- iii.
gotham city, 6:45pm,
galpão nos arredores
da cidade
O CAPUZ VERMELHO atravessou uma janela de vidro como se não fosse nada. Darius Langdon havia escolhido um bom lugar para sua festa de pijama de criminosos. Deserto, no arredores da cidade, bem quieto, e seria discreto se não fosse por tantos carros parados em volta de um galpão supostamente abandonado.
Lá fora, os últimos raios de sol desaparecerem no horizonte. No centro urbano de Gotham, isso quase nunca possível. Havia prédios demais. E lá dentro, as primeiras reações após o choque inicial começavam a pipocar: dois homens grandes como armários retiraram seus revólveres dos ternos negros. Mas o vigilante era mais experiente e rápido: balas acertaram o centro das cabeças deles tão rapidamente que eles mal tiveram tempo de destravar suas armas e dizer: "Seu filho da...".
Caíram para trás, mortos e com buracos de saída do tamanho de laranjas nos seus crânios, e o Capuz Vermelho percebeu que um dos outros homens vomitou porque teve o azar de estar de boca aberta quando sangue e miolos voaram para todos os lados. Jason Todd riu por baixo do capacete. Pessoas com aquele tipo de estômago não deviam estar ali, ou em qualquer lugar com a porra do Capuz Vermelho.
O caos se instalou. O vigilante atirou para cima, acertando as lâmpadas e diminuindo consideravelmente a visibilidade no lugar. Exceto para ele, que possuía no interior de seu capacete um sensor de visão noturna.
Flashes de luz iluminavam por uma fração de segundo durante a troca de tiros. Gritos aterrorizados preenchiam o lugar, mas foram diminuindo à medida que Jason atirava.
Ele não saiu ileso. Hora ou outra sentia projéteis rasgando atingiam seu uniforme, e alguns atravessavam ou raspavam em sua pele. No ombro, na perna e na cintura. Ele contou mentalmente para saber quantos band-aids teria que comprar quando aquilo acabasse.
E quando pensou que estava tudo sobre controle:
— Nem foden-
Foi surpreendido por uma explosão. Merda. Devia ter previsto. Em Gotham, cerca de dez carros explodiam todos os meses, cinco deles graças à Darius e seu estoque de explosivos.
Jason foi jogado para trás. suas costas bateram contra uma parede e ele ficou sem escutar nada por longos minutos. Uma dor aguda o fez se esforçar para olhar para seu ombro. Um pedaço de viga de metal se alojou ali. Ele não conseguia conciliar o ferimento com a urgência de continuar vivo, mas quando os tiros começaram novamente, recobrou a lucidez, apesar de ouvir mal e ainda estar meio tonto. Rastejou até a sua arma, e quando alcançou, se levantou, e atirou sem olhar para onde enquanto corria. Luzes azuis e vermelhas entravam pelos buracos de bala na parede, significava que ele podia acrescentar mais um problema à lista: a porra da polícia.
×
MADDIE OCEANS e Mitch Aubry foram os primeiros a pular van. As viaturas chegariam mais tarde, depois que todos os criminosos (e o Capuz Vermelho) soubessem que os policiais estavam lá. Por enquanto, não podiam dispensar o elemento surpresa.
— Há uma entrada nos fundos, meio estreita, mas dá pra passar. — um policial avisou.
— Vamos. — o Capitão disse, entregando um walkie-talkie para Aubry. — Mitch, você vai primeiro. Oceans, com ele. Analisem o local e sinalizem se for seguro para o resto da equipe. Estamos tentando contatar o Esquadrão Anti-Bombas, mas eles vão demorar para chegar, então fiquem atentos a fios suspeitos ou coisas do tipo.
— Sim, senhor. — a dupla respondeu, se retirando enquanto o Capitão dava instruções ao resto do grupo.
Com as armas em punho, Mitch e Maddie correram para os fundos do balcão. Já havia um policial ali, com um alicate enorme que usou para cortar um cadeado da corrente que mantinha duas portas de metal enferrujado unidas. Cuidadosamente retirou a corrente, e uma das portas se moveu com um rangido.
— Primeiro as damas? — ele sussurrou.
Maddie assentiu com a cabeça e passou na frente, segurando a arma como se sua vida dependesse disso. Porque provavelmente dependia.
Ela escutou os passos de Mitch atrás de si, o que lhe deu confiança. Ouviu barulhos de tiros, seu parceiro comunicou a situação para o Capitão, enquanto ela começou a andar mais rápido, na direção do conflito quando um som de explosão fez o coração da garota acelerar. Escutou um "espere", mas, quando se deu conta, estava disparando contra homens de terno que, ela deduziu, trabalhavam para Darius. Derrubou dois deles, e assim, se aproximou mais do lugar da explosão.
Olhou para o chão. Poeira, pedaços de metal e madeira e outros tipos de lixo voaram para todos os lados, e agora uma parte da parede tinha sido derrubada, alguns pontos queimavam, e ela passou devagar, evitando-os. Mitch correu para alcançá-la.
— Que merda, Oceans!
— Qual o seu problema, Mitch? — la se virou para ele. — Não atirou nem uma vez.
Mais homens surgiram, vindo pelo mesmo caminho percorrido por Mitch e Maddie, e quando perceberam os dois policiais, apontaram suas armas. Maddie ia atirar novamente, mas Mitch a puxou pelo braço, obrigando-a a correr com ele até uma parte do galpão que ela ainda não tinha visto. Ele trancou a porta atirando na fechadura duas vezes. Maddie o encarou, confusa.
— O que estamos fazendo aqui? — Sua voz falhou, e ela tossiu. Tinha inalado um pouco de fumaça.
— Capitão? — Mitch mexia no walkie-talkie sem dar atenção ás indagações da parceira.
— Aubry, qual a situa... — a voz do capitão soou abafada, mas parou quando o policial jogou o aparelho contra o chão de concreta, quebrando-o em diversos pedaços.
Maddie entreabriu os lábios, mas nenhuma palavra saiu. Foi a primeira vez em que sentiu medo naquele dia. Ela recuou alguns passos quando ele fixou os olhos nela. estavam diferentes, vazios. Seus instintos de sobrevivência finalmente voltaram a funcionar e ela levantou a arma.
Mitch tinha a melhor mira de toda a delegacia, ela não deveria ter ficado surpresa quando ele atirou na arma em sua mão, que, com o sustou, soltou.
— De joelhos, Maddie.
— O que está fazendo? — ela perguntou, até seu rosto suava. Ou estava chorando?
— Torne isso fácil para mim, e fique de joelhos.
Maddie enxergou seus olhos por trás do cano da arma. Aquilo não podia estar acontecendo. Era o seu parceiro, seu amigo. E agora estava ameaçando a sua vida.
— Droga, Maddie! De joelhos! — ele gritou e ela estremeceu, obedecendo sem nem perceber.
— Por que está fazendo isso? — ela tentou se manter firme, mas soluçou no fim da frase.
Mitch engoliu em seco, hesitando pela primeira vez, mas abanou a cabeça como se isso bastasse para afastar os pensamentos.
— Não podia deixar você deixar devolver o dinheiro. — sussurrou, como se isso bastasse.
Ela se culpou por não ter previsto algo assim, apesar de que era a primeira vez em que ele indicava ser um traidor, mas o que mais podia fazer? Tinha se permitido confiar, e agora seria executada, por alguém de dentro da polícia, que saberia como encobrir seus rastros. Seu assassinato nunca seria resolvido e o caso seria arquivado, talvez reaberto 14 ou 15 anos depois, por detetives particulares com programas no Discovery Chanel, mas aí seria muito tarde.
— Sério? Por dinheiro? — ela ficou de pé.
— Eu não disse pra você se levantar.
— Você é um covarde. Eu não vou morrer de joelhos.
— Eu tenho que te matar.
— Então faça isso, mas olha pra mim — ela disse, andando para frente, até a sua testa encostar na arma. — Covarde. — completou.
Mitch ficou com raiva, mas não tanto quanto Maddie, que nem pensava mais no que fazia, apenas se recusava a morrer de uma forma tão indigna. Ele destravou a arma.
— Isso não é pessoal.
Maddie fechou os olhos. Ouviu o tiro.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top