Time Of Truth


POV. Kelsey

Suspirei pesadamente, sentindo minhas pálpebras pesadas. Forcei abri-las, mas parecia que havia algum peso sobre elas, me impedindo. Suspirei mais uma vez, começando a recuperar os sentidos, conseguindo ouvir o que estava ao meu redor. 

Alguma coisa fazia BIP BIP por perto, o ambiente estava refrigerado, me senti confortável em uma cama que não conhecia. Eu não estava em casa.

Então flashes rápidos passaram pela minha cabeça: uma estrutura grande de um carro vindo em minha direção, os olhos assustados de Caitlin me olhando, barulho alto de vidro sendo estilhaçado e a escuridão.

Abri os olhos e dei um sobressalto, olhando assustada ao redor.

— Ei, ei, se acalme. — Olhei em direção a voz e encontrei seus olhos caramelos. Meu coração se apertou. Senti falta dos seus olhos. — Venha, deita-se. — Justin segurou cuidadosamente em meu ombro e me ajudou a me deitar, apoiando minha cabeça de volta no travesseiro.

Fiquei olhando para ele sentindo meu coração se preencher, como se eu estivesse sentindo muita falta dele. Mas como eu poderia estar com saudades sendo que ele estava aqui?

Espere! Olhei ao redor e franzi o cenho ao não reconhecer onde eu estava.

— O que aconteceu? — Perguntei. Estranhei a minha voz, saiu mais baixa que o normal.

— Preciso chamar o médico, Kelsey, fique tranquila porque você está bem e em segurança. — Sussurrou acariciando meus cabelos.

— Não. Eu quero saber. — Agora eu olhava para ele, de forma suplicante. — Teve um acidente, não foi?

— Você se lembra? — Perguntou, esperançoso.

— Coisas vagas, mas sim. Lembro de um carro batendo em mim e Caitlin... — Arregalei meu olhos e olhei para Justin. — Caitlin, como ela está? — Perguntei desesperada.

— Calma. Caitlin está bem, já está em casa, você foi a mais prejudicada. — Suspirei aliviada. Ela estava bem, nada aconteceu a ela. — Vocês sofreram um acidente, exatamente como se lembra, mas foi um acidente proposital, alguém o provocou. — Não disse nada, apenas esperei que prosseguisse. — Mas já estamos procurando saber quem foi, e está protegida agora, não tem com o que se preocupar. — Agora olhando com mais atenção para ele, Justin estava mais pálido que o normal, mais magro que o normal também. Sua barba rala estava começando a aparecer. Eu a odiava. Aquilo era um projeto de pelos, não uma barba de verdade. Ele também estava com olheiras, provavelmente esteve aqui o tempo todo e nem dormira direito.

— Você andou se alimentando ou dormindo direito? — Perguntei, com minha voz ainda saindo fracamente. Justin ficou em pé parado ao meu lado, apenas me olhando, até que sorriu e se aproximou. Seus lábios beijaram delicadamente meus cabelos, depois apoiou sua testa da minha, fechando os seus olhos.

— Você que está deitada em uma cama de hospital e pergunta para mim se eu estou me alimentando ou dormindo? — Riu de novo, balançando a cabeça. — Sempre pensando mais nos outros do que em si mesma, e é por isso que a amo. — Abriu seus olhos para encontrar os meus. Nos olhamos por um longo tempo até meu coração se preencher de ternura, ternura vinda por ele. Justin se aproximou e beijou meus lábios delicadamente, dando leves selinhos demorados.

Podia não me lembrar de muita coisa, mas eu lembrava que ele estava chateado comigo.

— Não está mais chateado? — Sussurrei. Justin continuara com sua testa apoiada na minha, com seu cheiro impregnando em mim, do jeito que eu amava.

— Não. Óbvio que não. — Claro, o acidente. Me remexi desconfortável, fazendo-o me encarar.

— Mas pelos motivos errados, não é? — Olhei para ele e então prossegui. — Só porque sofri um acidente.

— Claro que não. — Franziu o cenho como se eu tivesse falado o maior absurdo do mundo. Justin segurou meu rosto em suas mãos, prendendo meu olhar em seus olhos. — Eu percebi da pior forma que teve seus motivos, e agora eu os compreendo, e tenho outras prioridades no momento. — Ele sorriu, acariciando minha bochecha com o seu polegar. Quando pensei em perguntar sobre o que estava se referindo, a porta do quarto se abriu com um homem alto de trinta e poucos anos surgindo, vestindo um jaleco branco. Com certeza era o médico.

Ele se espantou ao me ver acordada, intercalando seu olhar entre mim e Justin, até finalmente fechar a porta e sorrir para mim.

— Olha só quem resolveu acordar. — Se aproximou, com um grande sorriso gentil. — E pelo visto alguém não me chamou. — Olhou para Justin com um olhar de repreensão. — Sou o Dr.Charles, venho acompanhando você durante esses três dias.

— TRÊS DIAS? — Gritei, ou pelo menos quase gritei, falei mais alto do que eu estava falando, então para mim aquilo foi um grito de espanto.

— Sim, mas se acalme, o importante é que acordou e está bem. Pense pelo lado positivo, tem gente que fica três anos em coma, você apenas dormiu por três dias. — Sorriu para mim, pegando em seu jaleco aquelas lanterninhas para conferir minha visão. Pensando por esse lado, eu até que não estava nada mal. — Vamos conferir seus sinais vitais. — Depois dos procedimentos, avisou que meus sinais vitais estavam ótimos e que no máximo em uma hora me buscaria para fazermos outra série de exames, o checape geral final. — Não faça esforços, precisa ainda descansar. — Ordenou antes de pedir para que Justin o acompanhasse até a porta.

Pela troca de olhares, eu senti que estavam me escondendo algo.

E não gostei nada da sensação.

POV. Justin

Ela estava bem.

Senti meu coração disparar quando ela abriu seus olhos. Sua voz estava mais fraca que o normal, mas isso eu já sabia que era devido ela ter acabado de acordar depois de quase três dias dormindo.

Ela estava bem, era apenas isso que importava.

Acompanhei o doutor até a porta assim como ele me pediu depois de ter examinado Kelsey. Percebi pelo seu olhar que queria me dizer algo, o que me preocupou.

Talvez ele tivesse dito na frente de Kelsey que ela estava bem para não preocupá-la, mas poderia ser completamente ao contrário.

Quando fechei a porta atrás de mim, olhei para ele apreensivo.

— Não tem nada de errado, não é? — Sussurrei para que ela não ouvisse do outro lado, esperançoso.

— Não, ela realmente está ótima. — Suspirei aliviado. — Mas eu queria saber se disse algo sobre o outroassunto. — Ele deu ênfase em "outro", me fazendo compreender sobre o que estava tentando dizer. O bebê. Ele queria saber se eu contei a ela sobre o bebê.

— Não, claro que não. Ela acabou de acordar, não deu nem tempo...

— E nem terá, ela não pode saber, não agora, será informação demais. — Fez uma pausa, então prosseguiu. — Vamos fazer os exames gerais daqui a pouco e dar mais tempo para que ela descanse e assimile tudo, se amanhã ela amanhecer tão bem quanto aparenta estar, então você pode contar. — Assenti, ele estava coberto de razão. Kelsey havia acabado de acordar, seria muita informação para pouco tempo. O melhor no momento é deixa-la descansar sem muitas preocupações.

— Não se preocupe, não direi nada até amanhã. — O doutor sorriu satisfeito e deu dois tapinhas em meu ombro.

— Fico feliz por ela estar bem, venho buscá-la daqui a pouco.

— Poderia informar que Kelsey acordou? Jenna e Mikael estão na sala de espera.

— Claro. — Então se afastou.

Sabia que eles iriam querer vê-la antes que fosse para os exames, e talvez fosse até melhor, assim ela poderia descansar depois de uma série longa de exames cansativos.

Voltei para o quarto e ela olhava tudo ao redor. O quarto estava todo decorado, cheio de flores de variadas cores e balões com mensagens positivas do tipo "Melhore logo", "Volte para nós" ou "Te amamos, fique bem".

Ela olhava tudo de forma curiosa com um leve sorriso em seu rosto.

Fechei a porta chamando sua atenção para mim. Caminhei até ela e parei ao seu lado, segurando sua mão.

Estavam geladas, mas estavam vivas, como deveriam estar.

— Você ficou aqui durante os três dias?

— Todos os três. — Entrelacei meus dedos aos dela.

— Não dormiu em casa? Ou tomou banho? — Ela me examinou de cima para baixo, o que me fez rir.

— Não, dormir nesse sofá cama — Apontei na direção dele — E tomei banho no banheiro que temos aqui — Apontei para a porta do banheiro, ela acompanhava tudo com o olhar. — Chaz e Nolan traziam tudo o que precisava, incluindo alimentação. Jenna que ia para casa para pelo menos dormir, ela sabia que não sairia do seu lado, e só temos um sofá cama, então... — Dei de ombros. Ela sorriu e apertou minha mão com mais força.

— Obrigada por ter ficado comigo.

— Você é tudo pra mim, Kelsey, nunca duvide disso. — Antes de ela responder, a porta se abriu com uma Jenna emocionada e Mikael agitado aparecendo. Me afastei e dei espaço para eles.

— Minha filha, graças a Deus. — Jenna se aproximou de Kelsey e a abraçou, enquanto chorava. — Finalmente você está acordada. — Ela se afastou para fitar os olhos da filha, acariciando seus cabelos enquanto se certificava que ela estava bem.

— Ela está bem, o doutor já examinou. — Disse para tranquiliza-la.

— Estou bem, é sério. — Kelsey disse quase rindo, vendo o estado de desespero de Jenna. Mas ela sabia que ela estava bem, apenas estava emocionada e feliz por finalmente ela ter acordado. Os olhos de Kelsey foram para Mikael que estava mais atrás, olhando para ela de forma angustiada. Ela arregalou os olhos, estava surpresa por ele estar ali. Ele não sabia como reagir, nem ela. — Oi. — A voz de Kelsey preencheu o lugar. Mikael suspirou e abriu um leve sorriso.

— Você nos deu um baita susto, garota. — Disse, provocando algumas risadas de Jenna e Kelsey.

— O que eu posso fazer?! Adoro uma boa adrenalina. — Brincou, me fazendo sorrir.

POV. Kelsey

Depois de uma série de exames, finalmente pude voltar para o meu quarto. Justin estava me aguardando sentado no "seu" sofá cama com Jenna sentada ao seu lado, já Mikael estava sentado em outra poltrona, do outro lado do quarto.

Justin e Mikael dividiam o mesmo ambiente estando o mais longe possível um do outro, mas me surpreendi pelo fato de Justin ter concordado com isso.

Não parecia muito com ele.

— Ela pode tomar um banho se tiver ajuda. Daqui a pouco voltarei para servir seu jantar. — Informou a enfermeira depois de me acomodar em minha cama, se retirando do quarto.

— Bom, para ficar mais a vontade, irei embora, mas amanhã bem cedo estarei de volta. — Disse Mikael, se levantando e ficando em minha frente, mas sempre mantendo certa distância. — Estou feliz que esteja bem. — Pude sentir seu corpo se inclinar, queria se aproximar, talvez me abraçar? Não sei ao certo, mas se conteve.

— Obrigada, Mikael. — Sorri para ele que retribuiu com um sorriso envergonhado. Ele não sabia direito como agir comigo nessas condições, nem eu o culpava por isso.

— Qualquer coisa que precisarem, é só me informar. — Murmurou olhando para Jenna, então se retirou do quarto. Com certeza se precisarmos de algo Justin que resolveria tudo.

— Pode ir também, sei que está indo dormir em casa, vai ficar tarde. — Disse para Jenna. — Como Justin já vai ficar por aqui mesmo, ele me ajuda no banho.

— Tem certeza? Posso ainda te ajudar antes de ir. — Jenna se aproximou e começou a acariciar meus cabelos, do jeito que ela amava fazer. — Você agora tem mãe, Kelsey, quero poder ser útil. — Podia ver a necessidade em seu olhar, mas ela não precisava me mostrar que era uma boa mãe. Esses dois anos ao meu lado e cuidando de mim já fora o suficiente. Segurei suas mãos com firmeza.

— Você é muito útil, Jenna, pode ter certeza disso. — Sorrimos uma para outra enquanto nossas mãos estavam entrelaçadas. — Sempre fez muito por mim, e continua fazendo, mas nesse momento Justin pode ajudar, não se preocupe. — Ela sorriu balançando a cabeça, assentindo.

— Tudo bem, tem razão, não precisa de mim o tempo todo. — Acariciou minha bochecha antes de beijar o alto da minha cabeça. — Volto amanhã. — Assenti e sorri para ela, para tranquiliza-la. — Cuide dela. — Jenna disse ao abraçar Justin antes de pegar a sua bolsa e sair. Confesso que isso também me espantou. Desde quando Justin e Jenna estavam próximos?

Acho que minha expressão ficou tão visível que Justin riu ao se aproximar.

— Vamos dizer que precisamos muito um do outro nesses últimos dias, e que ela me deu boas orientações.Muito, muito boas. — Franzi o cenho, pela segunda vez Justin havia dito algo com duplo sentido. O que ele queria dizer de fato?

— Você quer me dizer alguma coisa? — Perguntei, não sabia ao certo se realmente estava escondendo algo, mas depois de ter visto sua reação de espanto, não tive dúvidas que estava escondendo algo.

— Não, porque estaria? — Deu de ombros, tentando parecer relaxado, mas eu ainda podia sentir sua tensão. Estava sim me escondendo algo. Apenas arqueei uma sobrancelha para ele e esperei que dissesse algo, quando ele notou que eu não iria ceder, suspirou profundamente, sentando na beirada da cama antes de me olhar. — Aconteceu uma coisa que anda me incomodando, mas não sei se é o momento certo ou a hora certa pra falar disso.

— É sobre Mikael?

— Não. Pela primeira vez não é ele que está me incomodando.

— Então é sobre o que? — O encarei, sem desviar o olhar, mas ele não conseguia me olhar diretamente nos olhos. Isso realmente começou a me preocupar. — O que aconteceu, Justin? — Insistir, fazendo-o me fitar.

— Se lembra naquele dia quando você voltou para casa e discutimos? — Fez uma pausa, mas prosseguiu sem que eu precisasse responder. — Eu saí, precisava esclarecer, então fui para o Demon me afogar em trabalho. — Fez uma pausa de novo, quando mais falava mais ele ficava tenso. Realmente já estava preocupada com o que ouviria. — Estava no escritório e Tina me enviou uma das dançarinas da boate para me trazer a papelada...

— Tina? — O interrompi já sentindo meu corpo queimar em raiva. Já estava sentindo onde isso iria dar, e não iria prestar.

— Está no lugar da Kristin. — Ele me observou por um tempo, depois de perceber que eu não diria mais nada, prosseguiu. — Tina entendeu tudo errado quando eu havia dito que precisava me distrair, pensou...

— Que queria uma puta, por isso ela enviou a dançarina? — Especifiquei o "dançarina", soando bem irônica. Desde quando strippers eram dançarinas? Poupe-me.

— Isso! — Ele se contorcia na cama, praticamente estava suando frio, já podia imaginar o que veria depois. Meu coração se apertou. Senti meus olhos se encherem de lágrimas antes mesmo que ele me dissesse "eu traí você".

— Saia daqui, Justin. — Virei meu rosto para o outro lado, sentindo as lágrimas escorrerem pelo meu rosto. Não o queria aqui, não o queria mesmo. Como ele pode?

— Não, Kelsey, eu não fiz nada, eu juro. — Voltei minha atenção para ele, com o cenho franzido. — É isso que estou tentando dizer. Ela se aproximou e tentou algo, mas eu não deixei, a expulsei do meu escritório no mesmo momento. — Continuei olhando para ele espantada, sem conseguir dizer absolutamente nada. Como acreditar nele? — Sua mãe me disse uma coisa esses dias que fez toda a diferença. — Fez uma pausa para me olhar, então prosseguiu. — Ela disse que você havia me mudado, que eu não era o mesmo de dois anos atrás, que meus pensamentos e desejos não eram os mesmos, e estava certa. — Ele olhou para baixo, mas rapidamente subiu seu olhar para os meus olhos. Não consegui acompanhar para onde havia olhado, mas agora seus olhos me fitavam com amor e ternura. — E eu percebi que estava certa. Quando expulsei a garota, achava que já estava enferrujado, mas agora eu sei a resposta correta: eu estou incrivelmente apaixonado por você, Kelsey Jenner, e quero viver tudo que eu puder ao seu lado. — Então se aproximou de forma inesperada, esbarrando seus lábios nos meus. Logo me entreguei a eles, aqueles lábios que se encaixavam tão perfeitamente aos meus, que me completavam, que eram tudo que eu queria experimentar pelo resto da minha vida. Quando nos afastamos, estávamos ofegantes.

— Preciso sofrer acidentes mais vezes. — Brinquei, o fazendo rir.

POV. Justin

Aquele não era o momento certo para dizer o que a deixaria brava, mesmo eu não tendo feito nada, eu sabia que ficaria. Mas quase havia me entregado, ela havia percebido que eu estava escondendo algo, tive que pensar na primeira coisa que pudesse parecer compreensível a minha reação.

Mal ela sabia que estava apreensivo por causa do nosso bebê.

O bebê que ela ainda não sabia da existência.

Levantando-se delicadamente, a ajudei ir para o banheiro. Desamarrei sua roupa larga de hospital e a despi, exibindo um corpo mais magro que o normal, fora os machucados pelo corpo devido ao forte impacto do acidente.

Aquilo não me fazia bem, vê-la daquela forma não me agradava.

— Eu sei, estou horrível. — Disse ao notar o meu olhar pelo seu corpo. Balancei a cabeça.

— Nem tanto. — Ela me olhou com um olhar divertido, sabia que eu estava mentindo. — Tudo bem, vamos para o banho. — A Ajudei a entrar no grande box do banheiro deixando suas mãos bem apoiadas no apoio de ferro que havia na parede para os pacientes se segurarem enquanto eu tentava ao máximo não machucá-la ao tentar lavar o seu corpo. Passei o sabonete levemente em seu corpo e acariciei os hematomas com as mãos. Mesmo fazendo com delicadeza, podia sentir seu corpo tremer de dor algumas vezes, mesmo que ela tentasse não transparecer. Também lavei seus cabelos, encontrando uma parte de trás entre o centro do cabelo raspado, com certeza por causa da cirurgia. Com o cabelo solto, dava para esconder, por isso Kelsey não havia percebido até agora, mas quando visse iria surtar.

Preferi deixar quieto e continuei o que estava fazendo. Depois de lavá-la e vesti-la com uma limpa roupa de hospital, levei-a de volta pra o quarto. Depois de acomoda-la, sequei mais seus cabelos e os penteei.

Fizemos tudo em silêncio. Kelsey estava apreciando o banho e eu me mantive concentrado.

— Como está sendo para você? Sabe... Mikael por perto? — Perguntou enquanto eu colocava sua toalha no banheiro e voltava para o quarto. Sentei ao seu lado, olhando para ela. Ela estava até mais coradinha agora depois de um bom banho.

— Ele está respeitando meu espaço, assim como eu o dele, então... — Dei de ombros, e isso foi o suficiente para ela entender. Não estava cem por cento feliz com essa situação, mas poderia ser pior.

— Fico feliz por isso. — Ele sorriu.

— Imaginei mesmo que ficasse. — Então a porta se abriu com a mesma enfermeira que havia trago Kelsey de volta dos exames entrando com uma bandeja nas mãos.

— Vamos tentar comer alguma coisa, Kelsey? — Assim que o cheiro da sopa impregnou o ar, Kelsey torceu o nariz.

— Tenho mesmo que comer? — Resmungou.

— É claro, esteve esses dias só a base de soro, agora precisa se alimentar. Vamos começar por algo bem leve, apenas uma sopinha. — Posicionou a bandeja entre as pernas de Kelsey, que continuava de cara feia para sopa.

— Meu estomago está se revirando. — E eu sabia o porquê, provavelmente a enfermeira também, mas tenho certeza que o médico já havia lhe dado às instruções de não falar nada ainda. O pior disso tudo era que ela precisava se alimentar, não só por ela, mas também pelo bebê.

— Está há três dias sem algo no estomago, precisa se alimentar. Se não quiser fazer isso por você, faça por mim. — Implorei, cruzando meus braços e ficando em pé ao seu lado. Kelsey me fitou por um tempo antes de bufar e pegar a colher da sopa.

— Vou só comer o que conseguir.

— Pelo menos será alguma coisa. — Disse a enfermeira sorrindo. Depois de seis colheradas — porque eu praticamente enfiei em sua boca as três ultimas —, Kelsey começou a fazer pirraça que realmente não queria mais e iria colocar tudo para fora. Preferi não insistir, seis colheradas até fora um bom número para o primeiro dia, e não queria que vomitasse tudo que havia ingerido.

Depois de a enfermeira lhe dar um pouco de água e os últimos medicamentos do dia, se retirou nos deixando a sós.

Kelsey se acomodou entre os lençóis e tombou sua cabeça de lado, me fitando com seus olhos já cansados.

— Pode dormir, estarei aqui quando acordar. — Murmurei beijando sua pálpebra, uma de cada vez, até ela não abrir mais seus olhos e dormir.

POV. Kelsey

Acordei tentando me espreguiçar, mas parei assim que senti a primeira dor. Havia me esquecido que estava cheia de hematomas. Abri meus olhos aos poucos e encontrei Justin dormindo em seu sofá cama, todo esparramado com um braço pendurado, com uma coberta por cima.

Deveria ser bem cedo para ele ainda estar dormindo. Não tinha como eu ter noção do tempo, não havia nenhum relógio por perto. Como esse hospital caríssimo não teria justo um relógio nos quartos?

Avistei o botão para suspender minha cama, o que fez barulho fazendo Justin acordar em um pulo.

— O que houve? Está bem? — Ele olhou para mim desorientado, com seus cabelos bagunçados. Tive que rir. — Qual a graça, mocinha? — Ele agora já estava mais relaxado, percebendo que se assustara atoa.

— Estou bem, apenas acordei cedo de mais. Desculpe por acordá-lo, só queria suspender um pouco a cama. — Justin veio em minha direção e me ajudou, me deixando nem muito deitada e nem muito sentada.

— Pode voltar a dormir, acabei dormindo cedo por causa dos remédios e perdi sono agora. — Disse depois de ele ter bocejado pela terceira vez.

— Estou bem, vou apenas ficar deitado um pouco.

— Fique aqui comigo. — Me esquivei um pouco para o lado, para que desse espaço para ele.

— Sem chances, posso machucá-la. — Balançou suas mãos, negando.

— Por favor? — Fiz biquinho, pedindo de forma manhosa.

— Isso não se faz. — Revidou, me fazendo rir. Justin deitou ao meu lado com cuidado e levantou o lençol, entrando de baixo das cobertas comigo. Virei minha cabeça para o lado, em sua direção, com ele virando sua cabeça na minha e colocando sua testa na minha. Ficamos deitadinhos assim por um tempo até eu ser acordada pela voz do doutor. Eu e Justin suspendemos nossas cabeças e olhamos na direção da voz onde o doutor se encontrava em nossa frente, no pé da cama, sorrindo. Nem havia percebido que pegara no sono de novo.

— Vamos acordando porque preciso ver como ela está. — Justin beijou minha bochecha antes de sair da cama e se jogar no sofá. — Como está se sentindo hoje? — Perguntou ligando aquela maldita lanterninha para observar os meus olhos.

— Bem melhor que ontem, mas ainda com algumas dores de cabeça e dor pelo corpo.

— Isso é normal devido a pancada, só depois de uma semana que irá começar a se sentir mais confortável, mas pode deixar que irei indicar medicamentos ótimos para aliviar a dor.

— Ótimo.

— Se continuar indo tão bem assim, amanhã mesmo poderá receber alta. — Olhei para Justin animada, com ele sorrindo para mim. Finalmente todos teríamos um descanso. — Jenna já está lá fora, posso autorizar sua entrada? — O doutor perguntou olhando para Justin, depois que Justin assentiu, ele se retirou.

— Porque precisa da sua autorização para ela entrar?

— Só precisa de autorização agora, antes de o doutor chegar ela sabe que eu estou dormindo e que pode atrapalhar. — Fazia sentido, ainda mais como Justin é reservado com esse lance de dormir. — Vou me trocar. — Disse indo para o banheiro com umas mudas de roupas nos braços, sua toalha e escova de dente.

— Bom dia minha filha linda. — Jenna disse me recebendo com um sorriso enorme. Sorri ao vê-la e entendei meus braços para abraça-la. Demos um longo abraço antes dela se afastar para me olhar. — Como está se sentindo?

— Estou bem melhor que ontem, apenas com algumas dores, mas o doutor já disse que é perfeitamente normal, a pancada foi forte.

— Pelo menos está viva e acordada, daremos um jeito na dor. — E beijou minha testa.

— E Mikael? Já está ai?

— Ainda não, mas logo deve chegar. Caitlin que estava louca para vir comigo, mas Christian não deixou, ela estava com muitas dores na perna que quebrou, mas disse que veria depois com ela em uma cadeira de rodas quando a dor amenizasse.

— Caitlin precisa descansar, avise isso a ela.

— Não se preocupe, ela está bem. — Depois de conversar com Jenna sobre vários assuntos sobre o que havia acontecido nesses últimos dias, Justin voltou ao quarto já de banho tomado e roupas limpas. Ele cumprimentou Jenna e depois guardou as suas coisas em uma grande mochila. Poderia estar vendo coisas onde não devia, mas Justin estava mais inquieto que o normal.

— Está tudo bem? — Perguntei a ele.

— Está sim, irei na cafeteria comer alguma coisa. — Disse olhando para mim. — Quer algo, Jenna? — Agora olhava para Jenna, indo em direção a porta. Ele parecia louco para sair dali. Aquilo estava mais uma vez me parecendo estranho.

— Não, obrigada, tomei café antes de sair da mansão.

— Tudo bem, já volto. — Ele sorriu torto para mim antes de se retirar.

POV. Justin

A primeira coisa que fiz foi ir atrás do doutor. Não fazia ideia de qual o momento certo para dizer a verdade para Kelsey. Ela precisava saber. Precisava saber que seria mãe.

— Doutor? — Gritei ao vê-lo andando pelo corredor. Ele parou abruptamente e virou para trás, me olhando. Fui até ele. — Desculpe o interromper assim, mas preciso conversar sobre Kelsey.

— Eu a examinei agora, vou buscar seus exames de ontem nesse exato momento, mas creio que ela esteja se recuperando muito bem, não precisa com o que se preocupar.

— Eu sei, mas e o lance do bebê?

— Assim que eu buscar os exames e tudo estiver certo, irei até vocês e contaremos nós dois juntos. Precisa ser com calma para não assustá-la.

— Tudo bem. — Engoli em seco, sentindo uma tensão pelo meu corpo.

— Fique calmo, tudo irá ficar bem. — Me tranquilizou apoiando sua mão em meu ombro. Assenti para ele que logo se afastou, indo buscar os exames. Voltei para o quarto de Kelsey e sorri para ela, tentando disfarçar, mas ela era muito esperta, o que acabava se tornando o que mais me irritava nela. Era difícil conseguir esconder algo quando ela conseguia me ler por inteiro.

Sentei-me na poltrona e fiquei aguardando, pensativo, enquanto Jenna tagarelava com Kelsey, e mesmo ela respondendo Jenna, conseguia sentir seu olhar sobre mim.

Quando a porta se abriu com o doutor entrando com um grande sorriso e várias papeladas em suas mãos dizendo ter boas notícias, fechei meus olhos sentindo um alívio, sabia que Kelsey estava bem e que logo poderíamos ir para casa.

Mas isso também significava que iriamos esclarecer tudo a ela nesse exato momento.

E eu estava quase entrando em pânico pela segunda vez.  

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