Capítulo 19. Eu não tenho forças para suportar um mundo sem você

Como estão peixinhos?  To aqui postando em cima da hora por que esqueci totalmente! Nem to escrevendo A maçdição do Ômega, sorte que tenho atenho cap 27 pronto kkkk

Capítulo 19.
Eu não tenho forças para suportar um mundo sem você

HUANG

Yuan nunca deixou de ter razão e isso só me fazia me sentir cada vez pior. Tantos cacos dentro de mim que me pergunto se conseguiria juntar tudo cada vez que via Yuan com mais dor, seu olhar magoado, o tremor de seus lábios, seu olhar com um misto de raiva e tristeza.

Suspirei.

"Eu fui vendido para você!" Fechei os olhos com sua voz ressoando dentro de mim. "E quantos mais ômegas que você conheceu que precisam dividir o mesmo alfa para se manterem vivos ou por que foram vendidos por seus pais?"

Muitos. Minha própria irmã estava sendo vendida e não duvidava que as outras duas fossem em breve.

Parei diante das portas do aposento de meu pai, seus guardas se curvaram em uma reverência e assim me anunciaram ao imperador.

Preciso mudar esse sistema, por Yuan, pela minha irmã. Pelo futuro.

— Me apresento diante do pai imperial. — Cantarolei conforme a etiqueta mandava.

Meu pai estava em sua cama com ajuda da imperatriz, ele bebia um pouco de água pelo tremor em suas mãos não o permitir fazer sozinho. Desde o banquete ele estava muito mal e só teve piora.

Ele acenou para me aproximar.

— Vamos tirar essas etiquetas, quero conversar com meu filho antes da morte me levar.

Franzi o cenho com uma troca rápida de olhar com minha mãe.

Ela parecia abatida.

— O médico veio vê-lo? — Ela respondeu com um assentir de cabeça. — E o que...

— Tenho no máximo cinco luas de vida. — Ele nem terminou de ouvir a pergunta. — Agradeço aos seus feitos, você achou o veneno e me deu mais alguns dias.

Quem percebeu foi Yuan, queria falar, mas isso traria suspeitas para meu ômega e que menos queria era ele ser investigado. Meu pai morreria devido ao veneno, isso viraria um alvoroço na corte.

Ele tossiu forte sendo amparado pela mamãe.

— Queria uma última festa, se puder me providenciar. — Ele sorriu e não travei.

Seu sorriso era radiante e um olhar perdido em sonhos. Nunca havia o visto assim.

— Fiz muitas coisas ruins nessa vida, Shen, perdão não vai ajudar em nada e não quero ser perdoado por pena. O que fiz, está feito. — Ele moveu seu olhar para mim. — E queria uma festa do tamanho de um festival para dessa vez aproveitar, desfrutar e ser tudo que me privei de ser.

Baixei a cabeça.

— Providenciarei o que pedir, meu pai.

Ele se animou de novo.

— Faça um festival com lutas, qualquer um que queira lutar. Quero assistir, torcer e aproveitar. Quero um banquete com todos animados como foi no seu aniversário. Quero ver Sima Yuan lutando.

Pisquei com o mencionar do nome de Yuan.

Ele ergueu a mão me impedindo de falar.

— Eu o julguei por ser um ômega, por me lembrar de Junjie. É minha culpa, meu irmão não pode chegar à idade que estou, de desfrutar o que era seu. Yuan me lembrou tanto dele que fiquei com raiva. — Ele fechou as pálpebras. — Ele é diferente e, ao mesmo tempo, igual ao seu tio e quando me dei por si, estava admirando seu ômega. Admiro sua coragem, determinação, o brilho do desafio em seu olhar. Nunca tire isso dele, instigue mais, Yùhua precisa disso!

A voz trancou em minha garganta, sem reação alguma, só conseguia observar um alfa que desprezou e tentou matar meu ômega, admitindo em voz alta o quanto o admira e o que Yùhua precisa dele.

Uma risada baixa soou de meus lábios.

Yuan foi a mudança para a família imperial. Primeiro comigo e com Yan, depois Wei. Fez minha mãe admirá-lo e ir contra meu pai, e por último seu maior inimigo dizia o quanto o admirava. Um ômega de mudanças.

Ele era um imperador, não eu.

— Que bom... — Balbuciei com um pequeno sorriso. — Porque sempre pensei em deixar Yuan governar pelas minhas costas. — Admiti.

Era impossível não deixar alguém tão inteligente, determinado, sensato, governar por ser um ômega.

Se Sima Yuan foi a mudança para família imperial, ele seria de Yùhua.

— Imaginei. — Ele riu sem forças. — Peça para ele, se Sima Yuan pode me dar a honra de vê-lo lutar pela última vez.

Yuan adorava uma boa luta, só precisava melhorar seu humor.

— Veja um bom adversário para ele se divertir também e povo de Yùhua ver sua imperatriz que governará ao seu lado.

Um último teste, mas um que beneficiaria a imagem de Yuan.

— Pedirei e assim farei, meu pai.

Virei em direção as portas que se abriam, estamos no quarto de meu pai sem qualquer servo, só os dois soldados na porta e Sisi atrás de mim, até seu filho ficou do lado de fora sem permissão para entrar.

O homem com traços semelhantes a Yuan adentrava, não podia negar o conselheiro imperial era a quase a cópia de Yuan como alfa. Os olhos eram mais ametistas, mas carregavam o mesmo brilho dos azuis de Sima Liu, e os cabelos eram tão pretos quanto a noite, com os fios grisalhos a mostra nas laterais.

Ele sorriu cortês para mim com uma leve reverência.

Ao se aproximar da cama, estendeu o pergaminho feito do melhor material e bordado com os fios de ouro que só o palácio imperial poderia fazer. O imperador desatou o fio que fechava o edital e pediu seu selo.

Ele iria carimbar algo que seria gritado ao mundo.

Um edital imperial.

— Daqui a dois dias você será novo imperador. — Ele segurava o dragão dourado, o selo imperial. — Seja o imperador que eu não fui, Shen.

O selo pesou no papel e estava feito.

De volta a ser fechado e enrolado, meu pai estendeu para mim. Segurei o edital que me escolhia como próximo imperador diante das três testemunhas.

Entreguei a Sisi atrás de mim e agradeci meu pai.

— Farei seu grande festival, o festival do imperador. — Anunciei a ele. — Pedirei para que Yuan me ajude em tudo, e a cooperação de Cuìyún para isso ser possível. Te darei uma despedida grandiosa, pai.

Ele nunca foi o melhor do pai mundo, mas ainda era meu pai que estava à beira da morte, ele merecia um último sorriso.

Seu sussurro foi quase inaudível ao agradecer.

Sua cabeça pousou no travesseiro e dispensou a todos.

Deixei os aposentos ao lado do conselheiro imperial.

— Você será um grande imperador, vossa alteza. — Sua voz soou atrás de mim no corredor.

Parei meus passos e me virei, Sisi deu um pulo saindo do campo de visão e com meu olhar marejado, fiz Sima Liu parar.

— Yuan vai ser um bom imperador ômega ao meu lado, devo agradecer por me vender ele. Ele é um ômega de ouro. — Sima Liu piscou ao sussurrar a palavra vender. — Espero que me sirva com lealdade como serviu meu pai todos esses anos, desde que você deixe Yuan em paz, darei poder e status para os Sima.

Ele afinou seu olhar.

— Se me trair ou magoar meu ômega, você perderá a cabeça. Espero termos um trato e reúna todos os cultivadores que gostariam de participar de um torneio para o imperador, faremos isso na grande arena.

Sima Liu ficou em silêncio. Com um leve assentir, compreendendo tudo, me retirei.

— Sisi.

— Viram Vossa alteza no lago de lótus, e tudo parece bem, visivelmente. — Guohui informou no lugar de seu pai.

Assenti. Se ele estivesse fisicamente bem, então não iria perturbá-lo. As lágrimas, era necessário primeiro sair antes de dar próximo passo.

— O que posso mudar nesse sistema... — me perguntei alto demais.

Voltei para meu ateliê e sentado em frente a tanta papelada, me fazia mutas perguntas, de um lado Sisi tentava me ajudar, do outro havia desistido.

Precisava mudar esse mundo e o imperador era preciso para isso, certo?

— Você está bem concentrado. — A voz de Xu Yixin soou e ergui o olhar. — Podemos conversar?

"E no final das contas você é igual, vai aprisionar um ômega para salvar outro, é ridículo." A voz de Yuan soou de novo.

Isso é o que mais ressoava. "No final das contas, você é igual."

Eu não passava de um alfa igual aos outros.

— A sós... — Ele olhou em direção a Sisi.

— Estou preparando uma festa para meu pai e preciso de Sisi. — Sim, eu estava fugindo de Yixin. — Meu pai está perecendo e quer passar seus últimos dias aproveitando, e a pedido dele, quero dar um pouco dessa diversão para ele.

Yixin se sentou em frente a minha mesa e ouviu, seu irmão alfa deveria estar na varanda, ele sempre ficava lá.

— Preciso de alguém para ser adversário de Yuan e eu não vou conseguir lutar com ele, não importa se ele seja mais forte, tenho medo dele se machucar e eu ser o responsável.

Yixin deu uma risadinha.

— Sempre preocupado com ele. Mas aceito.

Ele aceitou bem rápido, seria por estar interessado em vencer todos do meu harém? Se Yixin achava que Yuan seria tão fácil quanto as outras e poderia usar só o Kamaitachi precisava alertá-lo logo.

— Ele é forte, sinto seu poder. Vai ser uma honra lutar com ele e um Raiju lendário.

— Kamaitachi não é páreo para Raiju ou Yuan, aconselho não o subestimar. — Yixin assentiu com firmeza. — Yuan gosta de adversários que mostrem sua força, não hesitam em jogar seu poder sobre ele, e meu pai quer ver uma luta do nível que foi do meu terceiro irmão e de Yuan.

— Ouvi sobre ela, pareceu épica! — Seu olhar brilhou, isso me lembrava tanto meu Yuan.

Balancei a cabeça em um leve assentir, foi incrível mesmo. Meu lado alfa só queria se meter e tirar meu ômega de lá, a cada arranhão que Yuan sofria meu coração se apertava em desespero, e no final meu ômega saia vitorioso.

Ao lado de seu familiar até então nem havia lutado durante a partida.

— Sisi notifique Yan sobre esse festival e sobre a condição de nosso pai, depois dê assistência a Yuan. — O velho assistente se curvou com sua ordem e saiu. — Guohui, informe o ministro das finanças e dos ritos que quero vê-los.

Ele se curvou e saiu.

A sós com Yixin, baixei o olhar para meus papéis, o edital que seria lido para todos daqui a dois dias estava bem ao meu lado. Daqui a dois dias Yuan seria a imperatriz... não, ele seria o imperador ômega ao meu lado.

Dois imperadores, dois machos.

— Esse silêncio... — Yixin cantarolou ao se debruçar na mesa. — Sem paqueras? Desistiu de me fazer me encantar por vossa alteza a ponto de querer entrar em seu harém?

Quase deixei transparecer a surpresa em meu olhar, no entanto, a reação de meus dedos contra os papéis denunciou o suficiente para Yixin.

Ele era um ômega muito sagaz e inteligente, nada passava despercebido.

— Então está em um bom momento para discutirmos políticas, algo que beneficie os dois lados e saímos com que queremos.

Um jeito de negociar aquela situação sem precisar obrigar Chunji ir para um reino que ela desconhecia, com pessoas estranhas?

— Estou ouvindo.

— Eu vim com meus irmãos por um objetivo. Achar um alfa dominante, um que estivesse nas minhas expectativas para que eu pudesse me tornar o próximo rei de Cuìyún.

Achar um alfa dominante. Franzi o cenho.

— Para ser rei preciso de um herdeiro antes de assumir, é a única regra existente. — Ele bateu os dedos freneticamente contra a mesa, adiando a continuação.

Com um longo suspiro e um rápido olhar na porta, Yixin voltou sua atenção para nossa conversa.

— Não quero me casar com nenhum alfa de Cuìyún, eles só querem poder, lutas e não tem tempo para amar, só trepar não importa o jeito de obter isso. Além disso, nenhum tem uma linhagem forte e para conseguir a aprovação do meu pai, preciso mostrar um filho forte.

Um filho forte. Uma linhagem forte. Alfa dominante. Isso me fez juntar o final dessa conversa.

Yixin precisava de um filhote forte de um alfa dominante e em sua frente estava um.

Traí a confiança de meu ômega tentando conquistar um ômega que ao colocar os olhos em mim já aceitaria trepar. Que patético eu era.

— Você quer um filho comigo.

Yixin assentiu com firmeza.

— Você é um alfa gentil e bondoso, todo esse momento você não parava de pensar no único que está em seu coração, o jeito que você fica quando enxerga Yuan é como se o mundo não importasse mais.

E mundo não importava quando era Yuan meu mundo, perder ele era não ter mais forças para suportar essa vida. Isso não era só devido o imprinting.

Eu amo demais Sima Yuan.

— Me dê um filho e Chunji só irá caso realmente queira.

Algo se agitava dentro de mim com a ideia de me deitar com outro, um lado sentia que estava traindo Yuan, outro rejeitava isso, mas era um jeito de salvar minha irmã sem precisar trancafiar outro ômega.

Deveria falar com Yuan antes.

— Não posso fazer isso. — Yuan odiaria isso. — Como notou, não tenho herdeiro, se eu der um filho a você ele vai precisar ficar aqui, mesmo sendo bastardo até...

— Mas Yuan não está grávido?

Me calei no mesmo instante.

O médico suspeitou, e depois de descartou o fato de Yu'er estar gravido, além de não ter mais nenhum sinal.

— Yu'er não está prenhe, o médico já descartou essa possibilidade. E sem Yu'er ter um filho e ele atingir a maior idade, se você engravidar de mim, a corte vai tirá-lo.

— Quem disse que a corte vai saber? Não pode ser um segredinho?

— E como planeja engravidar tão rápido?

Ele deu um grande sorriso. Era claro que Yixin já tinha todo um plano, sempre foi seu objetivo isso.

Isso me deixou curioso.

— Sempre tomei vitaminas para ficar bem saudável e fértil, assim como nunca usei inibidores para não afetar o natural. Você tomaria uns tônicos e faríamos o meu filho. Caso não se sinto confortável, Shengli sabe fazer afrodisíacos. — Ele deu de ombros. — E chuto que vossa alteza vai ficar no cio no máximo até o final do mês, seus feromônios já estão ficando forte.

Ele já estava ficando fora de controle? Já sabia que meu cio seria esse mês, no máximo até final do mês, mas um ômega sentir, significava que eu não tinha muitos dias como imaginei.

Não queria fazer isso sem falar com Yuan.

— E com vossa alteza se tornando imperador, vai ter mais olhos, julgaria ser melhor isso ocorrer quanto antes. — Ele queria dizer hoje. — Sei que deve estar querendo falar com a princesa imperial e acho isso muito fofo. — Ele sorriu. — São poucos alfas que se importam tanto assim com seus ômegas, invejo isso.

Seu olhar desviou.

Pela sua história não existiam bons alfas em Cuìyún e seu timbre indicava não havia tido experiências muito boas, me pergunto quão extremo foi elas.

— Faremos do seu jeito, mas não terá muitas tentativas.

Ele assentiu.

Guohui apareceu na porta informando um dos ministros estava esperando para ser recebido. Isso foi a deixa de Yixin, que se levantou e foi embora ao lado do irmão.

Esperava que Yuan não ficasse ainda mais furioso comigo.

Suspirei.

A reunião com os ministros, mesmo que informal, demorou muito, as negociações de fundos e convencer o ministro de ritos para usarmos a arena fora de competição anual demorou, ele foi o mais difícil.

Seus argumentos eram de que os deuses não iam gostar que usássemos a arena que serve para adorá-los e oferecer batalhas anuais com as bençãos que eles nos deram.

Sendo um pouco duro com ele, o ministro não pestanejou mais, só aconselhou a ouvir os conselhos do astrólogo para saber se seria um dia auspicioso e sem problemas. Era claro, não dei ouvidos para seu conselho, nada que eu ouvisse iria me fazer mudar de ideia.

Esse mesmo astrólogo afirmou que eu nasceria em um dia agourento e não viveria muito tempo, tudo isso para impedir que meu pai tornasse minha mãe a imperatriz. Talvez devesse obrigá-lo a se aposentar assim que subisse no trono, não iria querer ele palpitando sobre meu filho.

Será que Yu'er realmente estava grávido?

Um sorriso escapou ao pensar nessa possibilidade, precisava protegê-lo do mundo para que essa criança não tivesse mesmo futuro das outras duas, a sensação de quase ter meus pequenos herdeiros em meus braços por duas vezes só fez meu coração quebrar.

Devido a isso, Rin não pode mais engravidar, e...

Balancei a cabeça para não ficar pensando em Méihuā.

Com a noite se aproximando, voltei para o quarto e encontrei só as servas terminando de ajeitar tudo.

— Onde está Yuan? — perguntei e todas balançaram a cabeça.

Sisi apareceu na porta pigarreando e me aproximei dele, Yan atravessava o pátio com tranquilidade com seu assistente ao seu lado, ele ergueu seu olhar e suspirou.

— Achei que você estaria em seu escritório. — Ele disse ao subir os degraus brancos. — Yuan está com Hǎiyáng e não quer voltar para cá. — Ele apontou para as portas atrás de mim.

Deveria ir até ele? Yuan deveria ainda estar magoado comigo e furioso para não querer voltar. Mas se eu só o enfurecesse?

— Vim pegar algo que tenha seu cheiro a pedido de Hǎiyáng para acalmar Xiaoyuan. — Ele continuou sem uma resposta minha.

Assenti devagar.

Tudo para que Yuan pudesse se tranquilizar um pouco, no entanto, meu cheiro iria ajudar em algo?

Ômegas prenhes precisavam do cheiro do alfa para dormir!

— Como ele está, Yan? — Só queria ouvir pouco mais do meu ômega.

Essa indecisão de ir ou não até ele estava pesando em meu peito, não sabia o que fazer e nem para quem pedir um conselho. Talvez se perguntasse para Yan se Hǎiyáng achava seria bom eu ir, poderia obrigar minhas pernas a responder meus desejos.

Yan balançou a cabeça em negativa.

— Meu ômega me chamou justamente para isso, eles estavam conversando antes e só vi Xiaoyuan chorando. As suas empregadas estavam lá com roupas novas, e só sei disso. — O jeito que seus lábios afinaram indicava ele sabia mais.

Conhecia bem meu irmão para saber ele escondia o resto.

Impedi seus passos e continuei a encará-lo até os assistentes se afastarem alguns passos e Yan suspirar.

— Eu não vou me intrometer, mas acho que você está... — Ele apertou de novo sua boca.

— Fale tudo o que quer falar.

O esperei. Esperei seu olhar vasculhasse todas as vigas, telhas, madeira para que assim ele encontrasse as palavras que ele queria.

— Ouvi que Zhang Meilin e as outras do seu harém o molharam, pelo seu jeito, elas falaram algo... não sei o que foi. Mas aquele garoto acha que você o abandonou, como o mundo o abandonou ao jogá-lo naquela Seita. — Yan se aproximou mais de mim. — Ele não sabe nada da vida, se afastar dele é significado de abandono, eu ouvi ele sussurrar que você havia o abandonado.

Eu...

Não percebi antes, tão cego em meu único e brilhante objetivo, não havia notado que todo aquele jeito dele, seus sorrisos e lágrimas eram por estar perdendo as esperanças, de não acreditar que eu o havia abandonado como todos fizeram desde ele nasceu.

Nunca o abandonaria e fui um egoísta ao virar as costas, esperando ele estivesse lá para me receber quando virasse de volta.

Baixei a cabeça, com vergonha de mim mesmo.

— Aconselho a falar com ele amanhã. Provar para ele que você não o abandonou. Ele só tem dezessete anos, até entender tudo que perdeu do mundo, você precisa ter paciência e cuidar com as políticas e negócios.

Dezessete? Ele não tinha dezoito anos? Nos registros que obtive estava lá que Sima Yuan tinha dezoito anos, foi enviado para a seita Lua Branca ainda muito jovem, criado lá pelo ancião Yúe.

A menos que tudo aquilo foi forjado.

— Sima Liu... — Rosnei. Aquele maldito mentiu sobre os registros de Yuan para poder jogá-lo no palácio, vender o próprio filho como uma mercadoria.

— Yan, você pode achar informações a mais sobre a Seita Lua branca, quem criou Yuan e as transações recentes de Sima Liu. — Pedi com uma estranheza trancafiada em meu ser. — Quero tudo que for informação irrelevante e relevante de Sima Liu, tudo.

Para envenenar o imperador só podia ser alguém muito perto dele, alguém que poderia cuidar da situação sem levantar suspeitas. Existiam duas pessoas estavam sempre com meu pai.

Minha mãe e Sima Liu.

O conselheiro imperial, amigo do imperador que não queria fazer sua filha se casar com o príncipe herdeiro, seria verdade ou parte de um plano maior?

Ele precisava de um filho que conseguisse manipular e poderia dar-lhe mais cartas na manga. Sua filha não tinha poder espiritual e Yuan tinha de sobra, capaz de abalar o chão, ele poderia tentar conquistar a confiança de Yuan para ficar do seu lado.

E eu acabarei de dar uma carta para ele.

Cerrei os punhos. Droga! Como fui burro.

— Você acredita que ele possa estar envolvido em tudo que ocorreu?

Balancei a cabeça.

— Só sobre o papai.

Sima Liu não iria me matar, não enquanto tivesse Yuan em sua palma e o trono. Ele queria o controle que meu pai nunca o deu, e para isso precisava de mim vivo. Um pedido de Yuan vindo dele e era claro que eu cederia.

Ele sabia sobre Méihuā, ele a conheceu, assim como tentou auxiliar na questão quando meu pai decidiu querer matá-la.

— Uma raposa ardilosa mesmo. — Ri da minha burrice de ter alimentado e cuidado de um predador estava se preparando para me devorar.

— Ache qualquer coisa e prenda-o se achar algo que o incrimina, não quero que ele fuja.

Yan assentiu com firmeza.

— E sobre as outras, vou cuidar disso.

Pedi para Zhenyi achar algo com meu cheiro e entregar para Yan, assim como ficasse à disposição de Yuan no palácio de meu irmão.

Para Sisi ordenei que trouxesse todas minhas esposas, incluindo Rin, não acreditava que ela estivesse algo a ver, mas era melhor trazer todas.

Sentado em uma cadeira em frente a escadaria, esperei que me trouxessem minhas quatro esposas que apareceram com roupas de dormir por baixo de seus robes de diferentes cores. Meilin era a mais exuberante, a filha dos Zhang ganhava tudo sem precisar da minha ajuda, tinha até carruagem pessoal dada pelo próprio pai.

— Quero ouvir uma história. — Pedi e elas se entreolharam.

Rin foi a que mais estranhou de fato. Com um rápido olhar nas outras nobres e em suas damas de companhias que pareceram tremer, ela suspirou balançando a cabeça de leve. Ela não havia participado.

Sisi e Guohui havia saído com o restante das minhas servas para buscarem bacias de água, iguais da história que Tiany comentou aos prantos pedindo para não a punir por não informar, ela e Zhenyi viram, mas não as culpava por não falarem nada.

O que servas podem fazer contra membros da nobreza tão poderosos?

— Vossa alteza... — Foi Xue que começou. — Está com dificuldade para dormir? Talvez se vossa alteza visitar...

— Estou bem. — A cortei. — Quero saber o que fizeram hoje a tarde. Envolvendo água.

Elas ficaram em silêncio, baixando a cabeça. Zhang Meilin foi a única audaciosa a dizer que tomou um belo banho com espumas e rosas hoje.

Quase revirei os olhos.

Yuan estava certo em uma coisa, seria ótimo me livrar delas mesmo.

— Como punição vocês vão ficar ajoelhadas a noite inteira em frente ao meu quarto, em silêncio, caso contrario serão ainda mais punidas, todas em conjunto.

Elas pestanejaram e Rin arregalou os olhos.

— Rin pode se retirar para seus aposentos. — Ela sorriu e agradeceu com uma reverência.

Ela podia morrer de ciúmes no começo e desafiado Yuan, mas depois ela começou a perguntar sobre meu ômega e torcer por ele, ainda com pouco de desgosto pela briga deles. Ainda assim, sem fazer mal.

Além disso, Yuan deixou claro o que ocorria com quem o desafiava.

Zhang, Xue e Jiang só estavam com sorte de Yuan não fazer Raiju pisar nelas.

— Molhem as três e as obriguem a ficar de joelho. Se as damas as ajudarem, puna elas também. — Ordenei me levantando quando vi Yixin bisbilhotando na entrada do jardim.

Era Yuan que queria ver, mas Yixin serviria, precisava dizer ele não poderia mais lutar com Yuan, não podia arriscar a vida do meu filho.

Com seu olhar azul sobre as mulheres agora molhadas e dando gritos finos pela água gelada, elas se ajoelharam na pedra cinzenta, seus queixos batiam, dava um pouco de pena, mas precisava fazer elas pararem de punir umas aos outras pela falta de atenção.

Todas eram vítimas de suas famílias, retirando suas liberdades de poder amar alguém, de ter uma família normal e ter um homem ou mulher só para elas. Não adiantaria punir uma à outra, matar uma a outra.

— Quer beber um pouco? — Yixin convidou. — Talvez seja bom para espairecer.

Olhei para minhas esposas e depois assenti.

Não levei Yixin para quarto que eu dormia com Yuan, ao invés disso fui para sala lateral, ela era mais quente para o frio que estava fazendo hoje seria ótimo e um minuto depois as bebidas estavam em nossas mãos.

Deixei-me embebedar e soltar todas as frustrações. Yixin comentava uma coisa e outra, debatia e pedia mais vinho. Dormimos sobre a mesa como dois bêbados em um boteco e sei que meus assistentes revezaram seus turnos na porta para cuidar da segurança.

No dia seguinte me culpei por fazer Sisi, um eunuco idoso, não dormir a noite para me cuidar, mas acordei com todas as roupas no meu corpo e Yixin atirado no chão babando.

Sinceramente, essa amizade, que foi construída em cima de um objetivo egoísta, era engraçada e boa.

Uma pena que Yixin queria se tornar próximo líder de um povo doido, ele seria um bom conselheiro imperial.

Acordamos todo muito tarde e precisei correr para ajeitar-me, liberar minhas esposas do castigo e mandar todos para a arena.

Será que Yuan estaria muito irritado quando me visse?

Ω . Ω . Ω . Ω

Espero que tenham gostado do capitulo, por que meu punho não gostou de tanta dor que to sentindo kkkkkkk mas aqui está ele, e no domingo como prometido <3 

Dia 19 tenho lançamento na Amazon! Quem puder me apoiar é também um romance gay, tem alguns cap aqui no Wattpad e se chama O amante do rei na conta KathySeraphEscritora

Dia 23 (domingo) espero ter  cap, vai ser a semanha ali do lançamento e depende como vai ta meu foco e atenção. Então não prometo capitulo.

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