Without Him - Parte 1
Três meses haviam se passado. Três meses desde que decidimos seguir caminhos diferentes. Três meses desde em que nossas vidas desmoronaram. Três meses desde quando eu assinei o divórcio e saí da vida de Justin para sempre.
Três meses.
Não iria mais me concentrar no passado, desde o primeiro momento em que eu resolvi sair do Canadá, foi para deixar toda a minha antiga vida para trás, inclusive Justin.
Ele havia feito suas escolhas, e agora eu também havia feito as minhas.
Jurei para mim mesma que não seria mais fraca.
Não que as coisas fossem assim no início, e até hoje os pesadelos daquele dia me atormentam.
Flashback on
— Para onde você vai? — Caitlin me perguntou apreensiva enquanto eu arrumava minhas coisas e soluçava entre lágrimas.
— Vou para qualquer lugar, mas aqui eu não fico mais.
— Ele te expulsou?
— Fez pior. Ele assinou o divórcio. — Caitlin arregalou os olhos e ficou paralisada, completamente chocada com a revelação.
— E você, o que fez? — quis saber.
— O que você acha? Tive que assinar também, não tinha muito o que fazer. — fechei a mala e enxuguei minhas lágrimas. — Eu só preciso ir embora daqui.
— Mas para onde você vai, Kelsey? Não faça uma besteira.
— Continuar aqui que eu não vou, eu não posso... eu... — perdi minhas forças e me sentei na cama, começando a soluçar de novo. Caitlin se sentou ao meu lado e me abraçou, me consolando até minhas lágrimas se sessarem.
— Você não pode ir, você foi a melhor amiga que eu já tive. — ela disse enquanto me abraçava forte. Levantei minha cabeça para olhar seus olhos e ela estava chorando. A abracei forte de novo, não querendo soltá-la nunca mais.
— Você foi a melhor amiga que eu já tive em toda a minha vida. — mesmo não vendo seu rosto, eu sabia que Caitlin estava sorrindo. E era verdade. Minhas antigas amizades eram falsas, nunca soube de verdade o que era ter uma amizade.
— Eu vou te ajudar, quero te dar uma pensão todo mês. — Caitlin se levantou da cama e enxugou suas lágrimas, pronta para fazer a caridade do dia.
— Uma pensão? — olhei para ela com desdém. — É sério Caitlin? — ironizei.
— Sim, é sério, não vou deixar você desamparada, assim você pode comprar um bom apartamento e ter uma vida melhor onde quiser.
— Não quero que fique me sustentando.
— Não vai nem fazer cosquinha na minha conta bancária, acredite. — vindo de Caitlin eu não duvidava nada, mas seria frustrante ter que se bancada pela sua melhor amiga. — Não aceito não como resposta, está decidido.
— Então tem que ser uma quantia inferior, quero trabalhar e me virar sozinha.
— Tudo bem, pode ser cem mil dólares. — arregalei os olhos.
— Está louca? Com isso nem iria precisar trabalhar, pode diminuindo isso ai. — ela bufou mas ficou pensativa.
— Cinquenta?
— Não.
— Dez?
— Caitlin...
— Cinco?
— Dois? — sugeri, e ela balançou a cabeça negando.
— Cinco e não se fala mais nisso. — ela estendeu sua mão para eu apertar, como se estivéssemos fechando um negócio. Bufei e apertei sua mão.
Cinco mil dólares seriam depositados na minha conta todo mês.
Obrigada, Beadles.
Flashback off
Sempre seria agradecida a Caitlin por toda a ajuda que ela vinha me dando. Além da pensão, sempre que dava ela vinha passar o fim de semana aqui (a maioria das vezes com Nolan vindo junto), o que nos tornou mais próximos ainda.
Nolan se tornou meu melhor amigo, era bom ter seu apoio e tê-lo por perto, e também era ótimo quando ele deixava algumas coisas sobre a vida de Justin escapar.
Nolan não era bom em esconder as coisas, as vezes ele mesmo se enrolava e deixava algo escapar, como a noite em que eles estiveram em uma boate de strippers e Justin saiu carregado por vadias se tocando só depois que ele havia falado demais, o que já era tarde.
Mas de certa forma isso foi bom, assim que nos mudamos tudo que eu sabia fazer era chorar e me sentir fraca, saber que Justin estava pouco se fodendo pra mim fez eu abrir os meus olhos.
Eu estava farta de ser fraca e de demonstrar as minhas fraquezas.
— Kelsey, você vai se atrasar para o trabalho. — Jenna gritou no corredor, me fazendo dar um pulo da cama e ir correndo para o banheiro.
E como eu poderia me esquecer de Jenna? Estaria ainda mais grata a ela por tudo que tem feito por mim, Jenna realmente me acolheu como filha, da mesma forma em que eu a colhi como mãe.
Quando eu disse que voltaria para LA, Jenna na mesma hora quis vir junto, mesmo eu dizendo que seria uma loucura, mas mesmo assim ela arrumou suas coisas e se mudou comigo para uma nova vida.
Todos os conselhos e apoios de Jenna me ajudaram a seguir em frente.
Graças a pensão de Caitlin conseguimos dar entrada em um bom apartamento. Moramos em uma residência calma de LA, com casas e apartamentos aconchegantes, nada luxuoso, apenas uma vizinhança familiar.
Eu estava amando esse lugar e principalmente o meu quarto. Eu amava a decoração dele, todo branco com uma parede de cor azul ao lado esquerdo, onde ficava a minha cama com luzes penduradas que lembravam o céu, dando ao quarto um ambiente romântico.
Ao lado direito havia uma estante cheia de livros embutida e logo ao lado uma porta que dava ao meu banheiro. As grandes janelas proporcionavam a refrescância e a claridade do lado de fora. Eu amava meu ambiente aconchegante, apesar de Caitlin ter sugerido rosa, lustres de cristais e todas as outras coisas exageradas — porque é claro que ela veio aqui com um decorador —, mas depois de ter vivido uma vida inteira babando ovo de riquinhos, sonhando ter essa vida e ter vivido um ano na mansão de Justin, tudo que eu queria era viver coisas normais.
Nada de mansões, carros luxuosos, mafiosos os gangsteres, apenas a paz e tranquilidade de uma vizinhança normal.
Tomei um banho correndo e troquei de roupa, indo em direção a cozinha. Ela era toda clara, com armários brancos e vermelhos, com as deliciosas panquecas de chocolate de Jenna já em cima da mesa, prontas para serem devoradas.
— Bom dia, linda. — ela sorriu gentilmente.
— Bom dia, Jenna. — dei um beijo em sua bochecha e me sentei, logo começando a comer.
Havia conseguido um emprego na maior loja de locadoras de LA. Além de alugar DVDs, vendia eletrônicos, jogos para computadores, revistas de toda a parte do mundo, e ainda tinha uma parte atrás com milhares de Cds e DVDs a venda, e além de Cds, haviam discos também, você encontrava desde os CDs mais novos até as antiguidades. Era incrível aquele lugar.
Terminei de tomar meu café e me despedi de Jenna, indo para o trabalho. Jenna também havia conseguido um emprego de faxineira da nossa vizinha ao lado, era perto de casa e não era cansativo pois a mulher era idosa e viúva, com aproximadamente dez gatos.
Peguei as chaves do meu Audi e fui para o trabalho. Uma semana depois quando eu já havia me mudado para Los Angeles, meu Audi chegou por um caminhão enorme, com Caitlin vindo logo atrás em um conversível vermelho. É claro que isso foi ideia da Srta. Beadles, de quem mais poderia ser?
"Lembre-se sempre disso, quando o relacionamento acaba, os presentes ficam", foi o que ela me disse quando eu recusei o Audi que Justin haviam me dado, mas no fundo eu sabia que ela estava certa, o Audi iria ficar largado ou Justin iria se desfazer dele, então nada mais justo do que ele ser meu.
Quando cheguei no trabalho, estacionei meu Audi e entrei no estabelecimento, cumprimentando alguns funcionários pelo caminho.
— Oi Kelsey, bom dia. — disse Abby, uma amiguinha que eu havia feito no trabalho.
— Olá Abby, como está o movimento? — perguntei colocando a plaquinha com meu nome na blusa, todos tínhamos plaquinhas com nossos nomes na blusa, como uma forma de identificação.
— Por enquanto tranquilo. — ela deu de ombros fazendo seus cabelos enrolados e ruivos balançarem. — Vai fazer alguma coisa hoje?
— Por enquanto, ainda não. — dei de ombros. Hoje era sexta, com certeza ela já tinha algo planejado ou iria ter em breve.
— Pode deixar que vou planejar alguma coisa legal. — ela piscou pra mim, me fazendo rir.
A resposta correta então seria: Ela irá ter algo planejado em breve.
Eu gostava de Abby, ela era extrovertida, alegre, tudo nela radiava felicidade, você nunca via Abby para baixo,nunca. Você fácil conseguia fazer amizade com ela, fora que ela sempre gostava de se enturmar, estar em todas as festas, mas nunca fazia nada de forma negativa.
Scarllet tinha que estar em todas as festas e se enturmar com todos, mas ela nunca fazia nada de forma positiva, se você tinha uma aparência de perdedora, ela nem se aproximava, fingia que você não existia e fazia você se sentir inferior. Ela tinha sempre que soltar seu veneno uma hora ou outra.
Abby era diferente, ela não via diferenças, para ela, todos mereciam ser notados.
Escutei um barulho de TRIM na porta, avisando da chegada de um novo freguês.
— Vou atender esse rapaz que acabou de entrar. — avisei a Abby que assentiu, indo fazer qualquer outra coisa enquanto eu ia na direção de um rapaz alto que estava de costas pra mim, olhando alguns CDs, o que me parecia familiar...
— Posso ajudar? — ele se virou e seus olhos encontrara os meus, fazendo meu coração parar. — Jered?
Ele ficou tão assustado quanto eu, me olhando de cima até em baixo, não acreditando que poderia ser eu.
— Kelsey? — ele finalmente disse, o som daquela voz que eu já havia esquecido.
— Você trabalha aqui?
— Comecei a pouco tempo. — respondi apreensiva, estava sendo desconfortável estar finalmente cara a cara com Jered depois da última revelação de que ele e Scarllet estavam tendo um caso.
— Nunca mais tive notícias suas, a última vez...
— Foi a nossa última ligação, é, eu me lembro. — o interrompi, lembrando de quando já estava no Canadá e Jered me ligou, foi naquele momento que coloquei um fim em tudo.
— Olha, Kelsey, eu sei que as coisas que eu fiz...
— Não precisa fazer isso, Jered, é sério, não vai mudar nada.
— Vai sim, porque quero pedir desculpas, não por aquele cara do passado, mas estou pedindo desculpas por esse cara de agora, o que me tornei. Sei que ficou com raiva de mim e por motivos, você não merecia o que eu fiz.
Por essa eu não esperava, fiquei totalmente sem reação, o Jered que eu conheço estaria cagando e andando pra mim, mas aqui estava ele, com roupas formais e um pouco de barba, aparentando estar mais maduro.
— Não guardo ressentimentos, foi há um ano, não precisamos relembrar isso.
— Mas eu sei que não se esqueceu, e eu peço minhas sinceras desculpas.
— "Peço minhas sinceras desculpas"? — repeti e comecei a rir. — Quando ficou tão formal?
— Estou fazendo medicina, tivemos um trabalho importante e então fizemos uma viajem pra África... — ele parou e sorriu pra mim. — Te conto tudo que aconteceu no ano passado se topar um jantar de reconciliação amanhã, que tal?
— O.... quê? — gaguejei, entorpecida. — Um jantar?
— Oh, me desculpe, apenas como amigos, não me entenda mal. — se corrigiu rapidamente, fazendo minha respiração voltar um pouco ao normal.
— Oh, sim, como amigos. — suspirei, me recuperando da falta de ar. Seria super estranho estar em um encontro com seu ex, não rola. — Eu não sei, não sei se é uma boa ideia.
— É apenas um jantar de perdão, apenas isso, vamos apenas contar sobre o que aconteceu com a gente no último ano.
Fiquei encarando ele por um tempo, ele nunca poderia saber como foi meu último ano, jamais, como iria explicar para ele que á um ano atrás eu estava casada com um mafioso?
Mas olhando em seus olhos eu notei que eles não eram mais os mesmos, Jered não era mais o mesmo, isso estava mais do que evidente, começando pelas roupas. Acho que isso poderia ser uma coisa positiva. Ou não.
— Tudo bem, apenas um jantar de perdão. — aceitei, me arrependendo logo depois. Onde está com a cabeça, Kelsey?
— Ótimo — disse animado. — onde posso te pegar?
— Ah, não... — cocei minha cabeça, olhando em volta e voltando a olhar para ele. — Me diga em qual restaurante e horário, eu encontro você lá. — ele riu.
— Ainda não confia em mim, não é? — balancei a cabeça, negando. — Tudo bem, eu entendo você, tem seus motivos. Podemos ir no Beverly Wilshire Hotel, no Cut, por minha conta, é claro. — se corrigiu rapidamente, ao notar minha expressão.
Cut é aclamado pelo chef Wolfgang Puck, um dos mais amados pelos locais de LA, esse restaurante fica dentro do Beverly Wilshire Hotel e serve cortes de carne simplesmente espetaculares. Os preços são altíssimos, mas o sabor é inigualável.
Ele sabia que eu não tinha dinheiro para algo como Cut, mas ele não sabia que eu recebia uma pensão de Caitlin Beadles, que daria o suficiente, mas isso ele poderia continuar não sabendo.
— Sem problemas, vai ser o Cut então.
— Ótimo, às sete horas, ok? Assim teremos mais tempo para conversar.
— Tudo bem, eu estarei lá.
— Foi um prazer revê-la, Kelsey. — ele pegou minha mão e a beijou, me deixando perplexa. Jered estava sendo cavalheiro e gentil, se á um ano atrás me dissessem que ele estaria assim hoje em dia, eu iria dizer a essa pessoa que ela enlouqueceu de vez. Ele riu ao perceber minha reação e então se afastou. — Eu mudei muito, Kelsey, vai saber tudo que aconteceu no sábado. Tenha um bom dia. — e então se afastou, indo em direção a porta e passando pela mesma.
— Quem é ele? — Abby acabou me tirando dos meus devaneios, me fazendo levar um leve susto.
— Eu estudei com ele, só isso, um velho amigo do colegial.
— Ele é um gatinho, e todo cavalheiro, ele beijou sua mão. — ela riu. — Vão se ver de novo?
— Amanhã à noite. — ela arregalou os olhos, deixando sua íris verdes ainda maiores, com um grande sorriso animado se formando em seu rosto. — Não, não, não, definitivamente não é um encontro. — disse rapidamente antes que ela desse um surto.
— Mas porquê? — Abby murchou na hora, igual uma flor.
— Porque sim, é complicado, prometo que um dia te explico, mas no momento vamos apenas contar o que nos aconteceu nesse ano que passou, e só.
— Tudo bem, mas é um desperdício só conversar quando se pode ter mais com aquele gato. — eu ri e a ignorei, indo atender outro freguês.
Se ela soubesse da verdade, não diria isso.
Estávamos na fila do Exchange LA, esta boate fantástica fica no prédio da antiga Bolsa de Valores de Los Angeles. A Exchange LA tem uma decoração luxuosa que impressiona e costuma atrair um público igualmente muito bem apresentados, bonitos e ricos.
Eu sei de tudo isso porque costumava vir com Scarlett.
Quando finalmente entramos naquele lugar, eu voltei para as minhas antigas experiências do colegial. Duas garotas de dezesseis anos em uma boate com duas identidades falsas, prontas para se divertir a noite inteira. Não que eu ainda não precisasse da identidade, pelo menos para beber eu ainda precisava dela.
— Vamos pegar uma bebida. — Abby gritou em meu ouvido e eu concordei.
— Identidade. — o Barmen pediu e eu e Abby entregamos. Depois de conferir as identidades falsas, ele voltou a nos entregar, colocando dois copos com tequila. Eu e Abby contamos até três e viramos tudo de uma só vez, com a tequila descendo queimando e meus olhos começando a lacrimejar. Pedimos outra e outra, então estávamos prontas para a pista de dança.
Começamos a nos movimentar com as batidas da música Summer do Calvin Harris, com as luzes piscando para todos os lados e o calor dos corpos ao redor deixando tudo mais intenso e excitante.
Logo senti uma mão em minha cintura, virando meu corpo para eu ficar de frente com ele. Moreno de olhos verdes. Mordi meu lábio inferior e sorri maliciosamente.
Afinal de contas, eu estava solteira, mas sozinha? Nem sempre.
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