- viii.
gotham city, 7:57am
departamento de polícia
12° distrito
MADDIE OCEANS ainda não tinha decidido o que fazer com o que fazer com a sua parte do dinheiro sujo de Darius Langdon. Já havia se passado quatro dias desde tudo o que aconteceu. Darius, a batida policial, Mitch se mostrando um traidor e sendo morto pelo Capuz Vermelho, o cemitério, Louis Duquense. Ela de repente se lembrou do que desencadeou tudo isso: o dinheiro. Eram tabletes de notas de cem e cinquenta organizados e mantidos juntos por tiras de papel grampeado. Ao todo, dez tabletes, com 10 mil em cada, totalizando 100 mil dólares.
Ela ainda se sentia culpada, mas sabia que era perigoso contar a verdade, não porque tirariam seu emprego, mas porque poderiam descobrir que ela era uma ameaça para toda aquela corrupção e era razoável pensar que eles poderiam tentar o que Mitch tentou, e dessa vez o Capuz Vermelho podia não estar lá para salvá-la.
— O Capuz Vermelho é a nossa prioridade. — O Capitão falava e os policiais se acumulavam ao redor dele. Exceto por Louis Duquense, que estava em pé ao lado.
Maddie estranhou aquilo. Tudo bem, ele era de uma famosa divisão de homicídios em Detroit, mas era o seu primeiro dia no Distrito Policial de Gotham City e ele já estava trabalhando com o Capitão e não para ele?
— O que está acontecendo? — ela sussurrou para Tynna McLaren, a secretária.
— Eles estão convocando policiais para a investigação do Capuz Vermelho.
— Convocando? Isso costumava acontecer voluntariamente.
— Eles dizem que querem os mais qualificados. — Tynna sussurrou, com os olhos fixos nos dois para não parecer que não estava prestando atenção, mesmo que não precisasse.
— Pete, veja com seus contatos se o Capuz tem algum traficante ou agente nas ruas, qualquer um com uma relação que possa no levar até ele. — O Capitão ditou e Pete se retirou imediatamente. Era o "cara com os informantes", se o vigilante estivesse trabalhando com alguém, ele iria descobrir.
Maddie se perguntou se "os mais qualificados" significava apenas os que tinham um interesse especial em matar o Capuz Vermelho porque ele poderia saber demais, e não exatamente por ter matado um policial — corrupto.
— O resto de nós deve se concentrar em montar a linha temporal dos acontecimentos. O Detetive Duquense vai cuidar disso.
— É claro que vai. — Maddie resmungou.
— Oceans. — O Capitão a chamou e sua espinha gelou com a possibilidade de ele tê-la ouvido.
— Sim, Capitão?
— Está pronta pra voltar ao trabalho?
A pergunta a pegou desprevenida e os olhares se concentraram nela. Alguns de pena, outros com uma leve desconfiança. Mas os de Louis Duquense brilhavam com curiosidade presunçosa. Ela apertou um pouco os olhos antes de voltar a atenção para o Capitão.
— Sim, Capitão.
Ele parecia se segurar para não perguntar se ela tinha certeza, mas acabou não fazendo, e a garota ficou internamente grata por isso. A partir daquele momento em que ela deveria agir normalmente para que ninguém com intenções de manter o segredo sujo decidisse matá-la.
— Ótimo. Vai trabalhar com o Duquense.
— O quê? Por quê? — Ela falou mais rápido do que deveria.
— Porque você estava lá.
Isso bastou e quando ela olhou para Louis novamente, ele abriu um sorriso que a fez desejar ter morrido no galpão. As o utras funções foram divididas entre cinco ou seis policiais, os outros foram dispensados para suas atividades normais, mas Maddie não ficou para ver os escolhidos e o descontentamento e/ou alívio dos que não foram escolhidos. Seu celular vibrou no seu bolso de trás, havia recebido uma mensagem de um número desconhecido:
"A vista daqui de cima é uma merda".
×
O terraço era a parte menos visitada da delegacia. Poucas pessoas tinham a chave, e apesar de ninguém realmente falar sobre isso, era o lugar onde os policiais faziam contato com seus informantes. Sejam eles vigilantes ou outros tipos de criminosos.
Quando morava em um prédio em New York, o terraço era a sua parte favorita. Ela sempre levava os caras de quem gostava para lá, e dizia algo sobre a paisagem da cidade ser bem mais bonita de se ver com alguém do lado e alguma baboseira que faziam eles acreditarem que ela estava caidinha e pronta para o sexo, o que na maioria das vezes, era o seu único objetivo. Fora isso, era um lugar legal, arejado, com uma bela vista panorâmica e com espaço suficiente para fazer uma festa.
O terraço da delegacia de Gotham, por sua vez, era como todo o resto da cidade do Morcego: úmido, cinza e sem vida. Tinha tijolos de concreto escurecidos pela chuva frequente, e algumas plantinhas nasciam em suas rachaduras, mas não duravam muito.
Pequenos cacos de vidro estalaram debaixo da botas da detetive. Ela olhou para baixo, eram os restos de uma garrafa de cerveja. Lhe ocorreu que apenas policiais mal encarados escolheriam aquele lugar para um happy hour.
— Madeleine.
Ela não estava esperando aquela voz. Claro, imaginava que ele ia aparecer, mas foi como esperar pelo susto em um filme de terror. Sua mão foi instintivamente para a arma em sua cintura. O Capuz Vermelho imitou seu movimento, e por um segundo, eles dois mantiveram suas mãos prontas para sacar e atirar.
Maddie foi a primeira a se render. Lentamente retirou a mão do cabo do revolver e cruzou os braços sobre o peito.
— Red. — ela cumprimentou e ele também deixou sua posição de ataque. — Não me lembro de ter dito meu nome.
— Tenho meus meios.
— Precisa mesmo do capacete?
— Meu cabelo não estava legal.
Ela teria rido se seu dia não estivesse sendo péssimo, mas o seu tom discontraído quase fazia parecer que ele não era um dos criminosos mais procurados do momento. Mas era. E, em Gotham, com tantos criminosos em ascensão, isso era impressionante.
— Você não devia estar aqui. Pessoas lá embaixo estão tentando te rastrear, querem sua cabeça em uma bandeja.
— É irônico que eu esteja bem aqui, debaixo do nariz deles. Ou seria acima?
— Isso é sério. Um policial foi morto. E eles estão com raiva.
— Era um policial corrupto. — ele disse, como uma perfeita justificativa.
— Todos eles são.
— Você não é.
A policial Oceans se calou. Apesar de tudo, a imagem que ela tinha de Mitch ainda era a mesma: seu primeiro e até o momento, único amigo na cidade, apesar das brincadeiras e de agir como um idiota às vezes. E o mais recente: apesar de ter tentado matá-la.
— Por que me chamou? — Maddie falou depois de um tempo em silêncio.
— Preciso de acesso aos casos que seu parceiro investigava.
— Ex-parceiro. E por quê diabos?
— Perderia a graça se eu te contasse. — Um jeito sutil de dizer que ainda não confiava nela.
— Não podia pedir algo menos difícil, tipo um dinossauro?
— Você dá conta.
Maddie olhou para baixo, pensando que talvez isso custaria a sua vida. E ela quase gostava da sua vida.
— Já que você aparentemente tem o meu número, podia ter dito por mensagem.
— Ah, sobre isso... Seu celular foi grampeado.
Ela levantou a cabeça, estupefata.
— Meu celular... Como você sabe?
— Conheço um cara que conhece um cara. — ele respondeu, dando de ombros.
Maddie pegou seu celular no bolso, retirou a parte de trás, e lá estava; um chip com uma luzinha vermelha piscando, um grampo, como os que ela mesma tinha colocado em celulares de traficantes em New York.
— Filhos da puta.
— Eles ainda estão decidindo se você é uma ameaça.
Maddie retirou o chip e ia jogá-lo do terraço, mas o Capuz Vermelho gentilmente segurou seu braço.
— Se fizer isso, eles vão saber que você sabe. E que você é uma ameaça.
— Então eu fico com o grampo? Se descobrirem que eu estou falando com você, vão me matar e fazer parecer um acidente.
O Capuz Vermelho soltou seu braço, e pareceu pensar por alguns segundos.
— Precisamos de um sinal. — ele falou como se uma lâmpada acendesse acima da sua cabeça.
— Um sinal?
— É. Para quando precisarmos nos encontrar. Algo simples, que não levante suspeitas. Tipo-
— Um dinossauro.
— Um dinossauro. — ele repetiu devagar, como se não pudesse houver nenhuma resposta mais idiota possível.
— É. — ela respondeu, já colocando o grampo de volta no seu celular, e clicando em algumas coisas. — Um emoji de dinossauro.
Algo vibrou dentro do bolso do Capuz Vermelho, ele retirou o celular, e olhou a tela. Uma notificação de mensagem, um dinossauro.
— Isso é tão idiota. Serve.
— E como eu vou saber onde te encontrar?
— Eu encontro você.
Maddie o encarou e ia dizer algo sobre aquilo ter muitas chances de dar errado, mas um barulho atrás dela chamou sua atenção. A porta do terraço se abriu, Louis Duquense apareceu.
— O que está fazendo aí?
Maddie olhou para a frente, o Capuz Vermelho tinha desaparecido. De novo. Isso era irritante, mas veio a calhar. Ela mal precisou pensar antes de mentir.
— Precisei de um minuto. — disse e deu as costas para o detetive.
Ele pareceu um pouco confuso, ficou em silêncio. Mas depois de um tempo Maddie o ouviu dar dois passo à frente e fechar a porta atrás de si antes de iniciar uma caminhada cautelosa cuja linha de chegada era a um metro da garota. Uma distância segura na qual ele teve que pensar.
— Vocês eram bem próximos, não eram? — Ele rompeu o silêncio.
— Mitch e eu?
— Acho que sim.
— Sinto muito.
— Não sinta.
— Se esse caso for demais pra você, precisa dizer ao Capitão.
— Não se preocupe comigo, Duquense. — Ela disse, quando pareceu a hora perfeita para sair.
— L.
— O quê?
— Em Detroit todos me chamavam de L.
— É ridículo.
Ele riu. Tinha um sorriso bonito, que aparecia quase sempre que Maddie era propositalmente grosseira com ele. Não era a reação que ela esperava, mas algo lhe dizia que era a única que ia ter.
— Você é sempre uma babaca?
— Só quando matam meus parceiros.
— Eu sou seu parceiro agora.
— Não! — Ela negou tão rápido que se envergonhou milésimos de segundo depois. — É só nesse caso.
— E quanto acha que vai demorar? Digo, pra pegar o Capuz Vermelho.
Ela ficou em silêncio. Tinha que tomar cuidado com as palavras sempre que falavam do Capuz Vermelho. Porque diferente de todas as pessoas na delegacia, ele estava mais próximo de um parceiro do que qualquer um. Não que seus escontros sortidos fossem virar um hábito.
— Eu não sei. O que você acha?
Foi a vez de Louis, ou L, pensar. Maddie tinha começado a andar para a porta novamente, ele a acompanhou.
— Difícil dizer. É a minha primeira vez com um maluco mascarado. — Ele andou mais rápido para abrir a porta.
— Bem-vindo à Gotham City. — Ela disse quando passou por ele.
— Obrigado. — Respondeu fechando a porta atrás dos dois.
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