Finale


Notas iniciais: Esse é o PENÚLTIMO capítulo de AFG, o próximo será um epílogo mostrando com tudo ficou DEPOIS do que aconteceu neste capítulo. Já vou avisando para pegarem um lenço e prepararem o coração, esse capítulo é só sofrência. Boa sorte e LEIAM AS NOTAS FINAIS. Boa leitura. 


Seus dedinhos apertaram os meus com força quando encaixei meu dedo — que era maior que toda a sua mãozinha — entre seus dedinhos minúsculos. Brooke balançava suas perninhas e apertava meu dedo enquanto Kelsey tirava a roupa de Blake para lhe dar um banho.

Ao redor pela casa havia várias caixas espalhadas com os nossos pertences, faltavam dois dias para voltarmos para casa. Era até estranho dizer isso, nunca pensei que me sentiria tão confortável em viver em um lugar isolado, mas como Kelsey havia dito, era justamente disso que eu estava precisando.

Estava pronto para voltar e reconstruir a nossa vida, agora com as nossas filhas.

Blake começou a fazer um escândalo quando foi colocada na água, como sempre fazia. Peguei Brooke no colo e me afastei ante que ela entrasse na mesma onda da irmã. Era de leia, quando uma começava a chorar a outra sempre acompanhava. Nas primeiras noites elas nos deixaram completamente loucos, mas agora estávamos entendendo como as duas funcionavam.

Levei Brooke para a varanda comigo e me sentei na cadeira de balando com ela.

— Vamos admirar as árvores, você gosta do que vê? — perguntei encarando seus olhos ainda fechados. Ela abriu a boquinha e fechou novamente, soltando um suspiro. — Eu sei, o lugar é lindo e tranquilizante. — beijei sua testa e aspirei seu cheirinho.


[...]


— Vamos trocar. — A voz de Kelsey me fez olhar para ela que já estava com Blake em seus braços de banho tomado e roupinha trocada. — Agora está na vez da Brooke. — entreguei Brooke em seus braços e peguei Blake que reclamou um pouco, ela simplesmente odiava ser passada de braço em braço.

— Boa sorte. — Kelsey disse se afastando quando Blake começou a chorar. A típica choradeira de Blake, tão dramática sempre. Coloquei sua chupeta em sua boca e comecei a niná-la, até que finalmente ela foi se acalmando. — Obrigado, Deus. — suspirei aliviado, mas então um barulho de galho se partindo no meio das árvores chamou minha atenção. Olhei ao redor das árvores, mas as luzes do sol me impediam de ver algo com clareza. — Vamos, filha, vamos entrar. — voltei para dentro e fechei a porta, ligando o alarme da casa. Observei novamente ao redor da casa, estava tudo normal, deve ter sido só algum animal.

Sentei com Blake na sala e mais tarde Kelsey se juntou a mim colocando ambas em seus braços para amamentá-las.

— Até que estamos nos saindo bem.

— Se não fosse por toda a ajuda de Marta no início... Pelo menos agora estamos nos virando bem. — Kelsey riu provavelmente se lembrando da nossa primeira noite a sós com as meninas, tivemos que ligar para Marta no meio da noite já que elas não paravam de chorar, acabou no final sendo problema com cólica.

E eu não fazia ideia que até bebês tinham isso.

— Quando voltarmos iremos morar sozinhos, mais desafios virão.

— Pelo menos teremos sua mãe para ligarmos e pedirmos ajuda. — me aproximei dela e passei meus braços ao redor do seu ombro, para observá-las melhor. — Sabe que minha fixa ainda não caiu? Ainda não consegui acreditar que elas são minhas.

Kelsey sorriu sem olhar para mim, admirando as meninas enquanto amamentavam.

— Tenho o mesmo sentimento, não dá para acreditar que somos pais. — ela riu olhando para mim.

— Não mesmo. — ri de volta e voltamos a admirá-las. Eram tão lindas que poderia olhar para elas eternamente. — Eu sou muito foda, nasceram tão perfeitas. — Kelsey ergueu uma sobrancelha para mim, com um sorrisinho no rosto.

— Parte dessa beleza é minha também, não se esqueça.

— Como sabe? Até agora elas são a minha cara.

— Aposto que vão mudar muito, e aposto que tem os meus olhos azuis.

— Como tem tanta certeza? Ainda nem abriram os olhos.

— Eu sou mãe, é instinto, eu sei que elas puxaram os meus olhos e que vão ser muito iguais a mim. — revidou me fazendo rir.

— Veremos, Sra.Bieber. — esbarrei meus lábios nos seus roubando um beijo e me levantei, indo para a cozinha. Olhei pela janela novamente e notei o tempo mudar. — Parece que hoje a noite irá chover muito. — comentei pegando um suco da geladeira.

— Contanto que elas não se assustem e não chorem a noite inteira, está tudo certo. — rimos e voltei a me sentar no sofá. Depois que Kelsey terminou de amamenta-las e de conversarmos sobre nossa volta para casa, ela deixou as meninas nos berço. — Estou indo tomar um banho. — começou a falar voltando a entrar na sala. — Ando com umas dores no ombro, seria ótimo se tivesse alguém para me ajudar. — ela sorriu maliciosamente e se afastou indo para o banheiro. Sorri, virei o suco goela abaixo e fui atrás da minha mulher maravilhosa.

Kelsey já estava tirando sua roupa, tirei as minhas também e entramos no box.

— Será que podemos? Faz só duas semanas que você teve as meninas, sei que foi parto normal, mas mesmo assim.

— Não sei se podemos, mas podemos fazer outras coisas, não acha? — ela se aproximou e envolveu seus braços ao redor do meu pescoço. — Estou com saudades do seu toque, nem que seja somente carícias e beijos. Precisamos de um momento para nós dois também e as meninas tem nos ocupado tanto.

— Você tem razão. — apertei sua bunda e beijei seus lábios. Com a água caindo nas minhas costas, explorei sua boca, sentindo seus lábios macios acariciando os meus, tudo bem calmo, com carícias. Soltei um suspiro, também estava sentindo falta de momentos assim.

Fiquei acariciando sua bunda, apertando, massageando, fazendo movimentos circulares, até gemidos de Kelsey escaparem pelos nossos beijos ofegantes.

Minha ereção chamou sua atenção.

— Ok, isso é torturante. — disse massageando meu membro completamente duro e pronto para ela. Kelsey me prensou contra a parede e novamente voltou a me beijar, ainda massageando meu membro, ela começou a esfregar sua vagina por todo o cumprimento dele, envolvendo uma de suas pernas na minha cintura — onde eu as segurei para lhe dar firmeza — e com sua mão ela conseguia apoiar meu membro na sua entrada, mas sem entrar, apenas se esfregando a cabecinha do meu membro, de cima para baixo, de cima para baixo, sempre seguindo nesse ritmo, aumentando a velocidade e soltando gemidos.

Apertei sua bunda com força para afirmar seu quadril contra o meu, sentindo seu clitóris pulsar sobre o meu membro. Kelsey me abraçou pelo pescoço e apertou mais seu corpo contra o meu, se esfregando com mais força, seus gemidos ficando maiores.

Eu estava louco, louco com aquela cena erótica, louco por ela.

Dominei seus lábios, apertando sua bunda e puxando seu quadril para meu corpo, até que juntos e ofegantes nós dois gememos alto, gozando.

Seu corpo tremeu e se contorceu, até que aos poucos voltamos ao normal.

— Não foi nada mal, Bieber. — riu e me beijou.

— Dessa vez os elogios ficam para você, mandou muito bem no que fez.

— É sério? — me olhou surpresa, mas com um sorriso bobo de satisfação.

— Você que tomou toda a atitude. — dei um tapa forte em sua bunda — Me deixou louco e ao orgasmos, sem precisar de penetração, então meus parabéns. — ela sorriu toda boba e me beijou novamente. Ficamos nos beijando, explorando nossos corpos por mais algum tempo, até que decidimos que já estava na hora de sair antes que as meninas acordassem.


POV. Kelsey


Quando a noite chegou, com ela veio uma forte tempestade trazendo relâmpagos e trovões, nos deixando na escuridão quando a luz acabou. Rapidamente as lâmpadas de emergência se acenderam, trazendo de volta a claridade, mas toda essa chuva me deixava desconfortável.

— Odeio tempestades, são tão agressivas. — Murmurei fechando a cortina do quarto, não queria ter que olhar para toda aquela chuva e relâmpagos. Batidas na porta da frente me fez olhar para Justin. Quem poderia ser? Marta já havia ido para casa já fazia tempo.

— Fique aqui com as meninas, deve ser alguém que ficou atolado por aí em algum lugar e esteja precisando de abrigo, já volto. — Justin disse saindo do quarto, assenti e me deitei pegando um livro para ler. Brooke e Blake dormiam tranquilamente depois de eu tê-las amamentado novamente.

Permaneci lendo por vinte minutos e nada de Justin voltar ou qualquer tipo de conversa. Fechei o livro e decidi ir até a sala, olhei ao redor e nada de Justin novamente.

Fui até a entrada da casa e notei a porta entre aberta. Escancarei a porta e olhei ao redor, me encolhendo com o vento forte e frio que batia sobre a minha pele. Olhei ao redor e tudo que tinha era uma tempestade terrível e relâmpagos, mas nenhuma sinal de Justin.


POV. Justin


Suspirei fundo e forcei meus olhos, forçando-os a se abrirem. Vagamente fui recordando os sentidos e tudo ao meu redor foi ganhando formato e clareza, até que lembrei o que tinha acontecido.

Abri a porta e levei uma coroada na cabeça com força, e agora estava aqui. Olhei ao redor e esse lugar parecia um celeiro no meio do nada, estava sentado em uma cadeira literalmente no meio do nada. A forte chuva continuava então eu devia estar desmaiado só por alguns minutos.

A porta do celeiro se abriu com o som da forte chuva entrando, juntamente com dois homens bem agasalhados e encapuzados.

Eu já sabia quem seria.

— Hanks e Bruce, vocês demoraram. — os dois se entreolharam e então retiraram suas máscaras.

— Estávamos tentando bolar um plano brilhante durante todo esse tempo, então você teve que ficar foragido e nada melhor do que pegar Bieber desprevenido, e principalmente, fora do seu território. — Bruce tirando suas luvas e sorrindo para mim.

— Deu sorte que tudo isso não aconteceu na sua lua de mel, sabíamos onde você estava, mas então você teve que fugir e perdemos seu paradeiro, mas agora o encontramos. — abriu seus braços e sorriu como se esperasse que eu fosse abraça-lo igual uma criança que corre para abraçar sua tia que vem lhe visitar uma vez ao ano com presentes incríveis.

— Façam o que quiser comigo, mas não ousem chegar perto da Kelsey ou das minhas filhas.

— Ou vai fazer o que? — Bruce revidou com seu sorriso sarcástico. — Se desamarrar e ir resgatá-la? Eu acho que isso não é possível.

Trinquei meu maxilar, percebi o que estavam fazendo, queriam brincar com o meu emocional, mas não iria deixar isso acontecer.

— Então estão aqui para finalmente por a vingança de vocês em pratica?

— Você sabe, Bieber, fiquei anos na cadeira desejando me vingar, e agora finalmente estou aqui, cara a cara com você, quando foi mesmo a última vez que nos vimos? — Hanks olhou para o nada, fingindo tentar se recordar, e então olhou sorrindo para mim. — Ah, é mesmo, quando matei seu melhor amigo.

Meu rosto endureceu. Fechei minhas mãos com força e respirei pesadamente constantemente, tentando manter a calma. Nunca iria me esquecer do que ele me fez passar naquele dia.

Era ele que deveria estar aqui amarrado e pronto para ser torturado e pagar por tudo que fez com Ryan.

POV. Kelsey

Não era como se Mikael pudesse ajudar, mas foi para a primeira pessoa em que eu pensei em ligar. Já havia passado uma hora e nada dê Justin dar sinal de vida.

— Ele simplesmente sumiu? — perguntou Mikael do outro lado da linha.

— Sim, fui procurar por ele e a porta da entrada estava entre aberta, mas sem sinal dele.

— Entre aberta?

— Sim, por quê? — Mikael ficou em silêncio por um tempo, até que respondeu novamente. — Nada, deixe a porta trancada, irei pegar um jatinho e logo estarei aí.

— Está uma tempestade horrível, não vai conseguir vir.

— Então eu espero eles liberarem o voo, só me aguarde que logo chegarei, deixe a casa toda trancada, me ouviu?

— Ok, ah, não conte nada a minha mãe ou a Caitlin, não quero deixá-las preocupadas.

— Tudo bem, se cuida.

— Se cuida. — finalizei a ligação e fui correndo trancar a porta e as janelas, com certeza algo estava se passando pela cabeça de Mikael, mas o mesmo não quis me dizer. Se for o que eu estou pensando, já ficava apavorada só de pensar nessa possibilidade.

Fechei meus olhos com força e coloquei minha mão sobre meu peito. Por favor, que nada de ruim esteja acontecendo com você agora.


POV. Justin


Outro soco me acertou em cheio, me fazendo cuspir sangue. Pisquei meus olhos várias vezes, tentando recordar os sentidos.

— Você está muito frouxo, não aguenta nem alguns socos. Ah, é claro, andou muito fora de forma brincando de casinha. — outro soco no rosto, a dor se estendeu por toda a minha face.

— Acaba logo com isso, me mate, tenha a sua vitória.

— Não, ainda não. — sorriu e outro golpe me acertou em cheio.


POV. Kelsey


Batidas na porta me fizeram dar um salto de susto. Me aproximei lentamente da janela que dava para ter uma visão da porta principal, então vi algo que eu não acreditei.

Corri para a porta e a abri.

— CHRISTIAN! — o abracei forte. — Graças a Deus, o Justin... espera, como chegou aqui tão rápido? — Christian me soltou e adentrou na casa me puxando junto, fechando a porta logo depois.

— Justin está?

— Não, ele foi atender a porta mais cedo e sumiu... — parei de falar e prestei atenção nele, estava todo molhado e parecia aflito. — O que está acontecendo?

— Não se preocupe, deixe a casa trancada, já sei onde ele está, eu já volto. — e simplesmente abriu a porta e saiu correndo naquela chuva toda.

O que diabos estava acontecendo?

Quando me aproximei da porta para trancá-la, vi algo se mover no meio da mata. Apertei meus olhos para tentar enxergar, até que um corpo de uma mulher começou a aparecer no meio da chuva com uma toca rosa. Não acredito.

Abri a porta correndo e fui em sua direção.

— Graças a Deus. — Caitlin me abraçou com força. Abracei ela com tanta força, estava sentindo tanto a sua falta que não notei que estava chorando, e nem me importei por estar de baixo de toda essa chuva. — Christian aparaceu aqui?

— Sim, ele acabou de sair, foi por aquela direção. — apontei para o lado direito. — O que está acontecendo? Porque vocês dois estão aqui?

— Christian fez merda, Kelsey, não tenho tempo de explicar, preciso ir ajuda-lo antes que tudo piore.

— Justin foi sequestrado, não foi? Hanks ou Bruce? — perguntei por fim o que já estava se passando pela minha cabeça. Caitlin me olhou, e talvez por pena, resolveu assentir, confirmando o que eu já estava sentindo.

— Os dois, estavam armando algumas coisas juntos... — parou de falar fechando seus olhos em completa decepção.

— O que mais aconteceu?

— Christian os ajudou em algumas coisas.

Meu mundo desabou. Arregalei os olhos e fiquei paralisada.

— Não tenho tempo de explicar, mas ele veio aqui resolver tudo, ele não me deixou vir junto então tiver que vir escondida. Depois prometo explicar tudo, mas agora preciso tentar encontrá-los.

— Mas...

— Não, preciso que volte para dentro, se tranque e fique até alguns de nós voltarmos, entendeu? — ela esperou que eu dissesse algo, mas eu só conseguia ficar paralisada em choque. — Entendeu? — voltou a perguntar, mas com firmeza dessa vez, fazendo-me despertar. Assenti em resposta. — Ótimo. — então choro de bebe começou a passar por cima do som da chuva, Caitlin olhou admirada em direção da casa. — Mal posso esperar para pegá-las no colo, mas primeiro isso tem que acabar. Volte para dentro e tranque tudo, eu te amo. — me abraçou forte e se afastou, correndo na exata direção em que Christian havia partido.

— Eu também te amo. — sussurrei para o barulho da chuva.

POV. Justin

Sentia meu rosto latejar, mas com a raiva que eu estava, se eu me soltasse ou qualquer brecha que ele deixar passar, eu acabaria com ele em um piscar de olhos, estava esperando pela oportunidade perfeita.

— Isso vai ser muito divertido. — continuou a dizer, tudo que ele sabia era falar e falar. — Principalmente quando a nossa convidada especial chegar. — levantei minha cabeça e o encarei.

— Que convidada? — Fechei minhas mãos em punho — Se tocarem na Kelsey, se fizer qualquer coisa, eu juro...

— Jura o que? — arqueou uma sobrancelha, me desafiando. — Não tem nada que você possa fazer, somente assistir. Achou mesmo que nossa vingança era vir aqui e mata-lo? Você nos tirou tudo, tudo. Nada mais justo do que fazer você perder tudo e assistir isso. — antes que eu pudesse revidar, a porta do celeiro foi aberta, e eu não pude acreditar no que estava vendo. Seria uma miragem?

— Já chega! — Christian disse com sua arma apontada para a cabeça de Bruce.

— Olha só quem está aqui. — Bruce olhou para ele de lado, ainda mantendo sua arma apontada para mim. — Se não é o traidor Beadles.

Olhei para Christian sem saber o dizer ou pensar. No fundo eu já sabia.

— Você passou completamente dos limites, eu já disse que "já chega".

— Você achou o que? — Bruce o encarou com raiva, mas com sua arma ainda voltada para mim. — Que eu iria simplesmente derrubá-lo sem realmente machuca-lo?

— Você me enganou.

— Olha só, o menino inocente. — Bruce riu entre dente, fazendo Chris trincar seu maxilar, com raiva.

— Eu sei o que você deve estar pensando. — Dessa vez Christian olhou para mim, mas voltou novamente seu olhar para Justin. — Eu só estava frustrado, tudo mudou com a chegada de Mikael, eu achei, eu...

— Que seria descartado? — Completei. Chris me olhou novamente antes de voltar sua atenção para Bruce. — Sim.

— Achei que você já soubesse que as coisas eram diferentes.

— Eu me arrependi completamente, não era nada disso que eu queria, só queria deixar você...

— Desconfiado de Mikael e assim tiraria ele da jogada? — Completei novamente. Todas as minhas suspeitas estavam certas, e com essa não foi diferente. Com a chegada de Mikael e seu parceiro Will completamente experiente, Chris se sentiu ameaçado, só pensou em tirá-lo da jogada, mas não percebeu o risco que eu e Kelsey poderíamos correr, como agora.

— Pode ficar com raiva, tem todos os motivos, mas eu vou tirá-los dessa.

— É ó mínimo que deveria fazer. — revidei com raiva, mas então ouvimos barulho vindo de fora, mesmo por cima da chuva. — Deve ser Hanks, ele esteve aqui também, cuidado. — Gritei rapidamente. Chris sacou sua outra arma, uma apontando para a porta do celeiro e outra apontada para Bruce.

— Hanks, se for você, não entra. — Bruce gritou sobre o barulho da chuva, me deixando puto. Se ele estivesse com Kelsey? Balancei minhas mãos para tentar desfrouxar a corda que as prendiam.

— Quem está ai? Apareça? — Chris gritou em direção a porta entre aberta, tentando enxergar alguma coisa, mas a chuva estava forte e não era possível ter uma boa visão. Escutamos outro barulho de passos, dessa vez ficamos mais receosos. Hanks poderia cercar Chris e estaríamos fodidos, seríamos os dois de refém. — Não se aproxima, ou eu irei atirar, estou avisando. — Chris gritou as palavras, podia ver daqui seu corpo todo tenso. E então quando um vulto apareceu em velocidade, Christian se assustou e sua arma disparou. Um corpo caiu no chão sobre a chuva, seu pé ficou para dentro do celeiro e seu corpo para o outro lado. Não conseguia ter uma boa visão de quem era, mas com certeza não estava com Christian.

— HANKS? — Gritou Bruce, já levantou sua arma e apontando dessa vez para a cabeça de Chris. Mas quando Christian se aproximou do corpo, suas pernas falaram e ele caiu de joelhos no chão.

— Não, não, não, não pode ser. — Christian começou a passar suas mãos em sua cabeça, completamente descontrolado.

— O que foi? Quem é? — Gritei desesperado, o que estava acontecendo? Quem era? Seria Kelsey? Eu o matava, eu juro que o matava. Mas então Bruce conseguiu ver, e olhou para mim.

— Não é sua mulherzinha, não se preocupe, mas pelo menos alguém acabou de cavar a própria cova.

— Do que está falando? Quem é?

— Caitlin. — Christian sussurrou em meio às lágrimas, se arrastando em direção ao corpo morto da irmã. Ele puxou seu corpo para dentro do celeiro, para tirá-lo da chuva, então a abraçou com força, com toda a força que ele podia, enquanto chorava de soluçar. — O que você estava fazendo aqui? — Ele gritou em soluços. — O que eu fiz? O que eu fiz? — Ele chorava descontrolado, completamente transtornado. Fiquei paralisado em choque, que só depois percebi que minhas mãos estavam frouxas. Fechei meus olhos e suspirei fundo, tentando bloquear o que havia acabado de acontecer para me concentrar no que eu teria que fazer.

Eu teria que arriscar, mas poderia acabar morto, mas eu tinha que arriscar.

Com Bruce distraído com a cena de Christian se lamentando, quando ele notou minha presença perto dele, tentou levantar a arma em minha direção, mas consegui bater em seu braço, desarmando-o e logo lhe dando um soco bem no meio do rosto, com sangue escorrendo pelo seu nariz.

Bruce cambaleou para trás, então corri para pegar sua arma e mirei em sua cabeça.

— Acabou! — disse ofegante e com minhas mãos tremulas.

— Sim, acabou. — uma voz diferente disse. Olhei para trás e vi Mikael bem na minha frente, com uma arma apontada para Bruce. — Kelsey me ligou, agora é comigo, o problema dele é todo comigo. Vá e leve Christian daqui.

Olhei para ele antes de voltar meu olhar para Bruce e abaixar minha arma. Me afastei e fui até Christian, tentando pegá-lo pelo braço, mas o mesmo se recusava, chorava descontroladamente sobre o corpo de Caitlin.

— O que foi que eu fiz? — escutei ele sussurrar agarrado a irmã, era nítido todo o arrependimento que estava o dominando naquele momento, mas não podíamos fazer mais nada, precisávamos continuar, Kelsey ainda estava em perigo.

— Christian? — Ele não me olhou, continuou com sua cabeça apoiada na de Caitlin com seus olhos fechados em lágrimas. — Precisamos continuar, temos que sair daqui, Kelsey ainda está sozinha na casa...

— Pode acabar com isso. — ele disse me interrompendo.

— Acabar com o que?

— Com isso. — Olhou para mim, seu olhos estavam vermelhos e seus rosto molhado. Entendi o que ele quis dizer no momento em que me olhou. Ele queria que eu acabasse com sua vida.

— Você perdeu sua cabeça, Christian, não sabe o que realmente quer.

— Sei sim, seria sua vingança perfeita.

— Não preciso me vingar de você, você já fez isso consigo mesmo. — Ele me olhou sério. Ter matado Caitlin acidentalmente, isso com certeza o desmoronou por dentro, ele próprio pagou pelos seus erros.

— Eu imploro, só acabe com isso. — Ele não desviou seu olhar do meu, continuou com eles suplicantes, mas eu não podia fazer isso, não podia, ainda Christian, ainda era meu amigo, e ele estava ferido por dentro.

— Se quer ficar aqui com ela, tudo bem, mas eu preciso ir, volto depois com reforço. — Olhei para Caitlin, seus olhos ainda estavam abertos. Os fechei e acariciei sua bochecha gelada. Seja o que for o motivo de estar aqui, sei que foi com a mais pura intenção, e tecnicamente ela me salvou. — Obrigada por tudo. — Sussurrei para sua pele pálida e gélida.

Me levantei e de uma ultima olhada em Mikael, ele discutia com Bruce, não havia percebido o que acabara de acontecer. Me afastei e comecei a sair do celeiro quando escutei um barulho de tiro e Mikael gritar um "Não" agoniado. Olhei para trás rapidamente, assustado, bem a tempo de ver o corpo de Christian cair sobre o de Caitlin.

Fiquei paralisado completamente em choque. Com a arma ainda entre seus dedos, uma poça de sangue se criou ao redor de sua cabeça, com seus olhos azuis abertos e olhando fixados em mim.

Meu corpo ficou completamente paralisado, como se eu tivesse me esquecido de andar, pensar, falar... Tudo.

— Justin! — Olhei para Mikael, ainda sem reação nenhuma, completamente em choque. — Você precisa ir, vai. — Desviei meu olhar dos seus e voltei a olhar para Christian. Isso não estava acontecendo, não era possível. — Filho? — Mikael voltou a me chamar, olhei novamente para ele, ainda atordoado. — Não é hora de perder a cabeça, muito menos de surtar, você precisa continuar. — Suas palavras me despertaram. Engoli em seco e assenti, ainda sem conseguir dizer qualquer coisa. Me virei e comecei a me afastar, ainda com as minhas expressões paralisadas, minhas pernas trêmulas e minhas mãos frias.

Nunca pensei que veria Christian Beadles perder sua cabeça. Nunca.

Comecei a correr, precisava chegar até Kelsey, não iria suportar mais mortes hoje.

Encontrei a casa e entrei correndo pela porta, chamando por ela, mas assim que entrei, notei Kelsey sentada olhando aflita para mim com seu rosto vermelho e olhos marejados em lágrimas, logo a sua frente Hanks estava sentado com uma arma apontada para ela.

— Olha só quem chegou, parece que tudo costuma dar certo para você, não é mesmo?

— Nem tudo. — Minha voz saiu baixa, estava cansado, completamente cansado. Haviam se passado quanto tempo desde que tudo aconteceu? Duas, três horas? Mais?

— Parece que alguém está destruído. Cheguei a levar Kelsey ate o celeiro, vi toda a confusão e percebi que tinha mais gente, então me afastei e voltei, sabia que iria conseguir escapar de alguma forma, a sorte sempre anda ao seu lado. — Fechei meus olhos e pensei em Christian e Caitlin. Nem sempre tudo que eu quero acaba bem.

— Vamos acabar logo com isso, me mata — Cruzei meus braços e o encarei.

— Justin! — Kelsey exclamou agoniada. — Não faça isso.

— Isso precisa acabar. — Respondi sem olhá-la, não iria conseguir fazer isso olhando para ela.

— Não, por favor. — Sua voz de choro começou a aparecer, e logo ela já estava chorando também.

— Que cena comovente. — Hanks levantou e olhou para mim. — Vocês dois fazem realmente um belo... — Então Kelsey acertou sua cabeça com um vaso de vidro com flores que estava ao seu lado (um dos milhares de vasos de flores que estavam espelhados pela casa), Hanks cambaleou e a arma disparou, mas atingiu o teto. Aproveitei a deixa e avancei para cima dele, segurando sua mão com a arma, tentando desarmá-lo. Hanks cambaleou para trás, tonto com a pancada que havia levado, então dei um soco em sua barriga e outro no rosto, fazendo-o cair de cara no chão.

Chutei sua arma para longe e peguei a minha que estava comigo, apontando para sua cabeça.

— O garoto de dezesseis anos que te derrubou há alguns anos, está de derrubando de novo, pela segunda vez. Mas dessa vez — Apertei o gatilho, com Hanks levantando sua cabeça com dificuldade, tentando me olhar. — Mas dessa vez ele está melhor e mais experiente, dessa vez ele não vai deixar um verme sair ileso. Ele vai levar tudo até o final. Kelsey, não olha. — E assim ela fez, virando seu corpo de costas para mim e logo depois minha arma disparou, estourando sua cabeça.

Deixei a arma cair e cambaleei para trás, me sentando no braço do sofá.

— Acabou. — disse por fim com Kelsey ainda de costas. — Kelsey? — Seu corpo virou para me encarar, ela chorava compulsivamente.

— Eu vi. — Foi tudo o que disse em meio a soluços. Ela não precisou me dizer mais nada, nos seus olhos eu conseguia ver o corpo de Caitlin caindo sem vida. — Eu não vi que ela estava escondida, quando eu vi ela já estava tentando entrar e acertaram ela... Hanks não me deixou impedir. — Ela voltou à solução. Envolvi seu corpo tremulo em meus braços e a abracei com toda a força que eu podia.

— Era Christian, o infiltrado.

— Caitlin me contou, ela esteve aqui antes. Estava tentando impedir que Christian fizesse alguma besteira. Como ele pode? — Fechei meus olhos com força. Ela não podia saber, ela nunca o perdoaria e viveria para sempre com toda essa mágoa. — Onde ele está? Como lidou com a morte de Caitlin? — A imagem de Christian atirando contra sua própria cabeça e caindo sem vida sobre o corpo de Caitlin apareceu novamente bem diante dos meus olhos.

— Reagiu nada bem. — Abracei-a com mais força, com toda a força que eu tinha quando Mikael adentrou.

Ele nos olhou por um tempo, depois para o corpo ensanguentado de Hanks, então novamente para mim.

— Bruce está morto. Acabou. — Eu e Kelsey suspiramos aliviados.

— E Christian? O que irão fazer com ele? — Kelsey perguntou olhando para mim e Mikael, ainda com suas lágrimas escorrendo pelo seu rosto. Mikael fixou seu olhar em mim, sem saber como responder a isso, e eu não estava muito diferente.

Como conseguir dizer em voz alta? 


NOTAS FINAIS: Sobre o que aconteceu, eu já tinha isso em mente já a bastante tempo, decidi colocar em prática por achar uma cena forte para o "final", e apesar de ser triste e forte, eu realmente quis escrever essa ideia, simplesmente não imaginava um final diferente para os irmãos Beadles, nunca existiu um final feliz para eles, então esse se tornou perfeito, espero que respeitem a minha escolha, era exatamente assim que eu imaginei o final para eles.

Sobre Christian ter se matado, acho que nem preciso dizer nada, ele ficou com tanto remoço que agiu de forma impulsiva. Outra cena forte e intensa, mas que eu simplesmente amei para o final dele. No final de tudo, ele mesmo pagou por tudo que fez (mesmo estando cego, não vamos culpá-lo, Christian só estava completamente cego).

Caitlin era um amor e não merecia esse final, mas por outro lado, foi sua presença que distraiu Bruce e fez com que Justin ganhasse tempo. Caitlin estava ali para tentar ajudar e de certa forma conseguiu. Ambos os irmãos estarão para sempre em nossos corações, mas só peço que respeitem essa decisão sobre o fim deles.

NUNCA existiu final feliz para eles.

Esse ainda não é o capítulo final, o próximo será um EPÍLOGO, mostrando como tudo ficou depois que tudo isso aconteceu nesse capítulo. Irei postá-lo dia 01 juntamente com o prólogo da minha nova fanfic, deixarei o link com vocês. 

FALTA 1 CAPÍTULO PARA O FINAL DE AFG, preparados para o fim?

Estarei viajando no natal, desejo a todos uma ceia maravilhosa, muita paz e amor nesse dia especial. Feliz natal a todos (e não me matem, amo vocês) <333 

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