Capitulo 2
Khlaus após o ataque foi salvo por um mestre de armas chamado Mythic, um homem que aparentava seus 40 anos mesmo com sua barba começando a aparecer fios brancos, tinha um cabelo mediano chegando ao ombro que escondia um arco e uma espada em suas costas formando um X, naquela manhã ele estava caçando quando de alguma forma se sentiu atraído a adentrar mais ainda na pequena e pouco densa floresta.
Ao passar próximo a uma das montanhas ao final da estrada, ele avistou sangue, identificando logo como humano, fazendo uma trilha com gotas, notando que o caminho seguia aparentemente de alguma parte da montanha indo em direção ao sul, onde ficaria Ikargo, a cidade vizinha de Plansnópolis. Preocupado ele correu o mais rápido que pôde acabando por notar após que a direção oposta das gotas que desciam o monte levava em direção a entrada de uma caverna, que parecia ter sido antes oculta e nesse momento tinha um rombo de entrada, mostrando que ali havia uma porta camuflada antes.
Após passar segundos olhando e pensando se seria seguro entrar ali, vendo as rochas ao lado de dentro comprovando que aquilo foi uma invasão e não uma fuga, decidiu no fim por seguir a trilha pois poderia ser alguém que no perigo fugiu para ali dentro após a tal invasão, "Esse não é um local muito visitado da cidade, então certamente este buraco existia a um tempo e não notei", pensou Mythic, ao entrar ele continuou seus passos com cuidado, observando que haviam marcas nas paredes escuras que mostrava que algum dos feridos, que nesse momento constatou que não era somente um, se arrastou até a saída, pela forma que o sangue desenhou seu rumo, e agora Mythic sabia que alguém saiu, não entrou ferido.
A trilha seguia um caminho certo, era visível que não houve pensamento sobre qual dos caminhos labirínticos dali devia seguir, qual das portas metálicas deviam entrar, ou se haviam câmaras secretas. Adentrando em várias câmaras semiabertas, Mythic seguiu observando o caminho prestando atenção aos detalhes da formação daquele túnel, ao mesmo tempo que aparentava ter anos de escavação parecia ter sido feito por uma máquina de tão simétrico, não era nada comum.
Porém cada vez mais atento para o perigo que ali poderia existir, algo havia ferido mais de uma pessoa e dificilmente seria um simples animal selvagem dos poucos que restaram e que seu único uso era reproduzir para alimentação de mínimas pessoas que se recusavam a comer as porcarias industriais.
Passando por passagens secretas entreabertas demonstrando que quem ali esteve lutando conhecia até mesmo os caminhos secretos que ali havia, além das armadilhas, principalmente por alguns circuitos estarem cortados no caminho e paredes ocas quebradas revelando painéis, porém se as armadilhas foram destruídas e não desativadas quem ali esteve não era bem-vindo, presumiu logo Mythic ao parar em um painel lateral afundado na parede.
Após várias constatações e muito tempo seguindo a trilha, já pensando que se alguém ali entrou ferido e saiu, ou se alguém ficou para trás já estaria muito em risco, ele finalmente acabou encontrando o ponto na caverna onde os Pantas se situavam, a pequena cidade no oco da montanha.
Ele por um segundo ficou maravilhado com o que viu, o teto cristalino e aquelas construções pouco antigas, era algo único, ignorando a tristeza e o peso que aquele lugar trazia por alguns minutos, olhando próximo a cidade viu que aquelas pedras tinham um brilho muito belo, mas dificilmente totalmente natural, era como descobrir um novo mundo, mesmo sendo pouco visível devido a pouca luminosidade.
Com calma e cautela ele desceu para ver mais de perto ao lado das escadas em espiral, agora notando que as casas eram feitas com blocos diferentes dos comuns, que também eram raros de se encontrar em casas atuais pois preferiam metais e plásticos, por economia e beleza. Aquelas construções pareciam como se fossem bunkers esperando um fim do mundo ou coisa parecida, estando em local muito seguro ao centro da montanha onde nada poderia os atingir.
Após voltar a si e terminar de descer as escadas Mythic viu toda a destruição que ali o aguardava, o cheiro forte do sangue que seus olhos antes distraídos impediram-no de sentir, corpos e demais marcas de combate ali presente, tudo ainda bem fresco e aterrorizante. Observando bem tudo aquilo ali dentro com total atenção, verificando se alguém estava ainda naquele plano e se ainda havia inimigos que pudessem o atacar, pensando ao mesmo tempo que aqueles eram possíveis inimigos, logo encontrou o menino deitado no meio dos escombros com os olhos abertos como se pedisse socorro.
Por pena Mythic pegou aquela criança e a estranha espada que estava ao lado dele, flutuando de forma inexplicável, que ao se aproximar ela desceu de volta ao chão sendo pega. Vendo que ele estava todo sujo de sangue, o sangue daqueles que ele conhecia, ele o envolve com seu blazer velho que usava como recordação de um tempo antigo e tenta fazer o retorno em meio ao peso de tantos corpos em seus pés.
Mythic pensou logo que por aquela confusão toda ele não poderia entregar Khlaus para a adoção ou coisa do tipo, por fim o levando para casa, a criança estava totalmente paralisada pelo ocorrido então Mythic tinha que a limpar, revelando com cada passada da água os cabelos castanho-escuros de Khlaus combinando com os olhos do garoto. Khlaus mantinha seu olhar a frente o tempo todo, um olhar morto, porém ainda desperto de tudo.
-Você consegue andar? – Mythic após seca-lo e constatar que ele não estava ferido questiona.
Khlaus faz que sim e começa a andar lentamente até a porta do banheiro, parado ao lado das armas de Mythic que estavam encostadas na porta. Mythic que o seguia fica atento, e em um segundo a espada de Mythic estava nas mãos de Khlaus e indo em direção a Mythic.
Khlaus se surpreende por que seu ataque foi totalmente parado com um fechar de punho de Mythic e uma escama metálica aparecendo em seu pulso.
-Sei que ainda está muito assustado, mas não sou seu inimigo... Pode se manter com essa espada se não confia em mim – Mythic tira uma chave do bolso – Subindo aquela escada ali há um quarto para emergências, é o mais seguro da casa, pode ficar com ele e... – Khlaus começa a desmaiar e Mythic o segura – Provavelmente foi muita emoção para você não é pequeno? Vou te pôr na cama.
Mythic passou o restante da semana rondando o que houve ali, por conta dos quimonos, os símbolos, a forma que era bem protegida e secreta aquela caverna, ele descobriu quem Khlaus era, e o que ter ele por perto podia encadear, completando com os boatos que rapidamente se espalharam com o passar dos dias, soube logo o que houve ali dentro. Por ver a grande habilidade que aquele garoto tinha e por ser somente uma criança, esse mestre de armas o escondeu e cuidou dele na floresta, dando abrigo e treinamento para aquele pequeno sobrevivente que portava uma grande capacidade dentro de si.
Um ano após a queda dos Pantas...
Khlaus sai junto com Mythic para fazer algumas compras, era uma das raras vezes em que tinham a chance de sair por bastante tempo do esconderijo de Mythic dentro da floresta e Khlaus amava estar mais livre daquele pequeno espaço mesmo sendo meio insociável devido a só ter Mythic em sua lista de confiança, o que demorou meses de vários ataques falhos para ocorrer, porém mesmo sem gostar de ver tantas pessoas ele amava ver aqueles prédios, carros que por sua altura cortavam o ar de forma radical e demais veículos flutuantes, anúncios em outdoors de novos jogos com imersão total, tudo que era tecnológico o atraia.
Caminhando atrás de Mythic, mais uma vez Khlaus sem tirar a atenção de tudo em volta, acaba escutando a discussão de duas pessoas, atraindo sua atenção.
-Já faz um ano que os Pantas foram derrotados... Não acredito que foram vencidos, eram muito poderosos.
-Já foram tarde, eram muito perigosos e sanguinários.
Khlaus para um instante deixando Mythic andando sozinho, fechando os punhos de cabeça baixa próximo as pessoas que ali estavam dialogando.
-Não houve votação na câmara para que se tornasse um feriado? Faz um ano, devia já ter saído, soube que o governo está estudando as invenções desses pestes, espero que algo bom saia disso.
-Alguns sentem que seria errado, afinal eram humanos também
-Humanos o quê? Eles eram algo que ia contra Deus, demônios na terra.
Nesse momento Mythic segura Khlaus que por pouco não chegara até as duas mulheres.
-Vamos Khlaus – Mythic fala calmo ao ver Khlaus parar pós sopapo - Não liga para quem é ignorante, para quem não sabe a história completa inventa um final vindo do próprio coração... Pena que geralmente é algo negativo.
Khlaus vira seu rosto baixo em direção a Mythic e volta a andar passando por ele, começando a andar mais a frente, evitando que Mythic visualizasse que naquele momento a expressão geralmente fria de Khlaus estava sendo uma tristonha com lagrimas vindo aos seus olhos, algo que no fundo de si era um erro, mas ele não ia conseguir segurar nesse momento.
Com o passar dos anos Khlaus ingressou na escola por ordem de Mythic, seria um ótimo lugar para ser sociável e ter amigos, além de obter o conhecimento vital, Mythic no mesmo período acabou por se tornar um aliado leal e um grande amigo do jovem rapaz ao saber das pretensões que ele tinha e da onde vinha tanta ira, Khlaus parara de tentar ataca-lo.
Ao retornar a caverna dos Pantas, quando finalmente Khlaus conseguia entrar lá sem se sentir mal, eles passaram dois anos estudando e aprendendo sobre poderes com núcleos, capacidades especiais que os Pantas já haviam estudado e que eram uma das pouquíssimas coisas que dava para entender das antiguidades, as poucas que não foram saqueadas nesse tempo inteiro pois estavam entalhadas em cristais praticamente indestrutíveis, então várias fotos haviam sido tiradas para compensar.
Khlaus mesmo sendo um sobrevivente daquele clã mal sabia tudo daquelas cavernas, iniciando com os locais previamente conhecidos e avançando por outras áreas, eles pouco a pouco descobriam tudo, mesmo isso ainda não sendo confortável ao pequeno, Mythic logo após o salvar havia limpado a cidade totalmente sozinho, claro cidadãos haviam já adentrado lá e até outros guerreiros para resgatar os corpos de seus companheiros, somente os Pantas e um ou outro inimigo haviam ficado. Porém, mesmo com seus companheiros devidamente velados e a cidade limpa Khlaus ainda sentia os companheiros mortos, e ver muitas das coisas do seu clã não ajudaria muito.
Após longos estudos houve a descoberta que Khlaus tinha um núcleo pelas cargas energéticas em seu DNA, sendo despertado finalmente em uma caçada* que acabou por destruir dezenas de arvores da floresta, o que no fim teve que replantar. Ele havia visto um desenho em sangue na arvore que na visão turva dele lembrava um dos que haviam na máscara do líder que comandou o ataque aos Pantas queimando em ódio e causando uma explosão negra, ferindo um pouco também Mythic que mais se preocupou com o garoto do que com seu ferimento que no fim curou com alguns dias.
Estudaram as armas antigas do clã e após iniciaram buscas mais profundas em busca dos antigos equipamentos Panta, já sabendo que o governo havia se apossado de alguma parte e muito mais estava no mercado negro, quando finalmente tinham mais confiança para não se ferirem, sempre achando armadilhas uma mais difícil que a outra de se passar na mesma proporção que achavam salões de alta importância a cada nova jornada, por fim entendendo parte da tecnologia que eles deixaram em suas armadilhas também, haviam ganhando uma forte base.
Como esse período inteiro estiveram em paz eles conseguiram a capacidade pra lutar caso fosse necessário ou futuramente descobrissem sobre Khlaus, o que causaria revolta dado que os Pantas eram mesmo odiados e foi alivio para muitos a queda deles, foram 7 anos de paz após aquele ataque e sem respostas.
Mas em um certo dia, um dia comum na escola um ataque repentino inicia uma ordem de acontecimentos futuros, como se o primeiro dominó de uma fileira enorme tivesse sido empurrado e no final fosse causar um enorme desastre...
*****
Khlaus estava em sua sala como habitualmente fazia, nunca chamava atenção e escondia seu passado, além de suas habilidades sendo o misterioso daquela sala, a maioria estranhava como ele passou nos testes e estava um ano avançado o qual sua idade condizia, um garoto que antes não havia estudado com ninguém e de repente chegou "longe".
Porém nesse dia tudo mudou... Aquela última aula era de história, e como sempre os alunos prestavam mais atenção a sua volta do que no quadro digital onde a aula pré-gravada passava, haviam câmeras na sala, mas para os lideres tanto fazia se estudassem ou não, e por fim os testes eram sempre online então muitos tiravam altas notas por pesca que conseguiam em fóruns pagos e sabiam disso.
"... Muitos biólogos atacaram as decisões que se voltavam a economia e não ao que seria do amanhã, vários protestos em vão aconteceram em 2027 para impedir a lei 1032, que pregava que a evolução devia continuar, espécies inteiras foram extintas e agora há muitos do que chamavam de "mar morto", a tecnologia no ramo da engenharia..."
-Olha lá, novamente aquele solitário olhando a janela, o que ele quer hein?
-A gente estuda já a alguns anos com ele, sabe que ele não gosta muito de diálogos.
-Ah Rachel, vamos lá, seria engraçado se a gente pegasse no pé dele uma vezinha.
-Tabom, mas que seja rápido – A garota olha rapidamente para o Khlaus e retorna a amiga.
Uma das garotas pega seu caderno de anotações por trás do notebook flutuante, e sem que ninguém mais note ela lança em direção a Khlaus, que no reflexo o rebate com força com as costas da mão voltando na mesa delas e derrubando tudo, alguns aparelhos quebram e sem culpa Khlaus é forçado a ficar após a aula para cumprir detenções, por denuncia dos colegas que ele não quis se defender, nesse momento o destino foi selado para que tudo seguisse seu rumo.
O segundo sinal tocou para todos os alunos que ficaram após a aula saírem de suas salas quando o prédio estava quase vazio, a escola era enorme contendo dois andares com uma passarela ligando duas partes dela e um jardim no centro com sequoias, arvores enormes, que ficavam quase do mesmo tamanho que o teto do segundo andar, sendo para alguns as únicas vistas na vida e o único ponto iluminado naturalmente da escola.
Khlaus sai lentamente de sua sala após todos terem saído, não ligava para isso e até achava melhor por estar sozinho e sem barulho a sua volta, no corredor andavam dois garotos um alto meio magro e um pouco mais baixo e pouco gordinho que saiam mais tarde da sala devido a um esperar o outro terminar de copiar a lição a qual distraídos conversando não haviam notado que tinham que anotar.
-Desculpa te fazer esperar – Fala o magro.
-Que nada, sempre vou te esperar, somos amigos.
-Mesmo assim obrigado, você viu a última luta do campeonato ontem?
O mais alto continua a conversa andando devagar ao lado do amigo gordinho sem notar que não estavam a sós, e acabando por esbarrar em um colega que estava indo na mesma direção que eles andando mais devagar ainda, porém continuaram andando sem dar muita importância.
-Não deu infelizmente, eu tive muito dever
Responde pressionando os olhos castanhos claros o herdeiro da família Dekun sem perceber que estão sendo observados ao andar por aquela passarela totalmente vazia em comparação há minutos mais cedo.
-Mestre, o alvo está na mira, permissão para atacar? – Uma pessoa anônima entre as árvores confirma o ataque por um comunicador sem fazer barulho.
"Permissão concedida, o traga vivo ou morto" – Responde uma voz grossa pontuando o que viria a ocorrer.
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