Capítulo VII
Se você tem a capacidade de dizer que não é possível sem nem mesmo tentar de duas uma, ou você é um sábio e merece o máximo do meu respeito ou você é um covarde, na maioria os homens são a segunda opção[...]
Raika Weber
— Invictus'nietik'permitiz — e as serpentes saltaram em direção a Can, que batia forte rompendo a cabeça de algumas, porém como todo golpe copioso e constante, Can não conseguiu manter a constância por tanto tempo e uma serpente entre tantas lhe cravou os dentes a glote. Um grito lastimoso lhe fugiu a garganta. Com os olhos fechados, exibia uma careta que agonizava sentindo o veneno preenchendo a garganta. A forma que sentia a dor era semelhante a que sentira quando disse as seguintes palavras em um sussurro desesperado "sinto a minha garganta na minha garganta" a sensação de milhares de grãos de areia na traqueia.
O puxão ancorado a toda força que tinha desmembrou a cobra, deixando apenas a cabeça no local aonde estava a mordida. O corpo do bicho caiu seco, Can tirou a pequena cabeça que ainda estava cravada em sua glote e tirou a máscara, a extensão de um sorriso risório lhe brotou do rosto que era uma mistura de mecanismos. Um híbrido que não exibia com tanto orgulho assim os seus membros de aço.
— Você sabe porque não estamos no mesmo lado dessa guerra. — sussurrou entre os dentes. — nobres são garotos perdidos com joias caras no pescoço e que não tem a mínima ideia do que seja justiça. — cuspiu sangue. — o adorno dourado, nunca entendera o que é caminhar na lama...
— Invictus'nietik'permit... — Haskel foi interrompido por uma batida seca em suas têmporas, caindo como um ser inanimado. Era o irmão mais novo que veio correndo e pegando os corpos dos irmãos mais velhos que jaziam no chão frio, inertes, duros e rígidos, a penumbra foi sua companheira, as sombras que encobriram a lua lhe passaram a possibilidade de fugir daquele campo. E assim Urticas se salvara, não era uma vida que merecia o bradar de espadas nem o flagelo dos tiros, nem o esforço dos cães e muito menos a batalha que interveio naquele dia melancólico. É assim mesmo.
Zajac, observou o pergaminho em suas mãos, tudo estava fácil demais e estranhou, nada em sua vida era fácil, brando ou manso. Lambeu um dedo e foi virando a página, o papel milenar estalava.
Seus olhos percorreram os símbolos, algo dizia que faltava páginas, não poderia ser apenas aquilo. Displicência era a sua grande inimiga. Deu pequenos socos na fronte.
— Está faltando algo aqui. — olhou para a humana que havia o orientado que tudo estava em conformidade com o que ele havia pedido. — Eu disse que algo não está cheirando bem aqui.
— Chefe eu não tomo banho há um tempo. — disse um dos seguidores do pistoleiro.
— Isso os ventos já condenaram antes mesmo de você me dizer, eu digo que estou tendo uma instuição.
— Intuição. — corrigiu a humana.
— Não lhe pedi aulas no idioma dos homens, estou dizendo que quando deduzo algo, é porque há reais motivos para isso.
— Olhe, você me pediu...
— Eu sei o que eu pedi e parece que você não cumpriu o seu lado no acordo.
— Eu temo que ela tenha cumprido o acordo, senhor Zajac. — uma voz gutural recortou e preencheu o lugar. — Olhe para cima.
— Quem é você? — os olhos de Zajac não conseguiam entender o que estava vendo, ou a cena era terrivelmente improvável. Um mago negro. A cidadela se tonou cinza, e o tempo havia parado. Todos que estavam ao seu redor estavam semelhantes as estatuas que preenchiam a entrada do ancoradouro.
— Precisamos ter uma conversinha, se me permite, senhor Zajac. —abriu os braços com a sorte de que não estava tramando nada.
— Um sinal de comprometimento, vejo que estudou bem os bons costumes do meu povo. — disse tentando acompanhar o tom de voz grave do ser.
— Sim, todos os povos são igualmente belos, dos elfos que plantaram algodão nessa terra, aos Orcs que comiam como uma praga. Todos são lindos. — disse levantando o polegar. — porém não há equilíbrio.
— Isso é bem nítido. — disse o pistoleiro.
— Por isso estou aqui, para ajudá-lo a eliminar os magos negros.
— Mas eles não são o seu povo. Sei que existe uma honra quanto a isso.
— Zajac, olhe para os humanos, eles possuem escravos. Olhe para os híbridos, animagos e animorfos, alguns são rechaçados apenas por serem diferentes.
— Mas como a morte dos Magos Negros irá resolver milagrosamente os problema do mundo?
— Mas você não busca o pergaminho para destrui-los?
— Não, eu estou atras da carcaça dos animais mágicos de Zoe.
— Você realmente acredita nas fabulas que lhe contavam quando ainda um mero filhote?
— Sei que é real...
— Porque as escrituras dizem que é?
— digamos que a minha intuição não falha em momentos importantes. — deu um sutil riso que não foi recebido de maneira recíproca.
— Preciso lhe mostrar algumas coisas, podemos unir essa fantasia com algo concreto e ver no plano que irá sair disso. — disse o ser que bateu duas palmas e a paisagem da cidadela miserável se transformou em um lugar semelhante as selvas que escutava de sua avó. Nos contos sobre a história e origem de seu povo. Os olhos reparavam nas plantas formosas, nas raízes, no caule, na flora exibida ao puro significado de beleza.
Toda sorte de cores saltava aos seus olhos do bordo ao azul, os olhos do pistoleiro ficaram impressionados.
— Como isso... — sibilou Zajac.
— Tudo é possível com um preço alto a se pagar. — disse pausando e indicando com o dedo da destra para um grupo de magos negros.
O barulho estridente dos chicotes e das lanças batendo nas costas de ser com as orelhas pontudas, um corpo franzido e pequenas asas com múltiplas cores. Os chicotes estavam criando vergões e coágulos que fizeram Zajac puxar a sua pistola do bolso como que por um reflexo. Ao olhar ao seu lado, o mago negro que estava ali, exibia um sinal de silencio e negação.
— Eu não posso ver isso, eles são tão menores e fracos. — disse com lagrimas nos olhos. — machos não choram, isso que está em meus olhos é irritação, caiu quilos de terra nos meus olhos. — disse fazendo um trabalho gestual que apenas depreciava o propósito de se explicar.
— Você não pode fazer nada, Zajac, estamos no passado, como espectadores, ninguém pode nos ouvir ou ver.
— Que estranho, como faz isso?
— Pagando um preço não glorioso.
— Eu te compreendo. — disse virando o rosto para o lado oposto da cena que estava sendo intensificada com o som seco do chicote e do grunhindo dos pobres seres.
— Eles são elfos, Zajac. Agora me responda, eles aniquilariam os Orcs?
— Mas de maneira alguma.
— Então por que todos te fizeram acreditar que a extinção de ambos se deu por uma batalha entre eles?
— E não foi isso, né?
— Essa cena é autoexplicativa. Os magos negros exterminaram cada resto de dna élfico e orc.
—Por que eles fariam isso? — questionou Zajac com a face pasma.
— Você já escutou o encanto de algum feiticeiro?
— Sim.
— Aquilo é o idioma élfico, embora fossem adoráveis, o seu idioma trazia consigo a essência da magia pura. Os seres da Nis mais escura que você poderia encontrar.
— Você realmente quer que eu acredite em tudo isso, eu nem ao menos sei o seu nome, e a sua voz é semelhante a alguém com pigarro na garganta, tudo isso me incomoda.
Mais duas palmas.
— Inclusive, meu nome é Killian — disse mostrando a paisagem permeada por chamas e gritos de maldição. Cavaleiros em corcéis pomposos e lanças buscando um corpo para transpassar.
— Estamos na região de Sanfra, observe os gritos de fundo. Isso aqui é 1184 após a criação do mundo, meu amigo! — mostrou em uma visão panorâmica o rosto de agonia dos Orcs que estavam gritando em agonia, a visão conflitante lhe bateu forte ao ver que os magos negros sorriam com taças de vinho em mãos, os odres novos e a velha imbecilidade que era repertoria daqueles seres.
— Então... — dizia, até que o choro agudo de um elfo lhe cortou o pensamento e o coração. Os magos negros riam, queimavam os livros dos elfos e dos Orcs e destilavam palavras torpes enquanto jogavam ramos de hipolito, uma planta que declara fracasso. A humilhação e o cheiro de ferro lhe bateram no estomago, lhe causando boas náuseas e a pungência do calafrio que percorreu o seu corpo lhe fizeram cair de joelhos e se desmanchar em lagrimas.
— Saltem eles! — tirando a pistola do coldre e atirando freneticamente em direção aos debochados homens de olhar repleto de escarnio. Nunca fora tão fácil atirar, mas nunca foi tão difícil ter visão.
— Eu sou Lucius e tenho uma questão a lhes fazer. Como podem acreditar que devem continuar a sua existência infame? — gritava o mago negro com um amuleto de madeira negra em mãos.
— Desgraçado! — sussurrou Zajac. — seu amuleto é o símbolo da vergonha que carregas.
Ao lado, um outro mago negro carregava um ramo e uma espada.
— Isto é a misericórdia e justiça! — repetia o mago.
— Como isso pode ser justiça? — os olhos de Zajac não conseguiam acreditar.
— Isto é misericórdia e justiça! — repetia o ser com os costumeiros capuzes negros e face oculta.
Duas palmas de Killian.
E estavam vendo um momento de tortura, um homem encapuzado, estendido em uma mesa de madeira, com um rolo em cada extremidade, o homem estava amarrado a cada rolo e o show de horrores começava. A mesma voz repulsiva
— Isto é misericórdia e justiça! — e o corpo era esticado, esticado. Até que o barulho dos ossos se rompendo foi escutado e ao tempo em que a vítima chorava a voz intercalava.
— Isto é misericórdia e justiça.
— Este que está vendo é meu marido. — disse Killian. — Os poderosos e pomposos magos negros não aceitam relacionamento do mesmo sexo em seus aposentos de hipocrisia. A escolha era, ou eu ou ele. Ele se sacrificou por mim, Zajac e eu prometi que mudaria o mundo por ele.
— Quanto tempo você carrega isso, Killian?
— Isto é misericórdia e Justiça! — novamente a voz replicava a frase tola.
— Há mais de quinhentos anos, eu esperava aumentar o grupo de revolucionários, e percebi que a melhor época é a que estamos.
Duas palmas e voltaram aonde jaziam desde o começo.
Killian estendeu os braços e lhe deu os dois pergaminhos que faltavam.
— Preciso que mate os animais mágicos de Zoe e incrimine os magos negros.
— Mas, você disse...
— Zajac, eu tentei te desencorajar, sei que há realidade nas escrituras. Mate os animais e deixe algo que apenas magos negros usariam. — e estendeu novamente a destra e retirou um colar com uma pedra verde e o símbolo de um ramo. — mate todos os animais que restaram e faça uma fogueira e jogue este amuleto ao lado dos corpos. Isso será o suficiente para despertar a deusa de seu sonho e eliminar todos os magos negros.
— Isso te inclui, Killian.
— Eu já morri faz muitos anos, Zajac.
Os dois engoliram em seco e o silencio foi cortado com uma presença, uma mulher dos olhos claros e intensos de um verde profundo, cabelos loiros e que estava se aproximando com uma criança de mais ou menos nove anos, foi o que Zajac presumiu, porém ela andava enquanto o tempo permanecia parado, os olhos saltaram e Zajac não conseguia presumir como ela poderia estar fazendo aquilo.
— Essa será a sua nova parceira. — disse Killian, apresentando a mulher. uma humana, sem armas e nenhum detalhe que marcasse a mente. Essa seria a nova parceira do homem que acabara de se comprometer a destruir os magos negros.
— Prazer, me chamo Raika Weber...
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