Baile
Nos dias que se seguiram, eu visitei os vinhedos e plantações, debati por horas com um banqueiro mal-humorado, que nos primeiros dias recusou-se a ter uma conversa séria com uma mulher.
Meus parentes quase não falaram comigo com exceção de Patrício, todavia tive certeza de que isso se dava ao fato de que eu passava muitas horas, trancada no escritório, até fazia minhas refeições lá. Recebemos um convite para o baile do noivado de Amelie com o príncipe desconhecido, precisei lidar por horas com as muitas mulheres dessa casa escolhendo e encomendando vestidos.
—Liza, você não vai escolher um vestido? — Perguntou minha prima Camila, a mais nova dos filhos dos meus tios.
— Alice já sabe os modelos de vestido e as cores de que gosto, então não tem necessidade. — Informei, levantando os olhos do livro apenas por um momento.
Uma das criadas aproximou-se e falou aos sussurros, que o capataz da fazenda de vinhedos estava me esperando no escritório. Levantei-me agradecendo a ela e as mulheres me encaram, sorri o mais graciosamente que consegui.
— Se puderem me dar licença, tenho negócios a resolver. — Informei. Elas fizeram reverências com a cabeça.
Entrei no escritório e o capataz, um homem mais velho, com roupas finas de montaria, me observou cauteloso enquanto caminhei para o outro lado da mesa. Indiquei o assento a minha frente e o homem sentou-se.
— É um prazer conhecê-lo, senhor?
— Pedro Pauline.
— Senhor Pauline, espero que tenha feito uma boa viagem.
— Queira me perdoar milady, mas não estou acostumado a tratar de negócios com mulheres. — Ele não pareceu querer me ofender, apenas demonstrou seus verdadeiros pensamentos, fiquei feliz por ele tê-lo feito e acabei sorrindo.
— São tempos loucos, sinto por forçá-lo a isso, contudo como herdeira de meu pai. Tenho que lidar pessoalmente com esses assuntos, espero que possamos nos ajudar a passar por essa loucura toda.
O homem assentiu, peguei os documentos da fazenda e os lucros anuais desta. Tudo completamente detalhado com as letras do homem a minha frente e do meu pai, contive a emoção ao ver algo feito por ele.
— O testamento de meu pai deixou noventa por cento de toda a sua fortuna atual para mim, com a permissão do rei, meu tio o senhor Carlos Verlus, recebeu dez por cento de tudo, então a partir de agora todos os lucros serão entregues aos cuidados do banco. O senhor tem a minha total permissão para fazer os pagamentos dos funcionários da fazenda. Todos, inclusive o seu próprio. Bom, tenho certeza de que o senhor sabe mais do que eu, como administrar a fazenda.
— Foi devastador a todos nós perder o seu pai senhorita. Na verdade, seu pai era mais que um simples lorde a quem servi, ele foi um grande amigo, ajudou a mim e minha família quando mais precisamos. Aceite minhas condolências por sua perda. — As palavras de Pauline me pegaram de surpresa e eu precisei de alguns segundos, para responder sem demonstrar que estava lutando para não chorar.
— Acho que a perda foi de todos nós. E espero que o senhor também aceite minhas condolências. Porém também torço para que confie, que o senhor também pode ter uma amiga em mim, não hesite em me procurar se precisar de algo.
— Foi um prazer encontrá-la e espero lhe ser útil, enquanto a senhorita quiser meus serviços. — O homem ficou de pé e eu fiz o mesmo.
Ao invés de esperar que ele beijasse minha mão como deveria, apertei sua mão como igual e o capataz sorriu com o gesto enquanto se afastava para sair do escritório.
No dia do baile, a tarde estava fria, Alice trouxe o vestido que todas usariam e como sempre, entregou-me o meu dentro de uma caixa. Agradeci e fui para o meu quarto, pude sentir os olhos das mulheres em mim enquanto subia as escadas, Nina entrou no quarto logo que cheguei, pronta para me ajudar com o espartilho e os demais adereços do vestido.
— Seus vestidos são sempre assim. — Ela sorriu.
— Meu pai sempre me disse que devemos estar preparados para qualquer ocasião.
— Ele era um homem sábio. — A serva me pediu que sentasse e começou a organizar os meus cabelos, tão lisos que ela nunca conseguiu coxeá-los. Então vi as mãos habilidosas dela movendo-se pelo meu cabelo colocando prendedores.
— Está linda como sempre, milady.
— Nina, já lhe pedi inúmeras vezes, nada de senhorita ou milady.
— Sua capa, senhorita. — Ela sorriu e notei que sua intenção era apenas me incomodar.
Com um sorriso, prendi a capa preta e saí do quarto.
— Obrigada Nina. — Falei do corredor.
A carruagem da minha casa seguiu, outra vez meus tios e Patrício estavam nela. Evitei as conversas e observei a noite fria quase o tempo todo, minha vida não poderia estar mais complicada, imaginei enquanto passávamos pelos campos de cada fazenda e a passagem mudava para os vilarejos. Muitas das casas estavam fechadas, as pessoas protegiam-se do frio do inverno, que este ano parecia mais frio que o normal.
Lembrei-me de épocas distantes, quando eu era tão pequena que ainda não houvera aprendido a ler. Em noites frias de inverno, após jantares quentes, o meu pai lia para mim, junto à lareira, ele lia até que eu adormecesse então me carregava para o quarto. Senti lágrimas arderem em meus olhos, quase pude sentir o toque de suas mãos geladas nas minhas, o cheiro de cachimbo e vinho que emanavam dele.
Afastei a lembrança e sequei as lágrimas do rosto, a carruagem parou com um solavanco e eu esperei apenas que o lacaio abrisse a porta, ergui-me o mais rápido possível sem perder o equilíbrio e o homem mal teve tempo de estender a mão para mim, esbocei para ele o que esperava ser o melhor de um meio sorriso e caminhei pela escadaria em direção ao castelo, com alguma sorte, encontraria Amelie e suas damas, rápido o suficiente para não precisar ouvir mais uma palavra dos meus tios.
Quando estava no meio da escadaria, Patrício conseguiu me acompanhar e estendeu o braço para mim. Eu sabia o que aquilo significava para ele, se aceitasse o seu braço naquele instante Patrício ficaria junto a mim durante toda a noite. Então eu sorri para o meu primo e olhei para as saias do vestido que eu levantava com ambas as mãos para não tropeçar.
— Lamento, mas preciso de ambas as mãos para não tropeçar nas saias. —Patrício olhou de soslaio para trás e me encarou sorrindo.
— Não se desculpe, eu entendo perfeitamente.
Ele seguiu ao meu lado, o salão de baile ficava na ala oeste do castelo, então nós seguimos para lá, senti-me ainda mais feliz à medida que os nobres paravam-me para conversar, assim eu não precisava ouvir sobre os jogos de cartas que meu primo adorava e nesse instante resolvera me contar sobre.
— Lady Verlus. — Cumprimentou-me o jovem filho do duque. O garoto de cabelos loiros e olhos castanho-dourados. — Está mais linda a cada baile.
— E o senhor está mais lisonjeiro a cada vez que o vejo. — Rebati com um sorriso se formando em meus lábios.
— A senhorita já o viu? — Questionou ele tomando o meu braço e afastando-me de Patrício.
— Quem? Milorde.
— O príncipe com o qual nossa princesa ficará noiva esta noite. —Explicou ele.
— Ah! Não, Amelie recebeu uma pintura do rosto dele, mas eu não vi o retrato.
— Compreendo. — Eu sempre imaginei que Antony tinha algum sentimento pela princesa, só nunca imaginei que o sentimento fosse real, ao invés disso, acreditava que o que o movia em direção à princesa, era a vontade de conseguir o dote de Amelie.
Antony e eu paramos, o rapaz me olhou nos olhos, quase pude ver os pesares que sombreavam o antigo brilho que havia no olhar dele. Antony segurou minhas mãos e as encarou, meus olhos permaneceram observando os cabelos alinhados dele, o maxilar tencionado, o cenho franzido e meu coração apertou com a expectativa do que podia estar por vir.
— Lamento pelo seu pai. Não tive a oportunidade de lhe dizer isso pessoalmente. — Ele finalmente me olhou nos olhos e a tristeza que vi em seu rosto não era por meu pai.
— Você gostava dela, não é?
— Infelizmente, milady. Nem todos, temos a oportunidade de casar por amor.
Antony e eu entramos no corredor que dava para o salão de baile então paramos no meio dele. O rapaz esperou Patrício se aproximar de nós com as mãos nos bolsos e me encarou, então desculpou-se por me tirar do meu par, aguardei até que Patrício estivesse perto o suficiente para nos ouvir e disse a Antony que se tratava apenas do meu primo.
Nós entramos no salão de bailes, caminhei a frente dos dois, enquanto eles discutiam sobre caça e alguns assuntos mais. Amelie estava ao lado de suas damas abaixo da plataforma onde em três tronos, sentavam-se o rei, a rainha e o príncipe. Curvei- -me para eles antes de começar a descer enquanto meu nome era anunciado "Viscondessa Eliza Verlus", meu coração apertou e o sorriso que antes estivera em meu rosto foi apagado.
Assim que cheguei à base da escada Amelie veio até mim e abraçou-me. Ela me encarou e vi a preocupação nos olhos de minha amiga.
— Ainda não o viu? — Perguntei.
— Não, ele está em outra parte do castelo. Liza, estou com medo de não gostar dele. — Admitiu. Arrumei a tiara que estava torta na cabeça dela.
— Não pense nisso ainda. Vocês vão ficar noivos, terá tempo de conhecê-lo melhor antes de se casar. Tudo isso de mantê-los afastados não irá durar depois de hoje.
Nesse instante houve o anúncio do nome do príncipe, ele começou a descer as escadas, focando Amelie e sorrindo. O rapaz era bonito, alto, com os cabelos negros cumpridos até o queixo, os olhos escuros e o seu sorriso era encantador.
Quando o príncipe chegou à base da escada, arrependi-me de não ter me afastado dela antes, fiz uma reverência ao rapaz. Ele acenou com a cabeça para mim, porém manteve os olhos o tempo todo em Amelie, os dois reverenciaram um ao outro.
— É um prazer finalmente conhecê-lo, alteza. — Amelie falou.
— O prazer é completamente meu. Porém devo admitir, não suportei a ideia de não vê-la pessoalmente antes disto e a vi conversando com suas damas há alguns dias. Você sorria despreocupada e foi à visão mais linda que já tive em toda a minha vida. — As bochechas de Amelie ficaram coradas, saí antes que ela tentasse me apresentar apenas para disfarçar o constrangimento.
Parei embaixo de uma escada, eu detestava bailes, sempre me sentia isolada, mesmo enquanto dançava. Antony me viu e sorriu enquanto se aproximou de mim, ele era tão alto que ficou com a cabeça baixa para conseguir ficar de frente a mim.
— O que faz aqui? — Ele perguntou.
— Fugindo. — Sorri.
Ele desviou os olhos e encarou Amelie, ela sorria enquanto conversava com seu futuro esposo, então vimos quando ela segurou o braço dele e foram para o meio do salão, onde começaram a dançar. Antony pareceu profundamente triste nesse instante.
— Quer dançar comigo? — Perguntei. Ele riu ao me olhar.
— Achei que você estivesse se escondendo.
— E estava, mas parece que um amigo precisa de mim. — Estendi a mão para ele.
Antony sorriu e segurou minha mão enquanto nós caminhamos para o centro do salão, onde outros se juntavam aos futuros noivos para dançar uma valsa. Nós nos juntamos aos pares que dançavam, por algum tempo Antony apenas observou Amelie e Lucas, os futuros noivos sorriam enquanto conversavam e dançavam.
Apenas segui o ritmo da música, meus parentes misturavam-se aos convidados, Patrício dançava com uma das damas de Amelie, passei o olhar pelos tronos, o rei e a rainha conversavam enquanto observavam a dança, o terceiro trono estava vazio. Procurei o príncipe em meio aos convidados e vi-o rodeado de mulheres, todas pareciam loucas para terem uma dança com o futuro rei.
A música acabou e todos aplaudiram, o rei ficou de pé e todos nós ficamos em silêncio, esperando o seu pronunciamento. Senti alguém cutucar meu ombro e olhei para trás, o irmão de Amelie sorriu para mim, o rei começou o seu pronunciamento, o príncipe aproximou o rosto do meu e sussurrou ao meu ouvido.
— Pode vir comigo? — Pediu, encarei-o por um momento, então assenti.
Nós saímos do salão de baile e fomos para um corredor, ele respirou fundo e tirou a coroa da cabeça repousando-a sobre um dos vasos enormes com rosas.
— Desculpe tê-la tirado de lá assim. — Falou ele. Esperei que o príncipe se explicasse, no entanto ele nada falou.
— Não precisa se desculpar, alteza.
— Você é a melhor amiga da minha irmã. — Afirmou ele. — Não precisa me chamar assim. Pode me chamar de Henrique.
— Certo Henrique. O que o fez me tirar da festa?
— Minha irmã me disse que você gosta de cavalos. Achei que não estivesse com clima para festas, então quero lhe mostrar uma coisa.
Meneei a cabeça para o lado e o observei, tentei imaginar a razão pela qual o príncipe estava se incomodando em fazer algo por mim, afinal eu raramente falava diretamente com ele. Mesmo que quando criança todos passássemos bastante tempo juntos, nos afastamos com o tempo.
— Por que fazer algo assim por mim? — Perguntei.
— Sei como é a sensação de perder alguém que se ama. — Afirmou ele. — Amelie era muito nova quando nossa mãe morreu, mas eu me lembro perfeitamente de querer me apegar a algo que me fizesse feliz.
Meu coração acelerou e eu lutei contra as lágrimas, Henrique provavelmente percebeu meu conflito e, me deixou sozinha com minha tristeza enquanto ele caminhava a minha frente. O príncipe tinha cerca de vinte anos. Quando a mãe dele faleceu, não devia ter mais que sete, Amelie por outro lado, tinha três.
As lágrimas rolavam pelo meu rosto enquanto eu seguia o príncipe pelos corredores do castelo, até que nós saímos por uma porta lateral. O ar frio da noite nos envolveu, enquanto seguimos em direção aos estábulos, observei o muro, não havia muitos guardas em cima dele, a noite estava fria demais para que eles aguentassem ficar lá mais que alguns minutos, ou saíam para aquecer-se ou morreriam congelados.
Entramos nos estábulos que estavam pouco mais quentes que o lado esterno, o vento frio uivava lá fora, enrolei-me em minha capa tentando me aquecer. A capa vermelha do príncipe tinha o brasão real de Calurdes bordado, o símbolo enorme, parecia reluzir a mínima luz.
— Aqui. — Disse ele apontando para uma das baias. Olhei acima da porta e vi um cavalo completamente negro. Ele era lindo. As nossas respirações apareciam em condensadas a nossa frente.
— É um belo animal. — Falei. — Posso?
Apontei para o ferrolho que fechava a porta, o príncipe assentiu, abri o ferrolho e entrei na baia, o cavalo parecia tranquilo e deixou que eu me aproximasse, toquei as suas crinas. Ele relinchou baixo e sorri.
— Você cavalga com ele? Ou príncipes são ocupados demais para isso? — Perguntei com um meio sorriso nos lábios.
— Apesar das ocupações, eu gosto de cavalgar, é relaxante, me ajuda a pensar em tudo que tenho que resolver.
— Entendo perfeitamente. — Falei sorrindo.
— Sabe Liza, essa sensação de vazio vai amenizar com o tempo. — Ele disse. Ouvir o príncipe me chamar assim teria sido engraçado se não fosse o assunto.
— Eu sei que vai. Só não consigo deixar que cicatrize. Não ainda. — Respondi sem tirar os olhos do cavalo.
— É compreensível.
Henrique entrou na baia e começou a tocar o cavalo também, ele parecia gostar bastante do animal. Evitei olhar para ele, não queria que notasse os meus olhos lacrimejando, o capuz ocultava o meu rosto o suficiente para que eu pudesse me recompor. O rapaz segurou minha mão e observei os dedos dele entrelaçados aos meus então desviei os olhos para encará-lo.
— Não é vergonha chorar. É o sinal de que você está viva e sente falta de quem você perdeu. — Afirmou ele e um soluço do choro que eu reprimi por tanto tempo, irrompeu por meus lábios e deixei que as lágrimas rolassem.
O príncipe tentou me abraçar, porém eu me afastei.
— Não, não posso... Chorar no seu ombro... — Afirmei e ele me puxou pelo pulso forçando-me a abraçá-lo.
Solucei e chorei com o rosto enterrado no peito dele, enquanto o príncipe, penas esperou que tudo passasse. Por um longo tempo ele não disse nada.
— Ponha para fora. Não se reprima mais. — Sussurrou.
Tentei me recompor e afastar o rosto de lá, entretanto Henrique não me soltou, mesmo quando minhas lágrimas já não vinham. Um som estrondoso de sinos badalando fez-nos sobressaltar, os cavalos relincharam assustados com o som.
— O que é isso? — Perguntei limpando as lágrimas do rosto.
— O impossível. — Afirmou o príncipe, ele parecia pálido. Ao ver a expressão confusa em meu rosto esclareceu: — Os rebeldes estão pulando os muros.
Ele levou a mão ao cinto e percebeu que não carregava a espada, a raiva parecia tê-lo modificado nesse momento.
— Tem algumas passagens perto do salão de baile, que vão dar fora do castelo, os túneis seguem até muito próximos ao castelo das montanhas a oeste daqui. — Explicou ele.
— Mas estamos muito longe do salão de bailes. Não tem uma passagem secreta por aqui? — Perguntei lembrando-me de quando corria pelos estábulos reais.
— Havia, mas foi lacrada, por medo que alguém invadisse o castelo por ela. — Afirmou o príncipe, ele parecia desesperado. O som de correntes soou alto, assim como o estrondo da ponte levadiça despencando, observei os cavalos.
— Pegue duas selas. — Pedi. O príncipe me encarou. Soltei a capa que caiu ao chão e comecei a soltar o corpete, Henrique me observou boquiaberto. — Tenho uma ideia, mas preciso das selas.
— Está bem. — Disse finalmente caminhando pelo estabulo, deixei que o vestido caísse aos meus pés, então apanhei a capa e saí da baia do cavalo negro guiando-o para fora. — Calças? — O príncipe falou num suspiro.
— Calças. — Afirmei. Observando minhas roupas quase masculinas. — Sele seu cavalo, alteza.
Fui até outra baia e peguei um cavalo marrom. Peguei a sela que estava aos pés do príncipe enquanto ele apenas me observava estupefato.
— Tire sua capa. — Falei ao príncipe. Ele obedeceu e jogou a capa no chão. — Seu cabelo chama muita atenção, tire esse casaco também, só à família real veste roupas como as suas.
Ele obedeceu e me encarou, o frio já me atingia, estendi minha capa para ele, que percebeu minhas mãos trêmulas pelo frio. Lembrei-me das histórias recentes, todas as barbaridades que esses soldados faziam com as mulheres nobres que encontravam sozinhas, seria perigoso para mim como mulher ser pega por eles, contudo ainda pior, seria se pegassem o príncipe herdeiro.
— Se eles o pegarem tudo estará perdido! — Afirmei.
— E se eles a pegarem nem consigo imaginar o que lhe fariam.
— Não sou tão importante. — Informei, ele ia discutir. — Não temos tempo para isso, apenas vista o manto.
Ele obedeceu e colocou o capuz. Tirei os grampos do cabelo que se soltou completamente e eu prendi-os no capuz, para impedir que o capuz saísse quando cavalgássemos.
— Temos que cavalgar rápido. — Avisei — Se eles invadiram, estarão ocupados tentando entrar no castelo, não deve haver mais deles junto ao portão, mantenha o corpo curvado, assim os arqueiros não terão uma boa mira sua.
Subi no cavalo e esperei que Henrique o tivesse feito. Usei uma fita para prender meus cabelos para trás, o príncipe já montara no cavalo no tempo em que levei para prender os cabelos. Senti os calafrios do frio que nos atingia, observei a porta de madeira, sabia que ela se abriria com as patas do cavalo, o rapaz olhou para mim e assentiu.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top