não nutria o menor interesse.

Após vinte minutos parou em frente ao edifício onde a modelo morava.

— Quer subir? — Berna fez o convite com a voz macia.

— Suponho que vai gerar comentários dos seus vizinhos — Ali alertou.

— Sou uma mulher independente, pago minhas contas, não me importo com quem quer servir de audiência para a minha vida — declarou a modelo.

— Eu sei... Mas ainda é jovem e solteira, tem tempo para encontrar um marido que seja seu companheiro.

— E você, um dia vai encontrar uma esposa?

— Sim.

Uma que eu ame, ele complementou em seu pensamento.

Admirou a bela mulher com o rosto de boneca e um corpo estonteante. Seria uma linda esposa, mas não passaria a vida com alguém apenas pelo belo par de pernas compridas e um cabelo de propaganda de shampoo. Ela parecia perfeita para uma vitrine ou um desfile de moda, não duvidava que encontraria alguém que tivesse uma sintonia especial.

O jovem homem, já havia pensado sobre isso algumas vezes, chegando à conclusão que, só queria alguém que o olhasse como um companheiro e não um bom partido. Diante do silêncio dele, Berna saiu e bateu à porta do carro, depois, atravessou portaria sem olhar para trás.

Ali olhou o relógio e viu que não era uma boa hora para chegar em casa. Passava da meia noite, provavelmente, sua mãe acordaria quando ouvisse o carro entrar no portão e repetiria o ritual de repreensão por ainda não estar casado, vivendo sem cumprir o que manda sua religião, assim, resolveu ir dormir no escritório.

Chegou ao edifício empresarial, cumprimentou o porteiro e subiu para o andar de sua sala. Ao sair do elevador e abrir a porta, se deparou com seu pai sentado na cadeira atrás da sua mesa. A imagem era nostálgica, lembrou de quando era ainda mais jovem, entrando naquela sala a primeira vez, precisava avisar ao pai que estava ali para o seu primeiro dia de trabalho.

Desde esse momento, onde pisou na empresa como substituto do senhor Asil Emin, vive apenas para administrar o legado que ele construiu. Ali se sentia muito honrado por isso, mesmo tendo planejado viver outras coisas, mas manter o trabalho de seu pai, era uma missão primordial.

O senhor alto de cabelos bem grisalhos, o encarava um tanto centrado, medindo suas palavras de um jeito imponente. Consciente de seu papel de pai, levantou da cadeira indo para o comprido sofá na lateral da sala, que era rodeada por uma grande vidraça coberta por venezianas e com uma bela vista da cidade.

— Sente — pediu.

Ainda que surpreso pela presença de seu amado pai, sabia o motivo que o levou a esperar por ele até aquela hora no escritório, discutir sobre seu estilo de vida. Foi até o sofá com os ouvidos preparados, mais uma vez seria cobrado a deixar de ser um homem solteiro e construir uma família.

— Muito mais jovem que você, casei com sua mãe. Não tivemos essa experiência de se conhecer, como hoje em dia existe essa justificativa para sair de boca em boca. — Ali ouvia atento. — De forma alguma, senti a necessidade de me envolver com outra mulher que não fosse ela. No primeiro dia, já me advertiu que seria a única na nossa relação, mas nem precisava, meu coração já era só dela. Simples assim... É inevitável, todos sentimos quando conhecemos a pessoa que vamos amar. É diferente de tudo. E é provável que ainda não tenha acontecido com você, mas não me parece que esteja aberto a isso, o que dificulta acontecer.

Olhou em volta do escritório admirando o ambiente resultado de seu trabalho, e que hoje estava entregue ao filho. Ali nunca o havia decepcionado como seu substituto, era um orgulho.

— Precisei me afastar cedo dos negócios devido a minha saúde, por meu coração ser fraco. Você começou cedo, não sei se é um motivo para ainda não saber o que quer — ponderou. — Em nome da sua mãe, pois ela quem me mandou conversar com você e concordo totalmente, acreditamos ser melhor que tome um tempo longe, antes que nenhuma moça queira ser sua esposa, já que não tem comportamento para um bom marido. Faça o curso de fotografia que tanto sonha em Nova York — sugeriu ao filho. — Não terá dificuldade de administrar por home office, Youssef está bem integrado com seu gerenciamento na diretoria, ele é seu assistente desde sempre.

Ali gostava de aprender coisas novas. Em seu tempo livre, sempre buscava envolvimento com algo que lhe despertasse interesse. Chegou a se formar em fotografia, que era um amor antigo, pela Bahçeșehir Üniversitesi. Mesmo que na época, já trabalhasse na empresa do pai e tivesse percepção para os negócios, optou cursar algo pelo qual era apaixonado.

Em Nova York, um fotógrafo do qual admirava o trabalho, ministrava um curso sobre Estética e Pensamento Fotográfico — Visão conceitual. Sem dúvidas estava em seus planos fazer o curso. Mas, ser Diretor da Medcare Teknoloji nos últimos anos, exigiu dedicação diária para expansão de filiais em outras localidades da Turquia e, não deixava muito tempo livre.

Atualmente, a empresa assumiu um patamar confortável. A unidade central em Istambul tinha uma boa comunicação com as outras. Não seria difícil seis meses longe com visitas periódicas, já que somente para o ano 2018 aconteceria a expansão para três outros locais. O mencionado ano será o período no qual três grandes hospitais encerrarão contratos. Assim, existe a possibilidade da empresa assumir a prestação de serviços para manutenção, como também a venda de equipamentos hospitalares por parte dessas instituições.

Aquele parecia ser o momento perfeito para vivenciar algo novo e realinhar sua vida pessoal. Concordava com seus pais, precisava de um tempo das baladas. Como o senhor Emin destacou. Youssef daria conta de sua ausência física, no entanto, não deixaria de acompanhar tudo a distância ativamente.

— É uma boa ideia — disse ao reconhecer os esforços de seus pais —, mas não posso me comprometer a casar com qualquer mulher apenas para ter uma esposa.

— Sabia que não iria se opor a tomar um tempo para você, isso já é um começo. Apenas sugiro que busque conhecer mulheres em outros ambientes, sem jogo de luz e música alta. Acredito que não fazem seu tipo ou teria no mínimo dez esposas — Ambos riram.

O senhor Asil Emin abraçou o filho e deu-lhe dois tapinhas nas costas satisfeito com a conversa.

— Vou organizar tudo para tirar esse tempo. De qualquer forma, amanhã começaremos a jejuar, esse será um bom momento para refletir.

— Vou deixar você no seu puxadinho. É bom mesmo que não vá para casa. Pelo jeito que sua mãe anda, é arriscado afundar uma panela nessa sua cabeça dura. Ainda mais se sentir o perfume que está impregnado em você.

Olhou o pai sair pela porta e ficou com seus pensamentos. No dia seguinte pediria que a secretária organizasse sua viagem e que tratasse as questões sobre esse assunto com Youssef. Ele estaria muito ocupado com a empresa. Precisava deixar tudo organizado para trabalhar apenas a distância, ao final do ano estaria de volta.

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